quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Polícia descarta negligência de casal que tirou filhas da escola para educar em casa em SP


SÃO PAULO - O norte-americano Philip Ferrara e sua mulher, a brasileira Leila Brum Ferrara, dispensaram advogados e prestaram depoimento por 45 minutos na delegacia de Serra Negra nesta terça-feira. Após o depoimento, o delegado responsável pelo caso desconsiderou a negligência dos pais com a educação das filhas, que estão fora da escola desde 2008, e novas investigações devem ser feitas sobre a eficiência do ensino. As duas filhas do casal, de 9 e 11 anos de idade, são educadas em casa , método comum nos Estados Unidos, onde nasceram.
O casal foi intimado a prestar esclarecimentos à Polícia Civil depois que o delegado Rodrigo Cantadori instaurou um inquérito policial a pedido do Ministério Público (MP) da cidade para investigar o caso.
- Uma família que quer o melhor para os filhos, acho que é difícil olhar isso como um crime - afirma a mãe Leila Brum Ferrara.
Os pais garantem que as filhas estudam quatro horas por dia as disciplinas disponíveis na internet.
Depois de ouvir o depoimento do casal, o delegado considera difícil caracterizar como crime de abandono intelectual, já que eles não estariam sendo negligentes. Mas, antes de concluir o inquérito ainda vão ser necessárias outras investigações sobre a eficiência dos métodos de ensino virtual da escola Americana.
- A polícia vai averiguar como tudo isso funciona - disse o delegado Cantadori.
No entanto, mesmo se o inquérito policial concluir que não há crime na atitude o casal, ainda será necessário convencer o juiz da Vara de Infância e Juventude de que as filhas não estão sendo prejudicadas por serem educadas em casa. A Justiça solicitou a entrega de documentos que comprovassem que este tipo de formação pode garantir condições de que as meninas conquistem um diploma.
O MP exige também que o casal cumpra o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que estabelece que toda a criança seja matriculada em uma escola regular. A promotoria pediu a abertura de inquérito e informou que o casal pode responder pelo crime de abandono intelectual.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

8 de fevereiro de 2011 -Dia da Internet Segura: PF oferece dicas de proteção no PC


A Polícia Federal (PF) brasileira participa do Dia da Internet Segura, comemorado nesta terça-feira em 65 países. A PF fará uma série de palestras sobre o tema "visando o uso seguro e responsável das tecnologias online e de telefonia móvel" em diversas cidades do país. O principal foco de proteção do órgão são as crianças e adolescentes.
Em Rio Grande (RS) a PF desenvolve nesta terça-feira a Operação Internet Segura, de caráter preventivo e educativo a partir de ações de conscientização em lan houses da cidade. De acordo com a delegada Janaína Braido, chefe da Delegacia de Polícia Federal de Rio Grande, o objetivo não é orientar apenas crianças e adolescentes que procuram as lan houses para uso da internet e jogos, mas também os proprietários dos locais. "A ideia é fiscalizar e orientar para que o uso da internet seja feito de forma segura e responsável." Haverá distrubuição de cartilhas com conteúdo educativo.
Ainda segundo a delegada, as principais denuncias de crimes na rede estão relacionados à pedofilia e à divulgação de material impróprio. Ela ressalta que hoje já é considerado crime o armazenamento de imagens impróprias de crianças - há poucos anos, só era considerado delito se o material fosse divulgado. Em Belo Horizonte, lan houses do centro da cidade foram alvo de cinco mandados de busca e apreensão. A procura é por material pornográfico. Os locais já vinham sendo investigados pela PF e com as apreensões dos HDs realizada nesta terça-feira, as pesquisas serão aprofundadas e as máquina encaminhadas à pericia.
A PF também desenvolve palestras em escolas e centros universitários com intuito de orientar usuários sobre como devem se prevenir contra os malefícios que podem ser provocados pelo uso incorreto da web.


Veja algumas dicas:

Prevenção
A internet é um ambiente público e aberto. Pequenas pistas podem fornecer uma ampla visão da vida e da rotina da criança ou adolescente. Portanto, não se deve fornecer informações pessoais a amigos virtuais (e-mail, número telefônico, escola onde estuda, time para o qual torce, compromissos com amigos, eventos familiares, fotos ou vídeos próprios, dos amigos ou da família)

Email- Não abra emails de remetentes desconhecidos- Ignore eventuais anexos ou links destes emails- Desconsidere mensagens catastróficas, com mensagens tristes, correntes, de recadastro ou troca de senha- Crie uma conta de email somente para se cadastrar em sites e serviços online

Redes Sociais- Restrinja a visualização do seu perfil somente para amigos e seja criterioso ao aceitá-los- Se for postar fotos, prefira aquelas que tenham somente o seu rosto, sejam pequenas, tenham baixa resolução e estejam em preto e branco- Não poste vídeos pessoais- Não informe dados pessoais, como nome completo, endereço, e-mail, telefone
Chats e mensagens instantâneas- Seja criterioso ao adicionar contatos- Desconfie de tudo o que lhe seja dito- Não fale sobre assuntos íntimos e pessoais, nem sobre sua rotina, como onde estuda ou trabalha- Não abra a webcam nem troque arquivos com estranhos- Não marque encontros reais com amigos virtuais, mesmo que em lugares públicos

Arquivos- Muita atenção ao conteúdo baixado, principalmente se for software- Ao baixar arquivos ilegais ou de conteúdo impróprio, apague-os imediatamente- Evite permanecer conectado por muitas horas seguidas, pois há riscos reais de invasão do seu computador

Jogos Online- Não provoque os outros jogadores e ignore as provocações recebidas- Cuidado com "cheats" (truques): podem ser golpes- Limite a quantidade de horas de jogo por dia

Celular- Mantenha o aparelho sempre guardado, para evitar extravios- Seus contatos, mensagens e dados armazenados dizem muito sobre você, seus amigos e familiares- Desconfie de ligações de pessoas que você desconheça- Jamais forneça informações pessoais, a menos que você tenha originado a chamada para algum serviço de atendimento


Governo do Amazonas examina haitianos refugiados para evitar surto de cólera


No Haiti, doença já matou mais de 4 mil pessoas desde outubro do ano passado

A cidade amazonense de Tabatinga, que fica na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru, abriga mais de 600 refugiados vindos do Haiti. Como o país caribenho sofre uma epidemia de cólera desde outubro passado, a Secretaria de Saúde do Amazonas envia nesta segunda-feira (7) técnicos de vigilância para a região a fim de evitar que a doença se espalhe pelo Estado.
A equipe tem como objetivo realizar um diagnóstico dos riscos de disseminação da bactéria que provoca o cólera, a Vibrio cholerae, também conhecida como vibrião colérico. Os técnicos também estão preocupados com as condições de higiene nas regiões onde vivem os haitianos – a maioria foi instalada em moradias precárias e com problemas de saneamento básico. No Haiti, o cólera já matou mais de 4.000 pessoas desde outubro.
De acordo com a secretaria, nenhum caso de cólera foi registrado entre as pessoas que vieram do Haiti ou entre os brasileiros que vivem na região da tríplice fronteira. As medidas adotadas, de acordo com o órgão, são preventivas.
As ações de controle na cidade devem incluir a intensificação do monitoramento de doenças da diarreia e o uso de hipoclorito de sódio na água consumida pelos moradores. Será feita ainda uma coleta sistemática de água das moradias para identificar a bactéria.
Até mesmo rios, lagos e igarapés podem ser vias de disseminação do cólera, já que muitas pessoas no interior do Amazonas utilizam essas águas para consumo direto e para o preparo de alimentos.
O cólera provoca diarreia e pode levar a uma desidratação grave que, se não tratada, pode causar morte. O tratamento é feito principalmente com a reposição de líquidos, por meio de soro, e com o uso de antibióticos.
O Amazonas viveu uma epidemia de cólera em 1991. Os últimos casos da doença no Estado foram registrados em 1998.


Jovem viciada em crack entrega recém-nascidos para adoção

Na casa da mãe da viciada há outras oito crianças. (Glauber Cunha/Araraquara.com)

Na madrugada da última sexta-feira, a jovem M.A.T., de 23 anos, deu à luz um casal de gêmeos na Santa Casa de Misericórdia de Araraquara. A situação seria normal e o nascimento uma festa se não fosse a mãe dependente de crack e ter manifestado o desejo de entregar as crianças para adoção. Mãe de duas outras crianças pequenas - uma menina de 3 e um menino de 1 ano -, M. nem quis ver os gêmeos. Mais do que isso, antecipou-se ao parto indo à Vara da Infância e da Juventude para declarar o desejo de entregá-los a outra família.
A jovem faz parte de um número cada vez maior de dependente químicos que engravidam e doam os filhos, engordando a fila de crianças na lista de adoção.
A mãe da jovem, a faxineira V.L.T., não sabe mais o que fazer para tirar a filha do vício. Segundo ela, desde os 18 anos a jovem entra e sai de clínicas de tratamento, sem sucesso. E é assim também no dia a dia. M. some de casa e depois volta com a mesma velocidade com que a droga é queimada em seu cachimbo.

Polícia resgata recém-nascido enterrado vivo na Paraíba .


Criança estava coberta por pedras em terreno baldio

Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizou, na manhã desta terça-feira, o resgate de um recém-nascido enterrado vivo no município de Esperança, localizado a 146,6 km de João Pessoa (PB). Uma mulher, que seria a mãe do bebê, foi presa.
O bebê, nascido ontem, estava em um terreno baldio no povoado de São Miguel, próximo à sede do município, e foi localizado por moradores que passaram a noite ouvindo o choro do recém-nascido. Segundo a PRF, a criança tinha o corpo coberto por pedras e a boca cheia de mato. Foram os moradores que viram o bebê e chamaram os policiais rodoviários de plantão em um posto localizado a 500 m do terreno.
Os policiais rodoviários chegaram ao local e encontraram o bebê nos braços de um pedreiro, já enrolado em um pano. A criança foi socorrida para o hospital da cidade e transferida para Campina Grande (PB) com arranhões por todo o corpo e um ferimento no olho.
A Delegada de Polícia Civil de Esperança, Mariam Moura Ferreira, recebeu a ocorrência e já teria identificado e prendido uma mulher de 19 anos, que seria a mãe do bebê. Ela teria confessado o crime. O motivo, segundo a mulher, seria de que era solteira e o pai não desejava assumir a criança.


Motorista abandona ônibus escolar no interior de SP



Crianças estariam fazendo barulho dentro do transporte

Um ônibus escolar municipal de Botucatu, município a 235 km da capital paulista, foi abandonado pelo motorista com os alunos dentro, em uma rua, na sexta-feira (4). As crianças estariam fazendo muito barulho dentro do transporte.
A Secretaria Municipal de Educação informou que o motorista foi afastado temporariamente do cargo até saberem o que aconteceu. O secretário admitiu que houve negligência, mas não informou se o funcionário vai ser demitido.
Será apurado também se o motorista está passando por problemas pessoais, o que não irá impedir que a Secretaria Municipal de Educação tome as providências necessárias.


R7

Pai que abusou da filha e teve com ela sete filhos-netos é morto em rebelião de presos no Maranhão


SÃO LUÍS - O homem preso em Pinheiro, no Maranhão, condenado a 63 anos de prisão por abusar da filha , com quem teve sete filhos-netos , mantidos em cárece privado em um povoado isolado, foi morto durante a rebelião na Delegacia Regional. José Agostinho Bispo Pereira, 55 anos, havia sido preso em flagrante no dia 8 de junho de 2010. A filha, com quem Agostinho mantinha um relacionamento matrimonial, tem 29 anos e era abusada desde o 12. A polícia comprovou, ainda, que a filha-neta de 8 anos já estava sendo abusada pelo pai-avô. Outros cinco detentos morreram durante a rebelião.
A rebelião na delegacia regional de Pinheiro começou na noite desta segunda-feira.
José Agostinho mantinha a família afastada, sem ir à escola, pois sabia que, se alguém descobrisse, seria preso pela polícia. O caso foi comparado ao ocorrido na Áustria, onde Josef Fritzl, chamado "monstro de Amstetten", teve sete filhos com sua filha Elisabeth , que foi estuprada repetidas vezes por ele durante os 24 anos em que foi mantida presa num porão. Josef Fritzl foi condenado à prisão perpétua.
A negociação para o fim da rebeilião está em curso. Segundo a polícia, o motivo é a superlotação do presídio. Os presos exigem melhores condições na carceragem do local. Segundo a delegada Laura Amélia Barbosa, mais de 90 presos estão nas celas, com capacidade para apenas 30.
Em junho de 2010, também ocorreu uma rebelião pelos mesmos motivos na Delegacia Regional de Pinheiro. Na época eles protestavam contra a falta de higiene e superlotação. Após a negociação, 40 presos foram transferidos para outras delegacias em comarcas próximas.
Um padre, um pastor e um representante da OAB ajudam a polícia na negociação com os detentos. Mais de cem policiais estão cercando a delegacia. Há homens da Polícia Militar, da Polícia Civil e do Grupo Tático Aéreo (GTA). O coronel Franklin Martins, comandante-geral da Polícia Militar, também está no local.
De acordo com a assessoria imprensa, os seis corpos já foram removidos do local.
Um novo presídio deveria ser construído em 2004, mas protestos da população impediram a construção. O local abrigaria presidiários de toda baixada maranhense.



O Globo

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Juiz interroga pai da menina Joanna no Rio


Magistrado deve ouvir ainda nesta segunda a madrasta da criança.
Os dois são acusados de tortura e homicídio qualificado, na forma omissiva.

O juiz Alberto Fraga, do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, interrogou nesta segunda-feira (7), o funcionário público André Rodrigues Marins, pai da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, morta no dia 13 de agosto de 2010 vítima de meningite, contraída pelo vírus da herpes, após 26 dias em coma.
A audiência de instrução e julgamento é continuação da realizada no dia 17 de janeiro, quando foram ouvidas cinco testemunhas, sendo duas de acusação e três de defesa.
Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, Fraga deve ouvir ainda nesta segunda Vanessa Maia Furtado, madrasta da menina. Os dois são acusados de tortura e homicídio qualificado, na forma omissiva, contra a criança.
Ainda de acordo com o TJ, em seu depoimento ao juiz nesta segunda-feira, o réu deixou claro, inúmeras vezes, que era leigo e que no período de 15 a 19 de julho de 2010, vários especialistas viram a menor. Quanto à lesão na nádega da criança, ele disse que a menina já viera assim da casa da mãe, informou o TJ.
Sobre o depoimento da babá da criança, André Marins confirmou que seguiu recomendação da psicóloga para usar fita crepe na ponta dos dedinhos de Joanna. Ele contou também, de acordo com o TJ, que lutou durante cinco anos para conseguir ter contato com a filha. Segundo o réu, em 26 dias de internação nenhum médico diagnosticou a doença da menina e, só após 40 dias do óbito, o Instituto Médico Legal o fez. O interrogatório de André durou duas horas.
O magistrado também ouviu, nesta segunda, os depoimentos de duas testemunhas de defesa do réu.

Juiz nega pela 4ª vez pedido de liberdade do pai
No dia 17 de janeiro, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, indeferiu o pedido de liberdade provisória de Marins. Foi a quarta vez que o magistrado indeferiu o pedido de liberdade feito pela defesa de Marins. No dia 11 de janeiro, o juiz já havia negado o pedido de liberdade.



Rio é eleito melhor cidade arquitetônica do mundo

Projeto da zona portuária do Rio, depois da conclusão do Museu do Amanhã

Prêmio dado pela conceituada revista de design Wallpaper é baseado nas promessas arquitetônicas e projetos de revitalização

Um dos mais celebrados prêmios de design do mundo, o Wallpaper Awards Architecture, acaba de eleger o Rio de Janeio como a melhor cidade arquitetônica do mundo, passando à frente de Chicago, Johanesburgo, Oslo e Hong Kong, as outras finalistas.
No prêmio, que conta com mais 10 categorias, como melhor restaurante, melhor produto de beleza e melhor prédio público, o Rio foi lembrado tanto por suas obras históricas como por projetos que o preparam para receber a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
O Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, na zona portuária, a Cidade da Música, na Barra da Tijuca, obra de Christian de Portsamparc em fase de finalização, e o novo projeto para o Museu da Imagem e do Som, do escritório novaiorquino Diller Scofidio + Renfr, que deve se instalar no lugar da antiga boate Help, na beira da praia de Copacabana, são promessas que reforçaram as indicações de título para a cidade.
As reformas de alto investimento, como a do bilionário Eike Batista no tradicionalíssimo Hotel Glória, prometido para este ano, e do Hotel Nacional, de Oscar Niemeyer, para 2014, também fizeram coro às expectativas de um futuro ainda mais lindo para a cidade.



A mistura de comportamento e visual, uma das características mais apaixonantes do Rio, também seduziu os jurados do prêmio, que destacaram a revitalização do Centro, o conhecido Rio Antigo, e da Lapa, referência em espaços musicais e galerias de arte. Eles ainda destacam o bairro de Botafogo como nova referência da nightlife carioca.
Até mesmo iniciativas sociais, como a forte ação da polícia e a reformulação estrutural nos morros e favelas reforçaram o pacote de maravilhas locais. Ideias descoladas, como as lojas de moda e design do Leblon e de Ipanema, com sugestões bacanas como o ateliê da designer Gilda Midani, montado em um apartamento particular, somaram argumentos para que o martelo fosse batido. Rio de Janeiro, melhor cidade do mundo.
Os detalhes da escolha estarão na edição de fevereiro da edição impressa. Mas não é de hoje que a revista está de olho no Brasil. Em maio passado, Tony Chambers, editor-chefe da publicação recebeu, entre caipirinhas e bobós de camarão, designers e criadores brasileiros na galeria Espasso, no criativo bairro de Tribeca, em Nova York. A festa, promovida em parceria com o grupo Iguatemi, celebrava o lançamento de uma edição inteira da Wallpaper em homenagem ao Brasil. Foi o começo de uma relação promissora, que agora começa a se tornar concreta.


delas

Criança não deve ficar tão preocupada

A infância deveria ser a época mais relaxada da vida. Mas o número de crianças ansiosas aumentou 60% em uma década no Brasil. Como perceber – e tratar – o distúrbio

As crianças são, por natureza, ansiosas. Todo pai sabe que vai ouvir mais de 20 vezes a pergunta sobre quanto tempo falta para acabar a viagem ou chegar o dia do aniversário. Mas às vezes a ansiedade passa dos limites. É comum que uma menina de 11 anos pergunte quando vai ser uma festa. Não é comum que ela durma com um relógio e acorde durante a noite para checar quantas horas faltam. Letícia dos Santos fazia isso. Todo evento importante era precedido de grande sofrimento. “Ela chegava a ter falta de ar e uma vez desmaiou antes de uma prova”, diz a mãe, a comerciária Sirlene dos Santos.
O desmaio serviu de alerta. A mãe a levou a uma emergência, mas não constataram nenhum problema físico. O pediatra não conseguiu encontrar uma causa para o desmaio. Algum tempo depois, quando o avô de Letícia precisou amputar uma perna, em decorrência de hepatite, sua ansiedade explodiu. “Ela não podia visitá-lo, então cismava que ele tinha morrido”, diz a mãe. “A Letícia pedia para eu provar que ele estava vivo, que o pusesse para falar com ela no celular.” A mãe começou a pensar em procurar um psicólogo e acabou vendo um anúncio da Santa Casa com os sintomas da ansiedade infantil. Reconheceu a filha em cada palavra que leu: preocupação excessiva, sofrimento por antecipação, dificuldade de dormir.
O distúrbio que acomete Letícia é cada vez mais frequente no Brasil. Um levantamento feito pelo Centro de Atendimento e Pesquisa de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Capia) da Santa Casa do Rio de Janeiro mostra que em dez anos o número de crianças com o transtorno cresceu 60%. O Capia costuma atender 40 crianças a cada semana. Há dez anos, oito delas, em média, saíam com o diagnóstico de ansiedade. Hoje, são 13. Também em São Paulo se nota um aumento de casos, diz Fernando Asbahar, coordenador do projeto de Transtornos Ansiosos da Infância e Adolescência no Hospital das Clínicas, embora ele não tenha uma contagem como a do Rio.
De acordo com a Associação Americana de Transtornos de Ansiedade, entre 9% e 15% da população de 5 a 16 anos sofre do distúrbio. Na falta de estudos que mostrem se esse porcentual varia de um lugar para outro, os psiquiatras brasileiros trabalham com a mesma estimativa. Há sinais de que o mundo moderno tenha agravado o problema. Um levantamento feito com 300 estudantes americanos pelo pesquisador Jean Twenge, da Universidade de Cleveland, concluiu que as crianças americanas são sete vezes mais ansiosas do que há 70 anos. Twenge pesquisou questionários do “Inventário de personalidade”, aplicado no Estado de Minnesota a todos os alunos do ensino médio desde 1938. As crianças de hoje mostram-se mais inseguras sobre seu futuro, confiam menos em si próprias e demonstram medo de não ter controle sobre fatores externos.
O transtorno é potencialmente grave. Em suas formas mais severas, a ansiedade pode afetar o raciocínio, a habilidade de tomar decisões, a percepção de seu ambiente, o aprendizado e a concentração. Além disso, vem se formando entre os médicos o consenso de que muitas desordens da vida adulta, desde dificuldades de relacionamento até a depressão, têm suas primeiras manifestações na infância – e em muitos casos poderiam ser evitadas com tratamento precoce. Esse tratamento é relativamente simples. Em poucas semanas de acompanhamento psicológico, Letícia já consegue dormir sem o relógio ao lado da cama e se mostra mais tranquila.
A grande dificuldade, em casos como o dela, é o diagnóstico. Apesar de serem tão comuns, os distúrbios de ansiedade costumam passar despercebidos – talvez porque seus sintomas comportamentais sejam tão parecidos com virtudes. É o caso de Vitória de Anchieta Custódio, de 10 anos. Ótima aluna, ela não se conforma com notas menores que 9. Está sempre preocupada com a saúde dos avós. Quando eles adoecem, pergunta o tempo todo à mãe sobre o estado de saúde deles. Vitória não cede à tentação do consumo desenfreado e até rejeita presentes: ela se importa com a situação financeira da família. Se chove, Vitória liga para o pai para saber se está tudo bem e se ele voltará para casa em segurança. Tem poucos amigos – e se dedica extremamente a eles. Parece, enfim, uma menina exemplar. Mas suas características dão sinais de uma espécie de sofrimento.
É difícil atinar que as qualidades tão prezadas nos filhos possam indicar problemas. Tão difícil que mesmo os sintomas físicos costumam ser ignorados. Em 80% dos casos a ansiedade vem acompanhada de manifestações como náusea, vômitos, dores de barriga, úlceras, diarreia, falta de ar, fraqueza ou até queda de cabelo. Em geral, os pais procuram pediatras queixando-se do problema orgânico e a ansiedade fica mascarada.
Se o pediatra levanta a possibilidade de ser algo psicológico, muitos pais reagem mal. “Nós sofremos muita pressão dos amigos quando dissemos que a Vitória iria a um psicólogo, mas hoje ela está bem melhor”, diz a mãe, Carla Parreira.
Para tentar sanar a subnotificação do distúrbio, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou uma campanha com os pediatras, orientando-os para os sintomas mais comuns. “Percebemos que a maioria dos casos de dores abdominais persistentes e também de perda de peso tem origem psicológica. A orientação aos pediatras é que eles considerem essa possibilidade no diagnóstico”, diz Eduardo da Silva Vaz, presidente da SBP. Ele afirma que crianças “terceirizadas” são mais propensas a sofrer ansiedade por causa da separação. “Hoje as mães trabalham e muitas costumam deixar os filhos com babás. Quem tem filho tem de saber que nos primeiros anos de vida é essencial ter tempo para ele.”
Para Fabio Barbirato, coordenador do Capia, no Rio, o número de diagnósticos cresceu porque os profissionais estudam mais o transtorno e estão mais capacitados para detectá-lo. Cresceu também a quantidade de psiquiatras infantis no Brasil. Há dez anos eram 150, hoje são 600. Mas, sem a ajuda dos pediatras, a maioria dos casos de ansiedade ainda ficará sem tratamento. E crianças ansiosas dificilmente serão curadas sozinhas. Barbirato diz que o mais comum é que se tornem adultos ansiosos, que passarão a noite em claro na véspera de apresentar um projeto corriqueiro no trabalho e evitarão situações sociais nas quais se sintam desconfortáveis. De acordo com estudos internacionais, em 80% dos casos um menino ansioso vira um adulto deprimido.
É possível que o número de casos no Brasil esteja crescendo apenas como consequência de melhoras no processo de diagnóstico. Mas os médicos também apontam uma tendência social. As crianças de hoje, segundo Barbirato, estão expostas a mais pressão. “Com 5, 6 anos, eles já estão se preparando para os vestibulinhos. A nota média nas escolas subiu e existe uma cobrança maior por desempenho”, diz. A violência também provoca a ansiedade. Psicólogos relataram um aumento de consultas no período em que se noticiou o caso da menina Isabella Nardoni, jogada da janela do apartamento do pai, em São Paulo. Outro fator de estresse seria a exposição às conversas de adultos. As crianças estariam, hoje, mais expostas a discussões sobre dinheiro, brigas dos pais, conflitos no trabalho ou na sociedade. Sem maturidade para saber que estão protegidas, as crianças fantasiam perigos.

Ansiedade é como alergia. Você tem uma reação desproporcional a algo corriqueiro

Há, porém, a opinião oposta. “As crianças de hoje são protegidas demais”, diz a filósofa e escritora Tania Zagury, autora de Limites sem trauma. “Elas são pouco exigidas. Então quando chega a hora de um vestibulinho, de uma cobrança na escola, elas não sabem como lidar, não foram preparadas.” Para Tania, a ansiedade é fruto do imediatismo que tomou conta da sociedade.
Ou talvez não seja nada disso. Segundo um estudo publicado no mês passado na revista Nature, a ansiedade pode estar gravada em nosso DNA tanto quanto a cor dos olhos ou do cabelo. Embora fatores externos exerçam influência, a predisposição para a ansiedade seria hereditária. Cientistas do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, monitoraram um grupo de 1.500 macacos e constataram que os 238 mais ansiosos eram da mesma família. Um mapeamento cerebral dos animais mostrou que as duas áreas do cérebro mais ligadas a esse sentimento, a amígdala e o hipocampo, funcionavam de forma parecida no grupo, com a atividade intensa, maior do que nos mais calmos, assim que uma possível ameaça surgia.
As duas regiões do cérebro são responsáveis por identificar um problema e decidir uma resposta a ele. No grupo de macacos mais ansiosos, a reação era exagerada – como nos ansiosos humanos – e se mantinha mesmo depois que a ameaça cessava. “O estudo é um grande passo para mostrar que a ansiedade é muito mais biológica do que imaginamos”, disse Ned Kalin, neurologista da Universidade de Wisconsin.
Não é incomum haver irmãos ansiosos. O irmão menor de Vitória, Gabriel, fez tratamento quando tinha 7 anos. Entre os pacientes da Santa Casa, 88% têm um pai ou uma mãe ansioso. “Isso muitas vezes dificulta o tratamento porque o pai, por ser ansioso, acha o filho normal e diz que com o tempo passa”, diz Barbirato.
Um dos maiores obstáculos para identificar o transtorno é que o problema não está na existência da ansiedade, mas no grau em que ela aparece. A ansiedade faz parte da vida. Desde a tenra infância, os desafios que enfrentamos podem provocar retração, busca de apoio, aversão ao risco, até falta de confiança em si mesmo. Normalmente, esses problemas desaparecem quando a criança aprende a lidar com a situação nova ou quando a situação muda. É assim com a troca de escola, entrar na piscina ou no mar, fazer provas etc. A ansiedade é um mecanismo de proteção. Em 1996, fez sucesso um livro do então presidente da Intel, Andy Grove, defendendo a tese de que, no mundo dos negócios, só os paranoicos sobrevivem. “Em quantidade normal, a ansiedade pode fazer a pessoa crescer e se desenvolver”, diz a psicóloga Lilian Lerner de Castro, vice-presidente da Associação dos Portadores de Transtorno de Ansiedade (Aporta).
Ansiedade de menos é ruim. Relaxados, somos mais vulneráveis. Um estudo da seguradora inglesa Elephant mostrou que 65% dos acidentes de carro acontecem num raio de menos de 10 quilômetros de casa – quando nos sentimos tranquilos e baixamos a guarda. Mas ansiedade demais paralisa. “Enquanto o deprimido remói o passado, o ansioso vive preso no futuro”, diz Angela Donato Oliva, professora de pós-graduação do Programa de Psicologia Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A ansiedade é como uma forte alergia psicológica. Você tem uma reação desproporcional a algo que, para os outros, é corriqueiro.”
No caso de uma criança assim, a simples ida à casa de um coleguinha detona uma onda de preocupação e expectativa exacerbada. “Quando a gente dizia que ele iria visitar algum amigo, o Bruno ficava perguntando quando ia ser, como ia ser. Se preocupava com tudo, com a roupa que ia, quem ia levar, que horas ia voltar. Isso às vezes semanas antes”, diz a professora Fátima Aparecida Borges da Costa, mãe de Bruno, de 9 anos, que faz terapia para combater a ansiedade.
Se é assim com visitas, o que dizer de mudanças mais radicais? Gabriele Rodolfo, de 9 anos, teve de trocar de escola quando os pais se separaram. Não aceitou. Teve medo dos novos colegas e professores. Horas antes da aula ela começava a ter ânsias de vômito. Levada à força, tinha crises de choro. A mãe, Fátima Fernandes, acabou tirando-a da escola e hoje ela tem uma professora particular. Ainda assim, Gabriele só aceitou a presença da estranha depois que começou o tratamento contra a ansiedade. “Ela passou a ter medo de tudo e é muito tímida”, diz a mãe.
Crianças que são “pequenos adultos”, muito responsáveis, também podem ser ansiosas. Quando Bruno começou a demonstrar preocupações incompatíveis com sua idade, a mãe desconfiou que havia algo de errado. “A gente dava um presente e ele perguntava: mas você vai poder pagar isso? No início eu achava que ele fosse só um menino responsável, o filho-padrão que todo pai quer ter”, diz Fátima. Quando ele soube que a mãe trabalharia no Censo e ia ter de entrevistar pessoas, Bruno começou a temer que ela encontrasse algum maníaco. O garoto começou a ter descamações na pele. Os medos foram evoluindo a ponto de Bruno não conseguir mais dormir sozinho. Hoje, o garoto está sendo acompanhado por um psicólogo e já mostra sinais de melhora.
Os pais têm papel fundamental no tratamento. E o ingrediente mais importante é paciência, misturada com carinho. Na maioria das vezes, a ansiedade é temporária. Pesquisas mostram que 90% das crianças entre 2 e 14 anos têm pelo menos um temor específico. Até os 2 anos, pode ser o medo de separar-se dos pais ou o susto com barulhos fortes. De 3 a 6 anos, os mais comuns são os medos de seres imaginários ou do escuro. Entre 7 e 16 anos, os temores podem ser de se machucar, ir mal na escola, desastres naturais. Como saber, então, se a ansiedade passou dos limites aceitáveis? Especialistas afirmam que os pais devem se preocupar quando a criança der sinais claros de estar sofrendo, quando o transtorno afetar sua rotina (notas baixas, vida social afetada) ou quando ela passar a apresentar sintomas físicos.
O tratamento pode envolver apenas acompanhamento psicológico e, em alguns casos, medicação (em geral, para aumentar o nível de serotonina, que provoca sensações de relaxamento). A terapia, sozinha, leva entre dois e quatro meses para mostrar resultados. Quando tratadas só com medicação, as crianças apresentam melhora em apenas 15 dias, mas o índice de recaída é alto, de 30%.
Perceber o problema e tratá-lo pode mudar a vida de quem sofre do transtorno. Em 2009, Graziela de Caro, de 16 anos, fez inscrição para concursos seletivos em escolas técnicas do Rio. Durante a preparação, seu comportamento mudou. “Ela sempre achava que estava muito doente, que alguma coisa ruim ia acontecer. Isso desestruturava toda a família”, afirma a mãe, a funcionária pública Marinele Reis, de 40 anos. Graziela acordava de madrugada com medo. Tinha dor de cabeça, tonturas, ia ao médico, que nada encontrava. Acabou não passando nas provas. No ano passado, começou a fazer tratamento. “Ela ficou mais tranquila e, agora, passou para a Fundação Oswaldo Cruz”, diz Marinele. Graziela concorria com outros 30 alunos no curso de gerência de saúde. Livre da ansiedade, conseguiu.

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