segunda-feira, 7 de março de 2011

Zibia Gasparetto: Esqueça o mal, só o bem é real


Rio - Quinta-feira, no meu programa na Rádio Mundial, uma ouvinte perguntou: ‘É verdade que o Carnaval é coisa do diabo?’ É incrível que nos dias de hoje ainda há quem acredite que o mundo se divide entre o bem e o mal. A velha figura do diabo com seu aspecto assustador, nos empurrando para a maldade, continua no imaginário popular a assombrar pessoas e a justificar as atitudes humanas.
Culpar o diabo divide a responsabilidade, alivia nossa sensação de culpa sempre que escorregamos em alguma maldade. Imaginar que estamos sendo vitimados por um ser cujo poder é irresistível nos coloca na cômoda posição de vítima e atrai a simpatia dos outros.
Quem acredita no poder do mal está dando ao diabo um poder igual ao de Deus. Essa crença foi implantada em nossa cultura pelas religiões, para manipular o povo. É hora de sair dessa ilusão e olhar as coisas como são. Ao nos criar ignorando as leis da vida, mas tendo o livre arbítrio, Deus nos deu a dignidade de conquistar a sabedoria através do merecimento. É o que estamos fazendo na Terra.
A manifestação do mal é fruto da nossa ignorância. Todos queremos fazer o melhor, brilhar mas, em nossa visão precária, temos escolhas equivocadas, colhemos maus resultados, sofremos. Mas ganhamos experiência. Entre erros e acertos, vamos conquistando sabedoria e aprendendo a viver.
Apesar de tudo, é bom ficar atento ao que acontece em seu mundo interior, com o diabinho insistente que mora dentro de você e faz tudo para empurrá-lo para baixo. Ele alimenta-se de todas as mágoas, frustrações, decepções do passado a que você deu importância e da sua falta de confiança em si. A pretexto de prevenir, olha tudo pelo lado pior, faz drama, exagera situações, o paralisa pelo medo.
Defenda-se desse diabinho insistente, reaja aos seus pensamentos negativos. Recuse-se a alimentá-lo. Liberte-se dele definitivamente. Lembre-se de que o mal é fruto do que você ainda ignora, não se culpe. Quando cometer um erro, procure entender a lição que ele contém. Esqueça o mal, só o bem é real.
Ligue-se com seu espírito e sinta o que é importante em sua vida agora. Fale com Deus sobre seus projetos de sucesso, peça inspiração divina. Seja otimista.
O Carnaval é uma festa do povo. Você pode participar sem medo, divertir-se, expressar sua alegria. Afinal, você já se libertou do seu diabinho interior e está pronto para agir com bom senso e aproveitar a festa com tudo que tem direito.
Se prefere relaxar em um lugar sossegado, deixar-se ficar sem fazer nada, ler um bom livro, também é bom. Aproveite o momento e bom Carnaval!

Zibia Gasparetto é escritora espiritualista


Homem que atropelou ciclistas em Porto Alegre passa por exames no IPF


Transferência deve ocorrer na manhã desta segunda-feira

O funcionário do Banco Central Ricardo Neis, 47 anos, que atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre foi encaminhado ao Instituto Psiquiátrico Forense (IPF) na manhã desta segunda-feira. No local, Neis passa por exames que irão determinar se ele tem problemas mentais.
Se algum distúrbio for detectado, ele deve ser transferido para o IPF. No entanto, caso os peritos diagnostiquem sua sanidade, ele deve ser encaminhado ao Presídio Central (PC).
Após os exames, o atropelador confesso dos ciclistas deve retornar ao Hospital Parque Belém, onde está internado desde a semana passada.
A expectativa, ainda não confirmada, é que ele possa ser transferido para o IPF ou para o PC ainda nesta segunda-feira.

Fui chamado de negro, favelado e pobre, diz líder de banda de axé


Márcio Victor, do Psirico, afirma que um empresário de 43 anos o ofendeu em um dos camarotes mais badalados de Salvador

O cantor de uma das bandas de axé mais conhecidas da Bahia afirmou ter sido alvo de racismo durante show em camarote do carnaval de Salvador, na madrugada deste sábado.
Márcio Victor, do Psirico, teria sido chamado de “negro”, “favelado” e “pobre” por um empresário de 43 anos, natural de Inhambupe (163 km de Salvador), durante um show no Camarote do Reino, estrutura de eventos com capacidade para 2.500 pessoas em Ondina, um dos principais pontos da folia na cidade. O homem teria ainda acusado o cantor de incitar a violência em sua música.
“No momento em que houve a possível ofensa, o autor solicitou uma patrulha da Polícia Militar, que conduziu o homem até um posto da corporação”, informou o capitão Marcelo Pitta, do setor de imprensa da PM baiana.
Segundo relato do jornal “A Tarde”, o cantor reagiu aos insultos. “Olhe, eu vou é sair daqui, vou para o povão lá embaixo, que não tem dinheiro para comprar camarote, mas se respeita”, afirmou, de acordo com a publicação. O ingresso por um dia no camarote fica em torno de R$ 400 a R$ 600. A reportagem não conseguiu contato com o cantor neste domingo (5).
De acordo com a PM, o empresário foi liberado porque não houve a confirmação do flagrante, já que o cantor não registrou ocorrência. “Não podíamos prender o cidadão sem que houvesse o pronunciamento [da vítima]”, disse o capitão Pitta.
O crime de racismo tem pena prevista de dois a cinco anos de prisão .


Carnaval brasileiro é 'made in China', diz 'Financial Times'

Para comércio, indústria precisa de investimentos para suprir demanda

Uma reportagem do jornal britânico Financial Times afirma nesta segunda-feira que o Carnaval no Brasil é "made in China".

A reportagem mostra a importância que os produtos chineses ganharam na cadeia produtiva carnavalesca brasileira. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), 80% das fantasias vendidas para o Carnaval são importadas do país asiático.
"Importações baratas da China inundaram o país latino-americano nos últimos anos, em parte como resultado da rápida apreciação da moeda, causando interrupções em diversas partes da economia e colocando um dos maiores dilemas políticos para a nova presidente, Dilma Rousseff", afirma a reportagem.
"Agora até mesmo o famoso Carnaval, a festa de quatro dias que termina na terça-feira, é made in China", diz.
O presidente da Abit, Jonatan Schmidt, disse à repórter do FT que "há quinze anos, tudo era diferente – tudo era brasileiro".
Uma lojista ouvida pela reportagem do diário financeiro conta que importa mercadorias da China a preços 40% abaixo dos praticados por companhias brasileiras. Com o real mais forte, a loja, que em 2005 importava 30% do seu estoque, hoje importa 60%.
"Não é só a taxa de câmbio", diz a comerciante. "Há carência de novos equipamentos e investimentos no setor têxtil. A demanda é tão forte agora que a indústria não consegue suprir."
Citando economistas, o jornal diz que os esforços do país para combater a apreciação do real são ineficientes e que "a única solução real, não apenas para a indústria têxtil mas para a indústria em geral, é melhorar a qualificação, investir em maquinário e desenvolver a infraestrutura".
A reportagem sugere que o Carnaval, se continua em espírito sendo uma festa brasileira, é em termos econômicos uma festa dos importados.
"Apesar dos esforços da estatal petroleira Petrobras para expandir a sua própria produção de poliéster no Nordeste, é improvável que o Carnaval seja made in Brazil no futuro próximo."



domingo, 6 de março de 2011

STF se prepara para discutir aborto de fetos sem cérebro

Ministro Marco Aurélio Mello será o relator do julgamento

O ministro do STF (Supremo Tribunal federal), Marco Aurélio Mello, liberou a entrada na pauta da ação que discutirá a permissão de aborto de fetos anencéfalos (sem cérebro). No entanto, ainda não há data prevista para o julgamento.
A ação foi ajuizada em 2004 pela CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde), que defende a descriminalização do aborto nesses casos. A questão é tão controversa que foi tema de audiência pública em 2008 no STF, que reuniu representantes do governo, especialistas em genética, entidades religiosas e da sociedade civil.
A audiência pública foi concluída após quatro dias de discussões, sob a condução de Mello, nos quais os defensores do direito das mulheres de decidir sobre prosseguir ou não com a gravidez de bebês anencéfalos puderam apresentar seus argumentos e opiniões, assim como aqueles que acreditam ser a vida intocável, mesmo no caso de feto sem cérebro.
Foram ouvidos representantes de 25 diferentes instituições, ministros de Estado e cientistas, entre outros, cujos argumentos servem de subsídio para a análise do caso por parte dos ministros do STF.

Fábio Mendes


Preso no Paraná jovem acusado de atirar em alunos da FGV e matar um em SP


SÃO PAULO - Foi preso em Cascavel, no Paraná, Walmir Valentino da Silva, 19 anos, um dos acusados pela morte do estudante da Fundação Getúlio Vargas Júlio César Grimm Bakri, de 22 anos. O universitário Christopher Tominaga, 23 anos, amigo de Bakri, foi baleado. O crime ocorreu no dia 23 de fevereiro num bar ao lado da faculdade. Os estudantes estavam sentados quando dois homens desceram de uma moto e dispararam contra eles.
Francisco Macedo da Silva, 24 anos, foi preso e confessou o crime. Ele foi identificado porque um dos tiros acertou sua perna e ele foi internado. No bolso dele havia munição e o hospital comunicou a polícia. Francisco disse que o motivo do assassinato foi ciúme. Walmir estava no bar e a namorada dele foi paquerada pelos estudantes. Ele teria ainda sido chamado de 'otário'.
Walmir saiu do bar e levou a namorada para a casa. Em seguida, conseguiu armas e chamou o irmão para o "acerto de contas".
Francisco confessou o crime ainda no hospital. Quando os policiais perguntaram qual a intenção no momento em que fez os disparos, o suspeito respondeu:
- Foi matar, né?
Em seguida, admitiu que "estava sem noção" quando decidiu cometer o crime. Walmir já tem passagens pela polícia e teria ficado com as armas usadas para atirar contra os estudantes.
Na investigação, a polícia chegou a prender um inocente . Ele estava com a perna machucada e tem uma moto semelhante à usada no crime.


Igreja trata homossexualismo como 'vício' em escolas e cria polêmica na Espanha

Uma proposta da Igreja Católica de ensinar moral sexual a crianças tratando o homossexualismo como "vício" está causando polêmica na Espanha.

O Arcebispado de Valência elaborou um curso extracurricular - como opção aos cursos oficiais de educação sexual aprovados pelo governo - que será disponibilizado a todas as escolas interessadas.
Esse curso, dirigido a crianças de 5 a 14 anos, apresenta como "vícios" temas como erotismo, pornografia, homossexualidade, masturbação, voyeurismo e obsessão por sexo.
O programa aborda a sexualidade "a partir de uma visão integradora com aspectos biológicos, fisiológicos, psicológicos, sanitários, antropológicos, morais e sociais", disse à BBC Brasil o porta-voz do arcebispado valenciano.
O chamado Programa de Educação Afetivo-Sexual será dividido em três módulos, de acordo com a faixa etária.
As crianças menores de cinco a sete anos de idade, terão aulas sobre precaução contra abusos, heterossexualidade e pudor.
Crianças de oito a 11 anos aprenderão sobre vícios, erotismo e pornografia.
Os maiores, de 12 a 14 anos, vão ter lições sobre o homossexualismo, as famílias convencionais e a castidade até o casamento.

'Referência'
O programa foi apresentado aos colégios diocesanos, dependentes do arcebispado, e instituições religiosas de ensino. Para todos os centros escolares, o programa será oferecido como uma "proposta educativa": não obrigatória porém como "material de referência".
O presidente da Comissão Diocesana de Ensino, Rafael Cerda, disse que muitos centros católicos expressaram interesse em implantar o programa.
O programa também foi oferecido a 300 mil alunos aos bispados das províncias de Valência, Alicante, Mallorca, Menorca e Ibiza.
Organizações de gays criticaram a proposta, acusaram a Igreja de retrógrada e discriminatória e prometeram contestar o plano na Justiça.
"(São) Lições absolutamente fora da realidade que, além do mais, violam a Constituição, pois nos consideram pessoas disfuncionais, portanto serão levadas aos tribunais", disse à BBC Brasil José de Lamo, coordenador-geral da associação Labmda, que representa gays, lésbicas, transexuais e bissexuais espanhóis.
"Não permitiremos que as crenças religiosas discriminatórias sejam colocadas acima dos direitos fundamentais e do respeito. Imagine que há muitas crianças que tem pais homossexuais e querem ensinar nas escolas que estas famílias são patológicas", acrescentou.

Críticas
A queixa da associação Lambda se baseia principalmente no módulo dois do programa católico, que afirma que "a relação entre homossexuais é errônea e estes não devem ser considerados esposos, nem pais".
A Constituição espanhola permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais gays.
Um dos criadores do método, no entanto, acha que a Igreja apenas defende sua doutrina e tem o direito atender às demandas dos fieis por uma linha de educação para seus filhos coerente com sua crença.
"Tratamos a educação sexual de acordo com nossas convicções, isso é também um direito reconhecido pela Constituição espanhola", disse à BBC Brasil Juan Andrés Taléns, diretor da cátedra de Ciências do Matrimônio e Família do Pontifício Instituto João Paulo 2º, um dos 20 especialistas convocados pelo arcebispado para elaborar o programa.
"Está claro que a política educativa nacional está fracassada. O grande número de abortos, gestações indesejadas e doenças de transmissão sexual são derivados de uma sexualidade inadequada", afirmou.
Nos próximos meses, o programa será estendido a todas as escolas católicas do país como matéria facultativa.
"O problema é que mesmo em colégios católicos, estamos em um país laico, onde a Igreja não é a encarregada de formar sexualmente os alunos", afirmou a presidente da FAPA (Federação de Associações de Pais e Mães de Alunos), Maria José Navarro.
A dirigente disse à BBC Brasil que para elaborar "os conteúdos retrógrados deste programa chamado educativo ninguém contou com a opinião dos pais".
"Esta forma de impor critérios é própria de uma igreja castradora, que nem sequer se questiona se a maioria dos pais quer uma educação de qualidade e respeitosa com todo mundo", afirmou.

Anelise Infante


Brilho que se apagou antes da chegada aos palcos


Com o sonho de se tornar bailarina profissional, Lavínia já era destaque aos 6 anos e se preparava para ingressar na escolinha de dança do Theatro Municipal

Rio - A pequena Lavínia Azeredo, de 6 anos, assassinada segunda-feira, pela amante do pai, Luciene Reis, de 24, saiu de cena quando se preparava exatamente para subir aos palcos da vida. Aluna de balé clássico e selecionada entre 45 meninas, ela estava sendo lapidada para ingressar, em janeiro do ano que vem, na Escola Estadual de Dança Maria Olenewa.
A instituição, que faz parte da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, é a mais antiga escola de dança do País e o maior celeiro formador de bailarinos profissionais para companhias do Brasil e do exterior. Por lá já passaram personalidades como Bibi Ferreira, Ângela Vieira e Roberta Márquez, hoje a primeira-bailarina do Royal Ballet de Londres.
Há dois anos e meio, Lavínia era uma das 18 alunas da turma preliminar 1 do curso de balé clássico do Projeto Péss, na Apapaf (Associação de Pais e Amigos do Parque Fluminense, em Caxias), instituição voltada para crianças de baixa renda e que funciona próxima à casa onde morava. O vice-presidente da associação, Sérgio Moreno, lembra o primeiro contato com a menina. “A pequena Lavínia era muito inteligente, muito envolvente”, emocionou-se.
“A dona Andréa, mãe de Lavínia, me procurou, dizendo que a filha gostava muito de dançar. Foi a senha para um começo, infelizmente interrompido de forma estúpida, brutal e cruel”, reagiu a professora Simone Merari, de 34 anos, que iniciou a menina na arte de dançar e agora terá de se contentar em guardar como recordação a blusinha e a sapatilha do figurino do último espetáculo, além do arranjo de cabelo que a sua ‘princesinha’ usou na formatura do ano passado.
Em novembro, Lavínia foi aplaudida de pé por 345 pessoas, na plateia do Teatro Raul Cortês, no Centro de Duque de Caxias, onde encenou, como um ‘Pássaro Branco’, a personagem no espetáculo ‘O jardim da Criação’. Ela participou do primeiro e terceiro atos, ficando em cena por 1h50. “Foi uma exibição de gala, inesquecível”, lembra, orgulhosa. Uma imagem que ficará para sempre na lembrança da professora.

Sensibilidade e dedicação
Na avaliação da professora, Lavínia era uma criança sensível e carinhosa. “Mas a primeira característica que eu observei e que mais me chamou a atenção nela, como bailarina, foi o fato de ela ser extremamente delicada nos movimentos”, lembra ela, ressaltando que a aluna possuía muita habilidade e o tipo físico apropriado para se destacar na dança.
Simone ressalta que, apesar da idade, a menina demonstrava maturidade. “Ela parecia saber o que queria da vida. Por isso, me dizia sempre: ‘Tia, o meu grande sonho é ser bailarina’”, lembrou, às lágrimas. A dedicação era outra qualidade de Lavínia: “Era uma menina especial, muito educada, comprometida e determinada, que fazia questão de não faltar às aulas e já queria usar sapatilhas de pontas. Com certeza, todo mundo gostaria de ter uma filha assim”.

GERALDO PERELO


O DIA ONLINE

O homem separado


Ele não tem compromisso, mas ainda não é livre

Embora muitos não percebam, os homens não se dividem apenas entre casados e solteiros, ou entre aqueles que têm e não têm namorada. Há outra categoria, menor, mas igualmente importante: a dos homens separados. Eles constituem um grupo inteiramente à parte.
Não importa se o sujeito foi casado por dez anos ou se acaba de romper um namoro que mudou a sua vida. Quem terminou uma relação importante vive, por tempo indeterminado, num universo emocional diferente daquele em que vivem as outras pessoas.
A característica essencial desse período é a dubiedade de sentimentos e a indefinição. O homem separado não tem mais compromisso, mas ele ainda não se sente realmente livre. Vive, de forma muito aguda, a euforia de não ter mais laços e a angústia de estar sozinho. Habita, simultaneamente, dois mundos que se afastam um do outro. Num deles é o companheiro de alguém, o pai, o homem da casa. No outro, é um camarada solitário em busca de emoções e sensações reprimidas. Até que esses dois mundos voltem a se encontrar, até que o homem separado recupere a sua identidade, ele tende a viver em desequilíbrio – o que não é necessariamente ruim.
Eu lembro desses períodos de separação de forma muito intensa. Viagens, rostos, conversas na rua tarde da noite. A palavra para esses interregnos é descoberta. Sobretudo, a descoberta de pessoas e seus mundos. Cada um de nós vive num planeta próprio. Explorar esses planetas, entrar na casa e na vida dos outros sem o peso dos compromissos é uma delícia.
Há também os excessos. A gente enlouquece de liberdade e pira de carência. Sem se dar conta, o sujeito começa a agir como cachorro louco. É comum ver homem separado se atirando sobre as mulheres indiscriminadamente. Não é só lascívia. Depois de anos com a mesma mulher, ou meses com a namorada atenciosa, passar um fim de semana sozinho pode ser o inferno – e, para escapar dele, as pessoas fazem qualquer coisa.
Quando se olha de fora, parece que os homens separados estão 100% do tempo atrás de sexo, mas não é bem isso. A grande ausente nos namoros e casamentos falidos é a paixão. Sexo existe, mas não existe mais romance. Ninguém mais suspira no meio da transa, não se tem mais vontade de escrever cartas à mão ou mandar flores. Você não olha mais para a sua mulher como se ela fosse a mais linda do mundo. E isso faz falta para os dois.
O escritor Norman Mailer já dizia nos anos 1960: as pessoas se esfregam nas festas achando que estão em busca de sexo, quando, na verdade, estão procurando amor. Cinquenta anos depois, o diagnóstico ainda vale para boa parte das situações.
Às vezes eu me surpreendo ao perceber que dos meus períodos de homem separado sobraram relações bacanas. Algumas mulheres conseguiram enxergar por trás da máscara de sedutor tragicômico um sujeito com quem se poderia conversar e conviver. Tornaram-se amigas - mas são exceção.
A tendência nesses momentos de tumulto é queimar as oportunidades e o filme. Você conhece pessoas especiais, mas não consegue ver um palmo à frente do nariz. Não as percebe. Age com todas de uma forma padrão, ditada pela particularidade do seu momento. Banaliza sentimentos e possibilidades.

Ivan Martins


Polícia da Itália encontra GPS do carro do pai das gêmeas desaparecidas


Aparelho pode ajudar na investigação sobre o paradeiro das meninas suíças

A polícia italiana encontrou nesta sexta-feira (4) o aparelho GPS do carro de Matthias Schepp, pai das gêmeas suíças, Alessia e Livia, que estão desaparecidas há mais de um mês.
Era consenso entre os investigadores, de acordo com jornais da Suíça e da Itália, que a análise do GPS que Schepp carregava é crucial para encontrar o paradeiro das meninas – ou de seus corpos.
Segundo o jornal suíço Le Soir, investigadores acreditam que o pai, que sequestrou as gêmeas em 30 de janeiro, poderia ter passado uma noite entre os dias 30 e 31 do mesmo mês na região de Montelimar, na França. Foi feito apelo a testemunhas do local para comprovar a nova pista. As autoridades acreditam que Schepp dormiu em um hotel ou parou para comer na cidade, próxima da divisa da França com a Itália.
Schepp se matou na cidade italiana de Cerignola, quando se jogou numa linha do trem, e deu a entender em uma carta que as gêmeas de seis anos também estariam mortas.
A polícia francesa chegou a afirmar claramente que ele teria assassinado as crianças. A análise do laptop do suíço indicou que ele pesquisou na internet sites sobre envenenamentos.
A mãe, Irina Lucidi, disse no dia 12 de fevereiro que tem esperanças de voltar a ver as filhas, apesar de se sentir desesperada com a situação. Lucidi deixou sua casa na Suíça por questões de segurança.


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