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quarta-feira, 7 de julho de 2010
Menor diz em depoimento que ossos de Eliza Samudio foram concretados
Jovem disse que ouviu goleiro pedir para 'resolverem o problema'.
Ele disse ter visto mão de ex-namorada de Bruno ser jogada a cães.
O Jornal Nacional teve acesso com exclusividade ao depoimento que provocou uma reviravolta no caso Bruno. Em quatro folhas, o menor apreendido na terça-feira (6) na casa do goleiro do Flamengo conta sua versão dos fatos. Ele disse que foi convidado por Luiz Henrique Ferreira Romão, o amigo de Bruno conhecido como Macarrão, a levar Eliza Samudio ao sítio do goleiro em Minas Gerais. Macarrão já tinha planejado tudo e mandou o adolescente se esconder no porta-malas do carro.
Já com o carro em movimento, o menor conta que estava na mala do veículo e pulou para o banco de trás com a arma em punho, rendendo Eliza e dizendo: "perdeu Eliza"
Segundo o adolescente, Eliza conseguiu pegar a arma e atirou contra o menor, mas a arma estava sem munição. O adolescente conseguiu recuperar a arma e deu três coronhadas na cabeça de Eliza.
O jovem diz que a viagem continuou até o sítio de Bruno. O rapaz dormiu em um quarto. Macarrão em outro. E Eliza, com o filho, dormiu em um terceiro quarto. Havia também uma empregada doméstica.
No dia seguinte, Eliza não permaneceu trancada. Sérgio Rosa Sales, que chegou naquele dia, passou a vigiar Eliza, segundo o menor.
Ele disse que viu Sérgio entregar um telefone para que Eliza ligasse para uma amiga de São Paulo. Sérgio mandava dizer que estava tudo bem, que ela receberia dinheiro e um apartamento em Belo Horizonte. Eliza foi ameaçada de morte caso não dissesse o combinado.
O menor conta que, no dia seguinte, Bruno chegou de táxi ao sítio, pois tinha viajado de avião para Belo Horizonte. O adolescente conta que ouviu Bruno dizer para Macarrão e Sérgio que era para eles resolverem o problema. Que não queria problemas para o lado dele e que ele, Bruno, não saberia de nada.
Segundo o depoimento, Macarrão e Sérgio disseram que não poderiam libertar Eliza, pois o problema seria ainda maior. Bruno disse então que já tinha acontecido "m...." da primeira vez, e não queria que o problema se repetisse com Eliza.
O goleiro permaneceu no sítio por duas horas e depois chamou um táxi para levá-lo até o aeroporto, pois queria voltar para o Rio no mesmo dia.
No dia seguinte, o adolescente, Macarrão, Sérgio, Eliza e o filho dela entrararam no carro de Bruno e seguiram rumo a Belo Horizonte.
O adolescente contou que chegaram a um local que se parecia com um sítio. Foram recebidos por um homem alto, negro, chamado Neném.
Vem então a parte mais forte do depoimento: segundo o menor, Neném pegou Eliza, amarrou os braços dela com uma corda e deu uma gravata, sufocando-a. Neném pediu que todos deixassem o local. Sérgio carregava o filho de Eliza.
Logo depois, segundo o jovem, Neném passou carregando um saco e seguiu em direção a um canil, onde havia quatro rotweillers. O adolescente viu o momento em que Neném retirou a mão de Eliza e arremessou para os cães.
O adolescente disse que os ossos de Eliza foram concretados no mesmo terreno em que ela foi morta. Ele inocentou a mulher de Bruno, Dayane Rodrigues, de participação no assassinato de Eliza.
Segundo o menor, Dayane foi ao sítio de Bruno depois do crime - e soube apenas que o bebê de Eliza tinha sido deixado no local.
O adolescente disse ainda que não falou com Bruno sobre o que aconteceu com Eliza, mas acredita que Macarrão tenha contado o desfecho do sequestro.
G1
Dependência do crack coloca 25 mil jovens em risco de morte, diz governo

O crack, droga formada pela mistura de bicarbonato de sódio e cocaína, ameaça a vida de 25 mil jovens brasileiros. A estimativa é do Ministério da Saúde e, segundo o coordenador de Saúde Mental, Álcool e Drogas da pasta, Pedro Delgado, a dependência coloca esses jovens no nível de marginalidade extrema. Ele falou sobre o problema no Seminário Internacional de Políticas sobre Drogas, na Câmara Federal.
Delgado disse ainda que faltam estudos de âmbito nacional sobre o tema, mas os dados do ministério mostram que existem padrões diferentes de uso das drogas, inclusive do crack.
- Existem duas populações de consumidores de crack no Brasil. Uma que estimamos em 25 mil jovens que estejam em vulnerabilidade máxima e corram risco de vida e outra, em situação menos grave, com 600 mil pessoas que fazem uso frequente da droga.
O coordenador do Ministério da Saúde também falou do problema da mortalidade de adolescentes pelo uso de drogas, citando a cidade de Maceió, capital de Alagoas, como a que tem o maior registro de morte violenta de jovens.
- Temos convicção de que isto tem a ver com a vulnerabilidade associada ao uso de drogas.
Internação não é a solução do problema
Em maio deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano Nacional de Combate ao Crack, que destinou R$ 90 milhões para o Ministério da Saúde, prioritariamente para a ampliação dos leitos em hospitais gerais.
Mais R$ 210 milhões de recursos novos do orçamento do ministério estão sendo utilizados para a ampliação de centros de Atendimento Psicossocial para dependentes químicos, que nas cidades com mais de 200 mil habitantes passarão a funcionar durante 24 horas.
Segundo o representante do Ministério da Saúde, apesar da necessidade de ampliação do número de vagas em hospitais gerais, a internação não deve ser vista como a solução do problema.
- Em situação de risco, existe a opção da internação, mas ela não é a solução para o crack. Os casos mais graves acometem pessoas que passaram pela internação. Precisamos de ações intersetoriais para combater o problema.
O secretário nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), general Paulo Uchôa, disse que em agosto começam os cursos a distância para a formação de profissionais de diversas áreas para lidar com o problema do crack. Serão 80 mil vagas destinadas a religiosos, conselheiros de infância e adolescência, educadores e profissionais de saúde.
- A ideia é fazer uma capacitação coletiva para que todos falem a mesma linguagem.
Uchôa falou também que uma pesquisa realizada pela Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz) mostrará o retrato da situação do crack no país, desde o consumo, o perfil do dependente até as consequências da droga sobre as famílias. Os primeiros dados da pesquisa devem ser apresentados em setembro.
- Com base nos dados revelados na pesquisa faremos um redirecionamento ou direcionamento das ações. Temos muitos informações sobre a cocaína, mas não temos dados aprofundados sobre o uso do crack.
Vestígios de sangue em carro de Bruno são de Eliza, diz polícia
Amostras foram comparadas com material colhido do pai da jovem.
Eliza teve relacionamento com goleiro Bruno e sumiu no início de junho.
A polícia confirmou, nesta quarta-feira (7), que os vestígios de sangue que foram encontrados no carro do goleiro Bruno são de Eliza Samudio. A jovem teve um relacionamento com o atleta e está desaparecida desde o início de junho. Amostras coletadas no veículo foram comparadas com material genético colhido do pai de Eliza, Luiz Carlos Samudio.
Segundo o delegado Edson Moreira, de Belo Horizonte, também foram encontrados vestígios de sangue de um homem no carro. Moreira disse que deve pedir o material genético dos suspeitos de envolvimento no caso, para fazer uma nova comparação.
Mais cedo, nesta quarta, policiais entraram na casa em que estaria o corpo de Eliza Samudio, em Vespasiano (MG). De acordo com a Polícia Civil, entraram no imóvel bombeiros, peritos e delegados do Rio de Janeiro e de Minas Gerais com suas equipes.
Policiais disseram que foram retirados do imóvel dez cães da raça rottweiler (sendo quatro adultos e seis filhotes) e um vira-lata. Os animais devem ser levados para o centro de zoonoses de Belo Horizonte.
Entenda o caso
De acordo com a polícia, o sumiço de Eliza começou a ser investigado após denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador Bruno, em Esmeraldas (MG).
Em 28 de junho, a polícia vasculhou o sítio do goleiro Bruno, por mais de nove horas. Policiais e peritos fizeram escavações e vistoriaram o sótão, onde encontraram roupas de mulher, objetos de criança, fraldas e passagens aéreas. Um poço também foi vasculhado. A polícia já ouviu funcionários do sítio de Bruno e amigas de Eliza.
Em 5 de julho, a polícia recebeu denúncia de que o corpo da jovem foi jogada em uma lagoa, em Ribeirão das Neves (MG). Bombeiros realizaram buscas, mas nada foi encontrado.
O Flamengo anunciou que o goleiro permanece afastado do time durante as investigações. Em 1º de julho, ele disse que estava "muito chateado" com o sumiço de Eliza. O atleta ainda não foi chamado para depor.
G1
Retirados doentes do Hospital Geral de Luanda, prestes a desabar

Uma centena e meia de doentes foram retirados do Hospital Geral de Luanda, que ameaça ruir, quatro anos depois de construído por uma empresa chinesa, anunciou hoje a Rádio Nacional de Angola (RNA).
Os doentes foram levados do local depois da descoberta de “fissuras profundas nas paredes dos serviços de pediatria e de ginecologia”, especificou a RNA.
O estabelecimento, que custou 8 milhões de dólares (6,3 milhões de euros), foi construído pela China Overseas Engineering Group Company (COVEC), ao abrigo das linhas de crédito que a China concedeu a Angola, segundo o semanário privado angolano “O País”, que alertara que Hospital Geral poderia ruir a qualquer momento, pois que estava desde a semana passada “a cair aos bocados”.
O MPLA, partido no poder, enviou para o local a deputada Ariana Afonso, a qual declarou à RNA que “uma estrutura construída tão recentemente não deveria apresentar este tipo de problema, que coloca em risco a vida dos doentes. O governo provincial de Luanda deve procurar os responsáveis, porque 8 milhões de dólares são muito dinheiro”.
Desde o fim da guerra civil entre o MPLA e a UNITA, de 1975 a 2002, Angola encetou grandes obras públicas, graças ao auxílio da China, que abriu linhas de crédito em troca do petróleo angolano.
Os empréstimos são feitos por três entidades distintas: o banco estatal de exportação EXIM, o Fundo Internacional Chinês e o Banco Chinês de Desenvolvimento, cujo funcionamento é segundo a AFP considerado “muito opaco”.
Os empréstimos chineses destes últimos oito anos elevam-se a 9.000 milhões de dólares (7.100 milhões de euros), estando agora a ser negociado um novo crédito no valor de dois terços desse total até agora concedido.
Logo um ano a seguir à sua inauguração, as instalações do Hospital Geral de Luanda começaram a apresentar fissuras no interior e no exterior, situação que se arrastou até agora, sem que tivesse havido qualquer intervenção de monta por parte dos empreiteiros ou da entidade que fiscalizou a obra, escreveu o semanário “O País”.
A directora daquela unidade hospitalar, Isabel Massocolo, explicou nos últimos dias à imprensa que os doentes iriam ser transferidos, de modo a evitar que se repetisse uma situação de Março de 2007, quando desabou o edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal e morreram soterradas mais de 30 pessoas.
Em Março do ano passado o hospital recebera a visita de deputados da subcomissão parlamentar de Saúde e Ambiente, que constataram “algumas dificuldades, principalmente nas áreas de gestão e manutenção”. Mas nem esse nem outros alertas serviram de grande coisa, até que o mês passado os blocos provocados pelas fissuras se começaram a separar uns dos outros. Quem estivesse lá dentro via bem o que se passava no exterior, sem necessidade de ir à janela; e vice-versa. Tal como quem estivesse no rés-do-chão podia perfeitamente assistir às movimentações no andar de cima.
P20
Polícia mineira encontra corpo em casa onde estaria Eliza Samudio

A equipe de reportagem da Rede Record em Belo Horizonte (MG) informou que policiais civis encontraram um corpo na casa onde procuravam Eliza Samudio, na tarde desta quarta-feira (7), no bairro Santa Clara, em Vespasiano, região metropolitana da capital mineira.
Segundo a Rede Record Minas, o quarteirão da casa onde o corpo foi encontrado estava interditada às 13h30 por policiais fortemente armados. Centenas de curiosos se aglomeravam nos limites do isolamento. O local seria a residência de um ex-policial que teria sido exonerado das funções por causa do envolvimento em sequestros. Ele é conhecido como Russo.
A casa tem dois andares, sendo que um deles está em obras. Três cães fazem a segurança do local. Ainda não há confirmação de que o cadáver encontrado seja de Eliza Samudio. A Polícia Civil não se pronunciou oficialmente sobre este desdobramento. A movimentação é grande no local.
A jovem paranaense, 25 anos, é ex-amante do goleiro Bruno e dizia que o filho de quatro meses era do atleta. Ela desapareceu no início de junho e foi vista pela última vez no sítio de Bruno em Esmeraldas (MG). O jogador e outras seis pessoas são suspeitas de envolvimento no sumiço. Todos tiveram a prisão temporária decretada nesta manhã. Cinco já foram presas, segundo a Justiça de Minas Gerais. Bruno e o amigo conhecido como Macarrão estão foragidos.

Um policial civil da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro informou às 12h que a corporação já recebeu ao menos dez denúncias anônimas sobre o paradeiro do goleiro. Ao menos 15 equipes da Polícia Civil fazem buscas em cerca de seis endereços no Rio.
Vizinhos do goleiro disseram à Rede Record que o jogador deixou a casa dele, em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste, por volta das 2h. Equipes da Polícia Civil ficaram entre 5h e 8h15 na porta da casa de Bruno até que saíram para fazer buscas pela cidade. O advogado dele informou que irá entrar com habeas corpus contra a prisão do jogador.
Regente russo Mikhail Pletnev indiciado por estupro de menor na Tailândia

BANGKOK — O célebre regente de orquestra e pianista russo Mikhail Pletnev foi indiciado por estupro de um menor de 15 anos na Tailândia e poderá ser condenado a uma pena de até 20 anos de prisão.
Pletnev, de 53 anos, é o diretor artístico da Orquesta Nacional da Rússia. Foi libertado sob fiança de 300.000 bahts (9.200 dólares) e autorizado pelo tribunal a abandonar o país de maneira temporária.
"Ele foi indiciado pela violação de um jovem menor de 15 anos", declarou o tenente-coronel Omsin Sukkanka, diretor do Centro de Proteção de Crianças, Jovens e Mulheres da cidade de Pattaya, sul da Tailândia.
Pletnev pode ser condenado a uma pena de quatro a 20 anos de prisão. Ele também pode ser acusado de detenção ilegal de menor.
O tribunal de Pattaya informou que a próxima audiência do músico está prevista para 19 de julho, mas a lei exige que se apresente às autoridades a cada 12 dias.
A agência de notícias RIA Novosti revelou na véspera, citando o cônsul da Rússia na Tailândia, que o músico havia sido liberado sob fiança depois de uma revista em sua casa em Pattaya, um balneário conhecido por sua indústria do sexo.
Sites russos na internet publicaram vídeos da revista, aparentemente feitos pela polícia tailandesa, nos quais apareceu o passaporte do músico.
Um funcionário de uma organização não-governamental local explicou que a suposta vítima do músico tem 14 anos e frequenta a escola.
"A vítima apresentou uma denúncia junto a nós e cooperamos com a polícia para investigar e obter do tribunal uma ordem de prisão", explicou à AFP Supagon Noja, afirmando que o músico russo foi detido numa quadra de badminton na terça-feira.
Pletnev afirmou que era inocente das acusações.
Mikhail Pletnev, que pertence a uma família de músicos, ficou famoso depois de ganhar o primeiro prêmio do Concurso Tchaikovski em 1978, aos 21 anos.
No começo dos anos 80, começou a dirigir músicos antes de fundar, em 1990, a Orquesta Nacional da Rússia. Pouco depois foi nomeado seu diretor artístico.
Suas gravações com esta orquestra de virtuoses, principalmente as sinfonias de Tchaikovski e Rajmaninov, são consideradas entre as melhores por muitos críticos. Pletnev abandonou os concertos de piano para se dedicar à direção musical.
Também é um dos assessores em termos de cultura e arte do presidente russo Dimitri Medvedev. Em 2005, ganhou um prestigioso Grammy Award.
Em Moscou, o ministério das Relações Exteriores indicou que o músico contará com uma assistência jurídica e consular.
AFP
Venda da maconha é normatizada no Colorado (EUA) e será restrita a profissionais

Venda da maconha é normatizada no Colorado (EUA) e será restrita a profissionais
The New York Times - David Segal, Em Boulder, no Colorado (Estados Unidos)
Quem achar que será fácil enriquecer vendendo maconha em um Estado no qual esta droga é legal deveria passar numa companhia de Ravi Respeto, gerente da Farmacy, uma drogaria de luxo daqui, especializada em maconha, que oferece a Strawberry Haze, a Hawaiian Skunk e outras variedades de Cannabis sativa por até US$ 16 (R$ 29) o grama.
Ela acabará com a alegria dos otimistas.
“Nenhum programa de M.B.A. poderia ter me preparado para esta experiência”, diz ela, usando um jaleco de cor creme feito de cânhamo. “As pessoas têm essa noção equivocada de que basta entrar no negócio para começar a ganhar dinheiro fácil, mas a realidade não é essa”.
Desde que este estabelecimento foi inaugurado, em janeiro, ela tem passado por vários problemas enervantes seguidos. Os cultivadores de maconha, acostumados a efetuar transações apenas em dinheiro vivo, estão chocados por serem pagos com cheques ou pelo fato de os clientes lhes pedirem recibos. E há muitas surpresas desagradáveis, como quando, recentemente, a Farmacy descobriu que a sua linha de bebidas com infusão de maconha não poderia ser vendida nas imediações de Denver. As autoridades municipais de lá decidiram que qualquer produto modificado com maconha precisa ser produzido em uma cozinha da cidade.
“Você jamais veria uma lei que determinasse, 'Quem quiser vender tênis da Nike em São Francisco, só poderá vendê-los se eles forem fabricados em São Francisco'”, diz Respeto, sentada em um pequeno escritório no segundo andar da Farmacy. “Mas neste ramo de negócios a gente se depara a todo momento com coisas desse tipo”.
Uma das experiências mais estranhas da história recente do capitalismo norte-americano está em andamento aqui nas Montanhas Rochosas: a primeira tentativa do país de regulamentar, licenciar e taxar integralmente a comercialização da maconha com fins lucrativos. Na Califórnia, os donos de farmácias que vendem maconha para fins medicinais trabalham em associações sem fins lucrativos, mas os pioneiros da cannabis do Estado do Colorado contam com a liberdade para lucrarem o quanto puderem – contanto que atuem segundo as regras estabelecidas.
O problema é que há uma quantidade enorme de regras, e regras adicionais entrarão em vigor nos próximos meses. As autoridades daqui foram inicialmente pegas de surpresa quando a corrida às farmácias que vendem maconha teve início aqui no ano passado, depois que o presidente Barack Obama anunciou que as forças federais de repressão ao uso de entorpecentes não perturbariam os usuários nem os fornecedores de maconha, contanto que estes obedecessem às leis do Estado. No Colorado, onde uma emenda constitucional legalizando a maconha para fins medicinais foi aprovada em 2000, centenas de drogarias especializadas na droga surgiram imediatamente, e uma quantidade enorme de residentes do Estado passou a se queixar de “fortes dores”, um dos oito problemas de saúde mais populares que podem ser tratados legalmente com essa erva, que antigamente costumava ser demonizada.
Agora, mais de 80 mil pessoas aqui possuem certificados para o uso medicinal da maconha. Esses certificados são basicamente receitas médicas, e durante meses cerca mil novos “pacientes” por dia procuraram obter o documento.
À medida que a oferta atendia a demanda, os políticos decidiram que era necessário um novo conjunto de regras. A receita federal dos Estados Unidos (Department of Revenue) passou meses criando regras para essa nova indústria, acabando com a fase da procura louca por receitas e substituindo-a por medidas específicas para conter essa tendência. Tais medidas dizem respeito ao cultivo, à distribuição, ao armazenamento e a todos os outros aspectos da indústria de produção e venda da maconha.
Agora todos observarão atentamente a experiência, bem além das fronteiras do Colorado, para ver se essas medidas terão sucesso. As regras adotadas aqui poderão ser um modelo para os 13 Estados, bem como o Distrito de Colúmbia e o Maine, que estão prestes a criar programas próprios relativos à maconha.
Os norte-americanos gastam cerca de US$ 25 bilhões (R$ 45,3 bilhões) por ano com maconha, segundo o economista da Universidade Harvard, Jeffrey Miron, o que dá uma ideia da popularidade dessa droga. No fim das contas, nós poderemos estar nos referindo a uma quantia considerável em impostos sobre a comercialização da droga, derivada da venda da maconha como remédio. Isso para não mencionar o investimento privado e a geração de empregos. Um porta-voz da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha diz que os investidores em fundos de hedge e vários firmas de serviços financeiros estão começando a manter contatos a fim de avaliarem as oportunidades financeiras proporcionadas pelo novo negócio.
“Hoje em dia ninguém nos telefona mais para perguntar se o uso da maconha faria com que os homens desenvolvessem seios”, diz Allen St. Pierre, diretor executivo da Organização Nacional para a Reforma das Leis da Maconha. “Agora, os telefonemas são de investidores – pessoas que estão procurando formas de investir ou de oferecer os seus serviços”.
E o que aconteceria se a maconha fosse legalizada? Como o governo criaria regras que permitissem que a indústria florescesse, sem no entanto crescer descontroladamente? E, tendo em vista que tudo isso diz respeito a uma medicação, o que dizer dos médicos, alguns dos quais transformaram as consultas para a prescrição de maconha para fins medicinais em uma especialização altamente lucrativa?
Estas e dezenas de outras questões estão sendo agora respondidas em cidades como Boulder, uma localidade afluente, com uma grande comunidade universitária, onde o número de drogarias especializadas na venda de maconha – existem de 50 a 100 dessas drogarias, dependendo da pessoa a quem se perguntar – é maior do que o número combinado de estabelecimentos de venda de álcool e de cafés Starbucks. Durante uma visita recente, ficou claro que para cada vendedor de maconha e cada médico que acredita que as regras são muito estritas, nebulosas ou fluidas, existem outros que mal podem esconder o sorriso das suas faces.
“Quando eu visitei a cidade em setembro último, olhei em volta e vi que havia apenas quatro dessas drogarias em Boulder, e todas elas ficavam no campus”, diz Bradley Melshenker, o co-proprietário da Greenest Green que já foi comerciante de maconha para fins medicinais em Los Angeles. “Nós entramos em uma delas e vimos 30 garotos na sala de espera. Nós percebemos que aquilo era uma maluquice”.
A primeira visita a um centro de venda de maconha para fins medicinais é uma experiência meio desorientadora, semelhante a respirar debaixo d'água durante o primeiro mergulho autônomo, ou como ver o Red Sox vencer a World Series de 2004. Tudo o que você viu no passado lhe diz que tal experiência é impossível, mas, ao mesmo tempo, você sabe que aquilo está de fato ocorrendo.
Esqueçam as transações furtivas que definem o comércio norte-americano de maconha desde que este teve início. As melhores drogarias especializadas de Boulder exibem o seu produto naquele tipo de vitrine que se vê em joalherias e padarias de luxo.
As pessoas que estão atrás do balcão, conhecidas como “budtenders”, gostam de se definir como sommeliers, embora os nomes das variedades à venda nestes estabelecimentos jamais serão confundidas com um vinho chardonnay: Bubble Gum, Sour Kush, God’s Gift, Grand Daddy Purp e Blue Skunk.
“Esta aqui vai deixar o usuário nas alturas”, diz Michael Bellingham, proprietário da drogaria Boulder Medical Marijuana Dispensary, enquanto segura um frasco de Jack the Ripper (“Jack, o Estripador”), uma das mais de dez variedades de maconha vendidas em sua loja. “É uma variedade muito séria, muito forte; ela vai direto ao cérebro”.
Tirando umas duas exceções – Bellingham entre elas –, entrevistar vendedores de maconha é uma experiência diferente de entrevistar qualquer outro tipo de empresário. Perguntas simples do tipo “sim” ou “não” geram solilóquios de dez minutos de duração. Palavras novas são criadas no local, como “refudiate”, e ouvem-se vocábulos regulares que são usados de maneiras que só fazem sentido naquele contexto específico. Um cara não parava de dizer “rue” (“arrependido”) como se a palavra significasse “relutante”, como na frase “I think the state was rue to act” (“Eu acho que o Estado estava 'arrependido' em agir”).
Muitos deles têm uma longa história de contato com a maconha, e eles continuam – vamos adotar a nova terminologia - “rue” na hora de fornecer os seus nomes. Um funcionário de uma drogaria jura que os seus pais hippies o batizaram de Onefree, mas diz que prefere ser chamado de Dave, e que todo mundo o chama de Van.
Alguns donos de drogarias recusaram-se a ser entrevistados; muitos deles ainda estão tentando se acostumar à ideia de que aquilo que estão fazendo é legal. E nenhum dos proprietários nos convidou para visitar o seu “grow”, conforme são conhecidas as plantações hidropônicas de maconha em ambientes fechados. Quanto a esse assunto, todo mundo fica meio acanhado. Existem regras estritas quanto ao tamanho dessas plantações, e é claro que no nível federal a maconha continua classificada como “Substância Controlada de Categoria I”, juntamente com a heroína e o LSD.
Porém, a maioria dos proprietários tem prazer em mostrar os seus produtos à venda, e esse material tem pouca coisa a ver com as trouxas de maconha da era antiga dessa droga. A maconha de última geração é densa e de aparência argilosa e vêm com tonalidades exóticas de verde e lavanda – como tapetes de fibras feitos em uma selva. A maioria dos usuários compra um ou dois gramas a cada vez, e muitas dessas drogarias oferecem “cartões de lealdade” - compre bastante e ganhe um pouco de graça. E se o consumidor não gosta de fumar, existe uma grande quantidade de produtos comestíveis à base de maconha, como biscoitos, bombons, manteiga, barras de chocolate, bolinhos, café e sorvete.
“Algumas semanas atrás nós organizamos aqui uma noite de milkshake de maconha”, conta Lauren Meisels, da Greenest Green. “O estabelecimento ficou lotado”.
Os comerciantes de maconha do Colorado, assim como os pioneiros em qualquer novo negócio, têm que tomar várias decisões básicas quando abrem as suas firmas. Entre elas: qual deveria ser o aspecto de uma drogaria especializada em maconha para fins medicinais com objetivos comerciais? As leis estaduais determinam que a venda de cannabis só pode ser efetuada em “áreas de acesso limitado”, mas não há nada referente à decoração do interior das lojas.
Portanto, o que se vê é uma grande variedade em termos de visual. A Greenest Green parece um bar de Amsterdã, com um quadro informativo que anuncia as ofertas do dia com cores que fazem lembrar o Starbust Fruit Chews, bem como um aparelho de som que toca reggae. Até uma lei recente ter entrado em vigor, os pacientes podiam “se medicar” na própria loja, com opções que incluíam a experiência de fumar óleo de haxixe em uma espécie de bong elaborado chamado “skillet”, ao preço de US$ 5 (R$ 9).
A Green Room tem um ar de Loja de Cristais na Boêmia, com um bar expresso e uma sala separada para uma massagista. Uma outra, a Dr. Reefer – este é o nome da drogaria e do dono – tem orgulho de ser meio bagunçada, em parte porque ela não passou por nenhuma reforma rigorosa desde que a lanchonete que funcionava ali mudou de endereço.
“Antigamente isso aqui era uma lanchonete de cachorros-quentes chamada What’s Up Dog. O meu negócio funcionava no porão”, diz Pierre Werner, que é o Dr. Reefer em pessoa. “Quando a What's Up Dog fechou, eu me mudei para cá no dia seguinte, e desde então a loja funciona aqui”.
Aliás, Werner não é na verdade médico. Ao contrário, ele é – e diz isso em tom de orgulho e desafio - “um criminoso condenado em três ocasiões pela posse de maconha com a intenção de vender a droga”. Essa história, bem como o seu hábito de ficar próximo à beira da estrada acenando com um grande cartaz com a inscrição “Dr. Reefer” para os carros que passam, enquanto grita “venham pegar os seus medicamentos”, fazem com que os outros proprietários de drogarias especializadas em maconha, para não falar dos políticos locais, não o vejam com bons olhos.
Afinal de contas, eles estão tentando criar respeitabilidade – e talvez até mesmo um certo toque de classe –, e o Dr. Reefer não está os ajudando nessa tarefa.
Se existe um precedente histórico para aquilo que está ocorrendo atualmente no Colorado, esse precedente pode ser a década de vinte e a era da Lei Seca. Durante aquela era, a lei de proibição federal continha uma cláusula de exceção para uso medicinal do álcool, e médicos de toda a nação logo descobriram que podiam incrementar os seus rendimentos mediante a prescrição de receitas de bebidas alcoólicas.
As farmácias, que se candidataram a fornecer tais receitas, e que foram um dos últimos tipos de estabelecimentos nos quais se podia comprar uísque legalmente, lucraram bastante. Durante a década de vinte, o número de lojas Walgreens disparou de 20 para quase 400.
A Lei Seca também enriqueceu aventureiros em todos as etapas da produção e do consumo de bebidas alcoólicas, desde plantadores de uvas e destiladores até os donos de lojas ilegais de bebidas. Muitos deles acabaram acumulando fortunas legítimas com o fim da Lei Seca. Muitos indivíduos que estão no ramo da venda de maconha dizem acreditar que eles são os pioneiros em um mercado que poderá crescer enormemente, à medida que as leis e a opinião pública se tornarem mais favoráveis ao negócio. Mas muita coisa depende das restrições impostas à venda da cannabis, conforme indica o exemplo do Colorado.
Os vendedores daqui dizem que, para ter sucesso no negócio, é preciso levar em consideração dois fatores essenciais.
O primeiro é a importância de garantir a obtenção de muitos “direitos de profissionais de saúde”, uma espécie de autorização de venda que toda pessoa que tenha um certificado para a aquisição de maconha pode designar ao vendedor que escolher. Esses direitos de profissionais de saúde de cada paciente, conforme os usuários são universalmente conhecidos, permitem que a drogaria venda a maconha produzida por seis plantas, embora a maconha possa ser vendida para qualquer um que possua um certificado. Assim, quando mais desses direitos a drogaria de maconha obtiver, mas maconha ela poderá vender.
O segundo fator essencial é cultivar a própria maconha. Uma libra (454 gramas) de maconha é vendida no mercado varejista por um preço que varia entre US$ 5.500 e US$ 7.500 (R$ 9.960 e R$ 13.583). A compra dessa quantidade no atacado custará cerca de US$ 4.000 (R$ 7.244). Mas quem plantar a própria maconha terá um custo por libra que ficará apenas entre US$ 750 e US$ 1.000 (R$ 1.358 e R$ 1.811).
“É como um ambiente real de atacado”, afirma Sean Fey, um dos proprietários da Green Room. “Tendo em vista as despesas gerais, ninguém vai ganhar muito dinheiro se as margens de lucro forem de 40% ou 50%, que é aquilo que você ganha caso não cultive a sua própria maconha. Mas quem produzir a própria maconha terá margens de 70% a 80%”.
Até o momento espera-se que as vendas de maconha gerem cerca de US$ 2,7 milhões (R$ 4,9 milhões) em taxas de licenciamento, além dos mais de US$ 681 mil (R$ 1,2 milhão) em impostos sobre vendas coletados entre julho de 2009 e fevereiro de 2010. Esses números parecem ser um início suficientemente bom, mas representam bem menos do que os US$ 15 milhões (R$ 27,2 milhões) em impostos anuais previstos por algumas das autoridades mais otimistas do Estado.
Uma série de regulamentações conhecida como Emenda 1284, assinada pelo governador em 7 de junho, deverá inviabilizar os negócios de muitas drogarias de maconha, eliminando os indivíduos amadores e os semi-profissionais que embarcaram nessa onda porque não havia nada para detê-los, mas ela fortalecerá bastante aqueles que até o momento conseguiram se manter firmes.
Essa é pelo menos a esperança de Matt Cook, diretor de fiscalização do Departamento da Receita Estadual, e o homem responsável pelo sistema de regulamentação da maconha no Colorado.
“Eu lido com regulamentações para diferentes setores empresariais há 30 anos”, diz Cook. “Álcool, tabaco, venda de automóveis. Eu simplesmente peguei as melhores práticas desses setores, e me foi permitido apresentar as minhas próprias sugestões”.
As novas regras, muitas das quais entrarão em vigor nos próximos meses, tratam as drogarias de maconha um pouco como as farmácias tradicionais e um pouco como os cassinos. Em breve aqueles indivíduos que tiverem passagem pela polícia não poderão ser proprietários desse tipo de estabelecimento (Werner está vendendo a loja Dr. Reefer). Webcams que funcionarão 24 horas por dia estarão focalizadas em todas as unidades de cultivo e drogarias de maconha no Estado. Existem restrições quanto a horários, novas regras para licenciamento, diretrizes para rótulos, e assim por diante.
Os proprietários, de forma geral, não estão reclamando. Quando mais o negócio for regulamentado, maior facilidade eles terão para operar, afirma Respeto, da Farmacy. A companhia, que ela fundou com o pai, tem grandes ambições: tornar-se uma franchise para a venda de maconha para fins medicinais e fazer com a Super Silver Haze o que a Rite Aid fez com as pílulas. A loja em Boulder é de fato a quinta da companhia. Já existem três na Califórnia e uma em Denver.
“No passado eu fui gerente de lojas da rede Whole Foods na Costa Leste”, explica ela. “E aquilo era muito mais fácil, já que na indústria de alimentos a gente conhece os padrões”.
Respeto tem uma espécie de aparência normal típica das mães de pré-adolescentes, algo que se ajusta perfeitamente a um elemento central do plano de marketing da Farmacy. A companhia gostaria de expurgar desse setor aquela imagem de contracultura, de indivíduos chapados e confusos, e transformá-lo em algo mais condizente com o consumidor comum.
“O que se ouve falar sobre esse setor tem a ver com bandos de garotos de 18 anos que só querem curtir uma onda”, diz ela. “Mas no nosso estabelecimento você vê muito pouco disso. O que se vê nele é, por exemplo, aquela mulher de 50 anos de idade que sofre de artrite e que escolhe a maconha como medicação analgésica”.
A dimensão medicinal dessa indústria parece estar em uma tensão perpétua com as suas raízes psicodélicas. Todos os funcionários dessas drogarias transmitem uma grande sinceridade ao falarem sobre os benefícios da maconha à saúde, e cada um deles tem uma história a contar sobre um homem idoso cuja dor crônica de coluna desapareceu ao experimentar os poderes curativos da maconha Sour Diesel.
Essas são histórias verdadeiras, e não há dúvida de que a maconha ajuda muita gente que está padecendo de dores genuínas.
Mas qual foi a última vez que a sua farmácia ofereceu uma noite do milkshake? Ou que ela vendeu bolas de sorvete de chocolate e amendoim com “dosagem controlada”?
A julgar pelos três dias de visitas a doze estabelecimentos, o público-alvo dessas drogarias parece consistir de um grupo de pessoas de 20 a 30 anos de idade. Quando questionados, todos eles disseram que padecem de algum problema de saúde – insônia, cólicas menstruais ou vários problemas ortopédicos dolorosos.
“Eu fraturei uma vértebra na minha coluna”, diz Keith Aten, que acabou de passar na Green Room para comprar um biscoito e um caramelo “medicinais”. “A minha coluna dói se eu passar o dia caminhando muito”.
Aten é um jovem alto de 21 anos de idade que usa uma camiseta com a ilustração de uma “versão zumbi” do espantalho do Mágico de Oz, espreitando na Estrada dos Tijolos Amarelos e gritando “Cérebros!”. Como todo paciente, Aten é assiduamente cortejado com amostras pelos proprietários que estão de olho no direito de profissionais de saúde obtido pelo rapaz junto a um médico.
“O meu fornecedor costumava me dar uma amostra grátis de 14 gramas por mês, mas ele diminuiu essa quantidade para 7 gramas”, diz Aten. “Assim, eu estou procurando quem me ofereça algo mais vantajoso. Até o momento eu já visitei 30 estabelecimentos”.
Para adquirir esse status privilegiado, Aten precisou passar primeiro por um exame médico que certificasse que a maconha era um remédio apropriado para ele. E, por mais surpreendente que isso seja, o exame pode ser o dinheiro mais fácil de se ganhar nesse campo aromático.
Para entender por que, basta visitar o consultório do médico James Boland, a cerca de 15 quilômetros de Boulder, em um centro comercial em Broomfield. O lugar é uma modelo de eficiência de fluxo de trabalho. Em uma questão de minutos, os pacientes são saudados por uma secretária, têm os documentos registrados por um cartório público e são acompanhados até uma sala de espera – que no dia em que a reportagem esteve lá tinha uma televisão que exibia um vídeo que ensinava como preparar a própria maconha.
“Hoje eu atendi cerca de 40 pacientes, mas às vezes atendo até cem”, afirma Boland, sentado na sua pequena sala de exames.
Ele usa um uniforme verde escuro, como se fosse um membro de uma unidade MASH no intervalo de trabalho. Até o ano passado, ele tinha uma renda modesta fornecendo atestados médicos a trabalhadores de uma fábrica local de mobília.
Foi então que ele decidiu entrar em tempo integral no campo da maconha para fins medicinais, e abriu este espaço, que tecnicamente não é um consultório médico, mas sim uma “firma de gerenciamento e marketing” chamada Relaxed Clarity. Os seus funcionários têm permissão para fazer aquilo que ele não pode fazer – ir até as drogarias para fazer propaganda dos seus serviços.
E quando os pacientes chegam, eles se deparam com uma operação empresarial altamente eficiente. Cada exame demora de três a cinco minutos. “Tudo o que fazemos é responder a esta pergunta simples: esta pessoa tem um problema de saúde que faz com que ela se qualifique para o uso medicinal da maconha?”, explica Boland. “E ela apresenta algum outro problema de saúde que faria com que corresse algum risco de reação adversa caso fizesse uso da maconha?”.
Sim para a primeira pergunta, não para a segunda – essas são, segundo ele, as respostas em 90% dos casos. E ele sustenta cada uma das suas decisões.
De acordo com Boland, para os padrões da prática médica diária, este é um trabalho simples e sem dores de cabeça, a menos que o médico esbarre com jornalistas portando câmeras de televisão ocultas na esperança de identificar um caso de má conduta profissional. E há ainda o temor sempre presente de se tornar muito liberal na hora de assinar, tornando-se assim alvo de uma ação disciplinar do comitê médico estadual. Um número muito pequeno de médicos aprova a maioria dos certificados, e Boland é um dos mais lenientes.
Em apenas um ano, trabalhando três dias por semana na Relaxed Clarity, ele atende 7.000 pacientes, cada um deles pagando em média US$ 150 (R$ 272) por consulta. Ele pega uma calculadora e faz umas contas rápidas. Isso significa mais de US$ 1 milhão (R$ 1,8 milhão) em 12 meses. “E não há uma espera para que uma companhia de seguros pague uma fração daquilo que você solicitou”, diz Boland. “Sabe como é: Boom! Dinheiro vivo à vista. Assim, dá para ganhar uma quantidade significativa de dinheiro fazendo isso”.
Assim como a Farmacy, Boland pretende expandir o seu negócio para o âmbito nacional, abrindo clinicas Relaxed Clarity em outros Estados. A diferença é que o negócio dele é rentável, enquanto que a filial da Farmacy em Boulder, pelo menos por ora, não é.
A ausência de lucros tem sido uma fonte de estresse para Respeto. Talvez, à medida que a indústria amadurecer, fique mais fácil e previsível navegar nesse negócio, e haja uma tendência menor a dar telefonemas em pânico devido a problemas imprevistos. Até lá, a boa notícia é que ela está cercada todos os dias por um dos mais conhecidos relaxantes da terra. A má notícia é que ela é uma das poucas pessoas do ramo que não fuma maconha.
“À noite eu vou para casa e tomo uma taça de vinho”, suspira Respeto.
Tradução: UOL
Perfil dos adolescentes em conflito com a lei

O tema dos atos infracionais praticados por crianças e adolescentes é polêmico e abrangente. A vinculação entre infração e pobreza, no sentido do que a infração é atribuída à pobreza dos grupos de origem dos adolescentes, à desagregação familiar, ao fracasso escolar, à falta de regras e limites, leva a considerá-los infratores mais por esses aspectos do que pelas infrações que cometeram. O sentimento de medo, de insegurança e de apreensão em relação a eles, nos diferentes espaços sociais, é fruto da elaboração coletiva e do poder da informação midiática. Desta forma não são as práticas infracionais que suscitam alarme e destroem a tranqüilidade pública, mas o pobre e o negro que ainda permanecem no imaginário coletivo como figuras perigosas para a ordem pública.
O sentimento de insegurança, as propostas de estratégias de punição e maior controle social, aumentados pelo descaso dos órgãos públicos responsáveis pelas políticas sociais de atendimento aos adolescentes, provocam um superinvestimento penal, que se torna o único instrumento apto a enfrentar as práticas infracionais e serve para generalizar ainda mais a insegurança que inevitavelmente se propaga entre os grupos colocados em posições inferiores na escala social (Wacquant, 2001). Trata-se, portanto, de passar de uma concepção negativa de segurança, entendida como simples incolumidade individual em relação a possíveis atos de agressão e como repressão ao delito, para uma concepção positiva de segurança, como reconhecimento das expectativas e da identidade da pessoa e como participação social (Zolo, 2004).
Ao mesmo tempo, necessita-se fazer passos concretos de prevenção e proteção social integral. Não é suficiente olhar os fins, as idéias, as teorias, desejar uma sociedade justa, igualitária, inclusiva e de respeito para todos. Precisa olhar os meios:
"o problema mais interessante a discutir - e provavelmente também o mais suscetível de algum bom resultado - é o dos meios mais do que dos fins; o discurso sobre os fins, diga o que disserem uns e outros, corre sempre o risco de cair no genérico (BOBBIO, 2003,167)."
Temos a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança (1989), ratificada pelo Brasil em 1990, que, nesse mesmo ano, promulgou a Lei Federal nº 8.069, denominada Estatuto da Criança e do Adolescente. Seria interessante estudar e pesquisar o que há por baixo de toda a polêmica e rejeição ao ECA. Um exemplo disso é a atitude e a crítica por parte de prepostos da segurança devido ao fato de que o ECA se tem demonstrado um meio de contenção da arbitrariedade policial.
A problemática de crianças e de adolescentes em conflito com a lei questiona profundamente a cultura da violência, isto é, a ruptura dos nexos sociais pelo uso da força e apela para a erradicação da violência pela construção da cidadania. O que não se pode aceitar não são somente as manifestações de violência, mas a submissão e aceitação dessa realidade.
Clique aqui para ver o trabalho na íntegra
Violência além dos muros
D. mostra o braço atingido por estudante de 16 anos em Oswaldo Cruz Foto: Paulo Araújo / Agência O Dia
Menino de 12 anos, perseguido por ser calouro, é agredido com um porrete a 150 metros da escola
Rio - Vítima de bullying — agressões verbais e psicológicas repetidas vezes, sem motivação evidente —, D., 12 anos, aluno do 6º ano de escola municipal em Oswaldo Cruz, Zona Norte do Rio, foi espancado a golpes de porrete por um estudante do 8º ano, 16 anos, na manhã de segunda-feira.
Por causa das pancadas nas costas, braço esquerdo, orelha direita e cabeça, o menino vomitou e sofreu tonturas por mais de quatro horas. Ontem, fez exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML).
O suspeito das agressões vai depor hoje na 30ª DP (Marechal Hermes), onde o caso foi registrado como lesão corporal. A pancadaria ocorreu às 11h15, a 150 metros do colégio.
“Se as pessoas não interferem e tomam o porrete, acho que meu filho teria morrido ali”, alertou o pai do menino, 56.
“Enquanto um me batia, outros quatro mandavam ele bater ainda mais”, revelou D. “Eles vieram por trás, puxaram minha mochila, por isso o empurrei para me soltar. Foi quando ele pegou o porrete”.
Desde que entrou para a escola, em fevereiro, D. sofre por ser um dos calouros. Há dois meses, o pai pediu à direção que o transferisse para o turno da manhã. “Briguei com um garoto que não parava de dar tapa no meu rosto”, disse D.
“Cercamos ele de carinho, por isso não admitimos que seja vítima de violência, ainda mais no ambiente escolar”, ressaltou a mãe, 50, que tem outros três filhos.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação reafirmou que o fato ocorreu fora das dependências da escola. “Ao tomar conhecimento do ocorrido, a direção encaminhou os estudantes de volta à escola e convocou os responsáveis para reunião. O aluno do 8º ano, acusado de agressão, mora com a avó e, de acordo com ela, será providenciada a sua transferência, pois ele voltou a viver com os pais na cidade de Araruama”.
Escola deve prevenir o bullying, diz pediatra
O pediatra Lauro Monteiro Filho, especialista em bullying, disse que o problema deve ser prevenido e combatido pela escola.
“Prevenir e combater o bullying é responsabilidade de toda a instituição e envolve funcionários, professores, diretoria, alunos e pais”.
O médico também dá uma dica sobre como enfrentar este drama recorrente.
“Não se resolve o bullying escolar na polícia ou na Justiça, que são as últimas instâncias a serem procuradas, se todo o resto falhou”.
No Rio de Janeiro, o combate ao bullying está previsto na lei 5.089, sancionada pelo prefeito Eduardo Paes em outubro de 2009. O texto destaca que as unidades de ensino devem incluir ações antibullying nos projetos pedagógicos.
O DIA ONLINE
Congresso contra drogas tem início hoje na Capital
Renomados especialistas se reúnem a partir de hoje para combater um inimigo comum: o crack. Com o objetivo de encontrar soluções para enfrentar o crescente problema do abuso de entorpecentes no Estado e no país, inicia-se às 8h o 1º Congresso Internacional Crack e outras Drogas: Um Debate que se Impõe.
Promovido pela Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul e a UFRGS, com apoio do Grupo RBS, o evento vai reunir personalidades – que são referência na área – de quatro países: Argentina, Brasil, Colômbia e México. Até sexta-feira serão realizadas três conferências, três painéis e 16 oficinas, todas com inscrições esgotadas.
O primeiro palestrante será o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes. Também no primeiro dia, ocorrerá o Painel da Prevenção, que terá a participação do vice-presidente RS da RBS, Geraldo Corrêa. Amanhã, o psiquiatra e psicanalista Eduardo Kalina é uma das atrações. A médica e doutora em ciências Ana Cecília Marques participará do Painel Tratamento.
O foco das discussões estará na prevenção, no tratamento e na redução da oferta de drogas, principalmente do crack. Segundo dados do IBGE, o número de usuários da pedra no Brasil chega a 1,2 milhão, e a idade média para início do uso da droga é de 13 anos. No início de 2009, pelo menos 55 mil pessoas consumiam a pedra diariamente no Estado.
Os debates
- O que: 1° Congresso Internacional Crack e Outras Drogas
- Quando: até sexta-feira
- Onde: salão de Atos da UFRGS
- Como participar: as vagas estão esgotadas
- Novas inscrições: só em caso de desistência, no local, por R$ 30
- Gilmar Mendes – Ex-presidente do STF, o ministro fará a conferência de abertura do evento
- Solange Nappo – Pesquisadora do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
- Eduardo Kalina – Psiquiatra e psicanalista argentino, é autor de livros sobre dependência de drogas
Polícia investiga maus-tratos contra criança em ritual de magia
Criança foi encontrada com ferimentos no corpo.
A polícia de Várzea Paulista vai investigar a denúncia de maus tratos e cárcere privado de uma criança de dez anos. Ela foi encontrada em um terreiro de umbanda que funcionava irregularmente. O promotor da Vara e da Infância determinou que a menina seja levada para um abrigo.
A conselheira tutelar, Elaine Rodrigues, chegou até à casa, na Vila Real, para investigar uma denúncia de maus tratos. Ela encontrou a menina de 10 anos com a cabeça raspada e com pequenos cortes pelo corpo. A mãe da menina é uma frequentadora do terreiro. A mãe e o pai de santo foram levados para a delegacia para prestar depoimento. Eles não quiseram falar sobre as denúncias.
A criança foi encaminhada à Vara da Infância e Juventude. Para o promotor , a menina contou que participava de um ritual. Uma das exigências era ficar pelo menos 14 dias sem sair de casa. Com base no depoimento, o promotor decidiu encaminhar a criança para um abrigo.
A polícia também vai investigar o caso. O delegado quer saber a origens das lesões encontradas no corpo da menina e se ele era mantida em cárcere privado. Uma equipe da Vigilância Sanitária foi verificar a denúncia de maus tratos a animais que vivem no terreiro de umbanda,mas não encontrou irregularidades.
Também em Várzea Pauista policiais estiveram em outro centro de umbanda da cidade para verificar uma denúncia de pedofilia. No local, havia três adolescentes. Foram encontrados preservativos e revistas pornográficas. O Ministério Público informou que vai abrir procedimento para investigar a denúncia.
TV Tem
terça-feira, 6 de julho de 2010
Menor confirma que ex de Bruno está morta, diz policial
Eliza Samudio está desaparecida desde o início do mês passado.
Ela tentava provar que goleiro do Flamengo é pai do filho dela.
Um inspetor da Divisão de Homicídios do Rio disse, nesta terça-feira (6), que o menor levado da casa do goleiro Bruno confirmou que a ex-namorada do atleta do Flamengo, Eliza Samudio, estaria morta. Ele, no entanto, não teria dito como isso aconteceu. Segundo o policial, o menor disse também que sequestrou e deu uma coronhada na cabeça da jovem, que ficou desacordada, mas não teria morrido em decorrência da agressão. Eliza está desaparecida desde o início de junho.
A arma usada na agressão seria uma pistola e pertenceria a um amigo de Bruno, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão. Na versão do menor, Eliza saiu de carro junto com Macarrão. O adolescente estaria escondido no carro e teria agredido Eliza depois de uma discussão entre ela e Macarrão. O inspetor disse que o menor não envolveu Bruno no ocorrido. O advogado de Macarrão disse à TV Globo que não acredita na versão do menor.
Um dos advogados do escritório que defende o goleiro Bruno, Monclar Gama, esteve mais cedo na Divisão de Homicídios para ver como estava o menor. O advogado disse, ao sair da delegacia, que não teve acesso ao depoimento prestado pelo adolescente. Ele afirmou também que Bruno estava na casa no momento em que a polícia chegou para levar o menor, e recebeu os agentes. Segundo Gama, o menor permanece na delegacia, acompanhado de um tio.
Denúncia
O delegado Rafael Willis, titular da 16ª DP (Barra da Tijuca), informou, em entrevista à Rádio Tupi, que um parente do jovem foi à delegacia, contou que o menor estaria na casa do goleiro e tinha informações sobre o caso. A polícia teria chegado ao adolescente após essa informação.
A assessoria do Disque-Denúncia confirmou que recebeu uma ligação com informações que também ajudaram a localizar o menor na casa de Bruno.
Bruno será ouvido
Em Minas Gerais, a Polícia Civil informou que é responsável pelas investigações do desaparecimento de Eliza Samudio e que acompanha o que está acontendo no Rio de Janeiro.
O delegado Edson Moreira afirmou, mais cedo, que está negociando com os advogados do goleiro Bruno para que ele seja ouvido na sexta-feira (9) ou na semana que vem. O depoimento deve acontecer em Belo Horizonte ou no Rio de Janeiro. Além de Bruno, pelo menos outras duas pessoas devem ser ouvidas no mesmo prazo. São elas: a mulher do goleiro, Dayanne, e um amigo conhecido como Macarrão.
Nesta tarde, os bombeiros voltaram ao entorno da Lagoa Suja, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a equipe que esteve no local, não foram encontradas pistas. Na segunda (5), a polícia recebeu uma denúncia de que o corpo da jovem foi jogado nessa lagoa e os bombeiros já haviam realizado buscas no local, sem sucesso.
Havia uma previsão de buscas na Lagoa dos Tocos, que fica na mesma região, mas esse trabalho não aconteceu.
Outro depoimento
Na manhã desta terça-feira, a mãe de criação de Bruno foi ouvida em casa, em Ribeirão das Neves. A conversa foi mantida em sigilo. Ela não precisou ir até a delegacia devido à idade avançada.
Pelo menos 30 pessoas já prestaram depoimento. A Polícia Civil deve enviar um representante nos próximos dias a São Paulo para recolher o material que está no notebook de Eliza.
Entenda o caso
De acordo com a polícia, o sumiço de Eliza Samudio começou a ser investigado depois de denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador Bruno, em Esmeraldas (MG).
Dayane Fernandes, mulher do goleiro Bruno, teria dito, em depoimento à polícia, que Eliza teria abandonado o bebê. A criança foi encontrada pela polícia na casa de desconhecidos e foi entregue ao avô, pai de Eliza, em 27 de junho.
Dayane chegou a ser levada à delegacia na sexta-feira, 25 de junho. Ela foi detida e liberada em seguida. Segundo a delegada, a mulher do atleta foi autuada por subtração de incapaz.
Na segunda-feira passada, 28 de junho, a polícia vasculhou o sítio do goleiro Bruno, por mais de nove horas. Policiais e peritos fizeram escavações e vistoriaram o sótão, onde encontraram roupas de mulher, objetos de criança, fraldas e passagens aéreas. Um poço também foi vasculhado. A polícia já ouviu funcionários do sítio de Bruno e amigas de Eliza.
O Flamengo anunciou que o goleiro permanece afastado do time durante as investigações. Em 1º de julho, ele disse que estava "muito chateado" com o sumiço de Eliza. O atleta ainda não foi chamado para depor.
Aluizio Freire
G1
Psicóloga dá dicas para os pais lidarem com o cyberbullying, violência que ocorre contra as crianças no mundo virtual

" É importante perceber a diferença entre carregar um celular que permita ligar para a mãe e o pai e ter um computador em miniatura - que pode navegar na web e receber e enviar fotos e textos "
Leitora: Como posso preparar a minha filha para o cyberbullying, já que ela passa horas em frente ao computador e tem o seu próprio celular?
Elizabeth K. Englander: O ideal é falar sobre o problema antes que ele aconteça de fato. Pergunte aos seus filhos sobre o cyberbullying, se já ouviram falar, se conhecem alguma criança que tenha enfrentado o problema. Contem a eles o que vocês sabem sobre cyberbullying. Algumas orientações são dadas no site da instituição (em inglês, pelo endereço www.MARCcenter.org ). Outro ponto que gostaria de falar é que a idade mínima para ter uma conta no Facebook é de 14 anos. Sei que muitas crianças falsificam suas idades e acho que dar essa permissão a elas é enfatizar o não cumprimento de regras. Meu método com os meus filhos é dizer a eles que só terão uma conta no Facebook seguindo as regras, e uma delas é não mentir sobre a idade. É claro que muitas abrem suas contas sem os pais nem saberem e mentem sobre suas idades, mas acho que isso é diferente de quebrar uma regra com o consentimento da família.
Leitora: Quando as crianças devem ter a permissão para ter seu próprio celular ou acessar sozinhas os sites de seus interesses? Percebo que eles precisam de uma educação (e os pais também) sobre como se comportarem no mundo virtual. As escolas também têm um importante papel nisso?
Elizabeth K. Englander: É importante perceber a diferença entre carregar um celular que permita ligar para a mãe e o pai e ter um computador em miniatura - que pode navegar na web e receber e enviar fotos e textos. Os pais devem monitorar o que os filhos fazem online ao invés de dar às crianças um aparelho que pode acessar a internet sem nenhuma educação prévia. Pensamos nos celulares como telefones. Mas nossos estudos em Massachusetts mostram que eles só usam o aparelho para ligar em 20% do tempo ou menos.
Acho que o ideal é informar seu filho sobre os riscos do celular, e que você estabeleça com o seu filho um código de confiança em que você espere que ele respeite os outros online e as regras estabelecidas pelos pais. Celulares dados e com as contas pagas por mamãe e papai são um privilégio, não um direito. Como todos os nossos filhos terão que usar todos esses aparelhos eletrônicos , a educação, os conselhos, e o bate-papo são fundamentais.
Fui molestada pelo dr. Roger sem anestésico algum'

Eu posso gritar ao mundo que ele está mentindo em todas as suas tentativas de defesa:
EU TINHA APENAS CÓLICAS RENAIS,
EU NÃO TOMEI PROPOFOL,
EU NÃO ESTAVA ANESTESIADA COM ESSA OU QUALQUER OUTRA DROGA,
EU NÃO FIQUEI FRUSTRADA COM O TRATAMENTO,
EU NÃO FIZ TRATAMENTO PARA ENGRAVIDAR.
EU ESTAVA LÚCIDA A PONTO DE CONSEGUIR FUGIR DO HOSPITAL.
Vejo que ele se perde em cada tentativa de defesa. Na época em que fui molestada, eu era jovem, solteira, virgem, e NÃO ESTAVA FAZENDO TRATAMENTO PARA ENGRAVIDAR. Estava, sim, em um leito hospitalar para tratamento de cólicas renais, para a retirada de um cálculo renal que, segundo o que eu vi, era menor do que um grão de areia.
Até hoje me pergunto se era necessário passar pelo que passei.
Será que foi necessário ele passar o cateter via uretra por causa de alguns cristais no rim e não tentar um tratamento adequado para eliminá-los? Por quê? Por que tive que sofrer tantas dores, rins feridos que sangravam, sonda vesical (algália) por vários dias?
Era nessa situação que ele me molestava, soro nos braços, sondas e fragilidade pelas dores... e nunca sob efeito de anestésico algum.
Roger era recém formado, tinha mais ou menos 28 anos e trabalhava aqui em Campinas, no interior de São Paulo.
Sua mania de molestar as mulheres e de dar golpes (Construtora e Agropecuária) vem desde jovem. Sou prova viva disso!
Por mais que ele esteja tentando prejudicar a mim e as outras vítimas, Deus sabe de tudo e creio que a juíza Kenarik Boujikian Felippe vai analisar os nossos depoimentos e o dele e dar a sentença merecida.
...“Mas a maior sentença ele terá de cumprir diante D'Ele. Desse ele não escapará, para o qual não adianta “mentir ou chorar”. A sentença já estará escrita, caso a caso, até para o daquelas mulheres que por medo ou vergonha não chegaram até aqui...”
Paulopes Weblog
Imagens exclusivas revelam marcas de sangue no carro do jogador Bruno
É esperado para esta semana o resultado do exame de DNA que pode apontar se o sangue encontrado em um dos carros do jogador Bruno é ou não de Eliza Samudio, desaparecida há mais de 20 dias. O jogador do Flamengo, que já jogou no Atlético, é o principal suspeito do desaparecimento da modelo de 25 anos. Imagens obtidas com exclusividade pela reportagem do "Fantástico" mostram as marcas espalhadas por um dos vidros. O teste do luminol revelou a presença de sangue humano dentro do veículo. As amostras do material já estão em análise.
No quebra-cabeça montado pelos investigadores uma peça não se encaixa: se o sangue encontrado no carro for de Eliza Samudio, como ela teria sido vista no dia 10, dois dias depois da apreensão do veículo? Para o chefe do Departamento de Investigações da Polícia Civil de Minas Gerais, o carro pode ter saído do pátio de forma criminosa. "Tudo é possível, pode ter suborno. A pessoa que apreendeu, que fez a ocorrência pode ter errado a data", afirma Edson Moreira.
Contradições
Testemunhas ouvidas pela polícia afirmam ter visto o goleiro Bruno com Eliza Samudio e o filho no sítio que o jogador tem em Minas no começo de junho, dias antes de a modelo desaparecer. A versão é diferente da que foi dada pelo atleta do Flamengo, apontado pela polícia como principal suspeito pelo sumiço de Eliza, desaparecida há 20 dias.
"Eu estive com ela há uns, não sei dizer muito bem, mas talvez uns dois, três meses atrás quando fui conhecer a criança", afirmou o goleiro sobre o caso na semana passada.
O desaparecimento de Eliza Samúdio começou a ser investigado depois de denúncias de que ela havia sido agredida no sítio que pertence ao jogador. Para a polícia, Bruno é o único suspeito.
A reportagem tentou contato durante toda a semana com o goleiro Bruno para comentar o caso. Ele chegou a marcar uma entrevista no sábado (3), mas desmarcou minutos antes. Hoje no fim da tarde a equipe do "Fantástico" falou com ele pelo telefone e o atleta prometeu marcar uma nova data para a entrevista.
Ao todo, 25 pessoas já prestaram depoimento. De acordo a polícia, no dia 9 de junho, Eliza Samudio ligou para uma amiga. O rastreamento telefônico apontou que ela estava numa região próxima ao sítio. Esse teria sido o último contato da modelo.
Mas de acordo com depoimento do administrador do sitio, Elenilson Vitor, ele teria visto Eliza no dia 10 de junho. O desaparecimento de Eliza é investigado desde o dia 24 de junho, quando um informante diz que Eliza Samudio foi violentamente agredida até a morte no sítio do goleiro Bruno e que o corpo foi ocultado e os objetos pessoais da modelo queimados.
A polícia passa a vigiar o local. "Só com mandado de busca e apreensão, ok?", afirma o porteiro para evitar a entrada na propriedade.
Orgias e violência
Os depoimentos também indicam que o goleiro promovia orgias com prostitutas em seu sítio. A propriedade fica num condomínio fechado, um refúgio familiar sempre que ele está em Minas. "Sempre no final da noite acontecia isso, esse fato de tirar a roupa, de pular na piscina, de strip tease", diz uma amiga de Bruno.
O bebê de Eliza
Nas investigações, o caseiro José Roberto Machado diz à polícia que viu um bebê no sítio, que seria filho de Bruno. O administrador da propriedade, Elenilson Vítor da Silva, relata que a criança chegou ao local com Luiz Henrique Romão, o Macarrão, apontado como o braço direito do jogador.De acordo com os interrogatórios, o bebê foi tirado do sítio por Dayane de Souza, mulher de Bruno. Ela chegou a ser presa por subtração de incapaz e liberada. A polícia passa a investigar o desaparecimento de Eliza.
"Há grande possibilidade da Eliza já estar morta", afirma o delegado do caso Edson Moreira.
Investigadores entram no sítio, cavam o terreno e fotografam uma cisterna. Do porão, retiram uma lona preta.Para entrar na casa, pulam uma janela. No segundo andar, examinam móveis, cortinas e o piso. Encontram roupas de mulher e fraldas de bebê. Depois, vão para a mata e usam uma lanterna amarrada a uma corda para checar outra cisterna sob as árvores. À noite, peritos voltam para um teste com luminol, um reagente químico que detecta vestígios de sangue imperceptíveis a olho nu. Mas a tentativa não dá certo.
O encontro
Eliza Samudio era deslumbrada com o mundo do futebol. Colecionava fotos com jogadores como Raí e Cristiano Ronaldo. O encontro com o ídolo do Flamengo aconteceu no Rio de Janeiro. "Depois do churrasco todo mundo foi pra alguma festa. Eles ficaram juntos e a partir daí se encontraram algumas vezes, ficaram uns quatro meses que ela falava se encontrando com ele", conta uma amiga.
"O relacionamento aconteceu no dia 21 de maio de 2009 quando aconteceu a gravidez", explica a advogada.Na época, o goleiro Bruno estaria pagando um apartamento para a namorada no Rio de Janeiro. O atleta não teria gostado do fato de Eliza ter procurado a imprensa para dizer que o filho era de Bruno.
"Ele entrou no quarto, puxou os cabelos dela, pegou o celular dela, pediu para ela ligar para a imprensa, dizer que era mentira".
Eliza saiu do apartamento e foi para a casa de amigas. Em outubro do ano passado, Bruno voltou a procurá-la dizendo que queria fazer um acordo.
"Às duas horas da manhã, alguns dias depois, ele ligou dizendo que estava na frente da casa a esperando para conversar. Ela saiu feliz né", conta a amiga.
No dia seguinte, Eliza, grávida de cinco meses, registrou queixa na delegacia de mulheres do Rio de Janeiro.
"Ele me levou para o apartamento dele, me deu um monte de remédios para dormir e uma bebida horrorosa, horrível, que eu não sei o que era. Aí, eu dormi, acordei, "eram" 2h da tarde, aí eles falaram: "está bom, sexta feira, você vai abortar a criança. Aí eu falei: "tá bom". Aí ele falou assim: "se você for à delegacia ou em qualquer lugar eu vou atrás de você, mato você, mato sua família, mato suas amigas que eu sei onde está cada uma, sei o nome de cada uma delas", declarou Eliza em um vídeo.
Esta semana saiu o resultado do exame feito nesse dia que comprovou a presença de abortivos na urina de Eliza. Uma contra-prova ainda será feita.
Vida em São Paulo
Depois do episódio, Bruno passou a ser investigado criminalmente. Eliza fugiu para São Paulo e ficou na casa da mãe de uma amiga.
"Pensei que se fosse uma filha minha que tivesse em situação que ela se encontrasse e tivesse uma pessoa para apoiar, para mim era uma benção de Deus", diz a mãe da amiga de Eliza que a hospedou.
Eliza passou toda gravidez com a amiga. O bebê nasceu em fevereiro. Mãe e filho ficaram em São Paulo até o começo de maio deste ano.
"Cheguei do meu trabalho e ela tava sentada no mesmo cantinho que ela sempre estava e o nenê do ladinho. Ela falou: "tia, vou viajar para o Rio". Aí me deu um desespero, sabe quando você pensa um montão de coisa, que se fosse minha filha, eu jamais deixaria, mas ela é adulta, já tem um filho, como vou fazer?", desabafa a mulher que hospedou Eliza.
"Eu inclusive eu a orientei, Eliza, já aconteceu uma agressão, tente não se aproximar dele, deixa isso tudo para o processo e fica em casa esperando", explica a advogada de Eliza.
Últimos contatos
Segundo uma mensagem, enviada do celular de Eliza, ela estaria em um hotel no Rio de Janeiro.
"Ela me mandou uma mensagem no dia 11 de maio dizendo que já estava no Rio de Janeiro, dizendo "estou no mesmo hotel que fiquei aquela vez, se acontecer algo, já sabe quem foi", revela a advogada.
Eliza prometeu voltar para São Paulo no fim de maio, mas no dia 4 de junho, contou à amiga que o plano era outro.
"Ela comentou "ah, o Bruno queria que eu fosse morar em Minas, porque ele vai fechar contrato com um time de fora e gostaria que o filho dele tivesse mais contato com a família dele que mora em Minas".
Bruno disse que não via Eliza há dois ou três meses.
"Tive a informação dela de que o Bruno pegou o filho no colo, pediu fotos do filho", afirma a advogada.
O último contato foi feito com a família que a abrigou em São Paulo. Eliza dizia que estava em Minas, mas que pretendia voltar para a capital paulista.
"O último dia em que ela ligou mesmo, que as minhas filhas falaram com ela, foi no dia nove. Nesse dia, minha filha falou: Eliza, quando você vem aqui, quando você vem embora"?
"Ela disse: 'daqui uns 10 dias estou chegando, porque a roupa do Bruninho está perdida, porque ele está gordinho e eu vou pegar o restante da roupinha dele", afirma a testemunha. "Depois disso, a minha filha tentou várias vezes entrar em contato com ela, mas só dava fora de área, como se fosse desligado e ela nunca deixou o celular dela desligado", lembra a mãe da amiga de Eliza.
O goleiro Bruno disse que Eliza tinha entregado o bebê a um funcionário dele, mas as pessoas próximas dizem que isso era impossível.
"Eu não imagino a Eliza sofrendo sozinha por aí sem o filho, porque para ela entregar o filho dela pra alguém, ela nunca entregaria aquele menino pra ninguém. Aqui é a casa dela, sempre foi, se ela estiver viva, vai estar sempre à disposição dela", diz, emocionada, a amiga.
Testemunha diz que vigilante ganhou R$ 5 mil de ex de Mércia

Defensor de Mizael contesta versão de testemunha; 'cliente é inocente', diz.
Para a Polícia Civil de São Paulo, o depoimento que uma testemunha não identificada deu no caso Mércia Nakashima pode complicar a situação do advogado e policial militar aposentado Mizael Bispo de Souza, de 40 anos, considerado o principal suspeito pelo assassinado da advogada de 28 anos. De acordo com a versão dela, o vigilante Evandro Bezerra da Silva, de 38 anos, lhe contou num telefonema que havia recebido uma proposta de ganhar R$ 5 mil de Mizael se fizesse “uma coisa errada” para ele.
De acordo com a investigação, Evandro está envolvido no crime e a "coisa errada" era participar da morte de Mércia. A Justiça decretou a prisão temporária do vigilante após ele faltar a um depoimento. A polícia ainda procura o suspeito, que está foragido desde que soube da morte da advogada em 11 de junho. O corpo da vítima foi encontrado em uma represa em Nazaré Paulista, no interior do estado.
Além do ex-namorado de Mércia e Evandro, o delegado Antonio Olim, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), investiga a possível participação de um dos irmãos de Mizael no homicídio. Este último fez 27 ligações para o telefone do vigilante após o desaparecimento da advogada em 23 de maio. Nesta data, a vítima foi vista pela última vez saindo da casa dos avós, em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Outro lado
Para o advogado da família Nakashima, Alexandre de Sá Domingues, o depoimento desta testemunha é importante para elucidar quem matou Mércia. “O que a investigação já tem incrimina bastante o Mizael”, disse Sá Domingues.
“Eu soube deste depoimento: a testemunha é amigo do Evandro. Ela conta que Evandro ligou para ela antes do crime ocorrer e recebeu uma proposta para fazer um ‘negócio errado’. Ela falou que Evandro lhe contou que poderia aceitar a proposta porque a filha estava passando dificuldades. Depois, Evandro ligou para a testemunha e disse que fez besteira. A proposta inicial para ele fazer o ‘negócio errado’ era de R$ 5 mil”, contou o advogado Sá Domingues.
Procurado para comentar o assunto, o advogado de Mizael, Samir Haddad Júnior, criticou a versão dada pela testemunha e falou que pretende processar todos aqueles que estão dando informações “mentirosas” sobre seu cliente à polícia.
“Isso é tão infeliz. Mentirosa essa informação. Isso é mais uma testemunha mentirosa que apareceu um mês depois e que a polícia dá como verdadeira e que acrescentou algo às investigações. Se ele não provar que Mizael deu R$ 5 mil, vou processá-lo por dano moral. Todas as testemunhas que estão mentindo contra o Mizael serão processadas por danos morais. R$ 5 mil é preço para mandar matar bandidinho no tráfico e não advogada. Meu cliente não matou ninguém. Ele é inocente”, afirmou Haddad Júnior.
G1
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Psicanalistas alertam para problemas da Geração Narcisista, formada por crianças que só recebem elogios e não batalham por nada

Um dos maiores vilões da Geração Narcisista, mostram os psicanalistas, é o culto exagerado à autoestima. O que Rob Asghar percebeu é que não batalhar para ser aprovado pode gerar cidadãos até ajustados. Mas, segundo ele, todos os empregadores em busca de novos funcionários são unânimes em afirmar que os jovens não sabem se empenhar para conquistar nada nos dias de hoje. Querem tudo de mão beijada e já se sentem, de antemão, elogiados.
Bill Maier, um terapeuta de família do Colorado especializado em treinamento dos pais, disse que está chocado com o aumento do que ele chama de pais permissivos. Esses pais falham no dever de estabelecer limites para os filhos:
- Esse tipo de pai e mão não consegue estabelecer limites para o comportamento da criança. Até mesmo para comportamentos que não são saudáveis, são perigosos ou destruitivos. Esses pais estão tão preocupados em serem amados por seus filhos que pagam por qualquer capricho das crianças - explica Maier.
Maier diz que há um efeito cascata nesse tipo de comportamento dos pais:
- Mesmo que você faça um bom trabalho, o universo que cerca o seu filho será o de crianças que têm pais permissivos e isso vai gerar uma influência sobre o seu: pense sobre o bullying, sobre as trapaças dos colegas de classe, de abusos de namorados ou namoradas.
Joanne Weidman, terapeuta de família da Califórnia, disse que o narcisismo que existe entre os pequenos é resultado de uma tendência narcisista de seus próprios pais. E atribui aos pais uma acomodação com relação à educação dos filhos e expectativas irreais sobre o sucesso deles que são extremamente prejudiciais.
Os sinais estão em competições tolas entre os próprios pais - do tipo quem faz a maior e melhor festa para uma criança de 2 anos que não tem nem condições de aproveitar a comemoração.
- Temos crianças com uma prateleira cheia de troféus e uma casa cheia de fotos de todos os seus movimentos, mas nenhuma ideia de quem eles realmente sejam - explica Weidman.
O Globo
MP pede 300 anos de prisão para médico acusado de estupros
Larissa teria tentado desbloquear contas do seu marido AbdelmassihA juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo, deverá anunciar a sentença até o final de setembro. Ela já ouviu cerca de 200 pessoas, entre testemunhas da acusação e da defesa. Pela legislação brasileira, acusado de crime sexual não vai a júri popular.
Na avaliação de advogados, mesmo que haja tal condenação, o médico poderá se livrar da prisão até que a sentença seja confirmada (ou não) pelas instâncias superiores da Justiça, o que pode levar anos.
O Fantástico de ontem – conforme este blog já tinha noticiado – informou que o médico chorou durante o seu depoimento à juíza e que, mais uma vez, ele se declarou inocente.
Em seu interrogatório, no dia 7 de maio, admitiu que dava beijinhos nas pacientes porque se trata de um comportamento carinhoso que vem de sua família e que isso teria sido mal interpretado. O médico chegou a prometer à juíza abandonar o hábito dos 'beijinhos'.
O Fantástico confirmou, ainda, que a Procuradoria da Defesa do Consumidor de São Paulo pediu o bloqueio dos bens de Larissa Maria Sacco (foto acima), 34, mulher do médico, porque ela teria criado uma empresa para movimentar as finanças do marido que foram congeladas pela Justiça para o pagamento de eventuais indenizações. O nome da empresa é Agropecuária Colema e foi aberta em sociedade com Elaine Therezinha Sacco Khouri, irmã de Larissa.
O médico também responde como réu a uma ação civil pública por crimes contra os direitos do consumidor sob a acusação de vendas casadas (tratamento de fertilização mais medicamentos) e não emitir recebido às pacientes, lesando assim o fisco.
Abdelmassih e Larissa se casaram no dia 6 de fevereiro deste ano, e agora ela está grávida de seis semanas. A mulher do médico é procuradora e está licenciada do Ministério Público do Estado de São Paulo desde quando o escândalo dos estupros explodiu nos jornais, no ano passado.
Uma ex-paciente que afirma ter sido estuprada pelo médico disse ao programa da TV Globo que os “beijinhos” de Abdelmassih não tinham nada de inocente. “Ele vinha com essa mania, mas dava para perceber que quando encostava (para beijar) estava excitado”.
Ela também disse que Abdelmassih ficava com frequência sozinho com paciente, diferentemente do que ele afirmou à Justiça.
No interrogatório, o médico retomou a alegação de que o anestésico propofol pode ter causado alucinações sexuais nas pacientes, o que seria um dos motivos das denúncias contra ele.
O anestesiologista Irimar de Paula Posso, com mais de 40 anos de profissão, afirmou ao Fantástico que tal efeito colateral do propofol é raro.
“Existem muitos relatos de médicos que assediaram pacientes e quiseram colocar a culpa no anestésico”, disse Posso, que trabalha no Hospital das Clínicas de São Paulo.
domingo, 4 de julho de 2010
SC: delegado entrega inquérito de estupro de menina de 13 anos

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu inquérito, nesta sexta-feira, sobre um caso de abuso sexual cometido contra uma garota de 13 anos em Florianópolis. O assunto vem gerando muita repercussão por supostamente ter sido cometido por dois garotos de 14 anos, um deles filho de empresário do ramo das comunicações e o outro de um delegado de polícia da capital.
A apuração do "ato infracional" foi entregue à Justiça no período da tarde de sexta. Agora, será remetido ao Ministério Público do estado, que decidirá ou não pelo prosseguimento. A investigação vem sendo coordenada pela 6ª Delegacia de Polícia e pela Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) e corre em segredo de Justiça. Tanto a delegada Juliana Gomes, responsável pela apuração da denúncia, quanto a Delegacia Geral da Polícia Civil de Santa Catarina confirmam a existência do crime, mas fornecem poucas informações sobre o assunto, devido às imposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A denúncia foi feita no último dia 15 de maio, após a menina dar entrada num hospital da cidade e exames confirmarem violência sexual. O suposto abuso teria ocorrido na noite anterior, dentro de um apartamento na avenida Beira Mar Norte, uma das áreas mais nobres de Florianópolis.
O ato chegou a ser comentado na internet, em blogs e pela ferramenta Formspring, inclusive pelos adolescentes apontados como autores. Esta semana, a Polícia Civil recolheu computadores pessoais dos envolvidos e solicitou exames toxicológicos para apontar se a vítima teria ingerido álcool ou outras substâncias químicas. A participação de um terceiro jovem também está sendo investigada, mas não foi confirmada pelos policiais.
Durante a última semana, um blog chegou a publicar o suposto abuso e uma carta assinada supostamente por "mães de alunos do Colégio Catarinense", um dos mais tradicionais do Estado e onde os autores estudariam. A instituição publicou um comunicado negando que os suspeitos frequentem o estabelecimento. "Não acreditamos que os colégios onde eles estejam matriculados tenham responsabilidade direta pelos atos praticados por seus alunos fora do ambiente escolar", afirma a instituição. "Os jovens citados nesta carta não são alunos do Colégio Catarinense".
Fabrício Escandiuzzi
Portal Terra
''Escola tem de parecer boa aos olhos do aluno''

Na quinta-feira, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que mede a qualidade do ensino fundamental e médio do Brasil a cada dois anos. Em escala de 1 a 10, o Ideb revelou crescimento pífio do ensino médio, que recebeu nota 3,6 - 0,1 a mais que na edição anterior, de 2007. Os estudantes dos anos iniciais e finais do fundamental receberam, respectivamente, 4,6 e 4,0.
Para o especialista em economia da educação Marcelo Côrtes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas do Rio (FGV-RJ), falta foco a essa etapa da educação. Segundo ele, a resposta está no ensino profissionalizante - Neri coordenou, para o Instituto Votorantim, a pesquisa A Educação Profissional e Você no Mercado de Trabalho, divulgada no início do ano.
Reportagem do Estado na edição de ontem mostrou que "não querer comparecer" às aulas foi o segundo principal motivo de ausências entre os estudantes do ensino médio.
O Estado conversou com o especialista sobre as possíveis razões para o Ideb do ensino médio não avançar no mesmo ritmo que os anos iniciais e finais do ensino fundamental.
Por que o ensino médio não atrai os alunos?
O principal problema é a falta de interesse. Seja para justificar os índices de evasão ou os motivos que os estudantes usam para explicar suas faltas.
Mas por que isso ocorre?
É uma questão, como sempre, de políticas públicas. Costuma-se pensar que boa educação é ter a melhor escola possível, com o melhor prédio, a melhor infraestrutura e os melhores professores e funcionários trabalhando. Mas não é só isso. Temos de pensar também no problema da oferta de vagas. E, isso resolvido, temos de criar demanda para essa oferta.
Como assim?
Para um estudante de 15 anos realmente querer estar dentro de uma escola, ela tem de parecer boa aos olhos dele e aos olhos de quem lá estuda. A falta de interesse não está ligada somente à questão financeira, de falta de investimento ou do estudante mais pobre não ter dinheiro para ir e vir da escola todos os dias. É um problema intrínseco ao ensino médio brasileiro. Já está enraizado.
Mas como podemos motivar essa demanda a se interessar pela escola?
Existe um paradoxo econômico dentro de tudo isso. Pesquisas comprovam que quem conclui o ensino fundamental tem 68% de chance de ser empregado com uma média de salário de R$ 700. Para quem finaliza o ensino médio, essa empregabilidade pula para 78%, com renda de R$1,6 mil. No entanto, o jovem parece não enxergar isso. Ele não vê essa ligação com o mercado de trabalho, não vê isso como motivação. Isso se deve, em grande parte, ao caráter generalista do ensino médio, que tenta fazer e ensinar muita coisa, mas não consegue.
Por quê?
Porque o estudante não vê a coerência que estudar física e química pode ter em sua vida. Ele não compreende o que esse conteúdo pode trazer em termos práticos. Além disso, o tempo de permanência na escola é muito curto. Uma jornada diária de quatro horas é pouco. Ele aprende pouco e não tem o interesse pelo conhecimento motivado.
Qual solução você enxerga para esse quadro?
O ensino profissionalizante é um bom caminho. Mas também não serve para todos. Uma mudança do conteúdo que é dado no ensino médio também seria bom. No caso da educação profissional, o primeiro passo é mudar a visão que as pessoas têm dela, de que é uma educação de segunda classe.
Marcelo Cortes Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da FGV-RJ
Estadão .com.br
Pedofilia

"A idéia de infância e de adolescência são coisas recentes, quando comparadas com a História da humanidade, têm apenas uns trezentos anos. Então, houve época em que não havia essa preocupação com a fase de formação das pessoas, como compreendemos hoje.
Sabemos que as crianças e os pré-adolescentes são grupos muito frágeis, porque ainda não têm todos os conhecimentos, todas as informações, todo o amadurecimento de que os adultos dispõem. Desse modo, estão mais expostos a muitos tipos de risco, que ameaçam não só a sua integridade física, mas também, e principalmente, seu desenvolvimento afetivo e emocional. As marcas psicológicas são muito complicadas, porque não são tão visíveis como as físicas. Um vergão deixado na criança agredida com o fio de ferro pode ser visto a olho nu, mas o trauma provocado pelo assédio sexual de um adulto, não se vê.
Quanto mais a sociedade se moderniza, quanto mais as pessoas saem da roça e vêm para a cidade, quanto mais se desenvolvem as técnicas em todas as áreas, mais cresce a violência e mais a vida se torna difícil. É claro que ninguém quer o atraso, porém, muitas vezes, as novas tecnologias, que são criadas pensando no bem das pessoas, podem ser usadas ao contrário, para prejudicar quem ainda não tem familiaridade com elas, ou quem, como as crianças e adolescentes, não têm maturidade para lidar com os novos meios de comunicação, protegendo-se das ameaças que podem oferecer.
Esse é o caso específico da Internet. Do mesmo modo como ela pode servir para localizarmos um medicamento que só existe em um país estrangeiro e, muitas vezes, salvar uma vida, pode ser usada para cometer crimes, como os que são praticados contra os bancos ou para aliciar e violentar uma criança. Por isso, é importante que todos procurem trabalhar para que suas crianças e adolescentes possam se beneficiar do que há de bom nesse mundo virtual, tirem o melhor partido do que ele oferece, com segurança e proteção, sem correrem riscos.
Paulo Eduardo Cabral
Sociólogo
"Pedofilia é um transtorno do desenvolvimento da psico-sexualidade que resulta em uma pessoa experimentar atração erótica predominante ou exclusiva por crianças. A pedofilia pode ser homossexual ou hetero-sexual, conforme a pessoa afetada se sinta atraída por pessoa do mesmo sexo ou do sexo oposto.
Como sucede em todas as parafilias (perturbações qualitativas da psicossexualidade) é importante diferenciar a pedofilia, como tendência erótica, das condutas pedofílicas manifestas, situações concretas nas quais a pessoa afetada por este transtorno realizam sua tendência perturbada.
Algumas pessoas com transtornos da personalidade podem exercer condutas pedofílicas sem que tenham aquela tendência como traço importante de seu caráter (como acontece com pessoas deficientes, neuróticas, psicóticas, demenciadas ou sociopatas).
No outro extremo, convém não confundir as condutas pedofílicas manifestas com a satisfação ou, até, a adicção à pornografia pedofílica (como muitos jornalistas vêm fazendo de modo um tanto irresponsável). Ainda que seja importante ressaltar que o consumo de material pornográfico de natureza pedofílica, desde que empregue como modelos ou protagonistas crianças ou adolescentes, constitua na prática um incentivo às condutas criminosas, que não existiriam ou aconteceriam em muito menor quantidade não existisse o
comprador daquele material.
Contudo, parece necessário afirmar que a pedofilia e as condutas pedofílicas, em sua maior parte, são ocasionadas por uma condição psicopatológica que pode ser tratada. Esta deve ser a tônica das medidas educativas e sanitárias que deve fundamentar e nortear todas as campanhas sobre esta matéria. Mas pode haver condutas pedofílicas sem patologia, como
se dá na maior parte dos casos de exploração erótico-sexual de crianças e adolescentes".
Dr. Luiz Salvador de Miranda Sá Júnior
Psiquiatra
Campanha MS contra a Pedofilia