terça-feira, 15 de novembro de 2011

Pais querem transferir de escola aluna que iria se encontrar com pedófilo



Familía está descontente com o a postura da direção do colégio

Os pais da aluna de 12 anos que foi orientada pela professora a marcar encontro com um pedófilo pela internet como trabalho escolar, em São Carlos, no interior de São Paulo, querem transferir a filha para outra escola. De acordo com o padrasto da menina, que pediu para não ser identificado, existe o temor de que a estudante fique marcada por ter levado o caso ao conhecimento dos pais.

A família também está descontente com o encaminhamento dado pela direção da Escola Estadual Professora Maria Ramos, na qual a menina cursa a 6ª série. Segundo o padrasto, a diretora teria manifestado preocupação com a imagem do estabelecimento e com a repercussão do caso.

Foi preciso a intervenção da Secretaria Estadual da Educação para que a professora fosse suspensa - por causa do feriado prolongado, o afastamento só deve ser publicado nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial.

O padrasto já contatou a Diretoria Regional de Ensino pedindo que a enteada seja matriculada em outra escola. A família procurou uma advogada para acompanhar o caso.

A diretora regional de Ensino, Débora Gonzales Costa Blanco, disse que todas as providências administrativas foram tomadas tão logo o caso chegou ao seu conhecimento. Caso a família deseje a transferência, a diretoria colocará uma vaga à disposição da aluna em outra escola na região de sua residência.

De acordo com os pais, a professora de português teria orientado a menina a marcar encontro com um pedófilo no centro da cidade para que ela o fotografasse. O caso chegou ao conhecimento da família porque a docente deixou um recado no caderno da aluna, orientando sobre como devia agir durante o contato com o pedófilo via internet.

Conforme a orientação, ela deveria usar um nome fictício, citar a idade real e imprimir a conversa online. A professora também pedia a colaboração dos pais para vigiar as conversas pelo computador. O objetivo, segundo ela, seria mostrar aos alunos os riscos da internet.

Em nota, a Secretaria da Educação informou que só voltará a se manifestar após a conclusão da sindicância aberta para apurar o caso.

R7

Traição no Brasil é a que mais cresce no mundo


Um levantamento recente feito pela rede social americana Ohhtel.com (espécie de Facebook da traição) mostra que o Brasil é o país em que a infidelidade mais cresce no mundo. Com pouco mais de 100 dias de funcionamento no País, o site da infidelidade discreta – que opera nos Estados Unidos, na Argentina, no Canadá e no Chile – já conta mais de 315 mil usuários.

Leia mais: "A monogamia já era", diz a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins, que prevê que, no futuro, o mundo será bissexual

Isso significa que, por mês, cerca de 80 mil brasileiros se cadastram no site de relacionamento em busca de relações extraconjugais. Nos Estados Unidos, onde a rede social já soma 1,2 milhão de usuários, a adesão mensal não passa de 50 mil pessoas. Na Argentina e no Canadá as médias mensais de adesão são, respectivamente, de 13 mil e 5 mil. Ou seja, o Brasil segue em disparada.

Karen Meohas, gerente de marketing Ohhtel.com no País explica o motivo de um número tão expressivo: “A oportunidade de buscar relações fora do casamento com a segurança de que sua esposa ou marido não vão descobrir é um fator preponderante para essa evolução”. E no Brasil, a maioria dos usuários admitem amar seus companheiros e não querer o divórcio, por isso, o especial sucesso do serviço.

Marie Claire

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diabetes mata uma pessoa a cada dez segundos


11 milhões de pessoas sofrem com a doença no Brasil

Estima-se que haja, pelo menos, 300 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo. No Brasil, são cerca de 11 milhões de portadores, segundo dados do Ministério da Saúde e de sociedades médicas.

No Dia Mundial do Diabetes, lembrado nesta segunda-feira (14), o foco da campanha global, pelo terceiro ano seguido, é orientar a população para prevenir a doença, que mata uma pessoa a cada dez segundos no mundo - conforme estatística da Federação Internacional de Diabetes, ligada à OMS (Organização Mundial da Saúde).

O desconhecimento sobre o que é a doença, os sintomas e o tratamento têm sido obstáculos para conter essa epidemia global. A própria federação internacional estima que metade das pessoas não sabe que tem diabetes.

Apesar de muitos brasileiros ter um parente ou amigo com a doença, parte deles não sabe como evitá-la, diz o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes, Walter Minicucci.

– Muitos têm contato, mas não conseguem ajudar a pessoa próxima [com a doença]. E ficam incapazes de prevenir nelas mesmas.

O diabetes tipo 2, que atinge mais pessoas, ocorre quando há aumento da taxa de açúcar (glicose) no sangue. Os sinais mais comuns são a sede excessiva, a perda de peso, a fome exagerada, a vontade de urinar muitas vezes, a difícil cicatrização de feridas, a visão embaçada, o cansaço e infecções frequentes. Alguns dos fatores de risco são a obesidade, o sedentarismo e o histórico familiar com casos da doença.

A prática de exercícios físicos e a alimentação equilibrada ajudam a evitar o diabetes tipo 2, que não tem cura.

Quando o diabetes não é tratado, aumenta o risco de o paciente ter um ataque cardíaco, ficar cego ou sofrer amputação de uma perna.

R7

Pretos e pardos são maioria em 56,8% dos municípios brasileiros


O número faz parte de mapeamento feito pela UFRJ com base no Censo 2010

RIO - O número de municípios onde os domicílios tinham maioria de pretos e pardos aumentou 7,6 pontos percentuais, entre 2000 e 2010, ao passar de 49,2% para 56,8%. A constatação faz parte do Mapa da População Preta & Parda no Brasil segundo os Indicadores do Censo de 2010, divulgado nesta segunda-feira.Em 1.021 cidades (18,3% do total), pretos e pardos eram mais de 75% da população. O estudo foi elaborado pelo Laboratório de Análises Econômicas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais (Laeser), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

O percentual de pessoas que se declararam pretas passou de 6,2% para 7,6% em uma década. O aumento foi maior entre as que se declararam pardas, de 38,5% para 43,1% no mesmo período. Em 2010, aproximadamente 91 milhões de pessoas se classificaram como brancas, 15 milhões como pretas, 82 milhões como pardas, 2 milhões como amarelas e 817 mil como indígenas.

O coordenador da pesquisa, Marcelo Paixão, acredita que os indicadores com base no Censo 2010 foram influenciados pelo processo de valorização da presença afrodescendente na sociedade brasileira e pela adoção das políticas afirmativas.

- Esses dados demonstram não só uma mudança demográfica, mas também política, social e cultural, porque expressa uma nova forma de visibilidade da população negra brasileira ao estimular que as pessoas assumam sua cor de pele de uma maneira mais aberta.

O censo, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a cada dez anos, introduziu, em 2010, a pergunta sobre cor ou raça para todos os domicílios e não mais por amostra, como era feito anteriormente.

Segundo Marcelo Paixão, a comparação dessa informação com dados futuros do IBGE, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do ano que vem e o Censo de 2020, será muito útil para traçar um perfil mais fiel da população.

- O interessante para 2020 é verificar se esse percentual da população preta e parda no Brasil vai continuar aumentando. Porque é claro que tem também uma população que não é negra. O ideal é que as bases de dados expressem melhor o perfil da população brasileira, que corresponda à realidade - disse o economista.

De acordo com o levantamento de 2010, São Paulo é a cidade com maior número de pretos e pardos em todo o país, com cerca de 4,2 milhões, seguido do Rio de Janeiro (cerca de 3 milhões) e Salvador (cerca de 2,7 milhões).

Se forem considerados apenas negros, Salvador lidera o ranking com 743,7 mil, seguida de São Paulo (736 mil) e do Rio (724 mil).

No Norte e no Nordeste, respectivamente, 97,1% e 96,1% dos municípios eram formados por maioria preta e parda. No Centro-Oeste, esse percentual chegava a 75,5%, no Sudeste, a 37,1% e, no Sul, a apenas 2,3%. Cunhataí, em Santa Catarina, é a única cidade brasileira sem a presença de pessoas que se declararam pretas

O Globo

domingo, 13 de novembro de 2011

Na Etiópia, autistas sofrem por desconhecimento da condição e superstição


Em 1995, a etíope Zemi Yunus não sabia o que era autismo, mas tinha consciência de que seu filho Jojo, então com quatro anos, era "diferente das outras crianças da idade dele".

Foi então que seu marido assistiu a um programa de televisão sobre a condição. Na época, a família vivia nos Estados Unidos.

De repente, o casal se deu conta de que era possível que Jojo fosse autista. Certamente, os sintomas descritos pareciam indicar isso.

Pouco tempo antes de retornar à Etiópia, Zemi começou a pesquisar o assunto com mais profundidade.

Zemi disse que, assim como muitos pais de crianças autistas, ela se preocupava com a demora do filho em começar a falar.

'Mimado'
Vários médicos haviam dito a ela que não se preocupasse porque, frequentemente, meninos começam a falar um pouco mais tarde.

No entanto, quanto mais pesquisava, mais Zemi reconhecia que o atraso na fala do filho, assim como suas ações repetitivas e dificuldades de comportamento eram claramente manifestações de autismo.

Infelizmente, o diagnóstico da condição, particularmente em países em desenvolvimento, é raro.

Ao retornar à capital da Etiópia, Addis Abeba, Zemi consultou psicólogos, médicos e outros profissionais durante vários anos. Nunca obteve uma confirmação de suas suspeitas.

Dona de seu próprio negócio, a mãe de Jojo teve dificuldade em encontrar uma escola para o filho. Muitos professores diziam que Jojo era "mimado". Ele foi expulso de cinco escolas consecutivamente.

Uma instituição pediu pagamento triplo para aceitar Jojo.

Problema Comum

A essa altura, Zemi já tinha pesquisado amplamente o tema e sabia que a ocorrência de autismo na região era bastante alta.

Na Etiópia, ninguém falava publicamente sobre o assunto, mas ela insistiu. Começou a procurar por outros pais afetados pelo problema.

Zemi ficou chocada com o que encontrou. Famílias com crianças autistas as mantinham em casa, com frequência em quartos escuros.

Ela encontrou o caso de uma menina cujas mãos ficavam amarradas atrás das costas, provavelmente para impedir que ela agredisse a si própria. (Esse não é um comportamento raro entre crianças autistas, especialmente quando estão estressadas.)

Suas experiências a levaram a querer falar publicamente sobre o autismo.



Em 2002, usando seu bem-sucedido negócio para promover suas atividades beneficentes, Zemi inaugurou o Joy Centre for Children with Autism em Addis Abeba.

A escola começou a funcionar com quatro alunos - entre eles, seu filho - e três funcionários. Hoje, 75 crianças estão matriculadas na escola e a equipe conta com mais de 30 funcionários.

Como a escola não tem fins lucrativos, os pais pagam o que podem. A instituição recebe auxílio da ONU e de outros doadores.

A criação do centro levou o governo da Etiópia a iniciar um programa para crianças com necessidades especiais.

'Possuídos pelo demônio'
Isso não quer dizer que os etíopes mudaram sua atitude em relação aos que sofrem de autismo.

Muitas pessoas ainda pensam que as crianças afetadas pela condição são possuídas pelo demônio em virtude de pecados cometidos por seus pais. Isso explica por que, frequentemente, crianças autistas são escondidas pelas famílias.

Também há muita ignorância sobre o assunto no setor médico.

Elias Tegene, um psicólogo que se especializa em autismo, descreve a condição como um novo "tema" que só se tornou conhecido na última década.

Apesar da falta de dados oficiais no país, ele acredita que a incidência da condição está crescendo rapidamente.

O problema é acentuado pelo fato de que muitos médicos na Etiópia nunca ouviram falar da condição.

Os que identificam a condição tratam os pacientes como casos psiquiátricos (embora o problema seja, na verdade, neurológico) ou simplesmente dizem aos pais que precisam educar melhor seus filhos.

Com base em suas observações, Tegene disse acreditar que o autismo é mais comum em crianças da chamada "geração boom", ou seja, etíopes que viajaram para o exterior para trabalhar e estudar.

O menino de nove anos Addis é uma dessas crianças. Ele nasceu em Maryland, nos Estados Unidos, de pais etíopes. Seu diagnóstico foi feito quando ele tinha apenas dois anos.

O diagnóstico rápido se deveu ao fato de que Addis nasceu prematuro, com 27 semanas, e já estava sendo monitorado por uma equipe médica.

Vida Ativa
O pai de Addis, Abiy, disse que demorou para que ele e a esposa aceitassem o diagnóstico inicial.

"Todo mundo tinha uma teoria sobre por que isso tinha acontecido", disse Abiy.

Segundo ele, há uma percepção de que o autismo é mais comum entre comunidades de migrantes vindos do Chifre da África - na região nordeste do continente.

"Alguém nos disse que as crianças que tinham sido diagnosticadas em casa (na Etiópia) eram aquelas que tinham nascido no exterior , nos Estados Unidos ou na Europa".

Foi a esposa de Abiy, Azeb - uma professora primária hoje se especializando em crianças com necessidades especiais - quem primeiro sugeriu que talvez Addis fosse autista.

O marido, no entanto, resistiu à ideia de procurar tratamento por não querer aceitar a realidade. O diagnóstico resultou em um período de muita reflexão para Abiy.

Hoje, Addis vive uma vida ativa, cheia de atividades. Ele tem um senso de direção particularmente desenvolvido.

"Meu filho é uma criança ótima. Se nasceu com autismo, que seja. Mas ele é o melhor filho (do mundo)", diz Abiy.

"Ele se comporta bem e nunca nos atrapalhou de maneira alguma".

Embora não haja pesquisas para confirmar a visão do psicólogo Elias, de que o autismo está aumentando entre os etíopes, e especialmente entre os que vivem no exterior, há evidências em relação a crianças da Somália vivendo no exterior.

Em 2009, o jornal New York Times publicou uma reportagem dizendo que autoridades do Departamento de Saúde de Minnesota, nos Estados Unidos, tinham chegado a um acordo em relação a um fato impressionante: havia índices mais altos de autismo em crianças somális vivendo no Estado.

Embora enfatizando que a amostra era bastante pequena, as autoridades citadas no artigo disseram que as crianças somális tinham entre duas a sete vezes mais probabilidade de sofrer da condição do que pessoas de outras etnias.

Dados da Suécia e de outros pontos dos Estados Unidos parecem reforçar essa teoria.

Pesquisas
Abdirahman D. Mohammed - um médico somáli que trabalha no Axis Medical Centre, em Minneapolis - trata um grande número de pacientes de várias origens e disse não ter dúvidas de que o autismo ocorre em índices anormalmente altos em crianças de origem somali.

"Infelizmente, é um problema imenso para a nossa comunidade. Pode causar muita perturbação e ansiedade para as famílias", disse o médico.

Além disso, algumas pessoas associam o autismo a programas de imunização infantil - embora esse vínculo nunca tenha sido provado.

Como resultado, algumas crianças somális nos Estados Unidos não estão sendo vacinadas contra doenças perigosas.

E se de fato existe uma maior concentração de casos de autismo entre crianças da comunidade somali, qual seria a explicação para isso? Mohammed não sabe a resposta.

"Será que isso é ambiental, genético, ambos? Não sabemos. É um grande mistério".

Felizmente, o US Centre for Disease Control and Prevention acaba de aprovar financiamento para pesquisas sobre o assunto. Talvez sejam necessários mais estudos na Etiópia e entre comunidades de etíopes vivendo no exterior.

E de volta a Addis Abeba, os anos se passaram e hoje o filho de Zemi, Jojo, é um jovem de 20 anos.

A mãe o descreve como "um jovem bonito, com muitas vitórias". Recentemente, ele começou a dizer algumas palavras.

"Ele está prestes a falar. Estou tão animada com isso! As coisas estão caminhando".

Histórias como a de Jojo e a de Addis enchem de esperança famílias afetadas pelo autismo no mundo inteiro.

Compreenda:

Autismo
Uma deficiência do desenvolvimento neurológico que se manifesta por meio de dificuldades de interação social e de comunicação, falta de imaginação e de brincadeiras criativas.

Com frequência, as crianças não parecem afetadas pelo problema quando bebês. Alcançam todas as metas de desenvolvimento esperadas, incluindo as primeiras manifestações da fala, mas não apresentam comportamento social normal entre um e três anos de idade.

Outras características típicas são má coordenação, falta de contato olho no olho e ausência de expressões faciais. Crianças com autismo podem ter dificuldade de falar normalmente e 75% delas também apresentam dificuldades de aprendizado.

Crianças autistas frequentemente possuem talentos extraordinários, como, por exemplo, são exímias desenhistas, matemáticas, musicistas ou são dotadas de memória fotográfica. Não existe cura ou tratamento para o autismo.

BBC Brasil

Traficante morava em mansão cercada por barracos

Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe, é um dos cinco traficantes presos na última quarta-feira, quando tentavam escapar da Rocinha escoltados por três policiais civis e dois policiais militares

O Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope) descobriu na manhã deste domingo, 13, a casa de Sandro Luiz de Paula Amorim, o Peixe, um dos cinco traficantes presos na última quarta-feira, quando tentavam escapar da Rocinha escoltados por três policiais civis e dois policiais militares. A mansão de três andares está repleta de equipamentos novos e caros. Fica cercada por barracos e casas humildes na cercanias da Rua 2, no alto da comunidade.

Ex-chefe do tráfico de drogas do Complexo de São Carlos, no centro do Rio, Peixe tinha piscina, equipamentos de musculação, churrasqueira, um aquário com mais de dez peixes, cozinha completa (com eletrodomésticos em inox) e equipamentos de TV e vídeo de última geração. No quarto há uma banheira de hidromassagem, ar-codicionado e muita bebida alcoólica.



Estadão

Campanha alerta para os riscos de doenças cardiovasculares



Lembrado desde 2007, Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita vem mobilizando centenas de cardiologistas de todo o país

Neste sábado, ocorreu o Dia Nacional de Prevenção de Arritmias Cardíacas e Morte Súbita, organizado pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). Realizada desde 2007, a campanha tem como um dos pilares a conscientização da população a respeito das arritmias cardíacas e da morte súbita, mobilizando centenas de cardiologistas de todo o país. A Sobrac também quer esclarecer órgãos públicos e privados sobre a importância da presença do desfibrilador externo automático (DEA) em locais de grande circulação de pessoas.

— Apesar do grande número de vítimas, a morte súbita necessita ser melhor divulgada no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou recentemente que as doenças cardiovasculares matam mais que quaisquer outras, incluindo o câncer — ressalta o eletrofisiologista Eduardo Bartholomay, coordenador da campanha no Rio Grande do Sul em 2011.

Com a Campanha Coração na Batida Certa, a entidade quer alertar a população a respeito dos riscos das arritmias cardíacas e da morte súbita, que, juntas, vitimam mais de 300 mil pessoas todos os anos. A morte súbita é considerada um dos maiores problemas de saúde pública no mundo, acometendo, na maioria das vezes, pessoas na faixa etária produtiva, bem como atletas — jovens e saudáveis.

A atenção da Sobrac também está voltada para os programas de treinamento para socorristas e o uso correto do DEA, tornando relevante a discussão do equipamento em locais como vias públicas, aeroportos e estádios de futebol.

— Estes equipamentos desempenham função vital. O Brasil terá destaque mundial nos dois eventos esportivos de maior repercussão internacional: a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016), em que a grande concentração de público torna o DEA ainda mais relevante — ressalta o presidente da Sobrac Guilherme Fenelon.

Trata-se de uma questão que merece atenção permanente. O tratamento preventivo das arritmias permite evitar o grande número de casos de óbitos, segundo o médico Enrique Pachón, do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo.

— Um método muito utilizado para o tratamento definitivo das arritmias é a ablação por radiofrequência termocontrolada por computador, sem necessidade de cirurgia. Esse foi o maior avanço no tratamento nos últimos tempos — ressalta.

Saiba mais
As doenças cardiovasculares são responsáveis pela maior causa de mortalidade em todo mundo. Na distribuição global das causas de morte, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), elas apresentam a maior incidência, sobrepondo neoplasias (câncer de pulmão e mama), traumas por acidentes de trânsito e até Aids. Juntas, as arritmias cardíacas e a morte súbita vitimam mais de 300 mil pessoas todos os anos.

As arritmias podem surgir em indivíduos aparentemente normais mas, quando benignas e com tratamento adequado, são passíveis de controle ou até cura. Dentre as arritmias malignas, a fibrilação ventricular é a mais grave porque leva ao óbito cerebral em poucos minutos. É o principal mecanismo de morte súbita cardíaca, que atinge mais o sexo masculino, aumentando com a idade (pico entre 45 e 75 anos) e, em 80% dos casos, tem relação com a doença arterial coronariana.

A parada cardíaca tem sucesso de recuperação quando realizadas manobras de ressuscitação cardiopulmonares imediatas. A ajuda do desfibrilador automático externo (DEA) depende diretamente do tempo transcorrido entre o pedido de socorro e a desfibrilação, sendo que as chances diminuem cerca de 10% a cada minuto de atraso.

Bem-estar

PM informa que Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu já foram ocupados


O chefe da Polícia Militar afirmou que não houve nenhum incidente e nenhum tiro disparado. Ainda não há informações de presos e de material apreendido. Segundo o chefe da PM, um balanço será feito posteriormente.

G1

Pintor é suspeito por morte de irmãs em Mogi das Cruzes, diz polícia


Jovens foram encontradas mortas pelo pai na sexta-feira (11) à noite.
Homem que trabalhava na casa confessou o crime, segundo a polícia.


A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirma que um pintor é o principal suspeito pela morte de duas irmãs em um bairro nobre de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.

Os corpos foram encontrados pelo pai delas dentro de casa por volta das 19h de sexta-feira (11). A justiça decretou a prisão do pintor por 30 dias. Ele era um velho conhecido da família.

Uma das vítimas tinha 21 anos e era estagiária do fórum da cidade. Ela foi a primeira a ser morta. A outra tinha apenas 16 anos. Ela foi morta ao descer à cozinha para pegar leite. De acordo com a polícia, elas foram esfaqueadas na garganta. Peritos encontraram sinais de estupro em pelo menos uma delas.

O pintor que trabalhava na casa disse inicialmente que lutou com os três criminosos que invadiram a residência. Ele estava ferido. Ele contou a polícia que se cortou para forjar o ataque. Os pais contaram à polícia que as moças vinham recebendo ameaças de morte por telefone.

G1

Engenheiro substitui dor por ação contra a impunidade no trânsito



Após perder o filho, Fernando Diniz se tornou um ativista contra os acidentes

RIO - Naquele fim de noite, em março de 2003, o engenheiro Fernando Diniz estava inquieto. A mulher já tinha ido se deitar, e o filho, Fabrício, de 20 anos, estava demorando para chegar em casa. Não era para ele demorar tanto. O rapaz tinha saído com amigos para brincar de jogos eletrônicos no shopping Downtown e prometera retornar cedo. Já havia até telefonado dizendo que estava voltando. E o shopping era tão perto do apartamento da família, ali nas imediações da Praça do Ó, na Barra da Tijuca. Diniz foi para a varanda tentar ver o filho chegando de carro. Mas nada. Tomou, então, a decisão que resultaria na pior notícia que já recebeu na vida: tentou localizar Fabrício pelo telefone celular. Foi assim que descobriu o verdadeiro significado do que ele chama de "uma noite tenebrosa". Fabrício nunca chegou em casa.

Na semana retrasada, oito anos depois, o mesmo engenheiro se via às voltas com a burocracia da prefeitura para conseguir um espaço onde possa erguer um monumento às vítimas do trânsito. Ele queria que tudo estivesse pronto até o dia 21 de novembro, quando, como acontece em todo o terceiro domingo de novembro, por determinação da Organização Mundial de Saúde (OMS), marca-se a passagem do Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito.

Não vai dar tempo. Mas nem por isso Diniz vai deixar o domingo passar em branco. Hoje, o engenheiro é o criador e presidente da organização não governamental Trânsito Amigo. Alguma coisa ele há de fazer para que vítimas, como Fabrício, não sejam esquecidas no dia dedicado a elas. Tem sido assim desde aquela "noite tenebrosa".

— Fiquei perdido na primeira semana — relata agora Diniz. — Mas, na ocasião, fui entrevistado por uma repórter do GLOBO, Maria Elisa Alves. Quando li a reportagem, vi uma frase minha que soava como clichê: "Vou transformar meu luto em luta". Mas acreditei naquilo. Resolvi lidar com a ausência do meu filho de uma forma produtiva. Fui de encontro ao trânsito que tinha ceifado a vida dele. Trabalho em prol de um trânsito mais justo e mais humano.

Três semanas depois da morte de Fabrício, Diniz estava com uma turma de amigos do filho, todos vestindo camisetas com a foto do rapaz estampada na frente, divulgando a campanha Amigo da Vez nos bares do Downtown. Era uma ação de impacto. Os integrantes do grupo pediam que o dono do bar tocasse uma fita com hits do momento produzida por eles. No meio da fita, a música era interrompida pelo som de um acidente de automóvel. Um locutor, então, anunciava: "Este acidente ainda não ocorreu." Para evitá-lo, a turma pedia aos frequentadores que escolhessem um amigo que não tinha bebido para dirigir o carro que os levaria de volta para casa. E que assim procedessem sempre: a cada saída, elegendo um "amigo da vez".

Desde então, ele sabe que deve agir em vez de esperar uma ação do governo para diminuir o número de acidentes no trânsito.

— O mundo inteiro começa a tomar providências a respeito. Nós estamos na contramão do processo. Depois do novo Código de Trânsito Brasileiro, de 1998, passou-se a usar cinto de segurança nos bancos da frente. Os motoristas sabiam que, se não o fizessem, seriam multados. Mas, hoje, caso houvesse um número suficiente de fiscais de trânsito, como seria feita a fiscalização se os carros andam com insulfilm (película aplicada nos vidros que escurece o interior dos automóveis)? O Brasil possui 60 milhões de veículos. Até 2020, a frota de motocicletas vai superar a de automóveis. Como fiscalizar isso tudo? A frota aumenta 10% ao ano, e o número de fiscais não aumenta. Eu subo a serra no fim de semana para minha casa em Secretário e vejo os postos da Polícia Rodoviária abandonados. Não há uma ação do governo contra o trânsito irresponsável. O governo fez as pessoas comprarem carros, mas não ensina como utilizá-los. Hoje, todo mundo tem carro. Mas é uma geração que não viu seus pais dirigirem. Não teve em casa a educação para o trânsito.

Não era para Fabrício sair naquela noite. Na manhã seguinte, bem cedo, ele deveria estar pronto e em jejum de 12 horas para fazer um exame de sangue. Ele prometeu ao pai que não iria beber, nem comer nada. E cumpriu o prometido. Só queria passar um tempo com alguns amigos e a namorada. Não queria nem dirigir. Foi por isso que, depois de procurar pela internet a companhia dos colegas de sempre, acabou aceitando a carona de um rapaz que nem era tão amigo assim. Ele só estava na turma há uns dois meses.

De acordo com dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o total de veículos no Brasil mais que dobrou em dez anos e atingiu a marca de 64.817.974 em dezembro do ano passado, o que significa um aumento de 119% no período. Foram mais de 35 milhões de carros que chegaram às ruas em dez anos.

Aos 64 anos, Fernando Diniz divide seu tempo entre o trabalho na Petrobras e a dedicação à ONG. Em nome dela, ele faz palestras e participa de seminários, sempre contando sua experiência pessoal e emitindo sua opinião sobre como a legislação deveria agir com responsáveis por acidentes de trânsito. E não deixou que o que restou de sua família (ele ainda tem uma filha, Fernanda, hoje com 26 anos) interrompesse a vida após a morte de Fabrício. Em seu cartão de visitas, pode-se ler a máxima "Prosseguir é preciso".

— Nós, vítimas, não podemos ficar detidos em casa entre quatro paredes. Através da dor, você cresce. Eu e minha mulher percebemos que precisávamos trazer outras vítimas de trânsito para junto de nós. Elas também deviam estar sofrendo. Criei a Trânsito Amigo em memória de Fabrício, mas ela pertence à sociedade.
 
— Comecei só com a vertente da solidariedade. Se as vítimas são católicas, eu chamo para rezarmos o terço juntos (Diniz tem sempre um terço no bolso direito da calça). Mas isso é pouco. Eu preciso de mais.

O "mais" de Fernando Diniz é mudar a legislação. Ele apoia a Lei Seca, mas torce pela criação de uma delegacia especializada em crimes de trânsito. Pensa nisso desde aquela "noite tenebrosa", quando, enquanto velava o corpo do filho no asfalto da Avenida das Américas, foi procurado por um funcionário de funerária que queria que ele escolhesse uma corbeille para o enterro, e por um advogado que tentava fazer com que ele abrisse mão do Dpvat (o seguro de danos pessoais, pago por todos os proprietários de veículos do país e ao qual todos os brasileiros têm direito).

— Eu me senti um marginalizado na delegacia, quando fui registrar a ocorrência do acidente. Eu e a mãe de duas jovens que morreram com meu filho. É preciso que as delegacias tenham uma assistente social para atender as vítimas de trânsito que sofrem a dor da perda. É preciso divulgar o direito que a sociedade tem ao DPVAT. Se a vítima contratar um advogado, o seguro demora, pelo menos, 60 dias para ser pago. Esse pagamento tem que ser feito de forma mais ágil.

De acordo com o testemunho de uma sobrevivente do desastre que vitimou Fabrício, o motorista do carro fez o caminho do shopping à Praça do Ó em alta velocidade e "cortando" os veículos que estavam à sua frente. Freava, "cortava", acelerava, freava... À certa altura, perdeu a direção. O carro capotou e bateu num poste. A velocidade era tanta que o poste tombou. O motorista e o carona, que usavam cintos de segurança, sobreviveram. No banco de trás, ninguém usava cinto. Uma garota foi lançada para longe do carro. Fabrício e a namorada ficaram presos nas ferragens.

A Trânsito Amigo busca fazer ações propositivas junto a parlamentares para cobrar leis mais severas que minimizem os efeitos do trânsito, principalmente, que acabem com a impunidade.

— Participou de "pega", bebeu ou estava em alta velocidade, isso não é acidente — analisa Diniz. — É ocorrência.

A ONG luta para que os causadores de acidentes com vítimas no trânsito não sejam acusados de homicídio culposo (aquele em que não houve intenção de matar), mas de homicídio doloso.

Diniz é contra também a sentença de pena alternativa que faz com que o culpado se responsabilize apenas por pagamentos de cestas básicas.

— Com essas penas, os juízes estão comparando a vida de nossos filhos com grãos de arroz e feijão.

A ideia agora é que seja aprovado o Projeto de Lei 798/07, que já tramita na Câmara dos Deputados e que "estabelece que as penas alternativas aplicadas a quem praticou crime de trânsito sejam cumpridas em ambientes relacionados ao resgate, atendimento ou recuperação de vítimas."

Fernando Diniz propõe que o culpado seja privado de bebida e diversão. Por isso, a pena seria cumprida nas noites de sexta-feira, sábado e domingo. O pagamento de cestas básicas seria substituído, num primeiro momento, pelo acompanhamento de equipe de Corpo de Bombeiros no atendimento a vítimas de trânsito.

— Alguém do contra pode dizer que eles não estão preparados para ver acidentes. Pois eu também não estava!

Num segundo momento, eles dariam plantão nos hospitais da rede pública para ver o estado em que as vítimas chegam. E, num terceiro, iriam prestar serviços em hospitais e clínicas de recuperação.

— Isso é mais educativo e corretivo do que uma cesta básica — diz Diniz.

Quando Fernando Diniz telefonou para o filho, foi atendido por uma voz estranha. "Desculpe-me, é engano", falou. "Não. Quem está falando?", quis saber o dono da voz, um policial, como se soube mais tarde. "Eu estava ligando para o Fabrício. Sou pai dele." O policial retrucou: "Houve um acidente. O senhor precisa vir aqui", e deu a localização. "Mas como está meu filho?" O policial apenas repetiu: "O senhor precisa vir aqui". O engenheiro insistiu: "Mas ele está vivo?" O policial desligou o telefone, e teve início a "noite tenebrosa" de Fernando Diniz.

O Globo
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