sábado, 12 de novembro de 2011

Funcionária do AfroReggae é sequestrada e morta em Vigário Geral


RIO - Uma das mediadoras de conflitos do AfroReggae, Tânia Cristina Moreira, de 44 anos, foi sequestrada e morta em Vigário Geral, na Zona Norte do Rio. A informação foi dada por José Júnior, coordenador da única ONG do Rio que trabalha com a mediação de conflitos em favelas do Rio. Tânia fazia parte de um grupo de cerca de 20 pessoas que se especializou em conversar com criminosos, sobretudo traficantes, para reduzir conflitos armados entre as facções e até mesmo levar criminosos à rendição.

Segundo José Júnior, Tânia Cristina -- que atuava há sete anos no AfroReggae -- foi levada de casa por dois ou três homens armados de pistola. Ela estava desaparecida, mas em mensagem no twitter, Júnior afirmou que o corpo da mediadora foi encontrado e está no Instituto Médico Legal (IML) de Caxias.

Moradores da rua onde mora a mediadora afirmaram ter visto ontem grande movimentação de carros da Polícia Civil nas proximidades da casa de Tânia. O sequestro foi registrado na 38ª DP (Brás de Pina), e o coordenador do AfroReggae está a caminho da delegacia para obter maior empenho da polícia nesse episódio. Júnior não acredita que a ação tenha sido consequência do trabalho da mediadora.

Em agosto deste ano, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, determinou a prisão administrativa do capitão da PM Dennys Leonard Nogueira Bizarro, flagrado por câmeras de segurança no Centro quando passava de carro da polícia em frente ao banco onde o coordenador social do AfroReggae, Evandro João da Silva , agonizava após sofrer um assalto, em 17 de outubro de 2009.

Em dezembro do ano passado, o oficial e o cabo Marcos de Oliveira Sales foram condenados por prevaricação (retardar ou deixar de praticar ato de ofício para satisfazer interesses pessoais), com suspensão condicional de pena por dois anos, pela Auditoria de Justiça Militar. Na época do crime, Bizarro e o cabo Sales foram acusados de liberar os assaltantes que mataram o coordenador do AfroReggae e de ainda terem ficado com o par de tênis e o casaco roubados da vítima. A cena foi registrada por câmeras de segurança da rua onde houve o crime.

O Globo

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Jovem é achada morta em SP após encontro pela internet, diz delegado


Família de adolescente afirmou ao DHPP que ela frequentava rede social.
Polícia Civil apura se há relação entre conversas virtuais e assassinato.


O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, investiga as causas e tenta identificar suspeitos pelo assassinato de uma adolescente encontrada morta na noite de quarta-feira (9) num conjunto habitacional popular no bairro do Campo Limpo, na Zona Sul da capital paulista. De acordo com o delegado Maurício Guimarães Soares, da Divisão de Homicídios do DHPP, a família da estudante Thayna de Oliveira, de 16 anos, afirmou em depoimento que ela havia saído de casa por volta das 15h de quarta após ter conversado e marcado um encontro com alguém pela internet.

“A jovem, que tem cerca de 16 anos e se chama Tainá, foi ao encontro às escuras marcado por uma dessas redes sociais na internet, chat de bate-papo, e apareceu morta. A investigação vai analisar o computador dela para tentar levantar com quem ela se relacionava no mundo virtual. Esse vínculo virtual surgiu de um mês para cá, segundo parentes dela”, disse o delegado Maurício Soares ao G1 nesta quinta (10).

De acordo com o delegado, será apurado se a morte da jovem tem relação com algum amigo virtual com o qual ela se relacionava na internet. “Tudo ainda é muito recente, mas o departamento está trabalhando com afinco para esclarecer o caso e chegar aos culpados pela morte dela. Só posso dizer que foi uma morte violenta. Ainda não tenho informações de como ela foi morta. Terei esses dados mais tarde, após ver os relatórios da investigação”, disse Soares.

O corpo dela foi achado no interior do conjunto de prédios próximo à Rua Antonio Canuti. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública, o caso havia sido registrado inicialmente no 37º Distrito Policial, no Campo Limpo, como homicídio qualificado.

Pelo boletim de ocorrência, uma mulher que caminhava pela rua viu a jovem momentos antes do crime dentro de um carro com um homem. Perto do veículo havia uma corda. Posteriormente, quando a testemunha passou novamente pelo automóvel, percebeu que o veiculo não estava mais no local. Perto dali, viu a adolescente caída morta na calçada, perto dela um pedaço de corda. Havia marcas pelo pescoço da vítima.

A cerca de 30 metros dali, tinha outro pedaço de corda amarrado num poste. Ele era similar ao encontrado próximo da estudante. Posteriormente, um homem também passou pelo local quando a mulher lhe chamou para mostrar o corpo da garota. Em seguida, ele ligou para a Polícia Militar.

A PM foi até a rua onde estava a jovem. O tio dela reconheceu o corpo da sobrinha. Em depoimento à polícia, a mãe da estudante afirmou que ela não tinha inimigos e nem usava drogas.

Por conta da complexidade do crime, a delegacia da área pediu para que a investigação fosse conduzida por um departamento especializado, no caso o DHPP.

G1

Gênio da matemática de 14 anos relata desprezo e medo de bullying



O galês Cameron Thompson tem 14 anos e está estudando Matemática Aplicada na Open University. Em depoimento à BBC, ele fala sobre as dificuldades que enfrenta por ser um adolescente superdotado.

Aos dez anos, ele participou de um concurso de matemática na internet. "Eu fiz 140 pontos em um teste com pontuação máxima de 140. Quebrei o sistema, acho que me saí bem", conta.

Mas ser um gênio da matemática tornou-se a identidade completa de Cameron e participar da vida escolar e fazer amigos acabaram sendo relegados ao segundo plano.

"Tenho a sociabilidade de uma batata falante", ele admite.

"A maioria das pessoas da minha idade me despreza. É assim há anos. Estou acostumado a ser ignorado".

As bases do sucesso acadêmico de Cameron foram abaladas pelo fato de que suas notas na Open University vêm caindo. Por conta disso, ele está entrando em pânico.

No primeiro ano, suas notas foram altíssimas - 80% da pontuação máxima, algo que apenas 0,5% dos estudantes do curso consegue alcançar.

Porém, em um trabalho recente, Cameron obteve apenas 72% da pontuação. Uma ótima nota para a maioria das pessoas, mas não o suficiente para garantir a distinção que ele deseja.

"Estou com medo de não passar na Open University", ele diz. "Embora, tecnicamente, eu só devesse estar fazendo o curso daqui a cinco anos".

Recomeço


Embora Cameron consiga achar com facilidade as respostas para os problemas matemáticos, ele tem dificuldade em explicar como chegou a elas, o que diminui suas notas. Ele só poderá continuar o curso na Open University se conseguir melhorar sua pontuação.

Seus pais, Rod e Alison, moram perto de Wrexham, no País de Gales. Eles não têm certeza se a dificuldade do filho em explicar seu raciocínio se deve à sua idade ou ao fato de que recentemente ele foi diagnosticado como portador da Síndrome de Asperger, um tipo de autismo que ocasionalmente alia habilidade mental com problemas de comunicação.

"Aparentemente, muitas pessoas com (Síndrome de) Asperger são realmente inteligentes", diz Cameron. "Pessoas como Einstein e Newton, supostamente teriam (Síndrome de) Asperger".

A necessidade de melhorar suas notas no próximo trabalho preocupa Cameron. Mas a luta para se distinguir não é resultado de pressão dos seus pais e, sim, dele próprio. Para complicar a situação, o adolescente está entrando na puberdade.

"Minha mão notou que eu tenho um bigodinho", ele explica.

Os Thompson vão mudar de casa e Cameron vai começar a estudar em uma nova escola. A família espera que o recomeço ofereça uma oportunidade ao adolescente de formar uma nova vida social.

"Isso me dá uma chance de começar de novo", ele explica. "Eles acham que eu posso melhorar meu status social, em vez de ficar apenas lá embaixo".

"Se eu conseguir chegar ao meio, estarei menos sujeito a ser intimidado, pelo menos não fisicamente."

O adolescente espera conseguir fazer amigos. Com isso, ele acha que vai sofrer menos intimidações e agressões físicas.

A dificuldade em fazer amigos está associada à Síndrome de Asperger. A mãe de Cameron disse que o filho não consegue decodificar sinais sociais.
"Às vezes ele não tem o menor tato", ela diz.

"Ele é uma criança adorável, faz tudo por todo mundo. Ao mesmo tempo, se por um lado às vezes falta a ele um pouco de percepção, por outro, ele é muito sensível".

Escolher a escola certa para Cameron foi de extrema importância, porque seus pais querem que ele desenvolva várias aptidões, não apenas a acadêmica.

"Precisamos dar a ele um bom equilíbrio, temos de responder às suas necessidades emocionais e sociais e (permitir que ele) desenvolva uma ampla gama de habilidades", disse seu pai, Rod.

A nova escola de Cameron se especializa em educar crianças com vários graus de autismo e sua professora, Enid Moore, está ansiosa para que ele leve seus estudos sociais a sério.

Ela enfatiza que não é suficiente ter diplomas - Cameron precisa aprender a se relacionar com pessoas de sua própria idade e a manter amizades.

No primeiro dia de aula ele conheceu Tim, outro adolescente inteligente que também sofre de Síndrome de Asperger. Os dois têm interesses e problemas semelhantes, o que significa que podem dar apoio um ao outro nos momentos de dificuldade.

Tim falou à BBC: "É incrível ter um amigo novo porque ele é divertido... e ele também gosta dos mesmos jogos de computador que eu.

Matemática Aplicada

Nesse meio-tempo, Cameron prossegue com seu curso na Open University. Ele quer terminar o curso aos 16 anos. Sua última prova teve um resultado um pouco melhor: 77% da pontuação máxima. Isso significa que ele pode continuar no curso, mas ele não está satisfeito.
"Eu esperava mais de 80%", ele diz.

O matemático Imre Leader, do Trinity College, em Cambridge, fez uma avaliação da habilidade matemática do adolescente.

Ele sugeriu que Cameron diminua o ritmo um pouco e vá estudar matemática nas Universidades de Cambridge ou Oxford quando tiver 18 anos, com estudantes da mesma idade. Ele também recomendou que Cameron participe de cursos de verão com outros estudantes de matemática talentosos, vindos de outras escolas.

Cameron diz que ainda pretende concluir o curso na Open University, mas conta que os conselhos do professor Leader lhe deram uma outra opção de vida.

"Ele me ensinou que você precisa ir mais além na matemática, não apenas à superfície, mas lá dentro, nas profundezas. E como ele disse, há outras pessoas como eu, grande habilidade matemática, vidas escolares ruins".

Desde que completou 14 anos, Cameron vem se interessando por meninas. Recentemente, ele teve seu primeiro encontro com uma garota, desacompanhado dos pais.

"Comecei a me interessar por meninas há alguns meses", ele conta. "Comecei a gostar delas em vez de sentir repugnância por elas".

Com uma nova vida social e munido de um plano para o futuro mais a longo prazo, Cameron parece estar conquistando, aos poucos, uma vida mais equilibrada e feliz.

BBC Brasil

Mas é (mesmo) caso de terapia?


Um comportamento diferente ou uma dificuldade inesperada de seu filho, um acontecimento traumático, uma reação surpreendente: o que pensar e qual atitude tomar na hora em que bate a dúvida de procurar um psicólogo. Saiba aqui que tipo de situação, quais especialistas você vai encontrar e por que não há razão para ter preconceito ou se sentir fracassado

Quando planejamos ou temos um filho, a felicidade e a responsabilidade são tão grandes que muitas vezes nos parece uma missão impossível. Mesmo que a jornada já tenha começado. Diante de um conflito – de não conseguir que a criança saia da frente da TV até como fazê-la entender que seus pais não vão mais morar juntos –, é legítimo achar que a força de ser mãe ou ser pai vai desmoronar. Mas também legítimo é entender que pode precisar de ajuda. De alguém da família, de um educador da escola, de um amigo ou, sim, de um terapeuta. Mas quem é esse profissional? Como entender esses vários “psis” disponíveis?

Psicólogo, psicanalista, psicopedagogo e psiquiatra são alguns dos especialistas apoiadores dos pais, desde um caso de transtorno comportamental diagnosticado a uma dificuldade pontual emocional. Ah, mas antigamente não precisávamos deles, alguém pode dizer. Verdade, sabe por quê? Antes sabíamos menos sobre o que se passa na infância. “O preconceito contra esse tipo de atuação profissional está diminuindo porque temos informações melhores”, diz o pediatra Eduardo Juan Troster, coordenador da UTI Neonatal do Hospital Albert Einstein (SP). “As questões da saúde evoluíram tanto que é praticamente impossível só um profissional dar conta de um ser humano do ponto de vista clínico, orgânico, mental, emocional”, diz a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

A discussão acontece também em Brasília. Fez parte das reuniões sobre as indicações e normas da Agência Nacional de Saúde (ANS), que regula os planos de saúde no Brasil. Tanto que, desde junho do ano passado, os convênios médicos são obrigados a pagar por 40 sessões/consultas com psicólogo ou terapeuta ocupacional, que sempre devem ser indicados por um médico que já esteja cuidando desse paciente. “A gente vem sempre discutindo ampliar a participação desses profissionais por entender que é necessária uma visão multidisciplinar”, diz a médica e hebiatra Karla Coelho, gerente de atenção à saúde da ANS. E será que a lista desses profissionais nos livros do convênio médico pode diminuir o preconceito? “Sim, essa abertura pode ajudar a desmitificar a atuação de um psicólogo, por exemplo, e melhorar a avaliação da criança e do adolescente”, completa.

Claro que não é fácil enxergar um problema no filho. Para ninguém. Qual pai ou mãe não luta todos os dias para que ele seja feliz? “Os pais têm sempre um filho imaginado, e, às vezes, não conseguem aceitar o filho real, assumir para si mesmo que ele é diferente do esperado. É difícil não se culpar, não se decepcionar ou até sentir um certo ciúme de que outra pessoa vai ajudá-lo e não você”, diz Gina Khafif Levinzon, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise e professora do curso de psicoterapia psicanalítica da USP. Outra dificuldade pode ser a de não querer acreditar que o filho, de fato, tem algum problema e sempre buscar uma justificativa para o comportamento dele. Aceitar a realidade não quer dizer que você falhou.

Mas quando procurar ajuda? Há dois sinais mais fortes. “Primeiro, se a criança ou adolescente tem um problema acadêmico. Não uma nota baixa, mas quando realmente se percebe que não está aprendendo. Segundo, se tem algum prejuízo de relacionamento social. Se exclui ou é excluído, é impulsivo demais, fica isolado no recreio, não tem amigos. Com a criança sofrendo, investigue. E isso pode resultar em medicação, medicação e terapia, às vezes só terapia ou somente um aconselhamento aos pais”, diz o psiquiatra Gustavo Teixeira, autor dos livros Manual Antibullying e Desatentos e Hiperativos (ambos da Ed. BestSeller). Segundo ele, como a ciência aponta sempre que somos fruto da soma de genética e ambiente, pode-se fazer muito pela segunda parte. “Prevenção e intervenção precoce são oportunidades de ouro.”

Juntos pela criança
Parceria e foco são fundamentais. “Não adianta ter uma série de intervenções se os pais possuem uma conduta inapropriada. Indiretamente, eles quase que passam por um processo terapêutico também”, diz o psiquiatra Paulo Germano Marmorato, coordenador do Ambulatório de Socialização, do Serviço de Psiquiatria da Infância e do Adolescente do Hospital das Clínicas (SP). “Muitos temem que a criança fique dependente da terapia. Mas, na verdade, o objetivo é justamente fazer com que ela caminhe sozinha”, afirma Gina Levinzon.

Por isso, para Paulo Marmorato, os pais precisam saber o que está acontecendo com a criança o tempo todo. “Para entenderem que tipo de proposta o profissional oferece. É um ‘o que vamos fazer para que seu filho consiga lidar melhor com o que está acontecendo’”, afirma ele, que também é psicoterapeuta. “O profissional verá primeiro os pais, perguntará sobre a concepção e o parto, os primeiros anos de vida, se teve doenças, como é a questão da alimentação, sono etc., e qual a queixa. Só depois a criança entra e, se necessário, começam as sessões”, explica Rita Calegari. Nelas, a criança vai ser submetida a testes específicos, mas ela achará que está brincando. “A gente avalia tudo, pensa nos encaminhamentos, que podem ser desde a terapia, uma consulta a um neurologista ou até fazer uma atividade física”, diz a especialista.

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Mas é (mesmo) caso de terapia?

Crescer

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Bullying no trabalho: um mal invisível


RIO - Fofoquinhas, intimidações, manipulações: comportamentos que fazem um profissional se sentir humilhado em seu ambiente de trabalho. O bullying é um mal que não atinge só os colégios. Também existe nos espaços corporativos, e é muito mais comum do que se imagina. As vítimas acabam sofrendo duplamente: além da agressão, existe a vontade de manter-se no emprego, o que torna ainda maiores as proporções do problema. As consequências vão de estresse e insônia a episódios de depressão.

Segundo Silvio Celestino, coach de executivos e autor do blog Conversa de Elevador, ao contrário do assédio moral, o bullying costuma ser praticado por colegas do mesmo nível hierárquico. Pode acontecer de forma sutil ou ser grosseiro e envolver preconceitos, como de raça e gênero.

- Um dos indícios de que alguém está sofrendo bullying é o fato de a pessoa ser excluída de processos nos quais deveria estar envolvida, pelo cargo que ocupa. Outro indício é quando o profissional não consegue ser incluído em círculos informais de colegas, sem motivo aparente - explica Celestino.

Karina Jacques, advogada e professora da Academia do Concurso, afirma que o número de demandas judiciais acerca do bullyingna Justiça do Trabalho cresce a cada dia. Segundo ela, as decisões têm sido de repressão à prática do bullying, e de indenização para a vítima, tanto por parte do agressor quanto da empresa que permitiu a conduta.

- Este tipo de comportamento é visto pelo Direito como uma ofensa a um direito fundamental do indivíduo, que é a sua dignidade. Ofender a dignidade humana não pode ser considerada uma conduta normal na relação de trabalho, afinal o trabalhador está vendendo seu trabalho, não sua honra.

Mas o que a vítima pode fazer para se proteger e defender seu emprego? Embora seja um assunto que gere polêmica, muitos especialistas acreditam que o primeiro passo é conversar com o agressor para tentar resolver o problema. Caso não surta efeito, o profissional tem a opção de procurar outras oportunidades e sair da empresa, ou relatar o caso à chefia e ao setor de assistência social e psicológica da firma. Uma ação judicial contra o agressor - e, se for conivente, contra a própria empresa - é o último recurso.

- Se a liderança da empresa não observa esse tipo de comportamento, ou se não possui ouvidoria, é improvável que se importe com bullying - explica Celestino. - Além disso, depois de uma reclamação com o chefe, fica difícil conseguir conquistar seu lugar na equipe.

Para a consultora Ylana Miller, que dá aula de gestão de carreiras no Ibmec, muitas corporações acabam sendo coniventes com o bullying:

- Às vezes é uma questão cultural na empresa. Se for o caso, cabe à vítima escolher se quer continuar num ambiente assim. A partir do momento em que o profissional percebe o que se passa, tem a chave para decidir melhorar seu futuro.

Ylana explica que o bullying muitas vezes é manifestado por meio de manipulações sutis que nem sempre são percebidas inicialmente pelas vítimas, mas que vão prejudicando seu crescimento profissional. Um exemplo é quando um colega fica com o crédito pela ideia de outro, diante da chefia, mas consegue transmitir para a vítima a ideia de que a está ajudando.

- É uma epidemia invisível - define Ylana.

O Globo

PM diz que traficante e comparsas ofereceram R$ 1 milhão de suborno


Nem, apontado como chefe do tráfico na Rocinha, foi preso no Rio.
Traficante deve ser transferido nesta quinta (10) para o presídio de Bangu.


Um dos policiais militares envolvidos na ação que resultou na prisão do traficante Antônio Bonfim Lopes, conhecido como Nem, diz que os homens que ajudavam na fuga do criminoso chegaram a oferecer R$ 1 milhão de suborno para que eles fossem liberados. Nem foi preso na madrugada de quinta-feira (10). Ele é apontado como o chefe do tráfico de drogas da Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

“Primeiro, eles ofereceram R$ 20 mil, depois, R$ 1 milhão para liberarmos eles”, contou o soldado Heitor, um dos agentes do Batalhão de Choque que abordou o veículo usado na tentativa de fuga do traficante. Nem foi encontrado no porta-malas do carro de luxo e preso com apoio da Polícia Federal.

A prisão do traficante Nem é parte da movimentação de forças de segurança pública antes da instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na Rocinha. A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13), mas de acordo com o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, os detalhes serão mantidos sob sigilo.

Escondido no porta-malas
Segundo o soldado Heitor, além do traficante, mais três homens estavam no carro usado na fuga de Nem da Rocinha. A primeira abordagem ao grupo foi na saída da Rocinha, na Gávea, na Zona Sul do Rio. Lá, os PMs pediram para revistar o veículo. Um dos homens do grupo se apresentou como funcionário do Consulado do Congo e outro, como advogado. Eles informaram aos policiais que não aceitariam ser revistados. De acordo com soldado Heitor, os agentes informaram, então, que escoltariam o carro até a sede da Polícia Federal.

Ainda de acordo com o soldado, pouco depois da meia-noite, quando cruzavam a região da Lagoa, também na Zona Sul, os homens pararam o carro, se aproximaram dos policiais e tentaram negociar o suborno. “O [homem que se apresentou como] cônsul ofereceu propina e nós não aceitamos. Chamamos a Polícia Federal, que é um procedimento normal por ele ser cônsul”, contou o soldado. Na manhã desta quinta, a identidade do detido que teria se apresentado como diplomata ainda era investigada pela polícia.

Segundo Heitor, após a PF chegar à Lagoa, o veículo foi revistado e Nem foi achado no porta-malas. “A PF identificou o Nem de imediato. E o Nem não disse nem uma palavra, não ofereceu resistência”, disse.

Nem e os outros suspeitos foram levados para a sede da PF, na Zona Portuária. O delegado Victor Poubel, da PF do Rio, Nem ligou para a mãe e comunicou que havia sido preso. "Ele mandou um recado para os filhos não faltarem às aulas", disse o delegado. Segundo Poubel, o traficante deve ser transferido ainda nesta quinta para o presídio de Bangu, na Zona Oeste.

PF infiltrada na Rocinha
Policiais federais trabalharam infiltrados na Favela da Rocinha para ajudar na captura de Nem. Segundo Poubel, foram dez dias de trabalho, 24 horas por dia, monitorando a comunidade. A ação policial contou ainda com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. "Mas o trabalho da Polícia Federal não se restringe só a isso", esclarece Poubel.

Na quarta-feira (9), A PF já havia prendido outros traficantes e também policiais que escoltavam criminosos em fuga da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Entre os detidos, quatro são policiais e um é ex-policial. Um dos traficantes presos é conhecido pelo apelido de “Peixe” e o outro é o traficante “Coelho”, apontado como um dos principais comparsas de Nem.

Instalação de UPP
Cerca de 80 homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar (PM) permanecem nesta quinta nas favelas da Rocinha e do Vidigal, na Zona Sul do Rio. Segundo o tenente da PM Leonardo Novo, o cerco é por tempo indeterminado. Moradores e motoristas que passam pelo local são revistados.

O Ministério da Defesa vai mandar homens da Marinha e equipamentos militares para a ocupação do morro da Rocinha. Apesar do ministério não confirmar formalmente a participação na operação, o pedido de apoio logístico ao Ministério da Defesa foi feito há cerca de dez dias pelo governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).

A previsão é de que a ocupação aconteça no próximo domingo (13). A Marinha usará na operação os mesmos blindados utilizados na tomada das comunidades do Complexo do Alemão e da Vila Cruzeiro, os chamados Clanfs (carros lagartas anfíbios). Os blindados serão operados por fuzileiros navais e também ajudarão no transporte dos policiais militares durante a entrada no morro.

G1

Bebê morto após receber leite na veia é enterrado em SP


Pais do bebê tomaram calmantes para acompanhar a cerimônia em Perus.
Criança nasceu prematura e estava internada em UTI neonatal há 13 dias.


O bebê Kauê Abreu dos Santos, de 13 dias, que morreu segunda-feira (7) após receber 10 ml de leite via intravenosa, foi enterrado na manhã desta quarta-feira (9) no Cemitério de Perus, na capital paulista. Segundo amigos que participaram do funeral, os pais tiveram que tomar calmante porque estão em estado de choque.

A criança nasceu prematura e estava internada na UTI neonatal do Hospital Municipal Professor Mário Dégni, no Rio Pequeno, na Zona Oeste de São Paulo, recebendo soro com medicamentos para evitar infecções.

O bebê recebia medicamentos na veia e se alimentava, por meio de sonda, com o leite tirado da mãe. A sonda estava colocada no nariz do bebê para levar o leite direto para o estômago. Porém, segundo a família, uma auxiliar de enfermagem se confundiu e injetou 10 ml de leite na veia do recém-nascido.

Os pais passavam o dia todo com o bebê no hospital, mas no dia da morte tinham saído justamente quando tudo aconteceu. De acordo com mãe, Jovenita Oliveira de Abreu, de 32 anos, os funcionários demoraram a dizer o que havia acontecido. “Cheguei às 10h30 e fui saber a verdade mais ou menos 15h30. Houve um erro. A causa foi o leite que foi injetado na veia dele, não pela sonda”, disse a mãe.

Na noite de terça-feira (8), os pais estiveram no 51º DP, no Rio Pequeno, para registrar o boletim de ocorrência.

“Hoje em dia é um erro atrás do outro na medicina. A gente tem que tomar providência para ver se para com esses erros. Para mm, um erro desses nem um analfabeto fazia”, declarou o pai, Admildo Xavier dos Santos.

Prefeitura
A auxiliar de enfermagem envolvida no caso foi demitida. O secretário Municipal de Saúde, Januário Montone, considerou o erro “grosseiro” e “inaceitável”, “Para a família desse bebê, eu só posso pedir desculpas, porque foi um erro absolutamente inaceitável. A gente chama de tragédia, mas é mais do que isso, porque foi uma morte evitável”, disse o secretário.

Segundo Montone, uma investigação está sendo feita para buscar as “causas maiores” desse acidente e para saber se houve uma tentativa de “mascarar” o que aconteceu. Para o diretor do hospital, ela reconheceu que errou.

O secretário afirmou que, infelizmente, a queda na qualidade na é só na rede pública e que a Prefeitura tem feito um programa com o intuito de reduzir o número de erros. Cerca de 6 mil funcionários já foram treinados e outros 6 mil entrarão em treinamento até 2012. O caso também vai ser investigado pelo Conselho Regional de Enfermagem.

G1

Schnauzer Sheep é morto por asfixia no porta-malas de um carro após assalto


"Mataram o meu cachorro". Esta frase foi dita aos prantos pela tutora do schnauzer Sheep, Cioneia Delgado, que vive um grande drama desde o dia 30/09, quando o seu cachorro foi levado por assaltantes dentro do porta-malas do carro Astra, placa EEW 4887, em São Paulo. O veículo pertencia aos proprietários de um hotelzinho para animais, onde Sheep ficava nos períodos da manhã e da tarde de segunda à sexta-feira.

No dia 01/10 foi registrado um boletim de ocorrência (BO) no 16º Distrito Policial, da Vila Clementino, reportando o caso às autoridades. Na ocasião, os responsáveis pelo hotelzinho informaram a tutora de Sheep que estavam transportando o cachorro dentro do porta-malas com o tampão aberto para passagem de ar. Com a expectativa de que ele estivesse vivo, Cioneia iniciou uma grande busca pelo animal utilizando as redes sociais da internet, cartazes e placas em diversos bairros de São Paulo.

Ontem, 07/11, Cioneia recebeu um e-mail de um rapaz que disse ter avistado o animal nas imediações da Vila Santa Catarina. A tutora de Sheep percorreu as ruas do local até que foi informada pela proprietária do hotelzinho que o Astra foi encontrado estacionado na rua Palacete das Águias, altura do número 160. Ela estava com a polícia, mas a perícia demorou cerca de 3 horas para atender o chamado.

Neste intervalo de tempo, Cioneia conversou com o porteiro de um prédio das imediações. Ele disse a ela que o veículo já estava parado naquele local há mais de um mês e, suspeitando que poderia se tratar de um carro roubado, entrou em contato com as autoridades policiais três vezes, mas seu pedido não teria sido atendido, conforme relatou.

Quando a perícia chegou no local ontem, o carro estava cheirando muito forte e tinha moscas ao redor. No porta-malas foi encontrado o corpo de Sheep já se decompondo. Pelo estado em que se encontrava, deduz-se que ele foi abandonado no local desde o dia 30/09, e morreu por asfixia, pois diferentemente do que relatou os proprietários do hotelzinho, o animal foi transportado dentro do porta-malas com o tampão, sem a possibilidade de passagem de ar.

Transtornada com o desfecho da história, Cioneia não conseguiu se pronunciar sobre o caso à Agência Notícia Animal. Seu marido Renato, disse que ainda não sabe se vai ou não entrar com ação judicial contra o hotelzinho. "É complicado, pois nada que fizermos vai mudar o que aconteceu com o Sheep", disse.

A história chegou a um triste fim, mas algumas questões ainda valem a pena serem levantadas. Por que a polícia não averiguou o caso quando o porteiro relatou ter avistado um veículo, cuja placa havia sido registrada como roubada em BO? Quem era o rapaz que disse ter visto Sheep na Vila Santa Catarina, via e-mail, sendo que o corpo do cãozinho estava dentro de um porta-malas?

A Agência Notícia Animal espera que as autoridades não paralisem as investigações. Uma vida foi perdida e como consequência disso, uma família lamenta muito esta ocorrência. Para que possam seguir em frente, estas respostas são fundamentais. Não se pode deixar este caso cair no esquecimento.

Notícia Animal

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Depressão dos pais pode influenciar problemas emocionais na criança


Um quarto dos filhos com pais depressivos sofrem com distúrbios comportamentais

Crianças com pais que possuem sintomas de depressão ou outra condição mental têm um risco maior de desenvolver problemas comportamentais ou emocionais, diz estudo da New York School of Medicine (EUA) e publicado no periódico Pediatrics.

A pesquisa analisou 21.993 crianças que moram com seus pais. Eles perceberam que, se a mãe tem sintomas depressivos, o risco de a criança ter problemas emocionais ou comportamentais é maior do que se o pai é afetado por esses mesmos sintomas.

Os pesquisadores descobriram que a taxa desses problemas nas crianças são:
- 25% se ambos os pais têm sintomas de depressão;
- 19% se apenas a mãe é afetada;
- 11% se apenas o pai é afetado;
- 6% se nenhum dos pais é afetado.

Para os estudiosos, pesquisas futuras são necessárias para identificar problemas mentais nos pais.

Dicas para você sair da depressão
Todos os dias podem parecer uma batalha quando você está deprimido. O tratamento médico e as terapias são os passos mais importantes a serem dados para a plena recuperação. Porém, existem coisas que você pode fazer que ajudam a se sentir melhor. Veja as dicas que a psicoterapeuta cognitivo comportamental Evelyn Vinocur dá para você se afastar de vez da depressão:

1) Reconheça os sinais precoces
É importante reconhecer e tratar a depressão o mais precoce quanto possível, o que diminuirá os riscos de você deprimir novamente. Se você fingir que o problema não está ocorrendo, provavelmente você se sentirá pior. Você precisa observar os tipos de eventos que contribuíram para a depressão no passado e ficar alerta aos sintomas precoces.

2) Estabeleça objetivos possíveis
Você pode se sentir esgotado pelas mínimas que fizer em casa ou no trabalho. Não seja durona com você. Lembre-se que a depressão é uma doença e que você não deve extrapolar além das suas possibilidades. Mantenha o foco em metas objetivas, pequenas, realísticas e alcançáveis e assim você vai facilitar a sua volta as rotinas em casa, com a família e no trabalho.

3) Faça o que gostar
Tire um tempo para fazer coisas que goste. Reúna-se com amigos. Caminhe. Vá ao cinema. Jogue um jogo que você já não joga há anos.

4) Não tome decisões importantes
Uma vez que a depressão pode distorcer a sua interpretação das coisas, é mais prudente não tomar nenhuma decisão importante nesse momento, como pedir demissão do emprego, ou se mudar, etc., até você melhorar da depressão.

5) Não beba
Apesar de você achar que o álcool pode fazê-lo se sentir melhor, o álcool pode piorar muito a sua depressão. Pessoas deprimidas estão em alto risco de se envolver em abuso de álcool ou de outras substâncias psicoativas e o álcool interage com os antidepressivos.

6) Faça exercícios
Existem cada vez mais evidências que o exercício ajuda na depressão leve ou moderada. Encontre uma atividade que você goste, comece devagar e repita três vezes na semana, por 20 a 30 minutos.

Minha Vida

Bebê somali que comoveu o mundo com desnutrição aguda consegue recuperar peso e sobrevive



NAIRÓBI - O bebê Minhaj Gedi Farah se tornou símbolo da fome que devasta a Somália, quando há três meses uma foto sua chocou o mundo. Com graves problemas de desnutrição, nem seus pais acreditavam que aquele esquelético Minhaj poderia sobreviver e se transformar numa criança que hoje, com 8 quilos, pode até ser chamada de gordinha.

O quase inevitável destino de Minhaj foi transformado graças a ajuda do grupo International Rescue Commitee. A fome já matou dezenas de milhares de pessoas na Somália, mas a ONU garante que, apesar das restrições do movimento de insurgência islâmica al-Shabbab, está aumentando o alcance de suas agências no país.

- Nem a mãe dele (de Minhaj) imaginava que ele poderia se recuperar. Cada membro da família está feliz - disse Sirat Amin, uma das enfermeiras que ajudaram a monitorar o tratamento de Minhaj. - Agora, ele pode sentar sozinho, está engatinhando.

Em julho, a ONU decretou fome em cinco zonas da Somália. Minhaj era um dos bebês internados em estado grave no campo de Dadaab, no Quênia, para onde muitos somalis fogem da crise humanitária e da violência. Com 7 meses, Minhaj pesava apenas 3.2 quilos, menos que muitos recém-nascidos. Três meses depois, a balança marca 8 quilos, peso normal para os bebês da sua idade.

Superlotados, os acampamentos de Dabaab enfrentam graves problemas. Apesar de o número de somalis chegando todos os dias no Quênia ter diminuído, a situação continua grave. Quase dois milhões de somalis ainda não têm acesso à comida. A briga entre o Quênia, que resolveu invadir a Somália recentemente, e o al-Shabaab também dificultou a fuga para o país vizinho. Muitos temem ser confundidos com insurgentes.

A ONU especula que cerca de 160 mil crianças com menos de 5 anos sofrendo de desnutrição aguda podem morrer nas próximas semanas. A organização também vem alertando para o risco de proliferação da cólera e da malária, principalmente na capital somali de Mogadíscio.

- Estou ajudando as pessoas aqui, mas às vezes é de cortar o coração. Pessoas estão sofrendo. Às vezes, eles morrem na sua frente. E, por mais que você queria ajudar, eles são tantos (que você não consegue) - disse Amin, que trabalha no campo de refugiados no Quênia.

O Globo
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