terça-feira, 22 de novembro de 2011

Rapaz sofre fraturas no rosto ao ser espancado na Rua Augusta, em SP

Ele acredita que foi confundido com gay por agressores.
Irmão e um amigo dele, que é gay, também foram agredidos no sábado
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Um jovem de 21 anos sofreu três fraturas em ossos da face e ficou com um coágulo no cérebro ao ser agredido por um grupo de ao menos dez pessoas na manhã de sábado (19), em frente a um bar localizado na esquina das ruas Augusta e Fernando de Albuquerque, na Consolação, região central de São Paulo. O irmão dele, de 24 anos, e um amigo de 24 anos que afirma ser gay, também foram agredidos pelo grupo, segundo ocorrência registrada na polícia.

As vítimas conversaram com a equipe de reportagem do G1 sob a condição de que não tivessem os nomes divulgados. A agressão ocorreu quando o trio deixou uma casa noturna próxima à Praça Roosevelt e se dirigia à residência do jornalista, que mora em um apartamento na Avenida Nove de Julho.

Para o amigo de 24 anos, tratou-se de um ataque homofóbico, versão que deverá sustentar quando prestar depoimento à polícia. Ele diz que em momento algum o grupo recorreu a palavras homofóbicas ou a xingamentos durante o ataque ao trio.

Mas afirma que estava com uma roupa justa e foi visto dando um abraço em um dos amigos, fatos que, na sua visão, poderiam ser interpretados como sinal de sua sexualidade. Também diz que os agressores repetiam a frase "Vocês vão morrer"."Um deles chegou a pegar uma pedra enorme para jogar na cabeça do meu amigo que já estava no chão desmaiado", disse.

A ocorrência da agressão foi registrada no 4º Distrito Policial, da Consolação, como lesão corporal. Por enquanto, nenhum dos três agredidos prestou depoimento, o que deverá acontecer nos próximos dias.

Segundo a polícia, após os depoimentos, será analisado se o caso tem conotação homofóbica.

A agressão

Segundo o amigo dos irmãos, ao entrar no bar na Rua Augusta, ele estava abraçado ao jovem de 21 anos que posteriormente foi agredido. "Estávamos abraçados como costumamos fazer algumas vezes quando conversamos. Inclusive ele estava triste porque havia reencontrado uma ex-namorada. Com certeza, eles acharam que nós éramos gays. O meu amigo não é gay; eu sou. Namoro com o irmão deles há quatro anos", contou.

Ele diz que, quando os três entraram no bar, um dos agressores ficou encarando de forma sistemática o amigo dele, que permaneceu do lado de fora, enquanto os outros dois foram ao banheiro. O jovem de 21 anos que apanhou questionou por que o outro estava olhando para ele e, depois disso, foi agredido com um soco no rosto e partiu para o revide.

Outros jovens que acompanhavam o primeiro agressor entraram na briga e passaram a espancar o rapaz. O irmão dele levou uma garrafada no braço esquerdo e também foi agredido com socos e pontapés.

Após cessar as agressões, o trio se dirigiu a outro bar, nas proximidades. Eles entraram no banheiro para limpar o sangue dos ferimentos. Ao saírem, mais uma vez foram atacados, desta vez por dois agressores. "Quando estendi o braço para chamar um táxi, um cara me deu um murro na cabeça e me agarrou pelo pescoço. Depois, ele meu deu uma cadeirada. Sofri cortes dentro da boca e fiquei com o joelho machucado", contou o amigo de 24 anos.

O rapaz de 21 anos também foi agredido na cabeça logo após deixar o a bar e desmaiou. Em seguida, passou a receber chutes no rosto dos agressores. O irmão tentou proteger a vítima e também levou pontapés. O jovem permaneceu desmaiado na rua e foi levado por policiais militares para a Santa Casa de Misericórdia, em Santa Cecília, na região central.

Depois de receber os primeiros socorros, ele foi transferido na noite de sábado para um hospital do Ipiranga, na Zona Sul de São Paulo, onde permanecia internado em observação na tarde de segunda-feira (21). Ele deverá ser submetido a pelo menos três cirurgias na face devido às fraturas em ossos da bochecha, nariz e maxilar. Ao G1, o jovem disse que não se lembra de quase nada da agressão. “Depois que tomei a pancada na cabeça não vi mais nada. Quando acordei, horas mais tarde, já estava no hospital e a cabeça ainda rodando”, relatou.

G1

Brasil gasta com presos quase o triplo do custo por aluno

Debora Magalhães, ao lado do colega Alexandre, diz que o pouco estudo contribuiu para que a a mãe fosse presa há três meses. Gustavo Stephan / Agência Globo

Dados revelam subinvestimento e má gestão na educação e ineficiência do sistema prisional

RIO - Enquanto o país investe mais de R$ 40 mil por ano em cada preso em um presídio federal, gasta uma média de R$ 15 mil anualmente com cada aluno do ensino superior — cerca de um terço do valor gasto com os detentos. Já na comparação entre detentos de presídios estaduais, onde está a maior parte da população carcerária, e alunos do ensino médio (nível de ensino a cargo dos governos estaduais), a distância é ainda maior: são gastos, em média, R$ 21 mil por ano com cada preso — nove vezes mais do que o gasto por aluno no ensino médio por ano, R$ 2,3 mil. Para pesquisadores tanto de segurança pública quanto de educação, o contraste de investimentos explicita dois problemas centrais na condução desses setores no país: o baixo valor investido na educação e a ineficiência do gasto com o sistema prisional.

Apenas considerando as matrículas atuais, o chamado investimento público direto por aluno no país deveria ser hoje, no mínimo, de 40% a 50% maior, aponta a Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que desenvolveu um cálculo, chamado custo aluno-qualidade, considerando gastos (de salário do magistério a equipamentos) para uma oferta de ensino de qualidade.

— Para garantir a realização de todas as metas do Plano Nacional de Educação que está tramitando no Congresso, seriam necessários R$ 327 bilhões por ano, o que dobra o investimento em educação — afirma Daniel Cara, coordenador da campanha.

 

Verbas minguadas para educação

 

Para Cara, não seria o caso de falar em sobreinvestimento no preso, "até porque vemos como é precária a situação das penitenciárias brasileiras", e porque, lembra ele, a prisão é uma "instituição total, o preso vive lá":

— Mas há, sem dúvida, subinvestimento em educação. O que é mais grave se considerarmos que, nos direitos sociais, a educação é o que abre as portas para os outros direitos. A violência não vem pela pobreza, vem pela desigualdade. Por isso, um investimento maior no conjunto dos direitos sociais, e aí se inclui a educação, poderia diminuir a despesa com segurança.

O gasto com educação poderia melhorar com maior foco na aprendizagem, destaca Mozart Neves Ramos, do Todos pela Educação e do Conselho Nacional de Educação (CNE):

— É verdade que o Brasil ainda investe pouco na educação básica, e mais dinheiro é fundamental. No entanto, é necessário que a verba chegue à escola e que seja mais bem aplicada. Melhorar a eficiência da gestão dos recursos é importantíssimo. Uma boa gestão pode criar uma escola motivadora. E um aluno que tem sucesso escolar raramente abandona a escola e está mais longe de ser preso.

— Minha mãe, que está presa há três meses, estudou só até a 2 série. Eu acredito que ela está presa também por conta do pouco conhecimento que tem. Nunca soube que carreira seguir, nunca teve um ensino que a fizesse ter alguma perspectiva — diz Debora Magalhães, filha de Vitânia, presa por tráfico de drogas em Bangu.

Secretário estadual de Educação do Rio, Wilson Risolia diz que o país está preferindo "gastar mais com o sinistro do que com o seguro":

— É uma irracionalidade, um passivo que o Estado precisa resolver. Nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o custo por aluno no nível superior é cerca de três vezes maior do que na educação básica. No Brasil, é bem maior (mais de seis vezes). Mas não é suficiente aumentar o gasto, é preciso melhorar a qualidade. No Rio, fizemos uma recontagem de alunos e vimos que havia 120 mil que, apesar de constarem na base de dados, não eram mais da rede. A verba era passada para alunos que não existiam; um número X de provas ia para o colégio, e parte era jogada no lixo, por exemplo. Corrigindo, foram R$ 111 milhões alocados em outros lugares.

Apesar de a diferença entre o custo do aluno universitário e o do preso em presídios federais ser menor, ela é o que choca, diz o sociólogo Michel Misse, professor da UFRJ:

— Esse é um dado impressionante, porque o custo de um universitário, pelos gastos que uma universidade deve ter com pesquisa, deveria ser bem maior. É o custo de você formar um cientista, um médico, um engenheiro — afirma Misse, para quem, porém, não se deve pensar que uma prisão custe pouco. — O preso mora lá, e um aluno não mora na escola. O problema é analisar o gasto que se tem em relação às condições dos presídios.

Presidente do Conselho Nacional de Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (Consej), Carlos Lélio Lauria Ferreira diz que quanto mais baixo o custo com o preso, piores as condições:

— O preço varia de acordo com o tratamento. Se o valor é baixo, desconfie. A alimentação pode ser lavagem. No Brasil, a média de custo de um preso num presídio estadual é de R$ 1,7 mil por mês. Mas nessa conta não está incluído o custo social e previdenciário. No presídio federal, o custo é mais elevado. O aparato tecnológico é caro, os salários dos servidores são mais altos e o número de agentes por preso é maior. Graças a isso, o país não gasta menos de 7 mil por preso ao mês.

— Apesar de investirmos tanto, as condições de regenerar alguém são mínimas. A pessoa é, na maioria das vezes, submetida a condições que a torna pior. É como se negássemos outra oportunidade — conclui Mozart.

O Globo

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aluno filma com celular professor praticando bullying

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Julio Artuz, um garoto de 15 anos portador de necessidades especiais, filmou com o celular um de seus professores praticando bullying contra ele. No vídeo, seu professor o chama de “retardado”, e trava uma discussão com o aluno durante alguns minutos da aula. O vídeo foi entregue ao Conselho de Educação do condado de Gloucester, Nova Jersey, EUA, que suspendeu imediatamente o professor.

De acordo com uma reportagem realizada pelo ABC News sobre o caso, o garoto já tinha avisado o seu pai sobre as atitudes nada educadas de seu professor. No entanto, o pai desacreditou do menino de uma forma tão cética que pediu para ele oferecer provas disso. E foi o que Artuz fez.

"Os professores devem educar os alunos e construir sua autoestima, e não colocá-los para baixo. Você não pode gritar com eles... Não pode degradá-los e ameaçá-los", disse Joyce McCormick-Artuz, a mãe do garoto, durante uma entrevista.

Steven Roth, o professor, viu o vídeo na presença da mãe do garoto e o diretor da escola. Na ocasião ele disse que havia tido uma “manhã ruim com a sua esposa”.

O professor foi apenas suspenso por tempo indeterminado, mas com remuneração, enquanto os pais do jovem lutam contra o conselho escolar para demiti-lo.

Em meio a conflito histórico, menino palestino salva vida de seis israelenses


Jovem foi confundido com criminoso e morto, mas família doou seus órgãos

O conflito entre árabes e judeus já dura mais de um século. Desde então, os dois povos buscam um acordo para viver em paz em uma terra sagrada para judeus, muçulmanos e cristãos. Em meio a esse conflito histórico, uma família palestina, em um gesto de solidariedade, salvou a vida de seis israelenses.

Na primeira reportagem da série Palestina: Além do Conflito, o repórter Herbert Moraes viajou para essa região do Oriente Médio para conhecer histórias como a de Ismail, cujo filho, morto em 2005, deu esperança a famílias que ficam do outro lado do conflito.

Na época, o menino Ahmed, então com 11 anos, brincava com uma arma de plástico. Ele foi confundido com um criminoso e recebeu dois tiros de soldados de Israel. Um dos tiros atingiu a cabeça e o outro o estômago.

Seu pai e sua mãe decidiram doar os órgãos do filho - rins, fígado, pulmões e coração – que foram recebidos por seis israelenses.

Para Ismail, o gesto solidário diminui a dor pela perda do filho.

- Perder um filho é muito difícil, mas fico feliz em saber que Ahmed continua vivo em outras pessoas.

R7

Blitz educativa marca Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito

O secretário de Estado de Segurança e Defesa Social, Cláudio Lima, participou, na manhã de ontem, em João Pessoa, de uma ação educativa que reuniu vários órgãos de segurança e controle do trânsito. Motoristas que trafegavam na Avenida Epitácio Pessoa foram abordados com adesivagem e panfletagem no cruzamento com a Avenida Nossa Senhora dos Navegantes. A mobilização marcou o Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito.

Os adesivos com bonecos simbolizando a família foram confeccionados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). Os motoristas também receberam fitas brancas para simbolizar a paz no trânsito. Familiares de vítimas fatais de acidentes também participaram da ação educativa.

Cláudio Lima, disse que as campanhas educativas de trânsito continuarão a acontecer intensivamente em todo o Estado, assim como ocorre com as fiscalizações para contar excessos e crimes de trânsito. Ele disse que o papel do Estado é incentivar e promover ações educativas para contribuir com a ação repressiva.

Rigor nas fiscalizações – O secretário Cláudio Lima afirmou que a fiscalização continuará em todo o estado e que a “Operação Sossego” apreenderá os veículos com irregularidades, assim como prenderá motoristas e motociclistas infratores. “O problema chegou a uma escalada inaceitável, com muitas mortes e o Brasil precisa repensar essa situação”, destacou, acrescentando que as ações educativas colaboram sim com a conscientização.

O evento deste domingo foi promovido pelo Detran e teve a participação do Batalhão de Policiamento de Trânsito, STTrans, Samu, Polícia Militar, Guarda Municipal, Proativa Cursos, MovPaz, Rotary Club, Serviço Social do Transporte (Seste), Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat) e OAB, além de familiares de vítimas do trânsito.

A ação educativa teve como objetivo lembrar as vítimas da violência no trânsito com um pedido de paz e justiça, conscientizando a sociedade da necessidade de que cada um faça a sua parte na construção de um trânsito melhor e mais humano.

Parcerias no interior – O superintendente do Detran, Rodrigo Carvalho, revelou que o trabalho que vem sendo desenvolvido em parceria com outros órgãos e com a sociedade civil está se expandindo para cidades do interior da Paraíba. Afirmou que a blitz educativa serve para conscientizar as pessoas fazendo com que cada um reflita sobre a necessidade de uma cultura de paz em ruas e estradas.

Almir Laureano, presidente do Movimento pela Paz, destacou que esta é uma caminhada permanente promovendo a paz no trânsito e em nome da vida.

O taxista Antonio José dos Santos agradeceu pela iniciativa da campanha que vai fortalecendo no dia-a-dia a consciência das pessoas. O advogado e especialista em educação no trânsito, Samuel Aragão, representou a OAB no evento. Ele preside a Comissão de Educação de Trânsito criada recentemente pela entidade. Aragão lembrou que em 1910 a Organização das Nações Unidas (ONU), representada à época por 176 países, aprovou um pacto pela paz no trânsito.


Parentes de vítimas participam


Nina Ramalho, filha, sobrinha e prima de três vítimas fatais da violência no trânsito, participou da mobilização e disse que as ações educativas contribuem com a conscientização, apesar de ainda ser grande o número de pessoas irresponsáveis ao volante ou pilotando motos.

O pai, o tio e um primo de Nina perderem a vida em um cruzamento da Avenida Epitácio Pessoa. Em 6 de maio de 2007, um motorista avançou o sinal a 142 quilômetros por hora. Há cerca de três anos o causador das três mortes está foragido.

Rosângela Soares, irmã do músico Ronaldo Soares, 19 anos, morto no trânsito há quatro meses, também esteve colaborando com a campanha. A mesma atitude teve Vanessa Morais, que em 2009 perdeu sua irmã Rafaela, 16 anos, atropelada em João Pessoa por um motoqueiro sem habilitação e com a moto sem emplacamento.

O pastor evangélico, Clovis Sérgio, no início dos trabalhos, pediu que todos orassem o Pai Nosso e em seguida participou das atividades.

O dia

O Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito foi estabelecido em outubro de 2005, durante assembléia geral da ONU, que decidiu que a data seria lembrada sempre no terceiro domingo do mês de novembro.

Em 2 de março de 2010, a ONU proclamou oficialmente o período de 2011 a 2020 como a Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito, com o objetivo de estimular esforços em todo o mundo para conter e reverter a tendência crescente de fatalidades e ferimentos graves em acidentes no trânsito, e incluiu o Dia Mundial em Memória às Vítimas do Trânsito no calendário das atividades.

A programação preparada para ontem também contou com a celebração de uma missa, às 17h, na Igreja Menino Jesus de Praga, no Conjunto dos Bancários, na Capital.

domingo, 20 de novembro de 2011

Zumbi concentra comemorações do Dia da Consciência Negra no Rio

Rio de Janeiro – O Dia da Consciência Negra está sendo comemorado no Rio de Janeiro com uma cerimônia festiva no Monumento a Zumbi dos Palmares, na Praça Onze, na região central da cidade. Durante todo o dia, haverá apresentação de rodas de capoeira, do Afoxé Filhos de Gandhy e desfile das escolas de samba Unidos de Vila Isabel, União da Ilha do Governador e Unidos da Tijuca.

Presente ao evento, o presidente do Conselho Estadual dos Direitos do Negro (Cedine), Paulo Roberto dos Santos, disse que a população negra vem conseguindo avançar na sociedade a passos médios. Esta aceleração, segundo ele, não é a ideal. De acordo Paulo Roberto, no Rio de Janeiro esse avanço ocorre principalmente no setor do ensino, com a cota de 20% de vagas para os afro-descendentes nas universidades. Ele também ressaltou a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial como um instrumento importante para melhorar a situação da população negra no país.

Jornal do Brasil

Novo ciclo brasileiro do ouro

Grandes mineradoras internacionais investem pesado em tecnologia e exploram áreas antes consideradas economicamente inviáveis André Coelho / O Globo


Com tecnologia e metal caro, produção do país vai dobrar, atraindo investimentos de US$ 2,4 bi

CRIXÁS (GO) e BRASÍLIA - Quatro séculos depois do ciclo do ouro que encheu os olhos da Coroa Portuguesa e levou brasileiros e estrangeiros atrás do enriquecimento rápido, o Brasil está diante da maior corrida de todos os tempos pelo metal. Novos equipamentos sofisticados já permitem às gigantes estrangeiras que dominam o mercado nacional chegar ao que poderia ser chamado de "o pré-sal da mineração". No Centro-Oeste e no Norte, minas até então intocadas tornaram-se economicamente viáveis, assim como outras consideradas esgotadas em Minas Gerais e no Nordeste.

Tudo isso graças ao aumento, em todo o planeta, da demanda pelo ouro — cuja cotação deu um salto de 540% na última década — estimulada pelo crescimento econômico mundial, sobretudo da China, e pela necessidade dos países de acumular o metal, que é considerado um dos ativos financeiros mais confiáveis do mundo.

Metal é encontrado a 2.500m no Brasil

O entusiasmo é tanto que o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) já estima investimentos de US$ 2,4 bilhões para o setor até 2015. Trata-se de praticamente o triplo da projeção anterior, de pouco mais de US$ 900 milhões. As empresas não disfarçam o otimismo e prometem novos projetos, enquanto as autoridades estimam que a produção do ouro também deve crescer de maneira expressiva, podendo dobrar nos próximos cinco anos. Só no Rio Grande Norte, sairá de 60 gramas para seis toneladas se todos os projetos em análise se concretizarem.

Existem hoje no país 2.819 garimpos legais em atividade. Mas o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) já concedeu 1.270 novas autorizações de pesquisa em áreas a serem exploradas, e analisa outros 1.173 pedidos encaminhados por empresas e cooperativas.

Se a crise financeira global de 2008 impôs um ritmo bem menos acelerado às economias desenvolvidas, o que, em tese, diminuiria a demanda pelo ouro, ela acabou por ajudar a desvalorizar o dólar e pressionar os preços do metal, considerado historicamente porto seguro pelos investidores. Os bancos centrais mundiais nunca compraram tanto ouro para manter em suas reservas internacionais desde a década de 80. A escalada dos preços viabilizou novos investimentos milionários em pesquisas e tecnologia.

No passado, o ouro brotava da terra, ou dos rios, e retirá-lo não exigia muito esforço. Hoje ele é encontrado em profundidades de até quatro mil metros na África do Sul, mas já está em 2.500 metros no Brasil. Máquinas sofisticadas são capazes de extrair menos de um grama de ouro de uma pedra de uma tonelada, ou seja, algo equivalente a um automóvel de passeio.

Isso explica o motivo de o Brasil, que já foi o maior produtor do mundo, mas perdeu posições no passado recente, ter voltado ao páreo e estar em 13 lugar na lista dos grandes globais. Em 2010, produziu 62 toneladas nos garimpos legais, o maior volume da década, e se prepara para dobrar a marca. O maior produtor do mundo é a China, com 341 toneladas/ano, seguida por Austrália (259 toneladas), Estados Unidos (240 toneladas) e África do Sul (192 toneladas).

A produção brasileira é muito pequena, apenas 12% de seu potencial. Considerando-se as reservas provadas em 2010, o Brasil tem a capacidade de extração anual de 503 toneladas do metal puro. A quantidade foi calculada com base em 1,3 bilhão de toneladas de rochas com o minério, com teor médio de 2,57 gramas por tonelada rochosa.


Tecnologia pode levar país ao topo

A expectativa do governo e de especialistas é que justamente a tecnologia deverá mudar este quadro e alçar o Brasil ao topo da lista novamente. Em vez dos tradicionais garimpos artesanais que enchiam de mercúrio os rios brasileiros, o país já tem 93,7% da sua produção feita de maneira industrial, segundo o DNPM. O minério de ferro continua sendo a principal vedete da balança comercial brasileira e corresponde a mais de 80% do que o país vende lá fora, mas o segundo metal é o ouro, com quase 5% do total.

Em Crixás, no Norte de Goiás, a Mineração Serra Grande, uma joint-venture da AngloGold Ashanti, da África do Sul, com a Kinross Gold Corporation, do Canadá, já trabalha a 700 metros, com túneis que, somados, chegam a 60 quilômetros de extensão. A ambição da empresa, que detém as minas mais profundas do Brasil, ambas em Minas Gerais (Mina Cuiabá, em Sabará, com 1.000 metros, e Mina Grande, em Nova Lima, com 2.500), pode ser medida pelos seus planos de investimentos.

O diretor de Operações da empresa, Ricardo de Assis, afirma que US$ 1,1 bilhão será aplicado em novos projetos, ampliações e manutenção das minas que operam no país. A Anglo é a segunda maior produtora do Brasil e a terceira do mundo.

Não muito distante de Crixás, em Paracatu, está a maior mina de ouro a céu aberto do país, explorada pela canadense Kinross. Para chegar ao metal, a empresa precisou investir na tecnologia que a permite retirar a quantidade de 0,4 grama do mineral de uma tonelada de pedra. Nos últimos cinco anos, segundo o vice-presidente da companhia no Brasil, Antonio Carlos Marinho, a produção saltou de cinco para 15 toneladas.

Na Mina de São Francisco, no Rio Grande do Norte, a australiana Crusader está concluindo as pesquisas iniciadas há um ano e pretende produzir de três a cinco toneladas por ano neste lugar onde poucos viram potencial no passado. A expectativa é que o teor do ouro seja de 1,5 grama para cada tonelada, segundo o responsável pelas pesquisas, Rob Smakman, que vive no Brasil há alguns anos com a família e tem liderado os trabalhos da empresa no país.

— É uma região pouco explorada — disse Smakman.

O Globo

20 de novembro de 2011 - Dia da Consciência Negra: homenagem em forma de pinturas


Os alunos do projeto Crescer Para Florescer, idealizado pela artista plástica Lionizia Goyá, desenvolveram trabalhos em comemoração ao Mês da Consciência Negra, cujo dia é celebrado hoje. As telas fruto dessa atividade estarão em uma exposição que será aberta hoje. Produtos recicláveis e de baixo custo foram utilizados na concepção das peças de arte.

Algumas das obras trazem pessoas em situações diversas. “Tem noiva, bailarina, entre outros profissionais. São pessoas negras em momentos de felicidade”, afirmou Lionizia Goyá. Segundo ela, a intenção foi apresentar um pouco da cultura dos negros, mas sem explorar a opressão pelo qual eles passaram. Outras telas foram feitas com pintura de mão. De acordo com a artista, são “mãos que representam as quatro raças” (preto, branco, pardo e amarelo).

Para Lionizia Goyá, neste trabalho, as crianças puderam ter contato com duas realidades: a da reciclagem e a do respeito à cultura negra. De acordo com ela, não houve dificuldade em repassar o tema aos alunos. “Como a turma é reduzida, o trabalho com eles é muito tranquilo.”

Veja a galeria de fotos de algumas peças que estão em exposição.

SERVIÇO: De hoje a domingo (27), os trabalhos das crianças do projeto “Crescer Para Florescer” poderão ser vistos no supermercado Bretas, avenida Floriano Peixoto, 4.680, bairro Custódio Pereira, durante o expediente do local.

Correio de Uberlândia

Estados e municípios intensificam combate à dengue já de olho no verão


Equipes foram mobilizadas para ações preventivas, como desmontar criadouros

Autoridades de saúde nos Estados e municípios estão planejando como enfrentar a dengue e acabar com criadouros do mosquito transmissor antes do próximo verão, período em que o número de casos da doença aumenta. Algumas ações já teve início neste sábado (19), data que marca o Dia Nacional de Combate à Dengue.

No Distrito Federal, a partir de hoje e até o dia 26, a Secretaria de Saúde vai promover mutirões para retirada de lixo, entulho e limpeza de bueiros em regiões próximas a Brasília. Na Rodoviária do Plano Piloto, área central da capital federal, haverá distribuição de panfletos com orientações sobre a doença.

Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, 30 técnicos vão percorrer hoje diversas ruas da cidade para tirar dúvidas da população a respeito da dengue.

No Ceará, um dos Estados que registram um grande número de casos da doença neste ano, serão distribuídas 100 máquinas portáteis para aplicação de inseticida contra o Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença.

No Acre, já começou em 13 bairros da capital Rio Branco a coleta de garrafas, tampinhas, pneus e vasos, ambientes propícios para o acúmulo de água parada, o que favorece a proliferação do mosquito.

O governo da Bahia prevê repasse de verba extra para os municípios aplicarem na melhoria da prevenção e no controle da dengue. Para conseguir os recursos, as prefeituras precisam apresentar termo de compromisso e plano de contingência.

A Secretaria de Saúde de Goiás criou um comitê, que vai se reunir semanalmente, para monitorar e controlar os casos da doença no estado. A decisão foi tomada depois do registro de um caso de dengue tipo 4 na cidade de Aparecida de Goiânia.

De janeiro a setembro de 2011, foram notificados 721.546 casos de dengue no Brasil, diminuição de 24% na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados recentes do Ministério da Saúde, divulgados em outubro.

Também foi constatada queda de 39,3% nos casos graves, passando de 16.590 para 10.620, na comparação entre os períodos 2011 e 2010. O número de mortes também diminuiu: 468 mortos este ano, contra 629 em 2010.

Os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Amazonas e Ceará responderam por mais de 54%das notificações.

Da Agência Brasil

R7

Filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus é assassinado em Realengo


Ele saía de um bar de madrugada, quando foi atacado por dois homens em uma moto

RIO - O governador Sérgio Cabral chegou no início da noite deste sábado ao Cemitério São João Batista, para o velório do filho do coreógrafo Carlinhos de Jesus. Ele disse que é muito amigo da família e que conheceu Dudu ainda pequeno. Segundo Cabral, eles se conheceram no bairro de Cavalcante, onde foram criados.

- É um fim trágico, e eu sinto muito por isso. Há anos não via o garoto, mas ele era muito feliz, alegre - disse o governador, que estava acompanhado da mulher, Adriana Ancelmo.

Carlos Eduardo Mendes de Jesus, o Dudu, de 32 anos, foi assassinado com oito tiros na madrugada deste sábado. Ele saía do Bar Boteko Carioca, na Avenida Marechal Fontenelle, em Realengo, quando foi atingido pelos disparos. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima foi atacada por dois homens numa moto, que fizeram vários disparos, por volta das 4h. Os criminosos fugiram em seguida. Cabral determinou empenho a Secretaria de Segurança e a Polícia Civil para que o crime seja esclarecido. Segundo ele, há várias frentes de investigação, mas nenhuma será antecipada para não atrapalhar o trabalho da polícia.
Carlinhos de Jesus, que estava no Rio Grande do Sul na hora do crime, embarcou no início da manhã de volta para o Rio. Ele chegou no meio da tarde à capela 3 do Cemitério São João Batista, em Botafogo, onde acontece o velório do filho. Muito abatido e abalado, ele chegou acompanhado da filha e não quis falar com a imprensa.. O enterro está marcado para as 10h de domingo.

O filho do coreógrafo era músico e integrante do grupo Samba Firme, que havia se apresentado no Boteko Carioca pouco antes do crime. Dudu chegou a ser levado para o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, mas não resistiu aos ferimentos. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios (DH).

Assim que soube da morte de Dudu, Carlinhos entrou em estado de choque.

— A produtora do grupo de Dudu ligou de madrugada para dizer que ele tinha sido baleado. Enquanto ainda estávamos ao telefone, chegou a notícia de que ele havia morrido. Carlinhos não está conseguindo falar — comentou a mulher do coreógrafo, Raquel Vieira. — Ainda não entendemos essa brutalidade. Dudu era um rapaz calmo, tranquilo. Nunca soubemos de nenhum problema dele.

Admiradores e amigos da família prestaram solidariedade nas redes sociais. Carlinhos de Jesus se pronunciou no Twitter: "Dor! Insuportável perder quem amamos! Perco meu filho brutalmente", escreveu. "Obrigado por todas as manifestações de solidariedade!". Na última mensagem enviada ao pai pelo microblog, Dudu escreveu, 14 horas antes de ser assassinado: "Bom dia... Deus está contigo".

O Globo
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