sexta-feira, 18 de junho de 2010

Forma grave da dengue atingirá o Rio em caso de nova epidemia


Especialistas alertam: pacientes que contraíram o tipo 2 em 2008, quando a doença se alastrou fortemente pelo estado pela última vez, desenvolverão a doença hemorrágica se infectados pelo vírus 1, que está em circulação

Rio- A volta do tipo 1 da dengue na Região Metropolitana do Rio acendeu a luz vermelha no Ministério da Saúde. São cerca de 3,7 milhões de pessoas com idades de 0 a 19 anos que não tiveram contato com o vírus — o tipo 1 não circula no Rio desde o início da década de 90 — e, portanto, não têm qualquer imunidade. Outra preocupação é que uma nova epidemia traga casos graves da doença, como a forma hemorrágica. Estudos apontam que a segunda infecção pela doença — que ocorre quando um vírus diferente circula — tende a ser mais grave que a primeira.
“A população do Rio está exposta a infecções de dengue desde 1986. São 20 anos. Isso é fator de risco para a forma hemorrágica. E a gravidade dos casos é uma das maiores preocupações. Pacientes graves levam à sobrecarga dos serviços de saúde e ao aumento do risco de morte”, diz o coordenador do Programa Nacional de Controle de Dengue do ministério, Giovanini Coelho.
Segundo ele, o Rio tem condições ambientais que facilitam epidemia: presença do Aedes aegypti em abundância, clima quente e pessoas suscetíveis ao tipo 1. “A situação de vulnerabilidade é muito grande”, alerta.
Conforme O DIA mostrou ontem, 20 municípios do estado já enfrentaram epidemia de dengue este ano devido à reintrodução dos tipos 1 e 2. Na cidade do Rio, o vírus 1 já foi isolado em três pacientes recentemente, segundo a superintendente de Vigilância em Saúde do Rio, Rosana Iozzi.
O ministério, o estado e o município se preparam “para o pior cenário”, conta Giovanini Coelho. Um plano que inclui a definição de hospitais de referência, estratégia de transporte e capacidade de exames laboratoriais está sendo finalizado. “Temos que estar preparados para ter uma resposta mais adequada, para não ocorrer o que aconteceu em 2008. Não vamos pagar para ver”.
Em 2008, a epidemia de dengue deixou o estado em desespero, com hospitais superlotados, filas intermináveis e 240 mortes confirmadas.

Alto número de imóveis com o Aedes na cidade
Em cada 100 imóveis do Município do Rio, 2,8 têm pelo menos um foco do Aedes aegypti, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil. O número é mais do que o dobro do tolerável segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de até 1% de infestação. E coloca a cidade em alerta.
Em algumas regiões da cidade, como na área da Penha, a infestação média chega a 3,3%, segundo Iozzi. “Em alguns locais da Penha e também de Jacarepaguá são encontrados índices ainda mais altos”.
O número de focos é razão de preocupação. “ Certamente teremos áreas da cidade com índice altíssimo. E a existência de altos índices é suficiente para ter a transmissão sustentada do vírus”, diz Giovanini.
A reintrodução do tipo 1 da dengue não é a única preocupação do Programa Nacional do Controle da Dengue em relação ao Rio. O risco da entrada do tipo 4, que circula na Venezuela e na Argentina, também assusta. “O Rio recebe turistas de todos as partes do mundo, que podem trazer o vírus 4. Essa possibilidade, então, não pode ser descartada”, afirma Giovanini.

PREVINA-SE JÁ!

CALHAS
Devem ficar sempre limpas e sem pontos de acúmulo de água. Folhas secas precisam ser retiradas para que a água não fique retida.

LAJES E MARQUISES
É importante manter o escoamento desobstruído e sem depressões que possam causar poças.

CAIXAS D’ÁGUA
Devem ficar vedadas. Não devem ser cobertas por plástico ou calha porque esses materiais podem acumular água e servir de criadouros.

FOSSOS DE ELEVADOR
Recomenda-se verificar uma vez por semana. Deve-se bombear caso haja acúmulo de água.
Pâmela Oliveira

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