domingo, 24 de agosto de 2014

A relação das bebidas quentes com o câncer


Quanto mais avança o conhecimento sobre o que faz bem e o que faz mal para a saúde em relação ao hábitos alimentares, mais parece que há uma limitação no prazer de comer. E com as bebidas quentes a história não é diferente: ao consumir café, leite e chás - entre eles o chá verde e o chimarrão - deve-se ter atenção especial à temperatura das bebidas.

Isso porque, dizem pesquisas realizadas no mundo todo, as bebidas com temperaturas acima de 65ºC podem estar ligadas ao desenvolvimento de tumores na cavidade oral (lábios, língua, bochecha, céu da boca), faringe, esôfago e até mesmo estômago. Na outra ponta, a boa notícia é que o chá verde, sobretudo em temperaturas amenas, parece ser protetor contra o mesmo câncer de esôfago, particularmente em mulheres.

O médico titular Dr. André Luis de Godoy, do Núcleo de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo Cancer Center, explica que os estudos epidemiológicos ainda não são conclusivos. Porém, alerta que pesquisas feitas no Irã, em regiões onde o consumo do chá preto é altíssimo e a incidência do câncer de esôfago também a ligação parece ser mais consistente. Segundo ele, o desenvolvimento do câncer pode estar ligado às inflamações agudas que as bebidas em alta temperatura podem causar na parede interna do esôfago. Se a frequência de consumo é alta, as inflamações podem se tornar crônicas, o que, teoricamente, pode levar a danos celulares e promover a formação do carcinoma epidermoide, tipo de tumor esofágico.

"Além disso, testes mostram que beber água com temperatura superior a 54ºC pode potencializar o efeito de substâncias cancerígenas em contato com as mucosas da boca, faringe e esôfago, especialmente quando associada ao álcool e ao tabaco, conhecidos fatores de risco para o câncer nestes órgãos", afirma.

Ainda segundo Dr. André, no Rio Grande do Sul, onde o consumo de chimarrão é comum, estão as mais altas incidências de câncer de esôfago do país. A incidência também é alta no nordeste da Argentina e Uruguai, onde a tradição também é frequente. Porém, ainda não é totalmente esclarecido se a alta incidência da doença está relacionada à associação das altas temperaturas na ingestão dessa bebida, à quantidade ou à frequência do hábito, e/ou a um possível efeito carcinogênico (causador do câncer) da erva mate, ainda não comprovado.

Saiba mais

1. Bebidas quentes devem ser consumidas em temperaturas de até 60ºC, limite razoavelmente seguro. Acima disso, o risco de câncer devido à inflamação das mucosas da boca, faringe, esôfago e estômago podem aumentar conforme a temperatura.
2. No caso do leite e do pingado, muitos pedem temperaturas bem quentes, acima de 65ºC, mas o indicado é conter-se com temperaturas mornas, abaixo de 60ºC.
3. A temperatura do chimarrão, consumido pela maioria das populações das regiões Sul do Brasil, Argentina e Uruguai está em torno de 70ºC.
4. Os chás verdes são consumidos no Japão e China em temperaturas de até 80ºC e os chás pretos no Irã são consumidos em temperaturas de até 90ºC.
5. O esôfago é um órgão tubular que leva o alimento desde a garganta até o estômago. No Brasil, o tumor na região é o 6º mais frequente entre os homens e 15º entre as mulheres, com maior incidência depois dos 50 anos de idade.

Núcleo de Cirurgia Abdominal


O Núcleo de Cirurgia Abdominal do A.C.Camargo proporciona o tratamento de tumores de esôfago, estômago, pâncreas, fígado, metástases hepáticas, GIST, neuroendócrinos, dentre outros. Mantém contato permanente com as mais renomadas instituições internacionais para que haja a constante atualização da equipe em relação ao que há de mais moderno e eficiente para o manejo do câncer. Um dos grandes diferenciais da área é a realização de cirurgias de alta complexidade e a atuação integrada, com todas as especialidades envolvidas no tratamento oncológico dos tumores do aparelho digestivo e abdominais, desde a prevenção, tratamento até a reabilitação.

Dr. André Luis de Godoy - CRM/SP 93115
Médico titular do Núcleo de Cirurgia Abdominal

Dr. Wilson Luiz da Costa Jr - CRM 114602
Médico titular do Núcleo de Cirurgia Abdominal

sábado, 23 de agosto de 2014

Abdelmassih inseminava pacientes com seu sêmen


Roger Abdelmassih (foto), 72, especialista em reprodução humana in vitro, inseminou algumas de suas pacientes com seu próprio sêmen, sem que elas e seus maridos soubessem. A informação é de Ivanilde Vieira Serebrenic, que hoje (20) falou à imprensa no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no momento em que a Polícia Federal desembarcava com Abdelmassih, que foi preso ontem de manhã em Assunção, no Paraguai.

Ivanilde é uma das dezenas de vítimas de Abdelmassih, que foi condenado em primeira instância a 278 anos de prisão por ter estuprado em sua clínica cerca de 40 mulheres. Ela disse que tinha sido procurada por um casal que descobrira com exame de DNA seu filho obtido por inseminação não lhe pertence biologicamente. Apesar disso, de acordo com Ivanilde, o casal não vai mover ação contra Abdelmassih para não constranger o filho e a família. O Ministério Público de São Paulo tem a mesma informação.

Em 2009, quando o caso Abdelmassih estourou na imprensa, a Veja divulgou que o então médico garantiu em 1993 a um empresário do Espírito Santo e a mulher dele que poderia contornar com um tratamento inovador a infertilidade do casal. A mulher ficou grávida de gêmeos, e anos mais tarde o casal descobriu que as crianças eram biologicamente de outro pai.

Independentemente da condenação, a Delegacia da Mulher abriu em 2009 um inquérito para investigar acusações de casais de que Abdelmassih fazia manipulação genética, transplantando sem autorização, por exemplo, óvulos fecundados de algumas pacientes em outras.

Populares e vítimas de Abdelmassih o chamaram de “maníaco”, entre outras coisas, quando ele foi entregue pela Polícia Federal à Delegacia de Polícia do Aeroporto de Congonhas. “Eu tenho nojo desse homem, tenho medo, vontade de vomitar, seja bem-vindo ao inferno”, afirmou Vanuzia Leite Lopes, 54.

Ainda no aeroporto, ao ser abordado por uma jornalista, o ex-médico disse ser inocente e espera que a “Justiça faça justiça”. Na delegacia, ele chorou ao falar de seus filhos gêmeos.

A Polícia mandou Abdelmassih para o presídio de Tremembé (no interior do Estado), onde já esteve por cinco meses em 2009 antes de obter habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Abdelmassih, sua mulher, Larissa Maria Sacco, 35, e seus dois filhos pequenos viviam em Assunção havia três anos. O menino e a menina nasceram no Paraguai.

O ex-médico usava documentos falsos nos quais seu nome consta como "Ricardo Galeano", nascido em 6 de fevereiro de 1949, em uma localidade chamada de Dr. Francia.

A polícia brasileira suspeita que Abdelmassih tenha comprado de policiais paraguaios a identidade de uma pessoa morta. Larissa usava o seu próprio nome, ao menos na escola de seus filhos.

De acordo com o que apurou a Rádio Estadão, a ideia da fuga para o Paraguai foi de Larissa, então grávida.

Morava em uma casa de luxo em um bairro de classe média alta, a poucos metros da residência do presidente do Paraguai. Pagava aluguel de R$ 5 mil.

O ex-médico se apresentava com investidor brasileiro. Tinha um chofer e dois carros, um deles para levar os filhos à escola. Também contava com empregada, babá e cozinheira. O casal frequentava um restaurante onde consumia vinhos de primeira linha.

Disse a um delegado não ter mais bens.

Larissa já teria saído de Assunção com os filhos. Não há informação se ela também estava com documentação falsa. Ela é a segunda mulher de Abdelmassih. Sônia, a primeira, morreu de câncer em 2008. Esse casamento durou 40 anos.

O Ministério Público está investigando o esquema que deu apoio financeiro e logístico ao casal no tempo em que esteve foragido. As operações envolviam lavagem de dinheiro.

Com informações das agências, emissoras de TV e deste site e foto da Secretaria Nacional de Antidrogas do Paragua
i.

Paulopes

Médico estuprador: Abdelmassih diz que fuga foi ideia da mulher


Ele foi condenado a 278 anos por 52 estupros e quatro tentativas de abuso a 39 mulheres

O médico Roger Abdelmassih, de 72 anos, apontou sua mulher, a ex-procuradora da República Larissa Maria Sacco, de 37 anos, como a mentora de sua fuga para o Paraguai, há três anos e meio. A policiais civis e à rádio Estadão, durante conversa na quarta-feira (20), no Aeroporto de Congonhas, ele afirmou que foi "condenado escandalosamente", sem provas — a pena é de 278 anos de prisão por 52 estupros contra 39 vítimas.

Por volta das 16h de quarta-feira, o ex-médico chegou à capital paulista e passou por exame de corpo de delito na delegacia do terminal da zona sul, onde contou aos agentes sua estratégia de fuga e sua rotina em Assunção.

— Eu achava melhor me entregar. Minha mulher disse: 'Não, vamos embora'. Aí, falei com minha irmã que tem um haras em Presidente Prudente. Fomos para lá. De lá fomos para o Paraguai.

Capturado na capital do país vizinho na terça-feira (19), ele disse que só está preso porque pediu a renovação de seu passaporte em 2011 — o médico, um dos maiores especialistas em fertilização in vitro do Brasil, foi condenado em novembro de 2010 e recorria em liberdade.

— Eu estou preso, mas não existe prova nenhuma.

De volta a Tremembé, Roger Abdelmassih vai ficar em cela isolada

Segundo ele, sua intenção não era deixar o País.

— Eles [a Justiça e o Ministério Público] achavam que eu ia fugir, mas eu não ia. Ia passear. [...] Sabe por que eu fui tirar passaporte? Porque o meu passaporte tinha dois meses para vencer. O Juca [criminalista José Luis Oliveira Lima, que defende o médico] falou assim: 'Tem lugar que você não vai conseguir usar passaporte com dois meses'.

Abdelmassih contou, então, que procurou o criminalista Márcio Thomaz Bastos.

— Fui ao doutor Márcio: 'O senhor pode me ajudar?' A resposta foi: 'Não! Vai lá na Polícia Federal, e tira logo (o passaporte). [...] Quando fui buscar, a juíza mandou eu entregar. Aí, os advogados começaram a ver o que queriam: !'Ah, pode dar prisão'. Aí, a juíza substituta Jaqueline disse para o Juca: 'Fala para o seu cliente que não vou prender. Fala para ele ficar tranquilo'. Eu disse: 'Então, tá! Vamos para Avaré'.

Foi em uma fazenda no município paulista que promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) de Bauru encontraram as pistas para chegar até Assunção.

Aos policiais civis, Abdelmassih disse que, na época da fuga, estava tranquilo.

— Eu estava livre, eu estava solto. Aí, pum, me avisaram [da prisão] no meio do caminho. O Márcio falou: 'Eu acho melhor se entregar'. Minha mulher falou: 'Não, vamos embora!'.

Após o pedido de renovação do documento, a juíza Cristina Escher, da 16ª Vara Criminal, decretou sua prisão preventiva.

Médico das estrelas, Roger Abdelmassih já tratou de mulheres de Pelé e de Fernando Collor

Fuga e rotina


Antes de deixar o País, o médico contou que foi, ainda em 2011, para Jaboticabal, onde vive a família de sua mulher. Ele falou também sobre sua rotina em Assunção.

— Fiquei três anos e meio no Paraguai. Assunção é uma cidade boa. Gostam dos brasileiros. [...] Era uma bela casa. Uma casa daquelas aqui (o aluguel) custaria uns US$ 8.000. Lá custava US$ 1.800.

Segundo o preso, o imóvel foi alugado em nome de uma empresa aberta em sociedade com um amigo. Os filhos gêmeos nasceram no país vizinho.

— Não saía de casa sem peruca. E óculos. Ficava diferente do que eu era.

O médico relatou ter bons relacionamentos.


— Sempre fui querido. E vou te contar mais: o Nicolas Leoz [paraguaio, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol] teve dois filhos comigo. E eu não procurei ele, para não constranger.

Abdelmassih relatou sua captura.

— Quem me pegou foi o rapaz da Polícia Federal. Diz ele ter informação até da igreja, de uma "cliente" da igreja que me viu, mas principalmente depois da Veja, que estampa muito o rosto da Larissa.

Ele pediu reiteradamente para que fosse levado para a Penitenciária de Tremembé, para onde foi transferido.

— Eu só vou assinar [o mandado de prisão] na hora em que eu tiver certeza de que é Tremembé. Não quero ir lá e depois ficar em Guaratinguetá.

Ele disse que merece ficar solto e comparou seu caso ao mensalão.

— Se o [José] Genoino pode sair [da cadeia] por causa do problema [de saúde], eu posso também. Eu tenho uma prótese. Isso é muito pior.


R7

Macarrão instantâneo traz riscos para a saúde feminina, aponta pesquisa


Segundo estudo, alimento não deve ser consumido mais que duas vezes por semana

Mulheres que comem macarrão instantâneo pelo menos duas vezes por semana correm um risco maior de desenvolver pressão alta, glicemia e colesterol elevados, alertaram cientistas americanos nesta semana.

O estudo se concentrou na análise de dados de 10.711 adultos — mais da metade deles eram mulheres — na Avaliação Nacional Coreana de Saúde e Nutrição.

Cientistas da Universidade de Harvard descobriram um risco 68% maior de que mulheres — mas não os homens — venham a desenvolver a chamada síndrome metabólica ao comer macarrão instantâneo mais de duas vezes por semana.

A síndrome metabólica abrange um grupo de condições que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver doença cardíaca e diabetes e inclui o acúmulo de gordura na região abdominal.

"O consumo de macarrão instantâneo foi associado com um aumento da prevalência de síndrome metabólica nas mulheres, independentemente de padrões dietéticos mais abrangentes", destacou o estudo, publicado no Journal of Nutrition.

Em outras palavras, não importa se as mulheres ingeriram uma dieta constituída predominantemente de arroz, peixe e vegetais ou uma dieta mais pesada, baseada em carnes e comidas fritas. Se elas comeram macarrão instantâneo duas vezes por semana, corriam mais riscos de apresentar problemas de saúde. Não ficou claro, no estudo, porque a condição afeta as mulheres e não os homens.

Uma vez que os dados se basearam em avaliações, o cientista Frank Hu, professor de nutrição e epidemiologia em Harvard, cogitou as possibilidades de que as mulheres tenham dado informações mais precisas sobre suas dietas ou que elas sejam mais sensíveis aos efeitos de carboidratos, gorduras e sais.

Então, quanto é demais quando se trata de macarrão instantâneo?

— Uma ou duas vezes por mês não é problema. Mas algumas vezes por semana, realmente é — afirmou Hu, citado pelo jornal The New York Times.

Bem-estar

Nova lei em Salvador obriga hospitais a denunciar violência contra crianças e adolescentes


Casos de violência sexual, física ou psicológica ocorridos dentro ou fora do contexto familiar contra crianças e adolescentes, além de mulheres e idosos, terão que ser informados pelos profissionais de saúde de hospitais das redes pública e privada de Salvador.

É o que determina nova lei, publicada no Diário Oficial do Município na última sexta-feira (16). Os dados do hospital serão encaminhados a um comitê especializado, formado por delegacias de proteção especial, Ministério Público e ONGs. As informações de casos de violação, tortura, maus-tratos, tráfico de pessoas, prostituição forçada, entre outros, devem ser registradas contendo o nome do agressor.

A lei será regulamentada dentro de 90 dias e prevê ainda a capacitação de profissionais para atender as vítimas. Ela também será válida em instituições de ensino.

promenino

Último preso da Ilha Grande conta dias para fim da pena

Júlio de Almeida, de 83 anos, é o último prisioneiro da Ilha Grande, no Rio de Janeiro, três décadas após a implosão do presídio. Almeida ganhou liberdade condicional antes da desativação da prisão, mas decidiu cumprir lá mesmo o resto de sua pena em liberdade condicional. Neste ano, ele deve finalmente completar as sentenças por homicídio e roubo. O jornalista da BBC Gibby Zobel conversou com ele na ilha que – de criminosos e presos políticos – passou a receber multidões de turistas.



 BBC Brasil

Roger Abdelmassih é condenado a R$ 500 mil por trocar sêmen


O médico Roger Abdelmassih, 70, foi condenado a pagar R$ 500 mil de indenização a um casal de irmãos, gerados na clínica dele, por ter usado o sêmen de um desconhecido no tratamento de fertilização contratado pelos pais.

Reuters

Médico Roger Abdelmassih foi condenado a pagar R$ 500 mil de indenização a um casal de irmãos, gerados na clínica dele.

A ação judicial, em segredo de Justiça, foi movida em 2010 pelos irmãos, hoje com 20 anos, que descobriram a troca do sêmen: exames concluíram que o material genético usado na inseminação artificial que os gerou não era compatível com o do pai que os criou; da mãe, sim.

Segundo a decisão judicial, eles têm direito a receber R$ 250 mil cada por danos morais. O casal exigia R$ 4 milhões. Abdelmassih nega a acusação. Cabe recurso.

A sentença é de 15 de julho, um mês antes da prisão do ex-médico, na terça-feira, no Paraguai. Condenado a 278 anos de prisão pelo estupro de 37 mulheres, ele ficou mais de três anos foragido.

Ele responde a outras ações pela troca de material genético, método que, segundo as acusações, fez sua clínica atingir taxas de sucesso acima da média, dando fama à sua clínica, nos Jardins.

Em 1994, o casal foi à clínica de Abdelmassih em busca de um tratamento. A inseminação teve sucesso e os gêmeos foram gerados.

Segundo o advogado Luiz Fernando Nubile Nascimento, após os primeiros boatos sobre o então médico, em 2009, os jovens descobriram a verdade. Ele aceitou falar desde que os nomes dos clientes não fossem revelados.

Nascimento diz saber de outras quatro ações indenizatórias pela mesma razão. Nenhuma obteve sucesso. "Sem qualquer consentimento ou autorização, o doutor Roger [Abdelmassih] usou o material genético de um terceiro, que não se sabe quem é até hoje", disse o advogado.

De acordo com Nascimento, a decisão de entrar com a ação foi dos jovens, quando eles ainda eram menores. "O abalo é muito grande, eles carregam isso a vida inteira."

O advogado José Luis Oliveira Lima disse que Abdelmassih afirma que todos os procedimentos tiveram autorização de pacientes. Flávio Yarshell, que o defende na área cível, diz não comentar casos em segredo de Justiça.

JC

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Mulher de Roger Abdelmassih é procurada pela Interpol

Desde terça-feira, quando o marido foi preso, Larissa Sacco está desaparecida



A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) emitiu um alerta para localizar Larissa Sacco, mulher do médico Roger Abdelmassih. Ela desapareceu com os dois filhos do casal, na terça-feira (19), após a prisão do marido no Paraguai.

De acordo com o alerta, Larissa é procurada por "suspeita de ajudar delinquente". Não existe ordem de prisão contra ela, apenas um pedido das autoridades brasileiras para que ela seja monitorada pela polícia em qualquer país no qual se encontre.

A polícia nacional do Paraguai informou também que vai investigar a participação de agentes públicos do País na emissão de um documento de identidade falso para o médico, com o nome de Ricardo Galeano. Em Assunção, o médico se apresentava com o documento de um suposto cidadão paraguaio.

R7

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Abdelmassih pode responder por comércio de embriões


Polícia precisa encontrar engenheiro que comercializava embriões

Um segundo inquérito policial que investiga o ex-médico Roger Abdelmassih por outros 26 estupros pode acusá-lo de crimes contra a lei de biossegurança, como a comercialização indevida de embriões humanos. Para isso, a Polícia Civil precisa encontrar o engenheiro Paulo Henrique Ferraz Bastos, ex-sócio de um casal de russos que fazia pesquisas na clínica de Abdelmassih, que também é suspeito de enganar as pacientes fertilizando-as com embriões de outros casais, segundo afirmou a delegada Celi Paulino Carlota, da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher.

— Elas (as vítimas) achavam que ele comercializava os óvulos. Algumas mulheres também vieram relatar que as crianças nasceram defeituosas.

Ainda de acordo com a delegada, as vítimas disseram que o ex-médico fazia diversas coletas de óvulos, em vez de apenas uma. Carlota também afirmou que desses outros 26 casos, em pelo menos quatro deles houve má formação dos fetos.

Em um deles, a criança morreu no segundo mês de gestação e a vítima só foi abortar durante o quarto mês sem que soubesse que o feto já estava morto.

Após quase quatro anos como o criminoso mais procurado de São Paulo, o médico chegou na tarde desta quarta-feira à capital paulista.

Ele foi preso na terça-feira (19) em Assunção, no Paraguai, e trazido de avião pela Polícia Federal, após passar a noite em Foz do Iguaçu, e desembarcou por volta das 14h50 no Aeroporto de Congonhas, na zona sul.

R7

Abdelmassih tinha apoio de políticos, policiais e cartolas, diz ministro


Ministro antidrogas do Paraguai diz que rede de contatos será investigada.
Condenado a 278 anos por estupros, ex-médico foi preso na terça-feira.


O médico Roger Abdelmassih, de 70 anos, preso nesta terça-feira (20) em Assunção, no Paraguai, passou cerca de três anos na cidade desde que fugiu do Brasil. Para conseguir viver no anonimato, ostentando luxo e desfrutando de conforto, o brasileiro contava com apoio de uma rede local de proteção que incluiu políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais de futebol, segundo o ministro antidrogas do Paraguai, Luis Alberto Rojas.

Apesar de ter feito o apontamento, a autoridade local não quis revelar nomes para não atrapalhar as investigações, que agora deverão ser comandadas pelo Ministério Público do Paraguai e pelo órgão responsável pela imigração do país.

"Tivemos a rapidez de conseguir a expulsão dele de imediato, pois ele estava sem os documentos pessoais e havia um pedido de prisão contra ele. A velocidade da expulsão, que ocorreu dentro da lei, poderia prejudicar o julgamento dele pelos crimes que ele cometeu no país dele. Ele tem contatos influentes, tanto no Brasil como no Paraguai, muito influentes, desde políticos, policiais corruptos e até dirigentes internacionais do futebol", disse o ministro.

Essa influência de Abdelmassih fez com que ele pudesse passar três anos no Paraguai sem ser incomodado, principalmente pela polícia do país. "Ainda não sabemos se esse apoio influente que ele tinha o ajudou a entrar no país, a permanecer no país como estava, a talvez usar documentos falsos. Isso ainda está sendo investigado, a mulher dele será chamada para prestar depoimento sobre os documentos dos filhos, dela e do próprio Roger", disse Rojas.

Segundo a investigação do governo paraguaio, Abdelmassih levava vida de luxo, tinha babás, cozinheira, enfermeira, chofer, seguranças, frequentava restaurantes caros e exclusivos com a mulher e usava o nome Ricardo.

"A gente achava que ele era um embaixador brasileiro ou um empresário milionário. Ele se mudou para essa casa há três anos, foi quando começou a ter movimento na casa. Eles trocavam de empregados de dois em dois meses", disse um dos moradores, vizinho de calçada.

Rojas também afirmou que Abdelmassih morava em uma casa luxuosa em um bairro nobre da capital paraguaia, pela qual pagava um aluguel de US$ 2,5 mil. "Para muita gente ele se identificou como empresário do ramo de investimento em projetos sociais", disse o ministro paraguaio. O ex-médico usava o nome Ricardo.

Um dos automóveis era um Mercedes modelo E 350, em nome de Juan Gabriel Cortaza. A polícia informa que o carro foi vendido, mas não foi transferido por Abdelmassih. Já para os filhos, havia num Kia Carnival modelo 2012, em nome da empresa Gala Import e Export S/A.

O ex-médico era monitorado por uma equipe da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad) e da Polícia Federal brasileira há oito dias. Abdelmassih foi preso quando saía de um estabelecimento comercial, no bairro Villa Morrá, em Assunção, às 14h30. Ele estava acompanhado da mulher .

Condenação e fuga

Roger Abdelmassih tem 70 anos e era considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Ele foi condenado pela Justiça a 278 anos de reclusão pelos crimes de estupro e atentado violento ao pudor.

Ele estava foragido desde 2011 e foi preso na tarde de terça-feira (19) em Assunção, capital do Paraguai. Após o procedimento de deportação sumária, Abdelmassih chegou em Foz por volta das 18h. Horas depois de ser preso, ele teve um mal-estar e precisou ser levado para o hospital. Segundo a edição desta quarta do Bom Dia Brasil, ele foi atendido rapidamente e retornou para a prisão na mesma noite.

Roger Abdelmassih é fichado pela polícia paraguaia após ser preso em Assunção. Médico é condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 pacientes

Abdelmassih foi condenado por estuprar, 37 pacientes, que disseram ter sido atacadas dentro da clínica que ele mantinha na Avenida Brasil, na região dos Jardins, área nobre da cidade de São Paulo. Ao todo, ele foi acusado ter cometido 48 ataques, entre estupros e atentado violento ao pudor.

Conforme o delegado Marcos Paulo Pimentel, o ex-médico vivia ilegalmente no país vizinho, não trabalhava e morava com a mulher em uma residência de luxo em Assunção. As investigações concluíram que ele saiu do Brasil por uma fronteira terrestre. Todavia, Pimentel não soube precisar qual foi a rota usada.

Médico alegava inocência
O ex-médico sempre alegou inocência. Chegou a dizer que só ‘beijava’ o rosto das pacientes e vinha sendo atacado por um "movimento de ressentimentos vingativos". Mas, em geral, as mulheres o acusaram de tentar beijá-las na boca ou acariciá-las quando estavam sozinhas - sem o marido ou a enfermeira presente.

Algumas disseram que foram molestadas após a sedação. De acordo com a acusação, parte dos 8 mil bebês concebidos na clínica de fertilização também não seriam filhos biológicos de quem fez o tratamento.

Disfarces
Para chegar ao ex-médico, a Polícia Federal usou um programa específico, que montou várias imagens com a foto de Abdelmassih. Nelas, o sistema fez projeções de como ficaria o rosto dele com fantasias e disfarces, como tintura capilar, uso de chapéus e óculos escuros.

Condenação
As denúncias contra o médico começaram em 2008. Abdelmassih foi indiciado em junho de 2009 por estupro e atentado violento ao pudor. Ele chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009, mas recebeu do Supremo Tribunal Federal (STF) o direito de responder o processo em liberdade.

Em 23 de novembro de 2010, a Justiça o condenou a 278 anos de reclusão. Abdelmassih não foi preso logo após ter sido condenado porque um habeas corpus do Superior Tribunal de Justiça (STJ) dava a ele o direito de responder em liberdade.

O habeas corpus foi revogado pela Justiça em janeiro de 2011, quando ex-médico tentou renovar seu passaporte, o que sugeria a possibilidade de que ele tentaria sair do Brasil. Como a prisão foi decretada e ele deixou de se apresentar, passou a ser procurado pela polícia.

Em maio de 2011, Abdelmassih teve o registro de médico cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

Lavagem de dinheiro

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) informou que vai investigar uma possível rede de favorecimentos à fuga do ex-médico. Segundo os promotores, os integrantes dessa rede e o próprio Abdelmassih teriam cometido uma série de outros crimes, como falsidade ideológica e falsidade material, além de lavagem de dinheiro para que o ex-médico tivesse condições de fugir do Brasil e se manter fora do país, conforme o procurador-geral de Justiça Márcio Fernando Elias Rosa e o promotor Luiz Henrique Cardoso Dal Poz.

A quantidade de pessoas, a identidade delas e a relação delas com o fugitivo não foram informados pelo Ministério Público. "As investigações têm continuado para responder a todas estas questões", disse Rosa.

Vítimas celebram prisão

Uma página no Facebook, usada por uma associação de vítimas do ex-médico, comemorou a notícia da prisão. No perfil particular de algumas das vítimas, há postagens comemorativas. “uhu, conseguimos”, diz uma das mulheres.

Uma das noras do ex-médico, afirmou que "a justiça foi feita", ao se referir sobre a prisão do sogro. Segundo ela, a família não vai se pronunciar mais sobre o caso, para preservar os descendentes mais novos. "A gente não quer falar por conta dos filhos e netos", explicou.

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