quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Tráfico Humano e Exploração Sexual


Crimes que envergonham toda humanidade no mundo globalizado.

Tráfico humano é definido pelas Nações Unidas como o recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou receptação de pessoas, por meio de ameaças ou o uso da força, ou de outras formas de coação, rapto, fraude, engano ou abuso de poder, em troca de pagamentos ou benefícios, em situações de vulnerabilidade para fins de exploração. As principais manifestações destas violências ocorrem como formas de trabalho forçado, escravidão disfarçada ou exploração sexual, principalmente de mulheres, adolescentes e até de crianças, que se tornam “produtos” de um mercado de adoção ilegal, em práticas abusivas, nas quais a pessoa envolvida fica sem alternativa a não ser submeter-se à exploração para garantir sua própria sobrevivência. O preço da ilusão se torna a chave da prisão de muitos que caem nesta rede e desaparecem no mapa das cidades, principalmente turísticas e também nos grotões da miséria urbana, em regiões de fronteiras.
Adolescentes e jovens adultos/as são as vítimas, em sua maioria, em mais de 130 países, inclusive o Brasil. O número real é desconhecido, mas estima-se que em torno de 2,5 milhões de pessoas são traficadas ou exploradas para fins comerciais, inclusive sexuais. Os traumas da violência corporal e sexual sofrida e do abandono social ainda aumentam a exclusão e segregação, com perdas da dignidade e do sentido de cidadania, se tornando marcantes, indeléveis, com repercussões médicas e mentais, por toda vida. Com isso, os Direitos Humanos assegurados em tantas convenções e acordos nacionais e internacionais são desafiados ou esquecidos em meio a tanta corrupção e impunidade.
O lucro advindo do tráfico e da exploração sexual é estimado em torno de 30 bilhões de dólares anuais. Este dinheiro circula em economias industrializadas ou nações empobrecidas, através das redes associadas ao crime organizado, inclusive de drogas, armas e na Internet, estimulando os conflitos entre os diferentes grupos sociais ou étnicos.
Instrumentos legais e jurídicos existem, como o Protocolo das Nações Unidas contra o crime organizado transnacional relativo à prevenção, repressão e punição do tráfico de pessoas. No Brasil, há uma política nacional de enfrentamento, que aos poucos, vai saindo do papel e sendo implementada local e intersetorialmente, mas sem a urgência necessária para driblar os entraves burocráticos que vão pulverizando os recursos. Como se a vida dos outros nada valesse num mundo de interesses imediatos!
O compromisso de parar a violência e evitar todas as formas de abuso é coletivo, pois os crimes de tráfico humano e exploração sexual são de tal magnitude, que ninguém poderá alcançar a liberdade que a cidadania plena de direitos oferece, sem receber ajuda ou suporte social. Cabe a cada um de nós denunciar e recusar o silêncio que esta escravidão humana impõe, degradando a todos que se calam frente a tantos absurdos!
As estratégias de mudanças necessárias foram temas de debates durante a realização do Fórum Internacional das Nações Unidas, que aconteceu de 13 a 15 de Fevereiro em Viena, com a participação de governos, instituições não governamentais, empresas do setor turístico, agências de mídia e de comunicação, conselhos de mulheres e de jovens além de lideranças expressivas do mundo médico, cultural, artístico e religioso. Para consultas, acesso público ao website: http://www.blogger.com/www.ungift.org
A vulnerabilidade do ciclo vicioso da pobreza, e as ações de impacto para prevenção, proteção e punição devem ser direcionadas à participação de toda sociedade na construção de num mundo melhor, livre e digno, para todos cidadãos, sem exceções, até a erradicação da exploração humana sob qualquer circunstância social ou política.

O corpo humano não está à venda, nem é mercadoria ou objeto a ser possuído por ninguém!

* Evelyn Eisenstein
Médica Pediatra e Clinica de Adolescentes,
Professora Adjunta da Faculdade de Ciências Médicas
Da Universidade do Estado do Rio de Janeiro


Associação Brasileira de Adolescência

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