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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Coordenador de escola no ES obriga alunos a tirar a roupa para revistá-los
Alunos da quinta série, de uma escola pública do Espírito Santo, foram ofendidos e obrigados a tirar a roupa, porque o vale-transporte de uma professora sumiu.
O menino de onze anos estuda numa escola estadual na região metropolitana de Vitória. Ele diz que ontem foi obrigado pelo coordenador do colégio a tirar a roupa.
“Era três em três indo para o banheiro. Aí ele mandou a gente tirar o calção, levantar a camisa e tirar a cueca”, conta um dos estudantes.
Outros estudantes também dizem que foram obrigados a tirar a roupa. Eles contam que ontem sumiu um cartão usado para pagar passagem de ônibus de uma professora. O coordenador primeiro procurou nas mochilas dos alunos, mas como não encontrou, determinou que eles fossem ao banheiro para serem revistados.
“Ele falou pra gente ir no banheiro... pra tirar a roupa... três em três, pra tirar a roupa”, contam os meninos.
“Foram todos os meninos da nossa sala”, afirmam.
Os alunos da quinta série contam que também foram ofendidos.
“Ele falou assim: ‘tem que tratar vocês assim, que nem homem de presídio’”, diz outro estudante.
Segundo estudantes, o cartão que estava sumido ainda não foi encontrado. Nesta manhã, alguns foram à escola acompanhados pelas mães, que exigem uma explicação.
“Eu me sinto muito mal, por eu estar confiando que meu filho está na escola estudando e meu filho passando por uma situação dessas, é muito constrangedor”, diz Ivanilda de Jesus, mãe de aluno.
“Foi muita humilhação”, declara Ana Lúcia da Silva, mãe de aluno.
A secretaria estadual de educação do Espírito Santo decidiu nesta quinta-feira (28) afastar a professora, o coordenador e a diretora da escola. "E o nosso papel agora, antes de qualquer coisa, é pedir desculpa a essas famílias. Nos desculpem, por nós termos nessa escola três profissionais que não foram competentes para lidar com essas crianças", Mércia Lemos, subsecretário de planejamento e avaliação da Secretaria Estadual de Educação – ES.
Jornal Hoje
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Advogado quer colocar goleiro Bruno frente a frente com filho de Eliza Samudio em audiência na Justiça

Representante da mãe da jovem assassinada acredita que, diante da criança, jogador ficaria comovido e concordaria com novo teste de DNA
O advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, montou uma estratégia para tentar convencer o goleiro Bruno, acusado de matar a jovem, de ceder material para um novo teste de DNA. Arteiro quer que o menino Brunonho, de oito meses, filho de Eliza e, possivelmente, do goleiro, esteja presente nas próximas audiências no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. As sessões estão previstas para os dias 8, 9 e 10 de novembro.
Como explicou o advogado em entrevista ao site de VEJA, o objetivo é tentar fazer o jogador, diante das testemunhas, comover-se com a presença da criança e, a partir daí, ceder material para um teste de DNA em Minas. O novo teste, para Arteiro, poderia dar mais rapidez ao reconhecimento de paternidade. “No laboratório do Rio de Janeiro estamos dependendo da assinatura do médico responsável. Mas podemos resolver isso mais rápido, aqui em Minas", explicou o advogado.
Na semana passada, Arteiro afirmou que um exame realizado em um laboratório da capital fluminense teria confirmado ser o goleiro Bruno o pai biológico da criança. Porém, as Justiças de Minas e do Rio não confirmaram a declaração que o laudo estivesse concluído. O processo corre em segredo de Justiça.
Na audiência realizada na última terça-feira, no Fórum de Esmeraldas, o atleta negou ter cedido material para análise e afirmou que está disposto a fornecer material para o teste de paternidade. "Eu tenho duas meninas e sou louco para ser pai de um menino. Se ele for mesmo meu filho, pretendo assumir e ainda pedir a guarda. Onde comem dois, comem três", declarou o atleta.
O advogado Ércio Quaresma, que defende o goleiro Bruno e os demais acusados de seqüestrar e matar Eliza Samudio, pretende barrar a estratégia de Arteiro. Quaresma afirmou que, se o bebê for levado ao Fórum, pretende acionar o Conselho Tutelar, pois o colega estará expondo a criança. “Não é dessa maneira que alguém convence outra pessoa a realizar um exame”, disse Quaresma. O defensor de Bruno condenou ainda o fato de Arteiro ter revelado o teor de um exame que faz parte de um documento sigiloso.
José Arteiro também comentou as declarações do jogador e de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, de que Eliza estaria viva, morando em São Paulo, e estaria escondida para prejudicar o goleiro e seus amigos. Para o advogado, os acusados de envolvimento no crime estão sendo orientados a mentir, para tentar comover as pessoas, já que até o momento o corpo da jovem não foi encontrado. “Estamos falando de assassinos covardes e que em momento algum se mostraram arrependido do crime que cometeram”, disse.
Conforme Arteiro, as crises do goleiro, em que desmaia durante as audiências, também são estratégias traçadas pela defesa, para comover o público. “As pessoas não podem esquecer que esse homem, que se mostra abatido, é o principal responsável por torturar e assassinar a mulher que lutava na Justiça para provar que ele era o pai de seu filho. Por que Eliza iria se esconder e deixar o filho para trás?”, questiona.
Mais sobre o caso Bruno:
OAB mineira reprova declaração de juíza
Para secretário-geral da instituição, magistrada emitiu opinião "inócua" sobre processo que não preside e sem ter lido os autos na íntegra
A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais condenou a decleração dada pela juíza Maria José Starling, da comarca de Esmeraldas, que, na terça-feira, defendeu a libertação do goleiro Bruno e dos acusados de seqüestrar e matar Eliza Samudio. A opinião da magistrada, dada no fim da audiência, pode, segundo a OAB, ser configurada como infração à Lei Complementar 35 e ao Código de Ética da Magistratura Nacional.
A Lei Complementar 35, de 14 de março de 1974, chamada Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loma), trata da proibição de um magistrado se “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.
A juíza presidiu a sétima audiência de instrução e julgamento sobre desaparecimento e assassinato da jovem admitiu que sua afirmação não foi baseada na leitura completa dos autos. Mesmo assim, afirmou que não se arrepende da manifestação e nega ter cometido qualquer deslize ao emitir um comentário sobre um caso ainda em andamento.
Sérgio Murilo Braga, secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Minas Gerais (OAB-MG), entende que a magistrada, ao emitir opiniões, acaba pratica abuso de conduta. “Ela não preside o processo, mas está praticando um ato processual”, entende Braga. Ele classificou de “inócuas” as declarações da juíza, já ela reconhece não ter lido os autos. O processo sobre a morte de Eliza Samúdio é presidido pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues, da comarca de Contagem
Andréa Silva, de Belo Horizonte (MG)
O advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa Sônia de Fátima Moura, mãe de Eliza Samudio, montou uma estratégia para tentar convencer o goleiro Bruno, acusado de matar a jovem, de ceder material para um novo teste de DNA. Arteiro quer que o menino Brunonho, de oito meses, filho de Eliza e, possivelmente, do goleiro, esteja presente nas próximas audiências no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. As sessões estão previstas para os dias 8, 9 e 10 de novembro.
Como explicou o advogado em entrevista ao site de VEJA, o objetivo é tentar fazer o jogador, diante das testemunhas, comover-se com a presença da criança e, a partir daí, ceder material para um teste de DNA em Minas. O novo teste, para Arteiro, poderia dar mais rapidez ao reconhecimento de paternidade. “No laboratório do Rio de Janeiro estamos dependendo da assinatura do médico responsável. Mas podemos resolver isso mais rápido, aqui em Minas", explicou o advogado.
Na semana passada, Arteiro afirmou que um exame realizado em um laboratório da capital fluminense teria confirmado ser o goleiro Bruno o pai biológico da criança. Porém, as Justiças de Minas e do Rio não confirmaram a declaração que o laudo estivesse concluído. O processo corre em segredo de Justiça.
Na audiência realizada na última terça-feira, no Fórum de Esmeraldas, o atleta negou ter cedido material para análise e afirmou que está disposto a fornecer material para o teste de paternidade. "Eu tenho duas meninas e sou louco para ser pai de um menino. Se ele for mesmo meu filho, pretendo assumir e ainda pedir a guarda. Onde comem dois, comem três", declarou o atleta.
O advogado Ércio Quaresma, que defende o goleiro Bruno e os demais acusados de seqüestrar e matar Eliza Samudio, pretende barrar a estratégia de Arteiro. Quaresma afirmou que, se o bebê for levado ao Fórum, pretende acionar o Conselho Tutelar, pois o colega estará expondo a criança. “Não é dessa maneira que alguém convence outra pessoa a realizar um exame”, disse Quaresma. O defensor de Bruno condenou ainda o fato de Arteiro ter revelado o teor de um exame que faz parte de um documento sigiloso.
José Arteiro também comentou as declarações do jogador e de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, de que Eliza estaria viva, morando em São Paulo, e estaria escondida para prejudicar o goleiro e seus amigos. Para o advogado, os acusados de envolvimento no crime estão sendo orientados a mentir, para tentar comover as pessoas, já que até o momento o corpo da jovem não foi encontrado. “Estamos falando de assassinos covardes e que em momento algum se mostraram arrependido do crime que cometeram”, disse.
Conforme Arteiro, as crises do goleiro, em que desmaia durante as audiências, também são estratégias traçadas pela defesa, para comover o público. “As pessoas não podem esquecer que esse homem, que se mostra abatido, é o principal responsável por torturar e assassinar a mulher que lutava na Justiça para provar que ele era o pai de seu filho. Por que Eliza iria se esconder e deixar o filho para trás?”, questiona.
Mais sobre o caso Bruno:
OAB mineira reprova declaração de juíza
Para secretário-geral da instituição, magistrada emitiu opinião "inócua" sobre processo que não preside e sem ter lido os autos na íntegra
A Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais condenou a decleração dada pela juíza Maria José Starling, da comarca de Esmeraldas, que, na terça-feira, defendeu a libertação do goleiro Bruno e dos acusados de seqüestrar e matar Eliza Samudio. A opinião da magistrada, dada no fim da audiência, pode, segundo a OAB, ser configurada como infração à Lei Complementar 35 e ao Código de Ética da Magistratura Nacional.
A Lei Complementar 35, de 14 de março de 1974, chamada Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loma), trata da proibição de um magistrado se “manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”.
A juíza presidiu a sétima audiência de instrução e julgamento sobre desaparecimento e assassinato da jovem admitiu que sua afirmação não foi baseada na leitura completa dos autos. Mesmo assim, afirmou que não se arrepende da manifestação e nega ter cometido qualquer deslize ao emitir um comentário sobre um caso ainda em andamento.
Sérgio Murilo Braga, secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Minas Gerais (OAB-MG), entende que a magistrada, ao emitir opiniões, acaba pratica abuso de conduta. “Ela não preside o processo, mas está praticando um ato processual”, entende Braga. Ele classificou de “inócuas” as declarações da juíza, já ela reconhece não ter lido os autos. O processo sobre a morte de Eliza Samúdio é presidido pela juíza Marixa Fabiane Rodrigues, da comarca de Contagem
Andréa Silva, de Belo Horizonte (MG)
Anvisa publica no Diário Oficial regras para controlar venda de antibióticos

Brasília - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou hoje (28) no Diário Oficial da União as novas regras para controlar a venda de antibióticos. Essas substâncias, a partir de agora, só poderão ser vendidas em farmácias e drogarias do país mediante a apresentação da receita de controle especial em duas vias pelo consumidor.
A primeira via ficará retida na farmácia e a segunda deverá ser devolvida ao paciente carimbada para comprovar o atendimento. Quem prescrever as receitas deve atentar para a necessidade de entregar de forma legível e sem rasuras duas vias do receituário aos pacientes.
As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a frase “Venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção da receita”. As empresas terão 180 dias para se adequar às novas normas de rotulagem.
A resolução definiu também novo prazo de validade para as receitas, que passa a ser de dez dias, em função dos mecanismos de ação dos antimicrobianos. Todas as prescrições deverão ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e concluam a adesão ao sistema é de 180 dias.
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que têm uso exclusivo no ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa é ampliar o controle sobre essas substâncias, principalmente após o aumento do número de contaminaçães pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC).
Christina Machado
Agência Brasil
A primeira via ficará retida na farmácia e a segunda deverá ser devolvida ao paciente carimbada para comprovar o atendimento. Quem prescrever as receitas deve atentar para a necessidade de entregar de forma legível e sem rasuras duas vias do receituário aos pacientes.
As embalagens e bulas também terão que mudar e incluir a frase “Venda sob prescrição médica – só pode ser vendido com retenção da receita”. As empresas terão 180 dias para se adequar às novas normas de rotulagem.
A resolução definiu também novo prazo de validade para as receitas, que passa a ser de dez dias, em função dos mecanismos de ação dos antimicrobianos. Todas as prescrições deverão ser escrituradas, ou seja, ter suas movimentações registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados. O prazo para que as farmácias iniciem esse registro e concluam a adesão ao sistema é de 180 dias.
As medidas valem para mais de 90 substâncias antimicrobianas, que abrangem todos os antibióticos com registro no país, com exceção dos que têm uso exclusivo no ambiente hospitalar. O objetivo da Anvisa é ampliar o controle sobre essas substâncias, principalmente após o aumento do número de contaminaçães pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC).
Christina Machado
Agência Brasil
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85% da população de São Paulo vive em área com alta taxa de mortalidade infantil

Má infraestrutura e falta de saneamento básico estão entre os motivos do problema
Cerca de 85% dos moradores da cidade de São Paulo, o que representa 9,3 milhões de pessoas, vivem em áreas onde a taxa de mortalidade infantil tem dois dígitos, segundo média anual realizada entre 2005 e 2009. O resultado é considerado alto por especialista ouvida pelo R7.
Apenas 22 dos 96 distritos da capital paulista têm menos de dez crianças menores de um ano mortas a cada mil nascidas vivas, dados que compõem a taxa de mortalidade infantil. Tanto os dados da mortalidade infantil quanto os da população são do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).
Márcia Furquim de Almeida, professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), destacou que o índice de mortalidade infantil é muito variável quando é feito em regiões com menos de 80 mil habitantes - caso da maioria dos distritos de São Paulo. Uma maneira de se obter um diagnóstico mais preciso é fazendo a média do índice entre 2005 a 2009.
Para a professora, a taxa de mortalidade acima de dez crianças menores de um ano mortas a cada mil nascidas vivas revela problemas que vão além do simples acesso à saúde. O resultado destaca fatores como má infraestrutura, baixa renda, poucos anos de frequência escolar e falta de saneamento básico, segundo a especialista.
Desigualdade
Levantamento da ONG Rede Nossa São Paulo a partir de dados do Seade revela que os índices de mortalidade infantil de São Paulo têm resultados que são equivalentes a países africanos pobres em algumas regiões e a países nórdicos ricos em outras.
Marsilac e Perdizes foram as regiões com a taxa mais baixa de mortalidade infantil (crianças com menos de um ano mortas a cada cem nascidas vivas), com zero óbitos em 2009. De acordo com o World Factbook (compilação de dados feita pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), o número é melhor que o da Suécia (2,75), Japão (2,79) e França (3,33).
Analisando a média anual entre 2005 e 2009, Marsilac aparece com taxa de 12,7, acima dos países desenvolvidos. Perdizes, no entanto, se mantém no grupo privilegiado, com taxa de 5,7.
Já Guaianases teve taxa de mortalidade infantil de 21,67 em 2009, mais alta que a do Suriname (18,81), Armênia (20,21) e faixa de Gaza (18,35). Os distritos de Cidade Tiradentes (17,65) e Ponte Rasa (20,05), ambos na zona leste de São Paulo, e Brás (19,20), no centro, também contam com índices comparáveis a regiões pobres do planeta (veja todos os distritos no infográfico abaixo).
Mesmo quando visto sob a perspectiva da média entre 2005 e 2009, Guaianases permanece com índice alto, de 16,4.
A cidade de São Paulo tem uma taxa de mortalidade de 11,93. Em números absolutos, foram 2.074 mortes. Em relação ao ano anterior, houve uma melhora. Em 2008, o índice era de 12 e o total de mortes, 2.084. Mas a diferença entre o melhor e o pior distrito era menor em 2008 (16,5 vezes), enquanto que em 2009 a diferença subiu para 17,6 vezes.
O índice é um dos parâmetros mais importantes usados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para definir a qualidade do atendimento de saúde de um país.
Segundo o professor da UnB (Universidade de Brasília) e infectologista José Ricardo Pio, o dado é sensível a uma série de fatores, como a infraestrutura da região, escolaridade e renda. De acordo com Pio, é normal que nas grandes metrópoles brasileiras existam diferenças grandes entre as regiões ricas e pobres.
A professora Márcia concorda e acrescenta que os índices de países mais desenvolvidos, além de serem mais baixos, são mais homogêneos. A professora diz que em uma perspectiva mais ampla de tempo, a taxa de mortalidade infantil de São Paulo vem caindo. Nos anos 70, o número chegava a ter três dígitos.
Outro lado
A SMS (Secretaria Municipal da Saúde) não respondeu a questões da reportagem do R7 sobre a desigualdade da mortalidade infantil na capital paulista. Por meio de nota, a SMS disse que, nos últimos cinco anos, foram feitos importantes investimentos na área.
Entre as ações mencionadas pela pasta estão 55 novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), ampliação de 60% do número de equipes do programa Estratégia Saúde da Família (que faz equipes de médicos visitarem residências em áreas pobres) e o programa Proteção à Mãe Paulistana, que presta assistência pré-natal e realizou 494 mil partos desde março de 2006, quando foi implementado.
Cerca de 85% dos moradores da cidade de São Paulo, o que representa 9,3 milhões de pessoas, vivem em áreas onde a taxa de mortalidade infantil tem dois dígitos, segundo média anual realizada entre 2005 e 2009. O resultado é considerado alto por especialista ouvida pelo R7.
Apenas 22 dos 96 distritos da capital paulista têm menos de dez crianças menores de um ano mortas a cada mil nascidas vivas, dados que compõem a taxa de mortalidade infantil. Tanto os dados da mortalidade infantil quanto os da população são do Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).
Márcia Furquim de Almeida, professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo), destacou que o índice de mortalidade infantil é muito variável quando é feito em regiões com menos de 80 mil habitantes - caso da maioria dos distritos de São Paulo. Uma maneira de se obter um diagnóstico mais preciso é fazendo a média do índice entre 2005 a 2009.
Para a professora, a taxa de mortalidade acima de dez crianças menores de um ano mortas a cada mil nascidas vivas revela problemas que vão além do simples acesso à saúde. O resultado destaca fatores como má infraestrutura, baixa renda, poucos anos de frequência escolar e falta de saneamento básico, segundo a especialista.
Desigualdade
Levantamento da ONG Rede Nossa São Paulo a partir de dados do Seade revela que os índices de mortalidade infantil de São Paulo têm resultados que são equivalentes a países africanos pobres em algumas regiões e a países nórdicos ricos em outras.
Marsilac e Perdizes foram as regiões com a taxa mais baixa de mortalidade infantil (crianças com menos de um ano mortas a cada cem nascidas vivas), com zero óbitos em 2009. De acordo com o World Factbook (compilação de dados feita pela Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos), o número é melhor que o da Suécia (2,75), Japão (2,79) e França (3,33).
Analisando a média anual entre 2005 e 2009, Marsilac aparece com taxa de 12,7, acima dos países desenvolvidos. Perdizes, no entanto, se mantém no grupo privilegiado, com taxa de 5,7.
Já Guaianases teve taxa de mortalidade infantil de 21,67 em 2009, mais alta que a do Suriname (18,81), Armênia (20,21) e faixa de Gaza (18,35). Os distritos de Cidade Tiradentes (17,65) e Ponte Rasa (20,05), ambos na zona leste de São Paulo, e Brás (19,20), no centro, também contam com índices comparáveis a regiões pobres do planeta (veja todos os distritos no infográfico abaixo).
Mesmo quando visto sob a perspectiva da média entre 2005 e 2009, Guaianases permanece com índice alto, de 16,4.
A cidade de São Paulo tem uma taxa de mortalidade de 11,93. Em números absolutos, foram 2.074 mortes. Em relação ao ano anterior, houve uma melhora. Em 2008, o índice era de 12 e o total de mortes, 2.084. Mas a diferença entre o melhor e o pior distrito era menor em 2008 (16,5 vezes), enquanto que em 2009 a diferença subiu para 17,6 vezes.
O índice é um dos parâmetros mais importantes usados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para definir a qualidade do atendimento de saúde de um país.
Segundo o professor da UnB (Universidade de Brasília) e infectologista José Ricardo Pio, o dado é sensível a uma série de fatores, como a infraestrutura da região, escolaridade e renda. De acordo com Pio, é normal que nas grandes metrópoles brasileiras existam diferenças grandes entre as regiões ricas e pobres.
A professora Márcia concorda e acrescenta que os índices de países mais desenvolvidos, além de serem mais baixos, são mais homogêneos. A professora diz que em uma perspectiva mais ampla de tempo, a taxa de mortalidade infantil de São Paulo vem caindo. Nos anos 70, o número chegava a ter três dígitos.
Outro lado
A SMS (Secretaria Municipal da Saúde) não respondeu a questões da reportagem do R7 sobre a desigualdade da mortalidade infantil na capital paulista. Por meio de nota, a SMS disse que, nos últimos cinco anos, foram feitos importantes investimentos na área.
Entre as ações mencionadas pela pasta estão 55 novas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), ampliação de 60% do número de equipes do programa Estratégia Saúde da Família (que faz equipes de médicos visitarem residências em áreas pobres) e o programa Proteção à Mãe Paulistana, que presta assistência pré-natal e realizou 494 mil partos desde março de 2006, quando foi implementado.
João Varella
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'Fui chamada de prostituta', diz garota agredida em escola em SP
Garota teve escoriações no antebraço e ferimentona orelha (Foto: Letícia Macedo/G1)
Aluna disse que colegas riem dela; suspeitas de agressão negam provocação.
Escola fará reunião para tentar solucionar conflito nesta quinta-feira (28).
Uma das garotas que foi agredida na Escola Estadual Adhemar Bolina, em Biritiba Mirim, na região de Mogi das Cruzes, disse que parte dos colegas agora faz graça com a violência sofrida.
Na quarta-feira (27), após voltar à escola, a menina de 14 anos disse ter sido alvo de chacota. “Foi um dia ruim. [Alguns colegas de sala] têm dó, mas outros ficam rindo porque eu apanhei”, disse.
As brigas têm se tornado frequentes; mais de uma já foi, inclusive, filmada por celulares.
A aluna da 8ª série que se disse alvo de chacotas foi agredida na sexta-feira (22), a última confusão registrada. Ela se disse vítima de bullying desde o início do ano letivo e fez um boletim de ocorrência depois de apanhar das colegas de classe. As suspeitas, no entanto, negaram ao G1 ter provocado a confusão. Uma delas disse ter entrado apenas para separar a briga.
A garota agredida afirmou que uma colega de classe de 15 anos é quem mais lhe importuna. “Ela fala assim: ‘você se acha, mas compra roupa no brechó’."
A confusão teve início na última sexta em sala de aula. Segundo ela, uma amiga da colega de classe de 15 anos a ofendeu, chamando-a de "prostituta". Já no pátio, ela disse ter sido atacada por quatro garotas. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou escoriações na região frontal, no antebraço e um ferimento na orelha da garota.
Outro lado
As duas apontadas como as principais agressoras, no entanto, negaram ter provocado a garota. A menina de 15 anos disse que só entrou para separar a briga. “Já me envolvi em confusão, mas dessa vez, não. Fui só separar a briga. Não foi muito, mas apanhei [na sexta-feira]”, afirmou.
A mãe da adolescente de 15 anos negou que a filha provoque confusões no colégio. “Ela até chorou de desgosto quando soube que estavam falando que ela tinha provocado a confusão”, afirmou a dona de casa. Para ela, a filha tem recebido um tratamento discriminatório na escola. “Ela já foi agredida. Fui reclamar na escola e ninguém fez nada”, disse.
A garota, porém, disse que não consegue se controlar quando é provocada. “Sabem que eu não aguento provocação. Sou esquentada”, disse ela que teve vários boletins de ocorrência registrados em 2010. Em maio, foram duas brigas com uma outra menina, o que a levou ao fórum. “Levamos um sermão. Para mim, resolveu. Para ela parece que não”, disse a garota de 15 anos.
A outra garota apontada como autora das agressões, suspeita de ofender a menina de 14 anos, disse que não foi ela quem começou a briga. "Foi ela quem falou que minha mãe era prostituta. E não o contrário", afirmou.
Escola fará reunião para tentar solucionar conflito nesta quinta-feira (28).
Uma das garotas que foi agredida na Escola Estadual Adhemar Bolina, em Biritiba Mirim, na região de Mogi das Cruzes, disse que parte dos colegas agora faz graça com a violência sofrida.
Na quarta-feira (27), após voltar à escola, a menina de 14 anos disse ter sido alvo de chacota. “Foi um dia ruim. [Alguns colegas de sala] têm dó, mas outros ficam rindo porque eu apanhei”, disse.
As brigas têm se tornado frequentes; mais de uma já foi, inclusive, filmada por celulares.
A aluna da 8ª série que se disse alvo de chacotas foi agredida na sexta-feira (22), a última confusão registrada. Ela se disse vítima de bullying desde o início do ano letivo e fez um boletim de ocorrência depois de apanhar das colegas de classe. As suspeitas, no entanto, negaram ao G1 ter provocado a confusão. Uma delas disse ter entrado apenas para separar a briga.
A garota agredida afirmou que uma colega de classe de 15 anos é quem mais lhe importuna. “Ela fala assim: ‘você se acha, mas compra roupa no brechó’."
A confusão teve início na última sexta em sala de aula. Segundo ela, uma amiga da colega de classe de 15 anos a ofendeu, chamando-a de "prostituta". Já no pátio, ela disse ter sido atacada por quatro garotas. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou escoriações na região frontal, no antebraço e um ferimento na orelha da garota.
Outro lado
As duas apontadas como as principais agressoras, no entanto, negaram ter provocado a garota. A menina de 15 anos disse que só entrou para separar a briga. “Já me envolvi em confusão, mas dessa vez, não. Fui só separar a briga. Não foi muito, mas apanhei [na sexta-feira]”, afirmou.
A mãe da adolescente de 15 anos negou que a filha provoque confusões no colégio. “Ela até chorou de desgosto quando soube que estavam falando que ela tinha provocado a confusão”, afirmou a dona de casa. Para ela, a filha tem recebido um tratamento discriminatório na escola. “Ela já foi agredida. Fui reclamar na escola e ninguém fez nada”, disse.
A garota, porém, disse que não consegue se controlar quando é provocada. “Sabem que eu não aguento provocação. Sou esquentada”, disse ela que teve vários boletins de ocorrência registrados em 2010. Em maio, foram duas brigas com uma outra menina, o que a levou ao fórum. “Levamos um sermão. Para mim, resolveu. Para ela parece que não”, disse a garota de 15 anos.
A outra garota apontada como autora das agressões, suspeita de ofender a menina de 14 anos, disse que não foi ela quem começou a briga. "Foi ela quem falou que minha mãe era prostituta. E não o contrário", afirmou.
Professores mediadores
De acordo com a Secretaria da Educação, quatro garotas foram suspensas devido à confusão e os pais delas, convocados para uma reunião de conselho nesta quinta-feira (28), da qual participarão também a direção, funcionários do colégio e um representante da Diretoria de Ensino. A Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes solicitou que dois professores mediadores comecem a trabalhar na escola para evitar novos conflitos.
De acordo com a Secretaria da Educação, quatro garotas foram suspensas devido à confusão e os pais delas, convocados para uma reunião de conselho nesta quinta-feira (28), da qual participarão também a direção, funcionários do colégio e um representante da Diretoria de Ensino. A Diretoria de Ensino de Mogi das Cruzes solicitou que dois professores mediadores comecem a trabalhar na escola para evitar novos conflitos.

Brigas entre alunos
O presidente do Conselho Tutelar de Biritiba Mirim, Alexandre Batista de Araújo, afirmou que foram notificadas cinco denúncias de brigas em colégios estaduais e municipais do município, mas disse que ainda é cedo para dizer que Biritiba Mirim enfrenta um problema.
“Apenas em 60 ou 90 dias teremos um levantamento sobre esses incidentes e poderemos concluir se é ou não alarmante”, declarou. Sobre a agressão ocorrida na última sexta, Araújo disse que o caso corre em sigilo e que, por isso, não pode dar detalhes.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Professora foi para motel com adolescentes em horário escolar

Ela confessou caso ao marido e procurou a mãe da menina para autorizar o namoro
A professora presa na madrugada desta quarta-feira (27) suspeita de estupro de vulnerável, em Realengo, admitiu ter passado horas em um motel, dois dias seguidos, com a adolescente de 13 anos com quem mantinha um relacionamento e com uma amiga dela, da mesma idade, também aluna da educadora.
O delegado Ângelo Lages, da Delegacia de Realengo, disse que também pode responsabilizar criminalmente funcionários e o dono do estabelecimento.
- Menores de idade não podem entrar em motéis. Queremos saber quem autorizou essa entrada e por qual motivo fez isso. Os responsáveis também poderão ser indiciados.
A educadora disse também que, em agosto, revelou ao marido que mantinha um caso homossexual com a adolescente. Ele pediu para ela esquecer a jovem e disse que a perdoaria. Não satisfeita, a professora contou ter procurado a mãe da adolescente, de quem pretendia ter o consentimento para o namoro.
O amor da professora pela menina era tão intenso que ela estava disposta a tirar a menina de casa, caso a mãe não concordasse com a relação. Ela estaria disposta a esperar a adolescente chegar aos 18 anos para morar com a menina.
O relacionamento entre a professora e a menina de 13 anos teve início em março deste ano, quando a adolescente procurou a educadora para desabafar sobre problemas que tinha em casa, principalmente sobre suposto alcoolismo e homossexualidade da mãe.
Em maio, a adolescente ligou para a professora e elas marcaram um encontro. Depois de horas de conversa, a professora diz que a aluna a beijou na boca e que ela retribuiu. A partir de então, a professora admitiu ter despertado uma paixão pela menina, por quem largaria o marido e com quem estaria disposta a morar junto.
No depoimento, a professora revela que a mãe da adolescente ficou sabendo do encontro entre as duas e foi até a escola onde ela trabalhava e comunicou o fato à direção da escola, que pediu que a funcionária se afastasse da menina.
Em seguida, veio o período de férias e as duas mantiveram contato apenas por telefone. Segundo a educadora, a menina sempre dizia que sentia saudades, mas lembrava que a mãe a vigiava.
Procurada, a secretaria municipal de Educação informou que “a 8ª Coordenadoria Regional de Educação, assim que tomou ciência do caso, em 9 de setembro deste ano, instaurou uma sindicância para apurar os fatos e determinou o afastamento da professora da escola. A Secretaria de Educação esclarece, ainda, que considera inaceitável este tipo de conduta e acompanha atentamente as investigações da polícia. Até a conclusão da sindicância, que pode determinar, inclusive, a exoneração da professora, ela será mantida afastada de suas funções”.
R7
A professora presa na madrugada desta quarta-feira (27) suspeita de estupro de vulnerável, em Realengo, admitiu ter passado horas em um motel, dois dias seguidos, com a adolescente de 13 anos com quem mantinha um relacionamento e com uma amiga dela, da mesma idade, também aluna da educadora.
O delegado Ângelo Lages, da Delegacia de Realengo, disse que também pode responsabilizar criminalmente funcionários e o dono do estabelecimento.
- Menores de idade não podem entrar em motéis. Queremos saber quem autorizou essa entrada e por qual motivo fez isso. Os responsáveis também poderão ser indiciados.
A educadora disse também que, em agosto, revelou ao marido que mantinha um caso homossexual com a adolescente. Ele pediu para ela esquecer a jovem e disse que a perdoaria. Não satisfeita, a professora contou ter procurado a mãe da adolescente, de quem pretendia ter o consentimento para o namoro.
O amor da professora pela menina era tão intenso que ela estava disposta a tirar a menina de casa, caso a mãe não concordasse com a relação. Ela estaria disposta a esperar a adolescente chegar aos 18 anos para morar com a menina.
O relacionamento entre a professora e a menina de 13 anos teve início em março deste ano, quando a adolescente procurou a educadora para desabafar sobre problemas que tinha em casa, principalmente sobre suposto alcoolismo e homossexualidade da mãe.
Em maio, a adolescente ligou para a professora e elas marcaram um encontro. Depois de horas de conversa, a professora diz que a aluna a beijou na boca e que ela retribuiu. A partir de então, a professora admitiu ter despertado uma paixão pela menina, por quem largaria o marido e com quem estaria disposta a morar junto.
No depoimento, a professora revela que a mãe da adolescente ficou sabendo do encontro entre as duas e foi até a escola onde ela trabalhava e comunicou o fato à direção da escola, que pediu que a funcionária se afastasse da menina.
Em seguida, veio o período de férias e as duas mantiveram contato apenas por telefone. Segundo a educadora, a menina sempre dizia que sentia saudades, mas lembrava que a mãe a vigiava.
Procurada, a secretaria municipal de Educação informou que “a 8ª Coordenadoria Regional de Educação, assim que tomou ciência do caso, em 9 de setembro deste ano, instaurou uma sindicância para apurar os fatos e determinou o afastamento da professora da escola. A Secretaria de Educação esclarece, ainda, que considera inaceitável este tipo de conduta e acompanha atentamente as investigações da polícia. Até a conclusão da sindicância, que pode determinar, inclusive, a exoneração da professora, ela será mantida afastada de suas funções”.
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Zoológicos são ruins e deveriam ser fechados, diz microbiologista

O cubano naturalizado brasileiro Pedro Ynterian, 71, presidente internacional do "Great Ape Project", que luta pelo bem-estar dos grandes primatas, defende que os zoológicos devem fechar. Ele diz que os animais passam por tortura psicológica com visitação pública.
Empresário, microbiologista e dono de um santuário ecológico em Sorocaba (SP) --com 200 animais, entre 50 chimpanzés, nove leões, dois tigres e dois ursos--, diz que uma criança aprenderia mais assistindo documentários.
Ele luta pela libertação do chimpanzé Jimmy, do zoológico de Niterói (RJ), cujo habeas corpus será julgado em novembro. Ynterian defende que gorilas, chimpanzés e orangotangos tenham garantias como a de não serem mortos ou enjaulados.
Folha - Os zoológicos brasileiros deveriam ser fechados?
Pedro Ynterian - Sim. Nenhum zoológico brasileiro é de primeira linha. Se você visitar cada um deles e reparar onde os animais comem e dormem, irá encontrar coisas terríveis. Muitos só são alimentados de noite e passam o dia em espaços exíguos.
A quantidade de mortes é absurda. Só metade está na regularidade, o resto funciona sem autorização do Ibama.
Para onde iriam os animais?
Os zoológicos poderiam virar centros de resgate e cuidado, mas sem visitação. Existe essa necessidade. Eu recebo mensalmente pedidos do Ibama para abrigar animais apreendidos.
A visitação é um problema?
Exibir publicamente uma galinha não é o mesmo que um primata ou um elefante, animais com inteligência superior. Um chimpanzé tem 99,4% do nosso DNA, se relaciona com as pessoas, odeia algumas e ama outras.
É tortura colocá-lo num recinto fechado. Em pouco tempo fica louco.
É comum recebermos chimpanzés que se mutilam, arrancam pedaços da perna e dos braços com os dentes.
Os zoológicos são considerados espaços de lazer e educação para as crianças.
Os animais que estão ali não são representantes legítimos da sua espécie. São estressados. A criança pode ver o leão no zoológico, mas o comportamento dele é falso. Acho mais válido assistir a um documentário.
O habeas corpus para o macaco Jimmy é uma tentativa de mudar esse quadro?
A iniciativa é de um grupo de advogados e promotores. Há três anos conseguimos decisão favorável para libertar uma chimpanzé em Salvador. Quando fomos buscá-la, tinha morrido.
Com o Jimmy queremos desafiar a Justiça a se pronunciar sobre a criação de uma figura jurídica intermediária para os grandes primatas. Por lei, os animais são considerados objetos e os humanos sujeitos de direito.
Queremos que os grandes primatas tenham direitos básicos como o de não serem enjaulados, mortos e que ninguém possa ter propriedade sobre eles.
Isso já existe em algum lugar do mundo?
Não. Mas o Brasil tem condições de dar o exemplo. Não pode esperar isso dos países desenvolvidos.
Empresário, microbiologista e dono de um santuário ecológico em Sorocaba (SP) --com 200 animais, entre 50 chimpanzés, nove leões, dois tigres e dois ursos--, diz que uma criança aprenderia mais assistindo documentários.
Ele luta pela libertação do chimpanzé Jimmy, do zoológico de Niterói (RJ), cujo habeas corpus será julgado em novembro. Ynterian defende que gorilas, chimpanzés e orangotangos tenham garantias como a de não serem mortos ou enjaulados.
Folha - Os zoológicos brasileiros deveriam ser fechados?
Pedro Ynterian - Sim. Nenhum zoológico brasileiro é de primeira linha. Se você visitar cada um deles e reparar onde os animais comem e dormem, irá encontrar coisas terríveis. Muitos só são alimentados de noite e passam o dia em espaços exíguos.
A quantidade de mortes é absurda. Só metade está na regularidade, o resto funciona sem autorização do Ibama.
Para onde iriam os animais?
Os zoológicos poderiam virar centros de resgate e cuidado, mas sem visitação. Existe essa necessidade. Eu recebo mensalmente pedidos do Ibama para abrigar animais apreendidos.
A visitação é um problema?
Exibir publicamente uma galinha não é o mesmo que um primata ou um elefante, animais com inteligência superior. Um chimpanzé tem 99,4% do nosso DNA, se relaciona com as pessoas, odeia algumas e ama outras.
É tortura colocá-lo num recinto fechado. Em pouco tempo fica louco.
É comum recebermos chimpanzés que se mutilam, arrancam pedaços da perna e dos braços com os dentes.
Os zoológicos são considerados espaços de lazer e educação para as crianças.
Os animais que estão ali não são representantes legítimos da sua espécie. São estressados. A criança pode ver o leão no zoológico, mas o comportamento dele é falso. Acho mais válido assistir a um documentário.
O habeas corpus para o macaco Jimmy é uma tentativa de mudar esse quadro?
A iniciativa é de um grupo de advogados e promotores. Há três anos conseguimos decisão favorável para libertar uma chimpanzé em Salvador. Quando fomos buscá-la, tinha morrido.
Com o Jimmy queremos desafiar a Justiça a se pronunciar sobre a criação de uma figura jurídica intermediária para os grandes primatas. Por lei, os animais são considerados objetos e os humanos sujeitos de direito.
Queremos que os grandes primatas tenham direitos básicos como o de não serem enjaulados, mortos e que ninguém possa ter propriedade sobre eles.
Isso já existe em algum lugar do mundo?
Não. Mas o Brasil tem condições de dar o exemplo. Não pode esperar isso dos países desenvolvidos.
Tsunami e vulcão na Indonésia deixam mais de 300 mortos
PADANG - As duas tragédias naturais que levaram destruição à Indonésia em menos de 24 horas já são responsáveis por ao menos 302 mortes: 272 delas provocadas por uma tsunami , e as outras 30 por um vulcão . Enquanto autoridades tentam manter moradores longe do Monte Merapi, que entrou em erupção na ilha indonésia de Java, os primeiros carregamentos de ajuda começam a chegar, nesta quarta-feira, ao local atingido na segunda-feira pela tsunami com mais de seis metros de altura, a oeste da ilha de Sumatra. O presidente Susilo Bambang Yudhoyono interrompeu uma viagem ao Vietnã para voltar ao país.
A ajuda para as vítimas da onda gigante está sendo levada por aviões e helicópteros, já que embarcações ainda enfrentam dificuldades no mar para chegar às turísticas Ilhas Mentawai, as mais atingidas pela tsunami. Pescadores tentam ajudar a localizar as cerca de 400 pessoas que ainda estão desaparecidas. Em terra, faltam pessoas para recolher os corpos das vítimas, que se acumulam em praias e estradas.
A falha geológica que provocou um terremoto de 7,7 graus na escala Richter e causou a onda gigante nesta segunda é a mesma responsável pelo tremor de mais de 9 graus seguido pela tsunami de 2004, que deixou mais de 200 mil mortos em diversos países. Segundo especialistas, o abalo sísmico desta vez pode ter relação com a erupção do Merapi.
Líder espiritual entre os mortos
O vulcão, o mais volátil do país, teria causado a morte do líder espiritual considerado o protetor da montanha. Exames serão feitos para confirmar a identidade de Mbah Maridjan, que para muitos javaneses teria poderes mágicos. Além dos 28 mortos, a erupção deixou ao menos 14 feridos.
Grande parte das vítimas sofreu queimaduras devido à lava expelida pelo vulcão.
A ajuda para as vítimas da onda gigante está sendo levada por aviões e helicópteros, já que embarcações ainda enfrentam dificuldades no mar para chegar às turísticas Ilhas Mentawai, as mais atingidas pela tsunami. Pescadores tentam ajudar a localizar as cerca de 400 pessoas que ainda estão desaparecidas. Em terra, faltam pessoas para recolher os corpos das vítimas, que se acumulam em praias e estradas.
A falha geológica que provocou um terremoto de 7,7 graus na escala Richter e causou a onda gigante nesta segunda é a mesma responsável pelo tremor de mais de 9 graus seguido pela tsunami de 2004, que deixou mais de 200 mil mortos em diversos países. Segundo especialistas, o abalo sísmico desta vez pode ter relação com a erupção do Merapi.
Líder espiritual entre os mortos
O vulcão, o mais volátil do país, teria causado a morte do líder espiritual considerado o protetor da montanha. Exames serão feitos para confirmar a identidade de Mbah Maridjan, que para muitos javaneses teria poderes mágicos. Além dos 28 mortos, a erupção deixou ao menos 14 feridos.

Grande parte das vítimas sofreu queimaduras devido à lava expelida pelo vulcão.
Animais e casas também foram afetados. Muitos ficaram cobertos por cinzas. Mais de 10 mil moradores de regiões próximas do vulcão foram retirados de casa, mas alguns começavam a voltar nesta quarta, contrariando orientações de autoridades.
Segundo Surono, o principal especialista em vulcões na Indonésia, o Merapi está "calmo", mas ainda representa perigo.
- Não há sinais de outra erupção iminente, mas eu não posso garantir nada e nós não sabemos se é apenas um descanso temporário - disse ele. - Eu orientei autoridades locais a continuar as retiradas. O alerta ainda está no nível mais alto.
Segundo Surono, o principal especialista em vulcões na Indonésia, o Merapi está "calmo", mas ainda representa perigo.
- Não há sinais de outra erupção iminente, mas eu não posso garantir nada e nós não sabemos se é apenas um descanso temporário - disse ele. - Eu orientei autoridades locais a continuar as retiradas. O alerta ainda está no nível mais alto.
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Entenda as semelhanças entre os casos de Joanna Marcenal e Isabela Nardoni


Há exatos sete meses, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela Justiça paulista a penas superiores a 26 anos de prisão por terem assassinado a menina Isabella Nardoni, 5 anos. Em 13 de agosto, outro caso, desta vez no Rio de Janeiro, surpreende pela aparente semelhança: a morte de Joanna Marcenal, também aos 5 anos, vítima de erro médico e de maus-tratos supostamente cometidos pelo pai, André Marins, e pela madrasta, Vanessa Maia. Os dois episódios não se refletem apenas na tragicidade, na pouca idade das meninas ou no eventual envolvimento dos responsáveis. O histórico de conflitos entre a mãe e o pai das crianças também apresenta pontos comuns, segundo especialistas ouvidos pelo Correio.
No caso do Rio de Janeiro, as evidências de que o pai e a madrasta de Joanna são culpados pela morte da menina estão claras, ao menos para o Ministério Público do estado, que ofereceu denúncia, na segunda-feira, por crimes de tortura e de homicídio qualificado. A Justiça já aceitou o pedido e o pai da menina está preso. Ontem ele foi transferido da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) para o presídio de Bangu 8. André Marins e Vanessa Maia responderão à ação penal e possivelmente serão julgados por júri popular, assim como ocorreu com Alexandre Nardoni e Anna Carolina em março deste ano. A pena por tortura pode chegar a oito anos e a de homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos.
“Nos dois casos, houve violência familiar extrema, sendo que as crianças foram negligenciadas e possivelmente humilhadas. Só a forma que foi diferente. Infelizmente, uma foi jogada pela janela e a outra sofreu agressão física”, avalia o sociólogo Vicente Faleiros, professor da Universidade de Brasília (UnB). Ele explica que nos dois episódios as crianças eram alvo de disputa dos adultos. “Elas sofreram um tipo de agressão sem qualquer culpa. Elas não têm nada a ver com a briga dos adultos, mas, muitas vezes, passam a ser objeto para chamar a atenção deles. A raiva dos maiores leva a essa crueldade”, analisa.
Para o psicanalista e psicólogo Luiz Alberto Py, analista da Sociedade Brasileira de Psicanálise, no caso da Isabella, há uma relação conflituosa entre Alexandre Nardoni e a primeira mulher, Ana Carolina de Oliveira. “Havia uma competição da segunda esposa (Anna Carolina Jatobá) com a menina, sem qualquer mediação do conflito”, afirma. Segundo Py, pais que maltratam e matam os filhos têm doença mental rara. “Essas pessoas são extremamente loucas. Felizmente, é raro uma criança ser assassinada. Na maioria dos casamentos que se desfazem, as relações entre pais e filhos são mais civilizadas. Jogar a criança de uma janela do prédio é uma barbárie que chama a atenção de todos. São crimes impulsionados por sentimentos doentios cometidos contra crianças indefesas. É diferente, por exemplo, dos crimes motivados por interesse”, acredita.
Para a promotora Ana Lúcia Melo, que está à frente das investigações da morte de Joanna, a violência contra a menina também foi resultado da disputa entre o pai e a mãe da criança. “Ela sofreu muito. A violência foi ao limite, fruto de egoísmo, frustrações e brigas. Por todo o conjunto probatório, pai e madrasta são culpados”, disse ontem à tarde, em entrevista ao Correio. Ela acredita que provavelmente a pena imposta aos dois será menor do que o máximo previsto, pois há vários quesitos a serem analisados. “Mas eles irão a júri popular porque as provas são robustas.”
Apesar das penas duras aos réus, o promotor responsável pelo caso Isabella, Francisco Cembranelli, lembra que o sistema legal brasileiro permite que os condenados não cumpram o período determinado. “É só lembrarmos do caso Daniella Perez, em que o réu (Guilherme de Pádua) foi condenado a 19 anos, mas passou pouco mais de sete preso. Não será diferente desta vez. Quando cumprirem alguns requisitos, eles (Nardonis) começarão a pedir benefícios.”
Nos dois casos, pais e madrastas apontados como acusados negam qualquer envolvimento nos crimes. Porém, tanto Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, quanto Cristiane Marcenal, mãe de Joanna, depositam fé naquilo que avaliam como uma “punição justa”. “A sociedade vai dormir com a sensação de que existe Justiça”, comentou Cristiane, depois da prisão do pai da criança.
LADO A LADO
Joanna Marcenal
O que ocorreu?
Em 17 de julho deste ano, a menina Joanna Marcenal, 5 anos, foi internada em um hospital de Botafogo, Zona Sul do Rio, onde ficou em coma e morreu quase um mês depois. Antes, ela havia passado por dois hospitais na Zona Oeste. Em um deles, foi atendida e liberada por um falso médico, que teve a prisão preventiva decretada. Segundo os peritos, a menina morreu em consequência de uma meningite viral desenvolvida a partir de herpes.
Acusação contra o pai e a madrasta
De acordo com o Ministério Público, Joanna era vítima de maus-tratos por parte do pai e da madrasta. A menina teve várias convulsões, apresentava hematomas nas pernas e sinais de queimaduras nas nádegas e no tórax. Para o MP, o tratamento desumano e degradante deixou lesões físicas e psíquicas na menor, que comprometeram seu sistema imunológico. Os laudos apontam que Joanna desenvolveu quadro viral provocado pelo vírus da herpes, que resultou em meningite. Segundo a denúncia, os acusados assumiram o risco da morte da criança de forma omissiva, já que a menina somente foi levada em situação crítica. De acordo com parecer técnico, a vítima, quando levada ao hospital, contava com apenas 30% de probabilidade de recuperação.
Desfecho
O MP-RJ ofereceu denúncia, ontem, contra André Rodrigues Marins e Vanessa Maia Furtado, pai e madrasta de Joanna, por crimes de tortura (dolo direto) e de homicídio qualificado pelo meio cruel (dolo eventual na forma omissiva imprópria). Caso seja aceita pela Justiça, os envolvidos responderão à ação penal e serão julgados por júri popular. Se condenados, podem cumprir penas de até 40 anos pelos dois crimes.
Isabella Nardoni
O que ocorreu?
Em 29 de março de 2008, Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos, morreu após cair do 6° andar de um edifício na Zona Norte de São Paulo, onde o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, moravam. A polícia descartou a hipótese de acidente e afirmou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém, já que a tela de proteção do quarto estava cortada. Dias depois, em depoimento, Nardoni negou qualquer participação no crime e disse que o local havia sido invadido por um ladrão.
Acusação contra o pai e a madrasta
O promotor Francisco Cembranelli, do Ministério Público de São Paulo, ofereceu denúncia à Justiça com base nos indícios encontrados pela equipe de investigação policial. Laudos periciais apontaram gotas de sangue no apartamento, sinais de sufocamento no corpo de Isabela, tentativa de mudança da cena do crime, entre outros fatos. Para Cembranelli, já havia motivos suficientes para comprovar que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram os responsáveis pelo crime.
Desfecho
Quase um ano e meio depois da denúncia do Ministério Público aceita, o 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana condenou Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá a 31 anos e 26 anos de prisão, respectivamente. O julgamento durou cinco dias e teve grande clamor popular. Quando a decisão foi anunciada, as pessoas em frente ao fórum comemoraram e soltaram foguetes.
Leandro Kleber - Especial para o Correio
Correio Braziliense
No caso do Rio de Janeiro, as evidências de que o pai e a madrasta de Joanna são culpados pela morte da menina estão claras, ao menos para o Ministério Público do estado, que ofereceu denúncia, na segunda-feira, por crimes de tortura e de homicídio qualificado. A Justiça já aceitou o pedido e o pai da menina está preso. Ontem ele foi transferido da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav) para o presídio de Bangu 8. André Marins e Vanessa Maia responderão à ação penal e possivelmente serão julgados por júri popular, assim como ocorreu com Alexandre Nardoni e Anna Carolina em março deste ano. A pena por tortura pode chegar a oito anos e a de homicídio qualificado varia de 12 a 30 anos.
“Nos dois casos, houve violência familiar extrema, sendo que as crianças foram negligenciadas e possivelmente humilhadas. Só a forma que foi diferente. Infelizmente, uma foi jogada pela janela e a outra sofreu agressão física”, avalia o sociólogo Vicente Faleiros, professor da Universidade de Brasília (UnB). Ele explica que nos dois episódios as crianças eram alvo de disputa dos adultos. “Elas sofreram um tipo de agressão sem qualquer culpa. Elas não têm nada a ver com a briga dos adultos, mas, muitas vezes, passam a ser objeto para chamar a atenção deles. A raiva dos maiores leva a essa crueldade”, analisa.
Para o psicanalista e psicólogo Luiz Alberto Py, analista da Sociedade Brasileira de Psicanálise, no caso da Isabella, há uma relação conflituosa entre Alexandre Nardoni e a primeira mulher, Ana Carolina de Oliveira. “Havia uma competição da segunda esposa (Anna Carolina Jatobá) com a menina, sem qualquer mediação do conflito”, afirma. Segundo Py, pais que maltratam e matam os filhos têm doença mental rara. “Essas pessoas são extremamente loucas. Felizmente, é raro uma criança ser assassinada. Na maioria dos casamentos que se desfazem, as relações entre pais e filhos são mais civilizadas. Jogar a criança de uma janela do prédio é uma barbárie que chama a atenção de todos. São crimes impulsionados por sentimentos doentios cometidos contra crianças indefesas. É diferente, por exemplo, dos crimes motivados por interesse”, acredita.
Para a promotora Ana Lúcia Melo, que está à frente das investigações da morte de Joanna, a violência contra a menina também foi resultado da disputa entre o pai e a mãe da criança. “Ela sofreu muito. A violência foi ao limite, fruto de egoísmo, frustrações e brigas. Por todo o conjunto probatório, pai e madrasta são culpados”, disse ontem à tarde, em entrevista ao Correio. Ela acredita que provavelmente a pena imposta aos dois será menor do que o máximo previsto, pois há vários quesitos a serem analisados. “Mas eles irão a júri popular porque as provas são robustas.”
Apesar das penas duras aos réus, o promotor responsável pelo caso Isabella, Francisco Cembranelli, lembra que o sistema legal brasileiro permite que os condenados não cumpram o período determinado. “É só lembrarmos do caso Daniella Perez, em que o réu (Guilherme de Pádua) foi condenado a 19 anos, mas passou pouco mais de sete preso. Não será diferente desta vez. Quando cumprirem alguns requisitos, eles (Nardonis) começarão a pedir benefícios.”
Nos dois casos, pais e madrastas apontados como acusados negam qualquer envolvimento nos crimes. Porém, tanto Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella, quanto Cristiane Marcenal, mãe de Joanna, depositam fé naquilo que avaliam como uma “punição justa”. “A sociedade vai dormir com a sensação de que existe Justiça”, comentou Cristiane, depois da prisão do pai da criança.
LADO A LADO
Joanna Marcenal
O que ocorreu?
Em 17 de julho deste ano, a menina Joanna Marcenal, 5 anos, foi internada em um hospital de Botafogo, Zona Sul do Rio, onde ficou em coma e morreu quase um mês depois. Antes, ela havia passado por dois hospitais na Zona Oeste. Em um deles, foi atendida e liberada por um falso médico, que teve a prisão preventiva decretada. Segundo os peritos, a menina morreu em consequência de uma meningite viral desenvolvida a partir de herpes.
Acusação contra o pai e a madrasta
De acordo com o Ministério Público, Joanna era vítima de maus-tratos por parte do pai e da madrasta. A menina teve várias convulsões, apresentava hematomas nas pernas e sinais de queimaduras nas nádegas e no tórax. Para o MP, o tratamento desumano e degradante deixou lesões físicas e psíquicas na menor, que comprometeram seu sistema imunológico. Os laudos apontam que Joanna desenvolveu quadro viral provocado pelo vírus da herpes, que resultou em meningite. Segundo a denúncia, os acusados assumiram o risco da morte da criança de forma omissiva, já que a menina somente foi levada em situação crítica. De acordo com parecer técnico, a vítima, quando levada ao hospital, contava com apenas 30% de probabilidade de recuperação.
Desfecho
O MP-RJ ofereceu denúncia, ontem, contra André Rodrigues Marins e Vanessa Maia Furtado, pai e madrasta de Joanna, por crimes de tortura (dolo direto) e de homicídio qualificado pelo meio cruel (dolo eventual na forma omissiva imprópria). Caso seja aceita pela Justiça, os envolvidos responderão à ação penal e serão julgados por júri popular. Se condenados, podem cumprir penas de até 40 anos pelos dois crimes.
Isabella Nardoni
O que ocorreu?
Em 29 de março de 2008, Isabella Oliveira Nardoni, 5 anos, morreu após cair do 6° andar de um edifício na Zona Norte de São Paulo, onde o pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, moravam. A polícia descartou a hipótese de acidente e afirmou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém, já que a tela de proteção do quarto estava cortada. Dias depois, em depoimento, Nardoni negou qualquer participação no crime e disse que o local havia sido invadido por um ladrão.
Acusação contra o pai e a madrasta
O promotor Francisco Cembranelli, do Ministério Público de São Paulo, ofereceu denúncia à Justiça com base nos indícios encontrados pela equipe de investigação policial. Laudos periciais apontaram gotas de sangue no apartamento, sinais de sufocamento no corpo de Isabela, tentativa de mudança da cena do crime, entre outros fatos. Para Cembranelli, já havia motivos suficientes para comprovar que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram os responsáveis pelo crime.
Desfecho
Quase um ano e meio depois da denúncia do Ministério Público aceita, o 2º Tribunal do Júri do Fórum de Santana condenou Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá a 31 anos e 26 anos de prisão, respectivamente. O julgamento durou cinco dias e teve grande clamor popular. Quando a decisão foi anunciada, as pessoas em frente ao fórum comemoraram e soltaram foguetes.
Leandro Kleber - Especial para o Correio
Correio Braziliense
Homem mata menina de 10 anos em Mundo Novo

Celso José Rodrigues Vesolovski, de 47 anos, esfaqueou sua vizinha de 10 anos de idade na tarde de ontem. Apaixonado, ele se declarou à menina e a pediu em namoro, mas foi rejeitado pela criança. Inconformado ele a matou. O corpo da menina foi encontrado por volta das 19h enterrado na beira de um rio em Mundo Novo.
A criança havia desaparecido no dia 24 à tarde e uma testemunha a viu na garupa da bicicleta do seu vizinho. A mãe então registrou, às 17h do mesmo dia, um boletim de ocorrência por desaparecimento.
Os policiais civis de Mundo Novo chegaram ao homem por meio da denúncia da testemunha e o interrogaram. Ele confessou ser apaixonado pela menina desde que ela tinha 5 anos de idade.
Então a convidou para tomar banho no rio e a pediu em namoro. Diante da recusa, ele a esfaqueou e a enterrou na margem do córrego, junto com a faca do crime. Celso foi preso em flagrante por homicídio doloso e ocultação de cadáver.
A criança havia desaparecido no dia 24 à tarde e uma testemunha a viu na garupa da bicicleta do seu vizinho. A mãe então registrou, às 17h do mesmo dia, um boletim de ocorrência por desaparecimento.
Os policiais civis de Mundo Novo chegaram ao homem por meio da denúncia da testemunha e o interrogaram. Ele confessou ser apaixonado pela menina desde que ela tinha 5 anos de idade.
Então a convidou para tomar banho no rio e a pediu em namoro. Diante da recusa, ele a esfaqueou e a enterrou na margem do córrego, junto com a faca do crime. Celso foi preso em flagrante por homicídio doloso e ocultação de cadáver.
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