segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Juiz interroga pai da menina Joanna no Rio


Magistrado deve ouvir ainda nesta segunda a madrasta da criança.
Os dois são acusados de tortura e homicídio qualificado, na forma omissiva.

O juiz Alberto Fraga, do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, interrogou nesta segunda-feira (7), o funcionário público André Rodrigues Marins, pai da menina Joanna Cardoso Marcenal Marins, morta no dia 13 de agosto de 2010 vítima de meningite, contraída pelo vírus da herpes, após 26 dias em coma.
A audiência de instrução e julgamento é continuação da realizada no dia 17 de janeiro, quando foram ouvidas cinco testemunhas, sendo duas de acusação e três de defesa.
Segundo o Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, Fraga deve ouvir ainda nesta segunda Vanessa Maia Furtado, madrasta da menina. Os dois são acusados de tortura e homicídio qualificado, na forma omissiva, contra a criança.
Ainda de acordo com o TJ, em seu depoimento ao juiz nesta segunda-feira, o réu deixou claro, inúmeras vezes, que era leigo e que no período de 15 a 19 de julho de 2010, vários especialistas viram a menor. Quanto à lesão na nádega da criança, ele disse que a menina já viera assim da casa da mãe, informou o TJ.
Sobre o depoimento da babá da criança, André Marins confirmou que seguiu recomendação da psicóloga para usar fita crepe na ponta dos dedinhos de Joanna. Ele contou também, de acordo com o TJ, que lutou durante cinco anos para conseguir ter contato com a filha. Segundo o réu, em 26 dias de internação nenhum médico diagnosticou a doença da menina e, só após 40 dias do óbito, o Instituto Médico Legal o fez. O interrogatório de André durou duas horas.
O magistrado também ouviu, nesta segunda, os depoimentos de duas testemunhas de defesa do réu.

Juiz nega pela 4ª vez pedido de liberdade do pai
No dia 17 de janeiro, o juiz Guilherme Schilling Pollo Duarte, do 3º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, indeferiu o pedido de liberdade provisória de Marins. Foi a quarta vez que o magistrado indeferiu o pedido de liberdade feito pela defesa de Marins. No dia 11 de janeiro, o juiz já havia negado o pedido de liberdade.



Rio é eleito melhor cidade arquitetônica do mundo

Projeto da zona portuária do Rio, depois da conclusão do Museu do Amanhã

Prêmio dado pela conceituada revista de design Wallpaper é baseado nas promessas arquitetônicas e projetos de revitalização

Um dos mais celebrados prêmios de design do mundo, o Wallpaper Awards Architecture, acaba de eleger o Rio de Janeio como a melhor cidade arquitetônica do mundo, passando à frente de Chicago, Johanesburgo, Oslo e Hong Kong, as outras finalistas.
No prêmio, que conta com mais 10 categorias, como melhor restaurante, melhor produto de beleza e melhor prédio público, o Rio foi lembrado tanto por suas obras históricas como por projetos que o preparam para receber a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
O Museu do Amanhã, de Santiago Calatrava, na zona portuária, a Cidade da Música, na Barra da Tijuca, obra de Christian de Portsamparc em fase de finalização, e o novo projeto para o Museu da Imagem e do Som, do escritório novaiorquino Diller Scofidio + Renfr, que deve se instalar no lugar da antiga boate Help, na beira da praia de Copacabana, são promessas que reforçaram as indicações de título para a cidade.
As reformas de alto investimento, como a do bilionário Eike Batista no tradicionalíssimo Hotel Glória, prometido para este ano, e do Hotel Nacional, de Oscar Niemeyer, para 2014, também fizeram coro às expectativas de um futuro ainda mais lindo para a cidade.



A mistura de comportamento e visual, uma das características mais apaixonantes do Rio, também seduziu os jurados do prêmio, que destacaram a revitalização do Centro, o conhecido Rio Antigo, e da Lapa, referência em espaços musicais e galerias de arte. Eles ainda destacam o bairro de Botafogo como nova referência da nightlife carioca.
Até mesmo iniciativas sociais, como a forte ação da polícia e a reformulação estrutural nos morros e favelas reforçaram o pacote de maravilhas locais. Ideias descoladas, como as lojas de moda e design do Leblon e de Ipanema, com sugestões bacanas como o ateliê da designer Gilda Midani, montado em um apartamento particular, somaram argumentos para que o martelo fosse batido. Rio de Janeiro, melhor cidade do mundo.
Os detalhes da escolha estarão na edição de fevereiro da edição impressa. Mas não é de hoje que a revista está de olho no Brasil. Em maio passado, Tony Chambers, editor-chefe da publicação recebeu, entre caipirinhas e bobós de camarão, designers e criadores brasileiros na galeria Espasso, no criativo bairro de Tribeca, em Nova York. A festa, promovida em parceria com o grupo Iguatemi, celebrava o lançamento de uma edição inteira da Wallpaper em homenagem ao Brasil. Foi o começo de uma relação promissora, que agora começa a se tornar concreta.


delas

Criança não deve ficar tão preocupada

A infância deveria ser a época mais relaxada da vida. Mas o número de crianças ansiosas aumentou 60% em uma década no Brasil. Como perceber – e tratar – o distúrbio

As crianças são, por natureza, ansiosas. Todo pai sabe que vai ouvir mais de 20 vezes a pergunta sobre quanto tempo falta para acabar a viagem ou chegar o dia do aniversário. Mas às vezes a ansiedade passa dos limites. É comum que uma menina de 11 anos pergunte quando vai ser uma festa. Não é comum que ela durma com um relógio e acorde durante a noite para checar quantas horas faltam. Letícia dos Santos fazia isso. Todo evento importante era precedido de grande sofrimento. “Ela chegava a ter falta de ar e uma vez desmaiou antes de uma prova”, diz a mãe, a comerciária Sirlene dos Santos.
O desmaio serviu de alerta. A mãe a levou a uma emergência, mas não constataram nenhum problema físico. O pediatra não conseguiu encontrar uma causa para o desmaio. Algum tempo depois, quando o avô de Letícia precisou amputar uma perna, em decorrência de hepatite, sua ansiedade explodiu. “Ela não podia visitá-lo, então cismava que ele tinha morrido”, diz a mãe. “A Letícia pedia para eu provar que ele estava vivo, que o pusesse para falar com ela no celular.” A mãe começou a pensar em procurar um psicólogo e acabou vendo um anúncio da Santa Casa com os sintomas da ansiedade infantil. Reconheceu a filha em cada palavra que leu: preocupação excessiva, sofrimento por antecipação, dificuldade de dormir.
O distúrbio que acomete Letícia é cada vez mais frequente no Brasil. Um levantamento feito pelo Centro de Atendimento e Pesquisa de Psiquiatria da Infância e Adolescência (Capia) da Santa Casa do Rio de Janeiro mostra que em dez anos o número de crianças com o transtorno cresceu 60%. O Capia costuma atender 40 crianças a cada semana. Há dez anos, oito delas, em média, saíam com o diagnóstico de ansiedade. Hoje, são 13. Também em São Paulo se nota um aumento de casos, diz Fernando Asbahar, coordenador do projeto de Transtornos Ansiosos da Infância e Adolescência no Hospital das Clínicas, embora ele não tenha uma contagem como a do Rio.
De acordo com a Associação Americana de Transtornos de Ansiedade, entre 9% e 15% da população de 5 a 16 anos sofre do distúrbio. Na falta de estudos que mostrem se esse porcentual varia de um lugar para outro, os psiquiatras brasileiros trabalham com a mesma estimativa. Há sinais de que o mundo moderno tenha agravado o problema. Um levantamento feito com 300 estudantes americanos pelo pesquisador Jean Twenge, da Universidade de Cleveland, concluiu que as crianças americanas são sete vezes mais ansiosas do que há 70 anos. Twenge pesquisou questionários do “Inventário de personalidade”, aplicado no Estado de Minnesota a todos os alunos do ensino médio desde 1938. As crianças de hoje mostram-se mais inseguras sobre seu futuro, confiam menos em si próprias e demonstram medo de não ter controle sobre fatores externos.
O transtorno é potencialmente grave. Em suas formas mais severas, a ansiedade pode afetar o raciocínio, a habilidade de tomar decisões, a percepção de seu ambiente, o aprendizado e a concentração. Além disso, vem se formando entre os médicos o consenso de que muitas desordens da vida adulta, desde dificuldades de relacionamento até a depressão, têm suas primeiras manifestações na infância – e em muitos casos poderiam ser evitadas com tratamento precoce. Esse tratamento é relativamente simples. Em poucas semanas de acompanhamento psicológico, Letícia já consegue dormir sem o relógio ao lado da cama e se mostra mais tranquila.
A grande dificuldade, em casos como o dela, é o diagnóstico. Apesar de serem tão comuns, os distúrbios de ansiedade costumam passar despercebidos – talvez porque seus sintomas comportamentais sejam tão parecidos com virtudes. É o caso de Vitória de Anchieta Custódio, de 10 anos. Ótima aluna, ela não se conforma com notas menores que 9. Está sempre preocupada com a saúde dos avós. Quando eles adoecem, pergunta o tempo todo à mãe sobre o estado de saúde deles. Vitória não cede à tentação do consumo desenfreado e até rejeita presentes: ela se importa com a situação financeira da família. Se chove, Vitória liga para o pai para saber se está tudo bem e se ele voltará para casa em segurança. Tem poucos amigos – e se dedica extremamente a eles. Parece, enfim, uma menina exemplar. Mas suas características dão sinais de uma espécie de sofrimento.
É difícil atinar que as qualidades tão prezadas nos filhos possam indicar problemas. Tão difícil que mesmo os sintomas físicos costumam ser ignorados. Em 80% dos casos a ansiedade vem acompanhada de manifestações como náusea, vômitos, dores de barriga, úlceras, diarreia, falta de ar, fraqueza ou até queda de cabelo. Em geral, os pais procuram pediatras queixando-se do problema orgânico e a ansiedade fica mascarada.
Se o pediatra levanta a possibilidade de ser algo psicológico, muitos pais reagem mal. “Nós sofremos muita pressão dos amigos quando dissemos que a Vitória iria a um psicólogo, mas hoje ela está bem melhor”, diz a mãe, Carla Parreira.
Para tentar sanar a subnotificação do distúrbio, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou uma campanha com os pediatras, orientando-os para os sintomas mais comuns. “Percebemos que a maioria dos casos de dores abdominais persistentes e também de perda de peso tem origem psicológica. A orientação aos pediatras é que eles considerem essa possibilidade no diagnóstico”, diz Eduardo da Silva Vaz, presidente da SBP. Ele afirma que crianças “terceirizadas” são mais propensas a sofrer ansiedade por causa da separação. “Hoje as mães trabalham e muitas costumam deixar os filhos com babás. Quem tem filho tem de saber que nos primeiros anos de vida é essencial ter tempo para ele.”
Para Fabio Barbirato, coordenador do Capia, no Rio, o número de diagnósticos cresceu porque os profissionais estudam mais o transtorno e estão mais capacitados para detectá-lo. Cresceu também a quantidade de psiquiatras infantis no Brasil. Há dez anos eram 150, hoje são 600. Mas, sem a ajuda dos pediatras, a maioria dos casos de ansiedade ainda ficará sem tratamento. E crianças ansiosas dificilmente serão curadas sozinhas. Barbirato diz que o mais comum é que se tornem adultos ansiosos, que passarão a noite em claro na véspera de apresentar um projeto corriqueiro no trabalho e evitarão situações sociais nas quais se sintam desconfortáveis. De acordo com estudos internacionais, em 80% dos casos um menino ansioso vira um adulto deprimido.
É possível que o número de casos no Brasil esteja crescendo apenas como consequência de melhoras no processo de diagnóstico. Mas os médicos também apontam uma tendência social. As crianças de hoje, segundo Barbirato, estão expostas a mais pressão. “Com 5, 6 anos, eles já estão se preparando para os vestibulinhos. A nota média nas escolas subiu e existe uma cobrança maior por desempenho”, diz. A violência também provoca a ansiedade. Psicólogos relataram um aumento de consultas no período em que se noticiou o caso da menina Isabella Nardoni, jogada da janela do apartamento do pai, em São Paulo. Outro fator de estresse seria a exposição às conversas de adultos. As crianças estariam, hoje, mais expostas a discussões sobre dinheiro, brigas dos pais, conflitos no trabalho ou na sociedade. Sem maturidade para saber que estão protegidas, as crianças fantasiam perigos.

Ansiedade é como alergia. Você tem uma reação desproporcional a algo corriqueiro

Há, porém, a opinião oposta. “As crianças de hoje são protegidas demais”, diz a filósofa e escritora Tania Zagury, autora de Limites sem trauma. “Elas são pouco exigidas. Então quando chega a hora de um vestibulinho, de uma cobrança na escola, elas não sabem como lidar, não foram preparadas.” Para Tania, a ansiedade é fruto do imediatismo que tomou conta da sociedade.
Ou talvez não seja nada disso. Segundo um estudo publicado no mês passado na revista Nature, a ansiedade pode estar gravada em nosso DNA tanto quanto a cor dos olhos ou do cabelo. Embora fatores externos exerçam influência, a predisposição para a ansiedade seria hereditária. Cientistas do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, monitoraram um grupo de 1.500 macacos e constataram que os 238 mais ansiosos eram da mesma família. Um mapeamento cerebral dos animais mostrou que as duas áreas do cérebro mais ligadas a esse sentimento, a amígdala e o hipocampo, funcionavam de forma parecida no grupo, com a atividade intensa, maior do que nos mais calmos, assim que uma possível ameaça surgia.
As duas regiões do cérebro são responsáveis por identificar um problema e decidir uma resposta a ele. No grupo de macacos mais ansiosos, a reação era exagerada – como nos ansiosos humanos – e se mantinha mesmo depois que a ameaça cessava. “O estudo é um grande passo para mostrar que a ansiedade é muito mais biológica do que imaginamos”, disse Ned Kalin, neurologista da Universidade de Wisconsin.
Não é incomum haver irmãos ansiosos. O irmão menor de Vitória, Gabriel, fez tratamento quando tinha 7 anos. Entre os pacientes da Santa Casa, 88% têm um pai ou uma mãe ansioso. “Isso muitas vezes dificulta o tratamento porque o pai, por ser ansioso, acha o filho normal e diz que com o tempo passa”, diz Barbirato.
Um dos maiores obstáculos para identificar o transtorno é que o problema não está na existência da ansiedade, mas no grau em que ela aparece. A ansiedade faz parte da vida. Desde a tenra infância, os desafios que enfrentamos podem provocar retração, busca de apoio, aversão ao risco, até falta de confiança em si mesmo. Normalmente, esses problemas desaparecem quando a criança aprende a lidar com a situação nova ou quando a situação muda. É assim com a troca de escola, entrar na piscina ou no mar, fazer provas etc. A ansiedade é um mecanismo de proteção. Em 1996, fez sucesso um livro do então presidente da Intel, Andy Grove, defendendo a tese de que, no mundo dos negócios, só os paranoicos sobrevivem. “Em quantidade normal, a ansiedade pode fazer a pessoa crescer e se desenvolver”, diz a psicóloga Lilian Lerner de Castro, vice-presidente da Associação dos Portadores de Transtorno de Ansiedade (Aporta).
Ansiedade de menos é ruim. Relaxados, somos mais vulneráveis. Um estudo da seguradora inglesa Elephant mostrou que 65% dos acidentes de carro acontecem num raio de menos de 10 quilômetros de casa – quando nos sentimos tranquilos e baixamos a guarda. Mas ansiedade demais paralisa. “Enquanto o deprimido remói o passado, o ansioso vive preso no futuro”, diz Angela Donato Oliva, professora de pós-graduação do Programa de Psicologia Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A ansiedade é como uma forte alergia psicológica. Você tem uma reação desproporcional a algo que, para os outros, é corriqueiro.”
No caso de uma criança assim, a simples ida à casa de um coleguinha detona uma onda de preocupação e expectativa exacerbada. “Quando a gente dizia que ele iria visitar algum amigo, o Bruno ficava perguntando quando ia ser, como ia ser. Se preocupava com tudo, com a roupa que ia, quem ia levar, que horas ia voltar. Isso às vezes semanas antes”, diz a professora Fátima Aparecida Borges da Costa, mãe de Bruno, de 9 anos, que faz terapia para combater a ansiedade.
Se é assim com visitas, o que dizer de mudanças mais radicais? Gabriele Rodolfo, de 9 anos, teve de trocar de escola quando os pais se separaram. Não aceitou. Teve medo dos novos colegas e professores. Horas antes da aula ela começava a ter ânsias de vômito. Levada à força, tinha crises de choro. A mãe, Fátima Fernandes, acabou tirando-a da escola e hoje ela tem uma professora particular. Ainda assim, Gabriele só aceitou a presença da estranha depois que começou o tratamento contra a ansiedade. “Ela passou a ter medo de tudo e é muito tímida”, diz a mãe.
Crianças que são “pequenos adultos”, muito responsáveis, também podem ser ansiosas. Quando Bruno começou a demonstrar preocupações incompatíveis com sua idade, a mãe desconfiou que havia algo de errado. “A gente dava um presente e ele perguntava: mas você vai poder pagar isso? No início eu achava que ele fosse só um menino responsável, o filho-padrão que todo pai quer ter”, diz Fátima. Quando ele soube que a mãe trabalharia no Censo e ia ter de entrevistar pessoas, Bruno começou a temer que ela encontrasse algum maníaco. O garoto começou a ter descamações na pele. Os medos foram evoluindo a ponto de Bruno não conseguir mais dormir sozinho. Hoje, o garoto está sendo acompanhado por um psicólogo e já mostra sinais de melhora.
Os pais têm papel fundamental no tratamento. E o ingrediente mais importante é paciência, misturada com carinho. Na maioria das vezes, a ansiedade é temporária. Pesquisas mostram que 90% das crianças entre 2 e 14 anos têm pelo menos um temor específico. Até os 2 anos, pode ser o medo de separar-se dos pais ou o susto com barulhos fortes. De 3 a 6 anos, os mais comuns são os medos de seres imaginários ou do escuro. Entre 7 e 16 anos, os temores podem ser de se machucar, ir mal na escola, desastres naturais. Como saber, então, se a ansiedade passou dos limites aceitáveis? Especialistas afirmam que os pais devem se preocupar quando a criança der sinais claros de estar sofrendo, quando o transtorno afetar sua rotina (notas baixas, vida social afetada) ou quando ela passar a apresentar sintomas físicos.
O tratamento pode envolver apenas acompanhamento psicológico e, em alguns casos, medicação (em geral, para aumentar o nível de serotonina, que provoca sensações de relaxamento). A terapia, sozinha, leva entre dois e quatro meses para mostrar resultados. Quando tratadas só com medicação, as crianças apresentam melhora em apenas 15 dias, mas o índice de recaída é alto, de 30%.
Perceber o problema e tratá-lo pode mudar a vida de quem sofre do transtorno. Em 2009, Graziela de Caro, de 16 anos, fez inscrição para concursos seletivos em escolas técnicas do Rio. Durante a preparação, seu comportamento mudou. “Ela sempre achava que estava muito doente, que alguma coisa ruim ia acontecer. Isso desestruturava toda a família”, afirma a mãe, a funcionária pública Marinele Reis, de 40 anos. Graziela acordava de madrugada com medo. Tinha dor de cabeça, tonturas, ia ao médico, que nada encontrava. Acabou não passando nas provas. No ano passado, começou a fazer tratamento. “Ela ficou mais tranquila e, agora, passou para a Fundação Oswaldo Cruz”, diz Marinele. Graziela concorria com outros 30 alunos no curso de gerência de saúde. Livre da ansiedade, conseguiu.

Época

Foragido há 2 meses, Mizael vive “preso”, diz advogado


Mizael Bispo, ex-namorado da advogada Mércia Nakashima, assassinada em maio do ano passado, está há quase dois meses foragido da polícia. Nesta segunda-feira (7), completam-se dois meses que a Justiça decretou a prisão preventiva do policial reformado e advogado. Apesar de Mizael estar foragido, Ivon Ribeiro, um de seus advogados, diz que o acusado vive hoje como se estivesse preso.
- Engana-se quem pensa que ele não está preso. É uma vida difícil. É uma pena antecipada.
Os cerca de 300 processos que eram conduzidos pelo escritório de Mizael, que é advogado, foram transferidos por tempo indeterminado para as mãos de Ribeiro e de um outro advogado amigo do réu.
Em 7 de dezembro passado, a Justiça também mandou prender Evandro Bezerra da Silva, que era vigia em um posto de gasolina em Guarulhos (Grande São Paulo). Foragido, ele é acusado de ter ajudado Mizael a concretizar o crime.

"País de impunidade"
Para a família da vítima, a sensação continua sendo de impunidade. Márcio Nakashima, irmão de Mércia, contou que não tem sido informado sobre os esforços da polícia para encontrar os acusados. Para ele, Mizael não vai se entregar.
Questionado se ele acredita na prisão de Mizael antes do julgamento, ainda sem data definida, Márcio disse que todos tentam manter a esperança, mas sem criar muita expectativa.
- Vivemos num país de impunidade. Um país que gosta de assassinos.
Ele se referia à decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o italiano Cesare Battisti, acusado de matar quatro pessoas na Itália.
O irmão da vítima, desiludido com a falta de notícias do acusado, conta que já não recebe muitas informações do paradeiro de Mizael.
- O caso esfriou um pouco e sumiu da mídia. As pessoas esquecem e já não ficam tão atentas.
Márcio diz que chegou a receber informações de possíveis esconderijos de Mizael. Ele afirma que repassou os dados para a polícia, mas não teve nenhuma informação se os endereços foram checados.
Para o defensor de Mizael, o fato de seu cliente ainda não ter se entregado é um direito dele.
- Vamos esgotar todos os recursos. E estou confiante que não precisaremos usá-los.
O pedido de liminar [decisão provisória] para deixar o acusado em liberdade já foi negado pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça). Para decidir os próximos passado, os advogados do réu aguardam o julgamento do mérito do habeas corpus de libertação [decisão definitiva], que deve ser feito pelo TJ nas próximas semanas.
- Se for negado, entramos novamente com a ação no STJ.

Foragidos
Só no Estado de São Paulo há cerca de 152 mil foragidos da Justiça, segundo informações da SSP (Secretaria de Segurança Pública). O órgão não divulga oficialmente quantos policiais compõem a Divisão de Capturas, responsáveis pelas prisões.
Além dos acusados de matar Mércia, a polícia está à procura do ex-médico Roger Abdelmassih, acusado de estuprar pacientes, e do estudante Jonathan Domingues, suspeito de espancar no ano passado homossexuais na avenida Paulista.
No final do mês passado, quando Waldomiro Milanesi assumiu o divisão, o delegado admitiu que deve priorizar os casos com clamor público. Mas, até agora, nenhum dos foragidos mais conhecidos foram encontrados.
A reportagem do R7 questionou a SSP sobre o andamento da busca a Mizael e Evandro e foi informada que nada poderia ser divulgado para não atrapalhar as investigações. O advogado do ex-namorado de Mércia também não dá pistas de onde está seu cliente.


Fernandinho Beira-Mar é transferido para Mossoró (RN)



Esta é a 13ª transferência de Beira-Mar desde abril de 2001, quando foi preso

O traficante Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e outros cinco detentos foram transferidos no sábado (5) do presídio federal de Catanduvas, no Paraná, para o Rio Grande do Norte.
Beira-Mar e os demais presos foram levados para a penitenciária de Mossoró em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) fretado pela Polícia Federal. A transferência faz parte de um sistema de rodízio aplicado ao traficante desde 2006.
A unidade de Mossoró é uma das cinco penitenciárias federais do Brasil e a única no Nordeste. O presídio, que tem capacidade para abrigar 208 homens e área coberta de 13 mil metros quadrados, fica localizado no Complexo Mário Negócio, a cerca de 15 km do centro da cidade de Mossoró.
Esta foi a 13ª transferência de Beira-Mar desde abril de 2001, quando foi preso em uma ação conjunta das polícias de Colômbia e Brasil. Desde então, ele já passou pelos presídios de Bangu, no Rio de Janeiro, Maceió, Florianópolis e Brasília.


R7

Internada para cirurgia na boca, criança é operada na barriga em SP


Mãe diz ter se assustado ao ver curativo no filho, em Bertioga.
Secretaria da Saúde diz ter instaurado sindicância para apurar o caso.

Uma criança de 10 anos internada para uma operação na boca em Bertioga, no litoral de São Paulo, foi operada na barriga - de uma hérnia que, segundo a mãe, jamais foi diagnosticada.
O nódulo no lábio que o atrapalha na hora das refeições continua intacto. Mais abaixo está o curativo da cirurgia que não estava prevista.
A mãe dele, Lucinéia Matias Castro, diz ter ficado assustada ao ver o filho após o procedimento. Segundo ela, o filho vinha sendo avaliado desde junho do ano passado e constam de todos os documentos o pedido específico para a cirurgia no lábio. "A médica estava ciente do problema na boca dele. Ela chegou a vê-lo três vezes. E nunca falou nada sobre hérnia."
A cirurgia foi realizada na quinta no Hospital Municipal de Bertioga. O menino teve alta no mesmo dia. Uma sindicância foi aberta para apurar o caso.
"A médica me disse: 'Eu tirei uma hérnia do seu filho. Esqueci o caroço de cima, mas tirei o de baixo'", conta a mãe.
A Secretaria da Saúde de Bertioga diz que só vai se pronunciar sobre o caso após a conclusão da sindicância.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

Polícia procura gêmeas suíças após suicídio do pai


Policiais de três países estão à procura de duas meninas gêmeas de seis anos que estão desaparecidas após terem sido sequestradas pelo pai, que se matou dias depois.

Matthias Schepp, cidadão suíço nascido no Canadá, havia buscado as meninas na casa da mãe, de quem estava separado, no sábado, dia 29 de janeiro.
Depois de deixar a casa em St. Sulpice, na Suíça, ele teria viajado para França e Itália, onde se jogou embaixo de um trem na sexta-feira.
Helicópteros, cães farejadores e muitos voluntários estão trabalhando nas buscas pelas gêmeas.

Carta
Na segunda-feira, dia 31, Schepp enviou uma carta à sua esposa da cidade de Marseille, na França, dizendo que estava desesperado e que não conseguiria viver sem ela, mas sem mencionar as filhas, segundo relatos da agência de notícias italiana Ansa.
De acordo com informações do jornal italiano La Repubblica, entre segunda e terça-feira, ele teria sacado 7,5 mil euros de cinco caixas automáticos diferentes em Marseille. Quando ele morreu, havia cerca de 100 euros em sua carteira.
A polícia estuda a possibilidade de que ele tenha usado o dinheiro para pagar alguém para cuidar das crianças.
O corpo de Schepp foi encontrado nos trilhos de trem perto da cidade de Cerignola, na região de Puglia, na Itália. Seu carro estava próximo do local.
Os investigadores dizem não saber se Schepp levou as filhas com ele em suas viagens para a França e Itália.
Voluntários e policiais suíços, franceses e italianos realizam buscas na região de Puglia, vasculhando poços e caixas d'água, e uma vasta área também está sendo sobrevoada por helicópteros.
No sábado, moradores de St. Sulpice, de onde as gêmeas foram levadas, realizaram uma marcha pela cidade em apoio à família.




Enfermaria do tráfico é encontrada durante ocupação no Rio


Policias localizaram uma enfermaria do tráfico no morro da Mineira e prenderam o médico alemão, identificado apenas como Doutor Kai, neste domingo, durante ocupação no Complexo de São Carlos, no centro do Rio de Janeiro.
A operação policial que deu início ao processo de instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras) nos morros São Carlos, Zinco, Querosene, Mineira, Coroa, Fallet, Fogueteiro, Escondidinho e Prazeres começou por volta das 6h da manhã. Participam da operação 700 homens das polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal e Marinha do Brasil.

Saldo da operação
A megaoperação da Polícia Militar conseguiu, em cerca de duas horas, concluir a ocupação de nove comunidades na região do Complexo de São Carlos, no Rio de Janeiro. Cerca de 700 policiais estavam envolvidos na ação.
“A luta é do cidadão de bem contra o crime. Tenho certeza que daqui nós podemos levar essas ações para outros estados e, quem sabe, diminuir o índice de criminalidade”, afirmou o secretário de segurança pública do Rio, José Mariano Beltrame, em entrevista coletiva na manhã deste domingo.
Reunido com os comandantes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária e da Marinha, o secretário comentou o êxito da operação com planejamento. De acordo com o comandante-geral da PM, Mário Sérgio Duarte, “houve uma grande preparação para que a ação tivesse, em tempo e espaço anteriormente pensados, sucesso”.

Bárbara Forte


eBand

Travestis menores de idade serão devolvidos aos pais



Polícia de São Paulo descobriu esquema de tráfico e exploração sexual

Os seis travestis menores de idade detidos na quarta-feira (2) pela polícia de São Paulo por serem vítimas de um suposto esquema de tráfico sexual serão devolvidos a seus pais, no Nordeste do país. Antes, eles vão passar pelo Conselho Tutelar de São Paulo.
O esquema foi descoberto durante a investigação sobre o paradeiro de um adolescente do Pará que estava desaparecido desde 27 de dezembro. A busca foi deflagrada a pedido da Polícia Civil paraense.
As investigações levaram os policiais a dois imóveis em São Paulo, um no centro e um na zona norte, onde foram encontrados 85 travestis, que se prostituiam. Entre eles, estavam os seis adolescentes. O jovem de 15 anos procurado no Pará também foi encontrado no imóvel do Cambuci, na região central.
A outra pensão ficava no início da avenida Cruzeiro do Sul. Além do Pará, a polícia achou vítimas de Alagoas, Amapá, Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. A maioria das vítimas tinha entre 18 e 23 anos.


R7

65 países unidos para colaborar com o “Dia Mundial da Internet Segura”


Parcerias com instituições, como escolas, governos e veículos de comunicação são muito importantes para a realização de oficinas, debates, chats, concursos, cartilhas, matérias de conscientização, e demais atividades relacionadas ao Dia da Internet Segura

da Andi Brasil

O Dia Mundial da Internet Segura (“Safer Internet Day”), que este ano será comemorado no dia 08 de fevereiro, é uma iniciativa que mobiliza 65 países de todo o mundo para promover o uso seguro da Internet. A ideia é proveniente da INSAFE, uma rede que agrupa as organizações que trabalham na promoção do uso consciente da Internet nos países da União Européia (EU). Na edição 2009 do Dia da Internet Segura, o evento contou com a adesão de 50 países, passando para 60 em 2010, e para este ano já mobiliza 65 países, que na semana de 08 de fevereiro estarão unidos para promover a segurança na rede. O tema deste ano é: "Estar online é mais que um jogo. É sua vida".

No Brasil a organização do evento está sob a responsabilidade da SaferNet Brasil (https://www.safernet.org.br/),
do Ministério Público (http://www.prsp.mpf.gov.br/) e do Comitê Gestor da Internet (http://www.cgi.br/).

Parcerias com instituições, como escolas, governos e veículos de comunicação são muito importantes para a realização de oficinas, debates, chats, concursos, cartilhas, matérias de conscientização e demais atividades relacionadas ao Dia da Internet Segura.

Mais informações podem ser obtidas pelo site: http://www.diadainternetsegura.org.br/


Polícia Civil investiga caso de racismo contra criança em supermercado de São Paulo


A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso de racismo contra uma criança negra de 10 anos no Hipermercado Extra da Marginal do Tietê, na Penha, Zona Leste da cidade. Acusado de furto na saída do supermercado no último dia 13, o menino foi levado por três seguranças a uma sala reservada, onde, segundo contou, foi chamado de "negrinho sujo e fedido" e obrigado a tirar a roupa. Ele não havia furtado nada. O supermercado nega a acusação.
Na segunda-feira, a defesa da família vai entrar com ação civil por danos morais contra o Extra. Representantes do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) se reuniram nesta quinta-feira com o delegado responsável pelo caso, Marcos Aníbal Andrade, para exigir "investigação exemplar". A Comissão de Igualdade Racial da Seção Paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) também instaurou procedimento para acompanhar o caso. O Grupo Pão de Açúcar, proprietário da marca Extra, nega que tenha havido racismo.
Segundo boletim de ocorrência registrado no 10º Distrito Policial, na Penha, só após revistarem e insultarem a criança, os seguranças verificaram a nota fiscal dos produtos que ele levava - dois pacotes de biscoitos, dois pacotes de salgadinhos e um refrigerante, todos pagos pelo garoto (R$ 14,65), conforme mostra cupom fiscal anexado ao inquérito. "Eles pediram para eu abaixar a bermuda até os pés e me fizeram tirar a camiseta cinco vezes. Não acreditavam que eu não tinha roubado nada", contou o menino.
O garoto também relatou ter sido ameaçado com canivete por um segurança que descreveu como "japonês" (de feições orientais). "Ele batia na mesa com um papelão enrolado e dizia: ‘Olha para cá, negrinho. Isso é bom para bater’. Também passava o canivete perto da minha barriga e dizia que ia pegar o chicote”, contou a criança.
Outros dois adolescentes, também negros, de 12 e 13 anos, que o menino diz conhecer de vista e ter encontrado casualmente dentro do supermercado, também foram levados à sala pelos seguranças. E lá os dois teriam sido agredidos com "dois murros e dois tapas". Segundo o Extra, estes dois adolescentes haviam furtado itens do supermercado. A empresa admitiu, porém, conforme relatou um funcionário à polícia em um primeiro depoimento, que o menino não havia furtado nada. Mas o grupo nega tanto agressões físicas quanto discriminação racial.
Em nota oficial, o Grupo Pão de Açúcar afirmou que colabora com a polícia e "aguarda a investigação dos órgãos competentes para esclarecimento do fato". Também informou que "pauta suas ações no respeito irrestrito à legislação e aos consumidores e promove contínuo treinamento dos seus colaboradores para o cumprimento das leis e do Código de Ética do Grupo".


A Tribuna

Presídios têm 50 assassinatos em 6 anos

Crise no sistema prisional se agravou no início desse ano, com a greve dos agentes penitenciários logo no começo de janeiro; alguns profissionais são acusados de participação nos homicídios. (Foto: Marcelo Albuquerque)

Sem condições adequadas de funcionamento, e quase sempre superlotadas, unidades prisionais de Alagoas vivem tensão permanente

A morte atravessa as grades. A covardia também. Os presos não. Eles ficam lá dentro, espancados, torturados e mortos nos presídios de Alagoas. O sistema é bruto, o Estado mata. Após dias de homicídios, tortura, prisões de agentes, demissões de diretores e envolvimento de servidores nas mortes de detentos, fica a pergunta: Para que serve a prisão?
O caos imediato apavora. Só que a crise é crônica, já dura anos e só aumenta. O sistema penitenciário foi à lona, perdeu por nocaute há mais de uma década e sangra com supercílios inchados. Nem por isso, deixa de sofrer novos e duríssimos golpes. O duplo assassinato dentro de uma enfermaria do Presídio Baldomero Cavalcante e a execução de um preso num banheiro do Cyridião Durval são “apenas” mais três a se somar numa sinistra estatística.
Só nos últimos seis anos, foram 50 assassinatos em presídios alagoanos. A comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) recebeu recentemente mais de 200 denúncias de tortura e espancamento praticados por agentes penitenciários. Após a última rebelião no Baldomero, vinte agentes são acusados de tortura. Dois foram presos na última quinta-feira.

Baldomero deve ganhar módulo seguro
Alguns prédios e lojas têm, mas os presídios de Alagoas não dispõem de um simples monitoramento de vídeo. Este é apenas um dos problemas apontados pelo próprio intendente do Igesp (Intendência Geral do Sistema Prisional). Segundo Carlos Luna, o Estado queimou fortunas com projetos mal elaborados, a estrutura física dos presídios é precária, não há uma política pública definida para o sistema e a burocracia impede que milhões enviados ao Estado sejam utilizados.
Entre as medidas que serão anunciadas, a mais urgente é a construção de um módulo seguro no Presídio Baldomero Cavalcante, com capacidade para 96 presos e uma estrutura totalmente diferente dos demais. “O Baldomero, além de ser frágil, tem uma concepção arquitetônica que não colabora para a segurança ou para a convivência dos presos. O dinheiro foi mal investido”, afirma Luna.

Falta monitoramento de vídeo nas celas
Sem câmeras de vídeo, fica mais complicado saber quem abriu os cadeados de quatro portões, passou por uma portaria, uma rampa e um setor de monitoramento para chegar à enfermaria e matar dois presos convalescentes. As gravações também poderiam intimidar supostas torturas ou ajudar a identificar os torturadores.
Segundo o representante da OAB, Gilberto Irineu, os exames realizados em quinze presos, após a última rebelião, apontaram lesões corporais cometidas com cabos de aço, barras de ferro, fios, socos e pontapés. Só isso já desmentiria a versão dos agentes que só usaram armas não letais autorizadas para conter os rebelados.
Para Irineu, “foram mais de trinta torturadores que agiram nos módulos I, IV e VI do Baldomero. Só no módulo I, foram 19 acusados. O exame de corpo de delito constatou lesões de tortura, houve espancamento e os presos foram agredidos por agentes penitenciários”, anuncia o advogado.
Sindicato diz que Estado perdeu verbas
Os últimos dias não foram fáceis para o Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindapen). Relacionada a rebeliões, torturas e mortes, a greve de duas semanas foi encerrada sem nenhuma conquista salarial. Na volta ao trabalho, a categoria se deparou com suspeitas de envolvimento de colegas em homicídios e denúncias de tortura contra mais de vinte agentes. Dois deles já passaram para o outro lado das grades.
Ao saber da prisão dos companheiros, o presidente do sindicato, Jarbas de Souza, reagiu dizendo que, na próxima rebelião, os agentes vão se retirar do presídio “para que o Ministério Público, a igreja e o Bope entrem e resolvam”. Segundo a entidade, o grupo de agentes acusados entrou no presídio para conter uma rebelião de 400 presos, foi recebida com agressões, pedradas e precisou usar da força, mas apenas com armamentos como balas de borracha, spray de pimenta e bombas de efeito moral.

Categoria defende presos dentro da cela
Questionado sobre soluções para a crise do sistema, Jarbas Souza afirma logo que os presos deveriam ficar dentro das celas o dia inteiro, o que evitaria muito contato e confusão entre eles. “Mas eles ficam no destranca (em áreas comuns) o dia todo”. Para os agentes, um dos casos mais críticos é a Casa de Custódia, que deveria servir apenas como triagem provisória e não foi projetada com área para banho de sol.
Após uma rebelião, os presos conquistaram o direito de sair das celas para ficar numa área interna. “Não há banho de sol e eles ficam o dia todo numa área comum fechada”. Jarbas afirma que o sistema não cumpre o que preconiza a Lei de Execuções Penais (LEP). “Pela LEP, deveria haver a individualização do preso, colocar traficante com traficante, assaltante com assaltante”.

Agentes se dizem “desmotivados”
Segundo o sindicalista, as acusações de tortura também são injustas e estão desmotivando a categoria para exercer seu papel. “Havia 400 presos rebelados, agressivos, jogando pedras, jogando tudo. Entramos para controlar, usamos bala de borracha e fomos acusados de tortura, não sabemos mais o que fazer quando tiver outra rebelião, é um mato sem cachorro. Na hora da ação, do uso da força, o agente vai responder por tortura?”.
O inquérito policial, a sindicância da corregedoria e as investigações do Ministério Público ainda vão dar muito que falar. Num momento tão estranho como o atual, um ponto de interrogação cai como uma bomba no teto do presídio e na cabeça da opinião pública: Afinal, quem são os bandidos, os heróis e
as vítimas?

Projeto para novo presídio ainda segue sem definição
A intendência também garante medidas de impacto na gestão de recursos humanos. O principal desafio é combater a desmotivação dos funcionários. “E não é só a questão salarial. Tudo o que a gente vem falando, de falta de estrutura física, de uma política nacional para o sistema e de problemas que vão de encontro à LEP, ataca a auto-estima dos agentes e de todo o quadro do sistema”, afirma o intendente Carlos Luna.
Para o tenente-coronel, o que mais desmotiva é a falta de perspectiva de ascensão social ou econômica. “Entra agente e sai agente, se ele faz um curso, uma atividade de gestão, ele não se engrandece. As mudanças do sistema passam por uma qualificação profissional, através do Plano de Cargos e Carreiras do servidor público que está sendo elaborado pela Secretaria de Gestão Pública”.


Caso de meio-irmão proibido de doar rim para francesa causa polêmica


A decisão de um comitê de biomedicina francês que impede um meio-irmão de doar um rim por ele não ser reconhecido juridicamente como tal está provocando polêmica no país.

Jean-Pierre Serrurrier nasceu de uma relação extraconjugal do pai de Martine Courrier, de 59 anos, que sofre de insuficiência renal há dois anos e precisa realizar diálises três vezes por semana.
Serrurrier nunca foi reconhecido pelo genitor biológico. Ele foi legalmente registrado, aos 7 anos, como filho do então marido de sua mãe, de quem recebeu o sobrenome.
Serrurrier, de 52 anos, considerado pelos médicos como 99% geneticamente compatível com Courrier, se ofereceu para lhe doar um rim, mas como eles não possuem parentesco perante os olhos da lei, o comitê de biomedicina se recusa a autorizar o transplante.
Na França, segundo a lei de bioética, um doador vivo pode somente doar órgãos a parentes, como filhos, irmãos, avós ou primos, cujos laços familiares sejam reconhecidos nos documentos de estado civil.

Encontro
Martine Courrier descobriu a existência do meio-irmão quando tinha 21 anos.
“Passei 12 anos tentando localizá-lo e faz 25 anos que o encontrei. Temos uma relação muito próxima, nos vemos regularmente. Ele é meu irmão”, disse Courrier à BBC Brasil.
“Nossa relação à muito anterior à minha doença”, afirma. O dossiê apresentado ao comitê de biomedicina reunia dezenas de fotos que comprovam a antiga relação entre os meio-irmãos e também um atestado do pai afirmando que Serrurrier é seu filho biológico, além de exames genéticos.
“A vida de minha irmã é tudo o que conta para mim e quero que nossa relação dure o máximo possível”, diz Serrurrier para justificar seu desejo de doar um rim para Courrier.
“A decisão do comitê é injusta. Fiquei com raiva”, diz ele.

Caso reexaminado
Em razão da polêmica causada pela proibição do transplante, o ministro francês da Saúde, Xavier Bertrand, pediu que o caso seja reexaminado pela agência de biomedicina.
O ministro declarou que “devido à importância terapêutica e ao consentimento do doador”, ele avalia “ser normal que a doação possa ser realizada”.
A nova decisão sobre o transplante, que será tomada pelo ministro, deve ser anunciada no prazo de um mês.
“Continuo tendo esperanças de que o transplante será aprovado”, afirma Courrier.
Sua advogada, Nicoletta Tonti-Bernard, disse à BBC Brasil que pediu ao ministro para “interpretar de maneira mais ampla o conceito de irmãos”. Ela solicitou, em um recurso, que o ministro considere que Courrier e Serrurrier são irmãos, não do ponto de vista jurídico, mas biológico, “o que permitiria autorizar a doação sem mudar a lei”.
Na França, a grande maioria dos órgãos transplantados foram doados por pessoas falecidas.
Dos 2.826 transplantes realizados em 2009, apenas 223 foram realizados graças à doação de órgãos de pessoas vivas, segundo a agência de biomedicina francesa.

Daniela Fernandes


sábado, 5 de fevereiro de 2011

Trote na Universidade de Brasília tem confusão e menor alcoolizada



Veteranos teriam agredido integrantes do DCE que tentaram impedir trote.
Menor alcoolizada teve de ser socorrida pelos bombeiros.

Uma manifestação de integrantes do Diretório Central dos Estudantes contra a realização de trote na Universidade de Brasília (UnB) acabou em confusão nesta sexta-feira (4), dia em que a instituição divulgou o resultado do vestibular.
Estudantes veteranos, que queriam aplicar o trote nos novos universitários, jogaram ovos no grupo que tentava evitar a brincadeira violenta. Houve discussão e o estudante e integrante do DCE Augusto Botelho conta que foi agredido.
“Eles jogavam coisas na gente e saíam. Até que chegou o momento que culminou neste soco que eu nem vi quem foi”, afirmou.
A iniciação dos calouros começou pela manhã e a parte da tarde foi regada a muita bebida. Uma caloura, menor de idade, teve que ser socorrida pelos bombeiros completamente alcoolizada. “Eles fazem uso de álcool. Já faz parte eles usarem bebidas nesses trotes”, conta um policial.
A prefeitura do campus vai abrir investigação interna para identificar todos os envolvidos e estuda outras medidas de segurança na UnB.
Após trote polêmico, alunos da UnB fazem recepção 'humana' a calouros Governo pede explicações sobre trote na UnB “Cada vez que houver divulgação dos resultados vou chamar a Polícia Militar desde cedo para fazer o patrulhamento da área de divulgação. E em uma medida extrema podemos até suspender essa forma de divulgação, o que é lamentável”, afirma Paulo César Marques, prefeito do campus.
A polêmica dos trotes está na pauta da universidade. Uma comissão investiga abusos cometidos por estudantes de agronomia que submeteram alunas situações obscenas.
A reitoria também colocou uma resolução com regras de convivência em discussão no site da UnB - uma espécie de consulta pública à comunidade acadêmica. O documento que vai ser apresentado ao Conselho Universitário proíbe os trotes que submetam os alunos a ações de tortura ou castigo cruel, desumano ou degradante e a situações de discriminação de qualquer natureza.
Nos corredores da universidade, o debate é grande. “Creio que a própria instituição deveria organizar e estimular para que não haja excessos e quais as datas que deveriam ocorrer os trotes”, indica o estudante Sílvio Pereira Júnior.
“Tacar farinha, ovo, vinagre e tratar o calouro como bicho? Não temos dúvidas que é uma afronta com a convenção dos direitos humanos”, diz Jonatas Moretti, estudante de serviço social.


G1

Câncer deve atingir neste ano 500 mil brasileiros


Gastos do SUS com tratamento da doença cresceram 20% entre 2000 e 2007

O Brasil deve registrar neste ano 500 mil novos casos de câncer, segundo estimativa divulgada ontem pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). O dado indica um leve aumento em relação à previsão feita no ano passado pela entidade, de 489 mil casos.
A aceleração da ocorrência de casos no País seria reflexo de uma tendência mundial, mas passou a ser registrada mais recentemente no Brasil por causa do envelhecimento da população e dos avanços no tratamento de doenças infecciosas, antigas causas mais frequentes de morte.
Segundo o Inca, os gastos do Ministério da Saúde com o atendimento de pacientes com câncer cresceu 20% entre 2000 e 2007, atingindo R$ 1,4 bilhão. São custos que cobrem a internação de 500 mil pessoas por ano, 235 mil sessões de quimioterapia e 100 mil de radioterapia por mês. "Estamos diante de um cenário provocado por progressos que permitiram o envelhecimento da população, mas que também proporcionaram hábitos como a alimentação inadequada e a falta de atividades físicas", alertou o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.
Durante evento que marcou o Dia Mundial do Câncer na sede do Inca, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que o novo governo pretende ampliar o acesso ao tratamento de câncer na rede pública e intensificar o controle de qualidade de exames preventivos, com o objetivo de impedir erros de diagnóstico.
Além do estabelecimento de convênios com a indústria farmacêutica para reduzir os preços de medicamentos, como alguns remédios indicados para o combate à leucemia, Padilha destacou que há um esforço para proporcionar a detecção precoce de alguns tipos da doença. Para evitar diagnósticos falhos, o ministério quer criar uma rede de monitoramento de 1,3 mil equipamentos usados para identificação do câncer de mama.
"Nós vamos criar um grande programa nacional de avaliação da qualidade dos exames de mamografia, para que as análises realizadas no Brasil tenham a qualidade necessária", afirmou.
Em parceria com o Inca, a pasta quer avaliar a qualidade de exames que detectam o câncer de colo uterino para ajudar municípios onde o índice de diagnósticos falhos chega a 50%, por causa de equipamentos degradados ou material inadequado.

Doenças crônicas
O Inca e o ministério lançaram um alerta para a necessidade de prevenir outras doenças crônicas, como diabete, doenças cardiovasculares e respiratórias. Um documento apresentado ontem aponta que, ao lado do câncer, elas consomem mais de 70% dos gastos com atendimento e tratamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e são responsáveis por 67% das mortes no País.
Em setembro, o governo deve apresentar na Assembleia Geral da ONU uma agenda estratégica de ações para reduzir o número de casos e o impacto do câncer e outras doenças crônicas no sistema público de saúde. O tema foi incluído na pauta do evento por decisão das Nações Unidas.

Bruno Boghossian

O zoológico vai ao Complexo do Alemão

Alessandra (E) disse que não ficou medo da arara e brincou com a ave Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia

Zoomóvel leva jacaré, cobra, arara e vídeos sobre a fauna para crianças da comunidade

Rio - O Zoológico do Rio enviou ontem seus representantes para o Complexo do Alemão. Animais como jacaré-de-papo-amarelo, cobra e arara puderam ser vistos de perto pelas crianças, que formaram fila na Vila Olímpica Carlos Castilho para acariciar os visitantes. O espaço dentro do Zoomóvel — um ônibus climatizado que exibe vídeos sobre a fauna brasileira — também foi muito disputado.
“Esse é um ônibus diferenciado, que não é utilizado para levar as crianças ao Zoológico. Pelo contrário, é o zoo que vai ao encontro delas. Meninos e meninas que nunca tiveram a oportunidade de ver esses animais de perto podem ter uma experiência única”, explicou Mônica Valéria Blum, presidente da Fundação RioZoo.
Filha da dona de casa Maria Aparecida Soares de Oliveira, 44 anos, a estudante Alessandra Soares da Silva, 7, ficou encantada. “Não fiquei com medo da arara nem do jacaré. Nunca tinha visto esses animais tão de pertinho. Fiz até carinho neles”, gaba-se.
Com interior estilizado, reproduzindo a fauna brasileira, o Zoomóvel exibiu animações sobre os ecossistemas do País. As crianças tiveram lições sobre preservação ambiental. “Aprendi que não se pode desmatar o planeta ou caçar os bichinhos. Também não pode jogar lixo no chão”, enumera a estudante Geovana Campos, 6 anos.
Técnicos do Centro de Educação Ambiental também apresentaram minipalestras para as crianças. “Elas precisam conhecer e tocar para gostar e preservar”, comenta o biólogo Pedro Paulo Farah.


Relatório de ONG indica que a Mata Atlântica perdeu 92% da sua vegetação

Mata Atlântica na região do Rio: solução seria a criação de novos parques e reservas para proteger a vegetação

Ele é considerado um mosaico de ecossistemas florestais e abrange áreas de 17 estados e mais de 3.200 municípios, a maioria das regiões Sul e Sudeste. O bioma da Mata Atlântica, no entanto, teve sua vegetação reduzida a 8% da original — por volta da época do Descobrimento, em 1500, ele ocupava 15% do território brasileiro. Hoje é considerado a quinta vegetação mais ameaçada do mundo, segundo a ONG Conservação Internacional (CI). Um diagnóstico apresentado pela WWF-Brasil e Reserva da Biosfera da Mata Atlântica indicam que os desafios de conservação da biodiversidade do bioma ainda são altos, já que metas estipuladas para 2010 não foram cumpridas. Entre elas, a redução de 100% na taxa de desmatamento e a conservação de pelo menos 10% do seu bioma. Além do diagnóstico negativo, as organizações apontam para ações que devem ser feitas nos próximos 10 anos, quando 17% da Mata Atlântica deverão estar protegidos.
“O desmatamento é a principal causa da perda de biodiversidade, que significa espécies, ecossistemas e variedade genética. Para 2020, as metas são muito ambiciosas. Se não zerarmos o desmatamento, vai ser difícil conquistá-las”, aponta o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Cláudio Maretti. De acordo com o estudo divulgado, entre 2008 e 2010 o bioma teve uma perda de 20,8 mil hectares. No entanto, observa-se que as taxas de desmatamento são decrescentes desde 1985. O problema está no desequilíbrio entre os estados: enquanto o bioma como um todo teve uma redução de 21% do desmatamento na comparação entre os períodos 2008-2010 e 2005-2008, o estado de Minas Gerais aumentou a taxa em 15%, perdendo, desde 2008, 125km², ou o equivalente a toda área de uma cidade como Vancouver (Canadá). Altos índices de desmatamento também são encontrados no Paraná (2.699ha) e em Santa Catarina (2.149ha). Além da agropecuária, a degradação do sistema está relacionada ao intenso processo de urbanização das áreas alcançadas pelo bioma e a obras de infraestrutura. Um exemplo citado por Maretti é a proposta da construção de um porto e uma ferrovia em Ilhéus (BA).

Avanços
O estudo se debruça em 51 metas nacionais para proteção da floresta, baseadas em diretrizes globais da Convenção das Nações Unidas sobre Conservação da Diversidade Biológica. Ele aponta que os maiores avanços no bioma ocorreram na área da produção do conhecimento — a Mata Atlântica conta com uma listagem completa das cerca de 16 mil plantas diferentes e das áreas prioritárias de conservação.
Mas para Maretti, muito ainda deverá ser feito para o alcance de novas metas: “Hoje, temos 8,9% do bioma em unidades de conservação públicas e privadas. Daqui para frente, o governo deve se empenhar em inventariar todas as áreas que ainda tenham interesse de proteção e fazer um esforço para criar novos parques e reservas pública. Uma ideia é aprovar a dedução do imposto de renda vinculada à conservação e promover o uso sustentável da biodiversidade”, defende.

A pior seca em cinco anos
A seca na Amazônia, em 2010, foi mais severa e mais generalizada que a de 2005 — considerada a mais grave da região nos últimos 100 anos. Estudo de pesquisadores brasileiros e britânicos, publicado na Science, indica que a estiagem de 2010 pode provocar a emissão de 5 bilhões de toneladas de CO². A de cinco anos antes emitiu entre 4,5 bilhões.


STF deve revogar a prisão de Abdelmassih, diz Mônica Bergamo


O STF (Supremo Tribunal Federal) se prepara neste mês para julgar o habeas corpus do médico, Roger Abdelmassih, acusado de estuprar mais de 50 pacientes. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, a tendência é de que o habeas corpus seja revogado após a tentativa do médico tentar renovar o passaporte, no final de dezembro do ano passado.
O habeas corpus determinava que Abdelmassih continuasse solto até o fim do processo. Mas, agora, o “julgamento pode complicar bastante a vida do médico”, diz Mônica. O pedido de renovação do passaporte provocou suspeitas da polícia e levou o Ministério Público a pedir a prisão do médico.
Dessa forma, a Justiça decidiu que ele devia ser detido para não fugir. Os advogados do acusado passaram então a sustentar que o médico tem direito de renovar o documento, que ele não fugiria e argumentaram que com esse habeas corpus a liberdade de Abdelmassih está garantida pelo Supremo.
Porém, segundo apurou a colunista, “o Supremo deve refogar esse habeas corpus, que seria o último fio de esperança do Dr. Roger de garantir a sua liberdade. Isso porque ele decidiu fugir agora em janeiro, ao invés de se apresentar”, disse. Ainda de acordo com a colunista, em casos como esse o STF costuma garantir o réu a liberdade até o fim do seu processo.
“Os processos tramitam de forma lenta, então a possibilidade de ele ser preso em médio prazo era muito remota, agora esse quadro mudou radicalmente”, completou. Se o Supremo derrubar o habeas corpus, Abdelmassih terá que cumprir a pena a qual foi condenado, de mais de 278 anos de prisão. “Ou o Dr. Roger se entrega e fica preso por muito tempo, ou ele passa o resto de seus dias fugindo da polícia”, concluiu a colunista.


Bebê faz sinal de positivo para mãe direto do útero


Ela estava preocupada, mas se sentiu bem melhor depois de ver o ultrassom

Donna, de 29 anos, vai ser mãe em breve. Seu bebê já tem 20 semanas. E ela estava extremamente apreensiva para saber se ele estava bem.
Bebê hippie faz "paz e amor" para mãe no ultrassom
Para tentar descobrir, ela fez o que naturalmente toda mãe faz: um ultrassom.
E, para sua surpresa, quem disse que estava tudo bem não foi o médico, foi o próprio bebê.
Ao jornal Metro, Donna, que é de Kent (Inglaterra), disse que ficou muito mais aliviada após ver a imagem.
- A imagem foi muito clara. Nós estávamos preocupados nas duas semanas anteriores ao ultrassom, mas está tudo bem.


R7

Assassinatos devolvem medo a moradores da Vila Cruzeiro


RIO - O clima nas comunidades do Complexo da Vila Cruzeiro, na Penha, é de apreensão. Desde que o local foi ocupado, no dia 25 de novembro de 2010, houve cinco homicídios na região, sendo que dois deles de pessoas sem envolvimento com o tráfico. Alguns moradores afirmam que elas foram assassinadas porque colaboraram com a polícia e com o Exército dando informações sobre os locais de esconderijos de drogas, armas e bandidos. A Divisão de Homicídios (DH) disse que ainda não há indícios de que elas foram executadas em represália.
Segundo a DH, as investigações sobre as mortes da dona de casa Maria da Penha dos Santos, de 47 anos, e de Mauro da Silva, de 46, já estão em fase final e apontam traficantes da Penha como autores dos assassinatos. De acordo com o laudo do IML, a primeira foi morta por um instrumento perfuro-contundente, como uma picareta. Ela foi executada no dia 26 de dezembro, na Vila Cruzeiro.

( Polícia já tem data e hora marcadas para ocupar nove favelas do Centro )

A outra vítima, Mauro da Silva, foi o primeiro a ser morto, em 19 de dezembro, por arma de fogo. Um outro homem assassinado na Vila Cruzeiro, no período da ocupação pelas Forças de Pacificação, foi Jonathan de Souza Cavalcanti, de 22 anos. A Divisão de Homicídios informou que ele tinha ligações com o tráfico de drogas e seu laudo cadavérico apontou que ele foi esfaqueado no pescoço.

Exército vê boato para desestabilizar pacificação
O comandante da Força de Pacificação, general de brigada Fernando Sardenberg, disse que todos os homicídios ocorridos na região do Alemão e da Penha têm sido comunicados à Polícia Civil:
- Não há nenhuma prova de que os moradores foram mortos porque ajudaram com informações. Trata-se de um boato para desestabilizar a Força de Pacificação. Sabemos que ainda há áreas em que as pessoas têm medo de denunciar. Por isso, temos o Disque Pacificação (0800-0217171) para que todos cooperem.
Há duas semanas, de acordo com o general Sardenberg, não há tiros nos dois complexos. Uma dona de casa, mãe de quatro filhos, confirma o fato:
- Tiro é uma palavra que não existe mais na Vila Cruzeiro.


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

"O Câncer pode ser Prevenido" este é o tema do Dia Mundial do Câncer que se comemora em 4 de fevereiro


Em 4 de fevereiro é celebrado o "Dia Mundial do Câncer". Em 2011 a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) e organizações parceiras farão campanhas em todo o mundo para alertar sobre essa doença que causa milhões de mortes a cada ano, muitas das quais poderiam ser prevenidas.
Mais do que nunca, existe a necessidade de coordenar e articular os esforços para lutar contra o câncer e acredita-se que o Dia Mundial do Câncer é importante para prover as autoridades e público em geral mensagens e informações sobre essa doença.
No Brasil a OPAS estará apoiando ao Instituto Nacional de Câncer (INCA-MS) no desenvolvimento de uma semana de atividades, que culminará em reunião na sexta-feira (04) no Rio de Janeiro, para divulgar a campanha, que contará com a participação de autoridades sanitárias, sociedades científicas e associações de portadores.
O presente encontro tem o objetivo de mobilizar os atores principais na questão das DCNT e do câncer no Brasil a fim de construir uma agenda de trabalho para subsidiar a participação brasileira no encontro de cúpula da OMS (Agenda Provisória).
As esperanças para o ano de 2011 são grandes, uma vez que pela primeira vez acontecerá a reunião de cúpula nas Nações Unidas (ONU) sobre as Doenças Crônicas Não-Transmissíveis, no mês de setembro.

Mais informação sobre eventos no Brasil, visite a página do INCA
Mais informações sobre eventos mundiais, visitem a página do UICC para o DMC

Fonte: Organização Pan-Americana de Saúde


Menina de 14 anos morre em Bangladesh após receber 80 chibatadas


Uma adolescente de 14 anos morreu após ter recebido 80 chibatadas em Bangladesh, como punição por ter tido um relacionamento com um primo que era casado.

A sentença tinha sido decretada por um tribunal religioso na cidade em que a jovem vivia, Shariatpur, no sudoeste do país, a 56 quilômetros da capital, Daca.
Hena Begum foi acusada de ter mantido uma relação sexual com seu primo de 40 anos de idade, que era casado. Ele também foi condenado a receber cem chibatadas, mas conseguiu fugir.
A adolescente desmaiou enquanto recebia as chibatadas e chegou a ser levada para um hospital local, mas não resistiu aos ferimentos, morrendo seis dias após ter sido internada.


O caso teve grande repercussão no país e provocou protestos de moradores de Shariatpur. Há relatos na mídia de Bangladesh de que Hena, na verdade, foi raptada e estuprada pelo primo.
O imã (clérigo muçulmano) Mofiz Uddin, responsável pela fatwah (sentença) contra Hena, e outras três pessoas foram presas. O caso está sendo investigado.

'Atos imorais'
Atraídos por gritos de socorro de Hena, moradores locais chegaram a acudir a adolescente. Mofiz Uddine também se dirigiu ao local, juntamente com professores da madrassa (escola de ensinamentos islâmicos) da região.
Os jornais bengalis informaram que em vez de tomar uma ação contra o autor do suposto estupro, os religiosos trancaram a jovem dentro de um quarto. No dia seguinte, o mesmo imã e representantes do Comitê da Sharia, o código de leis muçulmanas, acusaram Hena de ter cometido atos de ''sexualidade imoral'' fora do casamento.
Os religiosos disseram à polícia que Hena teria sido pega em flagrante quando mantinha relações sexuais com um morador do vilarejo.
Pessoas da família do primo casado também teriam espancado a adolescente, um dia antes da fatwa ter sido decretada.
Autoridades do vilarejo também exigiram que o pai da jovem pagasse uma multa equivalente a R$ 419.
Na quarta-feira, um grupo de moradores de Shariatpur foi às ruas em protesto contra a fatwa e contra os autores da sentença.
''Que tipo de justiça é essa? Minha filha foi espancada em nome da justiça. Se tivesse sido em um tribunal de verdade, minha filha jamais teria morrido'', afirmou Dorbesh Khan, o pai da adolescente.
Punições realizadas em nome da sharia (legislação sagrada islâmica) e decretos religiosos foram proibidos em Bangladesh, país secular, mas de maioria muçulmana, desde o ano passado.
Comitês que obedecem princípios religiosos vêm se tornando influentes em diferentes países com população de maioria islâmica, mesmo sendo ilegais em muitos deses países.
A sentença contra Hena Begum foi a segunda morte provocada por uma sentença ligada à sharia desde que a prática foi proibida pela Corte Suprema de Bangladesh.
Cerca de 90% dos 160 milhões de habitantes de Bangladesh são muçulmanos, dos quais a maior parte segue uma versão moderada do Islã.


BBC Brasil

Garoto jogando PSP cai nos trilhos do trem e é salvo



Atualmente, temos diversas campanhas institucionais que alertam as pessoas que certas coisas não devem ser feitas enquanto estamos fora de nossos domínios domésticos. Por exemplo: “se dirigir, não beba”, “não converse no celular enquanto estiver dirigindo”, “não digite mensagens no celular enquanto estiver no volante”, entre outros. Observe que, em todas essas frases, temos de forma implícita a frase que nossas avós sempre alertavam: “não dá pra assobiar e chupar cana ao mesmo tempo”. Pois bem, parece que vamos ter que lançar mais uma campanha, que é “não jogue PSP se você estiver caminhando ao lado dos trilhos do trem”.
A história é a seguinte: Alessandro Micalizzi estava se divertindo com o seu videogame portátil da Sony, tranquilo e feliz, no alto dos seus 10 anos de idade, enquanto esperava o seu trem chegar em estação do metrô em Milão, Itália. Porém, Alessandro estava, de forma descuidada, caminhando na lateral dos trilhos enquanto jogava algum game de ação ou estratégia. A concentração no jogo era tão grande que ele não percebeu o quanto estava perto do meio fio, e em um determinado momento, o chão acabou, e Alessandro caiu nos trilhos do trem.
A sorte do garoto é que não havia nenhum trem se aproximando da estação naquele momento, e um jovem que estava no local reagiu rapidamente e o retirou dos trilhos, sem maiores problemas. O vídeo foi registrado pelas câmeras de segurança da estação do metrô, e serve de alerta para que muitas pessoas ao redor do mundo revejam seus hábitos ao utilizar dispositivos móveis em público, afinal de contas, acidentes graves podem acontecer.


techtudo

Auxiliar de enfermagem que cortou dedo de menina de 1 ano em SP não será indiciada


SÃO PAULO - A auxiliar de enfermagem Maria de Fátima Custódio, 47 anos, acusada de decepar parte do dedo de uma menina de um ano no Hospital do Mandaqui, na Zona Norte de São Paulo, não será indiciada. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, foi lavrado um termo circunstanciado, por lesão corporal culposa, e ela deve cumprir pena alternativa. A auxiliar de enfermagem foi afastada do cargo.
O acidente ocorreu no dia 30 de janeiro. Tiffany Luize de Oliveira Bahia teve a ponta do dedo mínimo da mão direita amputada.
A criança havia sido internada um dia antes para tratar de uma anemia e já tinha autorização, na manhã de domingo, para ir embora, quando o acidente aconteceu. Maria de Fátima tirou uma bandagem na mão da criança com uma tesoura de ponta.
O hospital disse que o correto seria a retirada com as mãos ou uma tesoura sem ponta. "Uma mulher que nos falou que ela havia cortado o dedo da menina. Ela ficou com aquela cara assustada e disse: 'pai, desculpa, eu não vi'", contou o pai da menina, David Bahia Príncipe.
O caso foi registrado na delegacia como lesão corporal não intencional e será investigado.
O Conselho Regional de Enfermagem afirmou que vai apurar o uso de tesoura inadequada e até uma possível sobrecarga de trabalho da auxiliar de enfermagem responsável pelo corte.
Segundo a entidade, entre 2005 e 2010, foram notificados 980 casos envolvendo profissionais de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem). Só em 2010, 250 casos chegaram ao Conselho, envolvendo 32 instituições de saúde. Dos casos notificados, 20 resultaram em danos definitivos e óbito.
O presidente do Coren-SP destacou que, a maior parte dos erros é por negligência ou por falta de atenção. De acordo com a entidade, cerca de 10% dos erros fatais são por falta de conhecimento.


Combate ao racismo na infância está na pauta do governo federal



O combate ao racismo na infância e à violência sexual contra meninas e mulheres foram temas do encontro entre as ministras Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos, e Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, ontem em Brasília.
A igualdade étnico-racial e os impactos do racismo na infância estão na pauta do governo federal. O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e outros órgãos governamentais estão apoiando a campanha Por uma infância sem racismo. Confira mais informações no Blog do Planalto.
Dados do IBGE apontam que 57 milhões de crianças e adolescentes vivem no Brasil. Desse número, 31 milhões são negras e cerca de 100 mil são indígenas. Das 530 mil crianças de 7 a 14 anos fora da escola, cerca de 330 mil (62%) são negras e 190 mil são brancas.


Ação em Rede

Os hotéis estão vazios e há civis armados nas ruas, relata o enviado especial de Zero Hora

Milhares de egípcios se reúnem no 11º dia de protesto no Cairo - Khaled Desouki / AFP

Confira as informações do repórter Luiz Antônio Araujo, enviado especial de ZH ao Egito

É uma visão impressionante. Neste momento, às 13h22min (horário do Cairo, 9h22min de Brasília), imagens da TV Al Arabyia mostram centenas de milhares de pessoas reunidas na esplanada conhecida como Praça Tahrir, centro do Cairo, no “Dia da Partida” – prazo final do ultimato dado pela oposição para que Hosni Mubarak deixe o poder no Egito.
Desde o início da manhã, a intensa movimentação das pessoas em direção à Praça Tahrir indicava um dia atípico. O líder da oposição e Prêmio Nobel da Paz Mohammed El-Baradei deu na terça-feira um ultimato a Mubarak para deixar o poder até hoje. O prazo foi definido num momento em que a oposição havia acabado de reunir, segundo seus próprios cálculos, 1 milhão de pessoas no centro do Cairo. A resposta do regime foi a mobilização de apoiadores, secundados por arruaceiros comuns e ladrões, que tomaram as ruas no dia seguinte e investiram contra os manifestantes da Tahrir.
O exército está montando desde o início da manhã um esquema reforçado de segurança na Ponte 6 de Outubro, um dos principais pontos de passagem e acesso à Tahrir. Sobre a ponte, soldados carregavam pela manhã grades para barreiras ao tráfego. Informações não confirmadas indicam que o acesso à área da ponte está sendo restringido pelos militares.
Em entrevista concedida ontem à legendária correspondente Cristiane Amanpour, da rede americana ABC, Mubarak disse que está pronto para sair, mas, à maneira de Santo Agostinho – a esta altura não é possível evitar um pouco de ironia –, não agora.
O esquema de Mubarak é vago: ele diz que está disposto a não concorrer a um sexto mandato (o que o habilitaria a disputar o título de governante mais velho do mundo, com 90 anos ao final do próximo termo); garante que seu filho, Gamal, também não será candidato; diz que apenas cumprirá o atual mandato até o final (as eleições estão marcadas para setembro, e haveria provavelmente cerca de dois meses até a posse do sucessor). Para que esse esquema funcione, será preciso que os manifestantes reunidos em Tahrir se dispersem, voltem à vida normal e aceitem esperar mais 10 meses ou um ano para ver sua principal reivindicação – a saída de Mubarak – atendida.
Em meio à crise, é visível nas ruas a impaciência dos egípcios comuns – aqueles que não interromperam suas vidas em função do impasse político – com a lenta progressão da crise. A economia no Cairo e nas grandes cidades do país está semiparalisada. Os bancos ficaram fechados de segunda a quarta-feira e ainda funcionam com precariedade, o comércio cerrou as portas, os hotéis estão vazios e há bandos de civis armados de porretes e barras de ferro pelas ruas, fazendo barreiras e revistando porta-malas de carros. Em meio a tudo isso, os mubarakistas escolheram a imprensa – em primeiro lugar a dos países árabes, e em seguida todos os correspondentes estrangeiros – como alvo preferencial a partir de quarta-feira, com assaltos e agressões a jornalistas.


Jovem é encontrada morta em um quarto de um hotel no DF



Imagens de segurança mostram o momento em que a garota de 17 anos entra no hotel. Na sequência, as câmeras mostram o jovem que a acompanhava indo embora sozinho.


Balanço Geral

Prisioneira mexicana recebe botox na prisão


Autoridades mexicanas estão investigando como um médico conseguiu permissão para entrar em um presídio para aplicar injeções de botox em Sandra Ávila Beltrán, presa desde 2007, acusada de envolvimento com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

O incidente resultou na demissão da diretora da principal penitenciária feminina da capital mexicana e da coordenadora da área médica da instituição, que teriam permitido que um cirurgião plástico administrasse o tratamento de beleza no local.
"A entrada do doutor foi autorizada pela pessoa responsável pela área médica (do presídio), violando todos os procedimentos. O objetivo era realizar um tratamento terapêutico não permitido para detentos", disse uma declaração divulgada pela Subsecretaria do Sistema Penitenciário da Cidade do México.
Fontes da subsecretaria teriam afirmado à imprensa local que o tratamento consistia de injeções de botox no rosto, aplicadas ao longo de várias horas, e que havia planos de realizar também uma lipoaspiração dentro do presídio.
A presidiária também usaria roupas que fogem da regulamentação das penitenciárias, como óculos escuros e salto alto.

'Rainha do Pacífico'
Beltrán, também conhecida como "Rainha do Pacífico", é acusada de ser uma das líderes de um grande cartel de drogas mexicano, o Sinaloa, mas ela foi inocentada em dezembro do ano passado e aguarda na prisão o resultado das apelações da promotoria.
O governo americano está tentando a extradição de Beltrán para que ela enfrente acusações relacionadas à apreensão de nove toneladas de cocaína encontradas em um barco, no México, em 2001, que teriam os EUA como destino.
A presidiária de 50 anos se diz inocente e alega ganhar a vida com o aluguel de imóveis e a venda de roupas.


Crianças mineiras estão pagando até com sangue pelo péssimo ensino da matemática


SEM HABILIDADE COM NÚMEROS
Junia Oliveira, O Estado de Minas, 08/06/2010

Crianças e jovens com notas baixas em matemática e dificuldades
persistentes, não se limitando a perder média em algumas provas, merecem atenção dos pais e alerta na escola. O problema pode não ser apenas o desafio em assimilar a matéria. Eles podem sofrer de discalculia, um transtorno crônico na aprendizagem da disciplina, que não pode ser atribuído à falta de interesse do aluno, a uma educação deficiente nem à escassez de estímulos.
A doença ainda não foi completamente desvendada pelos cientistas, mas a estimativa é de que, por causa dela, 6% da população não tenha habilidade com os números.
Em Minas Gerais, um grupo de pesquisadores está colhendo mais
informações e traçando um perfil de crianças e adolescentes portadoras
da síndrome. O trabalho, iniciado em 2008, está sendo feito por
profissionais do Laboratório de Neuro-psicologia do Desenvolvimento da
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), em parceria com o
Laboratório de Genética Humana/Médica do Instituto de Ciências
Biológicas (ICB), com colaboração do Serviço Especial de Genética do
Hospital das Clínicas, todos da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), e do Centro de Tratamento e Reabilitação de Fissuras
Labiopalatais e Deformidades Craniofaciais (Centrare), da PUC Minas. No estudo, crianças de 7 a 14 anos de escolas públicas e particulares de
Belo Horizonte e Mariana, na Região Central de Minas, são submetidas ao teste de desempenho escolar. Aquelas que obtêm resultado abaixo de 25% no subteste de matemática são convidadas para uma segunda etapa de avaliação, em que passam por entrevista clínica, testes psicológicos e
de inteligência. Elas também têm o sangue coletado.
Até agora, 1,4 mil voluntários já passaram pela triagem. Desses, mais de
200 foram examinados na segunda fase. Segundo o coordenador do Laboratório de Neuropsicologia, o médico Vitor Haase, a meta é que 500 crianças sejam submetidas aos testes psicológicos. Haase afirma que, além de médias insuficientes, uma defasagem de pelo menos dois anos no nível de desempenho em relação à série no qual o estudante se encontra é um forte indício do problema.
“Nunca podemos falar em discalculia na 1ª ou 2ª série. é preciso fazer uma avaliação clínica e neuropsicológica”, diz.
Também acende alerta a dificuldade para decorar a tabuada ou no conceito de números, como a noção de grandezas e quantidades. O coordenador ressalta que a causa não pode ser primariamente
emocional, portanto, casos de dificuldade na aprendizagem que são
consequência de ambiente familiar desajustado ou de conflitos, por
exemplo, são descartados.
O diagnóstico também não é usado em pacientes com retardo mental.
Segundo o médico, uma situação recorrente nos pacientes é a síndrome
do transtorno não verbal de aprendizagem. Estão nesse perfil crianças
que têm uma inteligência normal, geralmente não muito alta, e que, no
início da vida, têm um atraso de desenvolvimento: demoram a firmar a
cabeça, a se sentar, a caminhar e a falar, o que é superado
posteriormente. “Muitas vezes, a família pensa que o menino tem
deficiência mental, mas não é o caso”, diz. Na idade pré-escolar,
falam bem e começam a apresentar um comportamento de agitação.
Normalmente, são diagnosticados como hiperativos, o que persiste até a
idade escolar. Na fase de alfabetização, podem ter um pouco de
dificuldade também. Haase relata que é na fase inicial do currículo
escolar que os problemas se agravam, principalmente na matemática, devido a outros comportamentos que se tornam mais evidentes.
As crianças têm bom vocabulário, não trocam os sons quando falam, mas têm dificuldade com interpretação de textos, com desenhos, coordenação motora e espacial e, principalmente, um perfil bastante característico na interação social.

“São amistosas, mas um pouco ingênuas, pouco perspicazes e com problemas para entender o que é adequado ou não numa determinada situação. Não têm noção da maldade das pessoas também.
São indivíduos pouco intuitivos e aprendem pouco pela experiência. Esses meninos não se entrosam muito em grupos e são mais tímidos. Esses são aqueles com as formas mais puras e mais graves da discalculia”, relata.

O transtorno não verbal ocorre em 1% da população em idade escolar e, dos que se consultam na UFMG, 10% são portadores.
GENÉTICA Uma terceira etapa da pesquisa será feita pela equipe do
laboratório de genética humana do ICB, que examinará parte do genoma dos voluntários. Na conclusão dos trabalhos, os dois resultados serão
comparados.

Os pesquisadores já sabem que as causas da discalculia são de
ordem genética, mas ainda é preciso identificar as áreas do genoma
associadas ao transtorno. A universidade disponibiliza o diagnóstico para pessoas com dificuldade em matemática no serviço de psicologia aplicada.
Os interessados devem entrar numa lista de espera. O telefone para
marcação de consulta é o (31) 3409-5070 ou 6295.
Fonte :
http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_18/2010/06/08/interna_noticia,id_sessao=18&id_noticia=141062/interna_noticia.shtml
http://isaude.net/z9h8, europsicologia e genética decrifram causas e
consequências da discalculia, Saúde Pública


SIMILAR EM PORTUGAL

5,4 % DAS CRIANÇAS PORTUGUESAS TÊM DISLEXIA
Estudo pioneiro foi realizado pela UTAD
2010-01-19
Por Carla Sofia Flores

Foram avaliadas 1460 crianças do segundo ao quarto ano
de escolaridade .
O primeiro estudo sobre a prevalência da dislexia em crianças portuguesas revelou que 5,4 por cento desta faixa etária apresentam este distúrbio patológico de aprendizagem nas áreas da leitura, escrita ou soletração.
Este estudo pioneiro foi realizado pela Universidade de Trás-os-Montes e
Alto Douro (UTAD), sob a coordenação científica de Ana Paula Vale e
será apresentado no próximo dia 21 de Janeiro, às 18h00, no auditório
do Instituto da Juventude de Vila Real.
Ana Paula Vale, investigadora do Departamento de Educação e Psicologia da UTAD, explicou ao Ciência Hoje que “era necessário ter informação sobre as crianças portuguesas com dislexia e agora podemos afirmar com um grau de certeza confortável que 5,4 por cento é um número que corresponde à realidade.” Trata-se de “uma percentagem equivalente a outras já conhecidas de países com características semelhantes a Portugal”, acrescentou a docente.
A investigadora destacou ainda a esperança de que este estudo traga
informação útil a vários níveis, referindo que “há questões que
devem ser respondidas nas escolas e não o são.
Por se tratar de um estudo pioneiro em Portugal, foram adoptados critérios muito específicos para classificar uma criança como tendo dislexia, de forma a não incluir erroneamente neste grupo aquelas que não têm esta patologia.

“Em vez de usarmos apenas um ou dois critérios, utilizamos
três ou quatro mais restritos”, exemplificou Ana Paula Vale.
Amostra socialmente representativa poderia aumentar valores de dislexia.
Neste âmbito, de Maio a Julho de 2008, foram avaliadas 1460 crianças do segundo ao quarto ano de escolaridade, num conjunto de 81 turmas de 23 escolas localizadas nos concelhos de Vila Real e de Braga. Estas crianças foram assim testadas, em salas sossegadas, com rastreios de leitura, consciência fonológica e capacidades cognitivas gerais.
Os investigadores não recolheram informação suficiente para estabelecer percentagens relativas a cada tipo de ambiente sociocultural, ainda que
saibam que foram abordados todos os estatutos sociais e que a maioria era oriunda de meios com estatuto sociocultural intermédio.
Contudo, tendo em conta que os grupos sociais mais desfavorecidos
representam 49 por cento da população portuguesa e são associados a
prevalências mais elevadas de défices na aprendizagem da leitura, os
investigadores acreditam que numa amostra socialmente representativa as taxas apresentadas sofreriam um aumento.
Esta investigação foi financiada pela Fundação para a Ciência e a
Tecnologia (FCT) e engloba-se num estudo mais amplo sobre dislexia
realizado por uma equipa de investigadores coordenada por Ana Paula Vale.
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=38852&op=all

A notícia acima indica que estão tirando sangue das crianças em Minas
por desconfiarem que não aprendizagem matemática possa ser por defeito genético. Nos documentos anexo da minha pesquisa provo que são as ações em matemática o que não se qualificam para haver aprendizagem.

Att. Prof. João Batista do Nascimento
UFPA/ICEN/ Fac. Matemática
http://lattes.cnpq.br/5423496151598527


PS: Versão atualizada
Informação enviada por e-mail , pelo Professor João Batista Nascimento