quinta-feira, 28 de maio de 2009

São Paulo - Crianças Desaparecidas

Inspirada nas fotos de crianças desaparecidas (40.000 por ano, em média, no Brasil) dos cupons de pedágio das rodovias do Estado de São Paulo, essa exposição foi fruto de longa pesquisa sobre o tema na imprensa e no angustiante apelo visual que essas fotos exercem.
Compôs a exposição um latão de lixo com um espelho acoplado em seu fundo e uma série de fotos de crianças abandonadas nas latas de lixo, sarjetas, lagoas e terrenos baldios das cidades, sugerindo uma atmosfera de perda. Foram expostos sete mini-pôsteres, seis obras e um grande painel de 2,10 x 4,80m, onde a artista plástica transferiu sua indignação retratando 120 rostos de crianças desaparecidas.

Projeto Crianças Desaparecidas
O projeto teve início quando recebi pela primeira vez um recibo no pedágio. Gerou em mim um movimento de recolher , juntar os recibos e criar uma forma para colocá-los. Surgiu a idéia dos mini-postes, uma referência ao “procura-se”, às fotos de pessoas procuradas, coladas nos muros e postes das nossas ruas.
Criei o latão de lixo, que encontrei num ferro-velho e preservei como estava, acrescentando as colagens de fotos de Crianças Desaparecidas, me referindo também às crianças “jogadas fora”, encontradas nas latas de lixo, sarjetas, lagoas e terrenos baldios das cidades.
No fundo do lixo coloquei um espelho, pois acredito que este problema é de cada um de nós. Um problema social, que devemos primeiramente reconhecer, aceitar que existe, ter o conhecimento de como fazer um trabalho social preventivo e em seguida agir, da maneira que cada cidadão possa contribuir para a busca das possíveis soluções.
Depois de trabalhar sete mini-pôsteres e o latão, achei que tudo aquilo era pouco pra tanta criança desaparecida (40.000 por ano, no Brasil), e comecei a pintar as telas com os retratos estilizados das crianças, buscando-as nos sites de busca da internet. O trabalho resultou num grande painel de 2,10x 4.80m.

Vera Ferro, 2007


Currículo da artista
Vera Ferro estudou artes na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), em São Paulo e trabalhou com a técnica de gravura em metal no Museu de Arte Moderna (MAM). É pintora, aquarelista, gravadora e trabalha com arte postal. Participa desde 1981 de exposições individuais, de coletivas e de salões de artes, recebendo vários prêmios. Tem obras em acervos de museus e de colecionadores particulares no Brasil e no exterior. Trabalha em Campinas, SP, orientando artistas em seu ateliê no Cambuí e na Escola de Arte Arquitec.



CDC

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