terça-feira, 14 de setembro de 2010

MP pede condenação de 8 professoras por tortura de crianças em creche de SP


SÃO PAULO - O Ministério Público pediu a condenação de oito professoras acusadas de agredir crianças em uma creche de São José do Rio Preto, a 451 km da capital paulista. O promotor Marcos Antonio Lélis quer a condenação das funcionárias por tortura. Se forem condenadas as funcionárias podem pegar de 2 a 8 anos de prisão.
Pelo menos 12 crianças, com idades entre 1 ano e meio e 3 anos, foram agredidas. O caso foi denunciado à polícia no fim do ano passado.
As cenas foram registradas por câmeras instaladas pela direção da creche Caminho do Futuro, que foi alertada sobre as agressões. As imagens mostram professoras arrastando e empurrando as crianças. Uma delas até incentiva a agressão entre os menores. Em uma das cenas, uma professora pega a criança e a arrasta pelo braço. Em outro momento, uma funcionária repreende violentamente um menino de um ano e depois ele é agredido na cabeça.
Uma funcionária contou à polícia que havia presenciado várias agressões. Em um dos casos uma professora jogou a criança no chão. O laudo do Instituto de Criminalística (IC) confirmou as agressões físicas e concluiu que as crianças também sofriam violência psicológica.
A direção da creche demitiu as professoras em dezembro de 2009, por justa causa.
Mesmo com os flagrantes, em depoimento à promotoria, as professoras negaram os maus tratos.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SP: Abrigos se enchem à toa


do clipping da Andi

No primeiro mutirão realizado pela Justiça de São Paulo (SP) para verificar a situação de crianças e adolescentes que vivem em abrigos, a Coordenadoria da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça detectou que ao menos 25% dos abrigados tinham condição de voltar para casa. De 1.171 crianças e adolescentes cujos casos foram revistos, 285 voltaram às suas famílias. Outros 104 meninos e meninas foram encaminhados a famílias substitutas e 79 passam por processo de destituição do pátrio poder, medida onde os pais perdem os direitos sobre os filhos. O número foi considerado alto pelo coordenador de Infância e Juventude do Tribunal, desembargador Antonio Carlos Malheiros. Em São Paulo, há 13 mil crianças e adolescentes abrigados, 4 mil somente na capital.

Fonte: O Estado de S. Paulo (SP), Vitor Hugo Brandalise – 04/09/2010


prómenino

Família de criança acidentada defende uso da cadeirinha


Isabela, então com um ano, estava sentada no colo da tia quando um motorista bêbado atingiu o carro de sua família. Com o impacto da colisão, a criança caiu com força no piso do carro e sofreu uma lesão na medula.

Ana Cristina tinha cinco anos e viajava pela Régis Bittencourt na véspera de Natal deitada no banco de trás do carro quando o veículo passou por uma poça de óleo, derrapou e bateu de frente em um caminhão.
Seu pai morreu na hora. Ela, assim como Isabela, sofreu uma lesão na medula.

Hoje, ambas são paraplégicas e pacientes da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), em SP.

Os acidentes de Isabela e Ana Cristina ocorreram muito antes da Lei da Cadeirinha entrar em vigor, há pouco mais de uma semana. Hoje, Isabela tem 4 anos e Ana, 10.
Mas as famílias acreditam que se as crianças estivessem presas dentro do carro segundo as regras da atual legislação, talvez as consequências dos acidentes tivessem sido diferentes.
"O cinto de segurança salvou minha vida. Não é possível saber, mas se ela estivesse de cinto, em uma cadeirinha, talvez isso não tivesse acontecido com ela", diz Alexandra Campos Lisboa, 29, mãe de Ana Cristina.
Francisca Coura, 44, avó de Isabela, também defende a lei. "A gente acha que vai sair um pouquinho e que não vai acontecer nada com a criança se a levarmos no colo. Mas meu marido estava dirigindo direito e mesmo assim sofremos esse acidente."
No carro, além de Isabela, havia um outro neto de Francisca, de 3 anos. Ele também era levado no colo e, no acidente, quebrou o fêmur.
"É muito importante que os pais se conscientizem que a cadeirinha é necessária, nem que seja para andar um quarteirão", diz Francisca.
A fisiatra da AACD Gláucia Somensi Alonso concorda. "Às vezes os pais acham que estando no colo e no banco de trás a criança está segura, mas isso é muito perigoso. O método de retenção dentro do veículo é muito importante. Não só o tipo da cadeirinha, mas o modo como ela foi instalada no carro."

PRINCIPAL CAUSA
Casos como o de Isabela e de o de Ana Cristina não são raros nos corredores da AACD. Segundo levantamento de 2009, dentre as crianças pacientes da unidade sede da instituição (na Vila Mariana) com lesões na medula, a maioria (39,8%) foi vítima de acidentes de carro.
As colisões são ainda a segunda causa de traumas de crânio entre as crianças, após os atropelamentos.
"Não temos dados estatísticos sobre o uso da cadeirinha, mas pela experiência do dia a dia a gente vê que a maioria dessas crianças não usava o equipamento", diz a fisiatra da instituição.
A Lei da Cadeirinha entrou em vigor em 1º de setembro deste ano e determina que as crianças sejam transportadas em carros de passeio com o equipamento adequado, que varia conforme o peso e a faixa etária.
Considerada infração gravíssima, a multa é de R$ 191 e rende sete pontos na carteira.
Na primeira semana de aplicação da nova lei, ao menos 78 motoristas de São Paulo foram multados.


As acusações de um ex-pastor

APRENDIZ
O pastor Givanildo no altar de sua nova igreja, em Araçatuba (à esq.). À direita, ele num estúdio de TV com Valdemiro Santiago, líder da Mundial

Um dissidente da Igreja Mundial relata como foi orientado a distorcer trechos da "Bíblia" para aumentar a coleta de dinheiro dos fiéis
A Igreja Mundial do Poder de Deus é tida como a igreja neopentecostal que mais cresce no Brasil. Tem mais de 2.300 templos e ocupa quase toda a programação da Rede 21, além de horários em outros canais. Quando foi fundada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, em 1998, o então motorista de caminhão Givanildo de Souza começava a trabalhar em Sorocaba, no interior de São Paulo. Entusiasmado com as promessas de cura, enriquecimento e ressurreição, ele resolveu trocar o caminhão pelos templos. Virou discípulo de Valdemiro e obreiro da Mundial. Para provar sua proximidade com Valdemiro, Givanildo exibe fotos de sua família com a de Valdemiro, todos em trajes de lazer.
A dedicação ao altar lhe rendeu promoções. Givanildo passou por várias cidades até ser transferido para Araçatuba, a 525 quilômetros da capital paulista. Lá ficou responsável por 14 igrejas. Como pastor regional, chefiava os colegas e respondia pelo dinheiro arrecadado. Semanalmente, diz, enviava para a sede os montantes recolhidos. O vínculo com a Mundial durou até julho deste ano. Depois de se declarar descontente, Givanildo decidiu sair e agora faz acusações contra a Mundial. Ele afirma que era orientado a distorcer trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação com os fiéis. É a primeira vez que um dissidente da Mundial dá um depoimento assim.

Representantes da igreja foram procurados para comentar, mas não quiseram responder. A seguir, suas principais afirmações sobre o funcionamento da Mundial.

A pressão por arrecadação
Os líderes da Igreja Mundial, segundo Givanildo, estabelecem metas financeiras a seus subordinados e cobram resultados. “Se eu não dobrasse o valor, ia ser mandado embora com minha família e tudo”, diz. Givanildo conta que, um pouco antes de deixar a Mundial, despachava para a sede cerca de R$ 300 mil por mês, oriundos do bolso dos fiéis. “Depositava na conta da igreja. Às vezes, pediam para levar em mãos.”
A pressão por arrecadação e as técnicas para extrair dinheiro de fiéis, segundo ele, eram ditadas pelo bispo Josivaldo Batista, o segundo homem da Mundial. Josivaldo, diz, lidera a segunda parte dos encontros periódicos de pastores para falar de crescimento financeiro. “A primeira parte da reunião é televisionada. Depois que desligam tudo, o bispo Josivaldo começa a falar: ‘O negócio é o seguinte, se não crescer, vamos fazer umas trocas aí. Vamos botar os pastores lá no fundão do Nordeste, no meio do mato’.”

O uso da Bíblia
Givanildo diz que, nas reuniões, Josivaldo também mostra como usar trechos da Bíblia para aumentar a arrecadação. “Houve uma campanha feita em cima de Isaías 61:7, sobre a dupla honra. Aí surgiu a proposta de pedir 30% do salário da pessoa.” Esse versículo diz o seguinte: “Em lugar da vossa vergonha tereis dupla honra; (...) por isso na sua terra possuirão o dobro e terão perpétua alegria”. Segundo Givanildo, os pastores passaram a pregar que para obter a “dupla honra” era necessário “dobrar” o dízimo e dar mais 10% do salário como oferta. Total: 30%. O “trízimo” ficou conhecido como uma inovação introduzida pela igreja de Valdemiro.
Outra orientação comum, diz Givanildo, é fazer associações simplórias entre números citados em textos sagrados e metas de ofertas. Num trecho bíblico que descreve uma batalha está dito que 7 mil guerreiros “não se dobraram a Baal”. É o que basta para uma associação. Depois de reler essa frase aos fiéis, os pastores passam a pedir doações de 7 mil pessoas, insinuando que se trata de uma determinação bíblica.

A barganha pela água benta
Na Mundial, de acordo com Givanildo, o acesso a bens sagrados são barganhados. Josivaldo, diz ele, mandava distribuir água benta só aos que contribuíssem financeiramente. “A gente tinha de dizer assim: ‘Eu quero 200 pessoas com oferta de R$ 100, que eu vou dar uma água’. Para aquelas que não tinham oferta, não podia dar.”

Os motivos da ruptura
“Eu fazia meu melhor no altar, só que quando chegava nesse momento de pedir oferta não me sentia bem. Ficava enojado”, afirma. “Se a igreja está passando necessidade, não pode ter fazenda, clube.” Givanildo conta que era considerado “rebelde” por não colocar em prática as campanhas de ofertas acima de R$ 100. E, quando o faturamento caía, era acusado de roubo, diz. “Um dia, na reunião, o bispo Josivaldo, querendo me humilhar, gritou assim: ‘Pastor Souza, vem aqui na frente’. Ele disse que tinha uma acusação, que eu estava pegando propina de outros pastores.”

A nova igreja
Fora da Mundial, Givanildo montou sua própria igreja, a Missionária do Amor. Seu primeiro templo, em Araçatuba, tem sistema de som, grafite na parede e quase uma centena de bancos estofados. Com que dinheiro montou tudo isso? “Tem gente que acredita e está me ajudando”, afirma. Sua igreja não parece ser muito diferente da Mundial. Givanildo afirma que, pelo menos no que diz respeito à forma de pedir ofertas, não segue os passos de Valdemiro.


Thiago Pereira encerra participação na Copa do Mundo com quatro ouros


Nadador vence nos 200m livre e 200m medley. Felipe França sobra nos 100m peito, enquanto Tatiana Lemos supera Flávia Delaroli nos 100m livre na Copa

Thiago Pereira chegou ao Rio de Janeiro dizendo que não estava em sua melhor forma física. Mas a semana de folga após o Pan-Pacífico, realizado no fim do mês passado, não o prejudicou dentro d’água. Pelo contrário. Com 100% de aproveitamento, o nadador brasileiro conquistou quatro ouros e dois recordes sul-americanos na etapa carioca da Copa do Mundo em piscina curta, que se encerrou neste domingo.
No segundo e último dia de finais, neste domingo, Thiago venceu com facilidade os 200m livre (1m45s28) e os 200m medley (1m52s72).
- Dois recordes sul-americanos, quatro medalhas de ouro... Eu fiquei impressionado principalmente com esses 200m medley. Antes de eu cair na água, ainda estava bem desgastado dos 200m livre.
No sábado, o nadador que treina em Los Angeles, nos Estados Unidos, já havia vencido as finais dos 100m e 400m medley. Em todas as quatro provas, Thiago conseguiu índice para o Mundial de Dubai, que será realizado em dezembro. Para completar, garantiu dois recordes sul-americanos nos 100m medley (52s35) e 200m medley (1m52s72).
- Eu realmente tirei uma semana para descansar, não fiz nada. Então, eu não esperava que iria estar bem assim, fazendo os meus melhores resultados. Mas natação é isso. Eu brinco que a natação não tem muita explicação. Às vezes, a gente espera um bom resultado e não vem. Mas, às vezes, a gente acha que não vai dar em nada e acaba se surpreendendo.

Felipe França leva mais uma medalha
Na disputa dos 100m peito, Felipe França, mais uma vez, sobrou. O nadador conseguiu uma ótima saída e conquistou seu segundo ouro na competição, com o tempo de 57s64. Ele ficou à frente dos também brasileiros Henrique Barbosa (58s40) e Tales Cerdeira (58s62).
- Ontem eu me senti fraco, engoli água, errei a saída. Hoje eu me concentrei mais e só orando para que Deus me desse gás para conseguir a vitória.
Mais cedo, nos 1.500m, Lucas Kanieski venceu com bastante vantagem sobre os rivais. Com tempo de 14m53s19, ele superou Luiz Rogério Arapiraca (15m11s55) e o japonês Kenichi Doki (15m12s73).



Joanna Maranhão conquista mais dois ouros
Na primeira prova feminina do dia, os 100m livre, Tatiana Lemos conquistou sua segnda medalha de ouro na disputa. Com o tempo de 54s20, ele superou Flávia Delaroli (54s52) e a sueca Magdalena Kuras (54s88). A lamentar, só o fato de não ter alcançado o índice para o Mundial de Dubai.
- Consegui fazer exatamente o mesmo tempo. Estava esperando nadar melhor hoje, mas o índice vai ficar para o Finkel mesmo. Mas estou satisfeita, duas medalhas de ouro. Estava nadando só piscina longa. Até me acostumar, demora um pouco.
Pouco depois, Joanna Maranhão também conseguiu sua segunda medalha de ouro na competição. A nadadora venceu a prova de 400m medley com o tempo de 4m40s20, à frente de Larissa Cieslak (4m50s56) e Julia Siqueira (4m58s12).
Ela ainda voltou à piscina para a prova dos 200m borboleta. E, mais uma vez, ficou com o ouro. Joanna marcou 2m09s72 e superou a japonesa Nao Kobayashi (2m11s26) e a também brasileira Yana Medeiros (2m18s55).
- De uma forma geral, foi muito legal. Eu não fiz nenhum polimento, não raspei e não descansei nada desde que voltei do Mundial Militar. Então, é como se isso aqui fosse um treino para o Finkel. Agora, eu espero conseguir os índices para o Mundial daqui a dez dias.

Ana Moser é tirada de Heliópolis por lideranças locais


Nem no auge da carreira, a ex-jogadora de vôlei da seleção brasileira Ana Moser esperava levar uma cortada como essa nas quadras.

Há oito anos e meio com um projeto para ensinar o esporte a crianças de Heliópolis, ela foi expulsa do bairro pela associação de moradores em meio a acusações.
De um lado da rede, a poderosa Unas -a união das associações dos moradores de Heliópolis- acusa Moser de jogar a comunidade contra as lideranças do bairro.
Do outro, a ex-atleta diz que a insatisfação com o trabalho social é geral, que não se envolve politicamente nas questões da favela e que a força que sua ONG tem na região incomoda a diretoria.
No meio de campo, alunos dizem que material de campanha do candidato a deputado do bairro foi achado na entidade, a contragosto de Moser. Os moradores souberam e se mobilizaram a favor da ex-jogadora.
Em três dias, 2.000 assinaturas foram coletadas a favor da permanência de Moser. Na última sexta, uma passeata reuniu 300 moradores.
Para a Unas, Moser descumpria acordos, abriu o espaço para outras entidades e cobrava R$ 5 para aulas de ginástica, musculação e yoga, atividades não previstas.
Numa carta distribuída aos moradores, a agremiação diz não ver "transparência, honestidade e ética" na ex-jogadora de vôlei e, por isso, rompia relações.

BARRACO
Malcontente por ter sido tirada da quadra da favela sem consulta às famílias atendidas, Moser convocou reunião na última quinta-feira com os moradores e a associação. Terminou em barraco.
Em meio à troca de acusações, a presidente da Unas, Antonia Cleide Alves, disse que a maioria dos usuários da quadra faz ginástica e yoga, em vez de jogar vôlei.
Moser diz atender 420 crianças e 40 jovens nas aulas de voleibol e 280 mulheres na de musculação.
Cleide, então, pediu para quem fizesse ginástica levantasse a mão. Toda a quadra -havia uns 300 moradores- se manifestou. Depois, perguntou quem tinha filho nas aulas de vôlei. Umas 30 mulheres estenderam o braço.
"No nosso trabalho não há envolvimento político então acaba dando um pouco de choque. Não sei se eles têm condições de tocar um projeto lá para suprir o trabalho que fazemos", afirma Moser.
"Em vez de jogar vôlei, ela está jogando a comunidade contra nós", diz Cleide.
Problema: a ex-jogadora diz ter, por meio da sua ONG, o Instituto Esporte e Educação, orçamento público comprometido até abril de 2011.
A Unas convocou uma reunião amanhã para fazer uma auditoria na aplicação do balanço de R$ 7 milhões do IEE, que diz serem recursos públicos captados através da Lei de Incentivo ao Esporte.
A discussão foi parar na prefeitura, dona do terreno. A Secretaria da Habitação diz não poder arbitrar no conflito nem retirar o direito de uso da Unas, concedido no passado. A solução, diz, é achar um novo espaço para Moser.
O bate-boca na reunião terminou aos gritos, lado a lado, de "a quadra é nossa". A ex-jogadora tem até amanhã para deixar o espaço. Esse primeiro set ela perdeu.


Projeto social investe no esporte como base para uma boa educação

O projeto também oferece apoio psicopedagógico Foto: Divulgação
Alunos do projeto têm aulas de informática, teatro, dança e música, além de receberem acompanhamento escolar

Rio - Aos dez anos, Leonardo Loureiro tinha um sonho comum a muitos meninos de sua idade: ser jogador de futebol. Seguir carreira, ser contratado por um grande clube, jogar no exterior e todas as consequências glamurosas, inerentes à profissão, eram sua meta. Dez anos depois, muita coisa mudou: atualmente, Leonardo é aluno-bolsista no curso de contabilidade de uma universidade particular, além de trabalhar como assistente de impostos em um escritório de advocacia.
O pontapé inicial para a virada profissional, no entanto, se deu enquanto o futuro contador procurava uma escolinha de futebol e conheceu o Instituto Bola Pra Frente, organização não-governamental que alia esporte e educação e já proporcionou mudanças na vida de vários jovens.
"Com 10 anos passei a cursar um dos projetos do Bola Pra Frente, onde tive aulas de informática, português, matemática, saúde e sexualidade, entre outras coisas, e consegui uma vaga como aprendiz em um escritório de advocacia empresarial", conta.
Fundado no ano 2000, o Instituto Bola Pra Frente, localizado em Guadalupe, Zona Norte do Rio, atende, atualmente, 930 crianças e adolescentes, entre 06 e 17 anos, em situações de vulnerabilidade social. Além do reforço em matérias do currículo escolar e as aulas de futebol, o Bola Pra Frente também oferece apoio psicopedagógico e um consultório especializado no atendimento a crianças com mais dificuldades no processo de aprendizagem. O desempenho dos alunos é cobrado através do acompanhamento das notas de cada criança e jovem atendidos pelo projeto.
Todos os projetos do instituto têm o esporte como referencial de mudanças. Um exemplo de que essa união dá certo é o ARTilheiro, que oferece oficinas de teatro, dança, música, vídeo e artesanato e tem como objetivo fomentar a autoestima dos alunos, sendo também responsável pela melhora no desempenho escolar dos participantes.
Quem atesta é Gabriel de Oliveira, de 19 anos, que começou a participar das oficinas aos 11, atraído pela possibilidade de envolvimento com o mundo da arte. Oito anos depois, ele cursa Publicidade em uma instituição de ensino particular e está prestes a fazer sua primeira viagem internacional, para conhecer a Universidade Calarts, na Califórnia.
"Atualmente, atuo como estagiário no Núcleo de Produção Cultural do Instituto. E tenho o sonho de montar uma ONG que use a arte como ferramenta de transformação de crianças e jovens", confidencia.

De acordo com dados divulgados pelo Bola Pra Frente, 93,5% dos alunos que frequentaram o instituto, 93,5% continuam estudando, enquanto outros 5,8% completaram o Ensino Médio. Os números também evidenciam uma outra filosofia do projeto: a de que a participação da família é fundamental no processo educativo dos alunos. Por esse motivo, foi criada uma outra oficina, que oferece atividades de artesanato, palestras com temas coma drogas, alcoolismo, violëncia doméstica, entre outros assuntos.

A participação das escolas só tem ajudado no processo de aprendizagem dos alunos. Por isso o Instituto criou o projeto Toque de Mestre, que promove a interação entre o Bola Pra Frente e as escolas da região de Guadalupe e adjacëncias, além de oferecer aprimoramento intelectual contínuo aos professores da rede pública de ensino.

"As pessoas precisam de alguém que invista e acredite nelas, e é isso que o Bola Pra Frente faz", finaliza Gabriel.
Angélica Paulo


Itamaraty encorajará volta de brasileiros vítimas de exploração


O Ministério das Relações Exteriores lançará uma cartilha para orientar seus diplomatas no exterior a encorajar a volta de imigrantes brasileiros endividados ou vítimas de violência e exploração trabalhista.

O Guia de Retorno ao Brasil, como a cartilha foi intitulada, busca fazer com que a volta seja “não o fim de um sonho, mas o recomeço de suas vidas”, segundo a introdução do documento.
De acordo com Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, chefe da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty e coordenadora do grupo que elaborou a cartilha, o foco da iniciativa são vítimas de tráfico humano, como mulheres aliciadas por redes de prostituição.
O Itamaraty não tem dados sobre esse grupo, mas um relatório de 2006 do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) estimou que 70 mil brasileiras trabalhavam como prostitutas no exterior. Atraídas por ofertas de trabalho em outras áreas, muitas se veem obrigadas a fazer programas para quitar dívidas com os empregadores.
Para chegar a essas mulheres, os diplomatas recorrerão a voluntários da própria comunidade brasileira no exterior.
"Uma manicure, por exemplo, pode ser uma ponte com outras integrantes da comunidade", diz Lopes da Silva.

Programas sociais
Feito o contato, elas serão orientadas sobre programas sociais nos quais poderiam se enquadrar caso regressassem ao país, como os de microcrédito, o Bolsa Família e o Minha Vida, Minha Casa, e sobre a oferta de empregos e cursos profissionalizantes nas suas regiões de origem.
Em casos excepcionais, caso comprovem não ter como arcar com as despesas para a volta e a Organização Internacional para a Migração não puder fazê-lo, o Itamaraty cobrirá os gastos.
"A ideia é aperfeiçoar o nosso serviço, para que ele não termine com a viagem no aeroporto. Queremos impedir que essas pessoas voltem ao Brasil sem nada nas mãos."
Outro público-alvo do programa, diz Lopes da Silva, são mulheres que sofrem violência doméstica. "Muitas brasileiras acabam se casando com moradores locais para a obtenção de documentos, e é comum que essa situação de desequilíbrio resulte em violência."
Mas transexuais e homens nas mais diversas situações de vulnerabilidade também serão contemplados.
No fim de agosto, a polícia espanhola desmontou uma rede destinada a explorar sexualmente brasileiros. Segundo a polícia, homens com promessas de trabalho e bons salário eram obrigados, ao chegar na Espanha, a se prostituir para pagar dívidas que chegavam a 4 mil euros (cerca de R$ 8,9 mil).

Rede de amparo
Elaborado desde julho, o Guia de Retorno ao Brasil foi montado em parceria do Itamaraty com a Polícia Federal, o Ministério da Justiça e a Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM).
Esses órgãos forneceram ao Itamaraty uma lista de entidades espalhadas por todo o país que podem auxiliar os recém-chegados, como entidades públicas federais e estaduais.
Segundo Lopes da Silva, a intenção do programa é fazer uma ponte entre os brasileiros no exterior e a "tremenda estrutura" de amparo já existente no Brasil.
No próximo dia 20, ela viajará à Espanha e a Portugal para divulgar a cartilha e se reunir com diplomatas, voluntários e ONGs locais. Os dois países são, nessa ordem e seguidos por Suíça e Holanda, os que concentram a maioria dos brasileiros em situação de risco no exterior, segundo a diplomata.
Por isso, agentes consulares e voluntários desses países receberão, além da cartilha, um treinamento para lidar com o grupo.


domingo, 12 de setembro de 2010

Bebê de Eliza Samudio está há dois meses com a avó em Anhanduí (MS)


Há dois meses, Bruno Samudio vive em Anhanduí, distrito a 70 km de Campo Grande (MS), aos cuidados da avó materna, Sônia Fátima Silva de Moura, que tem sua guarda provisória, segundo reportagem de Eliane Trindade publicada na edição deste domingo da Folha (íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL).
A Folha encontrou avó e neto depois de falar com dois moradores parados aleatoriamente na rua asfaltada que margeia a rodovia que cruza o distrito. O habitante mais famoso de Anhanduí, cuja população é de 3.400 moradores, vive em uma casa bem simples, mas confortável, ao lado da escola.
A notoriedade parece não atrapalhar a rotina do bebê que foi pivô de um crime que o deixou órfão e levou seu suposto pai, o ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes, para detrás das grades, acusado pelo desaparecimento e pela morte de sua mãe.
Na sexta passada, o filho de Eliza completou 7 meses. No dia anterior, havia tomado a vacina contra hepatite. No posto, foi medido e pesado -está com 8,8 kg e 74 cm.
Sônia enumera as agruras do neto nesses primeiros cinco meses de vida: "O Bruninho foi afastado repentinamente da mãe, desmamado e andou com gente e por lugares que é melhor nem lembrar. Não se sabe como ele foi afetado por tudo isso."
Eliza viveu com a mãe dos 14 aos 15 anos. Não se adaptou aos rigores do lar evangélico. "Ela ficou um ano em Campo Grande, mas gostava de ir para festa, baile, essas coisas", lembra a mãe. "Comigo, ela não podia sair sozinha. Na casa do pai, saía e voltava a hora que queria."
Sônia diz que, caso ganhe a guarda do bebê, não irá pedir exame de paternidade, nem pensão. "Tenho condições de criá-lo."
Cenas de uma vida pacata em um Brasil distante que Eliza deixou para trás em busca do sonho de ser modelo famosa. Glamour que não encontrou em Anhanduí nem em São Paulo, onde Bruninho nasceu.

ELIANE TRINDADE
ENVIADA ESPECIAL A ANHANDUÍ


Folha.com

Subnutrição da mãe afeta saúde do filho para toda a vida

À esquerda, o rim saudável. À direita, o órgão com 70% da capacidade de processamento do sangue. (Flávia Fernandes Mesquita)

Pesquisadores da Unesp-Botucatu mostram que a saúde dos adultos pode ser definida desde o momento da gravidez. Agora, eles querem ajudar as mães a ter filhos mais saudáveis

A saúde de um adulto depende diretamente das condições que sua mãe teve durante a gestação. “Mães que passam por condições adversas durante a gestação, como a má alimentação e o stress, poderão ter filhos com problemas cardiovasculares, renais e hormonais”, afirma Patricia Bôer, doutora em clinica médica pela Unicamp e pesquisadora da Unesp-Botucatu. Há quatro anos ela estuda como essas situações estressantes na gestação podem ser um fardo por toda a vida adulta. Em pesquisas de laboratório, Patricia descobriu que a subnutrição em ratas gestantes influencia a formação dos rins, do coração e até de regiões no cérebro dos filhotes e animais adultos.

A ideia de que fatores externos à gravidez influenciam a saúde mesmo depois de adulto existe desde o fim da década de 1960. De acordo com Patricia, a natureza prepara o indivíduo durante a gestação de acordo com a condição da mãe. “Se a mãe viver em um ambiente cheio de predadores e, portanto, sob muito stress, a natureza entende que o indivíduo precisará ter características semelhantes, caso contrário não conseguirá sobreviver”, diz Patricia.
De acordo com o estudo, o feto é protegido dos hormônios de stress da mãe, chamados glicocorticoides. Esses hormônios são responsáveis por orientar o crescimento e amadurecimento das células que formam o indivíduo. Como a mãe possui um ritmo diferente de amadurecimento do filho, não seria saudável que os hormônios dela interferissem no crescimento da criança. Por isso, o feto é protegido por uma enzima na placenta. Mas o organismo de mães que têm vidas estressantes perde a capacidade de impedir que o glicocorticoide materno atinja o bebê.

Resultado: alguns órgãos se desenvolvem prematuramente e depois causam problemas na fase adulta. Se o rim for afetado, na vida adulta as chances de possuir hipertensão aumentam. “Provavelmente por isso que há a morte súbita de alguns jogadores de futebol. Alguns deles podem ter tido uma gestação problemática e a natureza não preparou o corpo deles para o ritmo de vida e alimentação que possuem, causando um colapso que leva à morte”, explica Patricia. É como se uma lâmpada de 60w funcionasse a 80w, funcionando acima da sua capacidade.

Subnutrição — A pesquisa da Unesp verificou três características em comum nos ratos adultos que sofreram com a subnutrição das mães durante a gestação. A alimentação foi escolhida como fator de stress porque, segundo dados divulgados pela pesquisadora, em 2008, cerca de 35% das gestantes do Brasil eram anêmicas. As mamães-ratas ganharam menos comida. A primeira consequência foi a formação prematura do rim, resultando em um órgão com apenas 70% da capacidade se comparado com um indivíduo normal.
Isso quer dizer que o rim não consegue filtrar a mesma quantidade de sangue e não consegue regular a pressão sanguínea, gerando um quadro de hipertensão na vida adulta. “Por causa da alta pressão no sangue, o coração é obrigado a trabalhar mais rápido”, explica Patricia. Em consequência disso, os pesquisadores identificaram um aumento da parte esquerda do coração, elevando o número de receptores de agentes que estimulam a hipertensão, gerando um ciclo vicioso. Já no cérebro dos animais, a região responsável pela resposta ao stress é superestimulada. Quando adultos, eles são mais tensos e estressados que os normais.

Agora, os pesquisadores da Unesp querem saber exatamente quais são os mecanismos biológicos que alteram a formação desses órgãos em indivíduos jovens e adultos. “A ideia é estabelecer como deve ser a nutrição dessas mães, tendo em vista como o corpo de seus filhos será programado para que eles tenham melhor qualidade de vida e menos problemas de saúde”, afirma Patrícia.

Marco Túlio Pires, de Águas de Lindóia



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