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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Claudia Raia sobre Gianecchini: “Eu sapateava e cantava para ele no hospital”
No momento em que Reynaldo Gianecchini – Giane para os amigos – se sente, pela primeira vez, curado do câncer linfático, após um autotransplante de medula óssea, sua amiga mais próxima durante todo o tratamento, Claudia Raia, quebra o silêncio que se impôs e, a pedido do ator, fala abertamente sobre a experiência rica a seu lado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. E a torcida por sua cura.
“Aprendi demais com a postura do Giane diante da doença. Sei que minha missão na vida, todos esses meses, desde agosto do ano passado, passou a ser diverti-lo. Mas quem se beneficiou mais fui eu. Ele é um guerreiro com uma serenidade que não é deste planeta”.
A revista ÉPOCA que está nas bancas publica uma conversa minha com Giane de duas horas e meia, em seu apartamento nos Jardins, sobre todo o processo de superação e fé do ator, até seu “renascimento” com o transplante. Aproveito para compartilhar com vocês, no 7×7, o depoimento emocionado e exclusivo da Claudia Raia, em primeira pessoa.
“É uma relação muito forte a nossa. Parece coisa de outras vidas. Começou na novela Belíssima, do Silvio de Abreu, no fim de 2005. Acho que esse papel do mecânico Pascoal (foto ao lado) foi um divisor de águas. Eu fazia a Safira. Tivemos uma química ótima. E era uma comédia, a primeira da trajetória do Giane.
“A partir daí, ele não teve receio de interpretar mais nada. É difícil ser bonito como o Giane é e decidir ser ator. As pessoas perseguem muito. Depois do Pascoal, ele ficou desprovido de qualquer formato de galã. Iniciamos uma grande amizade. Nós dois somos do interior. Temos o mesmo tipo de criação. Adoro a mãe dele, dona Heloísa, um dos melhores seres humanos que conheci, uma deusa.
“Quando o Giane foi diagnosticado com câncer, no finalzinho de julho do ano passado, estávamos para trabalhar juntos de novo. Eu tinha tido a ideia de chamá-lo para o musical Cabaret. O (Miguel) Falabella, diretor, também achou que o papel era a cara dele. O Giane tem muitos talentos que as pessoas não conhecem. Tem uma bela voz, é um barítono. Ia voltar a estudar dança. A gente estava muito feliz. Os personagens do musical precisavam dessa química que nós já tínhamos experimentado na televisão. É tão confortável ter intimidade no palco.
“Eu já andava meio preocupada com ele, sempre com alergia, gânglios, uma febrezinha. Dois dias antes de começarem os ensaios do Cabaret, eu estava num evento em São Paulo à tarde. Meu celular tocou e era o Giane: “Claudinha, você pode falar? Tenho uma coisa pra te contar. Eu estou com câncer”.
“Eu tive um pré-desmaio. O telefone continuou na minha mão mas eu ia cair, alguém me segurou. Tive uma ausência da realidade. Eu não sabia até então quanto eu o amava. Mas amava 10 vezes mais. O Giane disse: “Calma”. É inacreditável. Como assim ele tentar me acalmar? Ele não é daqui, juro, não é deste planeta. “Calma, vai dar tudo certo”, insistia ele. “Estou no Sírio, internado”.
“Bom, eu entrei no hospital e tenho a sensação de que nunca mais saí. Eu dormia ali, não vinha para casa nos primeiros dias. Era finalzinho de julho. Cheguei e ele estava meio escondido, cheio de gânglios saltados no rosto, na cabeça. Primeiro ouvi ele dizer: “Vou aparecer, viu? E você não grita”. Pode? Acho que minha missão é diverti-lo. Sempre foi assim, a gente se diverte horrores. Ia ao hospital duas vezes por dia, antes de ensaiar e depois do ensaio.
“Esse menino é um guerreiro como poucas vezes se viu. Ele supera a função humana. Eu estive com ele todos os dias e eu não vi ele esmorecer um minuto. Não vi o Giane de mau humor. Nem se cansar. Nem irritado. Impressionante a certeza que ele tinha da cura. A certeza de que ele precisava passar por aquilo. Eu aprendi demais do lado dele. Eu tenho 45 anos e acho que não aprendi na vida o que aprendi com ele nesses últimos oito meses.
“Não é só por ele estar doente nem porque amo ele. O Giane esteve presente em todos os momentos de composição de minha personagem no Cabaret. Eu dançava pedaços de coreografia no hospital. Ele perguntava sobre os ensaios, pedia que eu cantasse. O material fotográfico levei todo para ele ver. E ouvia suas opiniões e críticas: talvez aqui, talvez ali fosse melhor assim.
“Ele fugiu dos médicos, contrariou a dra Yana, maravilhosa, para ir no ano passado ao ensaio do musical no Espaço Chaim. Ele foi de máscara. Eu botei um sofá, o Giane ficou todo constrangido porque todo mundo o aplaudia, contente de ele estar ali. No primeiro mês de ensaio, eu estava presente de corpo mas não fui, você entende? Eu não estava inteira ali, eu não queria substituí-lo, porque achava que podia não ser câncer. Depois de um mês, todo mundo numa torcida louca, ficou claro que não dava.
“É tão simbiótica nossa relação que, quando eu fiquei “para sempre” no Sírio, eu perdi a voz durante três semanas. Eu ia ensaiar sem voz o musical. E dizia ao Giane no hospital: “Você só não me manda embora daqui”. É como eu tivesse que ir lá realimentá-lo.
“Vi ele passar por coisas inacreditáveis. Na UTI, quando ele quase morreu (no início, antes da quimioterapia, quando a colocação de um cateter perfurou acidentalmente sua veia). A pressão do Giane desceu a 3. Dona Heloísa (a mãe) e eu chegamos às 3h da manhã. Eu fiz o (dr Raul) Cutait sair do centro cirúrgico para explicar. Giane estava transfigurado. Eu falei: “Credo, você está com a boca inchada, maior do que a da Aline Moraes, parece a Angelina Jolie”. Eu sapateava, fazia loucuras para ele rir.
“Giane tem muitos amigos. Todos estavam presentes da maneira que podiam. Eu tive a sorte de poder estar com ele. A segunda vez que eu ia era depois de meia-noite. Eu sempre fugia da imprensa, entrava e saía pela porta dos fundos do Sirio.
“E depois aconteceu a coisa do pai dele. Ele me disse ao telefone: “Meu paizinho partiu, mas foi lindo, cantei a música Nossa Senhora do Roberto Carlos, o quarto dele estava todo branco”. E emendou: “Como foi seu ensaio?” Eu dizia que isso não tinha a menor importância mas ele queria participar de tudo, da vida.
“A gente passou a conviver com muita gente bacana, crianças espetaculares, uma menina de 10 anos que tem leucemia há oito. A minha vida inteira eu ajudei o Hospital do Câncer do Rio de Janeiro, eu animava as crianças, contava histórias. Depois que tive meus filhos, parei. Mas lá estava eu de volta, animando o Giane. A vida é muito louca.
“Sua cura é um milagre. Ele foi muito ajudado espiritualmente. É pelo merecimento. Ele tem uma conexão direta com Deus. Medita quando acorda. Estivemos juntos na corrente Bezerra de Menezes. Eu falei, “Giane, você está prestando um serviço tão importante para as pessoas”. A figura de um homem vencedor, bonito, saudável, que tem câncer e briga para viver. A mensagem que fica é que tudo é possível. Ele sempre repetia a frase: amanhã é um outro dia.
“Agora, a gente tem planos de viajar juntos para celebrar. Tenho uns intervalinhos no trabalho. Quero muito que ele faça um musical. Ele vai voltar a estudar canto e balé. Mas agora é um momento frágil, ele renasceu em fevereiro. Se não é a gente para dar uma travada, o Giane já estaria indo para o Rio, para a praia.
“Às 7h da manhã ele me ligou em janeiro para dizer que o transplante de medula tinha dado certo. Ele disse: “Você é a primeira a saber que estou curado”. Era um chororô no telefone. Eu não pude ir logo porque eu estava com gripe. Depois melhorei e entrei com luva, máscara, tudo. Comprei uma torta de nozes que ele adora, “Amor aos pedaços”. A gente cantou parabéns. E noutro dia ele esperou eu sair do teatro para a gente ir a um restaurante japonês, porque ficou muito tempo sem poder comer nada cru.
“É muito bom estar do ladinho dele. É muita alegria. Essa guerra está ganha porque ele merece.”
Época
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Helicóptero leva alimentos para navio de cruzeiro à deriva no Índico
Um helicóptero decolou na manhã desta terça-feira da ilha de Mahè, em Seicheles, para levar mantimentos e equipamentos de comunicação para o navio de cruzeiro Costa Allegra, que está à deriva no Oceano Índico com mais de mil passageiros.
Um incêndio no gerador do navio na segunda-feira levou à perda total de energia pela embarcação.
Segundo a empresa Costa Crociere, operadora do navio, ele está sendo rebocado por uma traineira francesa para a ilha Desroches, também em Seicheles, onde deve chegar nesta quarta-feira.
A operadora é a mesma do navio Costa Concordia, que naufragou na costa italiana em janeiro, provocando a morte de 32 pessoas.
Segundo a correspondente da BBC em Seicheles Katy Watson, os passageiros do Costa Allegra devem ser levados na quarta-feira ao único hotel de Desroches e de lá transferidos para Mahè.
A transgferência, porém, poderá levar bastante tempo, já que o aeroporto local em Desroches tem capacidade apenas para aviões de pequeno porte, capazes de levar no máximo 20 passageiros por vez.
Piratas
Segundo a guarda costeira italiana, o Costa Allegra está sem ar-condicionado, a cozinha não funciona e o gerador de emergência para o rádio de bordo poderia perder sua capacidade a qualquer momento.
A empresa operadora do cruzeiro afirmou que o navio, que está a cerca de 32 quilômetros da ilha de Alphonse, está em uma condição estável e segura, e nenhum passageiro está ferido.
A Costa disse já ter contactado dois terços das famílias dos passageiros e afirmou ter colocado um telefone de emergência para contatos.
O navio está em um local considerado perigoso por conta da atuação de piratas somalis.
Mas uma porta-voz do governo de Seicheles afirmou à BBC que os ataques a embarcações na região caíram no ano passado e que a segurança aumentou.
O navio conta com nove guardas armados a bordo, e outros seguranças estariam na traineira francesa. Um avião do governo de Seicheles também estaria fazendo sobrevôos para patrulha aérea.
Os piratas da região nunca atacaram um navio de cruzeiro.
O Costa Allegra, que havia saído de Madagascar com direção a Seicheles no sábado, tem 636 passageiros e 413 funcionários a bordo.
A chegada a Seicheles estava prevista inicialmente para a terça-feira. O itinerário do cruzeiro incluía também Alexandria, no Egito, e Nápoles, na Itália.
BBC Brasil
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Família de Eloá quer indenização por ação da PM durante sequestro
Advogado critica falta de equipamento: 'Copo em parede é coisa de comadre'.
Mãe da garota diz que culpa da polícia na morte chega a 50%.
O advogado da família de Eloá Pimentel, garota morta há mais de três anos por Lindemberg Alves, revelou nesta segunda-feira (27) que move um processo contra a Polícia Militar de São Paulo pedindo danos morais e materiais pela forma como a ação foi conduzida, culminando em uma tentativa de resgate fracassada.
De acordo com o advogado Ademar Gomes, a polícia foi negligente. A ação foi impetrada em setembro do ano passado - a demora, segundo ele, ocorreu devido ao aguardo de perícias. Ele não quis revelar o valor pedido por questões de segurança. “Não podemos aceitar que não há equipamentos para uma escuta. Copo em parede é coisa de comadre”, afirmou. Reportagem do G1 mostrou no último dia 15 que o negociador usava um celular pessoal, de acordo com depoimentos de policiais que participaram da ação e que constam de um inquérito feito pela própria polícia para apurar a conduta deles.
Tanto o advogado Ademar Gomes, como a mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, afirmaram em entrevista coletiva nesta segunda-feira (27) que a polícia podia ter agido antes para resgatar a garota - o cativeiro durou mais de cem horas. “A polícia teve várias chances de fazer alguma coisa e não fez”, afirmou Ana Cristina. “Não podemos conceber cem horas de cárcere privado sem reação da polícia”, afirmou Ademar Gomes.
Segundo ele, a ação teve tantos erros que a defesa de Lindemberg Alves tentou dividir a culpa da morte de Eloá com a polícia. Ana Cristina Pimentel calculou a culpa da polícia em 50%. Ela reclamou do fato de a polícia ter lhe dado esperança, uma vez que Lindemberg afirmava que ia matar Eloá. Por outro lado, a mãe de Eloá procurou defender a atuação do Gate no que diz respeito ao fato de ter levado o filho dela Everton Douglas, hoje com 17 anos e à época com 14, para negociar com Lindemberg por serem amigos. “A polícia tentou, errou, mas quis ajudar”, afirmou.
Nayara, amiga de Eloá, também foi usada na negociação e acabou retornando ao cativeiro. Um inquérito foi aberto pelo Ministério Público logo após o fim do sequestro para apurar essa ação. Após dois anos de depoimentos, o inquérito foi arquivado em julho de 2010, contrariando a vontade do juiz que atuava no caso, Marcos Fernando Theodoro Pinheiro, da Justiça Militar de São Paulo. Ele pediu que o tenente-coronel Flávio Depieri, um dos responsáveis pelo gerenciamento da crise, respondesse a uma ação penal pelo risco assumido ao colocar Nayara em posição de negociação nas proximidades do apartamento onde estava Lindemberg. A pena pela infração ao Código Penal Militar é de até cinco anos, caso esse "abandono" resulte em ação grave.
Questionada pelo G1 sobre o processo e sobre as críticas do advogado e da mãe de Eloá, a PM solicitou o encaminhamento de um e-mail, que ainda não foi respondido.
A mãe de Eloá Pimentel, Ana Cristina Pimentel, que viu o assassino de sua filha, Lindemberg Alves, ser condenado a 98 anos de prisão, afirmou nesta segunda-feira (27) que não aceitou seu pedido de desculpas. “O Lindemberg teve três anos para me pedir perdão. Teve todas as oportunidades. Ele poderia ter escrito. A mãe dele vai visitá-lo. E não o fez. No dia, quando ele me viu, a advogada foi falar no ouvido dele. Pareceu orientação. Então, é um perdão que eu não aceito.“
Julgamento
O julgamento de Lindemberg Alves durou quatro dias e foi realizado no Fórum de Santo André, no ABC. A decisão foi lida pela juíza Milena Dias no último dia 16, pouco mais de três anos do sequestro em outubro de 2008, que durou mais de cem horas. No quinto dia do sequestro, em 17 de outubro de 2008, Eloá recebeu dois tiros de Lindemberg, um na região de virilha e outro na cabeça. Já Nayara, amiga de Eloá, levou um tiro que atingiu a mão e a boca, mas sobreviveu.
No julgamento, Lindemberg tentou convencer o júri de que não teve a intenção de matar Eloá e que gostava dela. O disparo, segundo ele, foi uma reação a um movimento feito pela garota no momento da invasão pelo Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate).
G1
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
"Atropelador disse que faria uma chacina", afirma mãe de crianças mortas em São João de Meriti
Segundo testemunhas, homem sempre causou problemas por causa de bebida e droga
A mãe de Tyele Vitória da Silva, de quatro anos, e Caio Tiago da Silva Ferreira, de dois, que morreram neste fim de semana após serem atropelados em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, esteve no Balanço Geral RJ desta segunda-feira (27) e contou que o motorista chegou a dizer que queria fazer uma chacina no dia da tragédia.
- Ele falou para um vizinho que, na sexta-feira (24), faria uma chacina de qualquer jeito.
A avó das crianças voltava do enterro de um parente, quando se deparou com a confusão.
- Meu tio faleceu e, ao chegar na rua, ouvi muita gritaria. Eu fiquei trêmula e fui para perto do local. Então, testemunhas disseram que o atropelador falou que passaria por cima de quem estivesse na frente.
De acordo com as duas, o atropelador sempre causou problemas por causa da bebida e das drogas.
Os corpos dos irmãos foram enterrados na manhã de domingo (26), no cemitério de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro. O velório foi marcado por protesto e comoção.
Tyele, Caio e outras cinco crianças foram atropelados na última sexta-feira (25), enquanto brincavam de piquenique na calçada da rua Laura Arruda, na localidade Vila Tiradentes, no bairro do Éden. A menina chegou a ser socorrida no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, o de Saracuruna, em Duque de Caxias, também na baixada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de sábado (26). O irmão também morreu.
Todas as vítimas já receberam alta, segundo a Secretaria de Saúde de São João de Meriti. Elas foram socorridas no PAM (Posto de Atendimento Médico) do município.
O atropelador, identificado como Jorge Luís Matias, 42 anos, morador do bairro onde ocorreu o atropelamento, foi preso na madrugada de sábado. Ele disse à polícia que tentava fazer o carro pegar, quando freou e não conseguiu parar o veículo.
Segundo o delegado Antonio Silvino, da Delegacia de Belford Roxo (54ª DP), Jorge Luís ainda apresentava sinais de embriaguez 13 horas após o acidente. Ele confessou que ingeriu bebida alcoólica no dia do atropelamento.
Jorge Luís foi autuado em flagrante por duplo homicídio doloso (com intenção de matar) e cinco tentativas de homicídio. Segundo o delegado, a autuação aconteceu com base no depoimento do tio de uma das vítimas, que contou que ele teria ameaçado as crianças antes do acidente.
R7
Heróis anônimos ajudam na prisão de acusado de estupro em ônibus
Motorista do veículo brigou com suspeito, que saíra da prisão um dia antes do crime
RIO - A prisão do homem suspeito de estuprar uma menina de 12 anos dentro de um ônibus, no Jardim Botânico, no último dia 15, só foi possível graças a heróis anônimos: o motorista e o cobrador de um coletivo da linha 540 (Largo do Machado-Leblon) e pedestres que passavam pela Praça Santos Dumont, na Gávea. Quando Paulo Roberto da Silva Dias entrou no veículo, os dois funcionários da Viação São Silvestre perceberam que ele era o mesmo homem que havia praticado um assalto no veículo na última quarta-feira. Desconfiados de que fosse também o autor do estupro ocorrido dias antes, os dois decidiram monitorá-lo. Quando Paulo Roberto assaltou uma jovem e tentou descer, o motorista entrou em ação. Pulou a roleta e deu início a uma briga que só terminou com a chegada da polícia.
Com medo de sofrer represálias, o motorista pediu para não ter o nome publicado. Ele descreveu a sequência de fatos que levaram à prisão do suspeito:
— Quando desconfiei de que fosse o estuprador, procurei um carro da polícia que costuma ficar próximo ao Jockey, mas não o encontrei. Na altura da Praça Santos Dumont, ele mandou a passageira descer, anunciando um assalto. Ela fez sinal para eu parar, mas não abri a porta. Pulei a roleta, e começamos a brigar. Falei para ele devolver o que tinha roubado. Ele devolveu e, depois, tentou fugir, mas o cobrador o segurou. Um pedestre correu até a delegacia da Gávea e chamou a polícia. Depois, seguimos a viagem — contou o motorista.
Depois de passar a noite na 15ª DP (Gávea), Silva Dias foi transferido para a Polinter na manhã deste domingo. A polícia encontrou com ele um relógio, supostamente roubado no dia anterior. Na delegacia, ele foi apontado por quatro pessoas como estuprador de uma menina de 12 anos dentro de um coletivo da linha 162 (Glória-Leblon).
Na ficha criminal do suspeito constam 14 anotações desde os 18 anos. Oito delas são por roubo — dois deles cometidos em coletivos —, uma por homicídio, uma por sequestro e uma por tráfico de drogas, além de outras infrações menos graves. Silva Dias começou a responder pelos crimes em 2004. Em 2006, ele recebeu o benefício da Visita Periódica ao Lar (VPL). No mesmo dia, no entanto, foi preso em flagrante, acusado de cometer um roubo no Leblon. No ano passado, seu caso voltou a ser analisado, após a realização de um Mutirão do Conselho Nacional de Justiça. Depois de quatro meses de procedimentos, o benefício da liberdade condicional foi concedido. O preso foi solto um dia antes da denúncia de estupro.
A menina de 12 anos foi poupada de reconhecer o suspeito. Dez dias depois do crime, a menina ainda está muito abalada.
— Entramos em contato com a família dela, que nos informou sobre seu estado psicológico. Ela está traumatizada com o crime. Preferimos não ouvi-la, já que temos o reconhecimento do motorista, da cobradora e de outras duas passageiras que estavam no ônibus no dia do crime — afirmou o delegado Fábio Barucke, responsável pelo caso.
Ainda segundo Barucke, outras duas vítimas de roubo também reconheceram o suspeito como sendo o autor dos crimes. Em todos os casos, de acordo com a polícia, ele fingia estar armado. Por isso, apenas o estupro pode ter agravante, já que o acusado teria de fato ameaçado a vítima com uma arma de fogo.
O Globo
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sábado, 25 de fevereiro de 2012
Governo estuda aumento da idade para crianças adolescentes viajarem sozinhos
Após denúncias de que adolescentes são aliciados para serem transformados em transexuais e explorados sexualmente em São Paulo, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República anunciou ontem que está estudando medidas para enfrentar o problema. Como os adolescentes são em sua maioria oriundos das regiões Norte e Nordeste do país, uma das mudanças estudadas é a revisão dos procedimentos e da idade necessária para viagens de menores desacompanhados. Atualmente, menores de 12 anos só viajam sozinhos se tiverem autorização dos pais.
“Discutimos estratégias referentes a mecanismos de maior controle sobre autorização de viagens para adolescentes. Talvez até uma revisão do marco legal vigente, que situa essa necessidade apenas para os menores de 12 anos. Estamos estudando a revisão desse marco”, disse a secretária nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Secretaria de Direitos Humanos, Carmen Oliveira.
“Quando se estabeleceu a idade, a medida visava o tráfico de crianças para a adoção, mas não se pensava na questão de aliciamento para exploração sexual”, explicou o promotor da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, Thales de Oliveira.
Na tarde de ontem, Carmen e Oliveira se reuniram com a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, e com representantes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e do Ministério Público Federal para tratar das denúncias publicadas no último domingo.
Carmen anunciou que serão criadas condições para permitir o retorno dos adolescentes às suas cidades de origem. Também serão mapeadas as vulnerabilidades às quais eles estão expostos em suas cidades de origem, com o objetivo de evitar novos aliciamentos. Segundo o promotor Oliveira, um dos pontos discutidos na reunião foi a necessidade de agilizar o repasse para a compra de passagens de adolescentes que procuram ajuda oficial para retornar para casa.
“Há uma prioridade para criar condições de retorno para os adolescentes. E vamos agendar reuniões com as redes de proteção dos estados que aparecem como os estados de origem mais predominantes, e estabelecer condições de retorno em segurança”, afirmou a secretária.
Carmem disse que ainda está sendo estudado quais órgãos farão a abordagem direta aos adolescentes explorados. Poderá ser por meio do MP, dos conselhos tutelares, ou até mesmo da rede LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).
Reunião – Também anteciparam da reunião membros da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público de São Paulo e Ministério Público Federal.
Fonte: SDH, com informações do jornal O Globo
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Adolescente que morreu em parque de diversões morava no Japão
Gabriela Yokarimichimura, de 14 anos, passava férias na casa de parentes
Os pais da adolescente Gabriela Yokarimichimura, de 14 anos, que morreu após cair de um brinquedo no parque de diversões do Hopi Hari, em Vinhedo, interior de São Paulo, deixaram o Hospital Paulo Sacramento na tarde de hoje sem falar com a imprensa.
Lembre de outros casos de acidentes em parques de diversões
Segundo informações da assessoria do hospital, os pais da garota são brasileiros, moram no Japão e passam férias na casa de parentes em Guarulhos, na Grande São Paulo. Gabriela e uma irmã mais nova nasceram no Japão. Os pais da vítima e uma prima foram ao parque juntos na manhã de hoje.
O corpo de Gabriela está no hospital, que aguarda orientação da delegacia de polícia de Vinhedo para a liberação para alguma unidade do Instituto Médico Legal (IML) na região. A adolescente caiu do brinquedo La Tour Eiffel, por volta das 10h30, e teve traumatismo craniano, seguido por uma parada cardíaca. Ela chegou morta ao hospital.
O brinquedo que simula uma queda livre foi interditado. Testemunhas do acidente irão prestar depoimento sobre o caso.
Agência Estado
Zero Hora
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Eliana Tranchesi, empresária que comandou a Daslu, morre em São Paulo
Um dos principais nomes do mercado de luxo brasileiro, ela lutava contra um câncer. Após condenação envolvendo um esquema de sonegação de imposto, a Daslu acabou falindo, e a marca foi vendida no ano passado
A empresária Eliana Maria Piva de Albuquerque Tranchesi morreu na madrugada desta sexta-feira (24), aos 55 anos. Conforme informou a coluna de Bruno Astuto, ela estava internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e foi vítima de complicações causadas por um câncer. O enterro ocorreu na tarde desta sexta-feira, no Cemitério do Morumbi.
A empresária, que comandou por muitos anos a Daslu - butique multimarcas que abrigou um dia as grifes mais luxuosas do mundo em um portentoso prédio neoclássico na Marginal Pinheiros, em São Paulo -, lutava contra o câncer há seis anos. Em agosto de 2006 ela passou por uma cirurgia para retirar um tumor do pulmão. Três anos depois, descobriu que a doença voltara. A Daslu, ícone do consumo no país, foi fundado pela mãe de Eliana, Lucia Piva, há 53 anos.
Eliana descobriu a doença meses depois de estourar a Operação Narciso, da Polícia Federal. Os investigadores descobriram o mecanismo usado pela Daslu para subfaturar produtos de grife vindos do exterior. Numa das cargas apreendidas, a Receita Federal encontrou camisas de seda pura e sapatos de couro da italiana Gucci com valores declarados de R$ 12 e US$ 3,95 (cerca de R$ 9), respectivamente. As peças custam cerca de R$ 2 mil. Com a manobra, o valor dos impostos se tornava irrisório. O rombo detectado pela Receita, somado aos juros e multas, chegava perto de R$ 1 bilhão. Em 2005, ela foi detida pela primeira vez e passou 12 horas na delegacia prestando esclarecimentos.
As investigações desencadeadas pela Operação Narciso levaram à condenação da empresária, em 2009, a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. A sentença proferida pela juíza da 2ª Vara Federal de Guarulhos, Maria Isabel do Prado, também condenou o irmão de Eliana, Antonio Carlos Piva de Albuquerque, diretor financeiro da Daslu na época dos fatos, e Celso de Lima, dono da maior das importadoras envolvidas com as fraudes, a Multimport. A juíza determinou a prisão dos três, que, posteriormente, conseguiram habeas corpus. Eliana aguardava a decisão sobre um recurso para anular do julgamento.
Com o escândalo de sonegação de impostos, a Daslu perdeu muitos clientes e entrou em dificuldades financeiras. No ano passado, a marca acabou sendo comprada.
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Motorista que atropelou seis crianças se entrega à polícia
Duas crianças morreram no acidente. Ele admitiu que bebeu quatro latas de cerveja
RIO - O motorista que atropelou seis crianças, matando duas delas, em São João de Meriti, se entregou à polícia na madrugada deste sábado. Acompanhado de dois amigos, Jorge Luiz Matias se apresentou na 39ª DP (Pavuna). Policiais militares do 21º BPM (São João de Meriti) foram acionados e levaram o acusado para a 54 DP (Belford Roxo), que estava funcionando como Central de Flagrantes, onde ele foi ouvido pelo delegado Antônio Silvino Teixeira.
Na delegacia, Jorge alegou que seu carro estava com a bateria arriada e tentou fazê-lo pegar no tranco, buscando impulsão na ladeira. Na descida, ele disse ter perdido a direção do carro e tentado frear. Ele reconheceu que tinha bebido quatro latas de cerveja e estaria saindo de casa para beber mais. Jorge negou que tivesse a intenção de atropelar as crianças:
— Como eu poderia fazer isso? Tenho três filhos, duas gêmeas de 8 anos e um menino de cinco meses.
Jorge disse ter 42 anos e que é motorista de coletivo aposentado. O acusado foi encaminhado para realizar o teste de alcoolemia. Segundo o delegado Teixeira, Jorge ficaria detido e pode vir a ser acusado de homicídio doloso. O caso ficará a cargo da 64ª DP (São João de Meriti), onde já havia sido feito o registro inicial.
O atropelamento aconteceu na tarde de sexta-feira, em São João de Meriti. O carro conduzido por Jorge subiu na calçada e atingiu seis crianças. Os irmãos Caio Tiago Neves Oliveira, de 2 anos, e Tyele Vitória Neves de Oliveira, de 5, não resistiram aos ferimentos e morreram. A prefeitura informou que duas crianças já receberam alta e outras duas estão hospitalizadas, e seu estado de saúde é estável.
O motorista teria fugido do local do acidente sem prestar socorro às crianças. Uma testemunha contou que as vítimas são todas moradoras da Rua Laura Arruda, onde elas estavam reunidas após comprarem biscoitos e refrigerantes, para fazer um lanche. As crianças estavam na calçada quando foram imprensadas pelo veículo, uma Belina, dirigido por Jorge.
— Ele (o motorista) conseguiu fugir quando o carro começou a ser apedrejado por vizinhos. A casa dele foi depredada e saqueada pela população — contou uma moradora.
O Globo
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Após se entregar, Mizael Bispo chega à Corregedoria da Polícia Militar
Ele será ouvido, fará exame de corpo de delito e depois seguirá para o presídio
Após se entregar à Justiça, Mizael Bispo, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima, estava na Corregedoria da Polícia Militar por volta das 20h desta sexta-feira (24). O policial militar reformado será ouvido, fará exames de corpo de delito e ainda hoje seguirá para o presídio Romão Gomes, destinado a policiais militares. As informações foram confirmadas pela PM na noite desta sexta.
Mais de um ano após ter tido sua prisão decretada pela Justiça, o policial militar reformado se entregou à Justiça na tarde desta sexta.Mizael teria se entregado por volta das 18h, no Fórum de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Em entrevista ao R7 no início desta noite o advogado da família de Mércia Nakashima, Alexandre de Sá Domingues, afirmou que Mizael Bispo se entregou porque “acabou seu fôlego para continuar fugindo”. Segundo Domingues, Mizael “tinha todos os passos monitorados pela polícia e não tinha mais para onde correr”.
- Não foi exatamente uma surpresa porque a polícia acompanhou muito de perto os passos dele. Acabou o fôlego para ele continuar fugindo. Ele se entregou porque não tinha mais para onde correr, não foi por arrependimento, ou algo do tipo. Acabaram os lugares para ele se esconder.
Ainda de acordo com Domingues, várias vezes a polícia localizou onde Mizael passou durante a fuga, mas ele sempre “estava um passo à frente”.
- Várias vezes a polícia localizou onde ele estava. O importante é que o resultado aconteceu. Agora vamos aguardar. Com as provas, a certeza da família é de que ele seja condenado.
Acusação
Mizael Bispo é acusado de ter assassinado sua ex-namorada, a advogada Mércia Nakashima, em 2010. Mércia desapareceu no dia 23 de maio de 2010 depois de visitar a casa da avó, em Guarulhos. As últimas imagens dela em vida foram feitas pelo circuito interno do elevador do edifício da avó.
O corpo de Mércia foi encontrado no dia 11 de junho em uma represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo. Ela foi reconhecida pelas roupas, sapatos e formato dos dedos. Um dia antes, o carro da advogada foi achado no mesmo local.
No dia 6 de dezembro de 2011 completou um ano do decreto da prisão de Mizael Bispo. Na ocasião, a família de Mércia afirmou que a influência da Mizael, por ter sido policial militar e ser advogado, era um dos motivos que o mantinham desaparecido.
R7
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