segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Denúncias de abuso sexual podem prejudicar missão no Haiti, diz ONU


A porta-voz da missão de paz da ONU para o Haiti (Minustah), Eliane Nabaa, reconheceu nesta segunda-feira que as acusações de abuso sexual contra um adolescente envolvendo militares do Uruguai pode causar prejuízo à relação dos “capacetes azuis” com o povo haitiano.

"É lamentável. Isso pode impactar nossa relação com os haitianos. Não podemos tolerar. Isso é muito sério. Pode impactar centenas, milhares de pessoas que têm feito um trabalho maravilhoso aqui", diz Eliane Nabaa, porta-voz da Minustah, por telefone à BBC Brasil.

O escândalo veio à tona na última semana, quando vazou na internet um vídeo feito por celular mostrando um garoto sendo supostamente abusado por militares uruguaios a serviço do ONU em uma base no sul do país.

O governo do Uruguai determinou o retorno de cinco "capacetes azuis" do país acusados de envolvimento no caso.

A porta-voz da Minustah, cujo comando militar é liderado pelo Brasil, disse que este é o primeiro caso de abuso sexual registrado pela organização.

Nabaa disse que uma comissão de inquérito está investigando o caso, que a ONU considera "inaceitável".

O caso pode aumentar a tensão entre os haitianos e as forças de paz. No ano passado, a ONU foi alvo de vários protestos durante a epidemia de cólera que matou cerca de 6 mil pessoas no país. Os "capacetes azuis" do Nepal foram acusados de disseminar a doença.

O governo uruguaio anunciou que está tomando “medidas exemplares e severas” para lidar com as acusações. Disse ainda que os acusados serão julgados e poderão ser condenados.

'Tolerância zero'
A porta-voz da Minustah disse que a ONU reagiu rapidamente às acusações de abuso assim que tomou ciência do caso, na última semana.

"A ONU tem uma política de tolerância zero com casos de exploração e abuso sexual", disse Nabaa.

No vídeo veiculado pela internet, um adolescente é imobilizado pelos militares sobre um colchão, em meio a risadas, em um aparente abuso sexual por parte dos soldados.

"As acusações são muito sérias e devem ser levadas à Justiça", disse. Nabaa não soube responder se os militares uruguaios correm o risco de serem julgados pela Justiça haitiana.

O Uruguai tem 1.2 mil militares servindo na Minustah. Na última semana, o ministro da Defesa, Eleuterio Fernandez Huidobro, classificou o caso como "aberrante".

O governo uruguaio também determinou uma investigação, que irá averiguar ainda possíveis casos de haitianas grávidas de “capacetes azuis”.

Protestos
As forças da Minustah atuam no Haiti desde 2004, quando o país mergulhou em um conflito civil após a queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide.

Lideradas pelo Brasil, as forças militares se envolveram em algumas polêmicas, sendo acusadas de uso excessivo da força em algumas ocasiões.

A epidemia de cólera também prejudicou a imagem da ONU no país.

O mandado da missão de paz foi estendido no ano passado, após o país sofrer um terremoto de grandes proporções, que deixou centenas de milhares de mortos.

Apesar da presença da ONU, o país ainda vive uma situação instável. No início deste ano, os haitianos elegeram um novo presidente, Michel Martelly, que luta para se fortalecer politicamente em um cenário de grande fragilidade institucional.

BBC Brasil

Tratamento da dependência de crack e a internação compulsória


Nos últimos tempos, o crack tem sido muito discutido e apontado como o grande mal-estar da civilização atual. Inúmeras matérias têm vinculado a dependência ao crack a uma epidemia sem controle no país, considerando-a como um fato consumado e legítimo.

Apesar destas “certezas” instaladas, vale ressaltar que uma das dificuldades centrais do Brasil é a realização de estudos atualizados e de escala nacional sobre esta problemática. O que tem sido visto são diversos trabalhos de caráter não representativo do país como um todo, abusivamente utilizados e denominados como tais, o que gera uma série de distorções e falhas de estimativa e interpretação.

Para agravar ainda mais este quadro, constata-se a escassa e bastante defasada experiência de pesquisa com populações em situações de rua, e as últimas publicadas nesse sentido são em locais anteriores à emergência do crack.

Sob este panorama, é importante o cuidado do trato sobre esta problemática bem como investigações neste sentido. Vale aqui destacar a pesquisa em curso na Fiocruz em parceria com a SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas)1 que busca traçar o perfil do usuário de crack no Brasil. Esta lança mão de métodos mais novos – como geoprocessamento e utilização de amostras complexas – que, provavelmente, redefinirão o entendimento e a abordagem dessa questão nos próximos anos.

É claro que a falta de dados consistentes e atuais sobre o enfretamento do uso e da dependência do crack não significa que deva ser desconsiderado. Porém, cabe salientar que estas conclusões gerais e radicalizadas tendem a provocar intervenções extremas e imediatas sem que haja espaço para uma reflexão adequada sobre este complexo problema.

Nos dias atuais, observa-se a implementação de diversos procedimentos descolados das diretrizes básicas de atenção aos usuários de álcool e outras drogas, que têm sido construídas e, indiscutivelmente progredido, a partir dos trabalhos teórico-práticos desenvolvidos ao longo dos anos.

Destaca-se, por exemplo, a Política do Ministério da Saúde para Atenção Integral aos Usuários de Álcool e Outras Drogas criada em 2004. Este documento contempla, a perspectiva da atenção integral e a produção de autonomia do sujeito, criando práticas comprometidas com a promoção, prevenção e o tratamento dos agravos relacionados ao uso de drogas e à dependência química.

Sob este ponto de vista, a reabilitação psicossocial e a reinserção do usuário apostam na potencialidade do território comunitário, valorizando-o no processo de saúde-doença em relação ao consumo de substâncias. Assim, tornou-se imperativo o incremento de ações extra-hospitalares, investindo nos conceitos de território e de rede para tecer o cuidado integral. A comunidade e o meio cultural passaram então a ser elementos fundamentais para este novo modo de conceber saúde mental.

Esta modalidade de cuidado vem de encontro ao que predomina no imaginário social. Este último tende a mitificar a internação, considerando-a como a única medida resolutiva no que tange aos usuários drogas. Desta maneira, a hospitalização é utilizada de forma indiscriminada sem que haja uma avaliação adequada do caso.

Diferentemente do que predomina no imaginário social – que o isolamento através da internação é o melhor modo de cuidado do dependente químico –, é o fortalecimento das relações dos recursos locais com o sujeito que possibilitam mudanças.

Alguns municípios do Brasil, por exemplo, adotaram a compra de leitos em hospitais privados como estratégia de cuidado, buscando ofertar o número suficiente de internações aos dependentes de drogas. Tal prática, além de extremamente custosa ao SUS, não discute a real necessidade do paciente.

Nos atendimentos dos usuários de drogas, percebe-se claramente que seu pedido – e dos familiares – via de regra é pelo internamento, muitas vezes por desconhecerem outras possibilidades de tratamento. Esta modalidade de tratamento, como na abordagem de outras patologias da saúde, precisa ser compreendida como recurso último, exigindo a elevada complexidade do nível hospitalar. A internação deve acontecer em situações graves e seguir em acompanhamento após a alta, sob pena de novas e sucessivas internações.
Sob esta perspectiva, mesmo para os casos mais graves, primeiramente, devem ser oferecidos serviços que proporcionem os cuidados intensivos necessários e, ao mesmo tempo, mantenham os vínculos familiares e sociais, diferentemente do internamento.

Destaca-se como interessante alternativa ao modelo asilar e de confinamento, os Centros de Atenção Psicossocial em Álcool e Outras Drogas (CAPS-AD). A modalidade de atendimento é multiprofissional, sendo o projeto terapêutico singular para cada pessoa, contemplando suas necessidades e desejos. Nesses espaços, o tratamento psicoterápico em conjunto ao medicamentoso, quando necessário; os atendimentos às famílias; os trabalhos de geração de renda e as oficinas terapêuticas são desenvolvidos. É importante esclarecer que este serviço está sempre pronto para acolher o usuário, não exigindo a sua abstinência como pré-requisito à inserção no tratamento. Além disso, outro aspecto fundamental no atendimento aos usuários de drogas, é o trabalho de reabilitação visando à reinserção social e familiar do cidadão.

Considerando que a internação não deva ser considerada como primeiro recurso no cuidado aos usuários de álcool e outras drogas, a internação compulsória tampouco. Verifica-se que o número de recaídas nestes casos gira em torno 96 a 97% . Em outras palavras, torna-se praticamente ineficaz.

Diante desta ineficácia, entende-se que esta serve apenas, como meio de impedir um perigo imediato do paciente para a sua própria segurança ou de outras pessoas, num curto prazo de tempo. Vale esclarecer que o Ministério Público Estadual é a instância que deve acompanhar e regular este procedimento.

Neste sentido, quando se vincula diretamente o cuidado das crianças e adolescentes usuários de crack à internação compulsória, traz-se grande preocupação. Não só por sua ineficácia e pelo seu alto custo comparado a outras modalidades de intervenção, mas também por não apresentar um plano terapêutico que considere a grande complexidade a que este público está inserido.

Ao se falar em crianças e adolescentes usuárias de crack, não pode esquecer-se da situação de rua em que se encontram. Muitas destas, diferentemente do que predomina no imaginário social, não estão nas ruas em decorrência das drogas, mas sim o estão em virtude de um processo violento de exclusão social e familiar. Em outras palavras, o uso abusivo de drogas consiste em um sintoma decorrente de uma emaranhada e sofrida situação.

Para se conseguir, então, resultados mais positivos e consistentes no que tange às crianças e adolescentes moradoras de rua e usuárias de crack é essencial o trabalho de resgate da cidadania. Isto quer dizer que, para que o trabalho aconteça, é necessário que estes sejam reconhecidos enquanto sujeitos e, mais ainda, enquanto sujeitos de direitos.

Sob esta perspectiva, o acolhimento e a formação do vínculo são os pontos a serem perseguidos na primeira etapa de trabalho. Com estes estabelecidos, devem ser fortalecidas e desenvolvidas ações que busquem a prevenção, a promoção e os cuidados em saúde, que vão para muito além do uso da droga. É claro que estas devem estar aliadas ao trabalho intersetorial – em parceria com os setores da educação e da assistência social, por exemplo – para que se promova um real redirecionamento das trajetórias de vida destas crianças e adolescentes, considerando as suas singularidades.

Em outras palavras, deve-se ter sempre em mente que, quando trabalha com crianças e adolescentes moradoras de rua e usuárias de crack, a busca pela reinserção familiar e social é imprescindível para este processo de cuidado aconteça.

1 Projeto de Pesquisa “Perfil dos usuários de crack nas 26 capitais, DF, 9 regiões metropolitanas e Brasil”, junho de 2010. Coordenado por Francisco Inácio Bastos (FIOCRUZ) e Flavio Pechansky (UFRGS);

2 Entrevista com Dartiu Xavier da Silveira, psiquiatra e coordenador do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, no Jornal da CBN, em 01 de agosto de 2011.


Os textos publicados na seção Colunistas são de responsabilidade dos autores e não exprimem necessariamente a visão do Portal Pró-Menino.

Fabiana Lustosa

prómenino

Tufão Talas provoca morte na passagem pelo Japão


TÓQUIO - O número de mortes provadas pelo tufão Talas aumentou para 29 no Japão anunciou nesta segunda-feira a agência de notícias Kyodo. Pelo menos 56 pessoas continuam desaparecidos e cerca de 460 mil foram ordenadas a deixarem suas casas nas regiões oeste e central do país. O tufão também inundou casas e provocou a destruição de uma ponte.

Em um de seus primeiros atos públicos, o primeiro-ministro Yoshihiko Noda, empossado apenas um dia antes da tormenta chegar à ilha, afirmou que o governo vai providenciar assistência para população afetada o mais rápido possível. Seu antecessor, o ex-premier Naoto Kan foi, em parte, pressionado a deixar o cargo após ter revoltado a população com sua resposta à tsunami, que devastou o país em março, e à crise nuclear em Fukushima. Muitos acusaram Kan de negligência.

- Nós vamos fazer tudo que for possível para resgatar pessoas e procurar os desaparecidos - prometeu Noda.

A primeira região atingida foi a ilha de Shikoku, onde o tufão tocou a terra no sábado. A principal ilha do país, Honshu, só foi afetada pelos fortes ventos na manhã de domingo.

A agência meteorológica japonesa alertou que deve haver mais chuva e que o os moradores das regiões atingidas devem ficar em casa. Na manhã de domingo, a tempestade estava se movendo para o Norte a uma velocidade de 10 quilômetros por hora.

A companhia Tokyo Eletric Power Co (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima, informou que a instalação, danificada pelo terremoto e a tsunami que devastaram o Japão em março, não foi afetada pelo tufão. Os níveis de radiação na usina, que sofreu vazamentos, continuam altos.

O Globo

Corpo de arquiteto assassinado em Ipanema é sepultado no Caju

Cachorrinha do arquiteto, que estava dentro do carro no momento do crime, foi levada ao sepultamento | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Rio - O corpo do arquiteto Rômulo Castro Ramos Tavares, morto durante tentativa de assalto no último sábado, em Ipanema, foi sepultado no fim da manhã desta segunda-feira no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária da cidade. O corpo estava sendo velado na capela 1 do Memorial do Carmo desde 18h de domingo.

Cerimônia

Os familiares do arquiteto levaram para o velório a cachorrinha do arquiteto, que estava com ele no carro no momento do crime. As paredes da capela foram cobertas com poemas de Cecília Meireles. Entre as pessoas presentes estava o cenógrafo Gringo Cardia, que era muito amigo de Rômulo.

"Como pode uma pessoa ser assassinada na porta de casa por nada? Com tantas famílias acontece isso o tempo todo. É preciso dar condições mais dignas às pessoas para acabar com essa guerra na qual vivemos. Ele foi mais um mártir da cidade mais linda do mundo, mas que tem tanta brutalidade", lamentou. A coreógrafa Débora Colker também estava no enterro.

Imagens de câmeras de segurança devem ajudar a polícia a identificar os assassinos do arquiteto Rômulo Castro Ramos Tavares, 33 anos, morto sábado, às 11h, em Ipanema. As gravações dos prédios vizinhos já foram solicitadas pela Divisão de Homicídios. Ele morreu durante tentativa de assalto na Rua Prudente de Morais, na altura do número 680, um dos locais mais badalados do bairro, perto do bar Vinicius.

No momento do assalto, Rômulo, que usava um relógio Rolex, entrava na garagem do edifício com o vidro do carro aberto. Ele foi rendido por um homem armado, com capacete. Um comparsa acompanhava a ação em uma motocicleta, também com o rosto coberto. Ao ser abordado, Rômulo teria descido do veículo e caminhado em direção ao bandido, que atirou.

Segundo vizinhos, Rômulo, que completou 33 anos na última sexta-feira, era uma rapaz tranquilo e morava no prédio há dois anos.

A família do arquiteto que mora na Bahia veio para o Rio. Os criminosos não levaram o veículo e nenhum pertence da vítima. O primo do arquiteto, o jornalista Francisco Loffredi soube do crime pelo noticiário na televisão e correu para o local. “Era um jovem cheio de vida, querido por todos e um profissional muito bem sucedido”, contou. Rômulo sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu a caminho do Hospital Miguel Couto, na Gávea.

Moradores de Ipanema se queixam da falta de segurança no bairro. Os crimes praticados por motoqueiros e gangues de bicicleta assustam quem frequenta a região.“Apontaram a arma para minha esposa e levaram o celular”, criticou o síndico do prédio onde morava Rômulo, André Luis Saldanha, que planeja instalar câmeras no prédio. O 23º BPM, do Leblon, confirmou o aumento, em agosto, de assaltos praticados por bandidos em motos e disse que faz operações diárias para abordar motoqueiros.

O DIA ONLINE

Menino liga para polícia após ser deixado em casa com irmãos


A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou nesta segunda-feira que foi instaurado um inquérito policial para investigar o abandono de três crianças no último sábado (3), na casa em que moram, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo).

Os pais, assim como as três crianças, estiveram no Conselho Tutelar da cidade na manhã desta segunda. No início da tarde, os pais já estavam na delegacia da cidade prestando esclarecimentos.

O filho mais velho, de 12 anos, foi quem acionou a polícia pelo telefone 190. O garoto relatou que estava trancado com os irmãos --um de 2 anos e outro de cinco meses-- e que não havia comida. Ele afirmou que era comum ficar trancado em casa, e disse ter sofrido maus-tratos da mãe, inclusive queimaduras por água quente.

A secretaria informou que testemunhas confirmaram a versão do menino. O pai das crianças trabalha em São Bernardo do Campo (Grande SP), e contou à polícia que desconhecia os maus-tratos. Os três irmãos foram entregues a ele, sob supervisão do Conselho Tutelar.

Ouça a gravação em:
Folha OnLine

Menino de dez anos é flagrado preso em delegacia no PA

Garoto foi detido junto com um adulto que o acompanhava em um assalto

Um menino de dez anos foi flagrado preso junto com outros detentos em uma delegacia de Belém (PA). O menino teria roubado um celular de uma mulher no farol, junto com um adulto. A polícia, em vez de encaminhar o garoto para o Conselho Tutelar, acabou o deixando junto com os presos.

Segundo o menor, ele estava no local há dois dias. A delegada de plantão disse que só colocou o garoto lá, porque não havia outro lugar. Uma equipe de repórteres flagrou o garoto sendo acompanhado ao ir o banheiro e então trancar a porta.

O escrivão e um investigador explicaram que o menino aguardava na delegacia até que a ocorrência com adulto que o acompanhava fosse finalizada. O garoto já foi transferido para o centro especializado em crianças em adolescentes

R7

domingo, 4 de setembro de 2011

Trabalho em áreas carentes vai render ponto extra para médicos recém-formados


Governo quer atrair profissionais para regiões do pais onde há carência de atendimento

Recém-formados em medicina que trabalharem em municípios em situação de extrema pobreza ou na periferia das grandes cidades vão ganhar até 20% de pontos extras na nota final das provas de residência. Essa é mais uma estratégia do governo federal para atrair os médicos para regiões do país onde há carência de profissionais da área de saúde.

O bônus faz parte do Programa de Valorização dos Profissionais na Atenção Básica, elaborado pelos ministérios da Saúde e da Educação. A partir de fevereiro de 2012, serão abertas 2 mil vagas para os interessados no projeto. Para receber 20% de pontos extras, o residente precisa ficar dois anos no programa. Quem trabalhar por apenas um ano, terá direito à metade dos bônus. Os pontos extras já valerão para os exames aplicados em novembro de 2012.

Até o final do ano, sairá a lista com os municípios participantes do programa. O Conselho Nacional de Residência Médica vai divulgar os índices de pontuação.

Os recém-formados serão acompanhados por um tutor de uma instituição de ensino e terão assistência dos núcleos do programa Telessaúde, que oferece educação na área de saúde à distância.

Na semana passada, o Ministério da Saúde divulgou a lista dos mais de 2 mil municípios pobres em que médicos que tiveram a faculdade custeada por meio do Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior) poderão trabalhar para abater a dívida.

R7

Com ouro de Jade e Diego, Brasil soma cinco medalhas na etapa de Ghent da ginástica artística


Equipe brasileira deu show na reta final de preparação para o Mundial e o Pan

Com ouro e bronze de Diego Hypólito no solo e no salto, mais ouro de Jade Barbosa no salto, com bronze de Adrian Gomes na mesma prova e outro bronze de Daiane dos Santos no solo, o Brasil sai da etapa de Ghent, Bélgica, da Copa do Mundo de Ginástica Artística, com cinco medalhas. E melhor: com boa expectativa para o Mundial de Tóquio e para os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em outubro.

Em Ghent, última grande competição antes do Mundial, esteve a maioria dos grandes atletas de 41 países (140 inscritos no masculino e 80 no feminino).

A equipe masculina teve o comando do técnico Renato Araújo. Além de Diego, o Brasil teve ainda, nas finais por aparelhos, Arthur Zanetti nas argolas.

A equipe feminina, do técnico Ricardo Pereira, as três ginastas do país que passaram às finais garantiram pódio. E Daiane, em sua volta às competições, poderia até ter conseguido um degrau a mais se não tivesse “quicado” novamente para fora da área permitida.

O Mundial de Ginástica Artística, em Tóquio, será de 7 a 16 de outubro, com pouquíssimo tempo de intervalo e grande distância de voo e de fuso horário, para o Pan de Guadalajara, que terá as competições do esporte entre os dias 19 e 31 do mesmo mês.

A Rede Record transmitirá os Jogos Olímpicos de Londres-2012 com exclusividade na TV aberta brasileira, e também pela internet. A emissora também detém os direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara-2011 e Toronto-2015, e da Olimpíada do Rio de Janeiro-2016.

R7

Mães falam de drama vivido por filhos com doença rara em MS


Especialista afirma que a 'púrpura' ainda é um mistério para a classe médica.
'Ele não pode ir à escola' diz mãe de garoto de 3 anos que tem a doença.


Há quase um ano, a técnica em radiologia Juliana Faria Muzili, 25 anos, descobriu que o filho Yan Faria Muzili, 3 anos, era portador de uma doença rara que impossibilita o contato com outras crianças. A púrpura trombicitopênica idiopática, a chamada púrpura, atinge o sistema imunológico e, segundo os médicos, um simples resfriado, pode ser fatal.

Juliana explica que, por causa do problema, o menino não pode ir à escola ou praticar qualquer tipo de atividades que envolva o contato com outras crianças.

“Todos os dias ele pede para eu levá-lo na escolinha, me corta o coração, mas se ele tiver contato com uma criança com gripe por exemplo, ele fica muito doente e eu tenho muito medo”, diz a técnica em radiologia.

O problema foi diagnosticado após 18 dias de internação com suspeita de uma virose, em agosto de 2010. “Meu filho estava muito ruim, ele não queria comer, estava muito alterado, sentia muita sede e muita vontade de ir ao banheiro”, conta Juliana.

Um hemograma realizado na época apontou que Yan tinha 2 mil plaquetas por mm³ de sangue, quando o normal para uma criança nessa idade, de acordo com os médicos, é 150 mil.

O cancerologista e oncologista pediatra responsável pelo tratamento do garoto, Atalla Mnayarji, explica que a doença também acarreta dificuldades na coagulação. “A hemorragia é o mais preocupante, uma pancada simples pode causar proporções sérias”, afirma o especialista.

Além da púrpura, Yan também foi diagnosticado com diabetes. A mãe relata que os médicos não souberam explicar se alguma das duas doenças influenciou a outra. Ela diz viver um verdadeiro dilema, pois, com a diabetes, seria necessário que o menino praticasse atividades físicas, mas a púrpura impede o contato com outras crianças.

Outro Caso
Cleide Mendes, de 23, anos perdeu a filha de 10 anos em novembro de 2010 vítima da púrpura, menos de oito meses após o diagnóstico.

A mãe conta que percebeu pequenas manchas roxas na pele da filha e quando a levou no médico, foi constatada baixa quantidade de plaquetas no sangue. Exames apontaram que a menina tinha a doença.

Durante o tratamento, uma dor forte na perna levou a filha de Cleide à internação. Com a baixa imunidade, pegou sarampo de outro paciente.

“Tinham poucos médicos que entendiam sobre a doença. Minha filha ficou muito ruim por uns dias. De repente ela começou a se despedir de todo mundo. Naquele mesmo dia, minha filha morreu sorrindo nos meus braços”, lembra a mãe. “A púrpura, é uma doença muito silenciosa. As mães têm que prestar muita atenção no corpo dos filhos”.

A doença
Mnayarji explica que a doença ainda é um mistério para a classe médica. Existem muitos estudos, mas nenhum conclusivo sobre a causa. Segundo ele, já foi descoberto que não se trata de um problema genético, e pode surgir em qualquer pessoa, em qualquer idade. Segundo o médico, os principais sintomas são baixa imunidade e manchas rochas pelo corpo.

Ainda de acordo com o especialista, a doença pode ser controlada durante o tratamento, ainda que existam casos de pacientes que há anos convivem com a púrpura. Medicamentos são usados para que as taxas de plaquetas voltem à normalidade, caso estejam baixas. Para tanto, é feito o acompanhamento semanal do paciente por meio de hemogramas. “Quando o paciente responde bem ao tratamento a doença fica estável, mas quando não responde se torna grave”, diz Mnayarji.

G1

Para cumprir metas, Estado do Rio arquiva 96% dos inquéritos de homicídio


RIO - O comissário de polícia Domingos Lopes caprichou no relatório: "Nas investigações surgem bastantes indícios do envolvimento no crime por parte de Valdilene, Sandro, Roberto, Marcelo Barbosa e Ademir Siqueira". Diferentemente da maioria dos inquéritos de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, a delegacia surpreendeu ao apontar os suspeitos da morte do guarda municipal Marcelo Caetano da Costa. O comissário queria novas diligências, mas o promotor do caso, Sérgio Pinto, foi implacável. Em abril, quatro anos depois do relatório, ele concluiu: "Fato não testemunhado, autoria ignorada. Pelo arquivamento".

O caso de Marcelo Caetano, assassinado a tiros dentro de casa, em abril de 2005, é um dos 6.447 inquéritos de homicídios arquivados em apenas quatro meses (abril a julho) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Esse caso, porém, só não cairá no esquecimento porque um juiz não aceitou a decisão. Mas outras muitas mortes ficarão sem esclarecimentos para que o MP fluminense possa cumprir a Meta 2, uma determinação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) para que todos os inquéritos de homicídios dolosos abertos até 2007 sejam concluídos ainda este ano.

Quando a Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp) estabeleceu a meta, o objetivo era combater a impunidade, sacudindo a poeira de 140 mil inquéritos abandonados nos cartórios policiais do país. Na prática, porém, os promotores optaram por arquivar em massa, em vez de investir mais nas investigações, para chegar a dezembro com prateleiras vazias.

Nos primeiros quatro meses de Meta 2, os MPs do país já arquivaram 11.282 casos e ofereceram denúncia em apenas 2.194. O Rio é o segundo maior arquivador: pediu o encerramento de 96% dos casos examinados. O estado fluminense, só superado por Goiás (97%), tem mais da metade de todos os inquéritos arquivados no Brasil por causa da Meta 2.

Entre as vítimas, pobres são maioria

O exame de uma amostra dos inquéritos que tiveram esse destino, numa das quatro varas do Tribunal do Júri da capital, revela que alguns promotores, para zerar o acervo, estão ignorando evidências ou arquivando investigações que nem chegaram a começar em inquéritos que se resumem à mera troca de carimbos entre a delegacia e o MP.

Em abril, quando o trabalho começou, o Rio acumulava 47.177 inquéritos em aberto. As vítimas eram, geralmente, moradores de áreas pobres e violentas, muitos deles com anotações criminais, presas preferenciais dos grupos de extermínio que agem nesses lugares. Na pressa de reduzir a pilha, alguns promotores cometeram erros crassos, facilmente descobertos no exame de páginas que provavelmente nem foram abertas para ensejar a decisão pelo arquivamento.

O servente Geílson Gomes de Carvalho, de 35 anos, foi retirado de casa e morto a pauladas por traficantes de Vigário Geral em 22 de junho de 1998. Convencida por um papa-defuntos, a então companheira da vítima, Maria do Carmo David de Souza, mentiu na delegacia ao dizer que Geílson, na verdade, fora atropelado. Ela queria receber o seguro do DPVAT, mas a armação foi desmascarada pelo irmão do morto, Joaquim de Carvalho, que confirmou e descreveu o crime.

Além de não apurar a fraude, a 39 Delegacia Policial (Pavuna) se esqueceu de retirar da capa do inquérito a classificação de "atropelamento", embora a própria fraudadora tivesse reconhecido a mentira em novo depoimento anexado ao volume. Em 9 de agosto deste ano, a promotora Andréa Rodrigues Amin pediu o arquivamento do caso. Motivo: prescrição por extinção de punibilidade, por se tratar de um "atropelamento" cuja pena máxima seria de quatro anos.

Andréa Amin, procurada pelo GLOBO, reconheceu o erro. Disse que não leu, realmente, as peças do inquérito que revelavam a fraude. Mas disse que, mesmo se tivesse lido e constatado o homicídio, teria pedido o arquivamento. A promotora, titular da 29 Promotoria de Investigação Penal (Pavuna, Vicente de Carvalho, Acari e outras áreas violentas), padece com 3.300 inquéritos da Meta 2 em aberto:

- Trabalho com duas delegacias que ainda não são delegacias legais. Os policiais, envelhecidos e mal pagos, ainda trabalham com máquinas de escrever. Se as famílias das vítimas não ajudarem, não há como chegar aos autores.

- Ajudar? Meu filho, você sabe onde moro? - reagiu a parente de uma das vítimas citadas, moradora da borda de uma favela, que prefere mesmo ver o inquérito arquivado, caso a polícia e o MP não encontrem os autores por conta própria.

Alguns promotores já desenvolveram métodos para arquivamentos em massa. É o caso de Janaína Marques $êa. Num conjunto de pedidos negados por juízes do TJ-RJ, aparecem 11 casos em que a decisão de Janaína era exatamente igual, mudando só o nome da vítima. Em nota, ela alegou que os textos são iguais porque "os fundamentos são os mesmos".

Uma característica se repete em praticamente todos os casos de arquivamento selecionados pelo jornal: os inquéritos são magros e se resumem à troca de carimbos entre a delegacia, que sempre pede mais prazo quando o atual está prestes a vencer, e os promotores, que os concede. De carimbo em carimbo, os casos acabam atingindo a prescrição, para alívio de todos. É menos um na prateleira.

O garçom Alexsander Lima Batista, de 22 anos, e o servente Alexandre Chaves do Nascimento, de 28, foram executados no dia 20 de janeiro de 2006 em Vicente de Carvalho. Como muitos outros, o caso parecia seguir a rota dos carimbos quando um comunicado reservado da Ouvidoria da Polícia ofereceu uma luz no fim do túnel: apontava (com detalhes) um grupo de extermínio liderado por um sargento da PM como responsável pelos assassinatos.

No início de agosto, a promotora Janaína decidiu que o melhor a fazer, sobre o caso, era esquecê-lo. Pediu o arquivamento alegando que "foram efetuadas diligências com o intuito de apurar o fato, sem contudo lograr-se êxito". No entanto, o exame do inquérito atesta que, mesmo depois do comunicado, a polícia não fez uma única diligência para apurar o caso.

O número de arquivamentos tende a crescer. Sérgio Pinto, que arquivou o caso do guarda municipal de Santa Cruz, admite que no último mês já pediu o mesmo para outros 292 casos. Ele defende a medida:

- Estamos arquivando para que os novos inquéritos detenham atenção especial em sua elucidação.

SP: tribunal arquiva 1.500 inquéritos
A prática de arquivar antecede a Meta 2. No 1 Tribunal do Júri de São Paulo, que concentra mais da metade dos casos de homicídio da cidade, só no ano passado foram arquivados 1.500 inquéritos. A grande maioria deles, cerca de 90%, é arquivada por falta de informações sobre a autoria do crime. E a maior parte desses crimes acontece em bairros pobres, em meio a famílias sem condição financeira ou social para clamar por Justiça.

O juiz Renato Chequini conta que, quando essas mortes ocorrem, seja por acertos de dívidas de drogas ou crimes cometidos em favelas e ruas, é raro haver investigação criminal. O juiz também se queixa da falta de uma política de proteção às testemunhas, o que inibe os depoimentos.

- Se a família da vítima for pobre, a chance de arquivamento é enorme. A testemunha protegida no Brasil é um caso de ficção, assim como o país não tem a cultura da polícia técnica. Quando um inquérito começa a ir e voltar, com papéis de um lado e outro, é sinal de que será arquivado - diz o juiz.

O Globo

Verbratec© Desktop.