sexta-feira, 10 de julho de 2009

Preconceito contra crianças e idosos é gigantesco


Falei no texto anterior sobre as vantagens de velhos e crianças mandarem no mundo, e muita gente não entendeu. Claro que trata-se de uma utopia.

O que eu quis dizer pode ser resumido no seguinte:

1 - Precisamos aprender mais com as crianças, provas vivas de que o ser humano é viável quando desprovido de preconceito e quando tem o coração aberto.

2 - Precisamos ouvir o que têm a dizer os idosos, pois acumularam experiência de vida e a proximidade da morte faz qualquer um passar a dar valor ao que realmente importa.

Alguns leitores argumentaram que existem crianças e velhos muito maus. Pois não é a esses que me referi, mas à grande maioria, que não é má coisa nenhuma.O que mais me choca hoje é que os adultos não ouvem as crianças.

Ou reprimem demais, ou mimam demais, dois erros de quem busca o caminho que julga mais fácil por comodismo. Converse de igual para igual com uma criança e verá que maravilha, quanto aprendizado, quanta alegria genuína e contagiante.

E me choca também que ninguém tenha saco para aprender com os mais velhos. Uma amiga minha sempre leva a tia, que já passou dos 80, ao banco. A senhora está lúcida, mas tem dificuldade de locomoção, por isso a sobrinha a ajuda. Pois, na agência bancária, os funcionários não se dirigem à anciã, só à minha amiga, que é jovem.

Ela é obrigada a dizer: "Ei, falem com ela; ela veio resolver o problema, eu só estou acompanhando!" Só pela aparência, julgam um idoso incapaz.

Por alguns comentários irados ao texto anterior, também pude medir a quantas anda o preconceito com velhos e crianças.

Vejamos as condições dos asilos onde muitos filhos até com boa situação financeira mantêm o parente idoso.

Visitei um na Zona Sul onde se paga quase R$ 3 mil por mês. Não falta nada, exceto amor. Foi o lugar mais triste em que já estive.

A foto é do asilo Legião do Bem, no Méier (Zona Norte do Rio), para idosos carentes, que recebeu há alguns dias a visita dos dóceis cães do projeto Patinhas do Bem, filantrópico e idealizado por Denizard Baldan, que não conheço. Ele leva seus cães para divertir e dar afeto a pessoas de idade avançada e crianças enfermas.

Para muitos anciãos, a única manifestação de carinho que recebem em anos são as desses animais.

E os abrigos públicos para menores desamparados?

Sempre foram grandes cadeias formadoras de adultos marginais.

O futuro que semeamos negando atenção às crianças e desprezando a experiência dos velhos é o presente caótico em que vivemos.

Talvez por isso cometamos tantos erros...
Marcelo Miggliaccio
Rio Acima
JBlog

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