segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Foragido há 2 meses, Mizael vive “preso”, diz advogado


Mizael Bispo, ex-namorado da advogada Mércia Nakashima, assassinada em maio do ano passado, está há quase dois meses foragido da polícia. Nesta segunda-feira (7), completam-se dois meses que a Justiça decretou a prisão preventiva do policial reformado e advogado. Apesar de Mizael estar foragido, Ivon Ribeiro, um de seus advogados, diz que o acusado vive hoje como se estivesse preso.
- Engana-se quem pensa que ele não está preso. É uma vida difícil. É uma pena antecipada.
Os cerca de 300 processos que eram conduzidos pelo escritório de Mizael, que é advogado, foram transferidos por tempo indeterminado para as mãos de Ribeiro e de um outro advogado amigo do réu.
Em 7 de dezembro passado, a Justiça também mandou prender Evandro Bezerra da Silva, que era vigia em um posto de gasolina em Guarulhos (Grande São Paulo). Foragido, ele é acusado de ter ajudado Mizael a concretizar o crime.

"País de impunidade"
Para a família da vítima, a sensação continua sendo de impunidade. Márcio Nakashima, irmão de Mércia, contou que não tem sido informado sobre os esforços da polícia para encontrar os acusados. Para ele, Mizael não vai se entregar.
Questionado se ele acredita na prisão de Mizael antes do julgamento, ainda sem data definida, Márcio disse que todos tentam manter a esperança, mas sem criar muita expectativa.
- Vivemos num país de impunidade. Um país que gosta de assassinos.
Ele se referia à decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o italiano Cesare Battisti, acusado de matar quatro pessoas na Itália.
O irmão da vítima, desiludido com a falta de notícias do acusado, conta que já não recebe muitas informações do paradeiro de Mizael.
- O caso esfriou um pouco e sumiu da mídia. As pessoas esquecem e já não ficam tão atentas.
Márcio diz que chegou a receber informações de possíveis esconderijos de Mizael. Ele afirma que repassou os dados para a polícia, mas não teve nenhuma informação se os endereços foram checados.
Para o defensor de Mizael, o fato de seu cliente ainda não ter se entregado é um direito dele.
- Vamos esgotar todos os recursos. E estou confiante que não precisaremos usá-los.
O pedido de liminar [decisão provisória] para deixar o acusado em liberdade já foi negado pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Para decidir os próximos passado, os advogados do réu aguardam o julgamento do mérito do habeas corpus de libertação [decisão definitiva], que deve ser feito pelo TJ nas próximas semanas.
- Se for negado, entramos novamente com a ação no STJ.

Foragidos
Só no Estado de São Paulo há cerca de 152 mil foragidos da Justiça, segundo informações da SSP (Secretaria de Segurança Pública). O órgão não divulga oficialmente quantos policiais compõem a Divisão de Capturas, responsáveis pelas prisões.
Além dos acusados de matar Mércia, a polícia está à procura do ex-médico Roger Abdelmassih, acusado de estuprar pacientes, e do estudante Jonathan Domingues, suspeito de espancar no ano passado homossexuais na avenida Paulista.
No final do mês passado, quando Waldomiro Milanesi assumiu o divisão, o delegado admitiu que deve priorizar os casos com clamor público. Mas, até agora, nenhum dos foragidos mais conhecidos foram encontrados.
A reportagem do R7 questionou a SSP sobre o andamento da busca a Mizael e Evandro e foi informada que nada poderia ser divulgado para não atrapalhar as investigações. O advogado do ex-namorado de Mércia também não dá pistas de onde está seu cliente.


Fernandinho Beira-Mar é transferido para Mossoró (RN)



Esta é a 13ª transferência de Beira-Mar desde abril de 2001, quando foi preso

O traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e outros cinco detentos foram transferidos no sábado (5) do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, para o Rio Grande do Norte.
Beira-Mar e os demais presos foram levados para a penitenciária de Mossoró em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) fretado pela Polícia Federal. A transferência faz parte de um sistema de rodízio aplicado ao traficante desde 2006.
A unidade de Mossoró é uma das cinco penitenciárias federais do Brasil e a única no Nordeste. O presídio, que tem capacidade para abrigar 208 homens e área coberta de 13 mil metros quadrados, fica localizado no Complexo Mário Negócio, a cerca de 15 km do centro da cidade de Mossoró.
Esta foi a 13ª transferência de Beira-Mar desde abril de 2001, quando foi preso em uma ação conjunta das polícias de Colômbia e Brasil. Desde então, ele já passou pelos presídios de Bangu, no Rio de Janeiro, Maceió, Florianópolis e Brasília.


R7

Internada para cirurgia na boca, criança é operada na barriga em SP


Mãe diz ter se assustado ao ver curativo no filho, em Bertioga.
Secretaria da Saúde diz ter instaurado sindicância para apurar o caso.

Uma criança de 10 anos internada para uma operação na boca em Bertioga, no litoral de São Paulo, foi operada na barriga - de uma hérnia que, segundo a mãe, jamais foi diagnosticada.
O nódulo no lábio que o atrapalha na hora das refeições continua intacto. Mais abaixo está o curativo da cirurgia que não estava prevista.
A mãe dele, Lucinéia Matias Castro, diz ter ficado assustada ao ver o filho após o procedimento. Segundo ela, o filho vinha sendo avaliado desde junho do ano passado e constam de todos os documentos o pedido específico para a cirurgia no lábio. "A médica estava ciente do problema na boca dele. Ela chegou a vê-lo três vezes. E nunca falou nada sobre hérnia."
A cirurgia foi realizada na quinta no Hospital Municipal de Bertioga. O menino teve alta no mesmo dia. Uma sindicância foi aberta para apurar o caso.
"A médica me disse: 'Eu tirei uma hérnia do seu filho. Esqueci o caroço de cima, mas tirei o de baixo'", conta a mãe.
A Secretaria da Saúde de Bertioga diz que só vai se pronunciar sobre o caso após a conclusão da sindicância.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Polícia procura gêmeas suíças após suicídio do pai


Policiais de três países estão à procura de duas meninas gêmeas de seis anos que estão desaparecidas após terem sido sequestradas pelo pai, que se matou dias depois.

Matthias Schepp, cidadão suíço nascido no Canadá, havia buscado as meninas na casa da mãe, de quem estava separado, no sábado, dia 29 de janeiro.
Depois de deixar a casa em St. Sulpice, na Suíça, ele teria viajado para França e Itália, onde se jogou embaixo de um trem na sexta-feira.
Helicópteros, cães farejadores e muitos voluntários estão trabalhando nas buscas pelas gêmeas.

Carta
Na segunda-feira, dia 31, Schepp enviou uma carta à sua esposa da cidade de Marseille, na França, dizendo que estava desesperado e que não conseguiria viver sem ela, mas sem mencionar as filhas, segundo relatos da agência de notícias italiana Ansa.
De acordo com informações do jornal italiano La Repubblica, entre segunda e terça-feira, ele teria sacado 7,5 mil euros de cinco caixas automáticos diferentes em Marseille. Quando ele morreu, havia cerca de 100 euros em sua carteira.
A polícia estuda a possibilidade de que ele tenha usado o dinheiro para pagar alguém para cuidar das crianças.
O corpo de Schepp foi encontrado nos trilhos de trem perto da cidade de Cerignola, na região de Puglia, na Itália. Seu carro estava próximo do local.
Os investigadores dizem não saber se Schepp levou as filhas com ele em suas viagens para a França e Itália.
Voluntários e policiais suíços, franceses e italianos realizam buscas na região de Puglia, vasculhando poços e caixas d'água, e uma vasta área também está sendo sobrevoada por helicópteros.
No sábado, moradores de St. Sulpice, de onde as gêmeas foram levadas, realizaram uma marcha pela cidade em apoio à família.




Enfermaria do tráfico é encontrada durante ocupação no Rio


Policias localizaram uma enfermaria do tráfico no morro da Mineira e prenderam o médico alemão, identificado apenas como Doutor Kai, neste domingo, durante ocupação no Complexo de São Carlos, no centro do Rio de Janeiro.
A operação policial que deu início ao processo de instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) nos morros São Carlos, Zinco, Querosene, Mineira, Coroa, Fallet, Fogueteiro, Escondidinho e Prazeres começou por volta das 6h da manhã. Participam da operação 700 homens das polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e Marinha do Brasil.

Saldo da operação
A megaoperação da Polícia Militar conseguiu, em cerca de duas horas, concluir a ocupação de nove comunidades na região do Complexo de São Carlos, no Rio de Janeiro. Cerca de 700 policiais estavam envolvidos na ação.
“A luta é do cidadão de bem contra o crime. Tenho certeza que daqui nós podemos levar essas ações para outros estados e, quem sabe, diminuir o índice de criminalidade”, afirmou o secretário de segurança pública do Rio, José Mariano Beltrame, em entrevista coletiva na manhã deste domingo.
Reunido com os comandantes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária e da Marinha, o secretário comentou o êxito da operação com planejamento. De acordo com o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, “houve uma grande preparação para que a ação tivesse, em tempo e espaço anteriormente pensados, sucesso”.

Bárbara Forte


eBand

Travestis menores de idade serão devolvidos aos pais



Polícia de São Paulo descobriu esquema de tráfico e exploração sexual

Os seis travestis menores de idade detidos na quarta-feira (2) pela polícia de São Paulo por serem vítimas de um suposto esquema de tráfico sexual serão devolvidos a seus pais, no Nordeste do país. Antes, eles vão passar pelo Conselho Tutelar de São Paulo.
O esquema foi descoberto durante a investigação sobre o paradeiro de um adolescente do Pará que estava desaparecido desde 27 de dezembro. A busca foi deflagrada a pedido da Polícia Civil paraense.
As investigações levaram os policiais a dois imóveis em São Paulo, um no centro e um na zona norte, onde foram encontrados 85 travestis, que se prostituiam. Entre eles, estavam os seis adolescentes. O jovem de 15 anos procurado no Pará também foi encontrado no imóvel do Cambuci, na região central.
A outra pensão ficava no início da avenida Cruzeiro do Sul. Além do Pará, a polícia achou vítimas de Alagoas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. A maioria das vítimas tinha entre 18 e 23 anos.


R7

65 países unidos para colaborar com o “Dia Mundial da Internet Segura”


Parcerias com instituições, como escolas, governos e veículos de comunicação são muito importantes para a realização de oficinas, debates, chats, concursos, cartilhas, matérias de conscientização, e demais atividades relacionadas ao Dia da Internet Segura

da Andi Brasil

O Dia Mundial da Internet Segura (“Safer Internet Day”), que este ano será comemorado no dia 08 de fevereiro, é uma iniciativa que mobiliza 65 países de todo o mundo para promover o uso seguro da Internet. A ideia é proveniente da INSAFE, uma rede que agrupa as organizações que trabalham na promoção do uso consciente da Internet nos países da União Européia (EU). Na edição 2009 do Dia da Internet Segura, o evento contou com a adesão de 50 países, passando para 60 em 2010, e para este ano já mobiliza 65 países, que na semana de 08 de fevereiro estarão unidos para promover a segurança na rede. O tema deste ano é: "Estar online é mais que um jogo. É sua vida".

No Brasil a organização do evento está sob a responsabilidade da SaferNet Brasil (https://www.safernet.org.br/),
do Ministério Público (http://www.prsp.mpf.gov.br/) e do Comitê Gestor da Internet (http://www.cgi.br/).

Parcerias com instituições, como escolas, governos e veículos de comunicação são muito importantes para a realização de oficinas, debates, chats, concursos, cartilhas, matérias de conscientização e demais atividades relacionadas ao Dia da Internet Segura.

Mais informações podem ser obtidas pelo site: http://www.diadainternetsegura.org.br/


Polícia Civil investiga caso de racismo contra criança em supermercado de São Paulo


A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso de racismo contra uma criança negra de 10 anos no Hipermercado Extra da Marginal do Tietê, na Penha, Zona Leste da cidade. Acusado de furto na saída do supermercado no último dia 13, o menino foi levado por três seguranças a uma sala reservada, onde, segundo contou, foi chamado de "negrinho sujo e fedido" e obrigado a tirar a roupa. Ele não havia furtado nada. O supermercado nega a acusação.
Na segunda-feira, a defesa da família vai entrar com ação civil por danos morais contra o Extra. Representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) se reuniram nesta quinta-feira com o delegado responsável pelo caso, Marcos Aníbal Andrade, para exigir "investigação exemplar". A Comissão de Igualdade Racial da Seção Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) também instaurou procedimento para acompanhar o caso. O Grupo Pão de Açúcar, proprietário da marca Extra, nega que tenha havido racismo.
Segundo boletim de ocorrência registrado no 10º Distrito Policial, na Penha, só após revistarem e insultarem a criança, os seguranças verificaram a nota fiscal dos produtos que ele levava - dois pacotes de biscoitos, dois pacotes de salgadinhos e um refrigerante, todos pagos pelo garoto (R$ 14,65), conforme mostra cupom fiscal anexado ao inquérito. "Eles pediram para eu abaixar a bermuda até os pés e me fizeram tirar a camiseta cinco vezes. Não acreditavam que eu não tinha roubado nada", contou o menino.
O garoto também relatou ter sido ameaçado com canivete por um segurança que descreveu como "japonês" (de feições orientais). "Ele batia na mesa com um papelão enrolado e dizia: ‘Olha para cá, negrinho. Isso é bom para bater’. Também passava o canivete perto da minha barriga e dizia que ia pegar o chicote”, contou a criança.
Outros dois adolescentes, também negros, de 12 e 13 anos, que o menino diz conhecer de vista e ter encontrado casualmente dentro do supermercado, também foram levados à sala pelos seguranças. E lá os dois teriam sido agredidos com "dois murros e dois tapas". Segundo o Extra, estes dois adolescentes haviam furtado itens do supermercado. A empresa admitiu, porém, conforme relatou um funcionário à polícia em um primeiro depoimento, que o menino não havia furtado nada. Mas o grupo nega tanto agressões físicas quanto discriminação racial.
Em nota oficial, o Grupo Pão de Açúcar afirmou que colabora com a polícia e "aguarda a investigação dos órgãos competentes para esclarecimento do fato". Também informou que "pauta suas ações no respeito irrestrito à legislação e aos consumidores e promove contínuo treinamento dos seus colaboradores para o cumprimento das leis e do Código de Ética do Grupo".


A Tribuna

Presídios têm 50 assassinatos em 6 anos

Crise no sistema prisional se agravou no início desse ano, com a greve dos agentes penitenciários logo no começo de janeiro; alguns profissionais são acusados de participação nos homicídios. (Foto: Marcelo Albuquerque)

Sem condições adequadas de funcionamento, e quase sempre superlotadas, unidades prisionais de Alagoas vivem tensão permanente

A morte atravessa as grades. A covardia também. Os presos não. Eles ficam lá dentro, espancados, torturados e mortos nos presídios de Alagoas. O sistema é bruto, o Estado mata. Após dias de homicídios, tortura, prisões de agentes, demissões de diretores e envolvimento de servidores nas mortes de detentos, fica a pergunta: Para que serve a prisão?
O caos imediato apavora. Só que a crise é crônica, já dura anos e só aumenta. O sistema penitenciário foi à lona, perdeu por nocaute há mais de uma década e sangra com supercílios inchados. Nem por isso, deixa de sofrer novos e duríssimos golpes. O duplo assassinato dentro de uma enfermaria do Presídio Baldomero Cavalcante e a execução de um preso num banheiro do Cyridião Durval são “apenas” mais três a se somar numa sinistra estatística.
Só nos últimos seis anos, foram 50 assassinatos em presídios alagoanos. A comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recebeu recentemente mais de 200 denúncias de tortura e espancamento praticados por agentes penitenciários. Após a última rebelião no Baldomero, vinte agentes são acusados de tortura. Dois foram presos na última quinta-feira.

Baldomero deve ganhar módulo seguro
Alguns prédios e lojas têm, mas os presídios de Alagoas não dispõem de um simples monitoramento de vídeo. Este é apenas um dos problemas apontados pelo próprio intendente do Igesp (Intendência Geral do Sistema Prisional). Segundo Carlos Luna, o Estado queimou fortunas com projetos mal elaborados, a estrutura física dos presídios é precária, não há uma política pública definida para o sistema e a burocracia impede que milhões enviados ao Estado sejam utilizados.
Entre as medidas que serão anunciadas, a mais urgente é a construção de um módulo seguro no Presídio Baldomero Cavalcante, com capacidade para 96 presos e uma estrutura totalmente diferente dos demais. “O Baldomero, além de ser frágil, tem uma concepção arquitetônica que não colabora para a segurança ou para a convivência dos presos. O dinheiro foi mal investido”, afirma Luna.

Falta monitoramento de vídeo nas celas
Sem câmeras de vídeo, fica mais complicado saber quem abriu os cadeados de quatro portões, passou por uma portaria, uma rampa e um setor de monitoramento para chegar à enfermaria e matar dois presos convalescentes. As gravações também poderiam intimidar supostas torturas ou ajudar a identificar os torturadores.
Segundo o representante da OAB, Gilberto Irineu, os exames realizados em quinze presos, após a última rebelião, apontaram lesões corporais cometidas com cabos de aço, barras de ferro, fios, socos e pontapés. Só isso já desmentiria a versão dos agentes que só usaram armas não letais autorizadas para conter os rebelados.
Para Irineu, “foram mais de trinta torturadores que agiram nos módulos I, IV e VI do Baldomero. Só no módulo I, foram 19 acusados. O exame de corpo de delito constatou lesões de tortura, houve espancamento e os presos foram agredidos por agentes penitenciários”, anuncia o advogado.
Sindicato diz que Estado perdeu verbas
Os últimos dias não foram fáceis para o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindapen). Relacionada a rebeliões, torturas e mortes, a greve de duas semanas foi encerrada sem nenhuma conquista salarial. Na volta ao trabalho, a categoria se deparou com suspeitas de envolvimento de colegas em homicídios e denúncias de tortura contra mais de vinte agentes. Dois deles já passaram para o outro lado das grades.
Ao saber da prisão dos companheiros, o presidente do sindicato, Jarbas de Souza, reagiu dizendo que, na próxima rebelião, os agentes vão se retirar do presídio “para que o Ministério Público, a igreja e o Bope entrem e resolvam”. Segundo a entidade, o grupo de agentes acusados entrou no presídio para conter uma rebelião de 400 presos, foi recebida com agressões, pedradas e precisou usar da força, mas apenas com armamentos como balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral.

Categoria defende presos dentro da cela
Questionado sobre soluções para a crise do sistema, Jarbas Souza afirma logo que os presos deveriam ficar dentro das celas o dia inteiro, o que evitaria muito contato e confusão entre eles. “Mas eles ficam no destranca (em áreas comuns) o dia todo”. Para os agentes, um dos casos mais críticos é a Casa de Custódia, que deveria servir apenas como triagem provisória e não foi projetada com área para banho de sol.
Após uma rebelião, os presos conquistaram o direito de sair das celas para ficar numa área interna. “Não há banho de sol e eles ficam o dia todo numa área comum fechada”. Jarbas afirma que o sistema não cumpre o que preconiza a Lei de Execuções Penais (LEP). “Pela LEP, deveria haver a individualização do preso, colocar traficante com traficante, assaltante com assaltante”.

Agentes se dizem “desmotivados”
Segundo o sindicalista, as acusações de tortura também são injustas e estão desmotivando a categoria para exercer seu papel. “Havia 400 presos rebelados, agressivos, jogando pedras, jogando tudo. Entramos para controlar, usamos bala de borracha e fomos acusados de tortura, não sabemos mais o que fazer quando tiver outra rebelião, é um mato sem cachorro. Na hora da ação, do uso da força, o agente vai responder por tortura?”.
O inquérito policial, a sindicância da corregedoria e as investigações do Ministério Público ainda vão dar muito que falar. Num momento tão estranho como o atual, um ponto de interrogação cai como uma bomba no teto do presídio e na cabeça da opinião pública: Afinal, quem são os bandidos, os heróis e
as vítimas?

Projeto para novo presídio ainda segue sem definição
A intendência também garante medidas de impacto na gestão de recursos humanos. O principal desafio é combater a desmotivação dos funcionários. “E não é só a questão salarial. Tudo o que a gente vem falando, de falta de estrutura física, de uma política nacional para o sistema e de problemas que vão de encontro à LEP, ataca a auto-estima dos agentes e de todo o quadro do sistema”, afirma o intendente Carlos Luna.
Para o tenente-coronel, o que mais desmotiva é a falta de perspectiva de ascensão social ou econômica. “Entra agente e sai agente, se ele faz um curso, uma atividade de gestão, ele não se engrandece. As mudanças do sistema passam por uma qualificação profissional, através do Plano de Cargos e Carreiras do servidor público que está sendo elaborado pela Secretaria de Gestão Pública”.


Caso de meio-irmão proibido de doar rim para francesa causa polêmica


A decisão de um comitê de biomedicina francês que impede um meio-irmão de doar um rim por ele não ser reconhecido juridicamente como tal está provocando polêmica no país.

Jean-Pierre Serrurrier nasceu de uma relação extraconjugal do pai de Martine Courrier, de 59 anos, que sofre de insuficiência renal há dois anos e precisa realizar diálises três vezes por semana.
Serrurrier nunca foi reconhecido pelo genitor biológico. Ele foi legalmente registrado, aos 7 anos, como filho do então marido de sua mãe, de quem recebeu o sobrenome.
Serrurrier, de 52 anos, considerado pelos médicos como 99% geneticamente compatível com Courrier, se ofereceu para lhe doar um rim, mas como eles não possuem parentesco perante os olhos da lei, o comitê de biomedicina se recusa a autorizar o transplante.
Na França, segundo a lei de bioética, um doador vivo pode somente doar órgãos a parentes, como filhos, irmãos, avós ou primos, cujos laços familiares sejam reconhecidos nos documentos de estado civil.

Encontro
Martine Courrier descobriu a existência do meio-irmão quando tinha 21 anos.
“Passei 12 anos tentando localizá-lo e faz 25 anos que o encontrei. Temos uma relação muito próxima, nos vemos regularmente. Ele é meu irmão”, disse Courrier à BBC Brasil.
“Nossa relação à muito anterior à minha doença”, afirma. O dossiê apresentado ao comitê de biomedicina reunia dezenas de fotos que comprovam a antiga relação entre os meio-irmãos e também um atestado do pai afirmando que Serrurrier é seu filho biológico, além de exames genéticos.
“A vida de minha irmã é tudo o que conta para mim e quero que nossa relação dure o máximo possível”, diz Serrurrier para justificar seu desejo de doar um rim para Courrier.
“A decisão do comitê é injusta. Fiquei com raiva”, diz ele.

Caso reexaminado
Em razão da polêmica causada pela proibição do transplante, o ministro francês da Saúde, Xavier Bertrand, pediu que o caso seja reexaminado pela agência de biomedicina.
O ministro declarou que “devido à importância terapêutica e ao consentimento do doador”, ele avalia “ser normal que a doação possa ser realizada”.
A nova decisão sobre o transplante, que será tomada pelo ministro, deve ser anunciada no prazo de um mês.
“Continuo tendo esperanças de que o transplante será aprovado”, afirma Courrier.
Sua advogada, Nicoletta Tonti-Bernard, disse à BBC Brasil que pediu ao ministro para “interpretar de maneira mais ampla o conceito de irmãos”. Ela solicitou, em um recurso, que o ministro considere que Courrier e Serrurrier são irmãos, não do ponto de vista jurídico, mas biológico, “o que permitiria autorizar a doação sem mudar a lei”.
Na França, a grande maioria dos órgãos transplantados foram doados por pessoas falecidas.
Dos 2.826 transplantes realizados em 2009, apenas 223 foram realizados graças à doação de órgãos de pessoas vivas, segundo a agência de biomedicina francesa.

Daniela Fernandes


Verbratec© Desktop.