segunda-feira, 26 de março de 2012

CPI do Tráfico de Pessoas investiga mais de 700 sites de aliciamento de adolescentes


Em apenas um ano, a Safernet, entidade especializada no enfrentamento aos crimes e violações aos direitos humanos na internet, registrou 707 sites de aliciamento e tráfico de pessoas, por meio de denúncias. O relatório (realizado de abril de 2010 a maio 2011) foi encaminhado para a CPI do Tráfico de Pessoas. “A internet é uma grande vitrine para o recrutamento de meninos para a exploração sexual, uma ferramenta para escolher potenciais vítimas”, afirma Thiago Tavares Nunes, diretor presidente da Safernet. “Um dos maiores desafios é conseguir indicadores sobre o tráfico de pessoas gerado pela internet, que parece invisível, porque quase não há documentação sobre o número de rotas e o modo de operar das quadrilhas”.

O especialista cita o caso do aliciamento de meninos que são levados do Nordeste para serem comercializados em São Paulo e em outros países. Para adolescentes vindos de cidades pequenas onde os meninos homossexuais são espancados e excluídos, muitas vezes fazer parte de uma rede de exploração sexual parece um sinal de libertação. “Muitas vezes, entram sem saber que servirão a uma rede criminosa, porque as propostas não são explícitas, pensam apenas que poderão exercer livremente sua sexualidade e acabam entrando num mercado de comércio sexual”, diz o psicólogo Rodrigo Nejm, coordenador da Safernet. “Não é culpa da internet o que está acontecendo, mas da forma como a estrutura criminosa a está utilizando como facilitadora para aliciamentos”, frisa.

Ele cita que, as estratégias para conseguir vítimas são as mais variadas. Recentemente, uma rede especializada em pornografia infantil, com site, se passou por agência de modelos gospel, enviando pessoas que se diziam agentes sociais da Igreja para conseguir aprovação das famílias. Há até casos, investigados em segredo de justiça, de meninos e meninas que acabam entrando em um sistema de escravidão sexual, tornando-se refém com o passaporte confiscado.

Muitas agências de fachada estão no Orkut e outras redes sociais para recrutar adolescentes com promessas de desfiles e campanhas de modelos. Há casos de meninas de classe média, que começam induzidas por amigas que já fizeram programa para comprar uma calça de marca, um perfume mais caro, que não conseguem com a mesada do pai.

Além das promessas de carreira internacional, os adolescentes, principalmente de mais baixa renda, recebem também falsas propostas de casamento. Há também o recrutamento para trabalhar em cruzeiros na Europa com a promessa de ganhar quantias bem acima do mercado.

Segundo diretor da Safernet, Thiago Tavares, não é tão simples tirar uma página de pornografia infantil do ar, especialmente quando o provedor é internacional, porque há necessidade de cooperação de outro país, onde muitas vezes há conflito de leis. “A gente luta contra a falta de estrutura, a repressão a este tipo de crime vem ganhando corpo, mas está longe do ideal”, diz Thiago. “O número de policiais exclusivos para o tráfico de pessoas é muito pequeno e existe uma demanda por melhor estrutura”.


Fonte: Childhood Brasil

promenino

Marido diz que polícia não tem provas contra mulher suspeita de fazer parte da gangue das loiras


Ele quer provar a inocência da esposa com cartões de ponto do trabalho em Curitiba

O marido de Carina Vendramini, a mulher que teria uma vida dupla e é uma das suspeitas de fazer parte da gangue das loiras, afirma que a polícia de São Paulo não tem provas suficientes contra sua esposa. Para ele, é impossível que a mulher pratique roubos em São Paulo e, ao mesmo tempo, more e trabalhe em Curitiba.

- Ninguém vai pra São Paulo, comete um crime, volta e faz janta. Isso é impossível.

Ele quer provar para a polícia que a mulher é inocente e está sendo confundida com a irmã, Vanessa, que é muito parecida com Carina. Segundo o marido, cartões de ponto e imagens de Carina no trabalho foram entregues para os policiais, com objetivo de mostrar que nos dias dos supostos sequestros a mulher estava trabalhando.

Carina foi a primeira a ser presa, depois de ser reconhecida por testemunhas em fotos. Segundo a polícia, ela teria uma vida dupla, pois morava e trabalhava em Curitiva, mas praticava roubos e sequestros em São Paulo. A gangue é especializada em furtos e sequestros relâmpagos.

De acordo com a polícia, o líder da quadrilha seria Vagner de Oliveira Gonçalves. Ele liderava seis mulheres, entre elas Carina e a irmã, Vanessa. Para o delegado responsável pelo caso, Alberto Matheus Jr., Carina é uma das integrantes da gangue.

- Essa moça vem periodicamente ao Estado de São Paulo, pratica crimes aqui e retorna. E o marido não tinha conhecimento.

Prisão

Wagner Dantas da Silva, outro suspeito de suspeito de fazer parte da gangue, foi detido na sexta-feira (23) em São Paulo. Sua prisão ocorreu após uma vítima de um de seus crimes reconhecê-lo pela televisão. Pelo menos 50 sequestros

A polícia de São Paulo disse já ter identificado ao menos 50 sequestros-relâmpagos que teriam sido cometidos pelas integrantes da gangue das loiras. O grupo foi descoberto após dois meses de investigação, segundo o DHPP.

Os crimes teriam sido cometidos em estacionamentos de shoppings e supermercados da capital e Grande São Paulo. Ainda de acordo com a polícia, no momento em que a pessoa chegava para colocar as compras no carro e estava distraída, era abordada pelo chefe da gangue e uma das assaltantes.

Vida dupla

A quadrilha foi descoberta após a prisão de Carina, também foi flagrada por câmeras de segurança cometendo um roubo. Ela surpreendeu a polícia por ter uma vida dupla.

O bando começou a agir em 2008. Ainda de acordo com a polícia, o suposto chefe da quadrilha se referia às parceiras do crime pela alcunha de uma dupla de criminosos americanos famosos, Bonnie e Clyde. A dupla inspirou um filme de mesmo nome, que foi assistido pela quadrilha e inspirou o grupo.

R7

Doze pessoas são baleadas em festa de música eletrônica no DF


Médicos dizem que vítimas não correm risco de morte.
Segundo a polícia, cerca de cem pessoas participavam do evento.


Uma festa de música eletrônica terminou com 12 pessoas baleadas na madrugada desta segunda-feira (26), no condomínio Pôr do Sol, em Ceilândia, no Distrito Federal.

Nove pessoas estão internadas no Hospital de Ceilândia, duas em Taguatinga e uma em um hospital particular. Os médicos disseram que nenhuma delas corre risco de morte.

A estudante Helica Feitosa foi atingida no tórax e no joelho e disse que não sabia o motivo, mas contou que dois rapazes foram os autores dos disparos.

“Eu estava no meio do fogo cruzado e não sei o que aconteceu. Eles começaram a atirar e eu estava bem no meio, uma pessoa na frente e outra atrás. As pessoas ficaram desesperadas”, conta.

A perícia chegou a vasculhar o lixo da festa em busca de pistas que pudessem ajudar nas investigações. Muitas garrafas e latas de bebida alcoólica foram encontradas no salão.

A cozinheira Miriam Ferreira disse que o filho soube da festa por uma rede social. “Ele falou que era uma festa rave. Eles compraram uma pulserinha para essa festa que foi divulgada pela internet”, conta.

A polícia informou que aproximadamente cem pessoas participaram do evento, inclusive um adolescente. O dono do salão disse que tinha alugado o local para uma festa de aniversário. A Polícia Civil também vai investigar se o local da festa tinha alvará de funcionamento.

G1

domingo, 25 de março de 2012

Orgulho de construir futuro


Professora ensina meninas detentas com ajuda de jogos de Lego e criação de vídeos

Rio - De bloco em bloco, a professora Sandra Maria Saragoça, 43 anos, ensina meninas infratoras a construir um futuro melhor. Elas cumprem medidas socioeducativas em regime de internato no Colégio Estadual Luiza Mahin, no Educandário Santos Dumont, na Ilha. Ano passado, a educadora foi homenageada pela Comissão de Educação e Cultura do Senado por ter levado o Brasil a conquistar pela primeira vez o prêmio mundial Microsoft de Educadores Inovadores, com o projeto ‘Educação além dos muros’.

Usando peças de Lego, as adolescentes produzem curtas de animação para auxiliar no ensino de Matemática, Ciências e Português. “Estou feliz por ter conseguido conscientizá-las do quanto são capazes”, diz Sandra. Por sua atuação social, ela recebeu a 40ª medalha Orgulho do Rio, concedida por O DIA a pessoas que contribuem para um Rio melhor.

Aplaudida pelas alunas, Sandra, 22 anos de magistério, agradeceu a homenagem, emocionada. “Graças ao reconhecimento e à credibilidade do projeto, conseguimos autorização dos juízes para levar as meninas a outras escolas”.

Em 2009, Sandra teve a ideia de fazer filmes de animação educativos, com a técnica ‘stop motion’ : imagens quadro a quadro de objetos parados, dando a impressão de movimento. Muitas alunas nunca haviam usado computador. A Lego doou 20 mil peças. Prontos os vídeos, conseguiram autorização do juiz para que pudessem exibi-los em outras escolas como palestrantes. “Uma das meninas me abraçou e disse: ‘professora, nunca imaginei que pudesse ensinar alguma coisa para alguém’”.

Cerca de 600 meninas participaram das oficinas em três anos. Muitas são moradoras de ruas ou abrigos, estão em tratamento psiquiátrico e são viciadas em drogas. “É difícil fazer com que se concentrem. Com os filmes, elas aprendem brincando”, diz Sandra, que se emociona nas despedidas: “Uma me disse que se tivesse esse trabalho no abrigo, não faria mais nada de errado.”

Transformações diárias nas alunas

O maior desafio de Sandra é implantar o projeto sabendo que a permanência das internas é temporária. “Isso me frustra por não dar conta de tudo. Tento fazer com que cada dia meu ali dentro possa provocar uma pequena transformação naquelas meninas”, diz a professora.

Sandra acredita que ser professora é ser capaz de mudar a realidade das alunas e fazer com que sonhem com um futuro melhor: “Para muitas delas, que vieram das ruas, foi preciso estar numa prisão para conhecer uma nova vida e ter chance de mudar”.

O DIA ONLINE

Dois meses depois de desabamento no Rio, inquérito segue sem previsão de encerramento


Dois meses após o desabamento de três prédios no centro do Rio, ainda não há previsão para fim do inquérito policial que apura as causas do acidente. As vítimas estão perdendo a esperança de recuperar bens perdidos, mas conquistaram seus primeiros benefícios junto ao poder público.

De acordo com a Associação das Vítimas da Avenida Treze de Maio, o prefeito Eduardo Paes baixou, neste mês, um decreto concedendo suspensão dos tributos municipais para os atingidos pelo episódio durante seis meses (35.228, de 12 de março).

Além disso, as vítimas deverão ter acesso a empréstimos com condições especiais, com repasse de recursos do BNDES, de acordo com o presidente da associação criada para dar suporte a elas, o advogado Otávio Blatter.

Segundo Blatter, o empréstimo foi negociado com a Secretaria estadual de Finanças, atendendo a pedido da prefeitura, que intercedeu após uma audiência do grupo com Eduardo Paes em fevereiro. Os detalhes ainda estão sendo fechados, mas a associação enviou nesta semana à secretaria a lista de empresas interessadas.

"Ao que tudo indica, o empréstimo será a longo prazo e a juros extremamente baixos para possibilitar a recuperação das empresas", afirma o advogado, do escritório Blatter e Galvão, que ficava no 13º andar do prédio mais alto que desabou.

Recomeço 'precário'

Na noite de 25 de janeiro, três prédios desmoronaram na Avenida Treze de Maio, na Cinelândia, centro do Rio, logo atrás do Teatro Municipal - os destroços atingiram também a bilheteria do teatro.

Os desabamentos mataram 22 pessoas, das quais cinco continuam desaparecidas. Dezessete corpos foram identificados, mas exames de DNA feitos com restos mortais encontrados nos escombros ainda não identificaram os demais.

Nos três prédios funcionavam empresas, escritórios, cursos, consultórios, lojas. As empresas perderam documentos, arquivos, equipamentos e toda a estrutura que tinham, afirma a advogada Simone Argolo Andres, diretora institucional da associação,

"As empresas estão tentando se reerguer. Perdemos todo nosso equipamento de trabalho de forma inesperada e brutal. Todo mundo está procurando um cantinho para se instalar. O recomeço está sendo precário para a grande maioria", afirma.

Ela diz que a linha de crédito que está sendo negociada será importante para que as empresas possam seguir com suas atividades sem demitir funcionários. A situação se torna mais difícil porque nenhum seguro vai dar cobertura ao evento, ressalta.

Material perdido

Após os desabamentos, os escombros foram levados para uma área da companhia de lixo do Rio, a Comlurb, na rodovia Rio-Petrópolis. Uma empresa foi contratada para fazer o trabalho de triagem dos detritos.

De acordo com a prefeitura, no processo já foram encontrados documentos, cartões de crédito, fotografias, pen drives, discos de memória, objetos de escritório e outros bens pessoais. O material está sendo catalogado para que as pessoas tenham acesso ele após o processo.

Simone afirma que as vítimas não têm muita esperança de recuperar documentos e equipamentos importantes. Ela lamenta que o trabalho não tenha sido conduzido de forma diferente nas primeiras semanas após o desabamento, com uma triagem inicial antes de remover o material.

Se o trabalho tivesse sido feito de outra forma, nós teríamos recuperado bastante coisa. Mas os escombros já foram muito mexidos, e estão a céu aberto, sob sol, sob chuva. Cada dia que passa fica mais distante a possibilidade de a gente resgatar alguma coisa inteira", diz ela.

Muitos dos documentos encontrados estão apagados, afirma, e muitos objetos de valor ainda não foram achados. "O cofre do nosso escritório não apareceu, assim como vários outros cofres, e bolsas têm sido encontradas abertas, sem nenhum objeto dentro."

Investigações

Logo antes de o episódio completar dois meses, na semana passada, o inquérito policial que apura suas causas foi transferido da Polícia Civil para a Polícia Federal.

Como o desabamento danificou também um patrimônio de competência federal - o Teatro Municipal, tombado pelo Iphan - cabe à PF apurar as causas, explica o delegado Fábio Scliar, da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da PF.

Nesta semana, Scliar recebeu os dois volumes com cerca de 500 páginas com a apuração que havia sido feita até agora pelo delegado Alcides Alves Pereira, da 5ª Delegacia de Polícia.

Pereira havia ouvido mais de 60 testemunhas, entre pessoas que trabalhavam no prédio, que prestavam serviço no local, que trabalhavam nas obras em andamento, que viram o desabamento ou parentes de vítimas fatais.

Nos próximos dias, afirma Scliar, será possível fazer uma estimativa de quanto tempo levará para concluir o processo.

Causas e danos

A principal suspeita levantada após os desabamentos é de que o Edifício Liberdade - o mais alto dos três e primeiro a cair - tinha problemas estruturais, e que estes poderiam ter sido causados por obras que estavam sendo realizadas no edifício.

"Mas não sabemos se as obras que estavam sendo realizadas no 9º andar (do Edifício Liberdade) foram decisivas para isso ou se foram mais um dos fatores dentre outros que em 40 anos podem ter contribuído para o desmoronamento do prédio", afirma Scliar. "Esta é uma questão fundamental deste inquérito", afirma.

O Conselho Regional de Agronomia (Crea-RJ) também tem um grupo de trabalho com especialistas trabalhando no assunto.

De acordo com o presidente da entidade, Agostinho Guerreiro, as obras que estavam sendo realizadas no Edifício Liberdade continuam sendo a principal hipótese para explicar o acidente.

"O indicador maior são as obras atuais (que vinham sendo realizadas no edifício), mas não podemos descartar obras anteriores. É preciso entender se o desabamento aconteceu a partir das obras recente, ou se elas podem ter sido um gatilho final diante de fragilidades acumuladas ao longo do tempo na estrutura", diz.

De acordo com o advogado Otávio Blatter, as empresas e pessoas prejudicadas aguardam os resultados dos inquéritos para propor ações cíveis por danos materiais e morais.

"Todos os que tiveram prejuízo vão propor uma ação cível. Pretendemos mover uma ação coletiva pela associação. Estamos aguardando a apuração dos fatos", afirma

BBC Brasil

sábado, 24 de março de 2012

Apóstolo milionário mora em mansão avaliada entre R$ 7 milhões e R$ 10 milhões em SP


Após afirmar não ter patrimônio, documentos revelam que Valdemiro tem uma fortuna em seu nome

O dirigente religioso Valdemiro Santiago de Oliveira, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, é proprietário de uma mansão num condomínio da Grande São Paulo, como provam documentos oficiais obtidos com exclusividade pelo R7. Valdemiro Santiago, que se auto-denomina apóstolo, desde o início na semana nega que tenha qualquer patrimônio em seu nome.

No último domingo (18), o programa Domingo Espetacular, da Rede Record, revelou que Santiago usou dinheiro da igreja para comprar uma fazenda de quase R$ 30 milhões em Mato Grosso.

Veja os documentos que comprovam que Valdemiro mora na mansão

Documentos oficiais mostram que, no ato da assinatura, Valdemiro transferiu o imóvel para a empresa dele. Outras duas fazendas na mesma região também foram compradas com dinheiro da igreja e teriam sido arrendadas pelo apóstolo. Ao todo, são cerca de R$ 50 milhões e 26 mil hectares de terras – tamanho de quase 14 mil campos oficiais de futebol.

Fotos comprovam que Valdemiro mentiu sobre compra de fazenda

Mas é numa casa, na cidade de Santana de Parnaíba, que moram Santiago e sua mulher, bispa Franciléia de Castro Gomes de Oliveira. O imóvel fica no condomínio Tamboré 2, um dos mais caros da região – segundo corretores, o preço das casas varia de R$ 7 milhões a R$ 10 milhões.

Além de morar na mansão luxuosa, o casal comprou imóveis no condomínio de alto padrão. Um documento oficial do Registro de Imóveis da Comarca de Barueri atesta que o casal comprou bens em Alphaville: uma outra mansão no Residencial 9, avaliada em cerca de R$ 2 milhões, e um apartamento cujo preço gira em torno de R$ 500 mil.

De acordo com a escritura, obtida pelo R7, a casa de 420 m² foi comprada por Valdemiro no mês passado. O documento mostra que o imóvel teria sido adquirido por R$ 900 mil -- segundo especialistas, uma bagatela para o padrão da casa e do terreno. Corretores da região atestam que a casa não sai por menos de R$ 1,5 milhão.

R7

Corpo de Chico Anysio é velado no Theatro Municipal, no Rio


O corpo do humorista Chico Anysio é velado na manhã deste sábado (24) no Theatro Municipal, no Centro do Rio. Os atores Bruno Mazzeo e Nizo Neto, filhos do humorista, estão entre os primeiros a chegar ao local. Pela manhã, o velório será restrito a amigos e familiares de Chico Anysio. Segundo o dvogado da família, Paulo César Pimpa, às 12h, a cerimônia deve ser aberta ao público.

O corpo de Chico Anysio deixou o Hospital Samaritano, em Botafogo, na Zona Sul, por volta das 5h40 deste sábado (24). O humorista faleceu na tarde de sexta-feira (23), no Samaritano, onde estava internado havia três meses. Ele teve uma parada cardiorrespiratória, causada por falência múltipla dos órgãos, decorrente de choque séptico causado por infecção pulmonar.

O cantor Elymar Santos chegou cedo ao local. "Perdi um pai. Tínhamos uma linda história. O mundo tinha dois gênios. Chaplin e Chico. Perdemos o segundo. Ele gritava para o mundo que eu era o filho dele. Foi o pai que eu não tive", disse emocionado o artista.

Segundo Pimpa, o corpo de Chico Anysio será cremado no domingo (25), no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio, mas ainda não há informação sobre o horário. O advogado explicou que a família aguarda a chegada da ex-ministra Zélia Cardoso de Mello e de seus dois filhos, que teve com Chico Anysio. A família mora em Nova York e deve chegar ao Rio nesta manhã.

O advogado Paulo César Pimpa trabalhava para Chico há 15 anos. Ele comentou as últimas internações do ator. “Foi muito triste. É uma angústia. O Chico é um guerreiro”, falou o advogado.

Ao longo de seus 65 anos de carreira, o cearense Chico Anysio criou mais de 200 personagens e foi um dos maiores humoristas do Brasil com destaque no rádio, na TV, no cinema e no teatro.

Além de se dedicar ao humor, Chico também foi artista plástico. Apaixonado pela pintura, retratou paisagens ao redor do mundo a partir de fotografias que tirava dos países que visitava. Realizou exposições de seus quadros em diversas galerias do Brasil e chegou a afirmar que gostaria de ter dedicado mais tempo à atividade. Ele deixa oito filhos e completaria 81 anos no dia 12 de abril.

Twitter
Poucos minutos após a divulgação da morte de Chico Anysio, o nome do humorista ficou em primeiro lugar no Trending Topics mundial - assuntos mais comentados - do Twitter. Muitos famosos lamentaram a morte do comediante na rede social.

G1

sexta-feira, 23 de março de 2012

Preso por racismo tem longo histórico de crimes


Marcelo Valle Silveira Melo, jovem de classe média, era alvo de bullying e passou de provocador inconsequente a pregador da intolerância

A Polícia Federal (PF) pôs fim nesta quinta-feira a sete anos de atividade criminosa de Marcelo Valle Silveira Melo, de 26 anos. Preso por pregar a intolerância e fazer ameaças em um site, ele era uma figura conhecida na internet por espalhar as mais terríveis mensagens.

Melo passou de provocador inconsequente a um perigoso disseminador do ódio. Ele se valia da internet para passar uma imagem de superioridade que, na vida real, lhe faltava. Na rede, o garoto sem amigos se transformava em "Psycl0n", ou "Ash Ketchum".

A trajetória criminosa de Melo teve início em 2005, quando ele publicou uma sequência de ofensas contra negros em um fórum da Universidade de Brasília (UnB) no site de relacionamentos Orkut. Foi processado e condenado, em 2009, a um ano e dois meses de prisão. Recorreu da decisão e não passou um dia sequer na cadeia.

Dois anos antes da condenação, em entrevista ao site Campus Online, da UnB, disse que foi mal compreendido: "Eu queria criticar o sistema de cotas, fazer uma ironia de como ele é injusto. Jamais ser racista, como estão dizendo por aí."

Não era verdade: nos anos seguintes, Melo aprofundou seu arsenal de ofensas e ampliou o leque das vítimas. Os negros eram "macacos subdesenvolvidos". As mulheres, merecedoras de estupro. Para os homossexuais, ele pregava o extermínio. Esquerdistas, cristãos, judeus e crianças também eram alvo de ataques.

Ele distribuía ameaças de morte e, aos poucos, passou a concentrar suas mensagens no site www.silviokoerich.org, motivador da prisão. Até então, ele mudava frequentemente o veículo usado para divulgar suas ideias, o que dificultava o rastreamento.

Formado em Ciência da Computação pela Universidade Católica de Brasília, Melo também era um hacker habilidoso – e gostava de alardear sua capacidade de fraudar cartões de crédito.

Isolado, o jovem seria provavelmente apenas um desajustado inofensivo. Mas, na web, encontrou colegas que compartilhavam sua insanidade - como Emerson Eduardo Rodrigues, o paranaense que também foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira.

Origem -Filho de uma funcionária do Serviço de Processamento de Dados (Serpro) da Presidência, Melo perdeu o pai ainda criança. Vivia em um apartamento confortável na Asa Norte, bairro central de Brasília. No colégio onde estudou, era alvo de piadas por causa do sobrepeso e por se encaixar no estereótipo de "nerd".

A vida sem sobressaltos financeiros lhe permitiu uma viagem ao Japão, país pelo qual era aficcionado. Quando postou mensagens racistas em um fórum da UnB na internet, ele havia acabado de ser aprovado no curso de Letras - Japonês, que abandonou em seguida.

O jovem chegou a se submeter a tratamento psiquiátrico. Na primeira condenação, Melo teve a pena abrandada porque o juiz o considerou semi-imputável (apenas parcialmente consciente das consequências de seus atos).

Após a sentença, passou a debochar também da Justiça "Fui condenado a três anos de liberdade", postou. Intensificou as ameaças: por mais de uma vez, prometeu promover um massacre na Universidade de Brasília.

Seu principal alvo eram alunos das Ciências Humanas. Ele teria escolhido até a arma para o crime: o fuzil israelense Uzi - o mesmo usado pelo estudante que matou 32 pessoas na universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, em 2007.

Melo é alvo de quase dez queixas na Polícia Civil do Distrito Federal, uma delas por agredir a mãe. Também responde a um segundo processo por racismo, aberto em 2011.

A defesa alegava insanidade mental, o que deve se repetir agora, com as novas acusações. Ao manter o site que levou à sua prisão, o pregador do ódio desdenhou também da Polícia Federal. Deve pagar o preço pelos próximos anos.

Veja

Amante é condenada a 43 anos de prisão por morte da menina Lavínia


Acusada foi condenada pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.
Menina de seis anos foi encontrada morta em hotel na Baixada Fluminense


O Tribunal do Júri condenou Luciene Reis Santana a 43 anos de prisão pela morte da menina Lavínia, pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. A acusada também foi condenada a pagar 300 salários mínimos pelos danos causados à família da vítima. No entanto, de acordo com os advogados de defesa e acusação, a condenada não tem condições financeiras de pagar a multa.

Na época do crime, ocorrido no fim de fevereiro de 2011, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, a vítima tinha 6 anos. Luciene era amante do pai da criança. O corpo de Lavínia foi encontrado apenas no dia 2 de março, com o cadarço do tênis enroscado no pescoço, debaixo do colchão de um quarto de hotel, no Centro do município.

O advogado Lélio Correa, responsável pela defesa de Luciene, alegou que sua cliente tem problemas psicológicos e praticou o crime por "dolo insconsciente", já que “sofre de baixa resistência à frustração afetiva”.

“Ela representa perigo para a sociedade, mas o cárcere não é o remédio. Não estou pedindo para absolvê-la, mas acho que ela deveria receber um atendimento mental”, falou o advogado.

O júri popular, composto por 4 mulheres e 3 homens, entendeu que o crime praticado por Luciene foi de motivo torpe, com emprego de meio cruel e sem possibilidade de defesa da vítima.

Pai chora em depoimento
Mais cedo, o pai de Lavínia, Roni dos Santos de Oliveira chorou ao lembrar da filha durante o depoimento na tarde desta quinta-feira (22).

Ao fim do depoimento, ele se alterou após ser questionado pela defesa sobre a relação dele com Luciene Reis Santana e teve de ser contido pelos seguranças. "Você é um monstro! Você é um monstro!", gritava, enquanto era contido também por familiares.

Segundo ele, Luciene conheceu Lavínia durante uma visita à sua academia. Ele afirmou que a ex-amante era possessiva e ciumenta. Roni confirmou que Luciene teria feito ameaças de se matar caso eles não reatassem.

"Luciene não aceitava o fim do relacionamento. Ela me ligava toda hora e me pedia dinheiro. Quando eu fui com o Rafael (primo de Lavínia) à casa dele, ele retornou dizendo que ela estava com o punho cortado e afirmava que iria se matar. Eu fui à casa da irmã dele porque ela estava ficando meio alterada. À noite tivemos uma nova discussão e ela chegou a me ameaçar com uma faca. Ela ficou muito alterada", contou.

Ainda de acordo com Roni, logo após deixar a casa de Luciene no domingo, ele foi para a sua casa, tomou um banho e viu quando Andreia (mãe de Lavínia) colocava a menina para dormir. No dia seguinte, segundo ele, Lavínia não estava mais em casa.

"Eu fiquei desesperado e logo imaginei que tinha sido ela (Luciene). Quando ela via a foto da Lavínia no meu celular não gostava. Primeiro eu fui à casa dela, mas ela não estava. Depois fui a todos os cantos. À noite eu voltei à casa da Luciene e ela estava com os meus primos. Ela estava normal, disse que não tinha sido ela e que de jeito nenhum faria isso", completou Roni.

Julgamento
O julgamento começou por volta das 13h50. Pouco antes da sessão, parentes e amigos da vitima aguardavam ansiosos do lado de fora da 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Eles vestiam camisetas em memória a Lavínia e levaram cartazes pedindo justiça.

G1

quarta-feira, 21 de março de 2012

Justiça mantém decisão de levar Mizael a júri popular


O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a decisão de levar Mizael Bispo de Souza e Evandro Bezerra Silva a júri popular nesta quarta-feira. Eles são acusados de matar a ex-namorada de Mizael, Mércia Nakashima, em 2010. A decisão cabe recurso.

A defesa havia entrado com um recurso contra a decisão do juiz Leandro Bittencourt Cano, em dezembro de 2011. A magistrada da 12ª Câmara de Direito Criminal e relatora do processo, Angélica de Maria Mello de Almeida, no entanto, negou o pedido e foi seguida pelos desembargadores Carlos Vico Mañas e Breno de Freitas Guimarães Júnior.

A reportagem procurou a defesa de Mizael e Evandro, mas não obteve retorno.

O CASO

Souza era considerado foragido desde dezembro de 2010, quando o juiz decretou sua prisão.

Mizael e o vigia Evandro Bezerra Silva, tido como seu cúmplice no crime, foram denunciados por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, cruel e sem possibilidade de defesa da vítima). Eles negam participação.

Mércia desapareceu em 23 de maio de 2010. Seu carro foi encontrado em uma represa de Nazaré Paulista no dia 10 de junho daquele ano. O corpo da advogada foi localizado no dia seguinte.

Mizael é acusado de homicídio triplamente qualificado, mas desde o início das investigações nega qualquer envolvimento com o crime. O vigia Evandro, acusado de ajudar Mizael, foi denunciado sob acusação de homicídio duplamente qualificado.

Ele chegou a falar, em depoimento à polícia, que combinou de ir buscar Mizael na represa no dia do desaparecimento de Mércia, mas depois mudou a versão e negou envolvimento com o crime.

HABEAS CORPUS

Mizael teve diversos pedidos de habeas corpus negados pela Justiça no período em que esteve foragido.

Em dezembro do ano passado o STJ negou dois pedidos apresentados pela defesa do ex-PM. Segundo o STJ, em um dos habeas corpus a defesa alegava incompetência dos juízes de Guarulhos (Grande São Paulo) para julgar o caso, já que o crime ocorreu em Nazaré Paulista (64 km de São Paulo). O segundo pedia a revogação da prisão preventiva.

Em maio, o STJ já havia negado um pedido de habeas corpus protocolado pela defesa do acusado, que pedia a revogação da prisão preventiva do ex-policial decretada em dezembro do ano passado pela Vara do Júri de Guarulhos.

Antes, a Justiça de São Paulo tinha negado o pedido de liberdade aos acusados em fevereiro.

Em janeiro, o Tribunal de Justiça também já tinha negado a devolução de bens de Mizael. Ele havia pedido a devolução de celulares, armas, roupas e sapatos que estão sob a guarda do juiz da Vara do Júri de Guarulhos desde o início da investigação sobre o crime.

Folha OnLine
Verbratec© Desktop.