terça-feira, 31 de maio de 2011

OMS chama atenção para relação entre o uso de celulares e o desenvolvimento de câncer


RIO - Pela primeira vez desde que estudos começaram a ser feitos, a Organização Mundial da Saúde alertou nesta terça-feira para a existência de uma relação entre o uso de celulares e o desenvolvimento de câncer. A agência agora classifica o uso dos aparelhos na categoria de potencial cancerígeno, a mesma para chumbo e clorofórmio.

Antes do anúncio, a OMS chegou a garantir aos consumidores que nenhum aviso de risco à saúde havia sido estabelecido. Mas uma equipe de 31 cientistas de 14 países tomou a decisão de revisar estudos sobre segurança dos celulares. O grupo descobriu evidências suficientes para classificar a exposição pessoal como "possivelmente cancerígena para humanos".

Isso significa que, até agora, não há pesquisas suficientes para esclarecer se a radiação de celulares é segura, mas há dados o bastante mostrando uma possível relação à qual os consumidores deveriam ficar atentos.

- O maior problema que nós temos é que sabemos que fatores ambientais precisam de décadas de exposição até realmente vermos as consequências - disse à CNN Keith Black, neurologista chefe do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, nos Estados Unidos.

O tipo de radiação emitida por um celular é chamada não ionizante. Não é como um aparelho de Raio-X, mas se parece mais com um forno microondas de muito baixa potência.

- O que as microondas de radiação fazem, nos termos mais simplistas, é parecido com o que acontece com a comida no microondas, só que com o nosso cérebro. Então, além de poder acarretar o desenvolvimento de tumores, elas poderiam causar uma série de outros efeitos, como danificar a função de memória cognitiva, já que os lobos de memória temporal ficam onde seguramos nossos celulares - completa Black.

A Agência Europeia de Meio Ambiente solicitou a realização de novos estudos, afirmando que os celulares podem ser um risco à saúde pública como a fumaça, amianto e gasolina com chumbo. O coordenador de um instituto de pesquisa sobre câncer na Universidade de Pittsburg enviou um memorando a todos os funcionários pedindo a eles que limitassem o uso de celulares, devido ao risco de desenvolver câncer.

- Quando acompanhamos o desenvolvimento de um câncer - particularmente no cérebro - vemos que isso leva um longo tempo. Acho que é uma boa ideia dar ao público algum tipo de aviso de que muito tempo de exposição à radiação do seu celular pode possivelmente causar câncer - disse Henry Lai, professor pesquisador em bioengenharia da Universidade de Washington, que estuda radiação há 30 anos.

Os resultados do mais amplo estudo realizado internacionalmente sobre telefones celulares e câncer foram publicados em 2010. Eles mostraram que os participantes da pesquisa que usaram o celular por dez anos ou mais tinham o dobro das taxas de glioma cerebral, um tipo tumor. Até agora, não há estudos realizados num grande intervalo de tempo sobre os efeitos do uso do celular entre crianças.

- Os crânios e o couro cabeludo das crianças são mais finos. Então, a radiação pode penetrar mais fundo em seus cérebros, assim como nos de jovens. Suas células estão se dividindo a taxa mais rápida, então o impacto da radiação pode ser muito maior - afirmou Black.

Os produtores de muitos celulares populares já alertam os consumidores para manter seus aparelhos afastados de seus corpos. É o caso do iPhone 4 e do Blackberry Bold.

O Globo

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Mulher corta pênis de vizinho e o entrega à polícia no Bangladesh


Uma mulher em Bangladesh entregou à polícia o pênis que cortou de um vizinho a quem acusou de ter tentado estuprá-la.

Monju Begum, de 40 anos, casada e mãe de três filhos, disse que Mozammel Haq Mazi invadiu sua casa e a atacou no vilarejo de Mirzapur, cerca de 200 km ao sul da capital do país, Daca.

Ela alegou que Mazi, também casado e pai de cinco filhos, a assediava havia seis meses.

Um médico do hospital onde Mazi está internado disse que o pênis não pôde ser reimplantado.

"A polícia trouxe o pênis muitas horas após ele ter sido cortado. Estamos tratando-o para que possa urinar normalmente sem o pênis", disse o médico A. Sharfuzzaman, que cuida do caso.

Vingança
Mazi nega as acusações e afirma que o ataque foi motivado por vingança.

"Tínhamos um caso e recentemente ela sugeriu que nós podíamos morar juntos em Daca (capital do Bangladesh)", disse ele no hospital.

"Eu recusei e disse que não podia deixar meus filhos, e ela então se vingou."

O porta-voz da polícia Abul Khaer disse que "ela registrou a queixa de estupro, afirmando que lutou com ele, cortou seu pênis e o levou para a delegacia em um saco plástico como prova".

"Vamos prendê-lo assim que sua condição física melhorar", completou.


BBC Brasil

Rio: menores detidos na cracolândia terão 'internação compulsória'

Mesmo contra vontade, crianças e adolescentes ficarão internados até alta médica

RIO - Regulamentação publicada nesta segunda-feira, 30, no Diário Oficial do Município do Rio determina que as crianças e adolescentes apreendidos nas chamadas cracolândias fiquem internados para tratamento médico, mesmo contra a vontade deles ou dos familiares. Os jovens, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social (Smas), só receberão alta quando estiverem livres do vício.

A "internação compulsória" vale somente para aqueles que, na avaliação de um especialista, estiverem com dependência química. Ainda de acordo com a resolução, todas as crianças e adolescentes que forem acolhidos à noite, "independente de estarem ou não sob a influência do uso de drogas", não poderão sair do abrigo até o dia seguinte.

Entre 31 de março e 25 de maio, nove operações da Smas realizadas em parceria com as Polícias Militar e Civil recolheram 153 jovens. Também foram retirados das ruas 538 adultos.

Na semana passada, a Smas inaugurou a Casa Viva, um espaço para o acolhimento e atendimento de 25 crianças e adolescentes em Laranjeiras, na zona sul do Rio. Com isso, subiu para 105 o total de vagas oferecidas para a recuperação dos jovens na cidade. De acordo com a Smas, serão 130 até julho.


Estadão

MP denuncia seis agentes do Degase por agredir jovem do Padre Severino até a morte


Rio - Seis agentes do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (DEGASE) foram denunciados por crime de homicídio doloso pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, nesta segunda-feira. O grupo está envolvido na morte de um interno, ocorrida em janeiro de 2008, no Instituto Padre Severino, na llha do Governador. O Ministério Público propôs também que a Justiça decrete prisão preventiva dos agentes e a imediata suspensão do exercício de suas funções públicas.

De acordo com a denúncia, usando pedaços de madeira, um saco repleto de cocos e uma lata de lixo, os agentes Wilson Santos, o Manguinho, Flávio Renato Alves da Silva Costa e Marcos César dos Santos Cotilha (o Da Provi) dominaram o adolescente Andreu Luiz Silva de Carvalho, à época com 17 anos, e o agrediram por quase uma hora, causando traumatismo craniano e outras lesões. A denúncia relata ainda que os agentes Wallace Crespo Rodrigues (Seu Gaspar), Dorival Correia Teles (Paredão) e Arthur Vicente Filho (Mais Velho ou Coroinha) não só foram omissos em evitar as agressões que resultaram na morte do rapaz como participaram da agressão, dando socos e chutes.

Andreu Luiz Silva de Carvalho, que havia sido apreendido por crime de roubo, morreu no Hospital Municipal Paulino Werneck. Ele chegou à unidade com graves ferimentos provocados por pauladas, socos e chutes desferidos pelos denunciados.

“O MP atuará sempre com rigor nos casos de violação da lei, sobretudo quando praticadas por agentes do Estado”, diz o Promotor de Justiça Sauvei Lai, Titular da 30ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal da 1ª Central de Inquéritos. Os agentes, segundo o Promotor, usaram “força desmedida e excesso de violência” para conter a vítima, que havia aplicado golpe conhecido como gravata no agente Wilson Santos, o Manguinho.

Por conta da superioridade numérica (eram seis contra um) e de armas, os agentes foram denunciados por homicídio qualificado (mediante recurso que dificulte a defesa da vítima), com dolo eventual (assumindo risco de as agressões provocarem a morte de Andreu), e com o agravante de o crime ter sido cometido com abuso de autoridade. Caso sejam condenados, poderão cumprir pena que varia entre 12 e 30 anos de reclusão. O caso foi investigado pela 37ª DP (Ilha do Governador).


O DIA ONLINE

Fim de usinas nucleares pressiona Alemanha a usar fontes de energia poluentes

Ativistas protestam soltando balões coloridos na porta da usina nuclear de Unterweser, no norte da Alemanha

Após acidente no Japão, população apoia ainda mais as fontes renováveis

Se no Brasil o colapso da central nuclear japonesa de Fukushima não alterou os planos do Palácio do Planalto de dar continuidade à expansão da energia atômica, na Alemanha o governo local se vê diante de um impasse. Após anunciar o fechamento de todas as 17 usinas do país até 2022, os alemães terão de trocar uma fonte energética que consideram perigosa por outras de origem fóssil, como o carvão. Na contramão da tendência mundial, o país irá recorrer a uma matriz energética "suja", que contribui para o aquecimento global.

A decisão pelo fechamento de todas as centrais foi uma continuidade à suspensão, anteriormente anunciada, das sete usinas mais antigas do país, logo após o acidente no Japão, em março. O plano agora é fechar mais seis no final de 2021, e as outras três, mais modernas, um ano depois. Juntas, elas respondem por 22% da energia alemã.

Ainda na semana retrasada, ao expor a situação da Alemanha ao R7 e a outros veículos latino-americanos, o chefe de Política Energética do Ministério de Economia e Tecnologia, Till Spannagel, disse que não há, no curto prazo, solução que não passe pelas fontes poluentes.

- Não haverá possibilidade de substituição imediata de energia nuclear por renováveis. Precisamos de outras usinas termelétricas com combustíveis fósseis. Tem que haver formas de suprir energia quando não há vento ou sol, como hoje por exemplo.

O carvão se apresenta, segundo Spannagel, como a solução mais viável: é barato em relação ao petróleo, há jazidas garantidas para os próximos 200 anos e tem exploração facilitada.

Ainda assim, as autoridades não admitem, por ora, qualquer alívio nas metas de redução de CO². Até 2020, o objetivo é cortar as emissões em até 40%, com relação a 1990. Até 2050, o país quer cortar os gases em 80%.

De toda a energia consumida na Alemanha, 22% vem dos reatores atômicos, contra apenas 17% de fontes renováveis (eólica, solar, hidrelétrica e biomassa, nesta ordem de importância). O restante, 60%, vem de fontes emissoras de CO², principalmente o carvão, gás natural e petróleo.

O caminho para não descumprir o compromisso, admite Spannagel, poderá estar na compra de certificados de carbono de países vizinhos. Na prática, significa pagar pelo direito de poluir a quem cumpre com folga as metas de emissão.

Pressão
A mudança de rumo do atual governo com relação à energia nuclear é, em boa medida, decorrente da pressão da opinião pública. Pesquisas indicam que até 80% da população é hoje refratária às usinas, após o acidente no Japão.

A decisão final do governo sobre o prazo de funcionamento delas já era esperada para o início de junho. Diante da pressão, o governo decidiu antecipar o anúncio. Nas últimas semanas, o centro de Berlim tem se tornado o centro de manifestações antiatômicas.

ONGs ambientalistas juntaram milhares de jovens nas ruas para protestos. O R7 foi a um deles, na praça Alexanderplatz. Um dos mobilizadores, o diretor da entidade Amigos da Natureza, Uwe Hiksch, diz que a luta agora é pelo fim imediato.

- Nós já ganhamos. Mas queremos acabar com a energia nuclear agora, porque catástrofes como a de Fukushima ou de Chernobil podem ocorrer na Alemanha, onde as usinas estão contratadas por 20 anos. Amanhã elas podem explodir.

O recente corte das usinas é mais um capítulo da reviravolta nos planos do atual governo, comandado pela chanceler, Angela Merkel. Em setembro do ano passado, ela havia abolido uma lei, aprovada em 2001 pelo governo anterior, dos partidos Verde e Social-Democrata, de pôr fim às usinas nucleares da Alemanha até 2020.

A ideia de Merkel era prolongar a produção nuclear por até 14 anos, ou seja, até 2034. Com a enorme repercussão negativa da contaminação no Japão, porém, o governo voltou atrás.

* O jornalista viajou a convite do governo da Alemanha


R7

Cliente registra pânico em shopping durante assalto a joalheria em SP


Cliente gravou tumulto no Shopping Metrô Itaquera durante roubo.
PM aposentado tentou deter ladrão, foi baleado e morreu no sábado.


Imagens feitas por um cliente que estava no Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, mostram momentos de pânico e correria durante o assalto a uma joalheria ocorrido na tarde deste sábado (28). Durante o roubo, um PM aposentado tentou prender os ladrões e foi baleado. Ele foi socorrido, mas morreu.

Na gravação, as pessoas aparecem correndo, tentando descer as escadas rolantes gritando. As escadas ficam cheias e algumas pessoas tentam descer pela escada rolante de subida. Famílias que passeavam com crianças se desesperam com os tiros.

Segundo o shopping, o PM aposentado que tentou deter o ladrão era segurança da joalheria. Mas a loja negou a informação. Imagens do circuito interno da loja serão entregues nesta segunda-feira (30) à Polícia Civil, que apura o caso.

O tenente Demétrio Nunes, da Polícia Militar, disse que um dos ladrões que tentou assaltar a joalheria estava com um pacote na mão que dizia ser uma bomba e ameaçou detonar o artefato.

Na fuga, um deles foi abordado pelo PM aposentado, que conseguiu desarmá-lo. O policial achou que ele estava sozinho. O outro criminoso, no entanto, saiu logo depois e atacaou o policial. O colega voltou a pegar a arma e atirou, acertando tanto o PM quanto o outro ladrão.

Os dois assaltantes ainda conseguiram fugir. Um deles, ferido, foi atendido em um hospital em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. A polícia foi, então, acionada. Já o outro assaltante conseguiu roubar um carro, mas foi pego dirigindo o veículo durante a fuga, de acordo com Nunes.


G1

domingo, 29 de maio de 2011

Preso suspeito de manter a mulher presa por oito anos


Caso foi em Pereira Barreto, na divisa entre SP e MS

Um homem foi preso no sábado (28) no interior de São Paulo suspeito de manter a mulher em cárcere privado dentro da própria casa durante oito anos. Na casa simples, muita sujeira. Era uma prisão para uma mulher que durante oito anos viveu no lugar sem poder sair. Segundo a polícia, a ordem vinha do marido, Márcio Ulisses dos Santos, de 36 anos. Ele nega as acusações. O caso foi na cidade de Pereira Barreto, na divisa entre os estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

O casal tem quatro filhos. As meninas mais velhas, de 6 e 8 anos, só saiam para ir à escola. Os investigadores afirmam que as crianças tinham medo de falar o que acontecia porque eram ameaçadas. Em depoimento, uma das meninas disse que ela, os irmãos e a mãe apanhavam e passavam fome.

"O que ficou bem claro era a falta de alimento e de higiene", diz o delegado Renato Gomes Camacho.

A polícia ainda não sabe explicar por que Márcio isolou a família. Os vizinhos dizem que não viam movimentação na casa. Uma denúncia anônima chegou ao Conselho Tutelar, que avisou à polícia.

O homem era foragido da Justiça. Contra ele havia um mandado de prisão por furto e receptação. Quando foi preso por policiais militares, em frente à casa, carregava uma bolsa com R$ 19 mil. A polícia investiga a origem do dinheiro.

O homem que privou a família da liberdade vai responder também por cárcere privado e maus-tratos.


Jornale

Mãe canadense defende decisão de manter sexo de filho mais novo em segredo


Em artigo publicado neste sábado, uma canadense defendeu a decisão tomada por ela e por seu marido de manter em segredo o sexo de seu filho mais novo, para dar à criança a oportunidade de desenvolver a sua identidade sexual por conta própria.

A decisão tomada por Kathy Witterick, 38 anos, e David Stocker, 39, de não revelar o gênero de seu bebê Storm, de quatro meses de idade, gerou uma avalanche de reações - positivas e negativas - após reportagem do jornal Toronto Star, publicada nesta semana.

Moradores de Toronto, Kathy e David têm outros dois filhos - Jazz, de cinco anos, e Kio, de dois. Os meninos são encorajados a escolher as suas próprias roupas e cortes de cabelo, mesmo que isto signifique optar por usar peças femininas.

Jazz, por exemplo, usa um cabelo comprido com tranças. Ao Toronto Star, David admitiu que os garotos são "quase exclusivamente tomados por meninas".

O sexo de Storm é mantido em segredo até mesmo dos avós das crianças. Apenas os dois pais e os dois irmãos conhecem o gênero da criança, além de um amigo próximo da família e das duas parteiras que ajudaram Kathy a dar à luz.

Segundo o Toronto Star, os avós ficaram preocupados com a decisão dos pais de Storm, mas acabaram sendo compreensivos.

Pergunta do filho
No artigo publicado pelo jornal Ottawa Citizen, Kathy justifica a decisão tomada por ela e por David, além de criticar o "frenesi da mídia" criado em torno da maneira como decidiu criar seus filhos.

Segundo a mãe, que já trabalhou com casos de abuso e violência contra crianças e se descreve como "tímida e idealista", a ideia de não revelar o sexo de Storm surgiu em uma pergunta feita por Jazz, o filho mais velho.

"Quando Storm estava perto de nascer, Jazz (...) questionou se as pessoas reagiriam diferentemente se elas não soubessem o sexo do bebê. Que presentes elas trariam? Se Storm fosse um menino, seria permitido a ele usar vestidos? Vestir rosa?", diz.

"Existem estes momentos enquanto pai em que você espera que o seu filho possa trazer uma questão diferente à mesa", afirma Kathy.

"Se você realmente diz a verdade sobre ser amável, honrar diferenças, ter uma mente aberta e colocar limites de maneira cuidadosa, ajudando as crianças a desenvolver competências e ser seguras, então é melhor você unir o discurso à prática", diz a canadense no artigo.

"Nós concordamos em manter o sexo do nosso novo bebê na privacidade."

Kathy afirma que a ideia de manter o sexo do bebê em segredo é uma tentativa de "autenticamente tentar conhecer a pessoa, ouvindo a ela com atenção e reagindo a pistas significativas dadas por ela própria".

A mãe acredita que é importante “desafiar ortodoxias” e fazer as pessoas se questionarem se “elas verdadeiramente acreditam que (manter) o status quo é o melhor que podem fazer".

"Será que essas normas vão criar crianças sadias, felizes, amáveis e bem-ajustadas?", ela questiona.

‘Gênero livre’
Kathy afirma que, assim como ela, nenhum dos seus outros dois filhos tem o “gênero livre ou é sem gênero”.

Segundo a mãe, "Jazz tem uma forte percepção de que é um menino, e ele entende que as suas escolhas de vestir rosa e de ter cabelo comprido não são sempre aceitáveis na sua comunidade”.

A canadense diz que Jazz escolhe fazer isto livremente, “porque ele também foi ensinado a respeitar a diferença, a amar a si mesmo e a navegar pelo mundo de uma maneira que é sincera consigo mesmo."

‘Frenesi da mídia’
Em seu artigo, Kathy critica a atenção dada pela imprensa à sua família.

"Para proteger os nossos filhos do frenesi da mídia que nós não previmos, nós rejeitamos mais de cem pedidos de entrevistas de todas as partes do mundo, incluindo ofertas para viajar a Nova York com todas as despesas pagas e para aparecer em quase todos os programas matutinos americanos", afirma.

"Nós temos aprendizados a receber, parques para visitar e borboletas para tomar conta".

Sobre o interesse e a curiosidade das pessoas, ela diz: "A ideia de que o mundo inteiro precisa conhecer o sexo do nosso bebê me atinge como algo doentio, inseguro e voyeurístico."

"Um dia, Storm vai ter algo a dizer sobre isto, então, enquanto isso, eu estou somente ouvindo atentamente", conclui.


BBC Brasil

Ataque à mata amazônica aumentou no rastro das mudanças no Código Florestal


RIO - A discussão do Código Florestal escancarou as portas da Floresta Amazônica para a devastação. Desde janeiro passado, grandes fazendeiros ou especuladores de terras passaram a derrubar florestas na expectativa de criar um fato consumado para se beneficiar de anistia a devastadores na Amazônia Legal ou, simplesmente, pelo medo de que as restrições pudessem ser aumentadas após a aprovação da nova legislação ambiental. Em Mato Grosso, estado que concentra a segunda maior produção de grãos do país, o efeito foi devastador, principalmente depois que o governador Silval Barbosa (PMDB), aliado da presidente Dilma Rousseff, sancionou lei concedendo anistia aos produtores até abril, véspera da aprovação do novo Código, que, pela proposta da Câmara, prevê anistia a quem desmatou até 2008.

Os satélites do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) registraram a derrubada de 480 quilômetros quadrados de florestas no estado, boa parte com o uso do impiedoso correntão. Esticada entre dois tratores, uma enorme corrente derruba as árvores pela raiz, ceifando todo tipo de vida pelo caminho. Ao final, as árvores são amontoadas. As toras são vendidas, e o resto é queimado.

Mas o desmatamento não é só com o correntão. Antes dele, passam os mateiros. Às 13h da última quinta-feira, O GLOBO estava diante deles. Seis homens, uns mais velhos e outros quase meninos, preparavam o trator para içar toras e encher um caminhão. Nem de longe pensavam que estavam fazendo algum mal. Cortar a árvore é um trabalho, e cortar a floresta por baixo é o que mais ocorre em Mato Grosso.

Eles trabalham para os madeireiros e odeiam correntões, como os usados na fazenda Santa Catarina, do paranaense Valdemiso Badalotti, e outras cinco. O motivo é simples: chamam a atenção dos fiscais do Ibama. Os mateiros trabalham discretamente, por baixo das copas das árvores, e só são localizados se a equipe de fiscalização voar baixo de helicóptero ou se for feita denúncia, o que é raro. Se por acaso forem flagrados, são presos e soltos.

Para derrubar, não há muito preparativo. O mateiro sabe para que lado o tronco vai cair e manda: "Fica do lado de lá". O barulho da motosserra não é nada. Dura uns dois, três minutos. Duro mesmo é ouvir o baque da árvore que cai sobre os galhos de outras.

Na venda, uma árvore como a iotaúba, escassa em algumas áreas, mas ainda presente nas mais afastadas das cidades, chega a R$ 250. Um madeireiro ouvido pelo GLOBO afirma:

- A árvore vai crescer de novo. Em cinco anos tem outra aí


O Globo

Joumana Haddad: "Há outra mulher árabe, que luta por liberdade"

Joumana Haddad escreve poemas eróticos e edita uma revista censurada em diversos países árabes. Poeta, tradutora e jornalista, ela diz que não deixa o Líbano porque deseja continuar lutando para mudar as condições de vida da mulher árabe

Joumana Haddad não é uma mulher comum. Libanesa, ela luta contra os clichês e estereótipos negativos que o Ocidente criou acerca da mulher árabe, mas jamais aceitou a opressão da cultura muçulmana. Para ela, que teve acesso aos autores mais proibidos do Islã desde criança – como Marquês de Sade, Balzac e Victor Hugo –, patriotismo é absurdo e ingênuo porque as pessoas nascem em um mesmo país por pura coincidência. Ela odeia a unanimidade, a "mentalidade de rebalho", mas acredita que ser diferente só por ser diferente é um folclore bobo. "Não preciso parecer um homem para ser uma mulher. E não preciso estar contra os homens para ser a favor das mulheres", escreve.

Poeta, tradutora e jornalista (é editora do jornal An-Nahar), Joumana criou a revista Jasad (que significa "corpo", em árabe), proibida em quase todos os países árabes. A publicação fala sobre os tabus relacionados ao corpo e à sexualidade, além de cultura, literatura erótica e ensaios fotográficos. Há cerca de dois meses, ela lançou no Brasil o livro Eu matei Sherazade (editora Record, R$ 29,90), no qual conta como se impôs e venceu num mundo opressivo e majoritariamente masculino, da cultura muçulmana. Para ela, "ser árabe é como dar murro em ponta de faca. E não é possível destruir essa faca com o que é de fora. A mudança não é um produto 'importável'", escreve. É por isso, então, que continua a morar no Líbano. Com uma linguagem engraçada e despretenciosa, ela fala sobre o impacto libertador da literatura em sua vida pessoal e intelectual. Joumana lê desde pequena, e também escreve desde pequena. O primeiro poema foi aos 12 anos. Aos 40 anos, publicou vários livros, inclusive de poesia erótica, quatro deles já traduzidos para o francês, italiano e espanhol. Confira a entrevista que esta árabe atrevida, que virá ao Brasil em novembro, para a Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco), concedeu a ÉPOCA.

ÉPOCA – Como é a vida da mulher árabe média, a mãe de família que não é subjugada pelo marido nem pela religião, e também a vida de quem luta, critica e tenta se libertar do Islamismo radical?
Joumana Haddad – Há muitos tipos de mulheres árabes que vivem diferentes vidas. Algumas são realmente oprimidas, enquanto outras se esforçam pela emancipação e lutam por uma vida melhor, para elas e outras mulheres. Obviamente, a primeira categoria representa a maioria, infelizmente. Mas isso não anula o fato de que há outra mulher árabe, e que ela está participando de uma luta magnífica. Ela merece a atenção do Ocidente, a fim de equilibrar todos os clichês e estereótipos negativos que existem no mundo sobre a mulher árabe.

ÉPOCA – Você diz que o patriotismo cega, que ele é a expressão de um romantismo ingênuo. Aqui no Brasil, muitas vezes somos acusados – pelo próprios brasileiros – de não sermos patrióticos, de valorizar demais o que é estrangeiro. Qual seria um meio termo positivo no meio desses dois extremos?
Joumana – Eu penso que nós nascemos em um mesmo país por pura coincidência. Nós nascemos sob uma religião em particular também por coincidência. Estas são identidades herdadas, nós não as escolhemos. Então é muito importante que nós as questionemos em um certo ponto de nossas vidas e decidamos por nós mesmos quem e o que queremos ser. Nesse sentido, eu acho que o patriotismo é ingênuo e absurdo. Eu prefiro amar, adotar e pertencer a todo o universo em vez de pertencer apenas a um lugar.

ÉPOCA – O que exatamente é publicado na Jasad? Textos e artigos culturais sobre o corpo em geral? Literatura erótica? Ensaios de foto?
Joumana – Tudo isso que você mencionou é publicado na Jasad, assim como reportagens sobre tabus relacionados ao corpo e à sexualidade nas sociedades e culturas árabes atuais, temas como virgindade, homossexualismo, poligamia etc.

ÉPOCA – Ao lançar a Jasad, em 2008, você disse que recebeu inúmeros emails e cartas com críticas pesadas (dizendo que você era imoral, pecadora, corrupta e corruptora, depravada, decadente, criminosa etc, e até que você deveria ser queimada com ácido...). Mas que essas críticas só serviram para te deixar invulnerável a elas. Que tipo de represália você sofre ou sofreu no meio intelectual e pelo poder político e religioso do Líbano?
Joumana – A resistência à Jasad é muito menor agora, porque ela se provou ser um fato, uma realidade que não por ser cancelada. Obviamente ainda há muitas pessoas que a consideram pecaminosa e imoral, e eu ainda recebo minha dose diária de insultos. Mas desde o começo eu decidi não ser intimidada por esses ataques, porque eu estava apaixonada pelo projeto, e convencida de que ele era necessário. Por outro lado, a revista tem um bom número de apoiadores, talvez não publicamente, porque as pessoas ainda têm medo das condenações sociais e religiosas. Mas muitas mulheres e homens me mandam emails de suporte todos os dias, me agradecendo por ter criado a revista. É daí que vem parte da minha força e perseverança.

ÉPOCA – Por que você acha que a Jasad não foi censurada no Líbano?
Joumana – A Jasad foi censurada em quase todos os países árabes que você possa imaginar, até o site da revista foi bloqueado em alguns países. Mas ela não foi censurada no Líbano por duas razões principais: primeiramente, o Líbano goza uma maior liberdade de expressão do que a maioria dos outros Estados árabes. E, segundo, eu tive a sorte de ter sido protegida pelos ministros da Informação e do Interior, intelectuais iluminados que acreditam nos direitos humanos e os defendem.

ÉPOCA – Você não quer deixar o Líbano, mas vive viajando. Qual é a sua relação com as culturas ocidentais e orientais e como usa isso em sua luta diária contra a condição da mulher árabe em seu país?
Joumana – Eu me considero uma cidadã do mundo no sentido literal da expressão. Eu pertenço a muitos lugares ao mesmo tempo, mas eu pertenço a mim mesma em primeiro lugar. Eu sou meu país e minhas raízes, então eu carrego o mundo comigo e dentro de mim onde quer que eu vá. Eu viajo porque eu estou sempre com sede de descobrir novas pessoas e culturas, e porque eu acredito que essa interação é o que dá verdadeiro sentido à vida. Eu não suporto pessoas que têm a cabeça fechada. Para mim, vida é uma série infinita de janelas abertas e horizontes sem fim. E, se eu estou no Líbano, não é por causa das coisas de que eu gosto, mas por causa das coisas de que eu não gosto e gostaria de contribuir para mudá-las.

ÉPOCA – A sua posição não é contra uma religião, mas contra o radicalismo criado por ela, que castra as liberdades e impõe comportamentos destrutivos...
Joumana – Sou realmente contra religião, e contra a doutrinação, a ideologia e o inevitável integralismo que ela carrega. Meu Deus é minha liberdade. Meu Deus sou eu mesma e as pessoas que amo. Eu sou muito espiritual, mas muito anti-religiosa, especialmente desde que eu me convenci que as três grandes religiões monoteístas não têm feito nada além de dividir as pessoas, e também são muito patriarcais e condescendentes com as mulheres.

ÉPOCA – Para terminar, deixe um recado para as mulheres brasileiras.
Joumana – Eu acredito que seria a mesma mensagem que eu sempre envio a mim mesma e às mulheres em todo o mundo: acredite em você, celebre sua força como mulher. Nunca diga: "Esse mundo é meu também, entregue-me". Em vez disso, "Esse mundo é meu, eu vou tomá-lo".

Época
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