sexta-feira, 5 de julho de 2013

Bebê morre durante parto e família acusa médica de negligência em Mangaratiba, no Rio

Segundo mãe da criança, obstetra falava ao celular durante cirurgia. Filha foi entregue morta dentro de caixa de papelão

A família da professora Renata Siqueira Guedes, de 29 anos, vai entrar na Justiça contra a ginecologista e obstetra Maria de Fátima Nolasco, que fez o parto dela no última dia 29, no Hospital Municipal Victor de Souza Breves, em Mangaratiba, na Região Metropolitana do Rio, por descaso médico.

A mãe da professora, Fátima Guedes, contou à Rádio Globo que Renata deu entrada na unidade no sábado à tarde e que a filha chegou ao local com muito sangramento. Quando foi atendida pela médica, já apresentava dilatação suficiente para trabalho de parto normal, que estava programado desde o início da gravidez. No entanto, segundo Fátima, a filha ficou no hospital tendo contrações e demorou tanto para ser atendida, que não teve mais condições para a realização do procedimento. Ao ver que não conseguiria mais ter a criança desta forma, Renata implorou à médica para fazer cesariana, mas Maria de Fátima Nolasco fez pouco caso, mandou que a paciente ficasse calada e só realizou a cirurgia quatro horas depois. Durante o atendimento, Renata afirma que a médica falou ao celular durante 30 minutos.

Após passar por todo este constrangimento, a família de Renata recebeu a notícia de que o bebê nasceu morto, mas o atestado de óbito dado pelo hospital aponta que a criança teve parada cardiorespiratória. O bebê foi entregue à família de Renata sujo e dentro de uma caixa de papelão, segundo Fátima. Os parentes não sabem até agora o que realmente levou à morte do bebê.

A Prefeitura de Mangaratiba informou que a médica Maria de Fátima Nolasco foi afastada do Hospital Municipal Victor de Souza Breves no dia seguinte, 30 de junho, e que a Secretaria de Saúde abriu uma sindicância para apurar o fato. A prefeitura colocou à disposição da família um psicólogo e um veículo para que Renata Guedes realize todos os exames pós-operatórios.

Ainda de acordo com a prefeitura, o prefeito Evandro Capixaba e seu vice, Dr. Ruy, estão solidários e à disposição para o que for conveniente do setor público e lamentam o fato ocorrido com a mãe e filho no parto realizado na rede municipal de saúde.

Radio Globo

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Adolescente de 14 anos confessa ter torturado, matado e estuprado menino de 9; crime aconteceu em Rio Bonito

Um adolescente de 14 anos foi apreendido, nesta quinta-feira, por policiais da 119ª DP (Rio Bonito). Ele confessou ter torturado, estrangulado e matado com golpes de uma pedra um garoto de apenas 9. Depois de a vítima morta, o menor ainda a estuprou. Após o crime, o corpo de Pedro Lucas Barreto da Conceição foi jogado de um barranco de cerca de 15 metros de altura. Ele foi encontrado por coleguinhas do menino, que horas antes do crime soltavam pipa com ele.

O crime aconteceu na noite de quarta-feira, no bairro Rato Molhado, em Rio Bonito, Região Metropolitana do Rio, e chocou a cidade. O delegado-titular da 119ª DP, Paulo Henrique da Silva Pinto, disse que o adolescente será encaminhado para uma instituição para menores infratores em Rio Bonito. O Ministério Público decidirá qual.

- Foi um crime bárbaro, com requintes de crueldade. Em nenhum momento o adolescente aparentou arrependimento. Apesar de ele ser menor de idade, terá que responder pelo que fez - disse o delegado, que não quis entrar em detalhes sobre a motivação do crime.

Segundo uma testemunha contou aos policiais, Pedro Lucas soltava pipa com alguns amiguinhos quando o adolescente e um homem se aproximaram do grupo. Eles seguraram o garoto e o levaram para o alto do barranco. A polícia está à procura do homem que, segundo os agentes, é maior de idade.

A mãe de Pedro, Elaine, chegava em casa do trabalho - ela é autônoma - quando viu um grupo de pessoas - entre elas policiais militares do 35º BPM (Itaboraí). Sem saber do que se tratava, ela foi para casa, bem perto do local. Quando chegou, viu a porta da residência aberta. Gritou pelo filho, mas não obteve resposta. Resolveu voltar ao local onde vira as pessoas reunidas e soube da morte de Pedro.

- Ela e o pai do menino desmaiaram ao saberem do que tinha acontecio. Estão muito abalados. Uma coisa horrível demais isso - contou a tia materna do garoto, Solange Barreto, de 28 anos.

Ela lembrou os últimos dias do sobrinho. No sábado, ele participou da Marcha Para Jesus, em Rio Bonito. Agradeceu a Deus pela vida. Na terça, procurou a mãe para uma coversa séria: disse que havia sentido um aperto muito grande no peito.

- E na quarta, ele morreu - disse Solange.

Segundo ela, Pedro era um menino alegre que tinha duas paixões: soltar pipa e o Flamengo. Mas não conseguiu ver o Rubro-negro jogar. A família religiosa não gosta de eventos muito grandes e nunca o levou para ver o time do coração em campo. Pedro estava no 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Rabino Mesquita, no bairro Parque Indiana. A unidade suspendeu as aulas nesta quinta.

O enterro do garoto deve acontecer ainda nesta quinta, no Cemitério Jardim das Acácias, em Rio Bonito.

Extra Online


terça-feira, 2 de julho de 2013

Criação de igreja é negociada até em anúncio de classificados

‘Não tem limite. É muita grana. Dois milhões. Dez milhões’, diz o autor da proposta

BRASÍLIA - Se abrir uma empresa é sonho de consumo de todo empreendedor, montar sua própria igreja virou sinônimo de um bom negócio. No último fim de semana, a seção de classificados de um jornal de Brasília tornou público o desejo de um certo Francisco. "Procuro 2 pessoas p/ juntos abrirmos uma igreja", diz a curta mensagem na área destinada a recados, logo abaixo de outros outros anúncios em que homens e mulheres procuram parceiros para relacionamentos sinceros.

A mensagem de Francisco vem acompanhada do número do celular para contato. Quem se atreve a ligar para o telefone indicado, rapidamente esclarece qualquer dúvida sobre o motivo do negócio. Na segunda-feira, o autor do anúncio, que se apresenta como Francisco, foi direto ao ponto:

- Eu não sei qual é o seu objetivo. O meu eu sei. É espiritual e financeiro. Sou bastante objetivo nos meus negócios - avisa.

Ele diz que prefere ser franco porque não quer perder tempo com discussões sobre ortodoxia religiosa. Sem contestação do outro lado da linha, Francisco se sente à vontade para expor seus planos. Ele quer fundar uma igreja pentecostal como muitas outras que existem por aí e ganhar muito, muito dinheiro. Basta usar técnicas de hipnose coletiva, simular milagres e recolher dízimo.

- Não tem limite. É muita grana. Dois milhões. Dez milhões. Ou até mais. O negócio é um rio correndo para o mar - profetiza.

Francisco tem como espelho pastores de outras igrejas que surgiram no nada e, de repente, se tornaram um império. Ele diz que não quer exatamente ser uma estrela de TV. Não é um grande orador e nem faz questão de demonstrar conhecimento profundo de textos sagrados. Para o mais novo candidato a pastor, basta uma sala num barraco qualquer, de preferência numa área bem pobre e algumas cadeiras de plástico.

- As igrejas não estão procurando pastores. Eles querem um sujeito que tenha noção de hipnose. Que é uma coisa muito mais rápida. Você vai chegar numa sessão, vai hipnotizar o povo. A pessoa vai ficar hipnotizada. Vai te dar 10% hoje. Amanhã da mais 10% e conta o milagre para os outros - explica.

Segundo ele, as pessoas mais simples querem milagres e estão dispostas acreditar em qualquer situação que pareça extraordinária. O futuro pastor diz ainda que os riscos do negócio são mínimos. O aluguel de uma sala num bairro pobre fica em torno de R$ 500. As cadeiras de plástico podem ser compradas a medida em que o número de fiéis for aumentando. Ele até sugere um lugar para começar:a Vila Estrutural, uma das favelas mais pobres do Distrito Federal. Não importa se outras igrejas chegaram primeiro.

- Quanto mais, melhor - diz.

Em seguida convida o interlocutor para uma conversa particular para acertar os detalhes do negócio. No primeiro contato não pediu investimento inicial dos sócios, nem disse como o negócio será rateado.

A fé pode render muito. Exemplos não faltam. E, então, ele começa a citar nomes de outros aventureiros que se tornaram ricos, muito ricos, vendendo ilusões. Francisco é de uma sinceridade quase religiosa.

O Globo

VEM PRA RUA

domingo, 30 de junho de 2013

MSF celebra diretrizes estabelecidas pela organização voltadas para países em desenvolvimento

30 de junho de 2013 - A organização humanitária internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) saudou, hoje, as novas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o tratamento de HIV e pediu que os avanços sejam rapidamente implementados, beneficiando tanto as pessoas quanto os resultados dos programas em países em desenvolvimento. MSF também enfatizou a necessidade de maior apoio internacional. As recomendações da OMS incluem a antecipação da terapia antirretroviral (TAR) para pessoas que vivem com HIV, melhores protocolos para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho e monitoramento regular e mais efetivo da “carga viral” das pessoas infectadas, para garantir que o tratamento esteja dando certo.

“Começar o tratamento para HIV mais cedo faz uma grande diferença – mantém as pessoas mais saudáveis e também ajuda a prevenir a propagação do vírus nas comunidades. Mas precisamos de apoio político e financeiro para garantir que essas recomendações sejam implantadas rapidamente”, afirmou o Dr. Unni Karunakara, presidente internacional de MSF.

O uso do monitoramento da “carga viral” para garantir que os medicamentos antirretrovirais estejam mantendo o vírus suprimido é outro avanço essencial nas recomendações. A carga viral funciona melhor quando associada a um suporte robusto à adesão ao tratamento, e traz múltiplos benefícios, tanto para os pacientes quanto para os provedores de tratamento.

“Não há maior motivação para as pessoas se manterem em tratamento do que saber que o vírus está ‘indetectável’ em seu sangue”, disse o Dr. Gilles Van Cutsem, coordenador médico de MSF na África do Sul. “O teste da carga viral é a forma ideal para manter as pessoas em tratamentos de primeira linha e saber quando passá-las para os medicamentos de segunda linha. Portanto, já é hora de torná-lo disponível em países com uma grande prevalência da doença. Com essas novas diretrizes, nossa meta coletiva deveria ser, agora, ampliar sem desorganizar: alcançar mais pessoas, mantê-las em tratamento e com uma carga viral indetectável”.

Com as novas diretrizes da OMS, o número de pessoas agora elegíveis para tratamento aumentará substancialmente.

“Essas novas recomendações de tratamento são ambiciosas e necessárias, além de viáveis”, afirmou o Dr. Karunakara. “Agora não é a hora de sermos desencorajados, mas de avançarmos com o que sabemos que funciona para conseguirmos o melhor tratamento possível para a maioria das pessoas o quanto antes. Os países devem implementar essas novas orientações e acelerar o tratamento sem atraso. Por isso, é fundamental que se mobilize o apoio internacional para permitir que eles assim o façam, incluindo o financiamento dos programas para tratamento de HIV por governos doadores e pelo Fundo Global”.

As agências doadoras, tal como o Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária e o programa PEPFAR, do governo estadunidense, precisam apoiar a implementação imediata das novas diretrizes como uma estratégia prioritária. O Fundo Global está realizando sua conferência trienal de reaprovisionamento neste ano, em que os compromissos de doadores devem refletir as metas de ampliação da oferta de tratamento.

A experiência de MSF no tratamento de HIV em países em desenvolvimento desde 2000 mostra que, por meio de estratégias de tratamento adaptadas – combinadas com políticas favoráveis –, a ampliação da oferta de cuidados de qualidade a um grande número de pessoas é possível. Os medicamentos precisam ser de fácil ingestão e terem preços acessíveis; o monitoramento do tratamento é essencial e precisa estar associado a um aconselhamento efetivo para pessoas com problemas relacionados à adesão ao tratamento; e as pessoas precisam ser encorajadas a assumir maior protagonismo na administração de seus tratamentos. Por exemplo, uma estratégia que MSF implementou em Moçambique para simplificar o atendimento e ajudar às pessoas a se manterem em tratamento consistiu na formação de pequenos grupos, dos quais um membro a cada mês, ao fazer exames de monitoramento, encarrega-se de pegar o refil de medicamentos para o grupo inteiro. Esse modelo não só simplifica a oferta de cuidados às pessoas, mas também libera a equipe de saúde para concentrar esforços em casos mais graves.

Mas, por meio de seu trabalho, MSF também se depara com muitas das pessoas que continuam privadas de tratamento, e uma atenção especial precisa ser despendida para garantir que esses países não sejam negligenciados.

“Em locais como a República Centro-Africana, a República Democrática do Congo, Guiné e Mianmar, é como se o relógio tivesse parado há mais de dez anos, com um número vergonhosamente alto de pessoas morrendo por falta de acesso a tratamento. Há também uma necessidade de ampliar a cobertura de populações vulneráveis, como de regiões rurais e pobres em países com alta prevalência”, afirma o Dr. Van Cutsem. “A comunidade internacional não pode permitir que descaso com as pessoas em necessidade de tratamento de HIV continue em contextos de instabilidade, onde os sistemas de saúde são fracos ou a vontade política é escassa”.


Atualmente, MSF oferece tratamento de HIV para 285 mil pessoas em 21 países.

Médicos sem Fronteiras

sábado, 29 de junho de 2013

Crianças catam sururu que abastece quiosques e restaurantes do Recife

Tipo de marisco muito apreciado na culinária do Recife, o sururu é frequentemente pescado por crianças e adolescentes de comunidades ribeirinhas urbanas da cidade

Por Igor Ojeda, da Repórter Brasil para o Promenino
do Recife (PE)

Normalmente é assim. Os ribeirinhos da bacia do Pina, no Recife, saem para pescar o sururu ainda na barriga da mãe. Quem brinca é Ronaldo, morador da comunidade Ilha de Deus, enquanto está na superfície despejando o molusco numa galeia – em seguida, submerge novamente. A brincadeira, no entanto, tem o seu fundo de verdade, como diz o ditado. Hoje com 20 anos, o rapaz começou no ofício aos cinco. Espécie de marisco pequeno, a iguaria é muito comum em mercados, feiras, bares e restaurantes da capital pernambucana. Em geral, é preparada com leite de coco – quando ganha um sabor adocicado – e servida com farinha de mandioca e limão. Seu caldinho, apreciado tanto em restaurantes “finos” quanto em quiosques de praia, é considerado afrodisíaco. “Desde que nasci trabalho com o sururu. Com cinco anos já estava na maré. Chegava a faltar na aula para ir pescar”, conta Ronaldo, que parou de estudar no sexto ano do ensino fundamental.

Quando este mergulha para pegar mais sururu, quem fala é Gustavo*, parceiro de pescaria. Sentado na beira da canoa já repleta de bacias com o molusco, ele mexe freneticamente as pernas, de forma alternada, dentro da galeia – espécie de caixote – mergulhada na água lodosa. “Estou lavando o sururu”, explica o garoto de 15 anos. O movimento repetitivo não é o único desconforto. O contato com a casca fina do marisco causa inúmeras feridas na sola de seu pé. “Não tem jeito, paciência, tem de fazer isso. As feridas a gente lava na maré, que a maré faz sarar.”

Estamos nas proximidades das pontes Governador Paulo Guerra e Engenheiro Antônio de Góes – que ligam a Zona Sul ao Centro e à Zona Norte do Recife –, no meio da bacia do Pina, ecossistema situado em plena área urbana, na parte interna do porto da capital pernambucana, formado pela confluência dos rios Capibaribe, Tejipió, Jordão e Pina. Da Ilha de Deus, Gustavo e Ronaldo remaram bons minutos até um banco de lodo onde era possível pescar o sururu. Em uma das margens, pode-se avistar as casas de alvenaria da comunidade Brasília Teimosa, antiga favela de palafitas que se tornou famosa nacionalmente depois da visita do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apenas uma semana após sua posse, em janeiro de 2003. No lado oposto, destacam-se edifícios de alto padrão.

Trabalho infantil

A pesca do sururu é uma das principais atividades econômicas das comunidades ribeirinhas dessa área, todas formadas há décadas. E, há décadas, os moradores desses locais começam desde criança a exercer esse tipo de trabalho, normalmente acompanhando os pais, que, por sua vez, não têm condições financeiras de sustentar a família sozinhos. Como acontece em muitos outros casos, na coleta desse molusco o trabalho infantil é naturalizado.

É a maré que determina que horas Gustavo e Ronaldo começam a trabalhar. Tem dias que eles saem às quatro da manhã. Outros, às sete. Os ribeirinhos gostam de aproveitar as marés baixas, pois desse modo o sururu fica mais próximo da superfície. Há vezes, porém, em que é preciso descer a cinco metros de profundidade, sob o risco de faltar fôlego e sentir câimbras. “Já salvei tanto criança quanto gente grande de se afogar”, conta Gustavo. Em geral, dependendo do rendimento, os dois amigos ficam de duas a quatro horas pescando o molusco. Assim que voltam para casa, eles o cozinham e pagam alguém da própria comunidade para catá-lo. “Catar” o sururu significa, na verdade, abri-lo um a um e retirar sua carne. O trabalho, igualmente muitas vezes realizado por crianças, é extremamente desgastante e pode causar feridas nas mãos por conta da casca afiada do pequeno marisco.

Gustavo e Ronaldo costumam vender o produto “final” no Mercado São José, o mercado municipal da cidade. “Vendemos a seis, cinco reais o quilo. Agora está mais barato. Tem que trabalhar mais”, diz o adolescente de 15 anos, que usa parte do que recebe para comprar roupas e deixa o resto em casa, onde vive com a mãe e duas irmãs, de 12 e 7 anos. “Com o que ganhamos, dá pelo menos para sobreviver.” Para seguir trabalhando, Gustavo abandonou a escola ainda mais cedo que Ronaldo, na quinta série. Mas não é o que quer fazer a vida toda. “Ainda sou adolescente. Quando crescer quero arrumar um serviço melhor. Quero ser jogador de futebol do Sport”, revela o torcedor fanático do time pernambucano.

O decreto presidencial 6.481, de 2008, inclui tanto a coleta de mariscos quanto as atividades em mangues e lamaçais ou que envolvam mergulhos na lista de piores formas de trabalho infantil. De acordo com o documento, além das intempéries climáticas, as crianças e adolescentes que pescam sururu estão expostas a “posturas inadequadas e movimentos repetitivos; acidentes com instrumentos pérfuro-cortantes; horário flutuante, como as marés; águas profundas”. Como resultado, podem sofrer queimaduras na pele, envelhecimento precoce, câncer de pele, desitratação, doenças respiratórias, fadiga, dores musculares nos membros e na coluna, ferimentos, distúrbios do sono e afogamento.

Já meninos e meninas obrigadas a mergulhar em suas atividades laborais, como é o caso da coleta de mariscos, correm o risco de se afogar, terem a membrana do tímpano perfurada e sofrerem de uma série de enfermidades, como embolia gasosa, otite, sinusite e labirintite. O trabalho em mangues e lamaçais, por sua vez, expõe crianças e adolescentes com menos de 18 anos à umidade, cortes e perfurações e contatos com excrementos, situações que podem resultar em rinites, bronquites, dermatites e leptospiroses, entre outras doenças.

Quem “guia” a reportagem é Daiane. Moradora da Ilha de Deus, ela também costumava pescar sururu, “ofício” que igualmente começou a exercer desde pequena. Hoje, aos 20 anos, faz trabalhos de manicure e de diarista e pretende fazer faculdade de engenharia num futuro próximo. “Normalmente, quem vai para a maré é o homem, enquanto a mulher fica na cata, muitas vezes com a ajuda dos filhos. Mas, quando não tem homem, vai a mulher mesmo”, explica. Há alguns anos, quando ainda era adolescente, a jovem participou de uma ação do Centro Dom Helder Camara de Estudos e Ação Social (Cendhec) contra o trabalho infantil na sua comunidade. O resultado, segundo ela, foi muito bom. “Diminuiu a incidência de trabalho infantil na pesca do sururu na Ilha de Deus.” Nos últimos dois anos, além disso, a região foi urbanizada pela Prefeitura do Recife, política que fez melhorar as condições de moradia da população local.

Melhorias que ainda não chegaram para a população ribeirinha do Pina. Na “entrada” da comunidade, no entanto, a realidade é um tanto distinta. Inaugurado em outubro do ano passado, o RioMar Shopping destoa na paisagem. Terceiro maior centro de compras do Brasil, atrás do Shopping Leste Aricanduva, de São Paulo, e do Salvador Shopping, o estabelecimento é destinado em parte ao consumo de alto luxo, com lojas como Hugo Boss, Chanel Fragrance & Beauté, Daslu, e Diesel. Partindo do ponto de encontro no RioMar, conforme Daiane e a reportagem caminham em direção aos manguezais, as casas simples de alvenaria vão dando lugar a apertadas construções de madeiras, e ruas asfaltadas tornam-se ruelas e becos de terra. Espalhadas pelo chão, bacias cheias de sururu. Sob um telhado de zinco, uma mulher descasca o molusco.

Numa dessas moradias precárias, vive, com a família, Mariana*. “Pego sururu desde os dez anos, para ajudar minha mãe”, diz a garota, hoje com 14 anos. Ela costuma ir com o marido de uma das irmãs e um vizinho, ambos adultos. A tarefa é alternada: às vezes fica incumbida de lavar o marisco pescado na galeia, o que causa feridas nos pés. Outras vezes, ela própria mergulha para buscá-lo. “A água bate no peito”, conta. Por causa do trabalho, a menina parou de estudar na quarta-série. Não chegou a aprender a ler e escrever.

Acompanhada de Daiane e da reportagem, Mariana sobe em uma das canoas ancoradas na beira do mangue e começa a remá-la em direção ao mar, distante alguns quilômetros – no meio do caminho, alguns minutos depois, encontraríamos Gustavo e Ronaldo. Do barco, a visão é ainda mais impressionante. Inúmeras palafitas avançam sobre o rio. Sacos de lixo e entulhos de todo o tipo, e ratos correndo na borda ou até dentro da água compõem a paisagem. Após alguns minutos, o RioMar Shopping surge imponente ao fundo. Mariana liga o motor. “Quando eu pescava, era só no remo. Agora alguns barcos têm motor. O pessoal pagar uns R$ 500 para um morador construir a canoa. O motor custa uns R$ 150”, explica Daiane.

A primeira parada é na Ilha de Deus, onde várias mulheres e algumas meninas estão sentadas catando o sururu. Uma delas é Edlene Maria Alves da Silva, de 45 anos. “Cheguei novinha aqui. E desde que cheguei, trabalho com o sururu. Antes só pescava, depois comecei mais a catar. Mas ainda pesco.” Segundo ela, está cada vez mais difícil sobreviver com a venda do molusco. “Está chovendo muito. O braço de mar aqui é fraco. Quando chove dois, três dias, o sururu morre, porque a água fica salobra, e ele vive mais na água salgada”, lamenta.

A auditora-fiscal Paula Neves, coordenadora do Projeto de Combate ao Trabalho Infantil da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), lembra que no Recife as crianças e adolescentes não ficam restritas à pesca e à cata do sururu. Muitas o vendem nas praias da cidade. A comercialização de alimentos e outros produtos na orla da capital pernambucana é uma das atividades com maior incidência de trabalho infantil. “Os meninos que trabalham na praia normalmente param de estudar na oitava série. Muitos deles dizem que trabalhando por três ou quatro dias por semana ganham mais do que o pai”, diz Paula.

promenino

Deputado Marco Feliciano participa da Marcha Para Jesus em SP

Pastor foi à 21ª edição do evento e não discursou.
Marcha reuniu multidão na Zona Norte de São Paulo.


Marcha Para Jesus, na Zona Norte de São Paulo, neste sábado (29), sem discursar no evento. O pastor apenas subiu no trio elétrico e acenou para o público. Ele vestia uma camiseta com a frase "Eu represento vocês!", escrita nas costas. A frase é uma resposta às polêmicas que esteve envolvido desde que assumiu a presidência da comissão. Um dos motes usados pelos movimentos de defesa dos direitos dos homossexuais que pedem a saída de Feliciano da comissão é justamente o fato dele não os representar.

Segundo a assessoria de imprensa da Marcha Para Jesus, a presença de Feliciano foi uma "surpresa", já que o deputado não havia confirmado presença até a véspera. Ao chegar, ele foi conduzido ao trio elétrico de onde estava prevista apenas uma oração, feita pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, que preside o evento. Para o palco, só foram programados discursos de autoridades do poder Executivo e os shows de bandas e artistas evangélicos.

Várias das faixas levadas pelos fiéis à marcha apoiavam o projeto de decreto legislativo do deputado João Campos (PSDB-GO) para derrubar a determinação do Conselho Federal de Psicologia (CFP) contra tratamentos pela cura da homossexualidade. O projeto, que ficou conhecido como "cura gay", foi colocado em votação por Feliciano e aprovado na Comissão de Direitos Humanos.

Em seu twitter, Marco Feliciano postou apenas duas fotos da sua participação no evento.

Público de 2 milhões

A concentração para a Marcha Para Jesus começou cedo, por volta das 6h. Ainda pela manhã, a multidão seguiu em caminhada da Praça da Luz até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, em Santanal. Segundo a organização, 2 milhões de pessoas participaram da marcha. O evento começou às 10h e deve seguir até as 20h, com shows de bandas e grupos gospel.

Fiéis levam faixas para o evento religioso realizado neste sábado (Foto: Letícia Mendes/G1)Fiéis levam faixas para o evento religioso
realizado neste sábado (Foto: Letícia Mendes/G1)

Esta primeira estimativa de público foi dada pelo apóstolo Estevam Hernandes. Para ele, as manifestações populares que aconteceram no país nas últimas semanas podem ajudar a explicar o número. “Acredito que muitas pessoas foram motivadas pelas manifestações a estar marchando também”, disse.

Os participantes levaram faixas para o evento deste sábado. Em uma delas, era possível ler "Cura Gay, uma mentira dos ativistas gays", em referência ao projeto que tramita na Câmara e foi aprovado em 18 de junho na Comissão de Direitos Humanos. O projeto de lei determina o fim da proibição, pelo Conselho Federal de Psicologia, de tratamentos que se propõem a reverter a homossexualidade.

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da comissão, participou do evento em cima de um trio elétrico. Ele publicou foto em seu perfil no Twitter com a mensagem "Eu represento vocês!" escrita na camiseta, uma resposta a manifestantes que afirmam não serem representados pelo deputado.

Os fiéis levaram outras faixas para a marcha, entre elas uma escrita "Procurando Lula" e outra "Manifestação pacífica tem limite. Fora baderna e vandalismo", essa última em referência aos recentes protestos.

O ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), esteve no evento na tarde deste sábado. "É uma festa maravilhosa, da cidadania, um presente para São Paulo. Eu, como prefeito, participei de várias edições. É um dia de muita festa", disse.

O tema da Marcha para Jesus deste ano é "Novo Tempo". Entre as bandas e grupos de música gospel que vão se apresentar ao longo deste sábado estão Renascer Praise, Diante do Trono, Aline Barros, Ao Cubo, Inesquecível, Asaph Hernandes, Davi Sacer, Regis Danese, Mariana Valadão, André Valadão, Cassiane, Thalles Roberto, Marcelo Aguiar e Fernandinho.

Mapa interdições Marcha para Jesus 2013 (Foto: Arte/G1)

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) bloqueou vias da capital paulista para a realização do evento. Confira:

- A Avenida Tiradentes, sentido Aeroporto de Congonhas, teve sua pista local interditada entre a Rua dos Bandeirantes e a Rua Mauá. Também foi bloqueada da pista expressa, entre a Avenida do Estado e o Túnel Tom Jobim;

- A pista central da Avenida Santos Dumont, sentido Praça Campo de Bagatelle, teve seu trânsito desviado para a pista local em direção à Marginal Tietê, no sentido Ayrton Senna;

- O tráfego no sentido Norte-Sul foi desviado pela Avenida Brás Leme, seguindo pelas avenidas Rudge, Rio Branco e Rótula Central, ou para quem se destina à Zona Sul, pelas avenidas Abraão Ribeiro e Pacaembu. No sentido Sul-Norte, o motorista segue pela pista local do eixo, até a Avenida Tiradentes, Rua Pedro Vicente e Avenida Cruzeiro do Sul;

- A Praça Heróis da FEB e a Avenida Santos Dumont ficarão bloqueadas em ambos os sentidos no trecho entre a Avenida Brás Leme e a a Praça Campo de Bagatelle até as 23h deste sábado.

G1

Como os chimpanzés lidam com a morte


Evidências indicam que esses animais apresentam comportamentos muito parecidos com os humanos em relação à perda de parentes e companheiros

Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira a decisão de aposentar 310 chimpanzés que eram utilizados em estudos científicos. Os animais serão levados para santuários ao longo dos próximos meses, restando apenas 50 chimpanzés para uso em pesquisas, que não poderão se reproduzir.

A decisão envolve questões éticas, como todo o caso de uso de animais em pesquisas, que são exacerbadas pela grande proximidade existente entre humanos e chimpanzés. Os estudos mais recentes mostram que as espécies têm mais de 98% do DNA em comum.

A carga genética em comum se manifesta de diversas formas: algumas características anatômicas, o hábito de viver em sociedade, capacidade de usar ferramentas, de aprender com seus companheiros, entre outros fatores. Uma dessas semelhanças, que ainda está em debate na comunidade científica, pode reforçar os argumentos contra o uso desses animais em pesquisas científicas: estudos indicam que chimpanzés têm consciência da morte. O assunto ganhou destaque em 2010, quando pesquisadores da Universidade de Stirling publicaram um artigo em que descrevem a morte da chimpanzé Pansy, em 2008.

Conforto de familiares — Pansy tinha mais de 50 anos, idade avançada para um chimpanzé. Quando começou a sentir dificuldades para respirar e deitou-se, estavam ao seu lado sua filha Rosie, já adulta, e sua melhor amiga, Blossom. Pansy e Blossom haviam chegado juntas ao parque zoológico em que viviam (o Blair Drummond Safari and Adventure Park, na Escócia) trinta anos antes, e criado seus filhos juntas. Blossom ficou ao lado da amiga e segurou sua mão em seus momentos finais.

Quando os pesquisadores do zoológico perceberam o que estava para acontecer, ligaram câmeras no local e decidiram não interferir. As imagens obtidas mostram os outros chimpanzés ao lado de Pansy, acariciando-a e segurando sua mão. Após sua morte, seus companheiros chacoalharam seus braços e se aproximaram do rosto dela. Abriram sua boca e a inspecionaram, como se quisessem se certificar de que ela estava morta.

Alguns minutos depois, Chippy, filho de Blossom, que havia se aproximado do grupo, atinge o peito de Pansy com as duas mãos em punho. Aos poucos eles se afastam, com exceção de Rosie, que continua ao lado da mãe por algumas horas. Os três chimpanzés têm uma noite inquieta, trocando de posição com muito mais frequência do que o normal. Na semana seguinte todos estavam mais silenciosos, comeram pouco e se recusaram a se aproximar do local onde Pansy havia morrido, que os cuidadores já haviam limpado.

O caso de Pansy foi uma das poucas mortes naturais de chimpanzés observada por pesquisadores e contou com particularidades que permitiram seu estudo, como a colocação de câmeras no local e a decisão de não remover imediatamente o corpo de Pansy. O relato do ocorrido, escrito pelos pesquisadores, foi publicado no periódico Current Biology

Perda dos filhos – A mesma edição do periódico, de abril de 2010, trouxe outro artigo sobre o assunto. A pesquisadora Dora Biro, da Universidade de Oxford, e sua equipe observaram a morte de cinco chipanzés de um grupo das florestas de Bossou, Guiné. Entre os animais, mortos por uma doença respiratória, estavam dois filhotes – Jimato, com um ano de vida, e Veve, com dois. As mães carregaram os corpos de seus filhos por semanas após sua morte (por 68 e 19 dias, respectivamente). Elas espantavam os insetos de perto deles, os acariciavam e até permitiam que outros filhotes "brincassem" com eles.

Analisando as imagens descritas, muitos pesquisadores apontam paralelos com atitudes humanas – como o velório e o luto, no caso de Pansy. As evidências, porém, não são suficientes para que se possa afirmar o que ocorre de fato com esses animais. A particularidade da situação, que não pode ser reproduzida de forma controlada e testada cientificamente, dificulta conclusões sobre o assunto.

Especulações — Hipóteses não faltam. Quando escreveram o artigo sobre Pansy, os autores sugeriram que o ataque de Chippy ao corpo poderia tanto significar uma tentativa de ressuscitá-la como a frustração em decorrência da perda. Sobre os chimpanzés de Bossou, os autores do estudo afirmam que não se pode ter certeza de que as mães soubessem que os filhos estavam mortos, pois continuaram cuidando deles durante algum tempo como se estivessem vivos. Para outros cientistas, a hipótese mais provável é a de que aquelas mães precisavam de um período de contato maior para aceitar a perda dos filhos.

Cada vez mais a ciência encontra semelhanças entre os humanos e seus parentes próximos, os chimpanzés. Além da proximidade genética, estudos mostram que eles são capazes de aprender códigos, têm senso de justiça, fazem guerras, têm consciência de si e transmitem conhecimentos, formando aquilo que chamamos de cultura, que pode inclusive variar de um grupo de chimpanzés para outro.

Apesar das poucas evidências registradas até hoje, a suspeita de que chimpanzés e seres humanos reagem de modo parecido à morte apoia a decisão tomada pelo governo americano de reduzir a quantidade de cobaias. De qualquer forma, os estudos ajudam a explicar as origens evolutivas do luto.

Trauma e depressão


Em 2010, Martin Brüne, professor de psiquiatria da Universidade Ruhr de Bocum, na Alemanha, foi convidado por uma fundação holandesa para tratar chimpanzés que sofriam distúrbios psiquiátricos após terem sido abandonados por laboratórios onde serviam de cobaias para pesquisas científicas. Separados muito cedo da mãe, infectados com doenças, e isolados de qualquer contato com outros animais, esses chimpanzés apresentam problemas de relacionamento e comportamentos anormais, como automutilação, movimentos repetitivos e regurgitação – sintomas que podem ser comparados aos vistos entre humanos que sofrem de depressão, ansiedade e síndrome do stress pós-traumático. Cinco animais participaram de um tratamento experimental com antidepressivos, e apresentaram melhoras consideráveis.

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Veja

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mulher morta a marteladas estava casada há menos de um mês; marido é o principal suspeito

A bancária Talita Juliane Peixoto Paiva, de 24 anos, foi encontrada morta a marteladas, na manhã dessa terça-feira, no apartamento onde morava, na Rua Souza Franco, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. O principal suspeito pelo crime é o marido dela, Mario Henrique Rodrigues Lopes, de 28 anos, com quem Talita estava casada há menos de um mês.

Talita, que era bancária, foi encontrada morta no seu apartamento, em Vila Isabel.

De acordo com o delegado Alan Duarte, da Divisão de Homicídios (DH), Mario foi visto por uma vizinha deixando o apartamento do casal, na madrugada de terça, após uma intensa discussão com Talita. Ele acabou capturado por policiais do 19º BPM (Copacabana). Mario estava num táxi na Avenida Atlântica, em Copacabana, e se desentendeu com o motorista, que acionou a polícia. Após a descoberta de que Mario era procurado pela morte da esposa, ele foi levado para a DH. Totalmente transtornado, foi encaminhado para o setor de psiquiatria do Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde permanece custodiado.

No Facebook de Talita, há várias fotos do casamento da jovem, que tem pouco menos de um mês

Talita e Mario se casaram no início deste mês, mas estavam juntos há dois anos. Os vizinhos relataram na DH que o casal não costumava brigar, mas no dia do crime ouviram muitos gritos de Talita, inclusive dizendo que chamaria a polícia. Depois de um tempo, a gritaria parou, e Mario deixou o prédio. Foram os próprios vizinhos que, desconfiados de que algo poderia ter acontecido, chamaram a polícia.

O prédio na rua Souza Franco, em Vila Isabel, onde Talita morava.
O enterro de Talita está previsto para as 13h desta quarta-feira, no Cemitério do Catumbi, na Zona Norte do Rio.

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