terça-feira, 19 de outubro de 2010

Termina o segundo dia de audiência do caso Mércia



Oito testemunhas de defesa de Mizael, acusado de matá-la, foram ouvidos.
Previsão é que audiência de instrução termine nesta quarta-feira (20).

Terminou por volta das 19h desta terça-feira (19) o segundo dia da audiência de instrução do caso Mércia.
Oito testemunhas arroladas pela defesa de Mizael falaram. A audiência deverá ser retomada nesta quarta (20) à tarde, quando serão ouvidas as quatro testemunhas do juízo. Em seguida, será a vez dos réus falar.
Além do delegado do caso, Antônio de Olim, o juiz ouviu amigos de Mizael, que relataram um relacionamento tranquilo entre ele e Mércia Nakashima. O advogado Carlos Floriano Filho disse que conhece Mizael há 20 anos e que o réu sempre foi “gentil e atencioso” com a namorada. Ele também negou ter conhecimento de qualquer briga entre o casal.
A fala do comerciante Pedro Cantuária começou com um pedido do Ministério Público para constar dos autos que a testemunha já teve uma condenação por falsidade ideológica. A solicitação provocou reações dos advogados de defesa de Mizael, que disseram não terem citado antecedentes das testemunhas de acusação. Houve discussão e o juiz precisou interceder. O assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, disse que irá interpelar judicialmente um dos advogados de Mizael por causa de uma insinuação de que os irmãos de Mércia, Cláudia e Márcio, também respondem a processos.
O advogado Samir Haddad Júnior, representando a defesa, comentou o episódio ao fim da audiência. “Todas as testemunhas de acusação têm processos”, afirmou, acrescentando que não tinha, no momento, detalhes dessas ações. O assistente de acusação rebateu a declaração que inclui os irmãos de Mércia. “Não existe nenhum antecedente, foi um comentário leviano”, disse ao deixar o fórum.

Depoimentos
O comerciante Pedro Cantuária afirmou que nunca ouviu falar mal de Mizael no bairro onde moram em Guarulhos. Segundo ele, o relacionamento do advogado com Mércia era “excelente”. “Eu sempre a via sorrindo”, contou. Ele falou durante cerca de 10 minutos.
O advogado Matheus Ferreira dos Santos prestou depoimento depois. Ele contou que conhece Mizael desde 1998, porque eles estudaram na mesma classe da faculdade. Santos afirmou que o réu era uma “pessoa popular”. Outro estudante da sala de Mizael, Marcos Rogério Manteiga foi a última testemunha de defesa do réu a prestar depoimento.
Ele contou que falava “com certa regularidade” com Mizael e conheceu Mércia em 2009. Os dois se encontraram três vezes perto ou no Fórum de Guarulhos. Como também estudou na classe de Cláudia Nakashima, decidiu ir ao velório “por solidariedade”. Mas negou ter dito qualquer coisa sobre o envolvimento de Mizael com o crime.
Três testemunhas de Evandro encerraram a audiência nesta terça-feira (19). Gentil José de Oliveira é encarregado do posto onde o réu era vigia. Ele disse que trabalhou no dia 23 de maio, data do desaparecimento de Mércia, e viu o vigilante deixar o posto por volta das 19h30. Negou conhecer Mizael e afirmou que as câmeras de segurança registram imagens de todo o posto. O outro segurança do estabelecimento, Alfeu Cardoso Santos, falou em seguida. Ele disse que chegou ao posto naquele domingo por volta das 19h40 e viu Evandro no local. Também disse que não conhece o outro réu no processo.
O Ministério Público pediu uma investigação dos dois por causa de um eventual falso testemunho porque ligações realizadas pelo telefone celular de Evandro provariam que ele estava longe do posto no horário. O juiz disse que esse não é o momento adequado para efetuar tal investigação.
O último a falar foi o feirante Luiz Araújo Sobrinho. Ele disse conhecer Evandro há mais de um ano e que ele era segurança na feira. Afirmou que também conhecia Mizael da feira. E que se lembra apenas que Evandro disse que ia viajar.

Delegado
O delegado Antônio de Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), prestou depoimento durante cerca de duas horas e meia. Ele afirmou que o ex-namorado da vítima, Mizael Bispo de Souza, se contradisse durante os interrogatórios realizados no decorrer da investigação.
“Não batem nenhum dos depoimentos dele, nenhuma das versões”, afirmou Olim, a quarta testemunha de defesa ouvida nesta terça-feira (19), segundo dia de audiência.
O delegado falou detalhes das investigações e sobre o depoimento do vigia Evandro Bezerra Silva, colhido em Aracaju (SE) logo depois da prisão do suspeito de participação no crime. A defesa de Evandro alega que ele foi agredido por policiais da cidade para confessar o crime.
Olim disse que esteve praticamente em todo momento, depois que chegou na cidade, com o suspeito e que ele não falou sobre a suposta agressão. “Em momento algum eu vi tortura”, afirmou o delegado.
Na saída do fórum, Olim disse acreditar que “com o trabalho que fizeram, colocaram ele [Mizael] na cena do crime”.
Durante o depoimento de Olim, Mizael conversou muito com os advogados e chegou a falar diretamente para o juiz, afirmando que o delegado não tinha um mandado judicial quando esteve na residência do réu da primeira vez para recolher objetos. O juiz fez uma pesquisa e disse que um mandado havia sido expedido no dia 29 de maio, antes da visita dos policiais. Mizael e Evandro chegaram a deixar a sala juntos durante o depoimento, mas retornaram alguns minutos depois.
Os advogados de defesa questionaram o delegado sobre os dados do rastreador de Mizael, que são usados como base na conclusão do inquérito do caso. Olim teve que detalhar vários pontos do percurso que ele acredita ter sido realizado por Mizael no dia do desaparecimento da advogada. O delegado também falou da dificuldade em conseguir depoimentos de moradores de Nazaré Paulista, porque, segundo Olim, “todos ali têm medo”do réu.
A ex-mulher de Mizael Bispo de Souza, Nilza Porto de Souza, também prestou depoimento nesta terça, mas na condição de “informante”, ou seja, sem o compromisso de falar a verdade. Nilza havia sido arrolada como testemunha de defesa e passou a ser ouvida como informante após pedido do Ministério Público, acolhido pelo juiz Leandro Jorge Bittencourt Cano. O MP alegou que, por ter tido um relacionamento com Mizael, acusado da morte de Mércia, e ter tido uma filha com ele, ela poderia ser “suspeita de parcialidade”.
Nilza afirmou que o relacionamento com Mizael era “muito bom”. Quando questionada porque, então, tudo terminou, ela disse que “parou de gostar” de Mizael e afirmou que tinha muitos ciúmes dele, e que ele tinha pouco ciúmes dela.Ela negou que tenha lavrado boletins de ocorrência contra Mizael. Entretanto, quando a pergunta foi refeita, ela confirmou que foi a uma delegacia registrar queixa contra o ex-marido, mas que fez isso após o término do casamento por “não aceitar o fim do relacionamento”. Ela também alegou pressão familiar e insistia que quando fez isso era “muito nova”.
A primeira testemunha a ser ouvida nesta terça-feira foi Maria Aparecida de Araújo, que trabalhava como doméstica de Mizael. Ela informou que conhecia o advogado desde 2006, fazendo faxina duas vezes por semana. O depoimento dela durou cerca de dez minutos e ela confirmou que conhecia Mércia, que costumava dormir na casa de Mizael. Ela confirmou o relacionamento de Mizael e Mércia.

Repercussão
O advogado de defesa de Mizael, Samir Haddad Júnior, disse que “foram dois dias amplamente favoráveis à defesa”. Segundo ele, houve contradições entre os depoimentos da defesa e da acusação. “Tenho esperança que [Mizael] não vai para o júri”.
Já o assistente de acusação, Alexandre de Sá Domingues, afirmou que mesmo com os depoimentos das testemunhas de defesa o balanço é favorável para a acusação. “Meu balanço é que eles não conseguiram afastar com as testemunhas tudo o que temos nos autos contra os réus”. Ele citou especificamente o depoimento do delegado Antonio de Olim. “Se eles queriam desmerecer o doutor Olim, não conseguiram. O depoimento dele foi fantástico.”

Luciana Bonadio

G1

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