segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nasa divulga descoberta de buraco na camada de ozônio no Ártico

À esquerda, o cinza mostra a área sobre o Ártico onde o ozônio atingiu o menor índice da escala. À direita, a área com maior taxa de monóxido de cloro é representada pelo azul escuro - NASA/JPL-Caltech
Buraco foi causado por um período prolongado de temperaturas extremamente baixas na estratosfera

Um estudo liderado pela Nasa documentou um aumento sem precedentes do buraco da camada de ozônio no Ártico no inverno e na primavera passados, causado por um período prolongado de temperaturas extremamente baixas na estratosfera.

O estudo, publicado neste domingo na revista Nature, mostra que a quantidade de ozônio destruída no Ártico em 2011 foi comparável à observada há alguns anos, na Antártida, onde um buraco na camada de ozônio se forma a cada primavera desde meados dos anos 1980.

Para chegar a esta conclusão, cientistas de 19 instituições em nove países (Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Canadá, Rússia, Finlândia, Dinamarca, Japão e Espanha) analisaram um conjunto abrangente de dados. Os cientistas descobriram que em algumas altitudes o período de frio no Ártico durou 30 dias a mais em 2011 do que em qualquer inverno ártico previamente estudado, levando à perda de ozônio sem precedentes.

A camada de ozônio estratosférica, que fica de 15 a 35 quilômetros acima da superfície, protege a vida na Terra dos raios solares ultravioleta.

O buraco na camada de ozônio se forma quando condições de frio extremo, comuns no inverno da estratosfera da Antártica, formam reações que convertem cloro atmosférico de químicos de produção humana em formas que destroem o ozônio. O processo da mesma perda de ozônio acontece em cada inverno no Ártico. Porém, as condições estratosféricas, geralmente mais quentes por lá, limitam a área afetada e o prazo em que as reações químicas ocorrem, resultando em muito menos perda de ozônio na maioria dos anos no Ártico do que na Antártica.

Zero Hora

Dispositivo criado na Argentina visa reduzir complicações em partos


O argentino Jorge Odón transformou um jogo que aprendeu com amigos em um dispositivo que visa ajudar a salvar a vida de mulheres durante o parto, principalmente em zonas rurais ou com serviços de saúde precários.

A invenção está sendo impulsionada por Mario Merialdi, coordenador de política reprodutiva da OMS (Organização Mundial da Saúde), por Javier Schvartzman, do Centro de Educação Médica e Investigações Clínicas da Argentina e pelo Fundo Tecnológico Argentino.

Outras utilidades do dispositivo são impedir hemorragias pós-parto e evitar a transmissão do vírus do HIV, na hora do parto, entre mães portadoras e seus filhos.

O projeto ainda está em período de testes, apesar de já ter sido utilizado em humanos.

A essência da invenção é, à primeira vista, bastante simples, mas traz consigo um desafio: como retirar uma rolha do fundo de uma garrafa? A mesma lógica foi aplicada para o momento do parto.

O funcionamento do método é explicado no vídeo do correspondente da BBC Mundo em Buenos Aires, Vladimir Hernández.

BBC Brasil

Após vender bens, família paga fiança de motorista do Camaro

A família de Felipe de Lorena Infanti Arenzon, 19, preso na sexta-feira (30) após bater com seu Camaro em seis veículos e deixar quatro pessoas feridas em São Paulo, pagou a fiança de R$ 245 mil para colocá-lo em liberdade na tarde desta segunda-feira.

Para conseguir o valor, os familiares de Felipe venderam um carro e um imóvel, segundo o advogado dele, João César Cáceres.

Felipe responde a um inquérito policial no qual será indiciado sob suspeita de tentativa de homicídio, embriaguez ao volante e fuga de local de crime.

Ele estava preso na carceragem do 72º DP, na Vila Penteado, zona norte, desde a última sexta-feira, dia em que ocorreu o acidente.

Cáceres disse ainda que o rapaz está "destroçado" em decorrência do acidente, assim como a família. O pai dele, o vereador de Embu das Artes Milton Arenzon (PMDB), está tomando calmantes, de acordo com o advogado.

A fiança de R$ 245 mil foi fixada pelo juiz Rodrigo de Azevedo Costa, do Dipo (Departamento de Inquéritos Policiais), que aceitou pedido de liberdade provisória feito por Cáceres. Ele levou em consideração o fato de que Felipe não tem antecedentes criminais, tem endereço fixo e trabalha.

CAMARO
Felipe foi preso depois de causar uma série de acidentes com seu Chevrolet Camaro. O jovem saía de uma balada.

Segundo a polícia, Felipe estava embriagado. Ele foi preso em flagrante. O veículo custa cerca de R$ 200 mil.

A série de acidentes começou na avenida Sumaré (zona oeste de SP), onde o jovem em alta velocidade bateu em ao menos quatro veículos. Ele só parou após atingir mais dois carros na avenida Inajar de Souza (zona norte). Felipe, segundo a polícia, ainda tentou fugir a pé se escondendo em uma casa na região.

Os acidentes aconteceram em um intervalo de menos de uma hora e em um trajeto de 8,5 km. Na última batida, uma Towner pegou fogo e o motorista Edson Roberto Domingues, 55, ficou gravemente ferido.

"Só o rosto dele não foi atingido", disse Francisco Neco Mendes, 40, amigo do motorista ferido.

O helicóptero Águia da PM foi acionado para resgatar a vítima na Inajar de Souza, que teve o trânsito interrompido durante a manhã de sexta-feira.

Além da Towner, na Inajar, Felipe também bateu em um Palio, com três pessoas. As vítimas tiveram ferimentos leves. A polícia investiga se entre os dois acidentes Felipe também teria atropelado pedestres na ponte da Freguesia do Ó.

O delegado Marcos Flório Manarini, do 28º DP (Freguesia do Ó), disse que o motorista se recusou a fazer o teste do bafômetro e que dentro do Camaro havia uma lata de cerveja. "Ele apresentava odor etílico, voz pastosa e dificuldade de se expressar", disse o delegado.

Felipe foi levado ao IML (Instituto Médico Legal), onde passou por exames que vão confirmar se ele estava ou não alcoolizado. O jovem, diz a polícia, provocou os acidentes após sair da boate Villa Country, na Barra Funda (zona oeste).

Testemunhas disseram à polícia que Felipe invadiu a motofaixa na Sumaré e quase atingiu um motoqueiro antes de colidir com ao menos quatro veículos.

Parte do para-choque do Camaro ficou caído na avenida. "O Camaro passou voando e estourou o meu retrovisor. Parecia que nada ia detê-lo", disse a professora Elissa da Costa Mattos, 40.

"Parecia cena de filme", falou Gilberto Costa de Oliveira, 47, professor, e que teve seu Fiesta, comprado há 15 dias, batido.

OUTRO LADO
Na sexta-feira, o advogado Cáceres disse que seu cliente estava em estado de choque e sem condições de narrar o que havia acontecido. "Até agora [noite desta segunda-feira], ele não consegue entender tudo aquilo. Ele é um rapaz que não tem histórico de bebedeiras e é trabalhador."

O pai de Felipe passou mal ao saber dos acidentes causados pelo filho e precisou de atendimento médico. "A gente vê isso toda semana, mas nunca imagina que vai se passar com a nossa família. Só posso pedir desculpas às vítimas e aos seus familiares. Lamento muito o sofrimento dessas pessoas", disse o vereador Arenzon, na sexta.

Segundo ele, o filho comprou o Camaro envolvido nos acidente há cerca de dez dias, em sociedade com um irmão e outro parente. "Fui saber que ele estava com esse carro quando me falaram do acidente. Ele mora com a avó [em Pinheiros, zona oeste de SP]. Sempre foi um menino trabalhador e nunca se envolveu em confusão. É tudo muito triste."

Folha OnLine

Flanelinhas expulsam guardadores do Vaga Certa nos fins de semana, no Centro


RIO - As principais avenidas do Centro, a Rio Branco e a Presidente Vargas, se transformam aos sábados e domingos em vias expressas para a extorsão de motoristas. Flanelinhas tomam conta das vagas e exigem dinheiro antecipado, valores que vão de R$ 5 a R$ 20. Além disso, parte dos guardadores com o colete do Vaga Certa cobra irregularmente. Além dos R$ 2 de cada talão, eles chegam a exigir até R$ 10 do motorista em busca de um lugar para estacionar.

O problema já chegou ao conhecimento da prefeitura. O secretário especial de Ordem Pública, Alex Costa, diz que os flanelinhas expulsam nas manhãs de sábado guardadores autônomos para controlar a área. Nos últimos três sábados, o GLOBO constatou o problema.

Anteontem, por exemplo, flanelinhas atuavam livremente na Presidente Vargas, com a cumplicidade de policiais do 5º BPM. Na via, fiscais da Secretaria de Ordem Pública (Seop) rebocaram alguns carros que estavam parados em locais proibidos. Um dos flanelinhas tentava convencer o dono de um veículo a estacionar na faixa de pedestre, da qual um carro acabara de ser retirado por um reboque.

Antes disso, este mesmo flanelinha foi flagrado pela reportagem do GLOBO conversando com um policial militar, próximo à esquina com a Rua Miguel Couto e Presidente Vargas. Em seguida, ele correu por cerca de cem metros até chegar próximo à esquina da Presidente Vargas com a Rua Uruguaiana, onde passou a atuar sem ser incomodado.

- Eu sou flanelinha, sim, e quando o cliente pergunta se pode estacionar na faixa de pedestre, eu digo sempre que pode. Estou aqui na luta para ganhar algum dinheiro. A vida está muito difícil - disse o flanelinha que conversara com o PM.

Já na Avenida Rio Branco, anteontem, pelo menos uns 30 guardas municipais circulavam por ali pela manhã, entre a Candelária e o fim da via. No último dia 24, havia oito flanelinhas atuando e apenas uma pessoa com o colete. Todos estavam no trecho da Avenida Rio Branco entre a Presidente Vargas e a Almirante Barroso.

O Globo

Sete traficantes de drogas são enforcados no Irã


República Islâmica executou 214 condenados desde o início deste ano
Sete iranianos condenados a morte por tráfico de droga foram enforcados em Shiraz (sul), informa o jornal Shargh. A publicação não revela os nomes dos condenados, nem o tipo ou quantidade de tráfico.

Desde o início do ano, o Irã executou 214 condenados, segundo um balanço da agência de notícias France-Presse, com base em informações da imprensa local.

O Irã é um dos países que mais executa réus no mundo, ao lado da China, Arábia Saudita e Estados Unidos. Em virtude da sharia (lei islâmica), homicídio, estupro, roubo a mão armada, tráfico de droga e adultério podem resultar em condenações a pena de morte.

(Com agência France-Presse)

Veja

domingo, 2 de outubro de 2011

Corpo de recém-nascida desaparece do necrotério de hospital particular de Niterói


Rio - O corpo de uma recém-nascida desapareceu do necrotério do Hospital de Clínicas de Niterói (HCN), na quinta-feira. A direção do hospital informou o ocorrido neste domingo, e denunciou o desaparecimento na 76ª (Centro) Foi aberta sindicância interna para apurar o fato.

Segundo o HCN, no último dia 21 nasceu uma menina com 30 semanas, pesando apenas 490g. Sua condição foi considerada de prematuridade extrema, e ela ficou internada na UTI Neonatal, mas morreu no dia 27. Dois dias depois, seu corpo desapareceu do necrotério do hospital.

“Em 20 anos de história de prestação de serviços de saúde, o HCN nunca registrou nenhum fato semelhante. Pois, além do extremo compromisso com a vida humana, o hospital tem um grande respeito pela finitude da vida, quando esta ocorre”, diz nota da unidade.

A direção disse ainda “lamentar profundamente o ocorrido”, se solidarizou com a família e se comprometeu a “não envidar esforços para esclarecer os fatos e punir os envolvidos”. A direção informou ainda que está instalando câmeras de monitoramento no necrotério e no corredor de acesso ao local, que já é de controle restrito.

O DIA ONLINE

São Paulo lança proposta de avaliação para alunos com deficiência intelectual


A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo lança, nesta sexta-feira (30), no Centro Educacional Unificado (CEU) Meninos, no Sacomã, uma nova etapa do Referencial sobre Avaliação da Aprendizagem na área de Deficiência Intelectual (RAADI).

A rede escolar do município possui 3.683 alunos com deficiência intelectual matriculados no Ciclo II e na Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O documento, inédito no país, irá medir os níveis de aprendizagem desses estudantes, a partir de 2012. No ciclo I ele já é aplicado desde 2009.

O que é
O RAADI é um instrumento de avaliação com indicadores em todas as áreas curriculares, baseado em adaptações das expectativas de aprendizagem para os estudantes com deficiência mental. Ele permite mapear os níveis desses alunos, sem fazer uma comparação incorreta com outros colegas.

O novo documento abordará em seus capítulos a conceituação da deficiência intelectual, a discussão sobre a competência de leitura e escrita escritora em alunos com essas características, além de questões sobre a sexualidade. Ele ressalta, ainda, o papel dos gestores escolares e a importância do professor no processo inclusivo.

Implantação
A partir de outubro, coordenadores pedagógicos e professores das 13 Diretorias Regionais de Educação da cidade receberão formação sobre o uso do novo referencial que começa a ser aplicado em 2012.

Fonte: Portal Aprendiz, com informações da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo - 29/09/2011

prómenino

Câmara emperra votação da licença-maternidade de seis meses


Projeto está parado há um ano e esbarra em preocupações do governo e de empresários

Há mais de um ano, a proposta que amplia a licença-maternidade obrigatória de quatro para seis meses está parada na Câmara dos Deputados. A medida é bem-vista por muitos parlamentares, mas preocupa empresários que temem o aumento dos gastos trabalhistas. Atualmente, as mulheres que contribuem com a Previdência Social têm direito à licença remunerada de 120 dias.

No entanto, desde janeiro de 2010, algumas ganharam o direito de ficar 60 dias a mais com seus bebês. A nova regra, aprovada pelo Congresso, passou a valer para empresas que, em troca de benefícios fiscais, se cadastraram no Programa Empresa Cidadã. Também no serviço público, a partir de 2008, o período de licença-maternidade passou para 180 dias: governo federal, 24 governos estaduais e Distrito Federal.

A ampliação pode se estender a todos se a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 515/2010, que já passou pelo Senado, for aprovada na Câmara e, depois, for sancionada pela presidente Dilma Rousseff.

Criada pela então senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), a proposta se juntou a outra semelhante (PEC 30/2007), da então deputada e atual senadora Angela Portela (PT-RR), e as duas entraram juntas na fila de votações do plenário, mas de lá não saíram.

O deputado e líder da bancada do PR, Lincoln Portela (MG), diz que a Câmara não está disposta a votar propostas de emenda constitucional neste ano.

- O governo não quer votação de PECs agora. Não há acordo no colégio de líderes para votação desse tipo de matéria.

Segundo o parlamentar, caso alguma proposta venha a ser votada, a prioridade será dada à PEC 300/2008, que cria o piso salarial para policiais militares, civis e bombeiros.

O deputado Arnaldo Sá Faria (PTB-SP) já pediu algumas vezes que o projeto sobre licença-maternidade seja votado. Para ele, a votação não acontece porque há “muita pressão dos setores empresariais”.

- Eu defendo a proposta, porque, na verdade, as empresas teriam poucos gastos, os dois meses a mais seriam pagos pelo INSS [Instituto Nacional do Seguro Social]. Eu acho que a gente tem que pensar no outro, na qualidade da vida da criança.

Prós e contras
O movimento pela ampliação da licença se apoia na recomendação da OMS (Organização Mundial da Saúde) de que, até os seis meses, os bebês sejam alimentados exclusivamente com leite materno.

Para Valdenise Calil, assessora de acompanhamento da licença-maternidade da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), os benefícios indiretos dos seis meses de afastamento “são tantos que as despesas a mais que elas [empresas] têm acabam não sendo grandes”.

- A funcionária que tiver ficado mais tempo com seu filho terá amamentado por mais tempo. A criança vai ser mais saudável e adoecer menos. Então, essa mãe vai faltar menos ao trabalho. Ela deixa, para outra pessoa cuidar, uma criança maior, que não depende tanto dela [mãe] para se alimentar.

A pediatra destaca ainda que a mulher ganha segurança e fica mais produtiva após a licença estendida. Além disso, as empresas que concedem o benefício são mais bem-vistas pela sociedade e podem atrair mais talentos.

Embora se diga favorável ao projeto, o vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo) e diretor do Departamento Sindical da entidade, Roberto Della Manna, argumenta que a medida causaria ainda mais despesas para o empresariado, pois muitas empresas optariam por contratar funcionários temporários para substituir as mães em licença.

Para Della Manna, a iniciativa de conceder 180 dias de licença deve partir da própria empresa, que tem autonomia para avaliar se a extensão do prazo prejudicaria ou não a companhia.

- Do ponto de vista social, a iniciativa é ótima. Mas transformá-la em lei pode não ser uma boa ideia no momento atual, em que atravessamos uma crise econômica e o cenário é instável. Infelizmente, hoje isso oneraria muito o setor e não são todas as empresas que podem adotar essa medida.

Outro argumento contra a licença estendida é o peso da mudança na Previdência Social. Em 2009, quando as discussões sobre o tema estavam em alta na Câmara, um núcleo da Casa preparou um estudo. A estimativa era de que, caso a PEC fosse aprovada, em 2010 a Previdência gastaria R$ 1,6 bilhão a mais (a referência é o ano de 2009, quando os gastos somaram R$ 217 bilhões).


Uruguai lança programa social para transexuais de baixa renda


O governo do Uruguai lançou nesta semana um programa social que prevê a distribuição de cestas básicas e trabalho remunerado para transexuais.

"Até agora, nossos programas sociais não davam acesso específico aos transexuais. Com este programa queremos abrir espaço para três questões: identidade, alimentação e inclusão social e trabalhista", disse à BBC Brasil o diretor nacional de política social do Ministério de Desenvolvimento Social do país, Andrés Scagliola.

A medida, segundo Scagliola, tem o objetivo de tirar os transexuais da marginalidade social. Até então, o grupo não era amparado pelos programas de distribuição de renda do governo.

"Nossos programas sociais preveem benefícios para famílias que têm filhos menores de 18 anos e renda insuficiente para uma vida digna. Mas eles (os projetos) não previam esta ajuda para os transexuais", disse o diretor.

Para ser incluído nesses programas, a pessoa deverá assinalar "transexual" no cadastro administrativo do ministério.

Os interessados vão poder se inscrever no ministério a partir de janeiro de 2012. Estima-se, a partir de estudo realizado pela Universidad de la República, em Montevidéu, que cerca de 3 mil pessoas poderiam ser atendidas pelo novo programa em todo o país.

"(Os participantes do programa) serão cadastrados como transexuais e atendidos com ajuda alimentar ou uma renda fixa a partir de trabalhos para instituições públicas, como melhorias numa praça ou numa escola, por exemplo", disse Scagliola.

‘Sensibilização’
Antes, porém, os funcionários do ministério passarão por um treinamento.

"É um trabalho para sensibilizar os próprios funcionários, para prepará-los. Não podemos ter um programa de acesso e depois criar dificuldades para que os futuros beneficiados tenham acesso a ele", diz Scagliola.

Atualmente, o governo uruguaio possui dois programas que seriam ampliados para os transexuais – cartão alimentício, distribuído para os que estão na extrema pobreza, e o chamado Uruguai Trabalha, que oferece benefícios em troca de trabalhos para alguma instituição pública e prevê pagamento mensal de cerca de R$ 360.

O novo programa para transexuais se soma à aprovação da lei de identidade de gênero, que entrou em vigor em 2009 no Uruguai.

Desde então, os uruguaios que quiserem podem assumir sua nova sexualidade e novo nome na certidão de nascimento e demais documentos

BBC Brasil

Com aborto seletivo e favorecimento a homens, mundo perde 2 milhões de mulheres ao ano

?Salvem as meninas?, dizem os cartazes carregados por adolescentes indianas no Dia Internacional das Meninas: país é um dos recordistas em abortos seletivos no mundo / AFP



WASHINGTON - O nascimento de uma filha, que ele conceda em outro lugar, aqui que ele conceda um filho", diz o texto sagrado Atarvaveda, referindo-se a um dos deuses do hinduísmo. A escritura divina do segundo milênio a.C. ilustra um desafio permanente e atual enfrentado pela Índia: o pouco valor concedido à mulher na sociedade. O país asiático é um dos principais, ao lado da China, a afrontar os problemas de bebês do sexo feminino "ausentes" no nascimento e do alto índice de mortalidade de meninas entre 0 e 5 anos de idade.

Segundo o último relatório do Banco Mundial (Bird) sobre "Igualdade de Gênero e Desenvolvimento", anualmente no mundo 1,427 milhão de bebês do sexo feminino não chegam a nascer por causa do aborto seletivo, e 617 mil meninas morrem até alcançar os 5 anos por negligência de gênero - quando pais aprisionados pela pobreza preferem dedicar seus parcos recursos aos filhos homens.

O estudo do Banco Mundial mostra um aumento do número de abortos seletivos por preferência de sexo na China de 890 mil, em 1990, para 1,092 milhão, em 2008. Na Índia, no mesmo período, embora tenha registrado uma pequena redução de 265 mil para 257 mil, o número ainda é considerado elevado.

- Eles estavam furiosos. Não queriam meninas na família. Queriam meninos, assim poderiam receber fartos dotes - disse à BBC, referindo-se à prática de o homem receber um dote da família da noiva, proibida por lei mas ainda em prática na Índia.

O relatório do Bird aponta ainda a duplicação do número de abortos seletivos em países do Leste da Europa e no Cáucaso - principalmente na Sérvia, no Azerbaijão e na Geórgia - de 7 mil (1990) para 14 mil (2008). Para todos os casos, as explicações de autoridades, pesquisadores e ONGs são similares, com diferentes intensidades segundo as especificidades de cada país: nas sociedades em que a mulher é pouco valorizada, o problema foi agravado pelo declínio da fertilidade, provocado pela melhora do nível de vida da população, e por um fácil acesso a exames que possibilitam saber o sexo do bebê nas primeiras semanas de gravidez.

- Sei que minha mulher sofre por causa disso, mas uma família armênia não fica completa sem um herdeiro masculino para levar o nome adiante - justifica-se o armênio Suren Nahapetyan, que obrigou a mulher a abortar a segunda filha por ter condições de criar apenas dois filhos e já ter uma menina em casa.

Com problemas semelhantes, Armênia, Azerbaijão e Geórgia estão na mira do Conselho da Europa, prestes a analisar um relatório sobre abortos seletivos no Cáucaso.

Desequilíbrio populacional
Shidur Shetty, codiretor do relatório do Bird, explica que a ascensão social alterou o padrão de famílias numerosas em países mais pobres.

- Em partes da Índia, o costume era ter até seis filhos. Mas quando melhoram de vida e se tornam mais organizadas, as famílias só querem ter duas crianças, e a preferência é por meninos. Na China, com a política de "um só filho", os pais fazem de tudo para ter um menino.

Uma das razões para isso é a tradição chinesa de caber ao filho homem mais velho tomar conta dos pais na velhice - uma garantia de sobrevivência num país ainda majoritariamente agrário e sem um sistema de previdência social eficaz.

Em relação à mortalidade infantil de meninas, embora credite parte da responsabilidade à discriminação de gênero, o economista do Banco Mundial ressalta a influência das questões de saúde.

- Se os dois filhos, um menino e uma menina, estão doentes com diarreia, pode ocorrer que a menina leve mais tempo para ser levada a um hospital. Mas o principal fator ainda é o fato de ela ter ficado doente por escassez de água potável e de saneamento.

As estatísticas de mortalidade de meninas nesta faixa etária mostram que, de 1990 a 2008, o número de mortes caiu na China, de 259 mil para 71 mil, e na Índia, de 428 mil para 251 mil, mas aumentou na África Subsaariana, de 183 mil para 203 mil.

Coreia do Sul reverteu problema
A coordenadora do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) no estado indiano de Maharashtra, Anuja Gulati, revelou dados ainda mais alarmantes do que os divulgados pelo Banco Mundial num seminário local na semana passada: ocorrem cerca de 1.600 abortos seletivos por dia na Índia.

- Se continuarmos na mesma velocidade, chegaremos a apenas 900 meninas para cada mil meninos em 2012 - alertou Anuja.

Shireen Miller, diretora da ONG Save the Children na Índia, destaca a ampla acessibilidade aos exames de ultrassonografia e ecografia, mesmo que de uso proibido pelo governo para fins de seleção de sexo, como uma das pontas do problema.

- A tecnologia piorou o problema. Mas o fato é que se não houvesse uma desvalorização tão profunda da mulher na sociedade, essa tecnologia não seria usada para isso. É uma questão cultural, só leis não adiantam. São necessárias mais campanhas, mais discussões. Mas é um processo de mudança muito longo.

Entre más notícias, os especialistas comemoram a melhora da situação na Coreia do Sul, país em que, por meio de uma intensa campanha do governo de valorização da mulher na sociedade e inserção de mão de obra feminina no mercado de trabalho, a proporção do número de homens em relação ao de mulheres caiu de 118 para cada 100, em 1990, para 106,7 em 2010.

- Em uma geração, a Coreia, que tinha as mesmas questões de China e Índia, conseguiu diminuir o problema - assinala Shidur.

O Globo
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