sábado, 10 de outubro de 2009

IBGE: Terceira idade se aproxima do número de jovens no Rio, o que indica que população deve diminuir


RIO - Na cidade olímpica, os idosos devem chegar a 2016 na frente dos jovens. Estado com maior percentual de maiores de 60 anos no país (14,9%), o Rio caminha a passos largos para equiparar sua população da terceiro idade à de menores de 14 anos, segundo a Síntese dos Indicadores Sociais , divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE. O índice de envelhecimento - calculado levando-se em conta a proporção entre pessoas de 0 a 14 anos e aquelas com mais de 64 - da Região Metropolitana do Rio chegou a 0,9 em 2008. Já está próximo do do Japão, um país onde a população vem diminuindo há muitos anos, e onde o índice é de 1.
- Isso indica que a população do Rio deve começar a diminuir num futuro muito próximo, bem antes do prazo estimado para o Brasil, que é 2030 - avalia Ana Lucia Saboia, coordenadora-geral do estudo e gerente de Indicadores Sociais do IBGE.

Taxa de fecundidade é a menor do país
Na equação que deve levar ao recuo no número da população está também a taxa de fecundidade total do Estado do Rio, que é de 1,54, a menor do país. O perfil antecipa a tendência de envelhecimento do país: numa década, a proporção de idosos passou de 8,8% para 11,1% do total da população. A expansão da população mais idosa se explica, segundo especialistas, por avanços na medicina, melhorias no mercado de trabalho e na renda dos trabalhadores e maior cuidado com a alimentação.
O atual contingente de idosos brasileiros, de 21 milhões, já é superior ao de crianças de 0 a 6 anos - que é de 19,4 milhões. É maior também, em números absolutos, do que a projeção da Organização das Nações Unidas (ONU) para o número de pessoas com mais de 60 anos de França, Inglaterra e Itália (entre 14 milhões e 16 milhões cada) - países com população envelhecida. Mas, diferentemente do que ocorria na Europa, 32,2% dos idosos brasileiros não sabiam ler e 51,4% eram analfabetos funcionais.
- O que importa, contudo, é a proporção de idosos sobre o total da população. Na Europa, eles representam 18% do total. Já no Brasil, essa proporção é de 11%. Ainda estamos envelhecendo - comentou Ana Amélia Camarano, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De 1998 a 2008, o grupo etário de 80 anos ou mais foi o que mais cresceu, chegando a quase 70% ou 3 milhões de pessoas. Segundo especialistas, essa expansão indica aumento da taxa de longevidade no Brasil, mas requer medidas para garantir atendimento a esses idosos na rede pública.
- No país, as pessoas estão vivendo mais, e nasce menos gente. E, com isso, essa população idosa crescerá muito mais nos próximos 30 anos. A grande questão é: temos condições de cuidar dessa população idosa? - questiona a especialista do Ipea.
- No Rio, onde já está se equiparando a quantidade de jovens e de idosos, os números indicam que esse processo deve se acelerar no pais. O Brasil inteiro deve chegar a essa curva antes do previsto. Isso se deve especialmente ao avanço rápido da medicina - diz Lúcia Cunha, pesquisadora do IBGE sobre indicadores sobre idosos.
Aos 90 anos, Djamira Esteves, ou Dona Mirinha, mora com dois filhos e com uma das irmãs em uma casa na Tijuca, na Zona Norte do Rio. Sua família é um exemplo da longevidade do morador do Rio: tem duas irmãs - a caçula com 81. Orgulhosa de nunca ter feito uma cirurgia, ela afirma que gosta de viver na cidade e que nunca se sentiu sozinha ou desamparada.
- Eu sou uma criatura feliz. Para chegar nessa idade, o que fiz foi viver bem, desde a infância - disse, ressaltando que sempre esteve cercada pela família e por enfermeiros.
Dona Mirinha faz bem de morar com a família. Segundo especialistas, a rede de apoio familiar mostra-se fundamental para a saúde mental dos idosos. No país, a proporção de idosos que moravam com filhos era, em 2008, 33,3. Nas regiões Norte e Nordeste, esse percentual é bem mais elevado: mais de 50% dos idosos moram com os filhos.
O Estado do Rio, que tinha, em 1998, cerca de 11% da população com mais de 60 anos, tem características que ajudam a entender o motivo da longevidade de seus moradores, como a qualidade de vida na cidade e a média de anos de estudo da população idosa. Na Região Metropolitana do Rio, é um das mais altas do país, de 6,5 anos - acima da média do país, de 4,1.

Esperança de vida é de 73 anos
Os avanços obtidos no Brasil nos últimos anos ainda mantêm o país numa posição incômoda em relação a outros países. Ao cruzar os dados da síntese com informações da Organização das Nações Unidas, o IBGE detectou que a esperança de vida brasileira, de 73 anos, deixa o país atrás de nações como Costa Rica, Panamá, Equador e Venezuela.
De acordo com o levantamento a esperança média de vida ao nascer era de 69,7 anos, em 1998. A projeção mais recente é mais favorável para as mulheres, com 76,8 anos, do que para os homens, com 69,3 anos.
Os desníveis entres as regiões persistem, embora tenham diminuído. A diferença entre o Distrito Federal, o maior número com 75,6 anos, e Alagoas, o menor com 67,2 anos, ficou em 8,4 anos, em 2008, enquanto, em 1998, era de 9,7 anos. Em relação à América Latina, o Brasil situa-se em um grupo intermediário, tendo como o topo da lista a Costa Rica, com 78,8 anos, e o menor valor o Haiti, com 61,2.
A comparação dos dados sobre mortalidade infantil também são desfavoráveis ao Brasil. Enquanto em Cuba e no Chile a mortalidade infantil ao nascer é de 5,1 e 7,2 a cada mil nascimentos, no Brasil o patamar é de 23,5 por mil, uma queda de 30% em relação a 1998, quando a taxa era de 33,5 por mil.
"A melhoria das condições de habitação com saneamento básico e ampliação dos serviços de saúde vêm contribuindo para reduzir as mortes infantis", revela o IBGE.

Maiá Menezes, Fabiana Ribeiro e Cássia Almeida - O Globo; Agência Brasil
Reuters



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