terça-feira, 12 de maio de 2009

O suícidio é um problema; não uma solução



O jovem Tony diz que ama a família e a namorada, mas se mata

Tony Silva de Oliveira (foto), 20, tinha senso de humor. Ele começou assim a carta de suicida: “Bom, acho que 90% das pessoas que se matam escrevem uma carta para as pessoas que amam, e eu não vou ser diferente”.
Em mais de 400 palavras e reticências ele escreveu que amava o pai, a mãe, o irmão, a tia, a namorada e os amigos.
À namorada, deixou um recado: “Você [...] é muito mais do que sonhei. Eu queria muito construir uma vida com você”.
Ao pai: “Acho que você nunca pensou que ia acabar assim, né, [mas] infelizmente acabou”.
Para a mãe: “Sempre te admirei sua garra, sua força, persistência. Desculpe-me, mãe, por que não querer mais viver.”
Ele escreveu que já tinha tentado se matar por três vezes. “Que droga, será que nem para isso eu sirvo!”
Na quarta vez ele conseguiu o que queria.
Era por volta do meio dia de 7 de maio, na quarta-feira passada, quando o corpo dele foi encontrado ao lado de uma espingarda calibre 28.
A notícia correu rápido por Água Boa, cidade do Mato Grosso onde mora a família do rapaz. Ela tem 18 mil habitantes e fica a 730 km da capital, Cuiabá.
Embora seja pouco noticiado pela grande imprensa (trata-se de um tabu), o suicídio é um problema que se agravou nos últimos anos, inclusive entre os jovens.

O Mapa da Violência do Ministério da Justiça mostra que o suicídio entre as pessoas na faixa de 15 a 25 anos subiu de 4 por 100 mil habitantes em 2000 para 4,7 em 2005. Em relação aos não jovens, o aumento foi de 3,6 para 4,5.
Em países da Europa e da Ásia, a incidência maior de suicídio ocorre entre os adultos, que são, em tese, mais propícios ao pessimismo.
Uma das causas do suicídio de jovens é a imaturidade que superestima problemas que são momentâneos, como quase todos.
No caso do Tony, ele escreveu que a sua vida estava ótima, mas, acrescentou, a felicidade veio junto com pesadelos. Não disse do que se tratava; a família deve saber. Apenas ressaltou: “Nunca imaginei sofrer tanto com comentários maldosos e desconfiança! Não quero mais viver. Para mim, acabou aqui.”
Se tivesse desistido na terceira tentativa do suicídio, Tony descobriria que o sofrimento é inerente à vida e que, mesmo assim e que até por causa disso, vale a pena viver.

Fonte: Paulo Lopes

A tentativa de suicídio ou o suicídio em si não têm uma causa específica, mas sim um conjunto de factores que actuam com transtornos emocionais importantes.

Sinais de alerta:
• Crise de identidade;
• Baixa auto-estima.
• Distúrbios psiquiátricos (depressão);
• Crises familiares (separação dos pais, violência doméstica, doença grave ou morte);
• Falta de apoio no meio familiar;
• Perda de um familiar ou amigo querido;
• Crise disciplinar com os pais ou na escola;
• Situações de desapontamento, rejeição ou humilhação;
• Relacionamento acabado;
• Fracasso em actividades valorizadas pelo(a) jovem.
• Exposição ao suicídio (televisão, família, comunidade, Internet);
• Suicídio recente de amigos ou familiares;
• Falta de esperança;
• Abuso físico, sexual e drogas;
• Gravidez indesejada;

Comportamentos na escola: Baixo rendimento, pouca concentração;
 Alterações de humor e comportamentos;
 Abordagem de temas sobre a morte;
 Perda de interesse em actividades antes admiradas;

Comportamento interpessoal: Abandono das relações habituais, mudanças repentinas nas relações, evita envolvimento com amigos e encontros sociais.
 Os adolescentes que apresentam um quadro depressivo devem ser observados com atenção, principalmente se demonstram algumas atitudes acima descritas. Esta súbita alegria pode ser devida ao facto de concluírem que não têm outra saída e que encontraram a solução para os seus problemas – o suicídio

Fonte: Suicídio Não é Solução

Ligue 141 ou acesse
Centro de Valorização da Vida

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