segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Hepatite E


A hepatite E é uma doença infecciosa aguda, causada pelo vírus da hepatite E, que produz inflamação e necrose do fígado. A transmissão do vírus é fecal-oral, e ocorre através da ingestão de água (principalmente) e alimentos contaminados. A transmissão direta de uma pessoa para outra é rara. Uma pessoa infectada com o vírus pode ou não desenvolver a doença. A infecção confere imunidade permanente contra a doença. A hepatite E ocorre mais comumente em países onde a infra-estrutura de saneamento básico é deficiente e ainda não existem vacinas disponíveis.

Transmissão
O ser humano parece ser o hospedeiro natural do vírus da hepatite E, embora haja possibilidade de um reservatório animal (o vírus já foi isolado em porcos e ratos) e seja possível a infecção experimental de macacos. A transmissão do vírus ocorre principalmente através da ingestão de água contaminada, o que o pode determinar a ocorrência de casos isolados e epidemias. As epidemias em geral acometem mais adolescentes e adultos jovens (entre 15 e 40 anos). A transmissão entre as pessoas que residem no mesmo domicílio é incomum. O período de transmissibilidade ainda não está bem definido. Sabe-se que 30 dias após uma pessoa ser infectada, desenvolvendo ou não as manifestações da doença, o vírus passa a ser eliminado nas fezes por cerca de duas semanas.

Riscos
A infecção pelo vírus da hepatite E é mais comum em países em desenvolvimento, onde a infra-estrutura de saneamento básico é inadequada ou inexistente. As epidemias estão relacionadas a contaminação da água, e ocorrem mais comumente após inundações. A infecção por ingestão de alimentos contaminados, mesmo frutos do mar crus ou mal cozidos, parece pouco comum. Existem registros de epidemias na Índia, Paquistão, Rússia, China, África Central, Nordeste da África, Peru e México, áreas onde o vírus E chega a ser responsável por 20% a 30% das hepatites virais agudas. Na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, menos que 2% da população tem evidência sorológica de infecção pelo vírus E. Nesses lugares, os casos de hepatite E são esporádicos e, em geral, ocorrem em viajantes que retornam de áreas endêmicas.
No Brasil não existem relatos de epidemias causadas pelo vírus da hepatite E. Os dados disponíveis são escassos e incompletos, embora demonstrem a ocorrência da infecção. A infecção foi detectada em vários estados brasileiros, através de métodos sorológicos. Na Bahia, em 1993, em 701 pessoas, detectou-se reatividade para o vírus da hepatite E em 2% de doadores de sangue, em 25% de portadores de hepatite A, em 11,5% dos pacientes com hepatite B, 0% em hepatite aguda C e em 26% dos pacientes com hepatite aguda não A, não B não C. E. Em Mato Grosso e São Paulo a reatividade para o vírus da hepatite E foi de 3,3% e 4,9% respectivamente. Em 1996, no Rio de Janeiro, a ocorrencia da infecção pelo vírus da hepatite E foi demonstrada, em 17 (7,1%) de 238 pessoas, a maioria (16 de 17) em maiores de 12 anos.

Medidas de proteção individual
A hepatite E pode ser evitada através das medidas de proteção contra doenças transmitidas por água e alimentos. Estas medidas incluem a utilização de água clorada ou fervida e o consumo de alimentos cozidos, preparados na hora do consumo. Deve-se lavar cuidadosamente as mãos com água e sabão antes das refeições. O consumo de bebidas e qualquer tipo de alimento adquiridos com vendedores ambulantes deve ser evitado. Ainda não existem vacinas contra a hepatite E, e nem estudos que comprovem a eficácia do uso profilático de imunoglobulina.

Manifestações
A infecção pelo vírus da hepatite E pode ou não resultar em doença. As manifestações, quando surgem, podem ocorrer de 15 a 60 dias (40, em média) após o contato com o vírus da hepatite E (período de incubação). A evolução da doença em geral é benigna, com icterícia, mal estar, perda do apetite, febre baixa, dor abdominal , náuseas, vômitos e urina escura. Menos comumente podem surgir diarréia e dor nas articulações. As grávidas, principalmente no último trimestre de gestação, têm risco maior de evolução para hepatite fulminante, com alto índice de letalidade (20%).
A confirmação do diagnóstico de hepatite E não tem importância para tratamento da pessoa doente, poém. é fundamental para a diferenciação com outros tipos de hepatite. A confirmação é feita através de exames sorológicos. Os métodos mais utilizados são o ELISA, imunofluorescência e PCR para detectar HEV RNA no soro e fezes. A pesquisa de anticorpos IgM contra o vírus da hepatite E no sangue se reativa, indica infecção recente. Esses anticorpos geralmente podem ser detectados quatro semanas após exposição.
A hepatite E não tem tratamento específico. As medidas terapêuticas visam reduzir a intesidade dos sintomas. No período inicial da doença está indicado repouso relativo, e a volta às atividades deve ser gradual. As bebidas alcoólicas devem ser abolidas. Os alimentos podem ser ingeridos de acordo com o apetite e a aceitação da pessoa, não havendo necessidade de dietas. A recuperação é completa, e o vírus é totalmente eliminado do organismo. Não há desenvolvimento de doença hepática crônica ou estado de portador crônico do vírus.

Denise Vigo Potsch & Fernando S. V. Martins


Cives

Filhos de Abdelmassih começam a atender em nova clínica


O obstetra Vicente Abdelmassih (foto), 42, e a biomédica Soraya (foto), 40, sua irmã, começaram a trabalhar na semana passada em nova clínica, a Embryo Fetus, que abriram em sociedade com Sang Chong Cha, especialista em medicina fetal e presidente da Sociedade Brasileira de Ultrassonografia.
Os dois sempre trabalharam com o seu pai, Roger, 66, que aguarda sentença da Justiça sob a acusação de ter estuprado 56 pacientes e que já teve o registro profissional cassado em definitivo pelo CRM (Conselho Regional de Medicina) do Estado de São Paulo.
A nova clínica fica na avenida Brasil, Jardim América, zona nobre de São Paulo. Trata-se da mesma avenida onde estava a Clínica Abdelmassih que foi fechada por falta de clientes após o escândalo. Os filhos vinham dando atendimento em consultório.
“Já tenho a média de 20 consultas por mês”, disse Vicente à repórter Eliane Trindade. "Queremos dar a volta por cima.”
Em agosto de 2009, em entrevista, Vicente afirmou que tinha a certeza da inocência do seu pai. Na reportagem de agora, ele não falou ou não lhe foi perguntado sobre o desdobramento das acusações a Abdelmassih.
Mas Sang Chong Cha admitiu que a Embryo Fetus terá de conviver “com o fantasma da velha clínica”, o que não impedirá que sejam resgatados os “profissionais que são parte de um passado glorioso”.
“Independente das acusações, ele [Abdelmassih] foi quem trouxe todo o avanço na área de reprodução humana no Brasil”, disse Chong Cha, cuja mulher de seu segundo casamento teve uma filha, hoje com 3 anos, com tratamento na antiga clínica.
A Embryo Fetus cobra em média R$ 15 mil por fertilização e a sua previsão é desenvolver 500 ciclos por ano. Até estourar na imprensa o escândalo, a Clínica Abdelmassih realizava cerca de 1.700 ciclos anualmente.

Com informação da Folha de S.Paulo.


Paulopes Weblog

Vírus da hepatite E é detectado pela primeira vez no país


A novidade permitiu comparar o sequenciamento genético do vírus encontrado no paciente com aquele encontrado em suínos criados no Brasil
O Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, conseguiu detectar pela primeira vez a presença do vírus da hepatite E em um paciente brasileiro.
Até então, a confirmação da doença era feita pela testagem da presença de anticorpos específicos contra ela - de 1999 a 2009, foram 810 testes sorológicos positivos no país, segundo o governo.
Além de dar mais segurança ao diagnóstico, a novidade permitiu comparar o sequenciamento genético do vírus encontrado no paciente com aquele encontrado em suínos criados no Brasil.
A semelhança reforçou a suspeita de pesquisadores de que a transmissão no país esteja ligada ao consumo de carne de porco mal passada.
"Quando comparamos [geneticamente] as amostras do paciente e do animal, vimos que são relacionadas", diz a pesquisadora Débora Regina Lopes dos Santos. Ela é uma das responsáveis pelo estudo, publicado no "Journal of Clinical Virology".
Na Ásia e na África, regiões em que a hepatite E é endêmica, o contágio se dá através de consumo de água e alimentos contaminados com fezes -mesma forma de transmissão da hepatite A.
Já no caso das hepatites B, C e D, a transmissão ocorre pelo contato com sangue e outros fluidos corporais de pacientes infectados.
Com tantas possibilidades, alguns episódios da doença acabam não tendo suas causas reveladas.
Foi sobre esses casos que Santos se debruçou. Foram analisadas 64 amostras de pessoas que tinham tido
hepatite aguda de origem indefinida entre 2004 e 2008.
Em uma dessas amostras, os exames sorológicos e moleculares detectaram o vírus.
O paciente em questão era um morador do Rio que teve a doença em 2006.
Os pesquisadores partiram então para a comparação com vírus que já tinham sido encontrados em suínos criados no Estado, seguindo a linha de estudos internacionais que já traçaram essa relação. Os resultados confirmaram a possibilidade.
"Mas, para ter certeza, só se pudesse analisar a carne que ele comeu", diz Santos.
Apesar de não ter essa confirmação, a pesquisadora aconselha a população a cozinhar bem a carne, recomendação válida para evitar também outras doenças.
O Ministério da Saúde disse que a detecção do vírus não altera a política de enfrentamento da doença. "O ministério já desenvolve ações para a hepatite A, que são eficientes contra a hepatite E", afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa.

Cruz Vermelha diz que inundações já atingem 2,5 milhões de pessoas no Paquistão

Garoto senta no que sobrou dos bens da família enquanto espera para ser retirado por autoridades

Após a confirmação de que as piores inundações dos últimos 80 anos no Paquistão já deixam 1.200 mortos, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha afirmou que ao menos 2,5 milhões de pessoas já foram atingidas pelas chuvas.
Ainda no fim de semana a ONU (Organização das Nações Unidas) estimava que havia ao menos 1 milhão de atingidos diretamente pelas fortes chuvas que castigam o norte do país desde a semana passada, mas tanto a entidade quanto o governo paquistanês indicaram que a cifra aumentaria nos dias seguintes.
O governo do Paquistão enviou equipes médicas nesta segunda-feira à região noroeste por medo de um surto de cólera e outras epidemias diante de inundações que deixaram parte do país sob às águas.
Segundo Anwer Kazmi, porta-voz da Edhi Foundation, a maior associação de caridade do país, pelo menos 1.256 pessoas morreram. O distrito de Swat, com 475 mortos, teria sido o mais afetado.
As chuvas causaram fortes inundações e deslizamentos de terra, destruindo milhares de casas e devastando terras agrícolas em uma das regiões mais pobres do Paquistão, já castigada pela violência atribuída aos insurgentes talebans e a grupos vinculados à Al Qaeda.
As autoridades paquistanesas advertiram para a propagação de cólera e gastroenterites, por causa da falta de água potável, informando que ainda continuam retirando moradores no distrito de Swat.
"Calculamos que cem mil pessoas, na maioria crianças, tenham sido afetadas pelo cólera ou por doenças gástricas", disse Syed Zahir Ali Shah, ministro da Saúde da província de Khiber Pajtunjua (noroeste).
"Nossa prioridade imediata é evacuá-los para locais seguros e depois dar-lhes cuidados sanitário", disse Shah, acrescentando que várias equipes médicas já tinham sido enviadas de helicóptero para as áreas afetadas.

AJUDA
Enquanto isso, centenas de desabrigados permanecem em refúgios temporários em Peshawar, a principal cidade da região, e em Muzafarabad, capital da Caxemira paquistanesa.
Pelo segundo dia consecutivo, centenas de afetados pedem aos gritos ajuda do governo.
"Minha família encontrou refúgio em uma escola, mas não recebemos nem água potável, nem comida, nem medicamentos", disse à AFP Fahimud Din, comerciante de 27 anos da região vizinha a Peshawar.
"Meu filho está doente de cólera, mas não há médicos", acrescentou.
O exército e o Centro Nacional de Gestão de Catástrofes, encarregados das operações, destacaram ter socorrido mais de 28 mil pessoas na Província de Khiber Pajtunjua.
Segundo as mesmas fontes, 29.529 lares foram destruídos no noroeste.
Os serviços paquistaneses de meteorologia destacaram que estas foram chuvas sem precedentes e anunciaram que, durante as próximas duas semanas, pode-se esperar uma precipitação de até 200 milímetros na região.
Diante da magnitude da catástrofe, as ofertas de ajuda começaram a chegar. O governo americano prometeu, no domingo, uma ajuda de US$ 10 milhões e o envio de helicópteros, botes, água e artigos de primeira necessidade.
O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, também se comprometeu em ajudar com até US$ 10 milhões, enquanto a China também castigada por inundações no nordeste, anunciou que contribuiria com US$ 1,5 milhão.
A Comissão Europeia havia anunciado, no sábado passado, a liberação de uma cifra de 30 milhões de euros em ajuda humanitária para o Paquistão.


Time alerta para a situação das mulheres no Afeganistão e o risco do retorno do Talibã


O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assumiu o cargo pressionado a retirar o mais rápido possível as tropas do país do Afeganistão e do Iraque – e acabar com as mortes de militares americanos. Os documentos sigilosos revelados pelo site Wikileaks dão outras razões para os EUA baterem em retirada: evitar novas ações militares desastrosas, com vítimas civis, e, claro, os escândalos e a crítica internacional.
Na edição desta semana, porém, a revista Time defende que os Estados Unidos mantenham sua presença no Afeganistão e vejam com suspeita a possibilidade de diálogo com o Talibã, aberta pelo presidente Hamid Karzai. Se as tropas americanas saírem, as mulheres do país podem sofrer – ainda mais.
Para defender sua posição, a revista publica, em sua capa, uma foto chocante da afegã Bibi Aisha, de 18 anos. O Talibã extirpou o nariz e as orelhas da jovem como punição à sua tentativa de fugir de casa, de uma família que a maltratava. Aisha quer que todos vejam os possíveis efeitos da volta do Talibã ao poder.
A reportagem, escrita por Aryn Baker, mostra o avanço dos direitos das mulheres no Afeganistão depois da entrada dos Estados Unidos e o medo delas de perder esse espaço que, embora precário, é um progresso em relação aos tempos anteriores.
Richard Stengel, diretor de redação da Time, diz que ponderou antes de colocar a imagem na capa e pede desculpa aos leitores que a considerarem forte demais. “Mas coisas ruins acontecem com as pessoas, e é parte do nosso trabalho confrontar essa realidade e explicá-la. No fim, senti que essa imagem é uma janela para a realidade, para algo que está acontecendo – e que pode acontecer – em uma guerra que nos afeta. Eu preferi confrontar os leitores com o tratamento do Talibã às mulheres a ignorá-lo”, escreve Stengel no editorial que apresenta a capa.
Stengel também revela que temia pela segurança de Aisha, que ousou denunciar a repressão às mulheres no Afeganistão. Desde a publicação da revista, a jovem está em um lugar sigiloso, com escolta armada, paga pela ONG Mulheres pelas Mulheres Afegãs.
Em breve, Aisha se submeterá a uma cirurgia para a reconstrução de seu rosto. Espera-se, porém, que a imagem de sua face mutilada ajude a proteger outras mulheres do horror.
A Time divulga, em vídeo, a sessão de fotos com Aisha



Mulher 7 por 7

domingo, 1 de agosto de 2010

Turismo sexual estimula prostituição infantil no Brasil

A polícia vem realizando operações em Fortaleza para conter a pedofilia

Um programa da BBC mostrou que crianças estão suprindo uma crescente demanda de turistas estrangeiros que viajam ao Brasil atrás de sexo e acompanhou as tentativas de controlar o problema.

O programa Our World: Brazil's Child Prostitutes (“Nosso Mundo: As Crianças Prostitutas do Brasil”, em tradução livre), vai ao ar no canal de TV internacional de notícias da BBC, BBC World, neste fim de semana.
A cada semana, operadores de turismo despejam nas cidades brasileiras milhares de homens europeus que chegam em voos fretados especialmente ao Nordeste em busca de sexo barato, incentivando assim a prostituição.
O problema, que foi constatado pela BBC em Recife, já estaria levando o Brasil a alcançar a Tailândia como o principal destino mundial do turismo sexual.
De acordo com o repórter Chris Rogers, responsável pela reportagem, apesar das garantias de uma ação policial, nas ruas da capital pernambucana parece haver poucos indícios de que a prostituição infantil está desaparecendo.

Corpo frágil
Uma menina vestida com um pequeno biquíni expõe seu corpo frágil. Ela não parece ter mais do que 13 anos, mas é uma das dezenas de garotas andando pelas ruas à procura de clientes debaixo do sol da tarde.
A maioria vem das favelas da região. Ao parar o carro, a reportagem da BBC é recebida com uma dança provocante da menina, para chamar a atenção.
“Oi, meu nome é C. Você quer fazer um programa?”, ela pergunta. C. pede menos de R$ 10 por seus serviços. Uma mulher mais velha chega perto e se apresenta como mãe da menina.
“Você pode escolher outras duas meninas, da mesma idade da minha filha, pelo mesmo preço”, ela diz. “Eu posso levar você a um motel local onde um quarto pode ser alugado por hora.”
Quando a noite cai, em uma área com bares e bordéis da cidade, o playground sexual de Recife ganha vida.
Prostitutas se divertem com turistas, dançando e procurando por clientes em potencial. Muitas delas parecem muito menos do que 18 anos de idade.
Motoristas de táxi trabalham com as garotas que são jovens demais para entrar nos bares. Um deles me oferece duas pelo preço de uma e uma carona para um motel local.
“Elas são menores de idade, então são muito mais baratas que as mais velhas”, explica ele ao me apresentar S. e M.
Nenhuma delas faz nenhum esforço para esconder sua idade. Uma delas leva consigo uma bolsa da Barbie, e as duas se dão as mãos com um olhar que parece aterrorizado diante da perspectiva de um potencial cliente.

Crack
A zona da prostituição no Recife está cheia de carros circulando em baixa velocidade ao lado dos grupos de garotas exibindo seus corpos.
Uma delas, P., está vestida com um top cor-de-rosa e uma minissaia. A menina de 13 anos concorda em falar comigo sobre sua vida como prostituta. Ela conta que trabalha na mesma esquina todas as noites até o amanhecer para financiar o vício dela e da mãe em crack.
“Normalmente eu tenho mais de dez clientes por noite”, ela se vangloria. “Eles pagam R$ 10 cada – o suficiente para uma pedra de crack”, diz.
Por segurança, P. trabalha com um grupo de meninas mais velhas que atuam como cafetinas, tomando conta do dinheiro e cuidando das mais novas.
“Há muitas meninas trabalhando por aqui. Eu não sou a mais nova. Minha irmã tem 12 anos e tem uma menina de 11”, conta.
Mas P. está preocupada com sua irmã. “Eu não vejo a B. há dois dias, desde que ela saiu com um estrangeiro”, diz.
P. diz ter começado a trabalhar como prostituta com sete anos. A Unicef estima que há 250 mil crianças prostituídas como ela no Brasil.
“Estou fazendo isso há tanto tempo que nem penso mais nos perigos”, ela afirma. “Os estrangeiros vivem aparecendo por aqui. Eu já saí com um monte deles”, conta.
Apenas algumas quadras dali a calçada está tomada por travestis procurando clientes. Entre eles está R., de 14 anos, e I., de 12.
Os primos parecem convincentes como meninas com seus saltos altos, minissaias, blusas e maquiagem pesada.
“Precisamos ganhar dinheiro para comprar comida para nossas famílias”, explica R. ajeitando seu longo cabelo.
“Nossos pais não se preocupam muito com a gente. Dizemos a eles quando estamos saindo e quando chegamos. E então damos a eles o dinheiro para comprar comida. Eles sabem como conseguimos o dinheiro, mas nós não discutimos isso”, diz.

Fortaleza
Antes, a maioria dos turistas sexuais costumava ir a Fortaleza. Mas não mais - no último ano, a capital do Estado do Ceará vem mandando uma clara mensagem aos turistas sexuais de que eles não são bem-vindos.
Todas as semanas, dezenas de carros com policiais federais armados com metralhadoras AK-47 patrulham as ruas das zonas de prostituição, vasculhando os motéis e bordéis, prendendo clientes e cafetões e levando meninas menores de idade para abrigos.
Eline Marques, coordenadora da Secretaria Especial de Prevenção ao Tráfico de Seres Humanos, afirma que as blitze estão tendo um resultado.
“Já fechamos muitos estabelecimentos em Fortaleza. Ruas inteiras estão agora livres da prostituição. Meu objetivo é intensificar essas ações antes da Copa do Mundo, tendo com alvo o próprio turismo que fomenta a prostituição infantil”, diz ela.
Outros Estados indicaram que estão acompanhando a campanha de Marques e que, se ela tiver sucesso, poderão seguir ações semelhantes.
Mas, para cada estabelecimento sexual que é fechado, para cada turista sexual preso, há também vítimas. Muitas são levadas para abrigos de instituições de caridade.

Recuperação
O Centro de Recuperação Rosa de Saron, perto do Recife, está operando com sua capacidade máxima, porque as meninas não podem ser devolvidas para casa, por causa da pobreza que as levou à prostituição. Elas chegam lá vindas de todo o Brasil.
M., de 12 anos, quer viver com a mãe, mas não pode porque seu cafetão, que a forçou a trabalhar nas ruas e em bordéis, ameaçou matá-la se ela tentasse escapar.
Ela diz que ainda teme por sua vida.
“Não tive opção a não ser fazer o que ele mandava. Eu senti que estava perdendo minha infância, porque eu tinha só 9 anos de idade”, diz ela. “Eu tinha medo. Às vezes eu voltava sem dinheiro e ele me batia”, conta.
Jane Sueli Silva, que fundou o centro, diz que a maioria das garotas tem entre 12 e 14 anos quando chegam. Algumas delas chegam grávidas.
“Muitas delas chegam aqui com problemas sérios, como câncer de colo de útero”, diz. “Como o câncer normalmente está só no estágio inicial, podemos ajudá-las, e graças a Deus que a cura é normalmente bem-sucedida.”
Uma outra ONG, a britânica Happy Child International, planeja construir mais centros para abrigar o crescente número de crianças prostituídas.
Mas crianças como P. ainda estão desamparadas.
Sua casa é um pequeno barraco que ela divide com sua mãe, dois irmãos e a irmã B., de 12 anos. Dentro, apenas dois sofás que são usados como camas e um balde plástico usado para lavar roupas e pratos.
Quando perguntada sobre se a prostituição das filhas a magoava, a mãe delas pareceu mais preocupada com dinheiro. “Se elas conseguem dinheiro, não trazem para casa. Não, elas não trazem dinheiro nenhum para casa”, disse.
P., por sua vez, diz que espera um dia sair da prostituição.
“Todo dia eu peço a Deus que me tire dessa vida. Às vezes eu paro, mas depois volto para as ruas para procurar homens. A droga faz mal, a droga é minha fraqueza, e os clientes estão sempre a fim de pagar.”


BBC Brasil

Balanço Geral – Veja os cuidados para os pés de pacientes com diabete



O assunto que nós vamos tratar hoje é bastante interessante: o pé diabético. Todo mundo sabe que o pé tem uma função muito importante no corpo humano. É ele quem dá sustentação ao corpo. Mas no caso dos diabéticos, a atenção aos pés deve ser ainda maior. Se não for bem cuidado, um simples problema pode levar até a amputação dos membros. Os nossos repórteres foram ouvir dos profissionais que cuidam deste tipo de problema. Veja quais as medidas necessárias e preventivas para se manter os pés com saúde. O tratamento é bem relaxante! Cuidar dos pés faz bem.

Veja mais: www.msrecord.com.br


Balanço Geral

A neurociência da pacificação


Estudantes do Ciep Luiz Carlos Prestes, na Cidade de Deus, passam o dia todo na escola fazendo capoeira, teatro, vídeo e dança Foto: Alessandro Costa / Agência O Dia

Deixar a violência para trás e conviver em ambiente de paz faz o cérebro mudar: a calma ativa o crescimento, o aprendizado e a saúde

Rio - Luciana lembra quando a polícia invadiu seu lar a pontapés. Luiz viu a casa ser perfurada por balas. João sempre topava com corpos em frente à escola, e Pedro abandonou o colégio depois que a família foi expulsa da favela pelo tráfico. Os nomes são fictícios, mas os traumas da guerra travada nas favelas do Rio são bem reais. Crianças miúdas que mal fizeram 10 anos, mas que carregam a precoce vivência de dor e sofrimento, têm agora a chance de pôr o ponto final nesse boletim de ocorrências policiais tão presentes em suas rotinas.
Especialistas em saúde explicam as mudanças que ocorrem no cérebro quando crianças e jovens são expostos a uma nova realidade sem violência. “O cérebro é o resultado do que fazemos e de como somos tratados. Portanto, nunca é tarde para apagar os traumas da mente”, explica a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da UFRJ. Segundo ela, o estresse crônico é inimigo do bem-estar.
Impotente frente à violência, o cérebro entra em ‘modo de sobrevivência’, onde até crescer passa para segundo plano. A prioridade é manter-se vivo. A autoestima e a motivação pelo estudo diminuem. Alguns se fecham e outros ficam agressivos, como uma estratégia de defesa do organismo. “No momento em que a criança passa a ser tratada com respeito e carinho, esse círculo vicioso se quebra. Ela, então, reproduz um círculo virtuoso de gentilezas e respeito pelo outro”, completa Suzana.
Desde domingo, O DIA mostra os benefícios no aprendizado de crianças de áreas antes reféns do crime na série ‘Educação em Tempos de Paz’. Para Joviana Quintes Avanci, psicóloga do Centro Latino-americano de Estudos da Violência e Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz, ambientes saudáveis e relações amorosas são escudo contra distúrbios mentais, como ansiedade e depressão. “Traumas podem ser revertidos com políticas públicas. Mas é preciso que haja continuidade para que o dano não seja permanente”, frisa.



O recomeço
Na Escola Municipal Pedro Aleixo, na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) substituiu as guerras de frutas no recreio e o vai e vem de traficantes na escola por ofi cinas de dança, judô, capoeira e xadrez. “A escola estava mergulhada nas trevas. Há nove meses, está imersa na luz. É como se estivéssemos começando do zero”, sintetiza o diretor José Edmilson.
Para especialistas, essa mudança do comportamento agressivo para o lúdico é a forma mais eficaz de fazer o corpo trabalhar a favor da saúde mental. “Qualquer brincadeira ou esporte que dê prazer à criança é capaz de ativar o sistema de recompensa do cérebro, que é a base da motivação. Ele é o responsável pela autoestima, pelo pensar positivo e por ter esperanças”, explica a neurocientista Suzana Houzel.
Roberta Dutra, professora especializada em educação inclusiva pelo Instituto A Vez do Mestre, defende atividades lúdicas como coisa séria. “É na hora do brincar que a vida é experimentada pelo gosto, de fazer da brincadeira uma experiência rica de significados. Um contexto que proporciona à criança a superação dos seus medos e receios na vida”, prega a educadora.

Depoimento:
Antigamente, os alunos chegavam nervosos à escola. Não conseguiam assimilar o conteúdo das aulas. Durante o caminho, encontravam corpos. À noite, ouviam tiros o tempo todo. Com a pacificação da comunidade (Batan), ficaram mais alegres. No trajeto para a escola, não encontram nada que possa chocá-los. Eles passaram a participar mais das atividades e a aprender mais. No ano passado, 14% das crianças apresentaram conceito insuficiente. Neste ano, o índice caiu para 10%. Foi uma melhora considerável e acreditamos que vai evoluir muito mais. Vera Rangel, Diretora da E.M. Costa do Marfim.

No meio da violência:
O cérebro de uma criança é afetado pela exposição contínua ao crime.
O estresse crônico reduz a atividade cerebral responsável pela motivação. O cérebro entra num estado de alerta permanente e de ansiedade elevada.
A criança torna-se agressiva ou apática. Desenvolve manifestações de ansiedade, depressão, déficit de atenção e insônia, o que compromete o aprendizado.

Com a pacificação:
O cérebro reage positivamente a estímulos prazerosos.
Rotina de paz, prática de esportes, o carinho da família, a brincadeira com os amigos e o estudo sem preocupações ativam o sistema de recompensas do cérebro, que funciona como uma espécie de premiação, gerando sensação de bem-estar.
A criança fica mais calma, mais atenta em sala de aula e com a autoestima elevada.

MARIA LUISA BARROS



O DIA ONLINE

A REVELAÇÃO DA CRIANÇA - Parte 1


(Texto resumido do livro Crianças no labirinto das acusações - Falsas Alegações de Abuso Sexual da Doutoranda em psicologia Marcia Ferreira Amendola – Ed. Jurua - Pags. 84/89)

Parte 1: A Síndrome do Segredo e a Síndrome da Acomodação

Roland C. Summit (1983) e Tilmann Furniss (2002), ao trabalharem com casos de crianças vítimas de abuso sexual, descreveram uma síndrome relacionada ao segredo, a partir de suas observações e pesquisas na área: a Síndrome de Acomodação ou Adaptação e a síndrome do Segredo, respectivamente.
Summit (1983) argumentou que as crianças não sã capazes de fabricar histórias de abuso sexual e que, portanto, devem receber todo o crédito quando revelam o abuso, mesmo quando as declarações se mostrarem bizarras e incoerentes. O autor postulou que a subordinação e o desamparo da criança diante a autoridade do adulto que a obriga a ser obediente, forçam uma acomodação à situação de abuso, capaz de acarretar inversão de valores morais e alterações psíquicas lesivas à sua personalidade. A criança não teria outra escolha exceto submeter-se ao abuso e manter o segredo.
Algumas associações (American Psychological Association e American Psychiatric Association), no entanto, se pronunciaram com a intenção de impugná-la nos tribunais como evidência probatória para este tipo de violência. O argumento se referia à falta de fundamentação técnico-científica do modelo de Summit em função da ausência de estudos empíricos que distinguissem crianças abusadas daquelas não abusadas (CAMPBELL, 1997).
Em resposta às críticas, Summit (1992) admitiu que a Síndrome possui graves limitações, sendo apenas uma opinião clínica, sem pretensões de ser um instrumento científico destinado a tal aferição, de modo que sua aplicação como evidência de abuso sexual não cumpre com os critérios de confiabilidade técnica requeridos para validar o diagnóstico.
Para Campbell (1997), as características apontadas por Summit são generalizadas, dando margem para opiniões subjetivas, pois podem ser observadas, indistintamente, em crianças não abusadas. A autora cita como exemplo o fato de que crianças não abusadas, ao negar a ocorrência do abuso, tendem a ser, equivocadamente, interpretadas como sendo resistentes e temerosas.
Com relação à Síndrome do Segredo , esta é definida por Furniss (2002) como sendo determinada por agentes múltiplos (externos – ameaças do agressor – e internos) que interagem e promovem uma ração que leva a criança a silenciar-se, ocultando sua história de abuso. Para Furniss, a negação do abuso sexual pela criança não implica, necessariamente, que a violência não foi praticada. O sentimento de culpa e a responsabilização pela prática abusiva são os principais fatores de existência da Síndrome do Segredo.
Furniss (2002, p.177) orienta os profissionais a iniciar a Entrevista de Revelação com a “permissão terapêutica explícita para revelar”. Isso significa que o propósito do psicólogo durante a entrevista é, necessariamente, fazer com que a criança relate o abuso supostamente sofrido. Segundo o autor, “[...] a criança precisa saber que nós conhecemos as razões pela quais ela pode ser capaz de revelar [...].em termos práticos precisamos enviar de maneiras variadas e repetidas a mensagem: ‘Eu sei que você sabe que eu sei’.”.
Ao final de todas as considerações, se a criança ainda não estiver motivada a revelar, Furniss (2002) entende que ela possa estar assustada demais, provavelmente por ameaças do abusador, ou possa estar resistente, seja por falta de confiança no entrevistador, seja por culpa ou vergonha.
Apesar de declarar que não se pode pressionar a criança para revelar o abuso sexual, estando atento para o fato de este não haver ocorrido, o autor insiste na premissa de que o profissional não deve aceitar a negativa da criança, considerando que esta negação seja conseqüência de ansiedades e medos.
Seguindo essa lógica, (2002) sustenta que, mesmo quando a ausência de revelação da violência persiste – seja pelo silêncio imposto pela criança, seja pelo fato de ela negar a ocorrência do abuso – o profissional deve se antecipar e presumir a alegação de abuso sexual como verdadeira expectativa que se mantém justificada pela resistência, medo ou vergonha da criança em revelar o drama familiar. Assim, diante desse impasse, Furniss (2002) sustenta que o profissional deve dar mais tempo e espaço para que a criança possa aprender o que chamou de “metáfora” (p.180) – ahistória de abuso contada como se fosse outra pessoa.
Na análise do autor, o ato de insistir para que a criança revele o abuso sexual se justificaria, pois estaria baseado na crença de que as crianças que negam a ocorrência do abuso sexual podem estar mentindo. Contudo, o autor admite que a criança possa mentir ao acusar falsamente um membro da família de abuso sexual, como afirmamos anteriormente.
Essa orientação de Furniss (2002), na qual revela certa tendenciosidade no trato de questões relativa à prática profissional em casos de suspeita de abuso sexual, é criticada por profissionais e estudiosos da área, pois a diferença entre suspeita infundada e resistência da criança não é considerada, ou melhor, é pouco explorada pelo autor, vigorando a idéia de que toda alegação de abuso sexual contra a criança é verdadeira, mesmo quando é pouco consubstanciada e/ou negada.
Nesse sentido, entendemos que a entrevista de revelação deveria ser, por princípio, um mecanismo que subsidiasse o profissional na criação de um espaço de escuta mais apurada da criança, em que esta pudesse ser ouvida como criança e não como “vítima” obrigada a revelar a ocorrência ou não do abuso sexual.
Entretanto, porque a técnica de revelação, proposta por Furniss (2002), tem por base a Síndrome do Segredo, a postura profissional recomendada pelo autor no atendimento a crianças consideradas vítimas de violência sexual é a do especialista que possui o saber e o poder suficientes para fazer a criança revelar o abuso que se presume verdadeiro.

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7a Câmara Cível


Apelação nº 0004160-83.2007.8.19.0207
3a Vara Cível da Regional da Ilha do Governador – Comarca da Capital

Apelante: CONCEIÇÃO RIBEIRO DA SILVA

Apelado: RICARDO LUIS FRANÇA

Relator: Des. RICARDO COUTO DE CASTRO

AÇÃO INDENIZATÓRIA DECORRENTE DA INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL FUNDADO EM FALSA IMPUTAÇÃO DE
CRIME DE ABUSO SEXUAL CONTRA O PRÓPRIO FILHO E DO
DESPROPOSITADO AJUIZAMENTO DE AÇÃO DE SUSPENSÃO DE PÁTRIO PODER UTILIZANDO-SE DESTE FUNDAMENTO – DEMONSTRAÇÃO DE NOTÍCIA DESVIRTUADA E INCOMPATÍVEL COM A VERDADE DOS FATOS -DANO MORAL CONFIGURADO.

1-Preliminar de nulidade da sentença, por violação ao princípio da identidade física do juiz, afastada.
2-Demonstrado nos autos a imputação leviana, por parte da genitora do menor, de prática de crime de abuso sexual pelo pai da criança, com o objetivo de afastá-lo de sua convivência.
3-Abuso no direito de informar às autoridades competentes a possível
ocorrência de delito, bem como do direito de ação, que atingiu,inegavelmente, a reputação do Autor, configurando dano
moral indenizável, que, no caso, foi bem mensurado, não merecendo modificação.
4. Recurso a que se nega seguimento, nos moldes do art. 557, caput, do CPC.

RICARDO LUIS FRANÇA, qualificado na inicial, propôs a presente demanda em face de CONCEIÇÃO RIBEIRO DA SILVA, objetivando reparação moral por ter sido falsamente acusado de prática de abuso sexual em seu filho.
Como causa de pedir, sustenta que a ré, com quem manteve relacionamento amoroso, envidou esforços no sentido de imputar ao mesmo a prática de crime de abuso sexual em face do filho, havido da relação que tiveram, com o fim de afastá-lo de sua convivência.
Aduz que após a visitação ocorrida no dia 17/04/2005, que se deu por força de determinação judicial, a ré, com o propósito de denegrir sua imagem, se dirigiu ao Hospital Geral de Bonsucesso, alegando que seu filho teria sido vítima de abuso sexual por seu pai, em decorrência de uma assadura no pênis.
Acrescenta que, após o mencionado atendimento hospitalar, a ré levou o menor ao IML, para realizar exame de corpo de delito e também se dirigiu à 21º DP, promovendo Registro de Ocorrência sobre o fato.
Relata que a ré ainda ajuizou na vara de família ação de destituição de pátrio poder, onde restou demonstrada a sua intenção em difamá-lo, com o fim único de que não mais tivesse contato com o filho, bem como lançou mão de processo criminal contra si, que foi arquivado, sob o mesmo entendimento.
Acrescenta que o Exame de Corpo de Delito realizado no menor comprovou a não ocorrência da violência e que as provas colhidas demonstraram que as acusações feitas pela ré eram infundadas, mas ainda assim, a ré tentou o desarquivamento do inquérito instaurado contra si, junto ao Procurador Geral da Justiça.
Fundamenta o ajuizamento da demanda, por ter sido obrigado a comparecer em sede policial, ao juízo de família e criminal, para se defender das falsas acusações levantadas pela ré e por ter sido exposto à prática de crime sexual contra seu próprio filho (fls. 02/09).
Sentença às fls. 239/243, no sentido da procedência do pedido, condenando a ré a pagar a quantia de R$ 25.000,00, a título de reparação moral.
Apelação da ré, às fls. 245/249, postulando, inicialmente, a nulidade da sentença, por violação ao princípio da identidade física do juiz. No mérito, pugna pela reversão do julgado, ressaltando que não teve intenção de incriminar o autor, mas unicamente de levar o fato às autoridades públicas. Na eventualidade, pugna pela redução do quantum indenizatório.
Contra-razões às fls. 262/269.

É o relatório.

O recurso interposto é tempestivo, e guarda os demais requisitos de admissibilidade, de forma a trazer o seu conhecimento.
Passado este ponto, entra-se na sua análise.
A preliminar de nulidade da sentença, por violação ao princípio da identidade física do juiz não vinga.
Como se sabe, o princípio da identidade física do Juiz, disposto no art. 132 do CPC, visa a melhor solução da lide pelo julgador, porém, o princípio em questão não é absoluto, eis que são excetuados pela lei as situações de convocação, afastamento por qualquer motivo, promoção ou aposentadoria do magistrado, casos em que seu sucessor prolatará a sentença, dando solução à lide.
No caso, foi o que ocorreu.

A Magistrada, Dra. MARIA CHRISTINA BERARDO RUCKER, juíza titular da 3º Vara Cível da Regional da Ilha do Governador à época, e que presidiu a audiência de instrução, foi removida, assumindo titularidade de outra vara.
Assim, não há que se falar em violação ao princípio da identidade física do juiz, motivo pelo qual se afasta a preliminar de nulidade.
Ultrapassada esta questão, passa-se ao exame do mérito.
Examinando-se os autos, verifica-se que a ré/apelante não nega a busca pela apuração de suposto crime de abuso sexual, que teria vitimado seu filho, havido de seu relacionamento com o autor/apelado, após o encontro deste com aquele no dia 17/04/2005, mas apenas não considera que a procura às autoridades públicas tenha tido o condão de causar dano de ordem moral ao autor.
Da análise do conjunto probatório delineado nos autos, note-se que restou efetivamente demonstrado que a ré pretendia desqualificar o autor por meio de falsa imputação de crime sexual contra seu filho.
Note-se que a ré fez afirmações categóricas à médica que atendeu o menor na noite seguida à visitação do autor, no sentido de que este teria abusado sexualmente daquele, conforme se constata do boletim de atendimento médico acostado às fls. 14/15.

Mas, não só.

Infere-se do mesmo documento que, apesar de a médica informar a inexistência de lesão no menor, a ré insistiu na realização de laudo médico, que não foi realizado, pela razão ora exposta.
Constata-se, ainda, que, apesar da ausência de constatação de lesão por parte da médica responsável pelo atendimento do menor, a autora o encaminhou ao IML para realização de Exame de Corpo de Delito.
Não obstante isto, a autora procedeu ao registro da ocorrência na
21º DP, e da análise de sua narrativa em sede policial, evidencia-se clara sua pretensão em conduzir o foco das investigações policiais ao autor, uma vez que menciona que a lesão no pênis do menino apareceu após passar a tarde com seu pai.
A notícia tal como disposta, se apresenta, inquestionavelmente, de modo malicioso, deixando evidente a tentativa da ré em convencer as autoridades acerca da autoria do suposto crime.
Ressalte-se que a ré ratifica suas declarações em sede policial, quando chamada para depoimento (fls. 22/23), acrescentando a ocorrência de mudança de comportamento da criança após seu encontro com o pai, a indicar, sem sombra de dúvida, sua intenção em dar continuidade às investigações policiais contra o autor.
Vale mencionar que o inquérito policial instaurado em torno do relato produzido pela ré foi arquivado, e, não obstante, a ré provocou o reexame da questão pelo Procurador Geral da Justiça (fls. 67/76).
Acrescente-se a isto o fato de que a ré ajuizou ação de suspensão de poder familiar em face do autor, onde menciona, como uma das causas de pedir, a suspeita de maus tratos por parte do pai da criança e a constatação da mencionada lesão no corpo do menor (fls. 28/47).
Observe-se que neste processo restou demonstrada, pelo estudo social realizado, a insistente recusa da ré em permitir que o autor visitasse seu filho, o que só se tornou possível, por determinação judicial (fls. 57), a justificar sua conduta em tentar desqualificar a figura do pai da criança.
Veja-se, ainda, que no mencionado estudo social, vislumbrou-se a possibilidade da suposta lesão ter origem em massagens de fimose feita pela ré no menor (fls. 50 e 60).
Parece, pois, evidente o desejo da ré em denegrir a imagem do autor, imputando-lhe falsa acusação de prática de abuso sexual, com o objetivo de afastá-lo do convívio com o filho.
Conforme bem asseverado pelo julgador monocrático, todos os profissionais envolvidos na apuração do fato atingiram a mesma conclusão, de inexistência de indícios capazes de demonstrar a efetiva ocorrência de violência ou maus tratos contra a criança, e de ausência de provas da participação do autor.
Tem-se, portanto, por inverídica as informações prestadas pela ré, eis que cria fato inexistente.
Assim, sua conduta constitui numa evidente demonstração de abuso de direito, atingindo objetiva e subjetivamente a honra do autor.
Conclui-se, portanto, estar plenamente configurado o dano moral sofrido pelo autor pela conduta ilícita da ré.
Constatado o cabimento da indenização moral, passa-se a quantificação do dano.
No caso vertente, deve-se atentar para o fato de o autor ter sido alvo de investigação policial, relativamente ao crime de abuso sexual em seu próprio filho, assim como para o desvirtuamento da informação e a conseqüente repercussão na vida do autor.
Logo, a indenização deve ser suficiente para compensar com plenitude o mal praticado e representar verdadeira sanção civil, capaz de desestimular a repetição de episódios semelhantes.
Neste contexto, tem-se que o valor dos danos morais – R$
25.000,00 - foi arbitrado com moderação, atentando-se para as peculiaridades do caso vertente, a proporcionalidade, a lógica razoável e os transtornos suportados pelo autor.
Pelo exposto, nega-se seguimento ao recurso, nos moldes do art.557, caput, do CPC, mantendo-se na íntegra a sentença.

Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2010.


RICARDO COUTO DE CASTRO
DESEMBARGADOR RELATOR


avfdas

Praça de 400 anos em Sergipe pode ser declarada patrimônio mundial pela Unesco


SÃO PAULO - Uma praça no interior de Sergipe, construída no final do século XVI e início do século XVII, pode se tornar patrimônio cultural da humanidade, em decisão que será tomada pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). A praça de São Francisco fica na cidade de São Cristóvão, distante 23 km de Aracaju e primeira capital sergipana. O município é tombado como patrimônio material pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e é o quarto mais antigo do país.
A praça, que também foi objeto de tombamento individual, é única candidata brasileira em lista que está sendo analisada pela Unesco. A decisão do órgão da ONU deve sair até o fim da tarde deste sábado. Localizada na parte alta da cidade, a praça, que tem mais de 400 anos, apresenta influências portuguesas e espanholas. Os limites da praça são definidos pela Igreja e o Convento de São Francisco, o Museu de Arte Sacra (antiga Capela da Ordem Terceira), a Santa Casa e Igreja de Misericórdia, o Palácio Providencial, e casario antigo. Algumas destas construções datam de 1693. Da praça também é possível apreciar o Museu Histórico.




Mas além de ser importante do ponto de vista arquitetônico, a Praça de São Francisco é centro de de manifestações culturais, religiosas e festivas da cidade. É lá que grupos folclóricos como as taieiras , caceteiras e langas se reúnem. No local também são realizados eventos de frevo, forró, serestas, e são comemoradas datas como Carnaval e festas de São João. Segundo o site do governo organizado para promover a campanha pela eleição como patrimônio mundial da Unesco, escritores como Gregório de Matos e Jorge Amado já declararam amor à praça e ao centro histórico da cidade.
A praça de São Francisco vem recebendo melhorias nos últimos anos. O Ministério da Cultura já investiu mais de R$ 770 mil na requalificação do local e também na restauração dos elementos artísticos de outro bem histórico da cidade de São Cristóvão, o Convento Santa Cruz.


O Globo
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