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domingo, 28 de outubro de 2012
Pacificada, favela do Rio agora atrai moradores estrangeiros
Eles nunca se imaginaram num barraco, mas resolveram morar em um morro no Rio e se somaram aos 22% da população carioca --cerca de 1,4 milhão-- que vive em favelas.
São empresários, jornalistas e fotógrafos, em geral jovens, vindos de Paris, Barcelona, Buenos Aires e outros lugares no exterior.
Escolheram favelas que foram retomadas pelas forças de segurança. Algumas delas já receberam UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora).
"O povo te faz sentir parte de um lugar e de seus momentos. Os problemas se superam com um jeito de viver alegre e relaxado", diz o jornalista espanhol Edgar Costa, 34, que comprou um dúplex no Vidigal há um ano.
Costa aterrissou no Rio para gravar uma reportagem sobre o Carnaval e nunca mais voltou. Investiu R$ 60 mil em uma casa de dois andares. "Um presente", diz, pois no seu país é impossível achar algo por esse preço. "Mas é caro se consideramos que falamos de uma favela."
Ele conta que na Espanha não iria para um bairro marginal nem de visita. "Mas aqui vejo meu quintal com outros olhos, gosto das cores, dos meninos empinando pipa... E estou morando de frente para o mar."
Além do Vidigal, com 9.678 moradores, as favelas Pavão-Pavãozinho, Cantagalo, Santa Marta e a Rocinha, todas na zona sul, são as mais procuradas por estrangeiros, segundo Leonardo Schneider, vice-presidente do Secovi-RJ (sindicato da habitação).
"São muitos, mas não temos como medir o número de estrangeiros que se interessaram por casas nas favelas", explica Schneider.
Sem condições de dar números exatos, a Associação de Moradores do Vidigal diz que, de um ano para cá, o número de estrangeiros procurando casas aumentou consideravelmente. Calcula que até 200 estrangeiros passaram pelo escritório no último ano.
Os preços nas favelas, segundo moradores e agentes imobiliários, subiram muito.
Ficou difícil encontrar uma casa. "Não tem oferta. São muitos estrangeiros e brasileiros vindo", diz Roberto dos Santos, 39, morador do Pavão-Pavãozinho.
Isabela do Nascimento, 17, o marido e o filho de dois anos moram na casa da mãe dele. "Há quatro meses procuramos casa, mas pedem mais de R$ 500 por uma pequena com sujeira, mofo e umidades", reclama.
No Chapéu Mangueira, onde há apenas três estrangeiros entre os 3.000 moradores, o argentino Alejandro Karpowicz, 40, criou com a baiana Jamylli, sua mulher, a Marmita Popular Brasileira.
Ele sobe e desce o morro para entregar os pedidos dezenas de vezes por dia.
"Moramos em frente à praia, rodeados de natureza e ficamos perto de tudo", diz Karpowicz. O casal paga R$ 350 mensais por um quitinete com terraço e vista para a praia do Leme.
"É legal o fato deles se interessarem pela vida e a cultura da gente. A maioria das pessoas tem preconceito", opina Hortênsio Cavalcante, 36, gerente de restaurante e morador da Rocinha.
Folha OnLine
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Veja trechos das cartas trocadas entre Suzane e Cravinhos
A Record teve acesso a parte das cartas trocadas entre Suzane Richthofen e Daniel Cravinhos antes e pouco depois de os dois serem presos e condenados pelo assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, pai e mãe de Suzane
R7
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sábado, 27 de outubro de 2012
O conto da vacina contra o HPV
Um guia para sobreviver aos vendedores
Os ingênuos que me perdoem, mas os produtos criados para melhorar a saúde são exatamente isso: produtos. Fomos condicionados a encará-los com excessiva boa vontade porque eles emprestam da medicina uma ofuscante aura de altruísmo e beneficência.
Não há razão para abandonar o senso crítico na hora de investir em saúde. Quando compramos uma máquina de lavar, um carro, um tablet, uma revista, um sabão em pó, fazemos questão de saber quais são as qualidades e as limitações daquele produto.
No mundo da saúde também deveria ser assim, mas a maioria dos consumidores é passiva, resignada, paciente. Um exemplo é o exagero que se criou em torno das vantagens da vacinação contra o papilomavírus humano (HPV)
Duas empresas disputam o mercado brasileiro. As vacinas são caras e precisam ser tomadas em três doses. A mais barata protege contra apenas dois subtipos do vírus HPV e custa cerca de R$ 280 a dose nas clínicas particulares de São Paulo. A mais cara protege contra quatro subtipos. A dose custa cerca de R$ 400.
O momento de vendê-las para quem pode pagar é agora. O Ministério da Saúde estuda a possibilidade de oferecer a vacina no SUS. É possível que o negócio seja concretizado em breve. Ainda não se sabe qual faixa etária poderá receber a imunização sem botar a mão no bolso, mas muitas famílias que gastam hoje com a vacina fariam boa economia se esperassem mais um pouco.
Por essa e por outras razões, as estratégias de marketing têm sido agressivas. As empresas oferecem descontos e promovem amplas campanhas de vacinação em universidades, associações profissionais, prefeituras.
Até aí, nenhum problema. O que me chama a atenção é a desinformação em torno do produto. Cartazes espalhados na PUC de São Paulo anunciam a sexta campanha de vacinação contra o HPV oncogênico. Um folheto preparado pelo fabricante da vacina alerta para o fato de que quatro subtipos de HPV são os responsáveis por 80% dos casos de câncer do colo do útero no mundo. Só não explica que a vacina que está sendo vendida na PUC protege contra apenas dois subtipos de HPV (o 16 e o 18).
Toda a comunidade feminina (alunas, professoras, funcionárias e dependentes) é convidada a participar. Para as interessadas, cada uma das três doses sairá por R$ 130. Entre os alunos da PUC, a desinformação é explícita. Muitas moças acham que sem a vacina estarão condenadas ao câncer. Outras acham que a vacinação também as livrará do risco de tumores de mama.
Alguns estudantes acreditam em teoria da conspiração. Estão decididos a ficar longe das injeções porque, segundo um boato de internet, a vacinação seria uma estratégia de controle populacional comandada pelos governos e pelas grandes corporações.
Assustador, não é? Se isso é o que está passando pela cabeça de universitários que fazem parte da elite econômica e cultural do país, não é absurdo imaginar que a falta de conhecimento sobre a doença no Brasil seja geral.
Nessa história de HPV, há muita gente comprando gato por lebre. Na tentativa de contribuir para o consumo consciente, preparei um guia para sobreviver aos vendedores. Se você achar que as informações são úteis, espalhe.
A vacina contra o HPV é grande coisa?
Sim. A descoberta de que o vírus pode causar câncer de colo do útero rendeu um prêmio Nobel de medicina. O impacto social da vacina pode ser enorme. Nas áreas pobres, onde as mulheres não têm acesso a exames papanicolau e os homens nunca viram um urologista, a vacina pode reduzir drasticamente os casos de câncer de colo do útero, ânus, pênis e orofaringe.
O HPV sempre provoca doença?
Não. A cada 100 indivíduos sexualmente ativos, 75 adquirem o HPV ao longo da vida. Desses, 60 eliminam o vírus naturalmente. Isso mesmo: naturalmente. Sem fazer nada contra ele, sem sequer perceber que foi infectado.
O que acontece com os 15 que permanecem infectados?
Dez terão o vírus latente, sem qualquer lesão visível. Quatro terão lesões detectadas por exames, como o papanicolau. Se não tratadas, podem virar câncer. Apenas um terá verrugas genitais. Elas são benignas, mas incomodam.
Quem tem infecção latente (sem lesões visíveis) transmite o vírus?
Não se sabe com certeza. Se houver poucas cópias virais do HPV no organismo, ele não é transmitido.
Qual parcela das mulheres infectadas pelo HPV terá câncer do colo do útero?
Apenas 0,5%. Repito: 0,5%.
Qual parcela dos homens infectados pelo HPV terá câncer de pênis?
0,05%. Sim, você leu direito. Isso não é erro de digitação: 0,05%.
Quando a pessoa pega o HPV e fica naturalmente imune ao vírus, a proteção dura para sempre?
Nem sempre. É possível que um indivíduo que tenha adquirido o vírus em algum momento da vida e ficado naturalmente imune por muito tempo volte a adquirir o mesmo HPV se for exposto a ele novamente.
Quem pega o HPV nunca mais se livra dele?
Não é verdade. Com tratamento adequado, a pessoa que não eliminou o vírus naturalmente pode se curar e deixar de transmiti-lo.
Se tomar a vacina, a pessoa fica livre de todos os tipos de HPV?
Não. Existem cerca de 200 tipos de HPV. A vacina Gardasil, da Merck Sharp & Dohme, é quadrivalente. Ou seja: protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18. Eles são responsáveis por 70% dos tumores do colo do útero e por 90% das verrugas genitais. A vacina Cervarix, da GlaxoSmithkline, é bivalente. Protege contra os tipos 16 e 18, que podem provocar câncer.
Quem toma a vacina pode adoecer por causa de outros tipos de HPV?
Sim. As vacinas não protegem contra todos os tipos causadores de lesões genitais e câncer. É possível que no futuro surjam uma segunda geração de vacinas, capazes de oferecer proteção contra um número maior de subtipos do vírus.
Quem tomou a vacina pode contrair a doença?
Pode. As vacinas protegem contra alguns tipos virais (e não todos) e sua eficácia não é total – gira em torno de 80%. A possibilidade de infecção existe, mas o risco de desenvolver a doença é baixo. É possível que o corpo se livre do vírus sem manifestar nenhum sintoma ou reação.
Quanto tempo dura a imunidade conferida pela vacina?
O tempo de proteção ainda não foi estabelecido. Daí a importância de seguir as pessoas vacinadas, o que está ocorrendo em diversos países, sob os olhares atentos da Organização Mundial da Saúde. Até agora, passados cerca de dez anos de seguimento de jovens vacinadas durante os ensaios clínicos, as duas vacinas registram o mesmo tempo de proteção. Espera-se que o mesmo ocorra em relação aos meninos e rapazes que estão sendo acompanhados há menos tempo.
Depois de cinco anos, é preciso tomar a vacina outra vez?
Até o momento, não há nenhuma indicação de necessidade de reforço.
É possível fazer um teste para saber se a pessoa já teve contato com o vírus e, dessa forma, evitar gastos desnecessários com a vacina?
É possível, mas não serve para muita coisa. O teste é capaz de indicar que a pessoa teve contato com o HPV, mas não revela qual foi o subtipo. Mesmo que a pessoa soubesse qual foi o subtipo que causou a infecção, a vacina pode protegê-las contra os outros subtipos.
Qual é o melhor momento para tomar a vacina?
O ideal é recebê-la antes do início da vida sexual. Quem não é mais virgem também pode ter benefícios. Mesmo que a pessoa tenha sido infectada por um dos tipos de HPV, a vacina quadrivalente pode protegê-la de outros três tipos. Ainda que o câncer de pênis seja raro, os rapazes também podem ser vacinados. Isso ajuda a quebrar a cadeia de transmissão. Com mais rapazes vacinados, a chance de transmissão do vírus para as moças cai bastante. No caso dos homossexuais, o risco de câncer anal também diminui.
A mulher vacinada pode deixar de fazer o exame papanicolau?
Não. A vacina não protege contra todas as causas de câncer do colo do útero. O exame que detecta lesões pré-cancerosas causadas por outros tipos do HPV continua sendo fundamental. Se descobertas precocemente pelo exame, elas lesões podem ser tratadas e nunca virar um câncer.
A vacina é segura?
Os estudos sugerem que sim. Ela não é feita com o próprio vírus, e sim com partículas virais criadas em laboratório. Elas não contêm o DNA do vírus. Cerca de 85% das voluntárias relataram efeitos colaterais leves. Dor de cabeça, febre branda, pequeno inchaço no braço. Os sintomas desaparecem no dia seguinte. Nos estudos internacionais, houve casos de morte súbita. Nenhuma das mortes, porém, pôde ser relacionado ao uso da vacina.
Quem toma a vacina pode dispensar a camisinha?
Não. A camisinha é fundamental para evitar o risco de contrair outros tipos de HPV e outras doenças sexualmente transmissíveis, como a aids.
A camisinha é suficiente para proteger contra o HPV?
Nem sempre. O HPV pode estar no escroto ou no ânus, regiões em que a camisinha não chega, e ser transmitido durante a relação em qualquer tipo de prática (vaginal, anal e oral).
Vale a pena comprar a vacina?
Depende da situação econômica de cada um. Se para pagar as doses, a família precisar economizar em educação e em alimentação, esqueça a vacina. Se você gasta esse valor em roupas, aparelhos eletrônicos ou qualquer outro supérfluo, talvez seja mais vantajoso investir em saúde.
Por tudo isso, depois de analisar os benefícios e as limitações das vacinas, tenho uma única certeza: criar pânico na população por causa do HPV é uma leviandade.
Cristiane Segatto
Época
Criança agredida por babá pode ter sofrido fraturas na costela e clavícula
Delegado solicitou realização de exame de corpo de delito na criança.
Agressões foram registradas por câmeras em Cruz das Almas, na Bahia.
A criança agredida pela babá no município de Cruz das Almas, a cerca de 140 Km de Salvador, vai passar por exame de corpo de delito, de acordo com a polícia local. Segundo o delegado que investiga o caso, Fabrício Alencar, uma guia para a realização do exame foi expedida depois que o advogado da família informou que a criança sentiu incômodos no ombro, e pode ter sofrido fraturas na costela e na clavícula decorrentes das agressões.
O principal objetivo do exame não é constatar se a criança sofreu a fratura, mas se é possível identificar quando ela ocorreu, porque a babá saiu da casa da família há 15 dias, é preciso saber se a fratura é muito recente ou antiga, o ideal é que o médico indique a data que ela aconteceu", pontua o delegado.
A mulher de 26 anos trabalhava há dois meses em Cruz das Almas, na casa da mãe da criança, que não quer ser identificada. O menino ficava a maior parte do tempo com a babá, que inclusive dormia no emprego e não sabia que estava sendo filmada o tempo todo por quatro câmeras instaladas no interior da residência.
A polícia trabalha em uma análise mais minuciosa das imagens para identificar se a criança sofreu agressões graves. "A depender do que encontrarmos o crime vai se configurar como de maus-tratos, com menor potencial ofensivo, ou crime de tortura, que resulta em sofrimento mais intenso, em que os fatores psicológicos também são considerados", explica Alencar.
"A moça foi contratada no início de agosto, mas a mãe relata que notou alteração no filho no começo de setembro e só descobriu as agressões no início de outubro, porque embora sempre tivesse as câmeras, só parou para avaliar as imagens depois da mudança da criança. Temos no mínimo um mês e dez dias de imagens para analisar", completa.
O exame de corpo e de delito deve ser realizado no Instituto Médico Legal (IML) de Santo Antônio de Jesus.
Suspeita
A babá suspeita de cometer as agressões prestou depoimento na quarta-feira (24) à polícia e aguarda o andamento das investigações em liberdade. "Ela confessou a prática desse crime de maus-tratos alegando uma situação que ela estava sofrendo um abalo psicológico, em decorrência de uma doença sofrida pela mãe", afirma o delegado.
Alencar explica ainda que durante os 30 dias estipulados para a conclusão das investigações serão levantadas outras famílias para as quais a mulher já trabalhou na tentativa de descobrir se há casos anteriores de agressão contra crianças. "Ela não tem antecedentes criminais e demonstrou arrependimento durante o depoimento", pontua o delegado.
De acordo com a polícia, se for confirmado o crime de tortura, a pena é de até quatro anos de prisão. Já se o crime for de maus-tratos, a pena é de até um ano ou pagamento de multa.
Caso
A mãe da criança resolveu verificar as imagens depois de notar a mudança de comportamento do filho. O bebê passou a apresentar sinais de irritação e agressividade. Chorava com frequência, não dormia, nem se alimentava direito. “Quando eu chegava em casa, demais querendo ficar grudado em mim. Na alimentação do almoço, ele não queria mais sentar na cadeirinha de alimentação. No carrinho, não havia meios dele sentar ”, relatou a mãe do bebê.
As imagens foram gravadas nos dias 6 e 7 de outubro e mostram a babá sacudindo e jogando bruscamente o bebê no carrinho. Ela ainda ameaça bater na criança. E logo depois, chega a agredir o menino no rosto.
A filmagem mostra também a babá comendo o alimento da criança e usando a mesma colher para dar comida ao bebê. Em outro trecho da gravação, a suspeita dá um tapa na mão do garoto. Durante o banho, ela também bate na criança. E de novo ameaça bater enquanto troca a fralda. A mulher também põe o bebê para dormir no chão da sala e o deixa sozinho por mais de uma hora. Em outro momento, enquanto troca a roupa da criança, ela a joga com violência na cama.
"Eu não queria acreditar. Ainda consegui ficar... buscar dentro de mim uma força para não transparecer para ela [babá] que eu já estava sabendo de tudo. Eu demiti ela como se estivesse tudo bem, não desse certo", afimou a mãe da criança.
G1
Especialistas alertam que trabalho infantil não está relacionado apenas à pobreza
Brasília - A pobreza não é mais um dos principais motivos pelos quais crianças e adolescentes entram no mercado de trabalho. A vontade de ter acesso a objetos de consumo - como equipamentos eletrônicos, roupas e lazer – tem servido para estimular o uso da mão de obra infantil, de acordo com autoridades que participaram hoje (10) do seminário Trabalho Infantil, Aprendizagem e Justiça do Trabalho.
Isso é o resultado do crescimento econômico do país, desacompanhado da distribuição de renda e igualdade de oportunidades, conforme os especialistas. Os dados que fundamentam a conclusão são do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - que mostrou que 40% dos menores de idade no mercado de trabalho não estão na linha de pobreza.
De acordo com o oficial de projetos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Renato Mendes, enquanto o Estado não oferecer plenas condições de inclusão social, o jovem continuará tendo o mercado de trabalho informal e precário como opção. "Isso é o que o sistema das Nações Unidas propõe ao país. A OIT, em parceria com outras agências da Organização das Nações Unidas [ONU], tenta provocar este debate no Brasil. Se o país quer entrar de vez na globalização, precisa de desenvolvimento local e sustentável", disse Mendes. Segundo ele, o Brasil não é o mesmo de 20 anos atrás, o que deve ser acompanhado por diferentes perfis de políticas públicas.
Auditores fiscais do trabalho, magistrados e acadêmicos concordaram sobre a necessidade da implementação de políticas integradas e locais, de forma a eliminar o trabalho de crianças e adolescentes no país. As autoridades no seminário ainda expuseram desafios a serem transpostos por diversos setores, tanto econômicos quanto políticos, na erradicação do trabalho infantil.
De acordo com Renato Mendes, existem 12 prioridades nesse âmbito - em referência ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, 12 de junho. Entre as prioridades estão a municipalização de políticas públicas e a implementação de medidas para a transição entre a escola e o trabalho, além de creches para crianças até 6 anos, escola integral, cursos profissionalizantes e obrigatoriedade do ensino médio completo para jovens.
"Uma questão importante é a de que tenhamos a consciência se isso [trabalho infantil] é algo distante do mundo pessoal de cada um. Devemos saber se o que o consumismo estimula o crescimento de empresas que usam esse tipo de mão de obra. A ética não é uma meta de chegada, mas uma condição básica para a estruturação do Estado brasileiro. A progressividade dos direitos da criança tem de ser internalizada no país, com a ampliação da atuação judicial. Qualquer tipo de flexibilização neste sentido pode ser considerada uma afronta às convenções da OIT", explicou o oficial da organização.
Outro ponto debatido foi a interpretação do trabalho infantil como questão de saúde pública. Na idade adulta, quando seriam produtivos, muitas crianças e adolescentes não terão condições de trabalhar de forma eficiente - tanto por razões físicas quanto mentais. Para a auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego, em Natal (RN), Marinalva Cardoso Dantas, deve-se combater a ideia de que o trabalho dignifica a criança e que a impede de ficar nas ruas e ter acesso a atividades criminosas.
"Muitas atividades, como o trabalho em matadouros e de prostituição, fazem com que as crianças congelem as emoções para suportar viver nessas situações. Elas não dão o mesmo valor à vida ou à morte. São essas pessoas que o trabalho infantil está gerando e que a sociedade acha que vai manter longe da criminalidade", explicou a auditora.
Em junho de 2013, o Brasil sediará a Conferência Internacional sobre Trabalho Infantil. A secretária executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPeti), Isa de Oliveira, informou que geralmente as reuniões devem ser precedidas por amplo processo democrático, com consultas públicas estaduais e municipais, o que, segundo ela, não está sendo feito.
"O fórum identifica a ausência de liderança política do governo federal para articular e promover a adesão dos governos e de diversos setores para implementar ações eficazes. Essa agenda local é importante para a articulação para a conferência. O tempo está correndo e processo ainda não se instalou”, disse.
O seminário foi aberto na noite de ontem (9) pelo ativista indiano Kaylash Satyarthi, indicado ao Prêmio Nobel da Paz, em 2006. O seminário vai até amanhã (11) e é promovido pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CNJT).
Fonte: Agência Brasil
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Colega de quarto confessa ter matado estudante e atribui crime a bullying
Crime ocorreu em república no Jardim Botânico; família da vítima veio do Ceará para liberar corpo do jovem
RIO — Depois de um depoimento de 15 horas, o estudante de matemática Bruno Euzébio dos Santos, de 26 anos, confessou, na noite desta sexta-feira, que matou o colega de quarto José Leandro Pinheiro, de 21 anos, porque era vítima de bullying. Segundo o diretor da Divisão de Homicídios (DH), Rivaldo Barbosa, a confissão ocorreu na presença dos pais do autor do crime e de um psicólogo. Bruno, no entanto, não disse se era tratado por algum apelido, mas relatou que as risadas dos jovens da república no Jardim Botânico, onde ocorreu o crime, o incomodavam. O indiciado será levado para uma unidade prisional em Bangu no sábado.
Ele contou que, na noite da última quarta-feira, véspera do dia do crime, ele não conseguia dormir por causa dos colegas que ficaram conversando até tarde. Antes de cometer o assassinato, Bruno tentou abafar o som das conversas dos colegas colocando um fone de ouvido com música no último volume, mas disse não ter conseguido se concentrar nos estudos. Segundo o delegado, ele disse que as vozes persistiam em sua cabeça. Depois de tomar vodca com Coca-Cola e tranquilizantes, Bruno disse que pegou uma pedra de 30 centímetros que escorava a porta do térreo e atacou o colega, desferindo, em seguida, quatro facadas no peito dele. O criminoso foi achado desacordado na cozinha da república, com as mãos sujas de sangue, enquanto José Leandro estava morto no quarto. Segundo Rivaldo, Bruno contou que achava que os colegas estavam rindo dele.
— Até a tosse de José Leandro o irritava. Isso gerou um distanciamento social profundo entre Bruno e os colegas. Ele disse que se sentiu vítima de bullying. Seu temperamento era de uma pessoa calada, instrospectiva, enquanto os colegas brincavam. Estou estudando a possibilidade de pedir um exame de sanidade mental dele — disse Rivaldo, que indiciou Bruno por homicídio qualificado.
Os dois jovens eram alunos do curso de mestrado do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Bruno estava há 1 ano e 8 meses no Rio. Ao perceber que o convívio social estava insuportável, Bruno contou em depoimento que procurou dois psiquiatras, um na Barra de outro em Copacabana. Segundo o delegado, um deles receitou um remédio que impedia o estudante de dormir. Ele tomava ainda remédios controlados como Fluoxetina e Rivotril.
— Depois do crime, Bruno tentou se suicidar com vodca e vários comprimidos de rivotril. O depoimento dele confirmou o que a perícia relatou no laudo. Ele achava que as pessoas zombavam dele. Ele foi indiciado por homicídio qualificado porque não possibilitou a defesa da vítima. Para a DH o caso está elucidado, porque foi esclarecida a motivação, dinâmica do evento, além de ele ter sido autuado em flagrante — contou Rivaldo.
Família chega do Ceará para reconhecer corpo
A Divisão de Homicídios criou um Serviço de Estudo Comportamentais, com psicólogos que acompanham os casos onde há indícios de problemas psicológicos por parte dos suspeitos da autoria do crime. É o quinto caso que o serviço ajuda a elucidar. O pai de Bruno, José Enivaldo dos Santos, de 53 anos, que veio de Sergipe por causa do crime, pediu desculpas à família de José Leandro pela morte dele.
O agricultor Nestor Pinheiro, de 48 anos, após reconhecer o corpo do filho José Leandro, no Instituto Médico-Legal, revelou que o rapaz nunca comentou com a família nada de ruim sobre os colegas da república onde morava no Jardim Botânico. O último contato de José Leandro com a família ocorreu na terça-feira passada. Na ocasião, ele disse que estava feliz e que tinha comprado a passagem para o passar o fim de ano com a família no Ceará. Segundo Nestor, a mãe do rapaz, Josefa Maria Pinheiro, ficou muito abalada com a morte do filho e preferiu não vir ao Rio. A vítima tinha outros quatros irmãos, dois homens e duas mulheres.
Mãos sujas de sangue
Bruno foi achado desacordado na cozinha da república, com as mãos sujas de sangue. Ele foi levado para o Hospital Miguel Couto, onde permaneceu internado até esta sexta-feira, algemado, sob custódia da Polícia Militar. Peritos encontraram no quarto de José Leandro a pedra usada no crime, de cerca de 30 centímetros, suja de sangue e com vestígios de pele. Policiais também acharam duas facas sujas de sangue sobre um armário que fica entre a cozinha e o quarto de nove metros quadrados que os dois dividiam há cerca de um ano. No quarto de José Leandro e Bruno, a polícia achou, ainda, dois vidros de tranquilizantes vazios.
Na quinta-feira, o delegado Rivaldo Barbosa disse que não havia sinais de luta corporal na república, nem de uso de drogas. A perícia, segundo o delegado, mostrou que José Leandro havia sido atingido pela pedra quando estava deitado na cama: ele estava deitado, dormindo ou falando ao celular.
Na quinta-feira, sete estudantes do Impa, cinco deles estrangeiros, o caseiro e o gerente da república, além do coordenador do curso, prestaram depoimento na Divisão de Homicídios. Todos disseram desconhecer qualquer desavença entre os dois colegas de quarto. Os moradores da república, entre eles um belga e um cubano, chamaram a atenção para o fato de Bruno, que nasceu em Sergipe, ser muito retraído. Ele mal falava com os colegas da república.
Jovem estudioso e campeão de olimpíadas de matemática
Natural do Ceará, José Leandro nasceu na cidade de Deputado Irapuan Pinheiro, no sertão do estado, a cerca de 250km de Fortaleza. Filho de agricultores humildes, ele tem cinco irmãos. Ficou na cidade até os 14 anos e, por ser muito inteligente, ganhou uma bolsa de estudos para fazer o ensino médio numa escola agrícola em Iguatu, a 50km de Irapuan. Concluiu o curso aos 17 anos e, aprovado para estudar matemática na Universidade Federal do Ceará, mudou-se para a capital cearense, onde se formou aos 20 anos. Após um curso de 45 dias, foi selecionado para fazer o mestrado em matemática no Impa.
José Leandro, de acordo com o amigo Thiago Dourado, ganhou várias medalhas em olimpíadas de matemática. Em Deputado Irapuan Pinheiro, Elessandra Pinheiro Holanda, tia de José Leandro, disse que o sobrinho sempre foi um rapaz discreto, obediente e dedicado aos estudos.
A família de José Leandro soube da notícia da morte de Leandro na manhã de quinta-feira, por volta das 11h (horário local), por meio de um telefonema do Impa à prefeitura de Deputado Irapuan Pinheiro. Segundo Antônio Ícaro Pinheiro Vieira, funcionário da prefeitura que atendeu a ligação, a população da cidade está chocada com o ocorrido.
Impa decreta luto de dois dias
O Impa suspendeu as aulas nesta quinta-feira e na sexta, decretando luto oficial de dois dias. Em nota, o Impa informou também que está prestando toda a assistência necessária aos parentes de José Leandro, que vivem no Ceará.
O Globo
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Mulher agredida por usuário de crack na Barra é americana
O delegado titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), Carlos Henrique Pereira Machado, informou que o usuário de crack que agrediu uma mulher na orla da Barra já foi atuado em flagrante por tentativa de homicídio. Ele foi identificado como sendo Alexandre Luiz de Oliveira, de 33 anos. A vítima se chama Renné Murdoch, de 44 anos, e foi internada em estado grave no Hospital Miguel Couto, na Gávea.
Renné está radicada no Rio há cerca de 12 anos, acompanhando o pastor e missionário Philip Murdoch, da Igreja Luz às Nações. Ele também é engenheiro. Neto de ingleses e morou no Estados Unidos, onde conheceu a mulher. O casal tem 4 filhos que estudam na Escola Internacional do Rio, que funciona na igreja Uninon Church, na Barra. Renné trabalha na igreja com o marido. Nos Estados Unidos ela atuava num grupo cristão que amparava mães solteiras, tentando dissuadí-las de fazer aborto.
A vítima está em coma induzido e acabou se se submeter à segunda cirurgia no Hospital Miguel Couto. Ela sofreu traumatismo craniano.
O acusado foi levado à delegacia por guardas municipais, que conseguiram resgatá-lo das mãos de populares que ameçavam linchá-lo.
O usuário de crack, em estado de choque, dizia apenas:
-- Já passou, já passou.
Blog do Ancelmo
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Justiça tira a carteira de motorista de Thor Batista de novo
Filho do empresário Eike Batista responde processo por atropelar um ciclista
A Justiça do Rio de Janeiro não permitiu que Thor Batista volte a dirigir. A carteira de motorista do filho do empresário Eike Batista vai seguir suspensa, conforme decisão tomada nesta quinta-feira. Thor perdeu a habilitação depois que atropelou e matou um ciclista em março, e deveria permanecer sem dirigir por um ano, como determinado pela 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias. Mas a defesa entrou com recurso pedindo a anulação do prazo imposto.
Em julho, o jovem teve a carteira de volta por meio de uma liminar, que valeria até que o recurso fosse julgado. Os advogados de Thor afirmam que ele já foi punido ao ter a carteira suspensa por dois meses (de maio a julho). Cabe novo recurso diante da negativa, e a defesa diz que está analisando as próximas ações a serem tomadas. Agora, ele terá de entregar mais uma vez a CNH ao Detran.
Atropelamento - O acidente ocorreu em 17 de março na Rodovia Washington Luís. O filho de Eike dirigia a Mercedes-Benz SLR McLaren a 135 km/h, segundo a perícia da Polícia Civil. A velocidade máxima permitida na via é de 110 km/h. Os advogados de Thor contestam a perícia e alegam que, segundo laudo particular, o carro estava trafegando com velocidade entre 87,1 km/h e 104,4 km/h.
De acordo com informações da denúncia, momentos antes do acidente que matou o ciclista Wanderson Pereira dos Santos, de 30 anos, o filho do empresário chegou a ultrapassar um ônibus pela faixa da direita e repetiu a manobra ao ultrapassar um carro. Thor é acusado de homicídio culposo (sem intenção), cuja pena é de 2 a 4 anos de prisão.
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