quinta-feira, 21 de maio de 2009

Novas imagens reavivam o escândalo em Abu Ghraib


Escândalo: Novas imagens de torturas em prisões no Iraque e Afeganistão

A cadeia de TV australiana SBS divulgou ontem 15 fotografias de torturas no Afeganistão e Iraque que o presidente Barack Obama não queria ver reveladas. Nos EUA a CBS foi a primeira a seguir o exemplo e pelo Mundo vários meios de comunicação reproduziram igualmente as imagens chocantes.
Nas fotos surgem prisioneiros nus, muitos deles revelando feridas em sangue. Um deles está algemado e preso de cabeça para baixo; outro, algemado com os braços acima da cabeça, tem uma espuma branca a escorrer da boca. Há ainda quatro presos nus, de cabeça coberta. Um deles tem uma mensagem gravada nas nádegas na qual se lê ‘violador’.
As fotografias foram compradas pela SBS em 2006, aquando do escândalo de torturas em Abu Ghraib, Iraque, mas ficaram na gaveta e são divulgadas na pior altura para Obama. O presidente deu esta semana o dito pelo não dito e decidiu reatar os julgamentos de prisioneiros em Guantanamo, prisão que prometera encerrar.
O caso fica ainda mais embaraçoso porque vai contra o seu desejo expresso de manter as imagens em segredo. No início da semana anunciou um recurso contra a decisão judicial de permitir a desclassificação de cerca de 2000 fotografias, em resposta a uma petição da Associação Americana pelas Liberdades Cívicas (ACLU). A Casa Branca entende que há o risco de uma nova onda de revolta no mundo islâmico, perigosa para os militares dos EUA no Afeganistão e no Iraque.

DIRECTOR DA CIA ATACA PELOSI

O director da CIA, Leon Panetta, rejeitou as acusações da presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, segundo a qual a agência de espionagem enganou o Congresso no caso das torturas a suspeitos de terrorismo. "Quero ser bem claro: não faz parte da nossa política nem da nossa prática mentir ao Congresso. É contra as nossas leis e os nossos valores", afirmou Panetta, em declaração lida aos funcionários da CIA.
As afirmações contradizem Pelosi, que quinta-feira acusou a CIA de em 2002-2003 ter dado garantias ao Congresso de que o afogamento simulado e outros métodos mais duros não eram usados no interrogatório de detidos. Pelosi respondeu afirmando que as suas críticas visavam a administração Bush e não a CIA.

PORMENORES

CONVENÇÃO DA ONU

A Convenção da ONU contra a tortura considera que esta não é justificável em "quaisquer circunstâncias excepcionais, como guerra ou ameaça de guerra, instabilidade política ou outra emergência pública".

ORDENS SUPERIORES

Quando rebentou o escândalo de Abu Ghraib, muitos dos militares envolvidos alegaram estar a cumprir ordens superiores, algo que, à luz da Convenção da ONU, não justifica o uso de tortura.

AFOGAMENTO SIMULADO

Em Fevereiro de 2008, o Senado dos EUA aprovou uma medida banindo técnicas de interrogatório mais duras, como o afogamento simulado. O presidente George W. Bush vetou.

CONFISSÃO SOB TORTURA

Sob tortura, Ibn Shaykh al-Libi confessou que o Iraque treinou a al-Qaeda no uso de armas de destruição maciça. A confissão, que hoje se sabe ser falsa, justificou a invasão do Iraque.

F. J. Gonçalves com agências

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