sábado, 16 de maio de 2009

Pais antenados contam como educam filhos da geração digital

Adultos entusiastas do ciberespaço apostam na conversa para instruir. 'Alguém precisa mostras às crianças quais os caminhos seguros', diz mãe.

No último Natal, Enzo e Giorgio Nunes da Silva ganharam de presente dois notebooks -- um para cada irmão --, que usam em sua casa equipada com conexão sem fio à internet, em São Paulo. O que torna a história curiosa não é necessariamente o presente, mas sim a idade deles: Enzo acaba de completar nove anos, e Giorgio tem seis.
O mais velho aprendeu a usar comunicadores instantâneos simultaneamente à alfabetização -- hoje, ele também é adepto serviço de microblog Twitter. Giorgio é mais interessado em imagens: usa o Flickr, cria apresentações de fotos e gosta de fazer desenhos no Paint Brush. Tudo sempre acompanhados dos pais Samantha Shiraishi, 36, e Guilherme Nunes da Silva, 37, também entusiastas do ciberespaço.
“É preciso fazer um trabalho de orientação. Vejo a internet como um mundo virtual no qual muitas crianças entram abandonadas, sem alguém que lhes dê a mão para mostrar quais os caminhos seguros”, compara Samantha. Jornalista, blogueira e consultora de projetos de mídias sociais, ela é coordenadora do site Mãe com Filhos, que “desmitifica a web 2.0 para as mães 1.0”, com ela mesma define.
Em sua casa, o uso da web é controlado. Apesar do fácil acesso aos notebooks, os filhos têm hora para navegar e não devem entrar em sites com conteúdo inadequado: YouTube somente com a supervisão dos pais, e no Orkut seus perfis ilustrados por personagens de desenho animado só podem adicionar parentes. O Twitter de Enzo funciona como uma ferramenta pessoal de texto (está bloqueado e o garoto não segue outros usuários), e a mãe coloca no blog de Giorgio os vídeos do YouTube que ele está liberado para assistir.
Conversas entre pais e filhos sobre as vantagens e os perigos da internet, além da criação de regras de uso para o computador (sites permitidos, proibidos, horário de acesso) já fazem parte do “pacote” de educação de pais antenados, que querem ensinar as crianças como navegar de forma segura.

Na conversa
A advogada Flavia Penido, 40, também adota o controle baseado na conversa para orientar o filho Leoncio, 12. “Não adianta simplesmente proibir. Se ele não conseguir acessar algum site do meu computador, poderá entrar nessa página quando estiver na casa do amigo. Por isso, os pais devem explicar por que aquele conteúdo é inadequado, em vez de simplesmente impedir o acesso.”
Flavia, também blogueira, defende que a criança conquista sua liberdade com o tempo, suas atitudes e maturidade. “Criança não deve ter privacidade: tenho a senha do messenger do meu filho, caso eu queira entrar para ler suas conversas”, conta, revelando detalhes de um acordo feito entre as duas partes.
"Há muito tempo, no entanto, não monitoro seu messenger. Acredito que os pais conseguem perceber, observando a postura do filho, se existe algo errado acontecendo”, afirma a mãe, que frequentemente encontra o comunicador de Leoncio aberto. “Se ele tivesse algo a esconder, certamente fecharia tudo.”
Na casa da advogada, o computador fica em um ambiente comum e os diversos temas relacionados ao ciberespaço são tratados de forma aberta, como aconselham os especialistas ouvidos pelo G1.

Alternativas
Rodrigo Toledo, 37, segue a mesma cartilha das mães dessa reportagem para orientar sua filha, Ana Carolina, 8: conversar, expor os perigos da web, limitar o acesso a alguns sites e estar sempre presente, para que ela possa tirar dúvidas durante a navegação.
“Quando ela está on-line, falo para me perguntar sobre páginas desconhecidas”, diz o advogado e blogueiro, que trabalha em casa. “Se considero algum site inadequado, explico o motivo pelo qual ela não deve entrar e tento sempre apresentar uma nota alternativa”, diz o pai, que é contra o uso do Orkut por parte das crianças.
Atento às opções que podem ser exploradas, Rodrigo apresentou para Ana Carolina a Wikipedia – que ela só acessa após consultá-lo sobre os temas – e as ferramentas de mapas do Google, que a garota usa para visitar a virtualmente a Disney, a Itália e outras regiões. “Funciona como uma aula de geografia, para lugares aonde nem sempre podemos ir”, compara.Rodrigo acredita que o fato de trabalhar em casa facilita a educação digital de sua filha – ele usa um Mac e ela, o Macbook do pai. “Se eu ficasse fora o dia inteiro seria mais difícil. Ela continuaria tendo a supervisão de um adulto para acessar a web, mas acho que faltaria tanta conversa, que é a parte principal desse processo de educação.”


Portal G1

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