sexta-feira, 18 de novembro de 2011

"Tchau, drogado, volta amanhã"


Até a presidente Dilma parece insatisfeita com o atendimento pífio que o Brasil dá aos dependentes de álcool e drogas. Por que insistir no fracasso?

Afirmar isso ou aquilo sobre o comportamento e a personalidade da presidente Dilma é arriscado. Até os iniciados no mundo da política (o que não é, absolutamente, o meu caso) sofrem para detectar quais são os traços autênticos de Dilma. Dizem que ela é austera. Dizem que tem pavio curto. Dizem que não economiza nas broncas.
Uma amostra das descomposturas que a presidente estaria passando nos ministros e nos colaboradores foi relatada pela jornalista Vera Magalhães na interessante reportagem publicada no domingo (13/11) pelo jornal Folha de S. Paulo. O que mais chamou minha atenção foi o seguinte trecho:

“A presidente comandava uma reunião com representantes de vários ministérios para discutir o lançamento de uma política de saúde para pessoas com deficiências. Quando um funcionário do Ministério da Saúde sugeriu uma sigla para identificar a nova política, Dilma cortou:
-- O quê? Você está me sugerindo mais uma sigla? Você sabe quantas siglas tem no Ministério da Saúde? – e se pôs a enumerar várias delas. Ao citar os CAPs-AD (Centros de Atenção Psicossocial Antidrogas), voltou-se para um ministro ao seu lado:
-- Você sabia que os CAPs-AD fecham às 18h? Você chega para o drogado e fala: “Drogado, são 18h. Tchau, drogado, volta amanhã!”

Finalmente alguém no governo federal parece ter percebido o absurdo que é a estrutura de atendimento aos dependentes de álcool e drogas no Brasil. Eles e suas famílias não são os únicos afetados. Toda a sociedade sofre. A política de saúde mental do Ministério da Saúde tem sérios problemas. O principal é estar baseada muito mais em ideologia e preconceito do que em medicina.

Se quem percebeu que o serviço está mal feito foi justamente quem manda na casa, a notícia é ótima. Pode ser um sinal de que as coisas finalmente podem começar a mudar. Para melhor.

Quem tem na família um dependente químico (de drogas ou álcool) ou um doente com depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, transtorno obsessivo-compulsivo e outros problemas psiquiátricos sabe que essa estrutura de atendimento baseada nos CAPS não dá conta do problema. Por mais bem intencionados que os defensores desse modelo sejam.

A história é antiga. No final dos anos 80 ganhou força no Brasil um movimento chamado de luta antimanicomial ou de reforma psiquiátrica. Pregava a extinção dos manicômios, nos quais os pacientes eram abandonados, maltratados e submetidos a situações degradantes.
Ninguém pretende que esses horríveis depósitos de gente renasçam no Brasil. Mas é preciso reconhecer que dependentes de álcool e drogas e doentes psiquiátricos em estado grave podem precisar de internação. Os doentes (independentemente de sua condição social) merecem uma internação em hospital adequado, com atendimento psiquiátrico eficaz e a dignidade que todo sofredor merece.

As famílias dos pacientes enfrentam hoje uma enorme dificuldade para internar quem precisa. O poeta Ferreira Gullar, que teve dois filhos esquizofrênicos, denunciou a situação numa reportagem que foi capa de ÉPOCA.

Desde 1989, cerca de 70% dos leitos psiquiátricos do país foram fechados. O Ministério da Saúde investiu nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Nesses locais, o paciente recebe medicação e acompanhamento semanal. A ideia é atendê-lo sem retirá-lo do convívio da família e da comunidade. Quando a situação do paciente complica, no entanto, os familiares não conseguem vaga num leito psiquiátrico em hospitais comuns.

Vários municípios discutem a internação compulsória de dependentes de crack, uma polêmica muito bem retratada pelos colegas Mariana Sanches, Matheus Paggi e Eduardo Zanelato nesta outra reportagem de capa. A pergunta que não quer calar é “internar onde?”

Em meio a uma verdadeira epidemia de crack, o Brasil dispõe de apenas 268 centros de atendimento de casos de álcool e drogas (CAPS-Ad). Eles funcionam apenas até as 18 horas. Só de segunda a sexta-feira.

O país inteiro tem apenas três (!!!) centros 24 horas, segundo o Ministério da Saúde. Um em Petrópolis (RJ) e dois em São Bernardo do Campo (SP). Pelo sistema de atendimento vigente no Brasil é preciso surtar em horário comercial. Não sei se a bronca de Dilma foi dirigida à pessoa certa, mas foi merecida.

O mais estranho nessa história toda é que o Ministério da Saúde parece não estar interessado em ouvir os psiquiatras. Procurei vários deles, a maioria especialista no tratamento de dependentes de álcool e drogas, para saber como receberam o comentário da presidente.

“A Dilma é muito inteligente. Se o problema chega até a presidente, ela consegue dar resolução”, afirma Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “O problema é que ela está muito mal assessorada na área de saúde mental. Nos colocamos à disposição do Ministério da Saúde para ajudar a repensar o sistema e não fomos ouvidos”, diz.

CAPS são úteis, mas não podem ser o único recurso disponível. Sozinhos, esses centros não têm competência para prestar assistência adequada aos doentes. Fechar leitos psiquiátricos e abrir mais CAPS não resolve o problema. Sem nenhum demérito às equipes multiprofissionais que trabalham neles, esses centros deveriam ser recursos complementares. Por que o governo insiste no erro?

“Por um infantil viés ideológico, quem defende o modelo atual acredita que as dependências químicas são uma construção social e os dependentes são vítimas da injustiça social”, diz Marco Antonio Bessa, presidente da Sociedade Paranaense de Psiquiatra.

Na prática, a atual orientação da política de saúde mental brasileira sataniza a psiquiatria. Parte do pressuposto de que todos os psiquiatras estão mancomunados com a indústria farmacêutica e nega os avanços que essa área da medicina trouxe para a compreensão e tratamento de tantos males e aflições.

É claro que existem maus profissionais na psiquiatra -- como em qualquer outra área do conhecimento e do mercado de trabalho. É claro que a indústria tem interesses comerciais e seduz os médicos, a imprensa e o público. É claro que há exagero no diagnóstico e na medicação de “doenças” que, muitas vezes, são apenas a expressão de comportamentos fora do padrão esperado pela sociedade. Tudo isso existe e é grave.

O problema é o radicalismo. Negar os benefícios que a psiquiatria trouxe nas últimas décadas é tão grave quanto medicar e internar quem não precisa.

Diante da crise aberta pela dependência de drogas, o governo e a sociedade precisam ouvir os psiquiatras – mesmo que seja para discordar deles.

“Às vezes fico pensando que em breve as internações em UTIs, os choques para ressuscitação e as radioterapias também serão vistos como ações arbitrárias e violentas dos médicos – esses lacaios do biopoder a serviço da opressão e da exploração da humanidade”, diz Bessa.

O professor Ronaldo Laranjeira, da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), acha que a presidente precisa se informar melhor. “Se ela soubesse da missa a metade, ficaria ainda mais preocupada”, diz. “Até hoje o Ministério da Saúde não tem uma política assistencial em relação ao tratamento do crack. Nem mesmo para o alcoolismo existe um mínimo de padronização do que se deveria fazer”.
Segundo Laranjeira, os CAPS-Ad são caros e ineficientes. Cada centro custa, em média, R$ 200 mil. “Nunca conheci um CAPS que faça mais de mil atendimentos por mês. Portanto, cada consulta custa ao redor de R$ 200. A adesão ao tratamento é muito baixa e a eficácia do tratamento é absurda”, afirma.

Não se tem notícia de que algum dia o Ministério da Saúde tenha realizado uma avaliação de custo-benefício nesses locais. “Se fizesse, 90% deles teriam de ser fechados”.

Há quem acredite que na gestão Dilma a política vigente sobre drogas finalmente começa a ser questionada. Essa é a opinião de Analice Gigliotti, vice-presidente da Associação Psiquiátrica do Estado do Rio de Janeiro. “O comentário da presidente é absolutamente pertinente. Um dependente de drogas não escolhe a hora de querer se tratar. Não escolhe a hora de precisar de tratamento. Se pudesse escolher, não seria um dependente de drogas”.
Em vez de promover a abstinência de drogas, o objetivo dos CAPS-Ad é reduzir o consumo. É a ideia da redução de danos. “Isso é inadequado porque são muito poucos os dependentes que conseguem reduzir o uso. Eles voltam a usar drogas na mesma quantidade que usavam antes. Basta ver o que acontece com os fumantes que tentam reduzir a quantidade de cigarros. Não funciona”, diz Analice.

Durante três dias, tentei entrevistar um representante do Ministério da Saúde. Ninguém me atendeu. O governo sabe que a coisa vai mal. É bom saber que a presidenta também tomou consciência disso. Talvez esse seja o momento de reformar o que precisa ser reformado. Estou convencida de que não é a psiquiatria.

Época

Panfletos ameaçam usuários de maconha no campus da USP


Material foi divulgado por estudantes pelas mídias sociais.
Além das ameaças, panfleto, assinado pelo CCC, ironiza morte de Herzog.


Panfletos com ameaças a usuários de maconha estariam sendo distribuídos na Cidade Universitária, na Zona Oeste de São Paulo, por um grupo ultraconservador. Alguns estudantes da USP postaram fotos dos panfletos nas mídias sociais, como o Facebook. Nele, há uma foto de um grupo de carecas, alusivo aos skinheads ou Carecas do ABC, tribos conhecidas pelo uso da violência e por serem de ultradireita.

No entanto, a suposta assinatura do documento é do CCC, sigla que significa Centro de Caça aos Comunistas, que surgiu na década de 1960 na Universidade Mackenzie. Em 3 de outubro de 1968, integrantes do CCC entraram em confronto com estudantes da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, em episódio que resultou na morte do estudante secundarista José Carlos Guimarães, então com 20 anos, com um tiro na cabeça.

Outros três universitários foram baleados e dezenas ficaram feridos. O episódio entrou para a história como a Batalha da Maria Antônia, em referência à rua, na região central, que serviu de palco para a briga. Os estudantes que iniciaram o movimento contra a presença da Polícia Militar, no início de outubro, após três alunos terem sido flagrados com maconha no campus, foram, justamente, os da FFLCH.

No panfleto, o grupo defende o convênio da USP com a Polícia Militar, assinado no começo de setembro. “Atenção drogado! Se o convênio USP-PM acabar, nós que iremos patrulhar a Cidade Universitária”, diz. Outra frase afirma: “Maconheiro: aqui você não terá paz!”. Em outro panfleto, distribuído conjuntamente, há uma foto do jornalista Vladimir Herzog, torturado e morto pelos agentes da Ditadura Militar nos porões do DOI-CODI, em outubro de 1975, aos 38 anos.

Abaixo da foto, se lê: “Suicídio é triste, né?” Ao lado da frase, há uma máscara sorridente. A versão oficial apresentada na época pelos representantes do regime foi a de que o jornalista de origem iugoslava teria se suicidado, utilizando o próprio cinto, como aparece na foto. No entanto, testemunhos de presos na mesma época relataram que ele foi assassinado sob tortura.

Integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP também ficaram sabendo dos panfletos com as ameaças pela internet. O fato, inclusive, foi comentado na assembleia geral realizada na noite de quinta-feira (17) no prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. “Não vimos nenhum (panfleto) no campus até o momento, mas se houver algum partiu de um grupo extremamente minoritário na USP”, disse Renan Teodoro, diretor do DCE, que classificou o material de “mau gosto” e “quase infantil”.

No entanto, ressaltou que é uma manifestação preocupante. “Evidentemente que preocupa esse tipo de intolerância, até mesmo na cidade. Temos o exemplo dos meninos da Paulista que foram agredidos com lâmpadas fluorescentes”, disse.

A assessoria de imprensa da USP informou que a reitoria não iria comentar o assunto.

G1

Pistoleiros matam líder indígena, diz Cimi

O cacique Nísio Gomes (no centro da foto acima) foi executado com tiros de calibre 12

A Polícia Federal e uma comitiva com integrantes da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e conselho Aty Guassu (Grande Assembleia Guarani) estão no acampamento Tekoha Guaiviry, entre os municípios de Amambai e Ponta Porã (MS), onde uma comunidade Kaiowá Guarani foi atacada por um grupo com cerca de 40 pistoleiros - munidos com armas de groso calibre - na manhã desta sexta-feira (18).

O massacre ceifou a vida do cacique Nísio Gomes, 59 anos, executado com tiros de calibre 12. Depois de morto, o corpo do indígena foi levado pelos pistoleiros – prática vista em outros massacres cometidos contra os Kaiowá Guarani no MS. As informações são preliminares e transmitidas por integrantes da comunidade. Não se sabe se além de Nísio outros indígenas foram mortos.

Os relatos dão conta de que os pistoleiros sequestraram mais dois jovens e uma criança; por outro lado, apontam também para o assassinato de uma mulher e uma criança.

“Estavam todos de máscaras, com jaquetas escuras. Chegaram ao acampamento e pediram para todos irem para o chão. Portavam armas calibre 12”, disse um indígena da comunidade que presenciou o ataque e terá sua identidade preservada por motivos de segurança.

Conforme relato do indígena, o cacique foi executado com tiros na cabeça, no peito, nos braços e nas pernas. “Chegaram para matar nosso cacique”, afirmou. O filho de Nísio tentou impedir o assassinato do pai, segundo o indígena, e se atirou sobre um dos pistoleiros. Bateram no rapaz, mas ele não desistiu. Só o pararam com um tiro de borracha no peito. Na frente do filho, executaram o pai. Cerca de dez indígenas permaneceram no acampamento.

O restante fugiu para o mato e só se sabe de um rapaz ferido pelos tiros de borracha – disparados contra quem resistiu e contra quem estava atirado ao chão por ordem dos pistoleiros. Este não é o primeiro ataque sofrido pela comunidade, composta por cerca de 60 Kaiowá Guarani.

Decisão é de permanecer

Desde o dia 1º deste mês os indígenas ocupam um pedaço de terra entre as fazendas Chimarrão, Querência Nativa e Ouro Verde – instaladas em Território Indígena de ocupação tradicional dos Kaiowá. A ação dos pistoleiros foi respaldada por cerca de uma dezena de caminhonetes – marcas Hilux e S-10 nas cores preta, vermelha e verde. Na caçamba de uma delas o corpo do cacique Nísio foi levado, bem como os outros sequestrados, estejam mortos ou vivos.

“O povo continua no acampamento, nós vamos morrer tudo aqui mesmo. Não vamos sair do nosso tekoha”, afirmou o indígena. Ele disse ainda que a comunidade deseja enterrar o cacique na terra pela qual a liderança lutou a vida inteira.

“Ele está morto. Não é possível que tenha sobrevivido com tiros na cabeça e por todo o corpo”, lamentou. A comunidade vivia na beira de uma rodovia estadual antes da ocupação do pedaço de terra no tekoha Kaiowá. O acampamento atacado fica na estrada entre os municípios de Amambai e Ponta Porã, perto da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Conforme recente publicação do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência praticada contra os povos indígenas do MS nos últimos oito anos, no estado está concentrada a maior quantidade de acampamentos indígenas do País, 31 - há dois anos, em 2009, eram 22.

São mais de 1200 famílias vivendo em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas. Expostas a violências diversas, as comunidades veem suas crianças sofrerem com a desnutrição – os casos somam 4 mil nos últimos oito anos - e longe do território tradicional.

Atualmente, 98% da população originária do estado vivem efetivamente em menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em dados comparativos, cerca de 70 mil cabeças de gado, das mais de 22,3 milhões que o estado possui, ocupam área equivalente as que estão efetivamente na posse dos indígenas hoje.

Sobre o território Com relatório em fase de conclusão pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a área ocupada pela comunidade está em processo de identificação desde 2008. Por conta disso, o ataque tem como principal causa o conflito pela posse do território. A região do ataque fica a meia hora da fronteira com o Paraguai. Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ministério Público Federal (MPF), referente ao processo de demarcação da Terra Indígena, está em execução.

Fonte: Conselho Indigenista Missionário

Correio do Estado

Grupos folclóricos comemoram mês da Consciência Negra em Recife (PE)


Várias pessoas participaram de caminhada saindo do parque 13 de Maio nesta sexta

Grupos folclóricos e populares participaram de uma caminhada em celebração ao mês da Consciência Negra, saindo do parque 13 de Maio, no centro de Recife (PE), nesta sexta-feira (18).

Até o Dia da Consciência Negra, comemorado no próximo domingo (20), muitos eventos ainda devem acontecer na cidade

R7

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O PODER SOBRENATURAL DO CRACK


Há algum tempo atrás um cidadão aparentando ter pouco mais de trinta anos, vagava pelas ruas centrais de Aracaju, como de costume, pois noutra vez eu já tinha observado os seus passos nas mesmas cercanias. Mostrava estar triste e deprimido como nunca, talvez como sempre.



O dia de sábado era como outro qualquer na sua vida e na vida da cidade, pois o vento que soprava quente era o mesmo, o sol abrasante e causticante a tudo esquentar era o mesmo, as pessoas indiferentes, passando de um lado para o outro das ruas e nas calçadas, afastando-se do citado cidadão em misto de medo e asco eram as mesmas, a agencia bancaria a qual ele entrara era também a mesma.



Entretanto, aquele carrancudo cidadão, barbudo, cabeludo, sujo, maltrapilho, esquelético, parecendo seriamente doente me lembrava de alguém, alguém conhecido, alguém que um dia já mantivera algum tipo de contato verbal comigo, mas, por mais que eu tentasse me lembrar de quem seria aquela misteriosa pessoa não conseguia.



Demasiadamente curioso, dessa vez olhei mais demoradamente para aquele estranho e intrigante cidadão enquanto ele tirava dinheiro no cash do banco no mesmo instante em que as outras pessoas que ali estavam presentes trataram de fugir do recinto pensando ser ele um assaltante, um bandido ou delinquente qualquer, talvez um maluco andarilho.



Ele não demostrou surpresa pelo fato das pessoas assim agirem, parecia acostumado com isso, com essa humilhação, sabia que a sua aparência era assustadora apesar de saber que não era um marginal, parecia não estar ali naquele momento, noutro mundo, não ligar para o que acontecia a sua volta, parecia nada temer, talvez se a Terra explodisse para ele seria normal.



Temia somente um novo ataque de bronquite que se avolumava no seu pulmão devido a tosse grossa e pesada que insistia na sua garganta a fazer tremer a sua longa e imunda barba que carregava em igual modo com o seu cabelo escarafunchado e embuchado tal qual uma casa de cupim . As suas perspectivas eram as piores possíveis.



Certamente mergulhado em pensamentos pessimistas, nem sequer notou que eu sem disfarçar tanto olhava para ele querendo me lembrar de onde o conhecia, até que o guarda do banco chegou de um possível cafezinho e me falou: - Tá vendo o que o crack faz? ... Ele era um Advogado!...


Foi aí que tudo emergiu, veio à tona; foi ai que tudo me chegou à mente; foi ai que o mistério foi revelado; foi ai que pude decifrar todos seus segredos; foi ai que vi o quanto o destino das pessoas pode ser cruel para uns e bondoso para outros; foi aí que eu vi aquele cidadão, antes promissor Advogado conversando comigo em algumas oportunidades nos corredores do Tribunal de Justiça e em determinada Delegacia que trabalhei, assuntos relacionados a Processos criminais ou Inquéritos policiais; foi aí que me lembrei de uma reportagem que um jornal sergipano fez sobre uma mãe em desespero querendo libertar o seu querido filho, estudioso, carinhoso, alegre e feliz com a vida, então Advogado preso nas garras do crack;

foi ai que soube que os familiares desse cidadão tentavam interna-lo em clinica apropriada, mas ele se recusava tal tratamento por conta do poder avassalador e sobrenatural do crack que o arrastava cada vez mais para o fundo do poço; foi ai que lembrei que aquele Advogado entrou no imundo mundo do crack por conta de ter se envolvido com um traficante após conseguir sua liberdade na Justiça;

foi ai que lembrei da citada matéria jornalística dizendo que aquele Advogado se desfez do seu escritório, do seu carro, dos seus bens, vendendo ou trocando tudo pelo crack ou para pagar dívidas com traficantes; foi ai que eu senti que aquele cidadão abandonou a sua casa e passou a morar no submundo da sociedade de Aracaju, nas ruas, no mercado central, nas marquises dos prédios ou em pensões baratas junto à prostituição rasteira, com seus iguais, pelo crack e para o crack;

foi ai que eu imaginei que aquele cidadão então sobrevivia de algum dinheiro que ainda restava da venda dos seus bens, ou quem sabe, de depósitos efetuados por familiares na sua conta bancaria; foi ai que eu vi que um cidadão bem vestido, alinhado, com terno, paletó e gravata impecáveis pode se transformar num mendigo, num zumbi, num morto-vivo; foi ai que eu vi que a vida daquele cidadão era somente o crack.


Certamente sentindo-se arrasado, desesperado, impotente para resolver o seu próprio infortúnio, o seu calvário, lançando um olhar no passado esse cidadão, antes feliz Advogado, viu o rumo errado que tomou, mas não teve forças para voltar atrás, não queria se curar, não admitia tratamento porque o crack era mais forte do que a sua vontade, o crack era mais forte do que ele.



O seu presente era só o crack, o crack como o senhor do seu viver, o crack como seu dominador, o crack como destruidor da sua família, o crack como aniquilador da sua vida. Crack e desgraça são indissociáveis e quase palavras sinônimas.


O crack é o grande mal do século, o mal dos males, a pior de todas as drogas, que se não for um mal que todos nós estejamos esclarecidos, irá nos afetar em qualquer momento de nossa vida ou na vida de quem mais amamos, como de fato aconteceu com esse cidadão e sua família, um jovem que estudou nos melhores colégios, que teve boas amizades, que se formou em Direito, que se tornou um Advogado, que tinha um bom escritório, que pretendia ser juiz por isso adormecia em cima de livros de tanto estudar, que tinha um bom futuro pela frente, mas que por ironia do destino, pelo poder sobrenatural dessa droga, tudo trocou pelo crack.

Rodeado e instado pelos sentimentos humanitários de enternecimento, compaixão, piedade até porque sempre fui dos maiores combatentes do crack, tanto na área repressiva quanto preventiva, com prisão de grandes traficantes na minha careira policial e inúmeros artigos de minha autoria pertinentes ao tema publicados em centenas de sites do Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, logo pensei em falar com ele, oferecer algum tipo de ajuda moral, espiritual, mas seu olhar sisudo e com possibilidade de algum tipo de agressão me afastaram, me reprimiram até porque ele também não me reconheceu.

Entretanto, todas as vezes que caminho pela citada área de Aracaju, procuro em vão e insistentemente com os meus curiosos olhos pelo triste cidadão entre os inchadinhos de cachaça ou barbudinhos zumbis do crack em muitos espalhados pela redondeza. Se o cidadão aceitou fazer tratamento, se fez ou faz tratamento em clinica de recuperação não sei, só sei que o poder de imensa e infinita bondade do nosso Criador pode sobrepor e derrotar o poder sobrenatural do crack como assim já fez com muitos. Assim, um dia espero ver aquele alegre Advogado de volta aos corredores do Tribunal de Justiça ou em Delegacias defendendo os seus clientes, menos os traficantes.

Autor: Archimedes Marques (Delegado de Policia no Estado de Sergipe. Pós-Graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela Universidade Federal de Sergipe) –

archimedes-marques@bol.com.br

MP quer que acusado de crime na Oscar Freire seja julgado por latrocínio


Promotora entrou com recurso contra decisão em que réu será acusado por homicídio

O Ministério Público de São Paulo entrou com um recurso para que seja revista a decisão da Justiça que modificou de latrocínio (roubo seguido de morte) para homicídio o tipo do crime pelo qual Lucas Cintra Rosseti, suspeito de matar duas pessoas em um apartamento na rua Oscar Freire em agosto, responderá. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do MP.

A promotora Cecília Freitas Ribeiro entrou com o pedido na semana passada. Ela estava substituindo a promotora do caso, Adriana Helena Ferreira Alves Mattos Vallada, que fez a denúncia pelo latrocínio, e estava de férias até esta quarta-feira (16).

O MP não deu detalhes dos motivos que fizeram a órgão recorrer da decisão judicial. O MP havia denunciado Rosseti por latrocínio, mas a juíza Isaura Cristina Barreira, da 30ª Vara Criminal da Capital, entendeu, em decisão do último dia 4, que o modo pelo qual ele é suspeito de ter atingido as vítimas está mais associado à intenção de matar do que de roubar.

A modificação do tipo de crime atende a um pedido da defesa, que queria ainda a liberdade de Lucas. A juíza não decidiu sobre esse último ponto, deixando-o para a Vara do Júri da Comarca da Capital, para onde o caso foi encaminhado.
A pena para crimes de latrocínio é a partir de 20 anos, já o homicídio é de a partir de 12 anos.

Lucas Cintra Rosseti foi preso em Sertãozinho, no interior de São Paulo, na manhã de 29 de agosto, suspeito de matar o analista de sistemas Eugenio Bozola e o modelo Murilo Rezende. No momento da prisão, ele confessou ter matado Bozola, mas negou o assassinato de Rezende.

De acordo com o delegado Mauro Dias, as imagens do circuito interno de TV de uma pizzaria foram decisivas para identificar o jovem de 21 anos, como o principal suspeito do assassinato.

O suspeito aparece nas imagens, gravadas no dia do crime, utilizando um tênis preto, que foi encontrado sujo de sangue no apartamento onde os corpos das vítimas foram encontrados. De acordo com o delegado, Rosseti, que já havia tido um relacionamento amoroso com Bozola, brigou com ele por não poder mais ficar hospedado no apartamento. Rosseti é natural de Igarapava, mesma cidade de Bozola.

R7

Brancos têm duas vezes mais acesso a planos de saúde no Brasil que negros


A população branca tem duas vezes mais acesso a planos de saúde em comparação aos negros, no Brasil.

Os dados são do Instituto Data Popular e vêm de uma pesquisa feita em parceria com o Fundo Baobá.

Segundo a pesquisa, 15,2% dos negros têm plano de saúde, contra 31,3%, dos brancos.

Para Athayde Motta, diretor do fundo, que levanta recursos para projetos voltados à população negra, "o acesso aos serviço é em geral pior para os negros, que vivem em locais mais distantes, onde o tratamento não é de qualidade".

"Se você ganha um pouquinho mais, a primeira coisa que faz é ter um plano de saúde privado e pagar escola particular para o filho. O sistema público de saúde e educação no Brasil ainda é muito ruim".

O dado sobre acesso a plano de saúde reflete a desigualdade racial no país, onde, segundo dados do Censo 2010 divulgados em maio passado, o número de pobres pardos ou pretos é 2,7 vezes o número de pobres brancos.

Dados da pesquisa do Instituto Data Popular indicam ainda que os negros continuam sendo minoria nos estratos mais ricos.

A classe A, por exemplo, é formada por 82,3% de brancos e 17,7% de negros. Já na classe E, os negros são 76,3% do total e os brancos 23,7%.

A classe C é a camada social onde há menos desigualdade entre brancos (56,9%) e negros (43,1%).

Médico particular
A cabeleireira Dulcinéia Luz, de 32 anos, nunca teve um plano de saúde.

Para o marido, a filha e os cinco irmãos, todos residentes em Araçoiaba da Serra, a 120 km de São Paulo, o SUS é a primeira opção quando precisam de atendimento médico.

"Penso em ter um plano de saúde no futuro, você nunca sabe quando pode precisar. Mas acho também que o SUS poderia melhorar. Se o SUS fosse bom, eu nem pensaria em ter um plano de saúde", diz.

Assim como outros milhões de integrantes da classe C, Dulcinéia viu a vida melhorar nos últimos anos. Sua filha hoje tem um computador, luxo impensável há alguns anos, assim como o acesso a um médico particular.
Sem plano de saúde, e descontente com os serviços do SUS, ela recorre a consultórios particulares se "a necessidade for grande".

"Quando acho que dá para ser atendida no SUS, vou ao SUS. Se for mais grave, eu pago", diz.

A pesquisa mostra que quando precisam de tratamento médico apenas 10,9% dos negros e 27,3% dos brancos recorrem a um médico particular.

Ambulatório

A primeira opção, para a maioria dos negros (64,5% deles), é o ambulatório de empresas e sindicatos. O índice entre os brancos que recorrem a ambulatórios é de 49,2%.

Esse é o caso de Marcelo Antonio de Jesus, 36 anos, residente na Penha, zona leste de São Paulo.

Jesus teve, por cinco anos, plano de saúde pago pela empresa para a qual trabalhava.

"Hoje os planos de saúde mais baratos têm pouca qualidade, o atendimento é demorado. Já os planos bons são muito caros", explica.

Educador de uma ONG, Jesus conta que gostaria de voltar a ter acesso a um plano privado, "com atendimento mais rápido".

Leia mais: Negro sofre 'discriminação institucionalizada' no serviço de saúde, diz diretor de ONG

BBC Brasil

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Analfabetismo em AL é quase três vezes maior do que no Zimbábue


Taxa entre a população com 15 anos ou mais caiu apenas 5,2 % em sete anos, ficando em 24,3%

A taxa de analfabetismo entre a população com 15 anos ou mais diminuiu quatro pontos percentuais entre 2000 e 2010, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mas apesar da redução nacional, de 13,6% para 9,6%, Alagoas ainda figura como o estado campeão em analfabetos, com 24,3% da população – em 2004, o número era de 29,5%. Com isso, supera nações como o Zimbábue, país africano cujo Produto Interno Bruto (PIB) per capita alcança apenas 5% do brasileiro e onde a taxa chega a ser quase três vezes menor, de 8,14%.

Em 10 anos, o Estado conseguiu reduzir a taxa em pouco mais de 9%, já que, em 2000, era de 31,8%. Contudo, a taxa também é maior que a nacional, em 13%, número bem inferior ao registrado em São Brás - município do Agreste alagoano com quase sete mil habitantes - onde 34,7% da população com mais de 10 anos é analfabeta.

Segundo a pesquisa, o Nordeste está entre as regiões que mais apresentaram redução (de 26,2% para 19,1%). A média mundial, segundo as estatísticas, foi de 16,32%, com a menor taxa encontrada em Cuba, de 0,17%, e a maior no Chade (39%), outro país africano.

Já no que diz respeito à renda, manteve-se uma tendência histórica nas capitais, com as regiões Sul e Sudeste detendo o melhor rendimento domiciliar per capita. Florianópolis-SC registrou o maior valor (R$ 1.573), com metade da população recebendo até R$ 900. Maceió, por sua vez, aparece entre as seis capitais cujo rendimento alcançava apenas 40% do observado na capital catarinense.

Sobre o índice de analfabetismo, a produção da Rádio Gazetaweb entrou em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde, que informou se manifestar sobre a pesquisa ainda nesta quarta-feira.

Mais números
E ainda no tocante à alfabetização, o IBGE revela que entre as crianças brasileiras de 10 a 14 anos, 3,9% ainda não sabiam ler e escrever em 2010, o que representa cerca de 671 mil crianças. Em 2000, o número deste contingente era de 1,2 milhão de crianças, ou 7,3% do total.

A pesquisa apurou ainda que as crianças que vivem em famílias pobres demoram mais para serem alfabetizadas. Considerando as crianças de 10 ou mais anos, o analfabetismo atinge 17,5% das que vivem em famílias com renda per capita de até um quarto do salário mínimo, 12,2% nas que vivem com renda de um quarto até meio salário, 10% nas de meio a um salário, e 3,5% nas de um a dois salários.

Nas faixas seguintes, a taxa de analfabetismo prosseguiu em queda, passando de 1,2%, na classe de dois a três salários mínimos, a 0,3%, na de 5 salários mínimos ou mais. Já na faixa entre 15 e 19 anos, a taxa de analfabetismo atingiu 2,2% em 2010, mostrando uma redução em relação a 2000, quando era de 5%.

Por outro lado, no contingente de pessoas de 65 anos ou mais, este indicador ainda é elevado, alcançando 29,4% da população nesta faixa de idade em 2010.

Censo
Participaram do Censo 2010 cerca de 190 mil recenseadores, que visitaram os mais de 5.500 municípios brasileiros. Ao todo, foram entrevistados representantes de 67,5 milhões de domicílios, no período de 1º de agosto a 31 de outubro – outras 899 mil residências foram consideradas fechadas.

Os primeiros dados da pesquisa, que identificou uma população de 190 milhões de pessoas, foram revelados em abril deste ano. Nesta quarta-feira, o IBGE divulgou dados considerados consolidados.

Gazetaweb

Analfabetismo cai, mas 671 mil crianças de 10 a 14 anos não sabem ler

O Brasil tem 9,6% de analfabetos entre sua população com 15 anos de idade ou mais, o que representa uma queda de 4 pontos percentuais do analfabetismo num período de dez anos, informou nesta quarta-feira o IBGE a partir de dados do Censo 2010.

Uma das quedas mais significativas do analfabetismo foi notada entre as pessoas de 15 a 19 anos: passou de 5% em 2000 para 2,2% em 2010.

Apesar da redução, os números de pessoas analfabetas seguem altos. Cerca de 671 mil crianças entre 10 e 14 anos não sabem ler e escrever (3,9% do total); na zona rural brasileira, 23,2% da população ainda não é alfabetizada. Entre as pessoas com 65 anos ou mais, a taxa de analfabetos chega a 29,4%.

Numa comparação entre Estados, o menor índice de analfabetismo foi observado no Distrito Federal (3,5%), e o maior, em Alagoas (24,3%).

O Censo também mostra uma persistente desigualdade de renda no país. Nas áreas rurais, o rendimento médio das pessoas era menos da metade em comparação com moradores urbanos; e as mulheres têm rendimento mensal médio cerca de 30% menor do que o dos homens.

O índice de Gini, que mede o grau de concentração de renda, ficou em 0,526 - sendo zero um cenário de igualdade perfeita de rendimentos e 1 um cenário de total desigualdade.

BBC Brasil

Polícia investiga caso de desaparecimento de bebê


Uma denúncia anônima levou a polícia até uma casa no bairro do Prado, no Recife, onde estava a mulher que levou um recém-nascido do Hospital Barão de Lucena. A GPCA investiga o caso.

G1
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