domingo, 11 de abril de 2010

Arapiraca (AL) reproduz paralisia do Vaticano em casos de pedofilia


População da cidade está chocada com o caso de abusos de jovens que envolve membro da Igreja

ARAPIRACA - Nas ruas de Arapiraca, as pessoas usam expressões de espanto e de repulsa quando comentam as denúncias que vieram à tona no mês passado envolvendo três padres da cidade alagoana, acusados de terem abusado sexualmente, durante anos seguidos, de coroinhas de suas paróquias. "Não consigo acreditar", disse o aposentado José Pedro de Oliveira, que conhecia e admirava um dos padres há 20 anos. "Um choque. Foi um choque", definiu o comerciante Moacir da Silva, dono de uma lanchonete na região central.
Essa é a visão da gente que conhecia os sacerdotes por meio de aparições públicas, missas e orações. Mas, entre as pessoas que têm ou já tiveram acesso às sacristias, casas paroquiais, seminários e outras dependências do mundo eclesial, os comentários mudam. Ganha corpo ali outro tipo de perplexidade, que envolve a demora da Igreja na adoção de medidas que impeçam o surgimento dos abusos e, pior ainda, sua continuidade. Em Arapiraca não se leva muito tempo para descobrir que os possíveis abusos sexuais cometidos pelos padres denunciados são tema de conversas há mais de dez anos nos bastidores da Diocese de Penedo - a província eclesiástica que engloba a cidade.
O que se pergunta aqui é: por que a Igreja não tomou providência? Por que deixou se repetir nesta cidade nordestina de pouco mais de 200 mil habitantes o mesmo tipo de inoperância que já foi seguidas vezes observado em diversas partes do mundo, desde meados dos anos 80, quando eclodiram nos EUA as primeiras denúncias de pedofilia envolvendo sacerdotes? Uma das possíveis respostas é que a Igreja ainda se vê como um mundo à parte, capaz de resolver sozinha, com seus códigos e normas religiosas, atos que a sociedade considera criminosos.
Os transgressores de Arapiraca usaram a seu favor essa atitude da Igreja. Pareciam tão seguros da impunidade que chegaram a tratar o assunto publicamente. Anderson Faria, de 21 anos, um dos três ex-coroinhas que decidiram denunciar os abusos a que teriam sido submetidos, relatou ao Estado que, seis anos atrás, quando decidiu se afastar do monsenhor Raimundo Gomes Nascimento, um dos acusados, foi surpreendido com a reação dele. No púlpito, diante de fiéis que não entendiam exatamente o que estava acontecendo, ele atacou o rapaz que desejava se livrar dos abusos, acusando-o de ingrato. "Disse que eu estava indo para o caminho do mal", lembrou o ex-coroinha.
Foi tão pesado que a mãe de Anderson dirigiu-se à sacristia, após a missa, para reclamar. Só recentemente, quando o filho relatou-lhe os abusos, ela teria compreendido a contundência da homilia do monsenhor. "Ele não tinha vergonha nenhuma do que fazia", disse o ex-coroinha.
Os fatos eram conhecidos nos círculos internos. Quando começaram a vir à tona, dois anos atrás, foram feitas negociações secretas para silenciar os ex-coroinhas. O bispo italiano d. Valério Breda, à frente da Diocese de Penedo há 13 anos, teria sido informado sobre cada passo desses episódios, segundo relatos e documentos apresentados pelos ex-coroinhas.

Silêncio

O Estado procurou, sem sucesso, conversar com o bispo em diferentes ocasiões na semana passada. Ele tem evitado a imprensa e também proíbe os padres de falarem. Em nota oficial, porém, assegurou na quinta-feira que só soube dos fatos após a reportagem veiculada pelo SBT em março, que deu repercussão nacional ao caso.
Em Arapiraca, a 130 quilômetros da capital, os três acusados que apareceram na primeira denúncia são bem conhecidos. Monsenhor Raimundo, de 53 anos, um homem robusto e de pensamento conservador, já chegou a dirigir a Diocese de Penedo, como vigário capitular. Isso ocorreu entre 1994 e 1997, quando o bispo alemão Constantino Lüers afastou-se do cargo e o Vaticano ficou indeciso quanto ao sucessor. Desde aquela época o nome do monsenhor passou a ser cogitado em todas as nomeações de novos bispos na região. Dizia-se até que seria o futuro bispo de Arapiraca, que, na condição de segunda maior cidade do Estado, sonha em ser elevada pelo Vaticano à condição de sede diocesana.
Prestígio maior tinha monsenhor Luiz Marques Barbosa - o sacerdote de 83 anos que aparece mantendo relações sexuais com um jovem na reportagem exibida pelo SBT e, de modo mais detalhado e explícito, no DVD que pode ser comprado em qualquer esquina de Arapiraca, ao preço de R$ 5. Ligado à Renovação Carismática, comandava uma onda de reavivamento conservador na Igreja local e dirigia obras sociais. Simpático, voz forte e afinada, dava ênfase aos cânticos durante as missas e pregava de modo direto e tocante.
É difícil encontrar alguém que não faça algum tipo de elogio ao monsenhor Luiz. Suas missas, na Paróquia São José, atraíam gente de toda a cidade. O motorista de táxi Cícero da Silva saía todos os domingos do bairro conhecido como Baixão e atravessava a cidade para ouvir monsenhor Luiz. "Ele falava da Bíblia de um jeito que até eu, que não sou muito bom de escrita, compreendia." Após as denúncias, o motorista deixou de ir à igreja: "Agora rezo o meu Pai Nosso sozinho em casa."
Se voltasse à Paróquia São José, o taxista veria que os admiradores do monsenhor se recusam a tirar seu retrato da parede da casa paroquial. Ele continua lá, imponente, ao lado do papa Bento XVI e de d. Valério.
O terceiro acusado, padre Edilson de Duarte, de 43 anos, era o mais jovem. Dirigia a Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho, no centro da cidade e, com o apoio dos dois monsenhores, era um nome em ascensão.
Entre as pessoas que procuram explicações para o que aconteceu encontra-se o padre Manoel Henrique Santana, professor em Maceió e ex-presidente da Associação Nacional do Clero. Para ele, parte da hierarquia da Igreja ainda tende a tratar casos de abuso como pecados a serem perdoados internamente. Na mesma linha, o juiz Manoel Tenório de Oliveira, professor de Direito Penal em Arapiraca, destaca que a cúpula da Igreja não se deu conta que deixou de ser inatacável, como no passado. "Espero que as denúncias acabem estimulando reformas na instituição", disse o juiz, que é padre casado, pai de três jovens e afastado das funções sacerdotais pela Igreja.

Estadão.com.br

Igreja evita veto a novo caso de aborto legal


Médicos do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), do Recife (PE), deram início anteontem ao processo de abortamento legal em uma menina de 10 anos que ficou grávida após ser abusada sexualmente pelo padrasto. O caso mostra uma mudança de posição da Igreja Católica pernambucana, que evitou polemizar sobre o procedimento. Há um ano, a Igreja tentou dificultar o abortamento legal em um caso semelhante.
O estado de saúde da garota, que vinha sendo vítima de abuso há mais de dois anos, é bom. Segundo a diretora do Cisam, Fátima Maia, a criança estava com 16 semanas e três dias de gestação.
Há cerca de um ano, quando outra menina, de 9 anos, também vítima de abuso, passou pelo mesmo procedimento, o então arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso, foi contra - os médicos do Cisam e a mãe da vítima acabaram excomungados pela Igreja.
Sucessor de dom José, dom Fernando Saburido declarou-se "triste", mas disse que a decisão é dos pais. "Se há um consenso médico de que a vida da mãe corre risco, o aborto é algo a ser considerado." D. Fernando disse, porém, que a Igreja é contra o procedimento.

PEDRO MOREIRA

Estadão.com.br

"Abuso na infância deixa a vítima viva para a dor das memórias"


Por Elisabeth Nonnenmacher, sobrevivente de abuso sexual na infância

Os números de casos de pedofilia cometidos por funcionários das igrejas têm assustado as pessoas no mundo inteiro.
Muitos dos pedofílicos agravaram suas compulsões sexuais porque foram expostos a abusos ou se envolveram nessas práticas durante preparação para a carreira religiosa.
Ao desistirem dessa carreira, muitos desses ex-seminaristas e ex-padres constituíram famílias. E um vasto número deles passou a abusar de suas próprias crianças e de outras de seu círculo de confiança de parentes e amizades.
Meu pai foi um desses seminaristas.
Eu gostaria de mostrar às pessoas que o fim do celibato não acabaria com a pedofilia, uma vez que esse desvio de comportamento já tenha se instaurado.
O maior problema que obstrui a percepção das pessoas para o que ocorre nas igrejas e nos nossos lares é justamente o fato de a maldade e a crueldade se esconderem sob uma máscara de bondade e de amor.

INFÂNCIA ROUBADA - Minhas memórias mais remotas de ter sido abusada por meu pai vêm da época que eu ainda ia ao jardim de infância. Ele me fez prometer que guardaria os abusos em segredo como prova de meu amor por ele e para comprovar que podia confiar em mim.
Meu pai sabia que o que fazia era errado, pois me advertira que, se um dia eu contasse a alguém, ele seria preso. Contudo, ele assegurava que eu era o maior amor que ele já tivera e que Deus, por compreendê-lo, abençoava este amor.
Minha inocência e espontaneidade para a vida se transformaram em desconfiança. Meus conceitos de certo ou errado ficaram afetados por muitos anos, pois o conflito de querer amar meu pai ao mesmo tempo em que era abusada por ele me dava a sensação de que algo estava muito errado, o que me fazia duvidar do que era certo afinal.
Esta tortura de abusos durou por toda minha infância e também em minha adolescência, até que comecei a tentar me esquivar dele e a protestar contra suas investidas.
Tudo o que eu queria no começo era esquecer o que havia acontecido. Apesar disso, não me foi permitido esquecer, pois ele voltou a me assaltar sexualmente, inclusive já em idade adulta.

LEGADO DE ABUSOS - Penso que as pessoas devem ser esclarecidas sobre a extensão de tal tipo de abuso, para perceber como isso vai para muito além da própria violência sexual e como as consequências disso são ruins.
Fiquei isolada por muitos anos, sem ter a quem pedir ajuda. A vida da pessoa fica afetada no sentido mais intenso e mais extenso que qualquer tipo de violência pode causar, tanto na dimensão física, emocional e espiritual. E, ao contrário da morte, o abuso sexual na infância deixa a vítima viva para sofrer a dor das memórias, do abandono, da traição e do desamor.

PERDÃO - Ao chegar no fundo do poço, fui levada a acreditar que meu pai queria mudar. Recebi encarecidos pedidos de desculpas, acompanhado de muitas promessas de uma vida nova e pensei que ele tivesse reconhecido os danos que me causara.
Ele jurava que jamais abusaria de alguém, que eu podia acreditar nele a partir de então. Eu era a pessoa que mais queria acreditar quando ele dizia estar curado do pecado através do qual ele me atingira!
Não demorou muito para que eu ficasse sabendo que meu pai havia abusado também de outras pessoas bem antes de eu nascer.
Apesar de perdoá-lo e de tentar me reconciliar com ele para tentar buscar um relacionamento em que pudesse haver confiança, me decepcionei mais uma vez.
Ao perceber toda a farsa, comecei a enxergar que ele voltara a abusar sexualmente de crianças.

RENEGADA - Passei anos me debatendo em brigas com meu pai e ele tentando convencer as pessoas de que eu era louca, pois me submeti a longos tratamentos psicoterapêuticos, acompanhados de fortes medicamentos para me manter “sob controle”.
Todas as tentativas de fazer com que as pessoas acreditassem em mim foram inúteis. Minha rebeldia fez com que eu me tornasse uma renegada.
As pessoas da família que sabiam do abuso me hostilizavam e preferiam ignorar o problema, para evitar a confrontação com o meu pai.

PARTIDA - Devido a minha frustração, por não encontrar ajuda e sem ter mais esperanças de impedir os abusos de novas vítimas, deixei o Brasil, vindo para a Austrália.
Longe das influências de minha família, consegui me fortalecer. Apesar disso, minha inquietação permanecia a mesma, pois sabia que meu pai continuava a molestar crianças.
Depois de alguns anos neste país distante, me associei à ASCA (organização de sobreviventes de abusos na infância) e tive contato com outros sobreviventes de pedofilia. Nesse envolvimento, adquiri conhecimento, apoio e reconhecimento. Encontrei novas formas de cura e ajudei a promover a consciência sobre esse crime.
Reconheci então que era meu dever alertar as pessoas para proteger novas vítimas de meu pai. Me dei conta de que eu não me perdoaria se, no fim de sua vida, eu percebesse que desperdicei a oportunidade de reivindicar meus direitos de levá-lo a enfrentar as consequências de seus atos.

ROMPENDO BARREIRAS - Resolvi quebrar o silêncio alertando pessoas em risco e as autoridades no Brasil. O que não foi fácil, porque familiares sabotaram minhas tentativas de interromper os abusos de meu pai.
Devido a essa sabotagem e o fato de não ter sido levada a sério pelas autoridades, fiz uma denúncia independente e pública, usando a tecnologia mais avançada de informação de massas da atualidade: a internet.
Em 2003, com meu último apelo, lancei o site “R-Evolução Anti Pedofílicos”.
A maior ironia de tudo isso era que os abusos que meu pai cometeu contra outras crianças se transformariam em sua autodestruição. Eu precisava apenas contar a verdade.
Mas, acima de tudo, meu alerta deu uma nova chance de vida a crianças que poderiam se tornar vítimas.

VITÓRIAS E RESISTÊNCIAS – O escândalo causado pelo lançamento da minha website fez com que as autoridades acolhessem minhas denúncias e, ao longo do processo, outras vítimas de meu pai confirmaram os abusos.
As minhas denúncias provocaram grande impacto porque o meu pai contribuiu para repressão do povo brasileiro durante a ditadura militar e posteriormente atuou na política e em esferas governamentais administrativas, tendo posição de autoridade no Ministério Público. Além disso, a nossa família se estende a nomes de importância.
Isso incomodou pessoas em posição de poder e, por causa disso, houve fortes interesses de que as notícias sobre as denúncias, identificando a pessoa do réu e a nossa família não repercutissem nacionalmente e no exterior.
Apesar de conseguir uma prisão preventiva em 2004 e condenação de mais de 10 anos em 2006, a repentina e conveniente descoberta de uma brecha na Constituição fez com que o Supremo Tribunal de Justiça do Governo Lula introduzisse a PROGRESSÃO DE PENA para crimes hediondos, reduzindo o encarceramento desses criminosos para 1/6 do período de suas sentenças originais.

EXIGINDO REPAROS - Os encobrimentos dos casos de pedofilia de padres pelo cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, têm causados choques e protestos no mundo inteiro.
Entretanto, se olharmos para o nosso quintal, a coisa não muda tanto de figura! Podemos dar o mesmo enfoque de responsabilidade a negligências cometidas pelos representantes do legislativo brasileiro, o presidente Lula e todos que têm poder para propor melhorias à legislação de modo a combater a pedofilia.
Infelizmente, as autoridades brasileiras, assim como Joseph Ratzinger, têm permitido que pedofílicos sejam beneficiados, em detrimentos de suas vítimas.
A inércia dos legisladores em Brasília faz com que a nossa luta não encontre voz para proteger as crianças e nem respaldo para o reconhecimento dos danos causados por abuso sexual na infância.
Com a progressão de pena, uma grande parte de pessoas sobreviventes de abuso e as que hoje são vítimas têm sido lesadas e retraumatizadas.
Por conta disso, quem saberá quantas crianças correm o risco de novamente serem abusadas e quantas já se encontram emocionalmente isoladas ao ter que carregar a promessa do segredo, como do maníaco que tenho por pai?
As pessoas precisam se dar conta da importância e da urgência de acabarmos com pedofilia, seja na igreja ou em nossos lares, e de fazer as pessoas perceberem como isso afeta uma nação.
Ajude a exigir mudanças na Constituição brasileira.
O poder está na união das pessoas! Todos nós podemos reagir!
Obrigada, em nome das vítimas e sobreviventes de abuso sexual na infância.

Paulo Lopes Weblog

Criança mimada vira adulto imaturo


Psicólogos advertem para a necessidade de postura firme dos pais às esperadas reações histéricas dos menores

Ligado à frustração, mesmo considerado benéfico ao crescimento individual de quem o recebe, o ‘não’ nem sempre é fácil de ser dado, principalmente aos pequenos. “A criança não sabe lidar, por isso chora, briga e até agride”, frisa a psicóloga escolar Vera Okuno, ao incentivar pais para que estabeleçam limites desde cedo, evitando filhos mimados.
“É um treino que precisa começar desde quando a criança é pequena, para que saiba lidar com as perdas durante a fase adulta”, orienta. “Muitos pais têm dificuldades em negar algo aos filhos. Entre os motivos porque trabalham fora e optam pelo caminho mais curto, ao deixarem o filho fazer o que quer. A negação demanda o tempo da justificativa”, enfatiza a psicóloga.
Por outro lado, quando contrariadas, as crianças testam a paciência dos pais, ainda de acordo com a especialista, na expectativa de reverter a contrariedade. “O ‘não’ gera conflito”, acentua. Quando vencem o cabo de guerra em casa, entretanto, as mesmas crianças acostumadas a ditar as próprias regras, enfrentam outro “campo de batalha” na luta contra os limites, a escola.
“Achando que pode tudo, a criança se depara com regras na escola. É quando o professor se depara com uma criança mimada”, exemplifica, ao destacar o trabalho a longo prazo da escola em fazer com que o aluno assimile normas de convívio.
“A escola trabalha com regras em grupo. A criança menor aprende por repetição”, detalha. Caso contrário, alerta, a falta de ‘não’ na infância acarretará num adulto imaturo. “Quando adulto, encontrará conflitos na vida social e profissional. A pessoa só vai querer que prevaleça o pensamento dela, num comportamento individualista, centralizador”, atribui.
“Vejo na nossa sociedade que o ‘não’ é desvalorizado. Temos crianças sem limites”, opina a professora de música Gabriele Salustiano. “Às vezes a gente ouve criança reclamando da ‘chatice’ das mães que não os deixam fazer algo”, cita. “Desde a educação o ser humano precisa ser frustrado e aprender a lidar com isso”, considera.

Luiz Beltramin
Jornal da Cidade de Bauru

Medo leva famílias a instalar o ‘batalhão’ paralelo na zona sul


O medo do sequestro ou de ser surpreendido por um ladrão dentro de sua própria casa mudou a rotina dos moradores de Bauru, especialmente aqueles que estão na zona sul, onde há uma concentração maior de moradias de alto padrão. Em conjunto, eles criaram uma verdadeira segurança paralela. Quem transita por aquela área da cidade constata que a cada 500 metros mais ou menos há um homem fazendo o serviço de vigilância.
Antigas ilhas de tranquilidade, as cidades do Interior paulista dão sinais de que a violência urbana deixou de ser ‘privilégio’ das grandes metrópoles. Uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Sangari, de São Paulo, revela que municípios antes considerados pacatos têm apresentado índices de criminalidade superiores aos de grandes centros.
E, para enfrentar a insegurança, as famílias de maior poder aquisitivo se ‘armam’ como podem e colocam nas ruas um verdadeiro ‘batalhão’ de policiais e civis para fazer a guarda. O kit segurança inclui cerca elétrica, alarme monitorado, câmeras, cães de guarda, GPS, rastreamento de veículos e, a bola da vez, o ‘vigilante’ particular, ou quase, porque em alguns casos um profissional cuida de até 20 residências.
A fórmula é incrementada por aqueles que podem dispensar algo mais do orçamento para o item segurança. Abastados, esses moradores contratam, ainda, jovens ‘seguranças’ treinados para “defenderem” seus filhos até nas madrugadas de balada. Trancados a sete chaves, eles conservam outras medidas preventivas e importadas de grandes centros urbanos e até do Exterior, por temer que o marginal descubra a estratégia e arrume um jeito de driblá-la.
A ‘teia’ de seguranças, armados ou não, está espalhada pelas ruas da zona sul. A concentração deles aumenta na mesma proporção que o imóvel se aproxima da área crítica. No Jardim Estoril, o ponto nevrálgico é o que restou da favela da Vila Zillo. No Jardim América, a favela do Parque das Nações e, no Europa, a favela que leva o mesmo nome.

Formação

A adoção dos ‘vigilantes’ segue, na maioria dos casos, um estranho trajeto. Um família sofre o assalto e o pânico se espalha na vizinhança. Na sequencia, os moradores procuram um ‘segurança’ que possa ‘vigiar’ o movimento da rua nos horários mais críticos, geralmente depois das 23h até o amanhecer.
O primeiro contato é feito com um policial, seja ele civil ou militar, que indica um colega que faça o serviço. Esse é o meio mais seguro de não contratar uma pessoa despreparada ou de pouca confiança, explica um morador que já conta com os serviços. Depois, cabe a ele organizar o pagamento, definindo data, valor e como será arrecadado o dinheiro, algo em torno de R$ 2 mil/mês.
No final de cada mês, ele arrecada em torno de torno de R$ 200,00 por moradia e entrega para o ‘segurança’. A atenção redobrada ou o reforço na segurança, em dias de festas ou nos períodos de viagens, são pagos à parte.
O importante é evitar que os convidados fiquem inseguros ou que sofram qualquer tipo de intranquilidade enquanto se divertem ou, ainda, que o imóvel seja invadido no período em que a família está fora.

Guarda municipal

No ano passado, o prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, recebeu uma proposta para implantar a guarda municipal com o objetivo de proteger os bens, instalações e serviços públicos municipais, além das escolas da rede pública do município. A manutenção dos serviços custaria cerca de R$ 300 mil aos cofres municipais para o serviço de 100 homens.
O efetivo faria, ainda, vigilância diurna e noturna dos bens de uso comum da população como ruas, praças, parques, jardins e outros locais públicos. A ideia era somar esforços e não interferir no trabalho das polícias Militar e Civil.

Rita de Cássia Cornélio
Jornal da Cidade de Bauru

A Justiça foi feita!


O vazio, a dor, a gente sabe que são para sempre. Mas Ana Carolina vai poder, a partir de agora, seguir com sua vida.

Jocélia Brandão escreveu de Minas, emocionada também. Para mim e para ela, na sentença do casal Nardoni estão também as nossas filhas, Daniella e Miriam, que não tiveram a mesma justiça.
Porque encabeçamos juntas aquela campanha de assinaturas que se tornou a primeira emenda popular da História do Brasil, e resultou na lei que inclui o homicídio qualificado na lei dos crimes hediondos.
Não fosse essa campanha, o assassinato de Isabella não seria hediondo diante da lei, o juiz não poderia ter dado aos Nardoni a pena que deu, e eles não ficariam na cadeia os 10 anos que ainda vão ficar: ambos teriam saído com 5. Quer dizer, daqui a só mais 3 anos!
Os psicopatas que mataram Daniella foram postos na rua depois de 5 anos, e os monstros que sequestraram e incendiaram Miriam Brandão, essa garotinha linda, porque ela chorou no cativeiro, já estão na rua também!

Valeu a luta.

Gloria Perez


Al Qaeda ameaça Copa do Mundo


Rede terrorista cogita realizar ataques nos jogos da África do Sul; EUA e Inglaterra são os principais alvos

Washington. A rede terrorista Al Qaeda ameaçou, ontem, realizar ataques nos jogos da Copa do Mundo da África do Sul. Segundo um comunicado publicado por uma revista islâmica e reproduzido pela rede norte-americana de TV CBS, a intenção do grupo é lançar um ataque durante as fases finais do campeonato mundial.
Os principais alvos seriam as seleções dos Estados Unidos, Inglaterra, Itália, França e Alemanha, países acusados de fazerem parte de uma "cruzada" contra o islamismo. Os times da Dinamarca, Eslováquia, Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Eslovênia e Grécia também foram ameaçados.
"Seria incrível se, em um jogo entre Estados Unidos e Inglaterra, durante a transmissão ao vivo com o estádio cheio de torcedores, o som de uma explosão estourasse nas arquibancadas, com tudo virando de cabeça para baixo, fazendo o número de corpos chegando a dezenas, centenas, se Alá quiser", afirma o comunicado da Al Qaeda reproduzido na edição da revista "Mustaqun Lel Jannah" ("Esperando Pelo Paraíso", em tradução livre).
A Al Qaeda no Magreb Islâmico cita diretamente, ainda que com a grafia errada, o suíço Joseph Blatter, presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
"Toda a segurança e máquinas de raio-X que a América vai mandar para a África do Sul após ler esse artigo não serão capazes de detectar como os explosivos serão colocados no estádio e isso por conta de uma razão simples que vamos anunciar em breve. Então, você está preparado para isso, sr. Platter (sic)?", afirma o texto.
Estados Unidos e Inglaterra fazem parte do Grupo C do Mundial e duelarão no estádio Royal Bafokeng, em Rustenburg, em 12 de junho, segundo dia de competições na África do Sul.
Em outubro do ano passado, forças de segurança da África do Sul descobriram um plano dos mesmos terroristas para realizarem um ataque na Copa do Mundo. À época, a Agência de Inteligência Nacional sul-africana prendeu vários suspeitos ligados à Al Queda em Moçambique e na Somália, com a ajuda de agentes norte-americanos e forças policiais.


Família inglesa descobre igreja centenária debaixo de casa

Igreja ficou escondida em Shropshire por 100 anos (Foto: Reprodução/Newslite)

Construção foi encontrada por abertura no hall da residência.
Garrafas de vinho e objetos religiosos estavam em cômodos subterrâneos.

Uma família inglesa descobriu, por acaso, uma igreja centenária debaixo de sua casa em estilo vitoriano em Shropshire, condado na Zona Oeste da Inglaterra.
A construção foi revelada quando um membro da família Farla ficou intrigado com uma chapa de metal que ficava no hall da residência. Ao retirar a placa, um túnel levou os ingleses para uma igreja subterrânea.
Gareth Farla, de 20 anos, encontrou um altar e cômodos que guardavam objetos religiosos e até mesmo garrafas de vinho datadas de 1930.


Programação de abril/2010 com Dra Olga Tessari



1- Terapia em Grupo - Formação de novos grupos - escolha o seu!
Sábados das 10:30 às 12h ou 2ª feiras, das 20 às 21:30h

2- Curso: Supere o Medo de Dirigir
10 encontros semanais com 1h e meia de duração
Sábados, das 8:30 às 10h - Início: 24 de abril de 2010

3- Atendimento individual, casais, pais e famílias

Horários: 2ª, 4ª e 6ª das 14 às 21h e sábados, das 12 às 18h

4- Palestras e Cursos para empresas, escolas e grupos em geral Sugira o tema de seu interesse: a palestra será criada especialmente para o seu grupo.

5- Programa Plantão Psicológico - Respondo a sua dúvida!
3ª feiras, das 21 às 22h ao vivo, diretamente no site http://www.olgatessari.com/


Tel: (11) 2605-6790 ou (11) 9772-9692

Enviado por e-mail pela Media Global Holding

Veteranos da tragédia no Haiti, bombeiros lutam para salvar vidas nas favelas


RIO - Desde segunda-feira que os bombeiros não fazem outra coisa senão prestar atenção no mais leve ruído nas áreas afetadas pelos deslizamentos no estado, à procura de sobreviventes. Durante quatro dias, O GLOBO acompanhou o trabalho de dois bombeiros da tropa de elite da corporação, o Grupamento de Busca e Salvamento (GBS), diferenciados pela cor laranja do uniforme. O major Rodrigo Bastos, de 34 anos, subcomandante do GBS do quartel da Barra, e o capitão Rafael Paiva, de 28 anos, foram escalados para as principais tragédias dos 106 deslizamentos registrados no Rio. Ambos contam também com a experiência que adquiriram nos salvamentos após o terremoto no Haiti, em 12 de janeiro deste ano.
Além da audição apurada, o major Bastos diz que a concentração em ambientes desfavoráveis e o destemor são qualidades para chegar aos sobreviventes. Esses fatores levaram o grupo a encontrar Rodrigo, um jovem que passou sete horas soterrado embaixo de três lajes e um corpo, no deslizamento do Morro dos Prazeres, em Santa Teresa, na última terça-feira.
O cenário foi montado em fração de segundos, com o escoramento de cada laje, o que fez com que alguns bombeiros se embrenhassem por baixo delas, em espaços apertados, com o objetivo de levar o oxigênio até Rodrigo. Retirando pedra por pedra, finalmente os bombeiros conseguiram livrar a vítima, com suspeita de fratura na bacia.
Depois de acompanharem Rodrigo até a ambulância, a euforia tomou conta da equipe. A chuva não dava trégua e uma ração fria, como os militares chamam a refeição à base de sanduíches, foi servida dentro da ambulância. Uma senhora, moradora da favela, ofereceu café.
Mas a trégua durou pouco. Em seguida, a equipe do GBS foi acionada para outro ponto dos Prazeres, onde Marcus Vinícius Vieira França da Matta, de 8 anos, estava soterrado. A chuva intermitente fez com que, por volta de 18h30m, ocorresse outro deslizamento no local. Por pouco, bombeiros e repórteres não foram atingidos. As buscas foram interrompidas até o dia seguinte, mas Vinícius não resistiu.
- A gente fez tudo que pôde. Tentou reanimá-lo, mas não deu. A morte de uma criança mexe com a gente - lamenta Bastos.
Os olhos ficam marejados quando, depois de quase 68 horas de serviço, o major vê uma cena que o choca: o resgate dos corpos de uma senhora abraçada a uma criança de 5 anos, no Morro do Bumba, em Niterói, na quarta-feira. Era a terceira favela em que Bastos prestava socorro desde segunda-feira, quando assumiu o trabalho.
Somente na quinta-feira, Bastos retirou oito corpos no Morro do Bumba. Naquele dia, ele teve mais uma notícia ruim: Rodrigo, o jovem resgatado nos Prazeres, cujo sobrenome desconhecia, acabou morrendo no hospital.


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