sábado, 24 de novembro de 2012

Mãe de Eliza ajoelha, chora e se diz 'aliviada'; veja repercussão


Sônia Moura ficou emocionada com a leitura da sentença pela juíza.
Pena de Macarrão foi de 15 anos por morte; Fernanda pegou 5, por cárcere


A mãe de Eliza Samudio, Sônia Moura, se ajoelhou, chorou e disse estar "aliviada", na noite de sexta-feira (23), no plenário do Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais. Ela deu a declaração logo após a juíza Marixa Fabiane Rodrigues confirmar a condenação de Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, pela morte da filha. Para a Justiça, Eliza foi morta em junho de 2010. O corpo nunca foi encontrado.

Além de Macarrão, o júri condenou Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, por participação nas ações que resultaram na morte de Eliza, ex-amante do jogador.

O amigo do goleiro foi condenado a pena de 15 anos de prisão, sendo 12 em regime fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), e 3 em regime aberto, pelo sequestro e cárcere privado. Ele foi absolvido da acusação de ocultação do cadáver de Eliza. Ao ouvir a decisão, Macarrão chorou.

Fernanda foi culpada por dois crimes de sequestro e cárcere privado - de Eliza Samudio e de seu filho, Bruninho. Ela foi condenada à pena de 5 anos, a ser cumprida em regime aberto.

Resultado esperado
A advogada Carla Silene, defensora de Fernanda, disse na madrugada deste sábado (24) que sua cliente já esperava ser condenada no tribunal. "Dentro do contexto que se apresentou, ela já esperava esse resultado”, declarou. "Ela não volta para cadeia."

Carla adiantou que vai recorrer da decisão proferida pela juíza Marixa. "Assim como recorremos da pronúncia e ainda não transitou em julgado, vamos recorrer também deste julgamento", disse.

Segundo a defensora, a ex-namorada de Bruno saiu do Fórum de Contagem com a "cabeça erguida", apesar de "emocionalmente abalada". A advogada ressaltou que a grande vitória de sua cliente ocorreu fora do plenário. Para Carla, o maior mérito neste caso para Fernanda foi não ter sido pronunciada pelo crime de homicídio.

Goleiro 'não escapa', diz promotor
Após o júri, na madrugada de sábado, o promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro disse que "não há escapatória para ele [Bruno]". "Tenho certeza que a pena para ele tem que ser uma pena significativa”, afirmou, fazendo uma comparação com a condenação de Macarrão.

O promotor disse estar “feliz com a decisão”. “O resultado foi conforme eu esperava”, afirmou. Castro ressaltou, no entanto, que não houve vitória, já que Eliza está morta.

Questionado sobre o que vai acontecer com o goleiro Bruno, que também é reu no caso, o promotor respondeu, que se Macarrão foi condenado, "é claro que a [sentença] do Bruno tem que começar por aí”.

O atleta vai ser julgado em Contagem no dia 4 de março de 2013, junto com o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, e Dayanne Rodrigues, ex-mulher do jogador. Os três réus tiveram seu júri adiado.

Advogado quer confissão de Bruno
Para o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, que representa a mãe de Eliza e foi assistente do promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro, o goleiro Bruno deveria confessar sua participação no crime contra Eliza. "A melhor coisa para o Bruno é a confissão", disse ele, no sábado.

Lima ainda disse que iria comemorar a sentença, após o fim do julgamento. “Agora eu vou comer macarrão”, declarou, em tom de deboche, enquanto deixava o Fórum de Contagem.

O assistente de acusação criticou a postura dos defensores de Bruno, que teve o júri adiado e vai ser julgado apenas em 4 de março de 2013. “O advogados dele não sabem trabalhar. Quem sabe sabe. Quem não sabe bate palma para quem sabe”, disse, referindo-se à condenação de Macarrão e de Fernanda.

Julgamento
Os jurados saíram do plenário em direção à sala secreta às 21h de sexta-feira, e voltaram depois de mais de duas horas.

Durante esse período, eles responderam a quesitos preparados pela juíza, com a concordância de advogados e do promotor.

Com respostas "sim" e "não", os jurados decidiram se os réus cometeram o crime, se podem ser considerados culpados e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário. Em seguida, a magistrada Marixa Fabiane redigiu a sentença.

O júri popular, que teve início com cinco réus, acabou com apenas dois acusados: Macarrão e Fernanda.

O jogador Bruno Fernandes de Souza, que era goleiro titular do Flamengo, é acusado de ter arquitetado a morte da ex-amante, em 2010, para não ter de reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia.

Bruno, a sua ex-mulher Dayanne Rodrigues e o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, tiveram o júri desmembrado pela juíza Marixa e serão julgados em 2013.

Crime arquitetado
Em sua decisão, a juíza Marixa afirmou que o crime foi uma "execução meticulosamente arquitetada" e que os acusados agiram com "perversidade" e que a culpabilidade é "acentuada".

A juíza fixou a pena base de 20 anos contra Macarrão pelo homicídio, que foi atenuada por sua confissão. "Embora a confissão do réu seja parcial, ela encontra especial valor", afirmou a magistrada, na sentença. "A admissão do réu de que realmente levou Eliza para o encontro com a morte foi de extrema relevância para tirar do conselho de sentença qualquer dúvida. Prestigio a sua confissão em plenário para reduzir a pena aplicada para o mínimo legal."

A juíza disse que, mesmo antes do júri, tinha a convicção de que houve o crime com base na "prova indireta e que Eliza Samudio de fato havia sido brutalmente assassinada". "No entanto, alguns advogados dos corréus, no seu regular exercício da defesa, semearam de forma exitosa a dúvida na mente de milhares de pessoas que, ao longo de dois anos e cinco meses, se questionavam e se perguntavam se Eliza Samudio estava realmente morta", afirmou.

Quanto a Fernanda, a juíza entendeu que ela é primária e tem bons antecedentes, possui ocupação lícita e se dedica a trabalhos sociais, mas sua conduta é "altamente reprovável".

"Embora fugindo do conhecimento de que o destino de Eliza era a morte, prestou inestimável auxílio aos demais envolvidos, não se preocupando com o destino daquela própria moça", afirmou. "Seu sequestro foi o prelúdio de seu extermínio".

'Justiça na dosagem'
O promotor Henry Wagner de Castro afirmou, após a leitura da sentença, que a Promotoria não vai recorrer da pena "porque entende que houve justiça na dosagem". Ele projetou possível pena para o goleiro Bruno, que ainda será julgado. "Se Macarrão pegou 20 anos pelo homicídio, é claro que a [sentença] do Bruno tem que começar por aí", afirmou no plenário, ressaltando que "não há escapatória" para o goleiro.

A advogado de Macarrão, Leonardo Diniz, disse que "a defesa vai analisar oportunamente na semana que vem se vai interpor recurso". Ele diz que vai analisar a dosimetria da pena, mas afirmou que "a defesa entende que foi uma vitória".

Pedir a suspensão da juíza
O advogado do goleiro Bruno Fernandes, Lúcio Adolfo, disse, após a leitura da condenação de Macarrão, que cogita pedir a suspensão da juíza Marixa Fabiane. Ele diz que a motivação da ação é "por tudo que ela fez no processo" e por tê-lo impedido de entrar na sala secreta para acompanhar a votação dos quesitos pelos jurados.

Sobre a condenação do amigo de Bruno por sequestro, cárcere privado e homicídio triplamente qualificado de Eliza Samudio, Adolfo disse que agora vai estudar a defesa do goleiro. "Toda vez que você está uma trajetória, e essa trajetória muda, você tem que se adaptar. A partir de agora, o que vou fazer é estudar o caso e traçar uma nova estratégia”, relatou.

O crime
Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado. Depois, a vítima foi entregue para o ex-policial Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo, nunca encontrado. O bebê Bruninho foi achado com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG).

Além dos três réus que tiveram o júri desmembrado, dois acusados serão julgados separadamente – Elenílson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto. Outro suspeito, Flávio Caetano Araújo, que chegou a ser indiciado, teve o processo arquivado.

Investigações
A polícia encerrou o inquérito com base em laudos que atestam presença de sangue de Eliza em um carro de Bruno, nos depoimentos de dois primos que incriminam o goleiro, em sinais de antena de celular e multas de trânsito que mostram a viagem do grupo do Rio de Janeiro até Minas Gerais e em conversas de Eliza com amigos pela internet, nas quais relata o medo que sentia.

Eliza também havia prestado queixa contra o atleta quando ainda estava grávida, dizendo que ele a forçou, armado, a tomar abortivos. Ela ainda deixou um vídeo dizendo que poderia aparecer morta se não tivesse proteção.

G1

Casais homossexuais brasileiros tendem a ter filhos


Reportagem de VEJA desta semana mostra novo estudo que constata uma das mudanças recentes mais notáveis na sociedade mundial de que o Brasil não ficou de fora: a naturalidade em encarar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo

Uma das mudanças recentes mais notáveis na sociedade mundial de que o Brasil não ficou de fora é a naturalidade em encarar o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. Estimulados por leis, livros, filmes e novelas que tratam da homossexualidade como um fato da vida, os gays assumem sua orientação sexual sem constrangimento. Há um forte componente de classe nesse fenômeno. Quanto mais ricas e mais instruídas são as pessoas, maior tende a ser entre elas a proporção de casais que se declaram gays. Um estudo feito pelo demógrafo Reinaldo Gregori, de São Paulo, tendo como base os dados do Censo 2010, confirma essa percepção - e revela uma surpreendente taxa de casais do mesmo sexo no Brasil que já têm filhos. Eles são 20%, em comparação com os 16% verificados nos Estados Unidos.

O Censo 2010 foi o primeiro levantamento desse tipo feito no Brasil que tinha no formulário a pergunta sobre o sexo do cônjuge. A resposta era optativa. Ainda assim, cerca de 68 000 pessoas - 0,18% dos casais - declararam ter um parceiro do mesmo sexo. “O censo mostrou que esse novo arranjo familiar está se tornando menos incomum no Brasil”, diz Gregori. É presumível que seja expressivo o número de casais gays que, em 2010, preferiu optar por não revelar sua condição. O censo confirma a tendência de que os casais gays assumidos são mais numerosos entre os níveis sociais mais altos, com escolaridade e renda acima da média brasileira.

Os dados computados pelo demógrafo Gregori mostram que, enquanto apenas 34% dos chefes de família heterossexuais possuem mais de dez anos de estudo, entre os casais homossexuais declarados esse número chega a 67% e seu rendimento médio, de 5 200 reais, é quase o dobro. A musicista Thais Musachi, 26 anos, e a pediatra Luciana Avelar, 38, juntas há cinco anos, encaixam-se perfeitamente nessa amostra, tanto no que se refere à renda e escolaridade quanto na tendência de ter filhos. Elas conseguiram superar as barreiras biológicas à reprodução recorrendo a um banco de esperma. Luciana gestou em seu útero dois embriões. Um deles foi produzido com a junção de um óvulo dela e o espermatozoide doado. O outro óvulo foi retirado de Thais. Elas curtem agora um casal de filhos de 11 meses. Laura é mais parecida com Thais e Lucca lembra mais Luciana. “Para nós, nunca foi importante saber quem gerou quem, nem fizemos exames de DNA para descobrir”, diz Thais, que espera uma permissão judicial para colocar na certidão de nascimento das crianças o seu nome ao lado do de Luciana.

O caminho escolhido por Luciana e Thais para terem filhos é complexo, caro e, portanto, menos frequente. O mais comum é adotar. Mas para homossexuais as dificuldades são maiores do que aquelas enfrentadas por casais heterossexuais. Segundo uma pesquisa do Ibope feita no ano passado, 55% dos brasileiros consideram imprópria a adoção por gays. “A ideia prevalente ainda é que os gays são promíscuos e propensos a abusar sexualmente das crianças”, diz a psicóloga Mariana Farias, autora de livros sobre o assunto. Mariana lembra que a maioria das pessoas acredita erradamente que, por influência da situação doméstica, as crianças adotadas por gays fatalmente se tornarão homossexuais. Conclui Mariana: “São conceitos desmentidos em estudos científicos, mas que continuam a ter forte influência”.

O psicólogo Carlos Henrique da Cruz, 51 anos, e seu parceiro, o professor Wagner da Matta, 49, foram confrontados com toda a carga de preconceito quando tentaram incluir o nome deles no cadastro de adoções em Natal, no Rio Grande do Norte, em 2004. O pedido de inclusão foi negado. “Disseram que nós não poderíamos ser considerados uma família”, conta Cruz. Eles conseguiram seu intento dois anos depois, no Recife, mas pelo cadastro individual feito por Cruz. Desde 2006, são pais de Pérola, 11 anos, e Pétala, 9.


As pesquisas apontam para o fato de que os casais gays não fazem as exigências que, em geral, são colocadas como condição para adotar, entre elas que a criança seja ainda um bebê, sem problemas de saúde e da mesma etnia dos futuros pais. Duas decisões tomadas recentemente pela Justiça também contribuem para aumentar a chance de pessoas do mesmo sexo formarem uma família. Em 2010, o Superior Tribunal de Justiça autorizou a adoção de uma criança por um casal de mulheres. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal aprovou a união estável para os homossexuais. A falta de legislação específica ainda deixa espaço para interpretações diferentes, mas a situação começa a mudar. A enfermeira Cecilia de Avila, de 53 anos, de Uberaba, Minas Gerais, havia colocado apenas seu nome nos pedidos de adoção de dois dos quatro filhos que cria com a artesã Ana Cláudia Santos, 45. Por sugestão do próprio promotor, iniciou os outros dois processos junto com Ana.

Claro que não se pode exigir que todas as pessoas reajam com naturalidade diante de casais do mesmo sexo. Embora as estatísticas mostrem crescimento, esse arranjo ainda é novidade para muitos. Faz parte do cotidiano dos casais homossexuais lidar com doses diversas de estranheza. “Quando saímos os quatro juntos, as pessoas olham com muita curiosidade. Na escola nos apresentamos como pais adotivos, sem maiores explicações. Mas as meninas falam abertamente que têm dois pais e alguns coleguinhas acham que é mentira”, relata Cruz, o pai de Pérola e Pétala. A artesã Ana Cláudia conta que Laura, a filha mais velha, passou por uma situação difícil. “Uma menina disse que não ia mais ser amiga dela por nossa causa. Informamos a diretora, que conversou com a aluna.” Laura, de 10 anos, vive há cinco com suas duas mães e aprendeu a driblar esse tipo de obstáculo. Diz ela: “No começo, sentia um pouco de vergonha, mas hoje eu gosto de contar que tenho duas mães”.


Veja

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"Macarrão foi protagonista", afirma promotor ao relatar morte de Eliza Samudio


Ele pediu aos jurados que condenem os acusados e chamou Fernanda de "dissimulada"

Depois de chamar Fernanda Castro de "dissimulada", o promotor Henry Wagner Vasconcelos continuou suas alegações com a proposta de convencer os jurados de que a acusada teve participação no desaparecimento e morte da modelo Eliza Samudio. Segundo ele, "ela tomou a iniciativa de se implicar nos fatos".

— Ela foi envolvida por ambos [Bruno e Macarrão] e se jogou nos acontecimentos. Ela também se envolveu porque quis. Que mãe iria abandonar seu filho na mão de uma loira exuberante, uma rival amorosa? Como alguém consegue ter tantas lágrimas hipócritas como aquela mulher?

Segundo o promotor, a ré estava "no controle das ações". Ele ainda reafirmou que ela mentiu no depoimento ao júri, pois Macarrão realizou ligações para seu celular e de Jorge na noite do dia 4 para o dia 5 de junho de 2010. Também afirmou que, conforme os autos, os carros só fizeram uma parada na viagem para Minas Gerais e não duas, como alegou a acusada.

— Eles vieram juntos. Eles não foram de imediato para o sítio porque havia receio de que Dayanne estaria no sítio. Como Bruno ia chegar lá com Fernanda?

Logo, a acusação quis provar que Eliza não esteve no jogo de futebol do time 100% no dia 6 de junho de 2010, ao contrário do que contam os réus. Ele afirmou que a única mulher no local era Fernanda.

— Sérgio, quando foi ouvido pela polícia, disse o seguinte: "A moça de nome Eliza estava sentada quietinha no sofá, com o filho no colo". Sabe qual era a interação? De hierarquia, de controle, de domínio. Parecendo que obedecia às ordens de Jorge e Macarrão.

Sérgio Rosa Sales, primo do goleiro, contou ainda que a ex-modelo tinha um machucado na cabeça. Sobre a mudança do depoimento na Justiça, o promotor alegou que ele foi assediado, coagido por advogados. O vídeo da reconstituição do crime foi citado para provar que "não houve tortura" para que Sales confessasse um crime que não existiu.

Aos jurados, o promotor acusou os advogados que passaram pelo caso a orientar os acusados a esconder o crime. Segundo ele, Ércio Quaresma não teria deixado o corpo aparecer e disse que ensinou Bola, outro réu no processo, a atirar.

Relato da morte

Vasconcelos falou do dia 8 de junho de 2010, quando houve uma partida de futebol do time 100% e muitos foram impedidos de entrar no sítio do jogador, pois "Eliza estava lá dentro". O motorista de Bruno confirmou que ninguém pôde entrar na casa e pediu que ele deixasse ela ir embora. Bruno respondeu que "já havia feito m..." e iria resolver. Na viagem para o Rio, Sergio disse que "Eliza já era".

— O motivador desses delitos é o Bruno, envolvendo os amigos, os funcionários, as mulheres, os primos, os carros, os imóveis. Como o Bruno não poderia estar envolvido?

Por fim, a promotoria disse que Macarrão, por medo, preferiu entregar o amigo a falar sobre o executor, o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, pois registros telefônicos provam que eles se falaram antes do sequestro.

— Eles se encontraram às 20h52 daquela noite. Está provado nos autos. Bola diz: "Você não vai mais apanhar, você vai morrer". Bola dá uma gravata enquanto Macarrão chuta as pernas dela para viabilizar que a morte se viabilizasse com mais rapidez. Peço simplesmente justiça. Peço que condenem Macarrão e Fernanda. Apesar de termos um homicídio sem corpo, temos um homicídio repleto de provas.

Luiz Henrique Romão, o Macarrão, ficou no plenário todo o tempo e prestou atenção na fala do promotor. Já Fernanda saiu no início do debate e não voltou ao tribunal. A magistrada passou a palavra para a assistência de acusação.

R7

Funcionária pública que foi flagrada maltratando bebês é exonerada


Câmera de segurança de uma creche de Candelária gravou a auxiliar dando palmadas em crianças

Depois de 90 dias de investigação, a prefeitura de Candelária, no Vale do Rio Pardo, decidiu exonerar a funcionária pública que foi flagrada em agosto maltratando bebês em uma creche. Rosângela Corrêa, 41 anos, foi avisada da demissão nesta sexta-feira e afirma que pretende recorrer da decisão.

A câmera de segurança instalada na sala de berçário da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Dona Tereza flagrou a auxiliar de educação infantil dando palmadas e colocando de castigo crianças entre quatro meses e um ano e meio de idade. Durante toda a sindicância da prefeitura, Rosângela ficou afastada do cargo.

— As imagens são claras e confirmam que houve maus-tratos. Essas atitudes não condizem com a função pública dela, por isso a funcionária foi exonerada — explica o prefeito de Candelária, Lauro Mainardi.

Rosângela afirma não ter concordado com a decisão do município e revelou estar em contato com seu advogado para tentar reverter a situação:

— Acho que essa história tomou proporções muito maiores do que deveria e extrapolou o âmbito profissional. Sofri muitos constrangimentos desde que tudo isso veio a público.

Uma investigação da Polícia Civil apontou que houve maus-tratos, e o caso foi encaminhado à Justiça. Na época, segundo o promotor Martin Albino Jora, ela foi beneficiada com uma transação penal por não ter antecedentes e assinou um termo de ajustamento, para não enfrentar processo judicial, concordando em pagar seis parcelas de R$ 100 cada.

ZERO HORA

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Trabalho na adolescência pode, desde que


Créditos: Caio César Ferreira

A Lei do Aprendiz foi criada para garantir que o trabalho na adolescência não prejudique essa fase da vida e as suas prioridades

Carlos Eduardo Silva Ferreira, Caroline Silva, Isabela de Andrade Vaz, jovens comunicadores de São Paulo*

Você! Criança, jovem, adulto, idoso, desempregado, empresário, funcionário, sabe o que é a Lei do Aprendiz? Não?! Sim?! Bora descobrir?!

A Lei do Aprendiz foi criada com o intuito de auxiliar os menores de idade a se encaixarem no mercado de trabalho, dando assim experiência pessoal e profissional no mundo dos negócios.

Pela Lei do Aprendiz, você jovem, pode começar a trabalhar a partir dos 14 anos até os 24 anos incompletos, podendo ser contratado diretamente pela empresa ou entidade sem fins lucrativos, participando de cursos profissionalizantes e programas de aprendizagem disponíveis pelas instituições inscritas na Lei, tendo direito a todos os benefícios trabalhistas e previdenciários que qualquer funcionário tem. Mas, com uma carga horária de, no máximo, 6 horas diárias.

Porém, você não pode trabalhar em locais que prejudiquem o seu desenvolvimento e formação física, moral, psíquica e social e em horários que não permitam a sua frequência na escola. E isso também vale para os adolescentes acima de 16 anos até os 18 incompletos sem ser como jovem aprendiz.

A empresa que te contrata tem o papel de assegurar a sua aprendizagem e o auxiliar dentro da empresa, formando assim, um profissional capacitado. Porém, não é sempre assim que as coisas acontecem. Algumas empresas acabam deixando de cumprir o seu papel e transformam o jovem aprendiz em mão-de-obra barata, explorando o seu funcionário e fugindo de todos os pré-requisitos da Lei do Aprendiz.

A Lei do Aprendiz exige! Todo estabelecimento deve ter no mínimo 5% e no máximo 15% da sua grade de funcionários preenchida por jovens aprendizes. Apenas as empresas de pequeno porte, entidades sem fins lucrativos e microempresas que tenham por objetivo a educação profissional não necessitam contratar jovens aprendizes.

“A Lei do Aprendiz não necessita ser revista, apenas demonstrar ao jovem o caminho que ele deve seguir. No meu caso, eu já tinha um caminho traçado, mas a falta de objetivo acaba sendo crucial em muitos casos de jovens aprendizes.” diz Guilherme Cerqueira, 20 anos, que começou a trabalhar aos 16 anos como office boy sem a proteção da Lei do Aprendiz.

Começar a trabalhar cedo pode parecer um bicho de sete cabeças, mas não é. Pelo contrário, é bom! Faz com que você, jovem, amadureça e lide com responsabilidades desde pequeno. Desde que protegido pela lei que garante que as prioridades dessa fase da vida não sejam postas em segundo plano. Por isso, não se desespere arrumando qualquer emprego! Procure empresas que levem a sério a Lei do Aprendiz, porque ela está aí para te proteger, fazendo com que você não perca nada relevante da sua juventude!

promenino

'Fernanda mentiu’, diz promotor após interrogatório de ex do goleiro Bruno


Wagner ainda falou que existem contradições entre Fernanda e Macarrão.
Fernanda falou nesta quinta-feira, no júri popular do caso Eliza.


O promotor Henry Wagner Vasconcelos de Castro disse, no fim da tarde desta quinta-feira (22), que a ex-namorada de Bruno, Fernanda Gomes de Castro, mentiu durante seu interrogatório, no júri popular pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio. Ele ainda disse que os depoimentos dela e de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, apresentaram algumas contradições. Mas o promotor afirmou que só vai revelar esses pontos durante a apresentação de seu argumento na fase de debates, que será nesta sexta-feira (23).

“Fernanda mentiu durante depoimento, quando afirmou que Macarrão teria tido a iniciativa de chamá-la para que ela fosse à casa do Bruno no Recreio dos Bandeirantes para cuidar do filho de Eliza. Ela mesmo teve a iniciativa de realizar, pelo menos, duas ligações telefônicas para o celular de Jorge Luiz [primo de Bruno, que era adolescente à época do crime]”, descreveu o promotor.

Henry Wagner ainda afirmou que tanto Macarrão quanto Fernanda sabiam que Eliza iria morrer. “Os dois sabiam que Eliza ia morrer. (...) Tanto é que ela [Fernanda] cobriu o rosto para não ser reconhecida por Eliza, quando chegou à casa do Recreio dos Bandeirantes, conforme depoimento de Jorge Luiz. E em Ribeirão das Neves, Fernanda não cobriu mais o rosto. Certamente já saberia que Eliza não sairia daquela situação, que não sairia viva”, completou.

O promotor alegou ainda que a agressão que Eliza sofreu dentro do carro do Bruno a impediu que cuidar de Bruninho, que foi cuidado por Fernanda. “Dona Fernanda Gomes de Castro diz que teria cuidado do bebê de Eliza durante a noite. Eliza estava em tal grau machucada que não teria condições de cuidar do filho, se embarcarmos na versão da ré. A Eliza não abandonaria seu filho, que estava em poder de Fernanda, que era uma desconhecida e uma rival amorosa”, contou.

Henry Wagner ainda disse que a versão dos fatos contada por Fernanda foi orientada de forma a proteger outros réus. “Fernanda tentou proteger a todo o grupo, em não somente a si. E ela foi orientada, assim como todos os outros [réus] foram orientados a mentir. E sabemos qual foi o advogado que a orientou. O mesmo que é amigo do réu Marcos Aparecido dos Santos há 20 anos. Ércio Quaresma”.

Procurado pelo G1, o advogado Ércio Quaresma nega as acusações do promotor. "Cai de paraquedas em Contagem e, na falta de argumento no júri, começa a desenhar uma série de ações infundadas”. Quaresma diz que pode colocar à disposição da Justiça seu sigilo telefônico. O defensor de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, criticou Henry Wagner. "Quando falta capacidade, aflora a nervosia. Quando você não tem argumento vem, desculpe a expressão, o excremento no verbo, na idéia, na postura."

Ércio Quaresma acrescentou que já defendeu todos os réus, mas que atualmente não mantém contato com eles. Segundo o criminalista, a última vez em que esteve com Macarrão foi no ano passado, pois o ex-defensor do acusado, Wasley Vasconcelos, teria sondado a possibilidade de Quaresma defender o amigo do goleiro Bruno. Entretanto, ele disse que durante o júri, Luiz Henrique Romão “mal mal” o cumprimentou.

Interrogatório de Fernanda
A ex-namorada do goleiro Bruno Fernandes, Fernanda Gomes de Castro, confirmou nesta quinta-feira (22) boa parte do depoimento dado na madrugada por Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, durante julgamento que está sendo realizado no Fórum de Contagem, em Minas Gerais. Ambos são réus no caso do cárcere privado e desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro. A sessão do júri foi encerrada por volta de 17h50.

Fernanda, que se disse inocente das acusações de sequestro e cárcere privado de Eliza e de Bruninho, filho da ex-amante com o goleiro, confirmou que Macarrão usou seu carro, um Gol, por cerca de 20 minutos. Macarrão afirmou em seu depoimento ter levado Eliza de carro até um local indicado pelo goleiro, em Belo Horizonte, onde a ex-amante entrou em um Palio, no início de junho de 2010. "Ele ia levar ela para morrer", disse o réu Macarrão, em depoimento que durou até cerca de 4h desta quinta-feira.

Interrogada durante o julgamento, Fernanda ressaltou que não desconfiou do destino trágico que Eliza teria, "pela calma que ela apresentava" durante o tempo que esteve em Minas. "Só tive conhecimento verdadeiro de que a Eliza foi executada ontem pelas declarações de Luiz Henrique [Macarrão]", afirmou ela, em seu depoimento.

Questionada pela juíza Marixa Fabiane sobre como soube das declarações de Macarrão, Fernanda disse ter sido informada pela imprensa. Ela afirmou que chegou a mentir em seu primeiro depoimento à polícia, mas que depois voltou atrás e pediu desculpas aos delegados. "Estava com medo", ressaltou.

Boato interrompe júri
Um boato divulgado nesta quinta-feira afirmou que o goleiro Bruno teria tentado suícidio dentro da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, Minas Gerais, mesma cidade em que o júri do caso Eliza está sendo realizado.

A notícia falsa causou tensão no fórum, onde o júri chegou a ser interrompido por cerca de 20 minutos pela juíza Marixa Fabiane. Ela dispensou os jurados por alguns minutos, por volta de 16h10, e disse a todos no tribunal se manterem em silêncio sobre qualquer notícia ou informação, por já saberem do que se tratava, referindo-se ao boato.

A sessão já havia sido retomada às 16h45 desta quinta-feira.

O boato foi desmentido pela Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais. Segundo a secretaria, o diretor-geral do presídio, Luiz Carlos Danunzio, confirmou que Bruno está bem. A secretaria disse que Danunzio chegou a ir até o pavilhão onde o atleta está para verificar seu estado de saúde. A tensão ocorreu durante o depoimento da ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro.

Do lado de fora do tribunal, o falso boato também causou confusão. Jornalistas cercaram o advogado Lúcio Adolfo, defensor do goleiro Bruno, para saber informações sobre o caso. Ele seguiu para trás de um portão fechado, na entrada do fórum, protegido por policiais militares.

Agressão
Durante o interrogatório, Fernanda disse ter sido informada por Macarrão que a ex-amante de Bruno havia sido agredida pelo primo do goleiro, Jorge Luiz Rosa, num momento anterior ao episódio do carro. O depoimento confirma a versão do amigo de Bruno sobre o episódio. "Ele [Macarrão] e Jorge foram encontrar com Eliza para negociar uma dívida. Ele disse que houve uma briga no carro entre Jorge e Eliza por causa de algo que Eliza teria dito algo sobre o jogador que não agradou Jorge", disse.

A ex-namorada afirmou, ainda, que ficou com o bebê de Eliza por alguns momentos e que chegou a fazer mamadeira para ele, durante o período que coincide com o cárcere privado investigado pelo Ministério Público. "Fiz a mamadeira e troquei a fralda e a criança parou de chorar. Depois disso, subi para o o quarto de Bruno e ele dormiu. Neste momento, não vi a Eliza. Tive vontade de falar com a Eliza, mas fiquei com medo de ela falar meu nome para a mídia", disse. O episódio ocorreu antes do desaparecimento da ex-amante, segundo Fernanda, que ressaltou que Eliza agradeceu por ela ter cuidado da criança

Quarto dia de julgamento
O quarto dia do júri do caso Eliza Samudio no Fórum de Contagem começou por volta das 14h30 desta quinta-feira com o depoimento da ré Fernanda. Ela e Bruno foram namorados na época em que Eliza desapareceu, em junho de 2010.

No processo, Macarrão é acusado de homicídio triplamente qualificado contra Eliza, sequestro e cárcere privado e ocultação de cadáver. Já a ex-namorada de Bruno é acusada de sequestro e cárcere privado de Eliza e de Bruninho. Ambos negam.

Terminado o depoimento de Fernanda na chamada fase de instrução, em que as provas são apresentadas, terão início os debates, com apresentação de argumentos de acusação e defesa para tentar convencer os jurados.

Bruno ficou 'decepcionado'
O advogado do goleiro Bruno, Lúcio Adolfo, disse que o atleta ficou "decepcionado" ao saber nesta quinta (22) das declarações dadas pelo réu Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, no julgamento do caso Eliza.

Macarrão afirmou, em depoimento à juíza Marixa Fabiane, que à época do caso, ocorrido em junho de 2010, levou a ex-amante do jogador de carro até um local indicado pelo goleiro, em Belo Horizonte, onde a jovem entrou em um Palio. "Ele [Bruno] ia levar ela para morrer", disse.

O defensor, junto com os advogados Francisco Simim e Tiago Lenoir, foi à Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, por volta de 11h30 contar a Bruno sobre o interrogatório de Macarrão, que terminou na madrugada desta quinta. "[Ele] reagiu com tristeza, mas entendeu que Macarrão está pressionado", disse. Adolfo reforçou que o goleiro não chorou, mas "ficou chateado, decepcionado, pela amizade que existia entre os dois".

Macarrão relatou à juíza que não sabia o que iria acontecer com Eliza, mas que "pressentia" que a jovem seria morta. Ele afirmou ainda que alertou Bruno sobre o que podia acontecer, mas que o goleiro pediu para ele largar "de ser bundão". "Falou que era para deixar com ele", disse o réu antes de começar a chorar no plenário.

Em entrevista, o advogado Adolfo disse que quer incluir Macarrão como testemunha quando for realizado o novo julgamento do goleiro Bruno, no dia 4 de março de 2013. Ele cogita, inclusive, pedir uma acareação entre os dois.

"A situação de ontem foi atípica, pois o Arteiro [advogado de acusação] ficou em cima do Macarrão", disse Simim, também defensor do goleiro.

'Não sou esse monstro'
Antes de falar ao júri, na madrugada de quinta-feira, Macarrão ouviu a leitura da denúncia contra ele e disse para juíza Marixa que a acusação "em partes é verdade". Ele disse não ter falado, em depoimentos anteriores, tudo que sabia sobre Eliza. "Quero deixar bem claro para a senhora que eu não sou esse monstro que as pessoas colocaram", disse Macarrão. "E hoje eu vou falar tudo que a senhora queira ouvir da minha boca e colaborar com a verdade dos fatos".

Macarrão disse que Bruno conheceu Eliza Samudio durante uma "orgia" e que, tempos depois, o goleiro contou que achava que a jovem estava grávida. O réu afirmou que não levou Bruno a sério, mas que o goleiro iria encontrar Eliza para conversar. Meses mais tarde, o atleta retomou o assunto e confirmou que "a garota estava grávida mesmo".

O réu disse que Bruno estava estranho ao telefone, no dia 10 de junho de 2010, e que o jogador pediu que ele levasse Eliza Samudio até um ponto da Pampulha, onde teria uma pessoa esperando por ela. "Ele falou que ia...", começou a contar. "Antes de dizer o que ele ia fazer, eu quero dizer que eu disse pra ele deixar aquela menina em paz".

Mais tarde, questionado se estava mais aliviado por contar o que aconteceu, Macarrão respondeu: "Eu guardei tudo isso. Eu não aguentava mais, eu não sou esse monstro que todo mundo colocou [...] Se tem alguém aqui que acabou com a vida, foi ele [Bruno] que acabou com a minha vida".

"Graças a Deus eu tirei esse fardo carregado há dois anos das minhas costas. Eu não quis prejudicar ninguém nesse processo", disse Macarrão ao final do interrogatório. "Eu ponho a cabeça no travesseiro tranquilo de que eu fiz tudo para evitar isso [...] Eu não participei".

G1

Macarrão confessa que Bruno decidiu matar Eliza Samudio


Braço-direito de goleiro diz que jogador foi mentor do crime e o chamou de "bundão"
Luiz Henrique Romão, o Macarrão, réu no julgamento do desaparecimento e morte de Eliza Samudio, apontou o goleiro Bruno como o mentor do assassinato de Eliza Samudio durante depoimento na madrugada desta quinta-feira (22). Segundo o braço-direito e amigo do jogador, Bruno teria decidido cometer o crime em uma quinta-feira e ainda pediu ajuda de Macarrão. Ainda de acordo com o réu, o atleta teria dito para que Macarrão parasse de ser "bundão" ao ter sido alertado do perigo pelo funcionário.

— Eu sou p..., deixa comigo, eu sou o Bruno.

Macarrão começou a chorar no momento em que começou a dar detalhes do diálogo entre ele e Bruno sobre a decisão de executar a jovem. De acordo com o réu, ele e Jorge Luiz Sales teriam levado Eliza até um local na Pampulha de onde ela foi retirada do carro por uma pessoa.

O depoimento de Macarrão começou na noite de quarta-feira (21) por volta das 23h, no fórum de Contagem, na Grande BH, e continuou na madrugada desta quinta-feira (22), terminando por volta de 4h. Chamando Bruno de “patrão” durante o interrogatório, o réu afirmou que as denúncias são “parcialmente” verdadeiras e contou que Eliza Samudio não foi sequestrada e levada para Minas. A jovem teria ido por vontade própria.

Macarrão afirmou também que o sangue achado na Land Rover do jogador foi provocado por uma cotovelada desferida por Jorge, menor de idade na época do crime. Segundo ele, Eliza teria irritado o jovem dentro do carro, usando um palavrão para se referir ao goleiro. Ele negou que tenha sido uma coronhada, como afirma a polícia.

— Nem eu, nem o menor, andávamos armados.

Em um momento do depoimento, Macarrão disse que Bruno teria conhecido Eliza em uma “orgia no apartamento” e teria “transado com ele apenas 15 min”. Depois, o réu ainda completou que a jovem teria tentado extorquir dinheiro do jogador.

— Meu patrão não tinha dinheiro nem para colocar gasolina no carro, tinha uma vida toda desorganizada.

Em outro momento, Macarrão disse que Eliza se ofereceu para viajar até Minas para garantir que receberia R$ 50 mil que pediu a Bruno. Ela teria dormido em um motel acompanhada do menor e de Macarrão e, depois seguido para o sítio.

Reviravolta

O terceiro dia de julgamento foi marcado pelo adiamento do júri do goleiro Bruno Fernandes, apontado como mandante do assassinato de Eliza Samudio. O julgamento dele, da ex-mulher, Dayanne de Souza e do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, será realizado no dia 4 de março de 2013.

Todas as testemunhas já foram ouvidas. E no início da noite de quarta-feira (21), acusação e defesa apresentaram as provas do caso.

R7

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Menino de três anos toma achocolatado envenenado e morre em PE


O menino, que morava com a avó, brincava na porta de casa quando achou o achocolatado e tomou. Um tempo depois ele se queixou de dor de cabeça. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital. A polícia ainda não confirma o envenenamento do garoto.

R7

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Detento afirma que Bola disse ter jogado 'as cinzas de Eliza às águas'


Testemunha Jaílson de Oliveira foi ouvido pela acusação nesta terça (20).
Ele disse que foi ameaçado por policial e que corre risco de vida na cadeia.


O detento Jaílson Alves de Oliveira, arrolado pela acusação como testemunha, disse ao júri nesta terça-feira (20), segundo dia de julgamento do caso Eliza Samúdio, que ouviu "várias vezes" Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, dizer que jogou "as cinzas de Eliza às águas". Ele disse ainda que, ao perguntar o que Bola faria se o corpo da vítima fosse encontrado, o réu respondeu: "Só se os peixes falarem".

Em depoimento prestado à polícia, lido na íntegra durante a sessão, Oliveira diz ter ouvido a confissão de Bola sobre o crime. A testemunha disse que tempo depois foi ameaçada por um policial para retirar seu depoimento. "Sei de toda sua família", teria sido a ameaça. O detento afirmou à juíza que está preso na Penitenciária Nelson Hungria, recolhido na enfermaria por medida de segurança. "Disseram que sou cagueta. Corro risco de vida."

Bruno e os demais réus enfrentam júri popular por cárcere privado e morte da ex-amante do jogador, Eliza Samudio, em crime ocorrido em 2010. O júri é presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues e a previsão é que o julgamento dure pelo menos duas semanas.

Jaílson Alves de Oliveira disse que ouviu Bola contar que não jogou a mão de Eliza para os cachorros e que não fez nada na casa dele, e sim, em um terreno. Ele afirmou ainda que Bruno teria armado um plano caso fosse condenado, dizendo que estava doente para ser resgatado a caminho do presídio.

A testemunha também afirmou que Cleiton Gonçalves não era motorista de Bruno, embora dirigisse veículos do goleiro. De acordo com a testemunha, Gonçalvesvendia drogas para Macarrão, apontado como chefe do tráfico em Ribeirão das Neves. "Eu já conhecia o Macarrão, o Cleiton e a mãe do Cleiton."

Risos no júri
Por duas vezes, Jaílson Alves de Oliveira arrancou risos do plenário. Primeiro, questionado pelo novo advogado de Bruno de por que era representado por um ex-defensor do goleiro, respondeu: "Eu sou cliente dele. Você não defende o seu?". Depois, ao explicar o apelido de Miyagi. "É por causa daquele lutador de caratê", disse à magistrada.

'Amarrada e chutada'
A primeira testemunha a ser ouvida pelo júri popular em Contagem foi João Batista, citado no depoimento de Cleiton Gonçalves, ex-motorista de Bruno. Batista disse que Gonçalves estava "com as mãos livres, sem algemas, bem à vontade" quando prestou depoimento para a polícia e que, perguntado se estava bêbado ou lúcido, respondeu "lúcido". Ele disse ainda que o ex-motorista do jogador não aparentava nenhum temor.

Na segunda-feira, Cleiton Gonçalves disse que prestou depoimento à polícia sob pressão. Em sua fala, o ex-motorista afirmou ter ouvido o primo de Bruno, Sérgio Rosa Sales, dizer que Eliza "já era". Ele ficou retido desde ontem para uma possível acareação com Batista, mas a juíza julgou o encontro desnecessário e dispensou as duas testemunhas.

Depois disso, a delegada Ana Maria Santos prestou esclarecimentos e deu detalhes sobre o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Rosa, primo do goleiro Bruno Fernandes, em 2010. Segundo ela, Rosa disse que Eliza Samudio foi amarrada e chutada antes de ser morta.

"Deu uma gravata e durante o tempo em que era apertada, apertada, ela foi perdendo fôlego, foi virando os olhos, a língua dela foi indo para fora, saiu espuma da boca dela e ela caiu ao chão e depois de poucos movimentos, ficou lá, morta", disse a delegada, referindo-se ao depoimento do primo de Bruno.

Rosa, que era adolescente à época dos fatos, disse à polícia que o homem que matou Eliza tinha o apelido de Neném, também conhecido como Bola, que era grisalho e apresentava um problema no dente. Ele disse ainda que Eliza dormiu trancada em um quarto quando estava sob cárcere privado no Rio de Janeiro e que o filho da ex-amante de Bruno foi mantido com a ex-namorada do goleiro, Fernanda Gomes de Castro, também ré no processo.

Questionada pelo promotor Henry Castro, a delegada afirmou que o depoimento do primo do goleiro dado à polícia transmitiu confiança. "Sem dúvida nenhuma, pela riqueza de detalhes, pelo modo como ele fez aquela narrativa". Atualmente, Jorge Luiz Rosa está inserido no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, de acordo com o Ministério Público

Ex-mulher de Bruno deixa júri
O goleiro Bruno Fernandes de Souza pediu a destituição de seus advogados Rui Pimenta e Francisco Simim durante o segundo dia de julgamento. Logo ao início da sessão, o jogador afirmou que não se sentia seguro para continuar com Rui Pimenta e pediu tempo para achar outro advogado. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, no entanto, lembrou que ele ainda possuía outro defensor, Francisco Simim.

Depois de alguns minutos, o goleiro pediu a palavra novamente e disse à juíza que estava destituindo também Simim, que representa a sua ex-mulher, Dayanne Rodrigues, ré na ação. A magistrada entendeu que o goleiro pretendia adiar seu julgamento e negou a solicitação, mas Bruno negou esse objetivo e alegou que não queria prejudicar a defesa de Dayanne.

O promotor do caso pediu para que Dayanne, que responde à ação em liberdade, tivesse mais tempo para ser defendida por outro advogado. Bruno, réu preso, tem preferência de julgamento. A juíza seguiu este entendimento e determinou que Dayanne seja julgada em outra data, possivelmente junto com Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que conseguiu o desmembramento do júri.

Rui Pimenta, destituído da defesa por Bruno, disse que foi "pego de surpresa" com a decisão do cliente. "O Bruno agradeceu o trabalho feito, mas disse que queria mudar de estratégia", explicou o advogado, que diz torcer para que ele seja absolvido. "Faço votos que isso [a destituição] seja bom para ele".

Novo defensor
Após pedir para que Rui Pimenta fosse afastado do caso, o goleiro Bruno apresentou Tiago Lenoir como novo advogado de sua equipe de defesa, que será conduzida por Francisco Simim. Lenoir, que é advogado da Federação Mineira de Futebol, disse que vai seguir o trabalho realizado até agora. "A gente está preparado para fazer uma boa defesa para ele".

O advogado disse conhecer o processo e afirmou que estava "prevendo" sua nomeação. "Eu trabalho com ele [Simim] já há bastante tempo", ressaltou. "Minha entrada no caso não é inovação na defesa, estou apenas reforçando".

Aposta de cerveja
Perfil no Twitter com o nome de Tiago Lenoir (@_tiagolenoir) postou na segunda-feira (19) uma série de comentários sobre o julgamento do caso Eliza Samudio. Em um dos posts, o dono do perfil aposta uma caixa de cerveja que o atleta será condenado a mais de 38 anos de prisão: "...mas na pratica a defesa vai continuar falando asneiras e o Bruno será condenado a mais de 38 anos. Aposto uma cx de cerveja".

O perfil também tem comentário de que Bruno e Macarrão deveriam confessar que mataram Eliza. "O Bruno e Macarrão deveriam confessar o crime de homicídio e negar a ocultação de cadáver e sequestro. Dai pega 6 anos e volta a jogar bola". O G1 acessou o perfil de Tiago Lenoir por volta das 14h50 desta terça. Depois disso, muitos dos posts mais recentes foram apagados, incluindo o que apostava a caixa de cerveja. O advogado não foi localizado para comentar o caso.

Procurado pelo G1, Francisco Simim, que representa Bruno, comentou as declarações do perfil de Lenoir no Twitter. "Ontem [segunda], ele disse isso, mas hoje ele está no processo. Todo mundo tem suas opiniões. Ontem ele tinha essa opinião, hoje ele está na nossa equipe".

Multa para advogados de Bola
A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues determinou multa de R$ 18.660 – 30 salários mínimos – para cada um dos três advogados do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, por abandonarem o júri na segunda-feira (19), primeiro dia de julgamento. Segundo a magistrada, a atitude de Ércio Quaresma, Zanone de Oliveira Júnior e Fernando Magalhães foi "injustificada", sem "razão juridicamente relevante". Eles têm prazo de 20 dias para pagarem juntos R$ 55.980.

"Esse tipo de conduta causa grande prejuízo ao estado e à sociedade que implica em gasto de dinheiro público", afirmou Marixa, durante o julgamento, ressaltando que o fato será comunicado à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que deve avaliar a conduta dos defensores.

Os advogados deixaram o júri após discordarem do limite de 20 minutos estipulado pela juíza para cada defesa apresentar seus argumentos preliminares. "A defesa não vai continuar nos trabalhos, nós não vamos nos subjugar à aberração jurídica de impor limites onde não há", disse Quaresma.

Com a decisão dos advogados, a juíza declarou o ex-policial Bola indefeso. Ele não aceitou ser representado por defensor público e, com isso, terá dez dias para nomear um novo advogado. A manobra foi festejada pela defesa, que deixou o Fórum feliz com o desmembramento.

Ameaça à testemunha
O promotor de Justiça Henry Wagner Vasconcelos de Castro disse, na manhã desta terça-feira, que o detento Jaílson Oliveira teria falado a funcionários do Tribunal de Justiça de Minas Gerais que foi ameaçado por Bruno às vésperas do júri popular. Oliveira, que é testemunha por parte da acusação, teria dito que o goleiro comentou que ele estava "falando demais" e que "peixe morre pela boca".

Oliveira denunciou, em 2011, um esquema que teria sido montado por Bruno e pelo réu Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, que preside o júri. Rui Pimenta, que pela manhã ainda defendia Bruno, negou a ameaça. "O promotor está querendo usar tudo o que é possível, mas ele já perdeu o caso", afirmou.

Segundo o promotor, Oliveira ouviu dentro da penitenciária Bola dizer que matou Eliza e que o corpo dela só seria encontrado se "peixe falasse". O detento chegou a pedir à Justiça proteção no traslado da Penitenciária Nelson Hungria, onde está preso com Bruno e com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, até o Fórum de Contagem.

G1

"Ele pediu para segurar minha mão", conta delegada sobre depoimento de primo de Bruno



Jorge Luiz Rosa, que era adolescente na época, contou a ela como foi a morte de Eliza

O depoimento da terceira testemunha de acusação no julgamento do goleiro Bruno já dura quase duas horas. A delegada de homicídios de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, Ana Maria Santos, relatou ao promotor como foi o depoimento do primo de Bruno, Jorge Luiz Rosa, que afirmou ter presenciado o assassinato de Eliza Samudio.

Depois de ser ouvido pelo juiz da Vara da Infância e da Juventude, já que ele era menor de idade na época do crime, ele foi ouvido pela delegada já no Centro de Internação, sob a supervisão de uma advogada da instituição e de portas abertas.

Jorge Luiz contou à Ana Maria que ele, outro primo de Bruno, Sergio Rosa Sales, e Luiz Henrique Romão, o Macarrão, levaram a vítima para uma casa em Vespasiano, seguindo um homem conhecido como Neném ou Bola em uma moto roxa. No imóvel, Bola disse à Eliza que era policial e que a levaria para um apartamento. Em seguida, ele teria amarrado as mãos dela e lhe deu uma gravata. Segundo o jovem, Bola apertou seu pescoço até Eliza perder o fôlego, ter os olhos arregalados e a língua para fora. O menor viu espuma sair da boca da modelo, que caiu morta no chão.

Ana Maria contou durante o depoimento que o menor ficou alterado emocionalmente quando contava a história, afirmando que ele "pediu para pegar na minha mão". O menor disse que tinha dificuldade de falar sobre o acontecimento, que perturbava seu sono. Ainda durante o depoimento à delegada, Jorge contou que Macarrão "ficou na rolha" e que Sergio também ficou assustado quando Bola voltou com o corpo em um saco e jogou a mão de Eliza para os cães.

No dia seguinte ao depoimento, o menor disse que não falaria mais nada porque seu advogado não permitia. Mesmo assim, Ana Maria disse ao promotor que acredita na palavra do jovem, que "sem dúvida nenhuma" passou credibilidade. A promotoria terminou de questionar a delegada às 13h05.

R7
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